- há 3 semanas
Vítimas de importunação sexual nem sempre são encorajadas a denunciar
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NotíciasTranscrição
00:00Tá aí um tipo de crime, gente, que tá se tornando muito mais comum do que a gente imagina.
00:04Tá acontecendo com muita frequência.
00:06Por isso que denunciar é fundamental.
00:09Vem cá, participa.
00:10Participa comigo aqui do nosso bate-papo, eu recebo a advogada,
00:13doutora Camila Dias, muito obrigada pela sua participação.
00:16A psicóloga Satina Pimenta também, muito obrigada pela participação de vocês.
00:22E já já a gente vai conversar com a Ana Paula, que ela passou por uma situação muito parecida.
00:27Mas antes, eu queria só introduzir o assunto aqui com a gente no estúdio, Camila.
00:33Às vezes, essas pessoas pensam assim, ah, mas eu não tô encostando.
00:37É com o celular, o aparelho é meu, mas isso é crime.
00:42Isso é crime.
00:42É crime.
00:43Qualquer ato idibinoso, que a gente chama, sem consentimento é crime.
00:48Importunação sexual.
00:50Então, suponhamos que você esteja trocando de roupa,
00:53e um vizinho, numa fresta, alguma coisa, filme ou veja ou chame alguém pra ter aquele contato,
01:02espalhar foto, tirar sem consentimento, uma coisa dentro da sua relação, você querer alguma coisa.
01:07Agora, é o tal do não é não, não é um tal, é uma realidade.
01:11Então, ali, ninguém permitiu que isso fosse feito, é a sua imagem.
01:14Então, é um crime.
01:15E ele vai responder por isso.
01:16É importante a gente frisar isso, porque agora, com as redes sociais, com o celular que todo mundo tem hoje
01:24em dia,
01:25na verdade, as pessoas têm até mais de um aparelho por pessoa.
01:28Então, é importante frisar isso, porque às vezes, assim, não, mas eu não encostei nela.
01:32Mas isso é crime, gente.
01:33Isso é crime.
01:34Agora, o triste é que tem que ter uma lei pra que a pessoa, pra que iniba essa atitude da
01:41pessoa, Satina.
01:42Até que ponto?
01:43Até quando a gente vai ver isso?
01:45Boa tarde.
01:45Boa tarde, boa tarde pra todo mundo.
01:48Ter que ter uma lei pra fazer o que é óbvio, que é respeitar o outro, é realmente um negócio
01:55muito difícil.
01:56Só que aí, Roberta, a gente também tá falando de um comportamento que ele é muito antigo.
02:02Ele não é novo.
02:03Hoje, a gente tá vendo mais porque está se tornando público.
02:07E, principalmente, porque as pessoas estão se defendendo contra.
02:13Se você lembrar lá da sua adolescência, da sua infância, quantas vezes a gente não deu os gritos no banheiro
02:19da escola, falando, ah, o menino tá aqui.
02:21No ônibus.
02:22No ônibus.
02:24Então, assim, hoje, a gente tá tendo um movimento de que, olha, não é uma brincadeira, o meu corpo me
02:30pertence, você não pode fazer esse tipo de coisa.
02:33Eu não sou um objeto que você manipula do jeito que você quiser.
02:36Então, a gente começa a frear comportamentos, a gente começa a delimitar espaços, na verdade, limitar espaços, pra que essas
02:48coisas não continuem sendo banalizadas como outrora era.
02:52Vamos fazer o seguinte, como eu prometi pra vocês, vou convidar agora a Ana Paula.
02:57Por quê?
02:57Esses casos de importunação, gente, isso pode acontecer em qualquer lugar.
03:01A gente já citou aqui, ó, seja no ônibus, quantos casos a gente já mostrou aqui no programa de mulheres
03:07no ônibus, aquele empurra-empurra, ou então o homem que senta ali do seu lado, né, na cadeira ao lado.
03:12Quantos casos a gente já mostrou assim no ônibus, na fila do banco.
03:16Enfim, a gente vê na escola, a gente tá sempre mostrando.
03:21E aí a gente vai conversar agora com a Ana Paula, ela sofreu isso dentro de um supermercado, não é
03:27isso, Ana Paula? Boa tarde.
03:31Boa tarde, Roberta, foi isso mesmo, dentro de um supermercado.
03:35E qual foi a sensação pra você, depois de tudo isso que aconteceu, como é que você se sentiu, Ana
03:41Paula?
