- há 2 semanas
A falta de diálogo em casa é um problema. Para discutir esse tema, recebemos em nosso estúdio a psicóloga Luana Marocchio, Elizabeth Elizeta, que foi mãe aos 15 anos, e Raquel Costa. Eles compartilharão suas experiências e discutirão a importância do diálogo familiar.
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NotíciasTranscrição
00:00De hoje até o dia 7 de fevereiro, acontece a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência.
00:07E aqui no Espírito Santo, gente, 2023 fechou com o menor índice de adolescentes grávidas dos últimos seis anos.
00:15A queda foi de 33%.
00:18Foram quase 5.200 gestações de crianças e adolescentes com idades entre 10 e 19 anos.
00:26Já em 2018, foram 7.700 gestações.
00:32A gente está falando aí de um avanço muito importante.
00:36Mas se por outro lado a gente parar para pensar, olha aí, mais de 5.000 partos de meninas com
00:43idades entre 10 e 19 anos,
00:45ainda é um número muito preocupante.
00:48E não faltam apenas políticas públicas, falta também, sabe o quê?
00:52Porque, ó, o diálogo dentro de casa, muitos pais, muitas mães ainda não têm coragem de falar sobre sexo com
01:02os filhos, sabe?
01:03Não se sentem à vontade.
01:05Por quê?
01:06Vamos desconstruir isso?
01:07Vamos mudar, né, essa estatística?
01:10Vamos contribuir com essa mudança?
01:12Vamos bater um papo então aqui no nosso estúdio?
01:14Eu recebo a psicóloga Luana Amarocchi.
01:17Obrigada, Luana, pela sua participação.
01:19Boa tarde a todos.
01:21Elizabeth Elizeta, gente, que a filha dela foi mamãe cedo também, aos 15 anos.
01:25Ou seja, você é vovó já, né?
01:28Não é isso, Elizabeth?
01:29Obrigada pela sua participação.
01:30Boa tarde.
01:31E também, gente, a gente recebe aqui a Raquel Costa, que foi mamãe, engravidou aos 17 e ganhou aos 18.
01:38Não é isso?
01:39Boa tarde.
01:39Eu ganhei com 18 anos, tipo, foi tranquilo, né, uma gravidez tranquila, mas meus pais sempre conversaram bastante,
01:47meus pais, assim, minha mãe sempre conversou bastante, mas é aquilo, você é adolescente, você quer conhecer, quer ver como
01:53que acontece.
01:55E aí tive um parto tranquilo, né, como eu falei, tive todo um apoio da minha família, não foi falta
02:02de aviso, não foi falta de nada, mas tive o apoio total da família.
02:06Geralmente, os pais pensam em conversar sobre isso depois que acontece, né, a primeira relação.
02:12Os seus conversaram antes?
02:15Minha mãe sempre conversou.
02:17Minha mãe, ela trabalha na área da saúde, então, assim, ela sempre conversou, eu sempre estive perto, sempre vi de
02:24perto, assim.
02:26E pra você, como é que foi descobrir a gravidez ali aos 17 anos?
02:30A gente não espera, né, a gente nunca espera que aconteça com a gente, mas foi um choque, né, eu
02:37sabia como acontecia, o que acontecia, o que poderia acontecer posteriormente,
02:43só que foi aquele choque, assim, na hora, mas depois você fala, não tem muito o que fazer, né, vão,
02:50vão amar, vão cuidar, vão se cuidar, ver o que acontece.
02:53E daqui a pouquinho você vai falar pra gente, né, do que você precisou abrir mão ali, 17 anos, na
03:00verdade, já inicia nos 18, né, imagino eu ali, aquela fase de início de faculdade, de estudos,
03:07como é que ficam esses planos, daqui a pouquinho você conta pra gente.
03:10Elizabeth, como é que foi com a sua filha? Conta.
03:14Ela, eu trabalhava na época no parquímetro, né, e eu vi que ela tava meio diferente, sabe, na época ela
03:22morava com rapaz, assim, namorava, né,
03:27e eu vi que ela tava diferente, aí eu perguntava, ela, você tá estranha, você não tá grave, não, tô
03:33não, tô não.
