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  • há 10 minutos
Neste episódio, vamos tirar todas as dúvidas sobre esse momento tão marcante na vida das famílias, com nossas especialistas, Renata Bedran, psicóloga e Juna Cunha, psicopedagoga.

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Transcrição
00:08Olá, sejam bem-vindos ao Check-Up Saúde. Eu sou a Alice Sarsinelli e essa é a sua conexão com
00:14os
00:14maiores especialistas em saúde do Espírito Santo. Vamos falar um pouquinho sobre saúde mental hoje
00:19das crianças, das famílias. Depois desse período de matrículas, muita gente já está pensando na
00:25adaptação escolar. Esse é o nosso assunto de hoje. Para isso trouxemos aqui duas grandes
00:30especialistas. Seja bem-vinda a nossa psicóloga Renata Bedran. Obrigada Alice, é um prazer estar
00:37aqui mais uma vez. Temos também a psicopedagoga, vamos falar da interação da escola nesse período
00:44de adaptação. Seja bem-vinda Juna Cunha. Obrigada, sempre uma honra estar aqui. Renata, vamos começar
00:51a entender um pouquinho sobre esse desafio, esse momento que é tão desafiador para as
00:55famílias, né? Tanto é que está tendo o filho pela primeira vez, sendo exposto a um ambiente
01:00escolar, quanto aqueles, aquelas crianças que já são mais velhas e às vezes estão mudando
01:05de escola. E se não estão mudando de escola, todo ano a gente está mudando de turma, né?
01:09Então vamos falar um pouquinho sobre o que é esse desafio.
01:13Então, a adaptação escolar envolve duas coisas da criança. Ela é uma tomada de espaço,
01:21de um ambiente novo, ela sai do seio familiar, onde ela está acostumada. E para os pais também
01:27é muito angustiante, porque é a primeira vez que a criança vai passar longos períodos
01:33longe do controle deles, né? Porque a gente, por mais que a criança esteja com uma babá ou
01:39com uma avó, a gente tem a sensação que ela está ali, né? Que a gente sabe onde
01:43está, o que está acontecendo. A partir do momento que a gente decide colocar uma criança
01:49na escola, a gente começa a pensar, né? Ficar angustiada. Ai, será que meu filho vai
01:54ser tratado como? E se ele fizer bagunça, como que esses profissionais vão abordar?
02:00Já para a criança mais velha que entrou na escola, vamos dizer, ela entrou numa creche,
02:05depois ela saiu, trocou de escola. O mais difícil essa criança já fez, que foi sair
02:11de casa e ir para um ambiente novo. Então, é um pouco mais fácil, mas a gente também
02:18depende muito da criança, assim. Tem criança que se adapta fácil, assim, chega numa festa
02:23de aniversário, não conhece ninguém, faz os amigos ou vai brincar. E tem crianças que
02:29são mais introvertidas, que vão demandar um pouco mais de tempo. Mas, com certeza, a coisa
02:36mais difícil essa criança já fez. Então, a segunda adaptação, quando a criança troca
02:41de escola, é um pouco mais fácil.
02:45Costuma, né? Isso vai variar mesmo. E aí, eu acho que a escola, né, Juna? A escola,
02:50ela tem como se preparar para isso? Ela forma os professores nesse sentido? Esse período
02:55agora, de férias, que muitos vão estar já trabalhando para o próximo ano, como que
02:59é a preparação da escola para esse momento de adaptação escolar?
03:03A equipe, ela tem que ser preparada para essa adaptação. Então, quando a criança é
03:07pequena, a gente prepara a equipe para o choro, para a gente entender o sentimento dessa
03:13criança, para a gente conseguir ali compreender quem está vindo, quem são essas crianças.
03:18Se a gente consegue isso, também é um passo bom. Comunicação com a família, sempre.
03:23E sempre o respeito. Então, preparar a adaptação, respeitando que a criança está saindo do
03:29seio familiar e vai ter um convívio super diferente. Ela vai vir com alguma insegurança
03:35e a gente precisa ser o adulto referência, sempre com muito respeito e carinho.
03:39Então, a equipe é preparada para o que pode acontecer com choro, com negativas, não vou
03:45para a sala, não quero, quero minha mãe. O que você pode falar para acalmar?
