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  • há 3 semanas
Como se defender de pessoas que tem atitudes abusivas sem seu consentimento

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Transcrição
00:00Ainda hoje a gente vai debater um assunto muito sério, a violência obstétrica.
00:05Os casos são mais comuns, gente, em grávidas atendidas pelo SUS.
00:09Você vai entender melhor o que é essa violência, como se proteger e principalmente como denunciar, tá bom?
00:16Já manda pra gente o seu relato pelo nosso Facebook.
00:19Agora a gente vai falar de um outro assunto que mexe muito também com nós mulheres.
00:23O assédio dentro do transporte, seja ele público ou até mesmo privado.
00:30Uma pesquisa feita pelo Instituto Galvão mostra que 97%, eu disse 97% das brasileiras com mais de 18 anos,
00:42afirmaram que já passaram por situações de assédio sexual no transporte público ou até mesmo no transporte de aplicativo ou
00:51em táxi, tá bom?
00:53Mais de mil mulheres de todas as regiões do país foram ouvidas.
00:58Os casos mais comuns relatados pelas passageiras foram olhares insistentes, cantadas e indesejadas e até o toque.
01:09Outro dado importante, tá?
01:1146% das mulheres não se sentem confiantes para usar meios de transporte sem sofrer assédio.
01:21É o seu caso também?
01:23Qual é o seu sentimento?
01:24Quando você pega um ônibus, quando você vai chamar um transporte por aplicativo,
01:27como é que fica aquele sentimento?
01:29E da sua família?
01:30A gente te acompanha também?
01:32Esse é um assunto que a gente precisa conversar e muito, principalmente as nossas filhas.
01:37Você que é avó, converse também com as suas netas.
01:39A gente precisa alertar e orientar.
01:41O que fazer, né, nos casos de assédio no transporte?
01:46Aqui no nosso estúdio, eu recebo o especialista em segurança pública, Rafael Pereira.
01:51Muito obrigada pela sua participação.
01:53E também a Adriana Martins, que usa bastante carro também, esse transporte de aplicativo.
02:00Usa também o transporte público.
02:03E já teve experiências traumatizantes.
02:05Adriana, boa tarde.
02:07Boa tarde.
02:07Já tive, já tive experiência, assim, minha pior experiência mesmo foi no transporte público, no coletivo, né?
02:14Mas, assim, já passei por algumas situações complicadas também com o aplicativo.
02:19O que aconteceu com você no transporte público?
02:22No transporte público, uma pessoa me tocou, né?
02:28Eu sentei do lado dele, do homem, e ele acabou começando a me tocar.
02:32No começo eu não entendi, achei que fosse só mesmo, assim, porque a gente estava sentado próximo.
02:36Mas até que, assim, demora um pouquinho a minha ficha cair, que realmente, assim, ele estava, não me importo não,
02:40estava me tocando mesmo, né, com outra intenção, com uma lista.
02:44Não era só um esbarrão, né, Adriana?
02:45Não era só um esbarrão, porque foi insistente.
02:47Eu olhei pra ele e aquilo permaneceu e tal.
02:50Até o momento que ele me tocou mesmo, né, eu levantei, as pessoas viram.
02:55E aí, assim, aquilo gerou um tumulto no transporte público.
02:58Fui, assim, recebi muito apoio, tudo foi resolvido, né?
03:01Mas foi, assim, é uma coisa que fica pra vida, é uma experiência ruim que você leva pra vida.
03:06Não adianta que você não esquece.
03:08Isso te deixou traumatizada logo após o que aconteceu?
03:13Sim, nos primeiros dias era bem complicado, né?
03:16Então, assim, quando você entra no transporte público, porque você vai sentar, você já tem uma tensão diferente.
03:21Quem tá ali no lugar que você vai sentar, entendeu?
03:25Se você vai sentar no lugar vazio, quando a pessoa senta do seu lado, você já tem esse pensamento que
03:28antes eu já não tinha, né?
