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Muitos pais e responsáveis se preocupam com a chegada de um novo filho na família. No programa de hoje, a psicóloga Renata Bedran e a psicopedagoga, Juna Cunha, explicam tudo sobre a relação de irmãos e como lidar diante dessa novidade.
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00:08Olá, sejam bem-vindos ao Check-Up Saúde. Eu sou a Alice Sarsinelli e essa é a sua conexão com
00:14os
00:14maiores especialistas em saúde do estado. Gente, hoje vamos falar sobre um tema de saúde mental que
00:20deixa muita família de cabelo em pé, a relação de irmãos. Muita gente até deixa ou posterga a
00:28possibilidade de ter um segundo filho pensando aí na saúde mental da família como um todo.
00:34Vamos tirar todas as dúvidas sobre o assunto com duas grandes especialistas. Seja bem-vinda,
00:39psicóloga Renata Bedran. Obrigada pelo convite, é sempre um prazer estar aqui.
00:46Temos também aqui a nossa psicopedagoga, relação de irmão, também é papo para a escola. Seja bem-vinda,
00:52Juna Cunha. Olá, muito obrigada pelo convite, sempre uma honra. Renata, vamos começar falando então um pouquinho
00:59sobre esse assunto que deixa a gente inseguro. Muita família mesmo, muita mãe, muito pai, repensa ter o
01:06segundo filho. Acho que em primeiro lugar, será que eu vou conseguir amar o segundo filho como eu amo o
01:13primeiro? E outras, será que isso vai impactar a saúde mental do meu primogênito, né? Isso acontece de
01:19verdade na prática? Você experiencia isso no consultório, Renata? Sim, as pessoas têm medo, né? Se vai amar o mesmo
01:28tanto e as pessoas que tiveram uma relação de irmão um pouco perturbada, que sempre achou que a mãe
01:35tinha um favorito, eles ficam assim, ah, eu não vou ter outro filho porque meu filho vai perder toda a
01:42atenção
01:42que eu dou para ele, eu quero ser exclusiva dele, então acontece muito mesmo.
01:48A família repensar. E aí, o que você fala para essas famílias?
01:51Eu falo para essa mãe, né? Que tem esse pensamento, para ela talvez entrar num processo de terapia para
01:59tratar as dores dela, porque nem sempre o filho que vem, né? Que é o mais velho, vai ter essa
02:06mesma dor que
02:07ela teve na infância. São pais diferentes, são momentos diferentes, então, às vezes, a dor da mãe impede, né?
02:16Que um desejo aconteça, como um segundo filho.
02:20Isso é uma verdade, né, Renata? Muitas vezes, quando a criança passa por algum problema e a gente olha aquilo
02:26como um problema da criança, é o adulto que precisa se tratar?
02:29A maioria das vezes, sim. Os pais não gostam muito de ouvir isso, não, mas geralmente o sintoma da criança
02:38está relacionado ao casal parental ou algum fantasma da mãe, algum sintoma da mãe.
02:45Da relação ali do pai e da mãe.
02:47Isso, a relação de casal.
02:49Então, se você está percebendo que seu filho está tendo algum desconforto, que está fugindo ali,
02:53geralmente tem que todo mundo para terapia.
02:55Isso, o ideal seria.
02:57O ideal seria. Renata, e vamos falar, assim, de duas máximas, né?
03:01Quando a gente fala de relação de irmão, a gente pensa no irmão mais velho, incomodado
03:07com a presença da chegada do mais novo, o famoso pentelho que atrapalha, porque esse mais novo
03:13geralmente tem o mais velho como referência e quer imitá-lo e isso, às vezes, gera ali um desconforto.
03:19Fala um pouquinho sobre isso na prática.
03:21Então, a imitação é uma característica da infância.
03:27Até dos seres humanos mesmo, a gente tende a imitar quem a gente tem como referência, né?
03:32Seja o irmão mais velho, a mãe ou o pai.
03:36No entanto, a gente tem que ligar um alerta se isso está em excesso, porque no futuro, né?
03:41Se o filho mais novo imita muito o filho mais velho, no futuro ele pode ter dificuldade de tomada de
03:48decisão
03:48e de saber realmente o que ele deseja, né?
03:53Eu posso até me colocar como exemplo, né?
03:55Porque eu sempre, eu tenho uma irmã mais velha e eu sempre ia atrás dela, assim,
04:01ela entrava no inglês, eu entrava no inglês, ela entrava no piano, eu entrava no piano.