03:35E quando eu fui trabalhar, ela mandou pelo WhatsApp o, aquele teste, eu caí dura, Roberto, eu caí durinha, ela
03:46não, ela não chegou pra mim, conversou.
03:49Eu entendo ela, porque eu também, eu tenho uma dificuldade muito grande, né, de sentar, de conversar, é, porque eu
03:57também não tive isso, então eu entendo ela,
04:00mas eu também não faria o que ela fez de mandar pelo WhatsApp, porque estava grávida.
04:05E ela tinha 15 anos na época, eu a abracei, fiquei muito triste, sim, porque a mãe, ela quer o
04:13melhor pro filho, não que o neto não seja, né,
04:17mas ela pensa, eu pensava assim, ah, eu queria que ela estudasse, né, fizesse uma faculdade, tivesse um emprego melhor,
04:24pra depois pensar em ter filhos.
04:27Mas minha filha é tudo oposto do que eu pensava, né.
04:30Então ela engravidou, mas eu a abracei, eu a ajudei, né, ela foi morar comigo, quando ela tinha 6 meses
04:37de gravidez,
04:39eu acompanhei em todos, assim, o período, acompanhei também quando foi ganhar, e tá aí até hoje, vovó.
04:48A vovó, como é que é o nome da netinha?
04:51Valentina.
04:51A Valentina. E como é que é o nome do seu filho?
04:54Davi Lucas.
04:54Davi Lucas.
04:55Luana, muito interessante esse relato da Elisabeth, porque muitos pais ou não tiveram essa criação e não conseguem ter essa
05:05liberdade,
05:05essa intimidade de conversar com os filhos, né, então não tiveram isso, não aprenderam dessa forma e também não conseguem
05:11desenvolver.
05:13Como é que quebra, sabe, essa forma, né, assim, como é que os pais podem naturalizar esse assunto pra conversar
05:24com os filhos?
05:26É assim, não tem uma fórmula mágica, né, cada um vai encontrar a sua.
05:29Talvez por tentar buscar fórmulas mais mágicas, de ter um diálogo perfeito, é que as pessoas acabam evitando,
05:36porque ficam ensaiando tanto, né, então, assim, na medida que você acredita que aquilo vai instruir seu filho, né,
05:43ou pergunta sobre se ele aprendeu algo na escola, quer começar do nada, é mais fácil começar quando ele é
05:50mais novinho, né,
05:51já começa a ter ciências, já começa a falar sobre a transformação do corpo humano,
05:55daí você já pode puxar o que a criança sabe, né, tanto o menino quanto a menina,
06:00que são as meninas que engravidam, mas os meninos também precisam ter essa educação sexual bem clara,
06:05até porque a gente, aqui tá falando de gestação, mas a gente tem que se atentar à IST, né,
06:10que não acabou, a gente ainda pode se contaminar e tudo mais.
06:14Então, desde novinho, o que você sabe, meu filho, o que você aprendeu na escola?
06:18Quando a pessoa tem mais dificuldade, ela pode pegar o viés da escola.
06:21E esses dias eu tava conversando com uma paciente minha que trabalha na Secretaria de Educação,
06:25e eu não sei se eu entendi errado, que também não era o ponto,
06:28mas eu fiquei sabendo que alguns pais não gostam dessas orientações na escola,
06:33e eu não sei se tinha sido proibido, eu não sei se eu entendi direito,
06:36eu acabei não pesquisando, mas enfim, assim, alguns pais não gostam,
06:39até que os filhos tenham isso na escola, então isso eu imagino em casa, né?
06:45Mas prevenir é a melhor forma, né?
06:47E o diálogo sempre, sempre, pra qualquer tipo de coisa nas relações, é o melhor caminho.
06:52Faz do jeito que dá.
06:52Você falou, conversar desde criança, existe uma idade, a partir daquela idade,
06:59que a gente já precisa ter uma orientação um pouco mais próxima?