03:30Essa preocupação de quem tá sentando ao meu lado.
03:32Então, hoje já é diferente, eu já sinto.
03:34Quando eu vou sentar, já teve casos de eu preferir ficar em pé ali mesmo, no cantinho, ao sentar perto
03:40de determinada pessoa.
03:42Pode ser, assim, um pensamento um pouco preconceituoso?
03:45Pode ser, mas por quê?
03:46Porque já vem de um acontecimento anterior, já vem de um trauma.
03:49Daqui a pouquinho você vai relatar pra gente o que aconteceu também no transporte por aplicativo.
03:55Mas antes, Rafael, 97% das brasileiras é um número que chama muita atenção, é um número muito expressivo e
04:04não é à toa, né?
04:05Infelizmente.
04:06Não, não é à toa, seja independente do modal de transporte, seja ele público ou privado, isso é importante destacar,
04:13né?
04:14Não existe ali um dos modais que sejam mais incidentes esses casos ou não, né?
04:22Infelizmente ocorre em todo tipo de modal, né?
04:25Mas felizmente também nós temos uma mudança na legislação, isso é algo recente, né?
04:30Que colaborou muito para o combate a isso.
04:34E pelo outro lado, né?
04:35É uma via de mão dupla, você acaba tendo uma percepção da quantidade de casos, né?
04:42E dessa forma, então, infelizmente esse número é assustador, mas em contrapartida a legislação, o Estado, a polícia e a
04:50tecnologia
04:50tem auxiliado muito a combater e a prevenir esse tipo de conduta.
04:54E a imprensa também, né?
04:55Que é o nosso papel.
04:56É muito importante divulgar e fazer com que a vítima não se cale.
05:02Não se cale porque quando há essa exposição na mídia, a mídia faz isso de forma muito relevante, como uma
05:10função quase que pública, né?
05:13Você acaba encorajando mulheres que sofreram esse tipo de violência a também buscar a polícia, buscar o Estado como forma
05:22de combater
05:23e dando isso, faz um ciclo, né?
05:25Quanto mais mulheres denunciam, mais você tem a percepção, o combate do Estado, a sensação de que algo é feito.
05:31Então, isso encoraja ainda mais esse tipo de conduta por parte das vítimas.
05:36Eu vi você concordando com a fala do Rafael agora, Adriana.
05:39Qual foi o motivador, né?
05:41Eu lembro que na época, você até contou aqui pra gente, você chegou a ir pra delegacia, não foi?
05:46Sim, eu fui pra delegacia.
05:47O que te motivou isso?
05:48O que me motivou ir pra delegacia foi o apoio que eu recebi das pessoas que estavam no coletivo e
05:53do motorista também.
05:54Então, assim, se fosse, acredito que dependesse só de mim, se não tivesse outras pessoas envolvidas na situação,
06:00eu teria sentado, ficado quietinha, indo pra minha casa, sofrer em casa, né?
06:03Mas ali, não, eu recebi muito apoio.
06:05As pessoas falaram, vão, vão, se você precisar de ajuda.
06:09Inclusive, se ofereceram até pra pagar passagem pra mim, se eu precisasse pra ir pra casa depois, né?
06:14Mas eu quero que você vá.
06:15Por quê?
06:15Porque ele não vai fazer isso só com você, ele vai continuar fazendo.
06:18Pois é, tá vendo a importância desse apoio naquele momento, né?
06:22Gente, quem também passou por uma situação traumatizante foi a Claudinha.
06:28Ela tá aqui no nosso Espaço Gourmet, daqui a pouquinho tem uma receita deliciosa pra adoçar a nossa tarde.
06:33Mas, infelizmente, Claudinha, esse é um assunto que a gente precisa reforçar, levar pra dentro das casas, dos lares.
06:42E você teve uma situação inesquecível também, traumatizante, né?
06:45Sim, muito similar à dela, mas há muitos anos atrás, há quase 20 anos.
