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  • há 2 semanas
Mulheres relatam agressões causadas por companheiros e ex-companheiros

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Transcrição
00:00Uma moça, no VT anterior que a gente exibiu, uma moça de 23 anos que foi morta pelo namorado.
00:05Essa agora de 26 anos que foi baleada.
00:09Esses casos mostram que cada vez mais, né, está se tornando cada vez mais frequente,
00:14o número de mulheres jovens que são vítimas dessa violência.
00:19Um estudo publicado pela revista The Lancet indica que 27% das mulheres,
00:25escuta isso, de 15, 15 anos, de 15 a 49 anos, sofreram violência física ou sexual dos parceiros masculinos durante
00:36a vida.
00:3613% foram violentadas nos últimos 12 anos de pesquisa.
00:42E a prevalência de violência entre parceiros recentes ou atuais foi maior entre as faixas etárias de 15 a 19
00:52anos
00:53e de 20 a 24 anos.
00:56Para chegar a esses números, os pesquisadores usaram dados da Organização Mundial da Saúde
01:02sobre a prevalência de violência contra a mulher em 161 países e áreas.
01:09Vamos lá, para para pensar, gente.
01:11A mulher que vive essa violência muito cedo passa a não entender o que é um relacionamento saudável.
01:18Qual é o conceito de relacionamento saudável?
01:20Ela acaba, infelizmente, normalizando a agressão.
01:24Pode ser física, pode ser verbal.
01:26E é contra isso que a gente precisa lutar.
01:30Você não pode ver a sua neta, a sua filha, a sua sobrinha,
01:33vivendo um namoro, um casamento assim e ficar quieta.
01:37A gente precisa falar sobre esse assunto e a gente vai falar agora aqui no programa.
01:41Participa comigo, recebo a psicóloga Gisele Martins.
01:45Muito obrigada, Gi, pela sua presença.
01:46A Libna Barros também, que já passou por essas dores e sentiu essa violência desde muito cedo.
01:52Já já vai contar para a gente a história dela.
01:54Mas, primeiramente, sobre esse caso específico, Gisele.
01:58A gente mostra muito aqui no programa casas de mulheres que estão há tantos anos casadas,
02:04que têm relacionamentos antigos, têm seus companheiros ali morando debaixo do mesmo teto.
02:08Mas a gente contou agora, nesses dados, que adolescentes de 15 anos,
02:14a gente mostrou dois casos de jovens de 23 e 26 anos,
02:19nem as nossas jovens estão livres desses relacionamentos violentos, né?
02:23Infelizmente. Boa tarde.
02:24Boa tarde, Roberta.
02:26É, de fato, estarrecedor a matéria que foi apresentada,
02:31ver meninas tão jovens já sofrendo com a violência.
02:35E ali, essas meninas precisam perceber que essa violência começa muito sorrateiramente.
02:43Meninas, percebam esse comportamento logo no início do namoro.
02:49É uma fala, é um olhar, é uma pergunta, é uma proibição, é uma vigilância descabida e desproporcional para o
03:02namoro.
03:02E aí, as meninas pensam, não, mas com o passar do namoro, isso vai melhorar,
03:07com o passar do tempo, ele vai mudar, eu vou conseguir influenciá-lo a mudar de comportamento
03:13e depois nós nos deparamos com essa tragédia.
03:17Então, comecem a perceber, desde o início do namoro, coisas que não são naturais, sabe?
03:25Por que você vai sair com essa roupa?
03:27É uma pergunta, parece inocente, mas ali já mostra um perfil abusador.
03:33Por que você está com esse batom tão vermelho?
03:36Você não vai sair comigo com esse batom vermelho assim?
03:39E ali já começa, me passa a senha do seu celular.
03:43E ali começam nos meandros, nas aparentes delicadezas, um controle que vai culminar num ato de violência.
03:53Eu recebo, Roberto, no consultório, com muita frequência, jovens e mulheres já mais maduras
04:01em relacionamentos abusivos.
04:04E elas não se dão conta de que estão sofrendo, de fato, uma violência.
04:09Porque esses abusadores, eles têm um pano de fundo, o amor, o cuidado, a preservação.
04:17Eu estou fazendo isso porque eu cuido de você.
04:19Eu estou fazendo isso porque eu te amo.
04:22Eu faço isso para cuidar, para te preservar.
04:26E se tratando das jovens, né?
04:29Porque isso existe em várias faixas etárias.
04:32Mas se tratando especificamente das jovens, será que a gente tem uma maturidade emocional
04:39para identificar e se dar conta de que é preciso sair desse relacionamento?
04:44Deixa eu ver com a Líbina.