03:46A gente perdeu o áudio da Ana Paula, mas eu consegui entender.
03:51Ela falou que ela se sentiu impotente, invadida, foram as duas palavras que eu já ouvi, que eu já pude
03:59captar desse sentimento que ela teve.
04:02E Satina, conversei com ela anteriormente, daqui a pouco a gente vai voltar com a Ana Paula.
04:07Ela falou que ela ficou, naquela semana então, ela se sentiu péssima, destruída.
04:14É esse o sentimento que traz, que isso pode causar numa mulher?
04:17Sim, é esse o sentimento.
04:19Porque a gente se sente desrespeitada e a gente se questiona, por quê?
04:24Por que eu não mereço esse respeito?
04:27Por que alguém pode fazer isso comigo?
04:30Ou acha que pode fazer isso comigo?
04:33E aí isso machuca bastante.
04:35Pronto.
04:35Agora sim, a gente conseguiu restabelecer a conexão com a Ana Paula e ela vai contar pra gente como é
04:40que foi que tudo aconteceu.
04:44Então, aconteceu dentro do supermercado, né?
04:46Eu estava olhando a prateleira, os valores de algumas coisas.
04:49Aí um homem chegou por trás e eu achei que fosse algum conhecido, ia fazer uma brincadeira comigo.
04:57Acabou que eu dei aquela olhada assim e quando eu olhei, realmente ele estava com o celular por baixo do
05:03meu vestido.
05:04E depois logo ele questionou, falando que não, não estou fazendo nada não.
05:07Ele mesmo já como se estivesse se entregando.
05:09Ele falou, não, não estou fazendo nada não.
05:12Aí nisso eu fui procurar segurança do supermercado e acabou que ele, né?
05:17Eu fiquei tão nervosa, comecei a chorar, que ele continuou na mesma pessoa durante alguns minutos.
05:23E logo em seguida eu peguei e fui atrás da gerência.
05:33Você recebeu o apoio por parte da empresa, Ana Paula?
05:37Demorou três dias pra eles me liberarem as imagens.
05:41Três dias.
05:43Acabando ali, depois de tudo isso que tinha acontecido naquele momento, você chegou aí à delegacia?
05:50Não fui. Não fui. Acabou que, assim, as pessoas muito próximas a mim, da minha família, que ficaram sabendo.
05:57Ai, mas já passou, né? Ai, se você acha que você deve ir, vai.
06:02Nunca ninguém falou assim, não, você tem que ir, vamos lá, eu vou com você. Não.
06:06Então acabou que eu mesmo, como vítima, me senti, né? Muito constrangida e eu acabei não indo.
06:13Pera aí, já volto a falar com você, que eu quero trazer esse ponto aqui pra Sátina.
06:17Sátina, aproveita aí pra dar um carinho bem gostoso pro seu neném que tá aí contigo.
06:22Sátina, a falta de apoio, até mesmo das mulheres, né?
06:26Acaba que a gente banaliza, normaliza, porque como você já disse, ah, isso não acontece de hoje.
06:32Então a gente já aprendeu a conviver com essa dor, né?
06:35Aí essa falta de apoio faz com que muitas mulheres se sintam desestimuladas em denunciar.
06:41Isso mesmo. É como se a gente, se a nossa dor não tivesse validade.
06:46Entende? Então parece que só tá doendo em mim.
06:48E aí que outras pessoas acham que é uma bobeira e eu começo a me questionar, mas será que é
06:54bobeira mesmo?
06:55Será que eu não tenho que deixar pra lá?
06:56E eu acabo deixando, né?
07:00Porque eu não sou, vou usar até um termo da psicologia, reforçada para poder realizar aquele ato,
07:08que é a denúncia, que é correr atrás, que é falar, de certa forma penalizar aquele sujeito pelo ato que
07:17ele cometeu contra mim.
07:18E é muito importante, né Camila, que a gente faça essa denúncia, explica pra gente por quê, convença a mulher
07:25que ela precisa levar esse caso adiante.
07:28No caso, né, que a gente citou agora que ela compartilhou com a gente, pensa o seguinte, ele fez isso
07:33com ela e no caso dela ela conseguiu perceber o que tava acontecendo,
07:38conseguiu através de câmeras mostrar o que houve, mas ele já pode ter praticado isso antes ou depois até dela
07:45em situações onde não tem como provas, né?