06:50Então, na época, eu não falei nada dentro do transporte coletivo, porque eu tive medo de ser reprimida,
06:56porque ainda não tinha essa rede de apoio que hoje a gente já tem.
07:01Ainda não é o suficiente, mas a gente já tem bem mais que antes.
07:04Eu também, dentro do transporte coletivo, no ônibus lotado, mesmo de estar aqui, né, garrada, muito cheio.
07:12E comecei a sentir aquele movimento, né, na minha parte de trás.
07:18Comecei a desviar, olhar, falei, bom, será que é isso mesmo que eu tô vendo, que eu tô sentindo?
07:23E o cara atrás se encaixando, se encaixando.
07:27E a gente ficou um período nesse, né, eu olhando, e eu, será que eu falo, será que eu não
07:31falo?
07:31O ônibus lotado, e ele desceu, falei, bom, acho que ele percebeu que eu me toquei do que tá acontecendo,
07:37e ele foi embora.
07:39E aí, eu terminei minha viagem, quando eu desci do ônibus, eu vi que eu estava toda suja.
07:43Ele completou o serviço em mim.
07:46Misericórdia.
07:47Qual foi o seu sentimento ao chegar em casa, Claudinha?
07:51É horrível. É uma sensação de desrespeito, né, de desvalorização da gente como ser humano e como mulher.
08:01A gente tá vindo cansada do trabalho, né, e eu hoje, eu sou traumatizada, tem quase 20 anos, mais ou
08:07menos, que eu não ando de transporte público, porque eu tenho trauma.
08:10Então, hoje eu consigo ter uma vida que me beneficia nesse sentido.
08:15Mas muitas mulheres não têm, e no outro dia, tem que enfrentar essa realidade novamente, e é muito duro.
08:20E é verdade. Muitas mulheres dependem, dependem, pra ir trabalhar, pra ir ali, pra cá, pra voltar pra casa, dependem
08:28do transporte público.
08:29E não é apenas no transporte público que esses casos estão acontecendo.
08:34Claudinha, obrigada pela sua participação com a gente.
08:36Daqui a pouco a gente tá aí no nosso Espaço Gourmet.
08:38A gente vai ouvir agora o relato em áudio.
08:42É claro que a gente vai preservar a identidade dessa mulher, que ela foi vítima de um estupro em um
08:48carro por aplicativo.
08:49O motorista pediu que ela se sentasse no banco da frente, e ali começou a sediar a vítima.
08:56Vamos ver.
08:58A pessoa pediu o aplicativo pra mim, pra mim ir embora, pra casa.
09:03Aí, na metade do caminho, a pessoa do aplicativo pediu pra me sentar na frente.
09:09Eu entrei, ele tava ouvindo o hino, aí ele desligou o hino, eu falei assim, não pode deixar que eu
09:15gosto.
09:16Aí, na metade do caminho, ele pediu pra me sentar na frente.
09:19Eu falei que ele atrás tava bom, ele insistiu, né?
09:22Aí, tá no carro, insistiu, aí eu fui e sentei.
09:26Não sei se que queria conversar alguma coisa.
09:27Aí, nisso, na metade do caminho, ele começou a passar mal na minha perna, ele ficou falando umas coisas, né?
09:34Eu levei...
09:36Comecei a rir, não pensei que ele não ia continuar, mas continuou e já me deu um medo.
09:39Aí, eu agi normalmente, né?
09:42Muitos falam bem assim, por que que eu não reagi, né?
09:45Como que eu ia reagir em carro-movimento?
09:47Por que que eu não gritei?
09:49Por que que eu não liguei pra alguém?
09:51Como, né?
09:52Se não sei o que que ele ia fazer.
09:55Só, meu pensamento só foi medo e foi muito constrangedor.
10:04Confiança, mais uma vez, no nosso jornalismo, viu?
10:07Agora, Adriana, qual é o seu sentimento?