07:03Tudo depende, depende de como é a cultura familiar,
07:06tem famílias que são mais abertas, né?
07:08Tomam banho junto, fica exposto, trocando de roupa,
07:11tem famílias que só fazem isso, trancados no banheiro, no quarto,
07:14então vai muito da família.
07:16Como é que é a sua família?
07:17Vocês têm abertura pra falar sobre qualquer coisa?
07:19Então, depende, a criança vai chegar curiosa, né?
07:22Ela vai perguntar.
07:23Então, sempre dê respostas até onde ela sabe, né?
07:27Ela vai dar até onde eu sei, partindo de qual pensamento.
07:31Então, deixa ela se expor e aí você vai construindo esse raciocínio com ela aos pouquinhos.
07:36Não tem uma fórmula mágica, mas na medida que você vai dando liberdade,
07:39a criança vai se expressar, né?
07:41Criança gosta, adolescente, às vezes fica mais envergonhado,
07:45porque essa transição da adolescente, eles mudam um pouco, né?
07:48Às vezes, era uma criança super aberta de ser com mais introspectivos ou o contrário.
07:53Então, você vai avaliando, né?
07:54Às vezes, a própria criança se nega, o adolescente se nega.
07:57Ah, mãe, para, pai, não, não vem puxar esse papo, não.
07:59Exatamente.
08:00Achando que você está querendo saber mais da intimidade da vida dele,
08:03se ele já está com namoradinha, se não está na escola.
08:05E eles acabam querendo esse afastamento.
08:08Principalmente quando eles se sentem invadidos, né?
08:11Meu filho é assim.
08:11Meu filho é assim, Elisabete?
08:12Meu filho é.
08:13Quantos anos ele tem?
08:14Tem 16.
08:15E aí, como é que você conversa com ele?
08:17Você já falou que com sua filha você não teve muito esse diálogo.
08:20E com o seu filho?
08:22Menina, eu me assustei quando eu abri a gaveta dele e tinha um monte de camisinha, eu caí dura.
08:27Eu falei, Bruno, você já está?
08:31Aí ele, hein, mãe, eu, hein?
08:33É assim.
08:34Aí ele falou que...
08:35Aí eu fui mandar mensagem para o pai dele.
08:37Aí ele, Beti, a gente já conversa bastante.
08:40Eu acho que para um rapaz, assim, é melhor eu conversar com o pai do que com a mãe.
08:46Existe isso, Luana?
08:47Eu acho que depende muito do adolescente, né?
08:49Mas, assim, talvez por ter os mesmos órgãos íntimos, né?
08:52Seja mais fácil.
08:54E ter vergonha da mãe, né?
08:56Filhos não gostam de saber nem que os pais têm relação de tão tabu que é esse assunto
09:02da sexualidade, né?
09:03Infelizmente a gente sofre essas consequências por conta disso.
09:06É muito tabu.
09:07Raquel, vamos voltar um pouquinho ao tempo, então, você que é jovem, né?
09:12Quando a sua mãe, no caso, foi sua mãe, então, que conversou, não foi seu pai?
09:15Isso, foi minha mãe.
09:16Foi sua mãe.
09:17Quando ela tocou nesse assunto com você, qual foi a sua reação ao, sabe, abrir um pouquinho
09:22mais a sua intimidade, contar se já tinha relação sexual, se não tinha?
09:26Como é que foi a sua reação?
09:27Então, não foi tão diretamente, né?
09:30Porque minha mãe trabalhava, como eu falei, minha mãe trabalha na área da saúde, ela
09:33trabalhava com prevenção nas escolas a respeito de DST e tal.
09:38E aí, quando eu comecei a entender, né, sobre esse assunto, já foi mais assim, pode
09:47acontecer, não a gravidez.
09:49A gravidez seria o menor dos problemas.
09:51O maior dos problemas seria uma doença.
09:53Seria alguma coisa que poderia acontecer de forma que não deveria acontecer, né?
