00:00A mulher é vendedora e vive com os três filhos.
00:03Dois são de outro relacionamento.
00:06O terceiro, de um ano e quatro meses, é filho do agressor.
00:10As agressões, segundo ela, vinham acontecendo desde o ano passado.
00:15Mas foi no último fim de semana que tudo piorou.
00:18Eu cheguei e meu marido estava sentado aqui no sofá com meu filho pequeno, que é filho dele também.
00:23Aí eu questionei por que as crianças estavam dormindo tão cedo.
00:27Ele falou que pegou meu filho fazendo coisas obscenas aqui na sala, perto do meu filho pequeno.
00:34E falou que tinha batido no meu filho.
00:37A gente já tinha conversado, falei que eu não aceitava esse tipo de violência contra minhas crianças e tal.
00:42Esse caso aconteceu aqui no bairro Santa Bárbara, em Cariacica.
00:47Depois dessa mulher perceber o comportamento diferente dos filhos
00:52e notar que sempre eles estavam indo dormir muito cedo,
00:57ela foi conversar com o filho de nove anos.
01:01Foi nesse momento que o menino contou que há dias vinha sendo agredido pelo padrasto
01:07e também sendo humilhado por ele.
01:10Eu nem consegui dormir à noite.
01:13Esperei ele chegar de manhã.
01:14Ele chegou com a cara mais lavada do mundo,
01:17entrou lá dentro do quarto das crianças que eu estava lá,
01:20pediu desculpa, falou que ele não deveria bater,
01:23que ele deveria colocar de cartilho, que senão ia mais se repetir.
01:26Mas no domingo, o comportamento violento voltou.
01:29O agressor exigiu que a criança limpasse o chão.
01:32E ao ser questionado, partiu para o ataque verbal.
01:36Ele começou novamente na minha frente com arrogância com as minhas crianças.
01:41E eu não gostei do tom que ele estava falando,
01:43para a criança limpar, limpar o chão.
01:47Não é obrigação dela ficar fazendo serviço doméstico.
01:50Aí eu fui e questionei ele.
01:52Falei, não precisa você gritar, é só conversar, falar mais calmo.
01:55Mas tudo com ele é violência.
01:57Tudo ele quer gritar, ele já quer partir para cima de qualquer um.
02:01Aí falou que ia me bater.
02:03Entrou para dentro do banheiro, falou que eu era vagabunda, safada,
02:06que eu merecia apanhar na cara também.
02:08Que meus filhos eram tudo porco, idiota, tudo igual a mim.
02:11Aí, quando foi domingo, eu falei, eu não quero mais ficar com você.
02:15Dá um jeito na sua vida e caça seu humo.
02:19Ele falou que ele não ia sair de casa,
02:20que se eu estivesse incomodada, era para mim pegar eu e meus filhos e sair.
02:24Na segunda-feira, enquanto trabalhava,
02:26essa mulher recebeu a ligação de uma vizinha,
02:29que disse que ouviu gritos na residência e também choro das crianças.
02:35Ela pensou imediatamente que os meninos estavam novamente apanhando do padrasto.
02:41Então, saiu do trabalho, pegou as crianças e levou para a casa de familiares.
02:45Mesmo após tudo isso, ela ainda passou a noite na mesma casa com o suspeito.
02:51Mas ontem, quando tentou levar o filho pequeno para a casa da babá,
02:55o companheiro se descontrolou.
02:58Eu arrumei a bolsa do meu filho, tinha me arrumado para ir trabalhar.
03:01Ele levantou e veio para cima de mim.
03:03Falou que eu não ia tirar o filho dele daqui, que ele não ia sair daqui.
03:06E começou, me empurrou em cima da cama.
03:08Eu consegui correr para a cozinha e abrir a porta.
03:11Quando eu corri para a cozinha, ele veio para cima de mim,
03:13me dando chute.
03:15Começou a me xingar de um monte de coisa.
03:18E falou bem assim que eu merecia tomar facada e muita porrada.
03:21Foi para o lado do armário pegar a faca.
03:23E socorri lá para fora e gritei a vizinha.
03:26A vizinha me socorreu.
03:27Ela se escondeu na casa da vizinha,
03:29que testemunhou tudo pela porta de vidro.
03:31O homem estava descontrolado.
03:34A polícia foi chamada e o suspeito preso em flagrante.
03:37Na hora que a polícia veio, ele chorou na frente da polícia.
03:40Falou que não fez isso.
03:41Começou a falar manso e calmo.
03:45E aí fomos para a delegacia e eu espero que ele fique preso.
03:48Eu espero que ele fique preso, porque ele é um vagabundo.
03:51A vítima contou que o relacionamento começou há um ano e quatro meses,
03:55logo após o nascimento do filho mais novo.
03:58Ele já tinha sido agressivo antes, mas ela nunca denunciou.
04:02Agora, depois de tudo o que viveu, ela quer viver em paz e alerta outras mulheres.
04:09Não espere a violência piorar.
04:12Denuncie.
04:12A gente vai empurrando, relevando, porque tem filho,
04:16porque às vezes conta para pagar alguma conta dentro de casa,
04:19que a gente acha que a gente não vai dar conta.
04:21Mas a realidade é que às vezes a gente está muito melhor
04:24sem esse tipo de homem na nossa vida,
04:26do que com ele atrapalhando mais ainda e prejudicando a nossa vida,
04:29a vida dos nossos filhos, nossa saúde mental, física.