04:07Até que chegou o momento da gente escolher, ela entrou para a faculdade, para a comunicação social.
04:12Quando chegou a minha hora de decidir a minha profissão, eu fiquei em dúvida.
04:17Acabou que eu escolhi comunicação social.
04:20Então, o que aconteceu?
04:21Eu fiz uma faculdade inteira e depois, quando eu vi que aquilo não era...
04:25Ainda no projeto da imitação da irmã, o ideal.
04:28Quando eu vi que aquilo não era para mim, eu fui fazer outra faculdade, que foi a de psicologia.
04:34Então, os pais têm que estar atentos se isso está acontecendo com o irmão mais novo, né?
04:42Já a questão do irmão mais velho, ele se sente ameaçado.
04:46De perder a atenção e o amor dos pais.
04:49Tem uma linha da psicologia que fala, por exemplo, que o irmão mais velho pensa assim,
04:55poxa, meus pais quiseram ter outro filho, eu não sou bom o suficiente.
05:00Então, ele sempre se sente ameaçado.
05:03Ele sempre um pouco vai sentir esses ciúmes do irmão mais novo, né?
05:08A gente também não pode dizer que isso acontece em toda a família, né?
05:13Mas é muito comum.
05:14É, geralmente o mais comum é o irmão mais velho se sentir ameaçado, porque chega esse bebê novo, que ele
05:21não conhece direito, né?
05:23É o foco das atenções.
05:24Isso, porque mesmo que a mãe na gestação fala, né?
05:29Ó, você vai ter um irmão.
05:30A criança, como a gente fala muito aqui, vive no concreto, né?
05:35Vive no aqui e agora.
05:36Então, ela só vai sentir o que é teu irmão quando esse bebê chega na casa e tem choro, tem
05:43o bebê no peito o tempo todo,
05:44ele não tem o pai e a mãe mais ao mesmo tempo.
05:49E aí, são as relações de irmão.
05:52É, as relações de irmão que eu acho que afetam no comportamento como um todo, né, Juna?
05:57A gente te trouxe aqui para falar um pouco também sobre essa questão escolar.
06:01Como que a chegada de um irmão mais novo pode afetar o comportamento de uma criança que já está em
06:06idade escolar, do mais velho?
06:08A gente sempre pede para que a família comunique, porque aí a equipe vai se preparar.
06:13Acho que desde a gestação, né?
06:15Desde a gestação. Então, ainda que seja pequenininho, ah, mas só tem dois anos, ainda não entende.
06:20Entende sim, vai dividir a atenção, né, que a gente costuma falar dessa forma.
06:25E aí, a gente precisa estar junto, família e escola, diálogo sempre.
06:30Então, comunicar à escola, olha, estou grávida, previsão, é para tal mês.
06:35Por quê? Geralmente, o mais velho sente, já não quer ir para a escola,
06:40porque se em casa eu já não tenho tanta atenção da minha mãe, porque agora tem um neném.
06:44Eu vou para a escola, quem vai ficar com a minha mãe? O pequenininho.
06:48Então, eu quero ficar também.
06:50Então, às vezes, uma criança que já estava super adaptada, ela não quer mais ir para a escola.
06:54Ah, o problema é na escola? Não, mas a escola pode e deve auxiliar.
06:58Então, da professora também ir antecipando, olha, o irmãozinho está chegando, colocar na rotina,
07:04como algo bom, algo legal. Lembrar que o bebê precisa mais dos cuidados da mãe.
07:10A gente sempre fala com os pais, né, verbalizar momentos só com um e só com o outro.
07:16Então, tem o irmão mais velho, vai sair para tomar um sorvete, olha, agora vai sair eu e você.
07:21Nós dois só. O irmãozinho vai ficar em casa com a babá, com a mãe, ou vai ficar com o
07:25pai.
07:26Então, a escola pode e deve. O que a gente nota de mudança, geralmente, é choro, não querer ir para
07:32a escola
07:33e também, se for um pouquinho maior, né, baixo desempenho nas atividades.
07:37E, às vezes, os pais não vão relacionar isso com o filho mais novo e que é algo que deve
07:43estar, sim, atento,
07:45porque pode estar interligado.
07:46Isso. E aí, muitas vezes, a mãe acaba se culpando. A tão famosa culpa materna.
07:51Ah, então a culpa é minha, eu que não soube lidar, eu que não dei atenção. Não.
07:55É uma mudança. E aí, toda mudança precisa ser tratada de forma muito respeitosa.