07:48Não tem como uma pessoa ter se defendido.
07:50Então, o porquê de uma denúncia?
07:52Não só pra si, que que bom que ela, né, passou por isso e no final das contas ficou as
07:57questões que ela tem que lidar emocionalmente.
07:59Mas é pra uma questão de união de uma com a outra quanto aquele crime se perpetuar, quanto a essa
08:07pessoa ter voz e força pra continuar.
08:10Porque se uma outra mulher depois o denuncia também, vai estar lá aquele registro que outras já vieram antes.
08:16E outras podem vir.
08:18Então, por mais que, ok, passou, minha família me apoiou e tudo, que bom, é isso que a gente torce,
08:24que a pessoa se recomponha.
08:25Mas ele não pode ficar impune.
08:27Um homem que faz, que age de uma forma dessa, criminosa, usando o termo que eu penso que seja mais
08:37coerente é invadido.
08:39Porque nada do que a gente não queira pode acontecer conosco.
08:43Então, a pessoa tá fazendo compra, a mulher tá num serviço público, ela tá dentro do banheiro fazendo uma necessidade.
08:49Então, isso não pode ficar desse jeito.
08:51Enquanto a gente não tiver voz e força, né?
08:55Sabemos as dificuldades que são enfrentadas pra fazer uma denúncia, ok?
08:59Mas, assim, vamos romper isso porque depende dessa mobilização.
09:04Porque a gente fala muitas vezes, ah, justiça, ah, lei.
09:07Mas a gente tá levando até a justiça esses casos?
09:10Estamos fazendo a nossa parte, né?
09:12Então, esse é o apelo para que as mulheres se unam nisso, se souber de uma amiga, se souber de
09:18um parente, esposa.
09:19A gente, né, às vezes se sente constrangido, mas quem tem que se constranger é tão somente o agressor, não
09:24a vítima.
09:25E é essa união que fez a diferença no caso dessas estudantes, né, Sátina?
09:29Que a gente mostrou agora, desse caso de São Paulo.
09:31As amigas se uniram pra fazer essa denúncia.
09:34E aí descobriram todo esse histórico dele, mais de 100 vídeos e fotos armazenadas no aparelho celular.
09:42A união faz toda a diferença?
09:44Toda a diferença.
09:45Toda a diferença.
09:47Principalmente porque nós, mulheres, fomos ensinadas a competir com mulheres, a menosprezar outras mulheres,
09:53numa lógica muito horrorosa de cultura, né?
09:57E hoje a gente tá tentando fazer a modificação disso.
10:00Então, como a Camila mesmo disse, se eu não faço por mim, que façamos por todas.
10:08Se, ah, não doeu tanto em mim assim, parece que é uma bobagem.
10:11Mas se ele tiver liberado, se ele não tiver sendo punido, ele vai fazer com outra, outra, outra, outra,
10:17que talvez não tenha o apoio da família que ela traz, como algo extremamente importante.
10:21Então, eu acho que essa sororidade, ela tem que vir, sim.
10:24Deixa eu voltar a falar com a Ana Paula.
10:27Ela continua com a gente?
10:28Continua, né?
10:29Ana Paula, e se fosse hoje?
10:32De que forma que você agiria?
10:34Você vendo vários casos ganhando proporções, o seu também, né?
10:38Por tudo que você passou, de que forma que você agiria?
10:43Diferente.
10:43Hoje eu já procuraria, já faria um boletim, entendeu?
10:47Eu postaria até nas redes sociais, porque eu tenho a imagem dele, talvez não tão nítida, né?
10:53Porque a imagem do supermercado, a câmera falaram que era bem ruim, essas coisas, mas eu já faria bem diferente.
11:00Eu iria expor, tá?
11:02Com certeza.
11:03E como é que você se sentiu?
11:05Como é que você se sente hoje como mulher tendo passado por essa importunação?
11:13Vou te falar que, de início, eu falei, eu fiquei com muita vergonha, não contei para as pessoas, né?
11:19Deixei de contar para muitas pessoas, assim, olha, aconteceu isso dentro do supermercado, né?
11:23O supermercado demorou dias para liberar as imagens, ainda pediu para não expor o nome do supermercado na época.
11:33Então, me senti assim, foi dessa forma.
11:36Eu faria, além de diferente, eu acho que eu iria expor muito mais, né?
11:41Porque, como já foi dito aí, eu acho que ele já fez isso várias vezes.