10:01E aí, eu sempre ouvi muito minha mãe, eu ia em palestra com minha mãe, então, assim,
10:06eu tive esse momento de aprender vendo pelo pior lado, digamos assim, um lado que, se não
10:14me cuidar, seria o pior dos piores.
10:16Mas sempre ouvi minha mãe falando, olha, se acontecer, ninguém vai abandonar.
10:21Não vou ficar feliz se acontecer antes, né?
10:24Porque eu creio que você ouvi, não, primeiro você estuda, você faz faculdade, você casa,
10:30e depois você tem filho.
10:31E não ao contrário.
10:34Então, assim, eu ouvi, eu ouvia muito isso, mas na introdução foi um pouco mais tranquila,
10:41porque eu já vi a minha mãe trabalhando com isso.
10:44Então, assim, você vê algo acontecendo em outras pessoas...
10:48De forma natural, né?
10:49Isso, fui mais natural.
10:51Tem aquele medo, sim, tipo, isso ia acontecer comigo, mas fui um pouco mais natural, porque
10:57você já tem...
10:58Minha mãe não chegava e conversava diretamente.
11:00Ela deixou aberto em, ah, você quer saber?
11:03Ok, então vamos lá, eu trabalho com isso.
11:06Sempre...
11:07E eu sempre tive orgulho de falar, não, minha mãe trabalha com isso, eu sei muito bem como
11:11é, o que posso fazer pra não acontecer, todos os métodos.
11:15Olha só, aqui no nosso Facebook, a Camila Campos diz, eu fui mãe há uns 16 anos, minha
11:20mãe não me deu colher de chá, não, chamou meu namorado na época e disse que era pra
11:25nós morarmos juntos, né?
11:27E que já queria o filho, né?
11:29Estou casada há 12 anos, graças a Deus deu tudo certo, né?
11:32Agora, é bem complicado, né?
11:34Ela até finaliza falando isso aqui.
11:36Vamos convidar, então, mais uma colega aqui pro nosso bate-papo, uma grande querida aqui
11:40do Fala Espírito Santo, a Claudinha Bastos, ela também foi mãe aos 16 anos e vai contar
11:45pra gente como foi essa experiência na época.
11:48Claudinha, boa tarde!
11:51Boa tarde, boa tarde, Robertinha, boa tarde, pessoal.
11:56Eu tive essa experiência aos 16 anos, bem complicado, porque eu tive que mudar toda a
12:05minha vida, né?
12:07Eu tinha 16, o pai do meu filho tinha 18, dois moleques, sem perspectiva nenhuma, terminando
12:13a escola, eu tava no segundo ano, segundo grau, ele tinha acabado de sair, né, do segundo
12:19grau, sem trabalho, sem nada.
12:22Meus pais me deram um apoio até certo ponto, mas eu tive que ir embora pra outra cidade,
12:29morar com os pais dele, então minha vida mudou radicalmente, né?
12:34O que que você precisou abrir mão, Claudinha?
12:39Então, eu tive apoio dos pais dele, que foi muito importante, eles me apoiaram a continuar
12:46estudando, mesmo grávida, seguraram as contas por muito tempo pra eu conseguir terminar o
12:50ensino médio, o segundo grau, né, porque hoje é o ensino médio, né?
12:56Depois comecei a estudar a faculdade, não consegui terminar por conta de alguns problemas,
13:01a gente teve financeiro, porque a gente tava começando a vida com uma criança, e aí
13:06tive que atrasar a faculdade, começar a trabalhar muito cedo, e eu comecei a trabalhar em obras
13:14muito cedo e tive que viajar muito, então eu me ausentei muito pra poder criar meu filho.
13:20e o que me atrapalhou muito foi essa questão da criação dele, tive que deixar ele vivificar
13:26com o joio com a avó, pra poder dar um futuro pra ele, trabalhar e conseguir criar ele.
13:32Hoje tá com 25 anos, bonitão, mas eu acompanhei muita parte da vida dele, porque eu tive que
13:39trabalhar com o cheiro, não pude me organizar pra poder ser ele comigo nesse período de trabalho.