03:50Essa é a forma que a gente prepara a equipe.
03:53E aí, vocês temporizam também? Ah, é normal a criança chorar o dia inteiro?
03:58Depois que os pais vão embora, por quanto tempo?
04:02Existem essas regras, esses parâmetros para a gente guiar?
04:05O que é um comportamento esperado que a equipe deve acolher?
04:11E o que é um comportamento que foge, que extrapola e é o esperado?
04:15O esperado é que ela chore, que ela sinta algum desconforto e que a equipe esteja preparada
04:20para acolher e dar essa segurança, sempre respeitando a criança.
04:24Agora, se a gente entra em um choro que às vezes traz náusea, que às vezes traz uma
04:30falta de respiração, mesmo de ar, de fôlego da criança, os pais devem, a família, o responsável
04:36que ficar ali próximo para a adaptação, deve sempre se colocar à disposição.
04:41Eu sei que muitos trabalham, né? Mas tentar selecionar algum responsável de referência
04:46da família, uma babá, uma tia, uma avó, para que caso isso persista por algumas horas,
04:52que a família possa ser contactada. A gente não quer que a criança sofra dentro da escola,
04:57porque isso traz uma referência. Ah, então a escola, toda vez que eu entro aqui, eu vou chorar,
05:01chorar, chorar e ninguém vai me ajudar? Então a gente precisa ir com calma.
05:05É uma criança, até os mais velhos também. É uma criança e a gente precisa respeitar
05:09o tempo dela. Então, se o choro persiste, não come, está acostumada a fazer soneca,
05:15no começo é normal não fazer. Mas se persiste por muito tempo, duas, três semanas,
05:19a gente precisa conversar com a família, saber o que a gente pode fazer, talvez um objeto
05:24de transição, algo de casa, algo que a criança goste, qual é a rotina.
05:29Isso tudo a gente precisa ter essa comunicação com a família.
05:32Não é todo o caso que a escola tem que achar que com o tempo vai passar.
05:37De alguma forma, a família tem que estar ciente quando foge do normal, não é isso?
05:40Isso. Isso não quer dizer que a escola seja ruim.
05:43Pelo contrário, isso quer dizer que a escola está preocupada com a criança.
05:47E aí a família, ela é corresponsável por essa adaptação.
05:51É uma adaptação para a família também, né?
05:53Mas a escola tem que ter essa liberdade e a família tem que entender que isso é positivo.
05:58Estou ligando porque a criança está muito chorosa, não comeu, não se alimentou.
06:04Às vezes só do responsável ir lá e conversar com a criança e depois se retirar um pouquinho,
06:09já resolve. Então depende muito.
06:11É, eu acho que a preparação da família é um ponto-chave aí, né, Renata?
06:16Como que a família pode se preparar para esse momento de adaptação?
06:19Que é uma ruptura para as duas partes, né?
06:22Então, o que a Juna estava falando é muito importante também,
06:25porque a gente quer que a criança se associe à escola com coisas boas, prazerosas.
06:31Então, quanto mais a equipe decolo, acolher, mais ocitocina e dopamina essa criança vai exalar, né?
06:40Então, o que a gente faz?
06:42Nas primeiras semanas, antecipando a adaptação, a gente já começa a falar sobre a escola,
06:47que na escola ela vai ter parquinho para brincar, que ela vai ter novas crianças para se divertir,
06:52que ela vai aprender a ler e escrever, que vai ser legal, que ela vai ver as coisas na rua
06:57e vai conseguir ler,
06:59que ela vai ler livros.
07:00E aí, na semana mesmo, você pode, com o seu filho, arrumar a mochila junto com ele,
07:07ir preparando e antecipando para ele tudo o que vai acontecer,
07:11porque a criança, ela precisa de previsibilidade.
07:15Quanto mais previsibilidade ela tiver, mais segura ela vai sentir.
07:19Então, você pode descrever, lembra que a gente foi visitar aquela escola?
07:23Então, você vai chegar, vai ter uma pessoa na porta, você vai entrar na escola, na sua salinha,
07:29vão ter crianças novas, vai ter a professora e assistente.