11:45Porque se ele fez dentro do supermercado, que tem câmeras, ele deve ter feito em lugares que, né?
11:50Que talvez a pessoa não tinha nem como provar.
11:52E aí a gente se pergunta, né?
11:53A empresa, de que forma que ela tem relação com isso?
11:57Será que ela tem responsabilidade?
11:59Deixa eu aproveitar a presença aqui da Camila, seja a faculdade, seja a universidade que a gente mostrou agora,
12:05seja o supermercado, Camila, se isso acontece dentro de uma empresa, ela tem responsabilidade?
12:12Então, é a segurança da empresa, né?
12:14Cada empresa precisa ter seus meios de proteger os seus consumidores, no caso, que ela é uma e as estudantes
12:22também são consumidores.
12:23Porém, no caso da denúncia do crime de importunação em si que elas sofreram, elas precisariam fazer essa denúncia para
12:30essa representação ser levada adiante.
12:32Como foi um crime cometido num local onde faculdade, transporte público ou alguma empresa, alguma coisa,
12:42eles também seriam chamados para participar enquanto não só testemunhas, mas também responsabilidade civil nisso.
12:48Então, é algo em conjunto, né?
12:51Que nem ela disse que o supermercado pediu até mesmo para abafar.
12:54Estava mais preocupado com a própria imagem do que o que aconteceu, sendo que eles não praticaram nada.
12:59Então, deveriam ter dado apoio e dito, olha, o que você precisar, conte conosco, né?
13:04Estávamos aqui, tem a imagem a hora que precisar, se for necessário uma testemunha, alguma coisa.
13:09Porque esse tipo de crime, ele afeta todos nós enquanto sociedade, não afeta só a vítima em si, né?
13:16Então, a gente está vulnerável a criminosos entrar nos nossos estabelecimentos para poder estar praticando dessa forma.
13:23Existe, inclusive, esqueci agora um termo em inglês, ô Roberta, que já virou projeto de leis em outros países,
13:31por conta de homens, né? Que é um crime praticado muito por homens, colocarem os celulares de forma onde filma
13:39embaixo dos vestidos das mulheres.
13:41Então, foi criado, está sendo criado algo específico para isso, para combater isso.
13:46Espelhos em tetos para poder mostrar, para que as mulheres possam ver que estão sendo filmadas.
13:51Já virou, isso não é uma brincadeira, entende?
13:54Porque a gente está vendo que esse comportamento está acontecendo com frequência.
13:57E é isso que a gente precisa desconstruir, seja o estabelecimento dando todo o suporte que precisa para a vítima,
14:03né?
14:04Seja a polícia também preparada para atender esses casos e a gente se fortalecer.
14:09Deixa eu só voltar a falar mais uma vezinho com a Ana Paula, sei que ela está com a neném
14:12dela, tá?
14:12Ana Paula, a gente está aqui com você, mas se ela precisar amamentar, por favor, tá? Fique à vontade.
14:19Eu só queria que você finalizasse falando de que forma que isso te traumatizou, se isso deixou alguma consequência na
14:26sua vida, por exemplo.
14:27Quando você vai ao supermercado, você fica receosa?
14:31Então, fico. Fiquei por usar vestido, passei a usar vestido longo, entendeu?
14:38Então, assim, o tipo de roupa que eu uso, foi tudo isso acabou me afetando.
14:44Então, qualquer pessoa que chegava perto, homem, abraçar homem, também é bem difícil em algumas situações.
14:51Tá certo, Ana Paula. Obrigada, viu? Fique à vontade na sua casa, com o seu neném.
14:55Um beijo para você, um bom final de semana, viu?
14:57Obrigada pelo seu relato, a sua contribuição. Uma boa tarde.
15:01Satina, a gente está o tempo inteiro se adaptando, né?
15:04A criminalidade, a gente não pode sair da nossa casa porque tem a insegurança,
15:09a gente não pode usar o vestido que a gente quer porque o outro vai no supermercado e começa a
15:14filmar ou então na faculdade.
15:16Acaba que a gente fica se adaptando o tempo inteiro.
15:20Roberto, conta uma coisa minha para você.
15:22A minha mãe, ela me ensinava a subir na escada rolante de shopping, fechando o vestido.
15:29Por causa dos meninos olhando de baixo para cima.