13:44Muito interessante esse seu depoimento, né, porque a gente vê, uma gravidez é bem-vinda,
13:50é claro que é bem-vindo, um filho é muito bem-vindo, mas na hora certa, né, porque a gente
13:54vê que impacta na vida emocional, impacta na vida financeira também.
14:00Deixa eu aproveitar a presença da Raquel aqui e saber como é que foi na sua casa, Raquel.
14:05Também teve todo esse impacto, igual a Claudinha contou, né, a vida financeira também fica
14:09complicada, o emocional, o estudo.
14:14Então, quando eu tive ele, eu tava no segundo ano, né, do ensino médio, e aí entra
14:19aquela cobrança que você se cobra de eu preciso estar com o meu filho, eu não quero
14:25deixar essa responsabilidade pra uma outra pessoa e ter que cuidar, mas fica, pô, eu
14:30preciso estudar, né, e aí eu demorei alguns bons anos, né, pra terminar o ensino médio,
14:37pra querer ter essa vontade também, pra você falar, pô, agora eu sou mãe.
14:41Então, você parou um pouco os estudos na época?
14:43Sim, cerca de três anos, mais ou menos, né.
14:47E aí, como eu ganhei ele já no final do ano, quando eu voltei e aonde eu estudei, não
14:52tinha essa preparação porque eu era a única pessoa grávida na escola.
14:57E o preconceito?
14:58Não teve tanto porque a minha sala, né, ela me acolheu desde quando eu entrei, me acolheu
15:05bastante, eu ganhei ele, todo mundo, como que é, a gente traz ele e teve esse apoio tanto
15:14da família quanto da escola também, mas você fica assim, pô, o que que eu vou fazer,
15:19né, e aí eu preferi, mesmo tendo apoio de pai, de mãe, eu preferi não trabalhar,
15:26não querer estudar, né, pra poder estar perto, pra ele também não sentir uma falta,
15:33porque entra tudo, entra falta, você pensa, pô, meu filho vai sentir falta, eu vou sentir
15:38falta dele pequenininho, então assim, entra muita coisa que fica na sua cabeça e que você
15:42para e fala, o que que eu vou fazer?
15:44E agora, é muito interessante porque a gente está aqui ilustrando com casos, né, ouvindo
15:49relatos de mulheres, de meninas, mas isso também traz um impacto muito grande, Luana, na vida
15:54dos meninos, né, embora seja relativamente menor comparado com o da mulher, mas traz também,
16:00né?
16:01Traz, com certeza, até porque assim, se for um rapaz presente, que a família vai dar suporte,
16:07né, porque a gente está falando também aqui de condições, de estrutura familiar, que
16:14é muito raro, a gente tem que lembrar também, né, muitas meninas são expulsas de casa,
16:17mas enfim, então vamos pensar um quadro que o menino seja bem-vindo pra aquela família.
16:23Ainda assim, já é difícil, porque ou ele vai se mudar, né, igual a Cláudia falou,
16:26ela teve o apoio da sogra, então talvez pro marido dela foi mais fácil participar.
16:31Então tem todo esse contexto, né, do ou o menino se inserir na vida familiar, dos sogros,
16:35pra estar perto do filho e tudo mais, e fazendo combinados, né, como que essas duas, entre
16:40aspas, crianças vão cuidar de outra criança.
16:43Olha só, tem mais comentários aqui, a Ludmila Machado diz, fui mãe aos 14 anos, finalizando
16:49o primeiro grau, foi difícil e me considero uma sobrevivente, palavras dela, viu?
16:55Falou que no início não teve apoio, e aí mais tarde foi ter o apoio dos pais e dos irmãos.
16:59Hoje ela tem um filho de 25 anos, super bem sucedido na vida, né?
17:04Também tem mais comentários aqui, a Elaine fala, nossa, que bate-papo bem direcionado,
17:10né, porque não dá pra romantizar uma gravidez na adolescência.
17:14Dão Paulo também diz que é importante lembrar que mesmo a família sempre alertando sobre
17:19os cuidados, né, que se deve ter pra não engravidar muito cedo, as amizades influenciam
17:26muito.
