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O psicólogo Alexandre Brito, o professor e especialista em Segurança Pública Rusley Medeiros e a mãe Marcela Oliveira, que tem 4 filhos adolescentes, conversam sobre o papel dos pais nesse momento em que os filhos começam a sair para festas a noite.
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00:00Agora a gente vai falar do caso que aconteceu nessa madrugada em uma casa de shows em Cariacica.
00:05Escuta só, um adolescente de 17 anos foi esfaqueado.
00:10Quando a polícia militar chegou ao local, encontrou o adolescente já caído com ferimento no abdômen.
00:17O suspeito de ter cometido o crime foi detido ainda dentro da boate pelos próprios seguranças.
00:23E de acordo com a PM, esse suspeito, que isso aqui é um jovem, esse suspeito de 23 anos, aparentava
00:31estar alcoolizado e desnorteado.
00:33Ele foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio e encaminhado para o centro de triagem de Viana.
00:40A polícia civil investiga o caso.
00:43Aí a gente traz agora para a nossa família, porque quando a gente vê um filho adolescente saindo à noite,
00:50Nossa, olha, não tem como sossegar, né? O coração, imagina como é que fica.
00:54Até ele voltar para casa, né mãe? Né pai? Não dorme, não tem sossego.
00:59E a gente sabe que ao mesmo tempo, chegou a hora dele curtir, ele quer sair, como é que você
01:03segura o filho em casa?
01:05Mas e aí também, como conversar? Como orientar? Olha, não se envolva em briga, sai fora, meu filho.
01:10Vamos bater um papo sobre esse assunto?
01:12Aqui no nosso estúdio eu recebo Alexandre Brito, que é psicólogo.
01:16Rusle Medeiros, estava com saudade de você, Rusle. Seja bem-vindo de volta, viu?
01:21Obrigada.
01:21Boa tarde.
01:22Ele é especialista em segurança, vai dar todas as dicas também para a gente.
01:25E a Marcela Oliveira aqui, ela tem quatro filhos.
01:29Imagina, Marcela, todos jovens, né? Adolescentes e adultos.
01:35Sim.
01:35Como é que fica o coração da mãe quando chega essa fase dos filhos saírem, Marcela?
01:39A minha vai chegar, meu pai.
01:40Ai, eu chego, respiro profundamente. Porque, como você disse, a gente não tem como segurar, porque é o momento deles
01:49curtirem.
01:49Já tivemos aí uma pandemia que roubou dos nossos filhos dois anos, né?
01:55Eu com duas adolescentes, que na época tinham 15, elas fizeram 15 anos dentro da pandemia.
02:01Então, assim, a gente se pergunta, meu Deus, o que fazer?
02:04Porque como que eu vou segurar esses meninos em casa, não deixar que eles saiam, mas, ao mesmo tempo, essa
02:10violência desmedida aí na rua?
02:12A gente conversa, a gente explica, a gente mostra, mas não depende só dos nossos filhos, porque eles saem para
02:20se divertir.
02:22Eles saem para curtir.
02:24Mas, e lá, o que vai acontecer?
02:26As outras pessoas, quem está ao redor, têm esse mesmo intuito?
02:30Então, assim, eu sempre falo, por favor, viu o menor sinal de confusão, se afastem o máximo, para poder tentar
02:41se libertar, ficar livre da confusão em si.
02:45É muito difícil, tá, Roberta?
02:47É muito difícil.
02:48E nós, que já fomos adolescentes um dia, a gente sabe que está aí uma faixa etária que não tem
02:54medo, não tem medo.
02:56A gente vai ficando mais velho, vai vindo medo, acho que é maturidade, não sei, o Alexandre está aqui para
03:00explicar isso, mas por onde começa essa conversa, Alexandre?
03:05De fato, assim, a gente mostrar para eles todos os riscos que tem e saber agir diante dessas horas.
03:11É, boa tarde, Roberta, quem está em casa.
03:14E, de fato, muitas vezes o adolescente, nesse momento, etapa do desenvolvimento, né?