10:09Você que já passou por isso no transporte público e você ouve um relato desse também no transporte privado.
10:16É assim, Roberta, cada vez que a gente ouve uma história dessas, cada vez que você vê uma reportagem que
10:23fala sobre isso,
10:24a pergunta é assim, gente, parece, será que não vai acabar nunca isso?
10:27Será que isso vai acontecer sempre?
10:29E é uma coisa que ela falou que eu queria ressaltar, porque isso aconteceu muito comigo.
10:33As pessoas, eles questionam, ah, mas se fosse eu, teria feito isso.
10:37Por que que você não fez isso? Por que que você não fez aquilo?
10:40É como se, de certa forma, ah, você teve culpa.
10:45Você concordou com o que ele fez.
10:47Exatamente, você concordou.
10:49Ah, porque se fosse eu, eu teria feito.
10:50Se fosse eu, eu teria batido.
10:52Se fosse eu, eu não teria aceitado.
10:54Não é assim que funciona.
10:55Ana, no momento que você está ali, você não acredita no que está acontecendo, você não tem reação.
11:02Não adianta.
11:03E isso aí, assim, eu já ouvi.
11:04E aí, com esse Casas, a gente acaba tendo contato com outras pessoas que já passaram.
11:08E o relato de todas são a mesma coisa.
11:10No momento, fora disso, você pensa também.
11:12Vou fazer isso, vou bater, vou fazer não sei o quê.
11:15Não faz.
11:16Na hora você não faz.
11:17A ficha não cai.
11:17Sem contar, eu conversei com essa mulher nos bastidores, sem contar que ela estava ali sozinha, Rafael, sozinha, num carro
11:26em alta velocidade.
11:28Tem casos aí, teve um caso que aconteceu em São Paulo, que uma jovem abriu a porta do carro em
11:34movimento e se jogou,
11:36porque ela estava desconfiando de um cheiro estranho no carro, que já já a gente também vai falar sobre esses
11:42possíveis golpes.
11:43A gente precisa fazer um alerta sobre essa história de gás, tá?
11:46Que alguns motoristas, que na verdade não são motoristas, vamos chamar eles de criminosos, né?
11:51Estão usando esse tipo de golpe.
11:53Mas, Rafael, primeiro, qual é, de que forma que a vítima deve tentar se comportar nesse momento, né?
12:00Igual a gente ouviu esse relato e ela não tinha o que fazer.
12:04Já a outra jovem abriu a porta do carro e tentou se jogar com o carro em movimento.
12:08É uma razão extrema, né?
12:10Mas, infelizmente, Roberta, quando ocorre no transporte público, geralmente tem mais pessoas.
12:16E existe essa rede de apoio e os próprios funcionários das concessionárias de transporte já são orientados a esse tipo
12:23de atendimento.
12:24Mas, quando você está num veículo fechado, onde só há a vítima e o criminoso, fica um pouco mais difícil,
12:30né?
12:30Então, ações preventivas, nesse sentido, são muito mais importantes e fazem muito mais necessárias, né?
12:36Ações simples, desde que não envolva tecnologia, desde você avisar a um parente, a um conhecido, a um amigo, para
12:42onde você vai, com quem você vai, qual é o trajeto, né?
12:44Qual é o veículo, seja ele por aplicativo, seja ele a táxi, né?
12:48Qual é o caminho, quanto tempo mais ou menos leva, né?
12:50E o uso da tecnologia hoje, todo mundo tem um smartphone, né?
12:53Você tem um GPS, você tem um localizador, né?
12:55Faça um compartilhamento da sua viagem.
12:57Os próprios aplicativos, eles trazem essa funcionalidade também.
13:01Olha, a viagem iniciou, traz o trajeto disso daí, permite uma conversa por um bate-papo, por um chat, né?
13:07Então, hoje, a tecnologia auxilia muito e, muitas vezes, se já está dentro do veículo e percebe que há alguma
13:15situação estranha, né?