17:27E ele quer saber o que que nesse caso pode ser feito, Luana.
17:30Olha, nesse caso, a gente pode fazer assim, minha filha, você menstruou, a gente tá falando
17:35de meninas, né, teve a primeira menstruação, vamos ao ginecologista, que geralmente é o
17:39certo a se fazer, eu não sei quando você vai querer começar a sua vida sexual, se você
17:43vai compartilhar isso comigo, então vamos usar o método contraceptivo, que eu sei que
17:48você vai estar utilizando, já é uma forma bastante eficaz de evitar, pelo menos a gestação,
17:53né?
17:54E daí, da IST em diante, vai da consciência e realmente dos diálogos, da educação escolar,
17:59né?
18:00Em relação aos amigos, basta dizer, né?
18:04Você tem a opção de fazer as suas escolhas, né?
18:07A gente escuta muito isso em casa, mas quando você tá sujeito, né, educar outras pessoas...
18:11Porque se uma amiga já tem essa vida sexual e conta pra outra, isso gera curiosidade nas
18:17outras colegas, querem saber, fazem perguntas.
18:19Gera, gera.
18:20Eu até tenho dois altos relatos pra fazer, porque a minha mãe veio do interior e quando
18:25eu tive 13 anos, que eu tinha acabado de ter minha primeira menstruação, de um jeito
18:29assim, muito tosco, ela disse, minha filha, a partir de agora você vai começar a ter uns
18:33foguinho e eu não quero que você apareça aqui nem grávida e nem com doença.
18:38Aquilo não entendi nada, né, mal, mal, dava uns beijinhos e tal.
18:42E aí minhas amigas, na minha adolescência inteira, começaram a perder a virgindade.
18:46E eu fui ficando assustada com os relatos, porque eram experiências, às vezes, assim,
18:50onde, como ambos não têm muita experiência, não eram situações muito confortáveis, ainda
18:55mais pra nós, no corpo feminino e tudo mais.
18:57Então, eu tive, a minha primeira vez, muito além.
19:00Então, assim, depende muito da cabeça do jovem, assim, eu fui a última das últimas
19:04e as minhas amigas não me influenciavam, pelo contrário, assim, eu dava graças a Deus
19:08de não estar experimentando certas experiências.
19:11Mas, assim, e também não tive tantos mais diálogos lá em casa.
19:14Fui por observação, né?
19:16A gente tem que compreender também, gente, que a gente não vai estar aqui na Terra
19:19pra errar tudo sozinho.
19:20A gente tem que aprender com os erros dos outros também.
19:23Então, você tem o diálogo, você dá as instruções.
19:26Às vezes, a gente acha que o adolescente, ele não tá ouvindo só porque ele não quer
19:29conversar ou não quer falar dele mesmo, mas ele vai ouvir, ele vai filtrar alguma coisa
19:33que você fala.
19:34Então, pelo menos, né?
19:36Olha só que interessante o comentário aqui do Edson, quando, respondendo até a pergunta
19:40do Dan Paulo sobre a influência das amizades, ele diz que depois do...
19:44do parto, as amizades somem, né?
19:46Rapidinho.
19:47E aí, se você tem 100 amigos, você olha pro lado, só ficam ali 3 ao seu redor.
19:52Aconteceu isso com a sua filha?
19:53Aconteceu.
19:54E acontece até hoje, né?
19:57Ela...
19:58Ela engravidou duas vezes, né?
20:00Teve a Valentina, porque eu tô falando em relação à Valentina de 15 anos.
20:05Afastou.
20:07Afastou mesmo.
20:08E ela tinha tanta amizade, mas muita amizade.
20:10E isso afetou até o psicológico dela, por exemplo, sabe?
20:13Aquela...
20:13Eu via...
20:14Já é difícil, né?
20:15A gente ter aquele momento ali de pós-parto, é complicado, já não é fácil.
20:20Quando você tem toda a estrutura familiar, imagina então uma gravidez na adolescência,
20:24sem amigos.