03:19Ele não se preocupa com questões que adultos e idosos se preocupam, como questão de idade, questão de saúde ou
03:27com questões envolvendo riscos de morte, né?
03:30Então, se arrisca mais, se lança mais para o risco.
03:33E, às vezes, o risco faz com que ele se sinta vivo, aí sim que ele vai lá, tem a
03:37coisa da curiosidade, enfim, tem tudo isso que envolve e é parte mesmo.
03:42Por isso, é importante a orientação de pais e responsáveis.
03:45Então, é muito importante que você, junto com o filho, tenha esse canal de comunicação aberto sem julgamentos e também
03:52que evite alguns comentários que algumas gerações anteriores era comum fazer.
03:59Por exemplo, alguns pais ou mães até diziam assim para os filhos, principalmente pais, para filhos homens,
04:06se tiver uma briga na rua e se você apanhar e voltar para casa apanhado, você apanha em casa de
04:14novo.
04:15Veja bem, se o pai orienta o filho que, na rua, se ele tiver uma situação de conflito, uma situação
04:21de briga, ele vai ter que se defender por meio também da violência,
04:27porque se ele chegar em casa, ele vai sofrer de novo uma nova violência, uma nova agressão.
04:31Então, isso não é jamais uma recomendação.
04:34Então, pelo contrário, né?
04:37Eu já até escutei algumas frases, inclusive da minha mãe que está nos assistindo agora, ela dizia algo assim,
04:42olha, eu prefiro um filho covarde e vivo do que corajoso e morto.
04:47Só para a gente, com a cabeça de adolescente, entender que nesses momentos, principalmente na educação de homens,
04:55a gente tem que sair dessa competição, dessa competitividade, nessa coisa de tentar se impor por meio da violência.
05:03Então, os pais fazendo essa conversa com os filhos, demonstrando, olha, é importante que você se afaste em momentos de
05:10briga,
05:11de confusão, procure um responsável e dizer, inclusive, que fugir não é covardia.
05:19Fugir é a melhor solução nesses momentos.
05:22Você não é menos homem, você não é mais covarde, você não é uma pessoa pior por ter fugido de
05:29uma situação que poderia te colocar em risco.
05:31Depois a gente conversa sobre isso, etc.
05:33Então, é mais ou menos isso que os pais têm que encaminhar nesse diálogo para o adolescente ser orientado.
05:40Porque se depender só dele, a gente não sabe muito bem qual caminho que ele vai tomar.
05:44Então, a gente orienta.
05:45E essa é uma cena que eu acredito que 99% das pessoas já passaram por isso, né?
05:50Está ali na balada e, de repente, leva um esbarrão ou, sem querer, você também esbarra.
05:56Como é que a gente faz para evitar que aquele atrito ali, que ficou um ruído entre você e aquela
06:02pessoa,
06:03para evitar que isso se transforme numa briga?
06:06Como que a gente age nessas horas, Rosley?
06:08Boa tarde.
06:08Boa tarde, Roberta.
06:10Boa tarde a todos que nos acompanham aqui no Fala Espírito Santo.
06:12É sempre uma alegria estar aqui.
06:14Mas é muito importante, o Alexandre trouxe algumas situações que a gente, dentro do fenômeno da violência,
06:19é muito importante trazer para a gente, que é justamente essa ideia de achar que a gente é o todo
06:23poderoso, né?
06:24Principalmente dentro do gênero masculino, de achar que não pode levar desaforo para casa, que é preciso rebater.
06:31Então, a primeira dica, Roberto, que a gente pode dar aqui para quem está nos acompanhando,
06:36é justamente a se afastar dessa ideia de que, olha, eu tenho que gerar a violência, eu tenho que rebater.
06:43Nesses ambientes, principalmente, as pessoas geralmente estão fazendo consumo de bebida alcoólica,
06:49estão já alteradas.
06:50E, em razão disso, qualquer tipo de conversa ali, ao invés de ajudar, vai atrapalhar, vai gerar ruído,
06:58que a gente chama dentro do estudo da violência.