07:33Quando você quiser beber água, ir ao banheiro, você vai se dirigir a elas.
07:37Qualquer coisa que você esteja se sentindo, você vai se dirigir a elas.
07:42Sentiu saudade?
07:42Explicar os detalhes do que seria uma rotina.
07:45E pode-se antecipar, Renata, essa rotina?
07:49Pode.
07:51Tem crianças que vão ficando mais ansiosas com isso.
07:56Mas aí, se ela estiver ficando muito ansiosa, você tenta esgotar esse assunto.
08:02Tudo que ela perguntar, você vai respondendo.
08:04Ao invés de fugir do assunto.
08:06Meu filho, deixa ela para frente.
08:08Não, a gente realmente respondeu o que ele está querendo saber.
08:12E teriam, assim, dicas de ouro nesse momento de adaptação?
08:16Sim.
08:17Isso é um pouco do que eu falei, né?
08:19Preparar a criança, antecipar e dar essa coisa de previsibilidade.
08:24E aí, no momento da adaptação, né?
08:28Você vai, aos poucos, existe um conceito da psicopedagoga Laura Gutmann.
08:34Ela é autora do livro A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra, né?
08:38Que ela dá um conceito de piscina emocional.
08:41O que é isso?
08:42Quando a gente entra numa piscina de água gelada, a gente tem que se acostumar aos poucos com a temperatura
08:48dessa água.
08:49Então, é como se você estivesse entrando com o seu filho numa piscina de água gelada.
08:53Primeiro, ele está ali agarrado a você.
08:56Aí, aos poucos, ele tira uma mãozinha, bate na água.
08:59Aos poucos, ele quer explorar o ambiente.
09:02Então, ele sai.
09:03Até que ele se acostumou com aquele ambiente.
09:07Então, nos primeiros dias, você vai ter que estar ali presente, que você é o adulto de confiança dessa criança.
09:15Aos poucos, a criança vai explorar o ambiente, vai sentar para brincar, sempre procurando o seu olhar.
09:22Depois, ela vai ficando mais à vontade.
09:24Talvez aí seja o momento de você falar, eu vou tomar água e já volto.
09:28Ou então, eu vou no banheiro.
09:29Se a criança aceita isso de boa, quanto mais colo e acolhimento ela tiver dos profissionais, mais ela vai ter
09:41essa sensação.
09:42Não, aqui também é seguro.
09:44E aí, porque todo o ambiente novo é um lugar de ameaça para a criança.
09:50Então, o corpo dela libera adrenalina e libera cortisol, que é o hormônio do estresse.
09:56Isso a gente não quer que aconteça, porque ela vai associar a escola com coisa ruim.
10:02E aí, aos poucos, a criança vai se adaptando.
10:06E por volta de uma semana, assim, depois de uma semana, a maioria das crianças já consegue ir para a
10:14escola sem os pais precisarem entrar e ficar lá um pouco.
10:17Mas, cada criança é única.
10:20Então, às vezes, uma criança vai precisar que um assistente fique disponível para ela o tempo todo.
10:26Como a Juna falou, vai precisar de um objeto de transição.
10:30O que é um objeto de transição?
10:32É um objeto que traz segurança para a criança, que na falta do adulto de referência, esse objeto faria a
10:39mesma função de trazer segurança.
10:41Uma boneca que leva de casa, um carrinho.
10:42Por exemplo, a minha filha levou uma almofadinha que ela usava para dormir.
10:48Então, o dia que ela ficou lá sozinha, eu levei isso e ela ficava o tempo todo com isso, entendeu?
10:54Agora, Renata falando, Juna, a gente pensa, assim, né?
10:57Sobre a autoridade da escola frente ao que os pais querem.
11:01Toda escola vai permitir que os pais estejam nesse momento?
11:05Existe alguma política no Brasil institucional que coloque isso, até nas escolas públicas, como permitido ou não?
11:14Como que isso funciona?
11:15É uma opção da escola, não é uma opção da família?
11:17É uma preocupação que a gente deveria ter tido na matrícula?
11:20Como que funciona essa questão de regra da família poder ou não acompanhar esse momento?
11:26Não é uma política pública.
11:28A política pública é de respeito.
11:30Respeito sempre.
11:31E aí fica a critério da escola.