08:02Então, está vindo um neném, eu vou precisar ficar, sempre verbalizar, vou precisar cuidar dele,
08:06não vou deixar de cuidar de você, você vai estar perto.
08:10E nunca jogar para a criança essa é a responsabilidade.
08:13Já tive alunas que falavam não dormir a noite toda porque o meu irmãozinho chorou.
08:18Então, é claro que na escola não vai ficar bem, vai ficar mais sonolento.
08:22E, às vezes, a mãe nem sabe que o mais velho está acordando com o intuito de ajudar.
08:27Então, a gente precisa sempre se comunicar.
08:29Olha, mãe, hoje ele disse que não dormiu a noite toda.
08:32Aconteceu alguma coisa, a babá está aí, você está conseguindo lidar.
08:36O que a gente pode auxiliar? Isso é muito importante.
08:39Como que você vê isso, Renata?
08:41É, enquanto a Juna estava falando também, é comum o mais velho regredir em alguns processos, né?
08:47Por exemplo, se ele está desfraudado, volta a fazer xixi na cama.
08:52Pedir chupeta.
08:53Pedir chupeta, né?
08:54Querer imitar um bebê, passar a falar mais manhoso.
08:58Então, os pais, eles têm que estar muito atentos a isso porque a criança, ela não vai conseguir expressar com
09:05palavras, né?
09:06Até para a gente adulta é muito difícil.
09:08Então, ele não vai falar, olha, eu estou com ciúmes da minha irmã porque você está ficando muito mais com
09:14ela do que comigo.
09:15Ele vai demonstrar isso em comportamentos, seja regredindo, seja com comportamentos desafiadores, vai ficar ou mais, vai chorar mais.
09:25Agressivos, eu imagino que isso para a escola também seja um desafio, né?
09:29A agressividade da criança.
09:31Sim, a gente tem que descobrir o que está por trás dessa agressividade.
09:35Então, se houve a chegada do neném logo depois, ele começou a não dividir mais os brinquedos,
09:40na hora da rotina se mostrar resistente, a realmente ser agressivo, de dar tapa, beliscar ou mordida, dependendo da idade,
09:48né?
09:48Isso é um alerta para que a gente converse com a família para saber o que está acontecendo.
09:52Porque ele não vai verbalizar, mas ele dará indícios de outras formas.
09:56E a gente, enquanto adulto, a gente precisa manejar sempre com muito respeito.
10:00A gente é um pouco despreparado, eu acho, para lidar com a agressividade da criança, né, Renata?
10:06A gente fica com medo de perder a autoridade.
10:09Ao mesmo tempo, eu acho que tem essa questão da culpa, de querer tentar entender.
10:13Isso.
10:14O que a gente deve fazer quando a criança se torna agressiva, às vezes, até com a gente enquanto mãe,
10:19ou tentar bater no recém-nascido?
10:22Qual deve ser a ação dos pais nesse momento?
10:25Então, primeiro é entender que a agressividade é um comportamento que a criança está encontrando
10:31para expressar alguma coisa que ela não consegue expressar em palavras, né?
10:37E na chegada de um irmão, seja em outras situações, é muito importante três coisas.
10:44Acolhimento, validação e nomear os sentimentos.
10:48Porque aí você vai ensinando para a criança o que ela está sentindo.
10:53Porque não tem problema a gente sentir raiva.
10:55Mas a gente tem que... os sentimentos vêm e vão.
10:58Mas a gente tem que aprender a lidar de uma forma positiva com essa raiva, né?
11:03Então, você pode nomear para a criança.
11:06Filho, mamãe antes ficava com você o tempo todo, né?
11:09Agora você tem uma irmãzinha que vive mamando no peito da mamãe.
11:13Eu te entendo.
11:14Quando a mamãe também... quando nasceu a irmã da mamãe, eu também me senti assim, né?
11:20Aí se a criança vem para bater, isso que você está sentindo é ciúmes.
11:25Não se preocupa que eu gosto de você tanto quanto eu gosto da sua irmã.
11:29Só que ela é menor e ela precisa de mais cuidado.
11:32Você quer desenhar o tanto que você está sentindo raiva?
11:36Ou então você quer ir lá fora e dar um grito bem alto?
11:39Então, você mostra formas da criança expressar essa raiva sem que ela precise ser agressiva ao ponto de bater na
11:49criança.
11:50E aí vem aquele medo de estar sendo permissivo, né?
11:53O que você dá de conselho em relação a isso?
11:56Então, a gente... isso vem da educação tradicional, né?