07:01E esse ruído possibilitará ainda mais uma violência.
07:04Então, a primeira coisa que o Alexandre colocou muito bem, é justamente a gente se afastar desse ideal
07:09de tentar tirar satisfação, né?
07:12Pede, pede desculpa, por mais que não foi você, né, o culpado da situação, pede desculpa, olha, mil desculpas, mil
07:18perdões,
07:19sai dali, sai daquele espaço, sai do campo de visão.
07:22Se for necessário, inclusive, sai da balada, sai ali daquele espaço.
07:27Por quê?
07:27Porque a vida, ela é sempre em primeiro lugar.
07:30Então, a gente precisa deixar isso muito claro, Roberta.
07:33Porque nesses ambientes, infelizmente, existem aqueles indivíduos que se sentem os todos poderosos,
07:39existem aqueles indivíduos que acham que podem tudo, os fortões, e aí eles estão muitas vezes para procurar briga, né?
07:46Eles vão para esses espaços, Roberta, para procurar briga.
07:49Então, a gente precisa entender que não é agora necessário achar que esses ditados devem prevalecer.
07:57Então, vai para casa, vai dormir, vai descansar, pede desculpa, não retruca,
08:02porque esse é o melhor caminho para a gente evitar esse ciclo da violência, que é justamente este ciclo.
08:08É um ciclo, né?
08:09Então, você vai rebater, ele vai rebater, e aí vai entrar nessas discussões que, infelizmente, acabam acometendo os nossos jovens.
08:17Eu até faço um convite para o pessoal de casa participar com a gente.
08:20Conta para mim, aqui no nosso Facebook, Fala S, como que é aí na sua casa?
08:24Como que você age, como é que você orienta os seus filhos?
08:27E como que eles trazem esse feedback para vocês?
08:31Eles já foram embora, por exemplo, comigo, já aconteceu.
08:33Eu estava numa boate, uma vez, num pagode com o meu marido, na época era namorado.
08:38Uma pessoa esbarrou na gente, virou um copo de bebida de propósito nele.
08:42Meu marido poderia muito bem ter recrutado, chegar a tentar revidar, né?
08:49E aí ele virou e falou assim, o cara levantou a camisa, mostrou a arma e falou assim,
08:52vaza.
08:53Na mesma hora, a gente vazou.
08:56Já aconteceu alguma coisa com você, com seus filhos, algo parecido, Marcela?
09:00É, por duas ocasiões.
09:02Uma foi tiroteio, que teve numa praia aberta, né?
09:07Que houve um tiroteio e a gente, naquele momento, nem sabia de onde estava vindo.
09:12E rapidinho a gente foi embora.
09:15E agora, poucos dias, onde a gente frequenta um samba, né?
09:19Que tem perto da nossa casa também.
09:21Do nada, estava todo mundo lá, confraternizando, se divertindo.
09:26Do nada, um cara passou de moto, só vimos quando alguém puxou ele pela camisa, jogou no chão
09:33e começou uma confusão.
09:35Do nada, do nada.
09:37Então, assim, a gente aparta, separa e a primeira atitude é puxar os filhos, né?
09:44Pra perto da gente e afastar dessa confusão, porque a gente não sabe como vai terminar.
09:50Agora, nem sempre o adolescente aceita ir embora pra casa, não.
09:55Os adultos têm esse medo.
09:57E aí, como é que a gente consegue conscientizá-los, Alexandre?
10:00Olha, se chegar nesse extremo, vai embora pra casa.
10:05Ainda mais que você tocou num ponto muito importante.
10:07Quando tem o álcool envolvido, o consumo de bebidas, em alguns casos, até consumo de drogas,
10:12parece que cria uma força nas pessoas, né?
10:17O álcool e algumas drogas, nem todas as drogas, elas, vamos falar assim em bom português,
10:24excitam, criam essa coragem, diminui o juízo, você não pensa tão bem, né?
10:31Coisa que você pensaria de um jeito separado, você para de pensar por causa do uso da droga e do
10:36álcool, né?