11:33Então, para as escolas particulares, depende muito da metodologia que eles utilizam, né?
11:39E na escola pública, geralmente, não pode entrar, mas também pode ser liberado.
11:44Isso fica a critério realmente da escola.
11:46Então, é uma preocupação dos pais que deve ser pontuada já na matrícula.
11:51A gente sabe que muitas famílias têm a necessidade de só deixar.
11:54E a gente, enquanto escola, sabe que a gente está recebendo o maior tesouro daquela família.
11:59Mas não há uma regra total a ser imposta.
12:03Então, é importante perguntar até para a família poder saber se ela concorda ou não.
12:09No que eles vão fazer para a adaptação.
12:12É, porque tem algumas escolas que deixam, inclusive, os pais ficarem dentro da sala de aula,
12:16num período de adaptação.
12:18Outras, você tem que ficar do lado de fora.
12:20Então, o ideal é fazer esse combinado antes da matrícula, né?
12:23Sempre. Pedir uma reunião, conversar.
12:26Se a escola não promover essa reunião, que peça reunião sem problema nenhum,
12:31para vocês poderem ter esse diálogo.
12:33Estabelecer esse diálogo entre família e escola é fundamental.
12:36E aí, se puder entrar, por quanto tempo eu posso ficar?
12:39Aonde eu posso ficar?
12:40Porque eu também já tive episódios de pais que participavam, assim, muito.
12:45E aí, acabava atrapalhando um pouquinho.
12:48A rotina das outras crianças também, né?
12:50Que muda todo o ambiente da sala.
12:53Muda, porque aí as outras crianças estão vendo, né?
12:55Poxa, o pai dela, a mãe dela está ali, por que o meu não está?
12:59Então, tudo isso precisa ser combinado previamente.
13:01Isso traz segurança para todo mundo.
13:03Inclusive, para os profissionais.
13:05Então, às vezes, a família fala com a diretora, com a pedagoga.
13:09Mas isso precisa ser avisado também aos professores.
13:12Porque, por vezes, os professores ficam receosos.
13:15Às vezes, ela está aqui para me vigiar, o que será que eu estou fazendo de errado?
13:18E não é.
13:18É em prol da criança, sempre.
13:21Então, a gente precisa ter esses combinados.
13:23Algumas escolas fazem antes do ano letivo iniciar.
13:27Então, já no ano letivo anterior, a criança pode passar um dia, dois dias,
13:32com a turminha que já está composta para o próximo ano,
13:35com a professora que será no próximo ano,
13:38para que conheça a rotina, para que conheça o ambiente da escola.
13:41Então, atividades legais, sempre curtas, né?
13:44Principalmente para os pequenos, porque eu tive tempo de copo.
13:46Já no pós-matrícula.
13:47Matriculou para o ano seguinte, agora já estaria numa vivência ali na escola,
13:51que vai ser o futuro.
13:52Isso aí.
13:53Uma experiência até para ela já ir conhecendo.
13:56Ah, então esse vai ser meu amiguinho.
13:57Claro que eles não vão se expressar verbalmente,
14:00mas eles já vão ter ali uma referência.
14:03Ah, ele estava aqui.
14:04Tudo bem.
14:05Essa tia também estava aqui.
14:07O brinquedo, o ambiente.
14:09Porque tudo é diferente.
14:10O jeito que vai para lanchar, o jeito que volta,
14:14como é que coloca a rotina,
14:15tudo isso vai trazer uma segurança.
14:17Se possível, seria muito bom.
14:19Agora, Renata, você que está em casa e já viu um filho travar,
14:23sabe do que eu estou falando.
14:25Quando a criança já dentro de casa,
14:28vira e fala,
14:29não vou de jeito nenhum colocar nenhum uniforme.
14:33O que a gente faz nessa hora, Renata,
14:35quando a criança trava?
14:37Vale fazer a troca?
14:38Vale dar um docinho?
14:40Vale prometer alguma coisa?
14:41O que a gente faz?
14:42Socorro!
14:43Ajuda aí nessa dica.
14:45Então, antes de o que fazer, né,
14:48quando a criança trava,
14:50é muito importante que a gente antecipe o que vai acontecer,
14:54porque é menos chance que ela trave.