15:32Eu, com 10 anos de idade sendo ensinada, que eu tinha que limitar o meu corpo, limitar a minha roupa,
15:40me preocupar porque alguém de baixo podia olhar para mim subindo uma escada rolante de shopping.
15:46Olha isso.
15:47E a gente naturaliza, né?
15:49Entende que a gente precisa ter que ter todo o cuidado.
15:52Não é mais fácil a mãe educar, os pais educarem o filho a não fazer isso?
15:57Seria um caminho?
15:58É como se a culpa fosse nossa, né?
16:00Voltamos para aquela questão da culpa da vítima.
16:02Eu tenho que me proteger de algo que alguém possa fazer contra mim.
16:06Exatamente.
16:06Deixar de usar uma roupa, enfim, a gente já está nesse patamar, infelizmente.
16:11Você comentou, Camila, das situações que acontecem dentro de banheiro.
16:15E aí veio à mente aqui um caso que a gente até resgatou, casos que ganharam uma proporção nacional,
16:21que foi um caso de uma dentista que foi filmada por um frentista enquanto usava um banheiro de um posto
16:29de combustíveis no Rio de Janeiro.
16:30E ela até mandou um vídeo para a gente, um vídeo para o Fala Espírito Santo.
16:34Olha só.
16:35Boa tarde, Roberta.
16:37Então, eu fico muito triste em saber que ainda está acontecendo com muitas mulheres no Brasil, no mundo.
16:43Essa situação é muito constrangedora, realmente.
16:47E isso me impactou, assim, de diversas formas.
16:52Hoje em dia eu não consigo mais usar banheiro público.
16:55Eu sempre tenho que ir acompanhada com meu esposo ou alguma amiga.
16:59Psicologicamente, assim, um dano surreal.
17:02E que mais mulheres não se calhem.
17:04E que essas pessoas, essas mulheres que passaram por essa situação, fiquem bem.
17:09Porque eu sei o quanto é horrível passar por essa situação.
17:15Obrigada pela sua participação.
17:17Isso aconteceu com ela no Rio de Janeiro.
17:20E aí a gente sabe que banheiro está em um local que é proibido.
17:25É proibido ter câmera, né?
17:27Banheiro não pode ter câmera.
17:29Quem dirá um funcionário do posto de combustíveis pegar o celular por um buraquinho, por uma frestinha ali, filmar.
17:37Esse funcionário, eu lembro que na época, ele foi demitido.
17:42Isso da justa causa, Camila?
17:44Justa causa.
17:45Não, essa parte trabalhista já seria essa.
17:47Ele, demissão por justa causa.
17:49E ainda a parte criminal, né?
17:51Que se ele foi indiciado, ele também pactuou, né?
17:55Fez esse crime.
17:56Ele cometeu um crime de importunação também.
17:59E com agravante.
18:00Porque em ambiente de trabalho, enfim, são várias questões aí.
18:04O que nos chama atenção é o que acontece, além da atitude do ser humano em fazer isso,
18:11é o que acontece depois com aquele material.
18:13Pensa, essa mulher aí, que mandou o vídeo pra gente, a Laíris, ela é uma dentista.
18:18Então, você imagina se ela não tivesse percebido essa cena no dia seguinte,
18:23ou um mês depois, ou um ano depois, circulando nas redes sociais, a imagem dela no banheiro.
18:29Assim como essas estudantes também da universidade lá em São Paulo.
18:34Imagina o dano que isso pode trazer pra uma pessoa, essa Atina.
18:38Olha, só de imaginar, a gente já tem um problema.
18:42Porque já gera ansiedade, já gera esse pensamento de que o que ele fez com isso?
18:49Onde que isso pode estar?
18:50Será que essas pessoas estão me olhando?
18:52E foi interessante porque você tá trazendo isso e no final da reportagem vocês mostram isso.
18:56A gente tem uma prova amanhã e a gente não sabe como é que vai vir pra cá porque a
19:01gente não sabe quem foi que viu isso.
19:03Olha, então eu já não quero mais ir naquele local pra fazer aquilo que é importante pra mim, que é
19:09a minha formação.
19:11Olha como que isso vem limitar os nossos comportamentos, nossos desejos e todo esse processo de desconstrução mesmo da gente.
19:23E não foi só o caso dessas estudantes, não foi só o caso da Ana Paula Lins que a gente
19:27mostrou agora, não foi só o caso da Laíris que a gente também resgatou pra você ir de casa recordar
19:33do que aconteceu no Rio de Janeiro.