11:59A gente acha... ai, estou mimando o meu filho.
12:03Quando ele crescer, ele vai bater nos pais, porque os pais não colocam limite.
12:07E já foi mais do que comprovado, né?
12:11Pela neurociência, que quanto mais amor e afeto a gente dá para uma criança, menos agressiva ela vai ser.
12:19Então, a gente... essa geração nova aí tem que estudar cada vez mais para mudar essa chavinha na população toda
12:27e as pessoas passarem a entender que uma criança, por ser criança, merece respeito tanto como adulto.
12:36E que isso da criança ser agressiva...
12:39Na verdade, quanto mais agressiva a gente é com uma criança, mais ela vai responder dessa forma agressiva.
12:46Às vezes, não na frente dos pais, porque os pais batem nela.
12:49Mas na escola, porque o professor não pode bater, pode.
12:54Então, ela vai ser agressivo lá e tocar o fogo lá.
12:59Então, é muito importante essa reflexão e essa mudança de pensamento na população.
13:07A escola sente isso, Ju, né?
13:08Esse reflexo dessa agressividade da criança que sofre agressão física em casa?
13:15Sim. E aí é um diálogo complicado, mas ele precisa acontecer.
13:19Porque bater é proibido por lei.
13:22Mas tem essa questão da nossa cultura de que você tem que bater para poder tolir qualquer tipo de agressão.
13:30E, na verdade, é o contrário.
13:31A criança não tem um cérebro maduro o suficiente para que ela responda e resolva as coisas na conversa.
13:37E também não adianta para uma criança muito pequena você falar
13:40conversa comigo, ele não sabe verbalizar.
13:42Então, ele vai agir de forma primitiva.
13:45Qual é a forma primitiva?
13:46Do que eu consegui resolver aqui.
13:47É uma mordida, é um puxão de cabelo, dessa forma.
13:50Então, a gente precisa conversar com os pais.
13:52Muitas vezes os pais falam, porque geralmente os pais que fazem uso da agressão física,
13:59para eles aquilo ali é válido, a lei que está errada.
14:01Então, eles falam, não, mas eu bato.
14:03E aí a gente fala, bom, então esse é o exemplo que ele está tendo.
14:05Então, a gente precisa mudar o exemplo.
14:07Porque se a criança está acostumada com grosseria, com agressões, isso para ela é normal.
14:13Você está validando algo ruim, dizendo para ela que é assim que resolve.
14:17Não é.
14:18Então, a gente precisa de outras formas.
14:20E aí a escola junto com a família.
14:22Porque a gente fala de cultura da paz, né?
14:24A gente vai resolver e vai dar meios para que a criança menor consiga se expressar.
14:29Então, às vezes, brincar com água, a calma também.
14:33Tem várias técnicas, né?
14:35Os brinquedinhos que hoje estão muito na moda, né?
14:38De apertar o pop-up lá, o...
14:41Esqueci o nome.
14:42Pop-it.
14:42Pop-it.
14:43Mas também tem.
14:45Ah, mas, poxa, isso é uma coisa...
14:46Na nossa época era estourar saquinho bonha de presente, né?
14:51Mas muitas vezes, eu atendo alunos maiores, né?
14:55Um clips de papel.
14:56Se ele está muito agressivo, ele vê na minha mesa um clips de papel, ele já pega.
15:01Daqui a pouco, ele...
15:02Desculpa, eu acabei de quebrar seu clips.
15:05Eu falo, não, está tudo bem.
15:07Você concentrou sua energia aqui e conseguiu falar comigo.
15:11Para a criança pequena, isso também.
15:13Existem objetos específicos, né?
15:16Trabalhos manuais, né?
15:17Para expressar aquilo de uma maneira não agressiva.
15:20Para você conseguir concentrar essa energia em outro lugar, de outra forma que não seja bater.
15:26Então, travesseiro, gritar lá fora, uma flor, cheira-flor, assopra, que é a questão da respiração, movimentos com a mão.
15:35Então, vamos fazer assim com um dedinho, que aí a criança consegue voltar ao seu equilíbrio, que para ela é
15:41muito difícil.
15:42Que para o adulto também é difícil.
15:44Não, a gente não tem vontade.
15:46Isso, porque quando a gente tem a tentação de bater, é porque a gente não bate em outro adulto, está
15:52no limite, né?
15:53Não vamos perder o réu primário.
15:55Mas, existem outras formas.
15:57A gente é adulto, a gente consegue refletir.