14:56Então, por exemplo,
14:58cada criança tem seu tempo.
15:01E como a escola tem horário para entrar,
15:03é legal você criar o hábito, por exemplo,
15:06de colocar despertador.
15:08Então, você já vai anunciando aos poucos, né?
15:11Aí você bota o despertador,
15:1210 horas, hora de tomar banho.
15:14Vamos tomar banho, né?
15:15Porque a criança, nesse meio tempo,
15:17já pegou uma coisa para brincar,
15:18já pegou outra.
15:20Então, quanto antes você fizer isso,
15:22melhor.
15:23No primeiro dia de aula da minha filha,
15:25quando ela mudou de escola,
15:27a gente ficou pronta, assim,
15:29muito antes do que precisava,
15:31porque eu já estava na expectativa
15:33e não queria que nada atrapalhasse,
15:35porque quando você chega atrasada no lugar,
15:37você já chega, assim, afobada.
15:39A ansiedade é pior.
15:40É.
15:41Então, aí é hora de colocar o uniforme.
15:44Aí, antes disso, também,
15:45você já pode botar o uniforme exposto ali
15:48para a criança ver e entender
15:49que aquilo vai acontecer, né?
15:52A noção de previsibilidade.
15:56E aí, depois, coloca o uniforme.
15:59Aí, você segue a rotina.
16:00Quanto mais uma rotina precisa você tiver,
16:04mais a criança emocionalmente vai ter condições
16:07de introjetar aquilo,
16:10que aquilo faz parte da rotina dela.
16:12Mais segurança e mais confiança
16:14ela vai ter de ir para a escola.
16:17Agora, se a criança travar,
16:20a gente vai tentar.
16:22Não, eu vou com você.
16:24Você pode entrar comigo
16:26e aí eu vou ficar um pouquinho lá
16:28e depois você vai encontrar a tia.
16:31Mas, se isso estiver trazendo
16:32muito sofrimento para a criança,
16:34se ela fizer ânsia, vômito,
16:36dor de barriga, né?
16:39Diarreia.
16:39Aí, eu acho que é interessante
16:41você manter a criança em casa
16:44e voltar àqueles passos
16:46que eu falei da adaptação.
16:49Às vezes, ir na escola,
16:50conversar com a escola,
16:51está acontecendo alguma coisa na família,
16:54às vezes, uma separação do casal, né?
16:56Então, fazer esse diálogo
16:58com a família e com a escola
17:00e caso não resolva,
17:04a gente aconselha procurar
17:06um profissional que possa ajudar
17:09nessa transição.
17:10E, Juna, pergunta que não quer
17:12que ela pode sair de fininho?
17:13A gente está lá,
17:14deixa a criança na escola
17:15e aí fala,
17:16ó, antes do choro eu vou
17:17me pirulitar.
17:19Pode sair de fininho ou não pode?
17:20Não pode.
17:21Não pode?
17:22Não.
17:22Tem que avisar.
17:23É, sempre avisa.
17:25As despedidas precisam ser curtas.
17:27Porque a mãe, ela sente.
17:29Então, tem muita mãe que fala assim,
17:30tô indo, hein?
17:31Ó, tô indo.
17:33Ó, tô indo.
17:33Aí, não chorou, tô indo.
17:35Tem certeza que sabe que tô indo?
17:37Então, a gente precisa fazer
17:40esse combinado.
17:41Olha, eu vou,
17:42eu vou na padaria e volto,
17:44eu preciso trabalhar
17:45e aí depois eu volto.
17:46Eu volto depois do lanche,
17:48eu volto depois da soneca,
17:49eu volto depois da janta.
17:50Mas a mamãe agora precisa ir.
17:52Um beijo.
17:54Tchau.
17:54Mas precisa avisar.
17:56Não sair de fininho
17:56porque a criança vai se sentir insegura.
17:59Não vai confiar.
18:00Infelizmente, é.
18:01Cadê minha mãe?
18:02Fizeram alguma coisa com a minha mãe.
18:03E chora contagioso.
18:04A gente brinca.
18:05Então, se a Renata tá chorando
18:07e ela é do meu tamanho
18:08e a mãe dela também desapareceu,
18:11o que fizeram com a minha mãe?