13:17Utilize, né, esses aplicativos, entre em contato com alguém e mostra a esses criminosos que a grande maioria deles,
13:24existe, claro, aqueles que são mais violentos, são criminosos, são travestidos de motoristas, né?
13:30Esses indivíduos podem ter uma reação violenta, mas a grande maioria dos casos que a gente observa
13:34são indivíduos covardes, indivíduos que agem justamente nessa ausência de testemunha.
13:42Então, se você liga para alguém, né, faça uma filmagem, faça uma live no seu aplicativo, no seu celular, né?
13:48Olha, eu estou aqui no transporte, isso aí inibe quase que a totalidade desse tipo de importunação.
13:53Claro que casos mais graves, né, eles podem se tornar efetivamente mais violentos,
13:57mas aí, infelizmente, é como eu digo sempre, né, Roberto?
13:59Em sete de segurança pública, a gente trabalha com prevenção, mas não é como você evitar a totalidade dos casos.
14:05A prevenção reduz muito, mitiga muito.
14:07E volto a repetir, o criminoso sexual, seja ele do mais grave, quando há o estupro, onde há a violência
14:14efetiva,
14:15até o criminoso da importunação sexual, que são esses atos libidinosos, onde não há uma violência,
14:21eles tendem a trabalhar na covardia, são indivíduos que eles subjugam mulheres, idosas, onde há uma vulnerabilidade,
14:30e quando chega qualquer pessoa, eles já se sentem aquados.
14:34Então, é uma covardia ainda mais exacerbada.
14:36Então, por isso a importância de você ter sempre um contato, fazer essa rede de contato e a rede de
14:40apoio.
14:41E já que a gente está falando exatamente, né, sobre, nesse momento agora,
14:44sobre esse tipo de abuso dentro dos carros de transporte por aplicativo,
14:49essa semana, a atriz Júlia Gomes, que faz a novela, que fez a novela Chequititas,
14:54ela viralizou nas redes sociais.
14:56Júlia contou que pegou um carro de aplicativo e passou, gente, por momentos de terror.
15:02Olha só.
15:05Tranquilo, até que o motorista parou o carro no meio da rua,
15:09para ser mais específica, ali no meio da rua de São Conrado.
15:14Ele saiu do carro, foi ver alguma coisa no porta-malas, voltou.
15:19Depois de, assim, 10 segundos que ele retornou para o carro, ele pôs uma máscara.
15:23A gente estava pegando aquele túnel que divide São Conrado ali do Leblon,
15:27para chegar ali no comecinho da gávea, estava um pouco de trânsito,
15:32eu comecei a sentir um cheiro muito forte.
15:35Eu nunca tinha sentido esse cheiro na minha vida.
15:37Foi um cheiro de, tipo, álcool com acetona, um gás, não sei.
15:43Eu sei que no momento que eu comecei a sentir esse cheiro,
15:45o meu corpo começou a parar de funcionar.
15:48Eu perdi a fala, minha mãe estava conversando comigo no telefone,
15:50eu parei de responder.
15:52Até porque, primeiro, que eu estava com muito medo,
15:54segundo, que eu não sabia o que estava acontecendo,
15:56porque meu corpo estava muito estranho.
15:58Eu não conseguia falar, eu não sentia mais a minha perna,
16:01eu sentia a minha perna dormente,
16:04o meu braço formigando, todo o meu corpo formigando.
16:08Minha primeira reação foi tentar...
16:10É muito difícil nessas horas que a gente entra em pânico.
16:15Mas eu, assim, graças a Deus, consegui tampar meu nariz
16:19com a camiseta que eu estava, eu cheirei meu cabelo,
16:21fiz de tudo para aquele odor não entrar no meu nariz,
16:26ou algo do tipo, eu criei força para finalmente sair do carro.
16:30Eu estava quase desmaiada, eu conseguia entrar no estabelecimento
16:33onde me ajudaram.