19:35A gente também já recebeu aqui no nosso estúdio a Adriana.
19:38Lembra do caso dela?
19:39A gente vai fazer você relembrar.
19:40Ela foi importunada dentro de um ônibus no trajeto para o trabalho.
19:44Olha só.
19:47É muito complicada, a gente não imagina que vai passar por essa situação no seu dia de trabalho, no seu
19:53dia a dia, né?
19:54É uma rotina, usar o transcoal todos os dias.
19:57Nesse dia eu embarquei em Vila Velha pra vir pra Terminal de Campo Grande, em Cariacica.
20:02E eu me sentei do lado de um homem e eu me reclinei, encostei a cabeça pra trás, mantive os
20:07olhos fechados, como eu sempre faço.
20:09E esse homem, ele começou a se encostar em mim, assim, né? Mais do que o normal mesmo.
20:15Certo ponto, ele começou mesmo, assim, a passar a mão na minha perna e ele fez uma menção de como
20:21ia me tocar, me abraçar.
20:23E eu me levantei rapidamente.
20:25Nesse momento, assim, eu recebi o apoio dos outros passageiros que estavam no transcoal, que foram, né?
20:30Tiraram satisfação com ele e tal.
20:32Pediram pro motorista pra seguir pra delegacia.
20:34O motorista também, ele atendeu ao pedido dos passageiros.
20:39Os passageiros me deram apoio, me colocaram num lugar mais distante dele.
20:43O motorista seguiu pra delegacia.
20:46Os passageiros cuidaram pra que ele não desembarcasse do ônibus antes da delegacia, chegando na delegacia.
20:52O ônibus, o motorista manteve fechado e a guarda municipal fez a prisão desse homem.
20:58Então, assim, esse apoio, ele foi de grande importância pra mim.
21:03A Adriana, pelo seu relato aqui com a gente no Fala Espírito Santo, olha aí, ela destacando a importância do
21:07apoio das pessoas que estão ali naquele contexto.
21:10E a gente se pergunta, Thais, se eu não tiver como provar, como é que a gente faz?
21:14Ok, esses casos que a gente mostrou agora com o celular.
21:16No caso da Adriana, ela tinha testemunhas ali.
21:19E se a gente está numa situação que não tem como provar, Camila?
21:22Como é que faz?
21:23Então, cri, cri, né?
21:25Nós trabalhamos com provas, né?
21:27Não tem como...
21:30Com apenas uma denúncia verbal, sem ter um conjunto probatório.
21:36Seja uma testemunha, seja um vídeo, seja uma imagem, seja um áudio, uma foto, um indício.
21:42Nós não podemos acusar alguém sem dizer de onde que veio, né, Roberta?
21:47Senão, isso também gera uma possibilidade de falsa denúncia, que não foram esses casos citados.
21:52Mas eu penso que sempre vai deixar um lastro.
21:56Algo...
21:57Por isso que é importante denunciar, porque suponhamos que eu não tenha uma prova contundente.
22:01Mas na hora que eu for denunciar, que puxar, vai ver alguém, alguém que já veio antes, uma outra vítima,
22:07e aí não precisa nem de demonstrar, que ele já está bem claro que já é um comportamento repetitivo.
22:12Então, assim, qualquer prova, algo, ah, isso é muito pequeno, ah, viu só passando na calçada, ah, fale, denuncie, sabe?
22:23Porque existe um caminho e a gente precisa, enquanto justiça, que essas denúncias cheguem até o local correto
22:30para que as medidas sejam tomadas.
22:32E mais uma vez, para a gente finalizar esse assunto, mesmo que você não tenha sido vítima,
22:38mas caso tenha acontecido ou venha acontecer com alguém ao seu lado, você viu o relato aí da Adriana, né?
22:44O quanto o apoio das pessoas ao redor, o quanto isso teve importância no caso dela e tem muitos outros
22:52que a gente vê nessa arte, né?
22:54Isso, né?
22:54É a gente colocar para fora o que a gente está sentindo para se proteger e proteger os outros.
23:03Tá certo.
23:03Obrigada pela participação de vocês aqui no Fala Espírito Santo.
23:06Uma boa tarde, obrigada por todas as mulheres que contribuíram com a gente aqui para esse estúdio,
23:11para que a gente possa levar essa informação tão importante, né, para os nossos debates na família.