20:25Quando ela engravidou, ela acreditava que ia ficar com o pai da criança, hein?
20:29E nisso não aconteceu.
20:31Ele começou já a traí-la, né?
20:33Grávida.
20:34Então, ela já tava com o psicológico dela já bem...
20:37Bem ruim.
20:38Ela só vivia chorando.
20:42Aí depois, foi afastando as amizades também.
20:45Por isso que é muito bom a mãe da adolescente perceber isso, né?
20:49Não botar pra fora, né?
20:52Rejeitar, achando que, né?
20:55Ah, errou.
20:55Porque nós erramos também a todos os momentos.
20:59Então, tipo, eu abracei a minha filha, né?
21:03Eu não joguei ela.
21:04Eu abracei.
21:05Por mais que nós duas não se damos muito bem por causa do temperamento dela,
21:10que eu já te falei, e o meu, eu abracei ela.
21:13E ela realmente ficou totalmente sozinha.
21:15Não tinha amigos.
21:17Não, lembrando que ela...
21:19Uma menina, chamada o Meire, que é até a madrinha da Valentina,
21:23ela abraçou a Lara.
21:26Ela pegou a Valentina como se fosse dela.
21:29Ela levava pra passear, ela comprava roupinha.
21:32Então, eu agradeço a vida da Meire até hoje.
21:35Olha que lindo, gente.
21:36É aí que a gente vê as verdadeiras amizades.
21:39E, Raquel, você disse que não enfrentou o preconceito durante a gestação.
21:44Mas depois que nasceu, você percebeu, houve afastamento de algumas amigas, de alguns amigos?
21:50Então, tem, porque acaba sendo uma vida diferente, né?
21:55Acaba sendo...
21:56A sua rotina muda.
21:58Algumas amizades, sim.
22:00A gente consegue contar no dedo quantas são, que desde a gravidez e até então estão.
22:06Claro que hoje a vida a gente não consegue conversar todos os dias, o tempo inteiro junto, não consegue.
22:12Mas a Vitorinha, por exemplo, cara, conheci na escola e ela manda mensagem, pergunta de Davi.
22:20Há poucas amizades, né?
22:22Estão ali.
22:23E, na época, assim, você vê muita gente junto.
22:28Você tem algumas pessoas que estão ali perto de você.
22:30Mas quando nasce que você vê, pô, não é assim.
22:35Eu tenho algumas pessoas que estão ali, tem outras que, ah, não é...
22:39Não, a gente não consegue julgar porque são momentos diferentes, né?
22:44Da vida.
22:44Mas, sim, acaba que...
22:47Ou pode ser um virar chacota, por exemplo.
22:50Não, mas ela já tem filho, deixa ela.
22:53Ela não tá, mas não se envolve mais com a gente porque ela não quer.
22:56Mas, às vezes, é mais, pô, ela tem filho, então descarta.
23:00Tem agora um problema, digamos assim, né?
23:04Porque hoje a gente vê muitas meninas não engravidam porque acham que é um problema, né?
23:09Ah, vai atrapalhar a minha vida, mas, às vezes, não é só essa questão, né?
23:15Mas tem, acaba que poucas amizades restam, né?
23:19Só que aí vem as amizades que você perde e vem as amizades que você constrói depois, né?
23:25Aí vem a amizade que você constrói depois, que não, é seu filho.
23:31Às vezes, a pessoa pode não ter um filho, mas não, filho, vão acolher.
23:36Tem mais comentários aqui também.
23:38A Josi Fernandes diz, boa tarde, tive minha filha aos 15 anos e praticamente perdi a minha vida
23:44porque não estudei, não trabalhei, fiquei só por conta dela.
23:47E meu ex era bem mais velho do que eu e me prendia muito, né?
23:51Também tem um comentário da Cristiane, ela diz, eu fui mãe aos 16, aos 17 e aos 18 anos.
23:59Foram três gestações, uma após a outra.
24:02Tive que reparar tudo.
24:03Hoje eles vão fazer 31, 30 e 29 anos.