16:34Eu estava branca, pálida, tremendo.
16:39Eu não sei o que ia acontecer comigo se eu tivesse ficado
16:42dentro daquele carro.
16:45Que alerta importante para você levar para a sua filha
16:48ou então para você levar para a sua neta.
16:49É claro que fique bem claro aqui que a gente não está falando
16:53de motoristas de aplicativo.
16:56A gente está falando de abusadores que se passam por motoristas de aplicativo.
17:03Que às vezes você vai fazer uma corrida, você acredita,
17:06você entra ali confiante, às vezes até, né?
17:08Dá um bom dia, boa tarde, boa noite.
17:10Mas infelizmente aquela pessoa está mal intencionada,
17:12igual pode acontecer em qualquer outra profissão.
17:15Então é isso o alerta.
17:16E aí, Rafael, como é que acontece esse tipo de golpe que a gente viu,
17:22esse tipo de crime que a gente viu com a atriz?
17:24E o que a gente deve fazer, né?
17:26Comecei a sentir um cheiro estranho.
17:27Dá tempo da gente reagir ainda?
17:29Olha, Roberta, é um relato que não é único,
17:32é algo mais recente, é algo que tem...
17:35Já temos relatos, várias ocorrências em todo o país,
17:38onde realmente o molus operandi é muito similar, né?
17:41Há ali uma...
17:43Inicia-se algo estranho, um cheiro, né?
17:45A percepção de um odor diferenciado no veículo, né?
17:48Temos relatos, inclusive, de indivíduos que borrifam esse tipo de produto.
17:52Nós temos aí elementos químicos, né?
17:54Temos aí medicações como o Rupinol, que é o famoso balone de cinderela,
17:57que é usado, né?
17:57A gente vê muitos crimes em boates, em copos,
17:59mas isso pode ser facilmente diluído também.
18:01Utilizam-se outros tipos de elementos químicos
18:05que geram essa vulnerabilidade na vítima,
18:07e isso pode ser borrifado.
18:08E o molus operandi, ele é muito parecido, né?
18:11Nesses crimes.
18:11Nós observamos aqui que muitas vezes o indivíduo, ele para o veículo,
18:15ele simula ter um problema mecânico,
18:17levanta o capô do veículo, ou vai até o porta-mala.
18:19É no caso relatado aqui pela atriz ainda,
18:21o indivíduo coloca a máscara, o indivíduo com máscara,
18:24sem máscara, depois ele coloca a máscara, né?
18:26Infelizmente, tem que ter essa percepção
18:29de que alguma coisa está estranha.
18:31E se sentir algo estranho, já comunique pelo celular,
18:34já peça para interromper a corrida.
18:35É claro que dependendo do local que você estiver, se for ermo,
18:38é até mais perigoso, né?
18:39E dá tempo, assim, a gente vai ficando ali meio...
18:41Isso é muito variado.
18:42Sem percepção.
18:43Depende do tipo de substância, né?
18:45Depende da própria estrutura, da fisiologia da pessoa.
18:48Tem pessoas que são muito suscetíveis àquilo ali, né?
18:51E tem pessoas que têm uma percepção,
18:52ainda conseguem ter alguma reação.
18:54Infelizmente, é uma mudança de modos operantes desses criminosos, né?
18:57Estão se valendo aí de uma nova modalidade de conduta criminosa,
19:02e por isso a importância do relato para a polícia, né?
19:06Quando há esse relato, a imprensa divulga,
19:08toda vítima, seja ela de uma importunação sexual,
19:12seja ela de um estupro,
19:13ela deve procurar a delegacia de polícia, fazer o registro,
19:16porque levando esses dados até a polícia,
19:19fica muito mais fácil para a polícia investigar
19:21e efetivamente ser confirmado, retirar esse tipo de indivíduo
19:24do seu habitat, né?
19:25Da sua caça.
19:26Esses criminosos, né?
19:27Que covardemente agem, né?
19:29No dia a dia e em todo o país.