10:37Isso potencializa em muito mesmo situações de violência, né?
10:42Então, você vê que as pessoas ficam o quê?
10:44Com o uso de algumas substâncias eufóricas, mas nem todas têm um limite entre esse excesso e o respeito.
10:53E acabam perdendo respeito e fugindo a esse limite que você teria se você não estivesse, por exemplo,
11:01usando alguma droga ou álcool ou outras drogas.
11:04Então, é muito importante que nesses ambientes, você logo comece a perceber como ele está acontecendo,
11:11qual que é o grupo que está mais agitado, qual que é o grupo mais tranquilo, como é que está
11:14esse espaço.
11:16Porque não é só diversão, diversão inclui segurança, né?
11:18E segurança não é você andar armado, mas é saber onde você está para manter a sua integridade física, psicológica
11:24e etc.
11:25Uma segurança defensiva, né?
11:27Isso.
11:28Segurança é isso, é você poder fazer algo saudável, atravessar a ponte de modo saudável,
11:32se relacionar de modo saudável e curtir uma festa, ou seja, o que for, de modo saudável,
11:38uma noite também de modo saudável.
11:39Então, os pais têm que também orientar quanto a isso, né?
11:43Para que ele...
11:44Se fizer o consumo, porque não dá para controlar.
11:46Às vezes, os filhos, você não sabe exatamente o que ele pode vir a consumir, você não está lá.
11:52Tem que ter também a confiança, né?
11:54É confiança, a própria palavra confiança, né?
11:56Vem de fé, confiar, ter uma certa fé.
11:59E a fé você não consegue ficar comprovando.
12:01Então, você confia e orientando para que ele possa o quê?
12:06Se fizer o uso de substâncias, que seja de modo moderado e responsável,
12:11melhor do que fazer escondido de você, melhor do que você depois receber uma notícia ruim.
12:16Então, faz orientação, inclusive quanto ao uso de álcool e outras drogas,
12:22mesmo que você tenha quase certeza que ele não usa, faz essa orientação,
12:26conversa sobre esse assunto, toca nesse ponto, é muito melhor prevenir do que pagar para ver.
12:33Agora, tem pessoas que se comportam diante dessas situações, Rusley,
12:37tentando conversar, dialogar ali, e falam assim, não, peraí, tal, desculpa.
12:41Só que aí, às vezes, começa a gerar um bate-boca, né?
12:46Conversar nessas horas é indicado ou não?
12:50Todo mundo, a gente sempre fala isso, né?
12:52Que é importante a gente conversar, que é importante dialogar.
12:55Mas nesses ambientes, isso não é importante.
12:59Na verdade, não é nem aconselhado.
13:01Então, aconteceu uma situação dessa, pede desculpa, esse é o caminho.
13:05Pede desculpa e sai do lugar.
13:08E até o sair, Roberta, a gente precisa tomar certo cuidado.
13:11Porque se você sai de forma violenta, né?
13:14Não, você sai assim, me empurrando a galera, né?
13:17Saindo ali nervoso e tal.
13:18Ele pode não aceitar a desculpa.
13:19Ele vai não, justamente.
13:20E aí, nesse processo dele não aceitar a desculpa, aí sim vai gerar uma confusão generalizada,
13:26porque aquelas pessoas que estão próximas ainda vão tomar partido, seja de um lado, seja do outro.
13:31Então, o importante é, realmente, a gente sabe que é difícil, né?
13:35Mas manter a calma, pede desculpa e sai do local calmamente.
13:39Olha, desculpa realmente não foi o meu objetivo, eu não quis fazer isso.
13:43E vai saindo do lugar.
13:44Porque quando o Alexandre falava dessa questão de confiança, Roberta,
13:47é fundamental.
13:48Porque quando a gente estuda a questão da violência, né?
13:50Aqui no campo social, a gente está falando, justamente, dessa ideia, dessa instituição
13:56que as pessoas precisam conversar, né?
13:58A família é esse ambiente de conversa.