16:00A gente já sabe qual vai ser a consequência.
16:02A criança, ela não está conseguindo entender o que aconteceu.
16:06Para ela é um ímpeto.
16:07Então, assim, não é o que eu quero?
16:09Vai ser o que eu quero, porque para ela o mundo é ela.
16:12Então, como assim você não vai fazer o que eu quero?
16:14Aí ela parte para a agressividade.
16:16Mas, muitas vezes, a grande maioria das vezes, não é porque ela é agressiva e ela vai precisar tratar essa
16:22agressividade.
16:23Porque existem casos.
16:24É simplesmente porque ela é imatura e a gente, com muito respeito, já que nós somos os adultos,
16:30nós precisamos intervir para que ela consiga se expressar.
16:34Agora, Renata, vamos falar de um clássico que é a comparação, né?
16:37Eu acho que todo mundo que tem um irmão ou que tem dois filhos já passou por uma situação de
16:42comparação.
16:43Está fazendo isso, seu irmão nunca fez assim.
16:46Ah, olha como você faz, seu irmão não fazia isso.
16:49Como que a gente lida com a comparação?
16:51Qual é a melhor maneira aí para lidar com isso?
16:53Então, comparar não é legal.
16:57Então, em vez da gente comparar, né?
17:01Tem uma dica muito legal que é assim, quando a gente evitar a comparação, a gente tem em mente...
17:08Essa criança não tem irmão, ela é filha única.
17:11Porque aí você não vai comparar com outro irmão.
17:14Então, é sempre descrever a situação.
17:16Então, às vezes tem pais que falam,
17:19Nossa, fulana está toda cheirosinha e você aí todo sujo.
17:24O ideal seria falar, olha, você precisa de quanto tempo para tomar banho ainda?
17:32Entendeu?
17:32Então, você evitou a comparação.
17:34Ou então, seu irmão tirou notas muito boas e você só tira nota baixa.
17:41O ideal seria falar, filho, suas notas vieram baixas, você precisa que eu estude com você?
17:47Como se ele fosse um indivíduo independente do irmão, né?
17:51Porque nossa tendência é pegar o exemplo positivo para tentar tornar o outro...
17:55E a gente acha que isso vai ter boas consequências, né?
18:00Que isso vai ser bom.
18:00Na verdade, isso só promove rivalidade, competição e o distanciamento entre as crianças.
18:07Outra coisa que a gente faz muito quando tem...
18:10Quando é pai de mais de um filho, é quando a gente menospreza o outro.
18:20Aí, por exemplo, né?
18:21Ah, você...
18:22Igual falei das notas baixas, né?
18:25Você só tira nota baixa e a gente faz muito de colocar os filhos em posições diferentes.
18:32Então, por exemplo, o filho mais velho foi lá aprender violão.
18:35Aí, em posições antagônicas, aí o mais novo vai lá tocar violão, só que ele não leva muito jeito.
18:42Aí a gente já fala assim, você não acha melhor você fazer aula de canto?
18:46Não, deixa que seu irmão toca violão.
18:49E aí a gente já quebra isso na criança, né?
18:53Não é a gente que tem que determinar o desejo dele.
18:57Às vezes ele não toca muito bem, mas ele deseja.
18:59Prazer.
19:00Isso.
19:01Então, isso também é muito comum de acontecer e faz muito mal pra criança que...
19:06Aí parece que só aquela pessoa da família pode ser boa no piano, ou pode tocar violão, ou pode dançar,
19:15né?
19:15E eu acho que essa questão que você falou da rivalidade, Renata, depois eu quero ouvir isso na escola também,
19:20da comparação.
19:21Mas, às vezes, a criança até passa a falar, né?
19:24Eu odeio ter irmão.
19:26Eu não queria ter irmão.
19:28E fala pro próprio irmão, não sei pra que você nasceu.
19:31Como que a gente lida com isso?
19:33É, então, eu recebo muitas queixas de pais que não sabem o que fazer, né?
19:40Então, a primeira coisa é entender que irmão briga.
19:43Todo irmão vai brigar.
19:45A gente não deve levar isso pro lado pessoal.
19:48E a gente tem que ter em mente, o que a Juna falou um pouquinho sobre isso, é que a
19:52criança, ela expressa o que ela tá sentindo.
19:55Então, ela vai falar, eu odeio meu irmão, eu não queria ter irmão, eu queria ser filho único.
20:00O que a gente adulto faz?
20:02A gente pensa, às vezes, ai, que sonsa, não acredito.