18:12Então, se eu tava bem,
18:13eu já vou chorar.
18:14Porque tem alguém aqui chorando.
18:15É o jeito que eles se comunicam.
18:17Então, o ambiente precisa estar tranquilo também.
18:19Se a mãe vai sair,
18:20olha, agora eu preciso ir, tá?
18:22Agora você vai ficar com a tia,
18:24vai fazer atividade,
18:25vai ver a rotina.
18:26Daqui a pouco a mamãe volta.
18:27E se precisar,
18:28você pede pra tia que me chame.
18:31E veja essa possibilidade com a escola.
18:34Então, deixa, se possível,
18:36deixar isso bem alinhado com a escola.
18:38Olha, pode me ligar.
18:39Se ela pedir, pode me ligar.
18:41Não tem problema nenhum.
18:42E aí a professora vai ter essa liberdade.
18:45Renata, e psicologicamente,
18:47pra saúde mental dessa criança,
18:49dessa mãe,
18:50o que representa esse possível sumiço?
18:52Eu sei que a gente não faz isso só na escola.
18:55Às vezes em casa também,
18:56quando a mãe e o pai têm que trabalhar,
18:58às vezes estão vendo a criança ali distraída,
19:00aproveita pra sair de fininho.
19:02Então, tá proibido.
19:03Por quê?
19:04Então, na escola,
19:06o sumiço pode deixar a criança, né?
19:08Que tá tentando se adaptar
19:10àquele novo ambiente
19:11em estado de alerta.
19:12E a gente não quer isso,
19:13porque vai...
19:14Esse ambiente vai ser tido como ameaça.
19:18Então, é...
19:19Aí, em casa,
19:20quando a gente dá uma fugidinha,
19:22a criança sabe que a gente volta, né?
19:24Mais tarde, quando chega do trabalho.
19:26Então, na escola,
19:27isso pode ser muito ruim,
19:29porque a criança fica em estado de alerta.
19:31Aí, no outro...
19:32Você saiu no primeiro dia, sumiu.
19:34Aí, no outro dia, você volta
19:36e a criança vai ficar assim.
19:37Hora que a minha mãe...
19:39Fica toda hora buscando a mãe.
19:40Ai, será que minha mãe vai sumir de novo,
19:42igual a ontem?
19:43Então,
19:44não é uma boa estratégia.
19:45Você já falou nas nossas colunas
19:48no Vida Saudável,
19:49no Folha Vitória,
19:50sobre o conceito do aqui e agora, né?
19:52Que tem a ver com isso,
19:53com o tempo.
19:54Como que é esse conceito, Renata?
19:56Então, a criança,
19:57ela não é abstrata,
19:59ela é muito concreta.
20:00Então, não adianta a mãe
20:01chegar na adaptação e falar,
20:03filho, daqui a pouquinho eu volto.
20:05Pra criança, não tem daqui a pouquinho, né?
20:07Você percebe que quando a gente fala,
20:10sábado nós vamos ter uma festa de aniversário.
20:12A criança fala, amanhã...
20:14Aí você, não, é sábado.
20:15Ah, daqui a pouco...
20:17Então, quanto mais concreto você deixar,
20:21melhor.
20:21Eu, por exemplo,
20:22quando eu coloquei a minha filha,
20:24eu coloquei em creche primeiro.
20:26Então, na creche,
20:28ela jantava,
20:29ela trocava de roupa.
20:30Então, eu denominava a hora que eu ia chegar,
20:34eu falava, olha, você vai jantar
20:36e depois a mamãe vai chegar pra te buscar.
20:39Então, isso deixa mais concreto pra criança.
20:42Ela consegue entender melhor
20:44que a mãe vai buscar.
20:46Porque eles às vezes confundem o ontem com o amanhã,
20:49com o hoje, o almoço, com o jantar.
20:51Quando você coloca algum momento da rotina dela,
20:54isso ficaria mais fácil.
20:55Isso.
20:56Porque aí já no jantar,
20:58chegou a hora do jantar,
20:59então daqui a pouco minha mãe vai chegar.
21:01Traz um pouco mais de segurança,
21:03que é o que a gente quer passar pra criança.