14:00Então, mostrar ali para os adolescentes, para os jovens, as consequências que podem ser geradas,
14:06mas também de que, olha, mãe, deu uma briga aqui, eu estou bêbado, aconteceu uma situação dessa.
14:12Ter essa possibilidade de ligar para a família e falar, olha, vem me buscar.
14:16Ou, olha, realmente aconteceu essa situação.
14:18Essa comunicação, ela é importante, né?
14:21Então, nesses momentos, simplesmente, pede desculpa, sai com calma, deixa o ambiente para
14:26que você preserve a sua vida.
14:28Porque, infelizmente, Roberta, a gente está vivendo cada vez mais numa sociedade que a gente
14:32chama, dentro da sociologia, de um mundo líquido, né?
14:35E esse processo tem fragilizado muito as relações.
14:38Então, as pessoas, elas estão matando, realmente, sem motivo algum, né?
14:43Não estão preocupadas com nenhuma situação que possam vir a acarretar na vida delas.
14:48Então, a melhor coisa é deixar o espaço, pede desculpa.
14:51Não fica tentando conversar, explicar.
14:54Ah, não, mas é porque eu tropecei.
14:55Não, porque a gente viu essa situação.
14:59Nós tivemos a situação também dos dois agentes de segurança também que brigaram.
15:04Então, assim, a gente está vendo essas questões de forma repetida.
15:08Então, o melhor lugar é sair daquele espaço, ficar tranquilo.
15:13Não fica tentando não tirar a satisfação e conversar, não, porque, infelizmente, a gente
15:16tem visto que isso não tem resolvido.
15:18Até porque, como você já disse, tem gente que sai de casa só para brigar.
15:22E aí, qualquer esbarrão já é motivo.
15:24Já é o motivo que ele queria.
15:26Exatamente.
15:27Olha só, a gente tem aqui o comentário da Esperança Bertinazzi.
15:31Ela até fala aqui, ó, essa morena bonita que está aqui é amiga dela, falando da Marcela,
15:36viu?
15:36Então, ela diz o seguinte, melhor fazer é ouvir os conselhos dos pais, né?
15:41E outra situação também importante, filhos em casa até determinado horário, ela coloca
15:46aqui até as 22.
15:48Cada um tem o seu controle com o seu filho, se é até as 22, conforme a idade, né?
15:52E aí, a gente sabe o quanto é importante também colocar limites.
15:56E você também tocou no ponto muito bacana da gente repercutir, a comunicação com
16:01os filhos.
16:02Se o filho vai te ligar, para isso acontecer, é porque já existe uma relação também de
16:08confiança com o pai.
16:09Já aconteceu com você, Marcela?
16:11Acontece sempre.
16:13Sempre.
16:14Os quatro, todos eles.
16:16A gente tem esse compromisso.
16:19Até eu também.
16:21Sempre quando saímos, eles saem, mãe, estou indo em tal lugar.
16:26Mãe, cheguei.
16:28Mãe, vou embora tal hora.
16:30Até quando chega em casa, às vezes que eu estou dormindo, eles, mãe, eu cheguei.
16:35Tem um que mora fora, que está aqui.
16:39Aí que o coração pula fora da boca mesmo.
16:41E o pior é que ele mora numa região onde a gente sabe que existem alguns casos de um
16:50certo preconceito, né?
16:51E por isso eu fico aqui.
16:53Mãe, eu vou sair com fulano, vou para tal lugar.
16:56Eu falo, ai, meu filho, tem certeza?
16:59Ah, não, mãe.
17:00Pode ficar tranquila que está tudo certo.
17:02Mas sempre tem essa expectativa, esse medo.
17:05Mas há esse compromisso, sim, essa confiança que o Alexandre falou.
17:10A gente se comunica o tempo todo, tem essa liberdade de eu perguntar e eles não ficarem
17:16chateados, porque a gente sabe que tem alguns que ficam aborrecidos se o pai fica ligando,
17:21a mãe liga.
17:22Eles não.