19:32Então, a importância de você comunicar isso ao Estado,
19:35seja através do boletim de ocorrência.
19:37Olha só, tem um comentário aqui, Neyud diz,
19:39boa tarde, eu só pego transporte por aplicativo
19:41chamado pela minha filha,
19:43pois ela acompanha todo o trajeto,
19:45acompanha o nome do motorista,
19:47a placa, a cor e marca.
19:49É filha vigiando mãe,
19:50mãe também tem que vigiar filho,
19:52pai também fazer parte desse processo,
19:54ajudar a cuidar também dos filhos.
19:56É assim também na sua casa, Adriana?
19:58É assim também, né?
19:59Assim, graças a Deus, a minha filha,
20:01a minha filha hoje tem 19 anos,
20:03mas eu sempre tive esse cuidado,
20:04e assim, minha filha,
20:05ela praticamente, assim, pouquíssimas vezes
20:07ela utilizou o transporte público,
20:09então eu sempre tive muito esse cuidado,
20:11esse medo, muito antes mesmo
20:12de isso ter acontecido comigo, né?
20:14Então, graças a Deus,
20:15hoje ela, assim, já não usa tanto aplicativo como eu.
20:19Mas é interessante isso aí que ela falou,
20:21eu também faço isso,
20:22eu sempre compartilho o meu trajeto com o meu irmão.
20:25Então, assim, toda vez que eu entro no carro de aplicativo,
20:29eu já compartilho com ele,
20:30já tem, fica lá automático,
20:32para compartilhar com ele,
20:33já compartilho com ele.
20:34Já aconteceu de você também fazer uma ligação,
20:36se sentir um pouco insegura,
20:38igual o Rafael deu essa dica aqui?
20:40Sim, isso aí também é uma coisa que eu já faço sempre.
20:42Sempre quando eu entro, eu mando um áudio, né?
20:45Às vezes até desnecessário,
20:46mas eu envio um áudio e falo,
20:47ah, já embarquei, tá?
20:48Daqui a tantos minutos eu estou chegando,
20:50é um trajeto de tantos minutos, assim,
20:51eu estou chegando aí,
20:52sempre mando um áudio para alguém.
20:53Agora, olha só que interessante,
20:55a gente ouviu aqui o relato da Claudinha,
20:58que contou o que aconteceu há mais de 20 anos atrás com ela,
21:02ouvimos o relato da Adriana,
21:04e a gente viu uma mudança de comportamento, né?
21:08Lá atrás a Claudinha não teve essa coragem, né, Claudinha,
21:12de levar esse caso adiante,
21:15porque a sociedade te julga,
21:18ah, mas você concordou, você deixou,
21:20mas hoje, se fosse hoje, Claudinha,
21:23qual seria a sua postura?
21:26Hoje, com certeza, Roberta,
21:28eu teria colocado a boca no mundo,
21:29eu não teria deixado ele sair do ônibus
21:31da maneira que ele saiu, não.
21:33Na hora eu achei, falando,
21:34olha, se tocou, que eu percebi,
21:35foi embora com medo.
21:36Só depois que eu desci do ônibus,
21:38que eu vi que ele tinha feito o que ele realmente quis.
21:40Então, assim, é uma humilhação muito grande,
21:43e eu não me permitiria passar por isso hoje,
21:45com todas as informações que eu já tenho,
21:46apesar de eu já era informada na época,
21:49eu não deixaria de jeito nenhum.
21:51É o que a gente precisa fazer, né,
21:53encorajar as mulheres,
21:54a vítima não pode se calar.
21:56Obrigada mais uma vez, Claudinha,
21:57já volto aí, viu?
21:58A gente tem um pãozinho doce com chocolate
22:01que ela está preparando para o nosso cafezinho da tarde,
22:03muito bom, viu?