20:06Ai, que raiva, vou matar essa pessoa.
20:08Só que a gente não bota isso pra fora.
20:11Usa o filtro social, né?
20:13A gente tem que entender.
20:14Graças a Deus, né, gente?
20:15Se todo mundo ouviu esses nossos pensamentos.
20:18Que é uma sensação transitória.
20:21Aí a gente aproveita esses momentos também pra explicar pra criança, né?
20:26Que a gente tem vários sentimentos, que todos são válidos e importantes e que eles vêm e vão.
20:33E uma coisa também muito importante que muito pai faz é ficar como juiz do conflito.
20:38Então, fica lá intervindo.
20:41Não, você, não é você que vai decidir.
20:44Porque quanto mais você intervém, resolve alguma coisa, mais as crianças vão te procurar numa próxima vez.
20:51E quando a gente coloca as crianças pra pensar, elas começam a desenvolver solução de conflitos, diálogo, negociação da brincadeira.
21:02Claro que se a criança chegar à agressão física, aí os pais têm que separar, né?
21:09E sempre repetir, aqui nessa casa, ninguém bate ninguém.
21:15E aí esse que bateu, ele tem que ser punido de alguma forma?
21:19O que a gente tem que fazer pra mostrar pro outro filho pro que apanhou e até pro que bateu
21:24que esse comportamento não é aceitável?
21:26Então, geralmente a gente vai primeiro no que bateu, né?
21:30O que você fez? Não sei o que.
21:32É melhor ir no que apanhou e perguntar.
21:35Como você tá se sentindo? Tá tudo bem? Você quer um abraço?
21:38Aí depois a gente aborda o que bateu e explica.
21:43Bater não é permitido.
21:44Eu entendo que você está com raiva.
21:47Tudo bem sentir raiva, mas aqui a gente não admite agressão física.
21:53Aí você pode validar o sentimento e nomear.
21:56Eu entendo que você queria brincar com aquela bola e seu irmão não queria deixar você brincar.
22:04Eu também já tive irmão e sei como era chato quando a minha irmã puxava as coisas de mim.
22:10Então você também mostra que isso aconteceu com você, que é normal.
22:15Aí depois você pode, de novo, dar exemplos de formas positivas de como essa criança lidar com a raiva dela,
22:23né?
22:23Que foi o que a Juna falou também.
22:25Vai bater no colchão, vai desenhar, vai gritar, vai tomar uma água, vai contar até 10.
22:31Isso não vai funcionar na primeira vez, gente, né?
22:34A criança que tá em desenvolvimento, tem o cérebro imaturo, o cérebro mamífero que trata das emoções.
22:40É o último a ser desenvolvido, né?
22:43Alguns teóricos falam 25 anos, tem gente já falando 30.
22:49Então é sempre repetição, né?
22:52Repetição e quanto mais a gente ouvir também, ser um bom ouvinte, quanto mais a gente mostrar que a gente
22:59sente as emoções
23:00e como a gente lida com essas emoções para a criança, ela vai aprendendo e vai desenvolvendo isso aos poucos.
23:07Castigo não?
23:08Não.
23:10Que às vezes o que apanhou fica cobrando, não vai colocar ele de castigo, não vai punir.
23:16Mas castigo só traz para a criança uma sensação de ou que ela vai querer se invigar da próxima vez,
23:22minha mãe não vai descobrir o que eu fiz e eu não vou ficar de castigo.
23:24Vou esconder.
23:25É.
23:25Ou ela vai ficar remoendo aquilo.
23:28Ai, não acredito que eu tô de castigo, vai ficar com raiva.
23:32Ou vai se sentir inadequado.
23:34Eu nunca faço nada certo de novo, eu tô de castigo, eu não mereço estar nessa família.
23:40Vai depender da personalidade de cada criança, mas nunca é uma solução saudável.
23:46Renata, suas dicas foram valiosas, assim como a de Júnior.
23:50Eu quero agradecer muito a presença de vocês aqui hoje.
23:52Obrigada mais uma vez, Renata Bedrão.
23:57Obrigada pelo convite.
23:59Obrigada também, Juna, nossa psicopedagoga.
24:03Muito obrigada, sempre um prazer estar aqui.
24:05Esse foi o Check-Up Saúde de hoje.
24:07Te espero na semana que vem.
24:09Me segue lá nas redes sociais, arroba doutora Alice Sarsinelli.
24:13Aqui o nosso compromisso é com a melhor informação em saúde pra você.
24:18Até o próximo programa.