17:23A gente tem esse trato muito tranquilo entre a gente.
17:28E uma coisa que eu gosto de relatar e eu acho importante, a gente tem um comprometimento
17:35muito grande com a religião, né?
17:38Todos somos católicos, praticantes, estamos sempre dentro da igreja, né?
17:43Então, assim, a gente escuta, a gente busca através da palavra.
17:48Então, assim, acaba dando um conforto para mim e para eles também por confiar e saber,
17:54assim, que tem um porto seguro, entendeu?
17:58Que tem um apoio bom, não só familiar, mas espiritual também.
18:03Isso, a gente que é mãe, a gente sabe que é muito importante.
18:07Olha só, também tem aqui o comentário da Maricilda Borges.
18:11Ela diz, o certo a fazer é cair fora, mesmo que esteja bom, curtindo o lugar.
18:16Cai fora.
18:17É isso aí.
18:17A Bia Sian fala, só Deus, só Deus, aqui, palavras também da Marcela, para guardar nossos
18:24filhos, nossos netos.
18:27Também tem mais outro comentário aqui, olha, o Gilberto Marcelino toca num ponto importante.
18:32Ele fala que no tempo dele, quando acontecia isso, a galera caía no braço.
18:36E hoje é diferente.
18:38Hoje o povo está armado.
18:40E isso preocupa ainda mais, porque qualquer coisinha, uma vida pode...
18:47E essa arma é de diversas formas, né, Roberta?
18:50Não é simplesmente a arma de fogo, não.
18:51Que, infelizmente, a gente tem visto, que tem tido acesso a esses equipamentos, a esse
18:57armamento, né, nessas áreas que, em tese, não poderiam, né?
19:01A gente tem uma legislação, que é a 10.826, que é o Estatuto do Desarmamento, né?
19:06Que fala pra gente, justamente, que em ambientes de aglomeração, né, que seja evitado a utilização
19:11da arma de fogo.
19:12Mas as pessoas, nesses ambientes, Roberta, elas também não usam só arma de fogo, né?
19:18Elas vão usar, às vezes, pedaços da garrafa quebrada, né?
19:22Então, quebra uma garrafa.
19:24A gente já viu e já estudou casos relacionados a esse tipo de violência, estilete, faca,
19:31tesoura, né?
19:32Então, assim, primeiro que esses ambientes, eles precisam fazer a revista, né?
19:36Ter um controle de acesso muito bom, mas a gente sabe que nem sempre isso acontece e
19:40nem sempre é em área privada, né?
19:42Às vezes, são nos espaços públicos.
19:44Então, a gente, infelizmente, cair na porrada não é jamais, né?
19:49Um caminho que deve ser...
19:52Fique com o ego ferido, vai pra casa com o ego ferido, se for o caso.
19:55Depois, procura o Alexandre, vai fazer uma terapia.
19:58Mas vá pra casa, não fique achando que você vai ficar...
20:02Ai, meu orgulho tá ferido.
20:04Melhor você ir pra casa do que ir pra um caixão, infelizmente.
20:06É duro falar isso, Roberta, mas, infelizmente, essa é a realidade.
20:10A gente tá vivendo em um espaço, em uma sociedade em que a vida está fragilizada, né?
20:16Então, a gente precisa tomar muito, muito cuidado com essas questões.
20:20Agora, é tão difícil, né?
20:22Como é difícil pro adolescente falar assim, acabou o rock.
20:26Acabou, o adolescente não quer sair dali, entendeu?
20:29Então, é sobre essa conversa aqui que a gente tá tendo, que você tem que ter também com o seu
20:34filho em casa.
20:35Agora, Alexandre, a gente não pode deixar que o medo que existe em todos nós, né, como pais,
20:42que isso também impeça do filho curtir a vida.
20:47Chegou a hora dele curtir.
20:48Esse adolescente, por exemplo, 17 anos, poxa, eu lembro, eu com 17 anos, tudo que eu queria era sair.
20:53E como é que a gente também cria essa dose pra que o nosso medo não transfira isso pra eles?