22:04E, Rafael, eu queria, então,
22:05que a gente finalizasse, né,
22:07encorajando essas vítimas,
22:09até porque elas se perguntam assim,
22:10ah, mas eu passei por isso, eu tenho medo,
22:13ele sabe meu endereço,
22:15ele me deixou na porta da minha casa.
22:17Como que a gente quebra essa barreira?
22:19Olha, Roberta, é sabendo,
22:21primeiramente, que existe uma estrutura de Estado.
22:24Existe a polícia civil, a polícia militar,
22:26né, o serviço de inteligência,
22:28os próprios aplicativos,
22:29eles são muito solícitos também, né,
22:32quando há esse tipo de conduta, né,
22:35as empresas de ônibus também,
22:37os táxis também,
22:38então, os modais estão todos preparados com isso.
22:41E o país passou por muitas mudanças e atualizações,
22:44principalmente no campo da legislação criminal.
22:47Então, nós tivemos lá em 2006 a Lei Maria da Penha,
22:50nós tivemos uma alteração recente no Código Penal,
22:53onde, né, esse tipo de conduta relatada,
22:55onde não há a violência,
22:57mas ocorrem esses atos libidinosos, né,
22:59era uma mera contravenção penal,
23:01hoje já se tornou um crime,
23:03onde se permite uma prisão em flagrante, né,
23:05então, com esse conjunto de mudanças, né,
23:08e essa própria mudança da sociedade,
23:10a percepção da sociedade, né,
23:12e essa elevação do papel da mulher,
23:15aonde ela deveria estar desde sempre,
23:17né, isso tem contribuído muito,
23:20tanto para aumentar os casos,
23:22mas os casos estão sendo agora relatados, né,
23:24e a imprensa divulga com muita propriedade isso,
23:27então, quanto mais há a divulgação,
23:29e mais há o relato, né,
23:31para a polícia, né,
23:32com certeza você mitiga muito esse tipo de conduta,
23:35e tenta de todos os meios,
23:38reverter esses números,
23:39que são muito elevados ainda,
23:40mas a participação de toda a sociedade, né,
23:43ela auxilia muito,
23:45a segurança pública,
23:46ela é dever do Estado,
23:47mas é também contribuição do cidadão,
23:50foi vítima, não se calhe,
23:52existe uma rede de apoio,
23:53existe uma legislação severa,
23:55a polícia está especializada nesse tipo de crime também,
23:57então, busque a polícia,
23:58busque o Estado, né,
23:59e não fique com receio,
24:01principalmente se houver pessoas em volta,
24:03a rede é muito grande.
24:04Olha só, a gente tem aqui,
24:06ganhei mais um minuto da minha diretora
24:07para ler os comentários, viu,
24:08tem dica aqui do Evaristo Miranda,
24:10ele diz que é muito importante, né,
24:12os passageiros não olham,
24:13mas é imprescindível que todos olhem
24:15sobre o histórico
24:17e as avaliações dos motoristas,
24:21a Márcia Salles Bezerra
24:22também participa com a gente,
24:24ela diz que fica com medo, né,
24:25principalmente quando percebe
24:26que eles mudam a rota,
24:28e passa por lugares ermos,
24:30e tinha que ir por onde o cliente está pedindo, né,
24:33então isso já também dá um certo receio,
24:36está mudando a rota, né,
24:37mas por quê?
24:38O Gilberto Marcelino está aqui fazendo também,
24:42está clamando aqui, né,
24:43falando da justiça branda,
24:44que requer que esses perversos sexuais
24:46cometam esses crimes.
24:50Também tem aqui o comentário da Letícia Pimenta,
24:53ela diz,
24:53essa dica de fazer de conta
24:55que está conversando no telefone
24:57ajuda muito.
24:57Letícia, eu não faço de conta não, tá?
24:59Eu ligo, ligo mesmo.
25:01É importante que a outra pessoa saiba
25:03por onde ela está,
25:05passando com quem, né,
25:06ó, estou no carro,
25:07estou aqui, ó,
25:08tá bom?

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