21:05Agora, Renata, a insegurança da criança,
21:09o medo ou o choro da criança,
21:11é proporcional à insegurança dos pais?
21:13Pais seguros teriam filhos bem adaptados
21:16e pais inseguros gerariam...
21:18Quero que vocês duas falem como escola e como psicólogo.
21:21Como é que isso é visto?
21:23Geralmente acontece, sim.
21:25Os pais que são mais inseguros,
21:27os filhos têm maiores dificuldades na adaptação.
21:31Por quê?
21:32Até os sete anos de idade,
21:33a criança é muito fusionada à mãe, principalmente.
21:37Então, o que a mãe sente,
21:38acaba passando pro filho.
21:41O sentimento, se ela tá angustiada,
21:43se ela tá com medo,
21:44o filho acaba sentindo isso de alguma forma.
21:47Então, vai refletir na adaptação.
21:50Ao mesmo tempo,
21:52algumas crianças, elas já nascem
21:54com alguma personalidade.
21:56Mesmo que a mãe fique ansiosa
21:58ou com medo, a criança tira de letra.
22:01Mas, geralmente, a gente diz que sim,
22:04que quanto mais insegura uma mãe tiver,
22:07mais o filho vai ter dificuldade.
22:08E aí, como que a escola trabalha isso, Juna?
22:11Tem que fazer reunião com os pais,
22:13com as famílias.
22:14E é muito importante.
22:15A reunião na escola,
22:16ela não pode ser vista sempre como algo negativo.
22:19E, infelizmente, isso acontece.
22:21Na grande maioria das vezes.
22:22As pessoas encararem como um problema.
22:24É, se você liga da escola,
22:26eu já ligo falando, tá tudo bem,
22:28eu só preciso conversar.
22:30Então, fazer uma formação, né?
22:32Na pedagogia, a gente chamaria de uma formação,
22:34uma reunião, uma conversa com os pais.
22:36Os pais precisam estar seguros com a escola.
22:39Então, a gente sabe que pra mãe também é uma ruptura, né?
22:42Às vezes, ficou muito tempo com a criança,
22:43licença maternidade,
22:45ou teve a oportunidade de ficar até um pouco mais.
22:48E agora, a criança vai sair,
22:50vai sair desse controle que a Renata falou.
22:52Então, a gente precisa deixar os pais seguros.
22:55O que que tá causando essa insegurança?
22:57É a metodologia?
22:58É a rotina?
22:59Vamos visitar a sala?
23:00Vamos conhecer a profissional?
23:02O que que acontece aqui dentro?
23:04Isso em escola pública também,
23:07porque, às vezes, as pessoas acham que a escola pública...
23:09Não, né?
23:10Vai ser imposto e acabou.
23:11E não é assim.
23:12A escola é corresponsável.
23:14Então, a escola e a família.
23:16Então, os dois precisam trabalhar juntos
23:18em prol do desenvolvimento da criança.
23:20A mãe, o pai, o responsável, o adulto referência,
23:23precisa estar seguro que aquela escola
23:25é um ambiente legal pro desenvolvimento do menor.
23:28Acredito que, às vezes, não só a criança
23:30precisa de um acompanhamento psicológico,
23:32mas os pais também, né?
23:33Sim, com certeza.
23:34E aí, a escola pode ajudar nessa indicação.
23:39Perfeito, gente.
23:40Estamos chegando ao final desse Check-up Saúde.
23:42Renata Bedrã é nossa colunista no Vida Saudável.
23:45Escreve bastante sobre o tema de saúde mental
23:48ligada à criança, à maternidade, à paternidade.
23:51Você também pode nos acompanhar por lá,
23:53no site do Folha Vitória.
23:54E me chamar no Instagram,
23:56arroba doutora Alice Sarsinelli.
23:58Vai ser um prazer esclarecer a sua dúvida
24:00e trazer aqui os melhores especialistas.
24:02Eu agradeço muito a vocês.
24:04Obrigada, Renata.
24:05Obrigada, foi ótimo.
24:07Obrigada, Juna.
24:09Muito obrigada.
24:09Boa adaptação pra todos.
24:11Esse foi o Check-up Saúde de hoje.
24:13Até o próximo.

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