24:06E tenho dois netos e hoje eu faço minha faculdade correndo atrás de tudo que eu não pude fazer antes.
24:11Essa é uma realidade, né?
24:12A pessoa, o pai ou a mãe, precisa interromper às vezes, que a gente vê muito isso acontecendo,
24:19o foco nos estudos para se dedicar ao filho.
24:23Deixa eu voltar a falar com a Claudinha, ela continuou com a gente por ligação de vídeo.
24:28Vamos ver com a Claudinha como que depois, né?
24:31Quando o filho foi para a adolescência, você teve esse papo com ele, Claudinha?
24:41Então, Robertinha, meu filho não morou comigo, mas ele sempre passava as férias comigo,
24:47porque ele estudava, ficava com os avós, eu viajava muito,
24:52então a gente optou por deixar ele numa cidade fixa para não ter que sofrer tanto com essas mudanças.
24:58Mas eu sempre conversei com ele e hoje ele é até um pouco reprimido,
25:04porque ele foi criado na igreja e certas doutrinas soliram ele de algumas coisas
25:11e hoje ele está com 25, ele já conversa mais abertamente comigo e ele fala,
25:17mãe, tem certas coisas que eu penso assim, penso assim, me travo aqui, me travo ali
25:22por conta da criação que eu tive, né?
25:25Então, essas questões às vezes atrapalham também um pouco, né?
25:30Eu não estou falando que são erradas, mas dependendo da maneira que elas são passadas,
25:35elas também podem atrapalhar um pouco.
25:37Tá certo.
25:37Claudinha, obrigada, viu, pela sua participação aqui com a gente,
25:40trazendo um relato muito importante nesse alerta aí para a gente prevenir essa gravidez precoce.
25:47Obrigada, uma boa tarde para você.
25:49E olha, aqui no nosso Facebook a gente tem mais comentários,
25:53a Maricilda Borges diz, diálogo é bom, é preciso, mas não livra a gravidez de ninguém.
26:01O importante, em caso aconteça, né?
26:03É assumir e seguir em frente, porque a gente sabe que tem muitas realidades que,
26:08às vezes, a pessoa fica completamente desamparada, né?
26:12Tem pais, tem mães que colocam para fora de casa e tudo que a pessoa precisa naquele momento,
26:18uma vez que aconteceu, é o quê?
26:20Se sentir amparado, né, Luana?
26:22Não tem como voltar atrás, como a Raquel disse.
26:24Exatamente.
26:25E aí a gente vai buscar amparo em amigos, em outros familiares que geralmente acolhem, né?
26:31E a Maricilda está certíssima, né?
26:33Aceitar a realidade e lidar do jeito que dá, na hora que dá, com as ferramentas que tem.
26:39Isso é a vida, na verdade, né?
26:40Não é só sobre gestação.
26:41E foi o que a Elisabeth fez com a filhona, né, Elisabeth?
26:43Sim.
26:44Foi muito importante, né?
26:45Inclusive para as duas, né?
26:47Nessa relação.
26:47Nossa, a gente ama muito a vovó.
26:50Manda um beijo, então, para a netinha, gente.
26:52A Valentina?
26:53Valentina, a vovó te ama.
26:54Beijo.
26:55Isso aí, você também.
26:56Então, Raquel, deixa um beijão aí.
26:58Beijo, Davi.
26:59Mamãe ama você.
27:01Porque quando a gente também se imagina, não dá para se imaginar, né?
27:04Uma vez que a gente se torna mãe, que a gente se torna pai, não dá para pensar a vida
27:09sem eles mais, né?
27:11Tá certo, gente.
27:12Obrigada pela participação de vocês.
27:14Uma boa tarde.
27:15Dá um beijo no Tono da vida.
27:16Dá um beijo na Valentina também, na netinha.
27:18Obrigada, Lu.
27:18Dá um beijo na sua mãe.
27:20Obrigada.
27:20Obrigada, Bibi, por me instruir.
27:22Isso aí.
27:23Obrigada, Lu.
27:23Obrigada, Lu.
27:23Obrigada, Lu.