21:00Eu tava aqui pensando em o que eu poderia dizer pros jovens.
21:03Então, eu vou tentar fazer do jogo pros pais.
21:06Veja bem, o que muitas vezes tem que ser ressignificado, mudar do sentido nessa história,
21:11na relação entre pais e filhos, é a seguinte.
21:14O filho sempre vê, quando o pai tenta colocar uma regra, como controlador.
21:18Tá querendo controlar a minha vida, tá querendo atrapalhar meu rock, meu rolê,
21:23tá querendo me impedir de sair, tá querendo impedir que eu viva, enfim.
21:28O que a gente pode tentar fazer, Roberto, o que eu sugiro é que a gente tente trocar a ideia
21:33de controle por ideia de cuidado.
21:35Veja bem, tentar trocar a ideia de controle pela ideia de cuidado.
21:38Porque no controle, de fato, você monitora, vigia, quer definir os passos do outro.
21:43No cuidado, não. No cuidado, inclui a liberdade, inclui a atenção, a responsabilidade e a confiança.
21:52O controle, não, você não confia, por isso que você controla.
21:55Aqui, não. Aqui você confia e permite.
21:59Então, não dá pra parar de viver com medo de morrer.
22:04Se você para de viver com medo de morrer, logo você não está vivendo, logo você já está morto.
22:07Então, você tem que deixar que o filho possa viver festas, rolês, seja o que for.
22:12Sem você, pai e mãe.
22:14Aí é o ego também, né?
22:16Que precisa abrir mão.
22:17E esse controle também, abrir mão.
22:20Então, você com um filho, você pode construir esse cuidado.
22:25Construir esses horários, construir esse canal de comunicação aberto.
22:30Construir, inclusive, se aproximar dos colegas do filho também.
22:34Você tem que conhecer os amigos do seu filho, da sua filha.
22:37Então, isso também, tudo isso faz parte dessa rede de apoio, desse cuidado que não é mais controle.
22:43Então, o jovem, ele precisa ressignificar.
22:46Meus pais não estão me controlando, querendo me dominar, querendo definir, mas eles estão cuidando de mim.
22:53Então, eu acho que se fizer em casa esse diálogo, e aí sempre que eu atendo adolescentes, eu peço para
22:58que os pais sejam literais.
23:00Mas, falando mesmo, vamos trocar controle por cuidado, sendo literal mesmo, falando ao pé da letra, colocando tudo em cena,
23:07para não ter nada mal dito, não dito.
23:10E aí você consegue se aproximar mais do jovem e ele não ter medo de falar e você brigar.
23:16Porque não faz sentido nenhum.
23:17Você pede para contar, ele conta, você briga.
23:20Perdeu a confiança, ele vai parar, ele vai diminuir esse comportamento contigo.
23:23Então, é importante ter esse canal.
23:24Tá certo, gente. Muito obrigada pela participação de vocês, Marcela, Alexandre, Rusley.
23:30Olha só também um comentário aqui da Lourdes Barbosa.
23:32Ela falou, na minha época, menor de idade, não entrava nas baladas.
23:35Só com mais de 18 anos tinha que apresentar documentos para entrar em clubes, eventos e cinema, gente.
23:42E aí, olha só, sobre, até inclusive, tocando nesse ponto que a Lourdes trouxe, né, esse alerta,
23:48sobre o caso do adolescente que foi esfaqueado na casa de shows em Cariacica,
23:53a boate, né, a casa de shows, enviou para a gente uma nota.
23:57A direção da casa disse que todos os clientes são revistados na entrada
24:01e que, como um fato desse nunca havia acontecido, né,
24:07mas é importante, mas inclusive ela disse, perdão, gente,
24:11mas ela não soube explicar como a faca passou pela revista.
24:15Informou ainda que adotou todas as medidas de emergência para dar suporte à vítima.
24:22E olha só, a classificação do evento de ontem era de 16 anos, tá joia?
24:26Muito obrigada mais uma vez pela participação de vocês.