04:45Líbina, com quantos anos você começou a sofrer agressões do seu namorado na época?
04:50Boa tarde.
04:51Boa tarde, Roberta.
04:52Boa tarde, Espírito Santo.
04:54Então, Roberta, eu comecei a sofrer violência doméstica com 16 anos.
04:58Eu casei com 15.
05:00E eu estou para te falar que eu acho que eu não tinha nem 16 ainda.
05:04Eu ainda estava naquela transição.
05:06Meu filho tinha 8 meses, né?
05:08Então, foi muito nova e assim, a primeira agressão, ela foi tão, mas tão chocante para mim, sabe?
05:18Foi tão chocante que eu não estava acreditando naquilo que estava acontecendo comigo.
05:23Não acreditei, porque não foi um simples tapa, não foi um soco, não.
05:29Foi uma surra, sabe?
05:31Uma surra mesmo de deixar, deixar minha cara toda deformada.
05:35Eu ficava quase dois meses sem sair de casa.
05:37Então, não foi um simples tapa, um chute, não.
05:43Foi uma surra mesmo.
05:45Então, eu fiquei assim, eu não estava acreditando naquilo.
05:49Só que aí depois vem aquela coisa.
05:51Ele ajoelhou nos meus pés, ele chorou, ele cuidou das minhas feridas, ele me pediu perdão.
05:56E eu achava que aquilo nunca mais ia acontecer.
05:59Só que como eu era muito nova, vem, eu não identifiquei, né?
06:05O que antecedeu a isso, porque foi muito rápido, gente.
06:09Foi muito rápido.
06:10Eu achava que ele era o cara da minha vida e que a gente ia ser muito feliz.
06:14A gente tinha um filho, né?
06:15A gente ia ter uma família.
06:17Então, foi muito rápido.
06:18E 15 anos, você acha que você encontrou realmente o príncipe encantado, né?
06:21Esse é o homem pra mim.
06:24Minha mãe ainda falava comigo, minha filha, você tem...
06:26Não, você não quer que eu seja feliz.
06:28Você quer que eu sofra.
06:30E aí fui e antes ele me abordava com perguntas que eu não sabia respostas.
06:37Tipo, você está me escondendo em alguma coisa.
06:40E eu não sabia o que era.
06:42Não, você está me escondendo.
06:42E ficava chateado.
06:44E eu, nossa, por que meu amor está chateado comigo?
06:47Gente, sabe aquele desespero pra sanar a tristeza dele.
06:51Só que não é sobre mim.
06:52Era sobre ele.
06:53Eu não sabia.
06:54E aí, numa conversa, eu falei alguma coisa de antes da gente namorar.
06:58E aí rolou a primeira agressão, que foi muito forte.
07:01Mas aí tem aquelas coisas todas que ele fez.
07:04Me pediu perdão.
07:05Ajoelhou e chorou.
07:07E falou que nunca mais ia acontecer e tal.
07:09E eu acreditei naquilo.
07:10E aí depois, né?
07:12É o que todo mundo sabe.
07:13Vêm todas outras agressões e outras, outras, outras.
07:16E até a sensação de que você vai morrer.
07:21Hoje eu vejo as meninas, eu enfrentava.
07:24Eu sou, gente, assim.
07:26Tem gente que fala, ah, não, se está certo, está certo.
07:29Se está errado, está errado.
07:30Eu tenho um casamento hoje de 14 anos que eu não tenho agressão.
07:32E eu sou a mesma pessoa.
07:34Mais madura, mais eu sou.
07:36A minha característica, o meu gênio é a mesma coisa.
07:39E hoje eu vejo as meninas de 15, 16 anos, quando elas encontram um agressor,
07:46em vez de elas saem fora, elas batem de frente, igual a matéria que a gente viu,
07:52ela não acreditou que o cara ia dar um tiro nela.
07:54Pois é, é covardia.
07:57Essa cena que a gente mostrou agora, do namorado apontando uma arma.
08:01E ela não acreditou.
08:02Para ela, ela não acredita.
08:03Isso é uma tremenda covardia, né, Gisele?
08:05Exatamente, por quê?
08:06Porque é a pessoa que você ama que está ali.
08:09Você não acredita que aquela pessoa vai te bater, você não acredita que aquela pessoa vai te deixar deformado.
08:13Mas ele vai.
08:14O nível de agressividade pode ir evoluindo, Gisele?
08:17Pode.
08:18Pode ir evoluindo.
08:20E chegar a esse ponto que a gente mostrou.
08:21E chegar a esse ponto.
08:22Por isso que não se deve subestimar uma primeira agressão.
08:27Uma primeira fala machista.
08:30Um primeiro comportamento.
08:33Sabe, ao primeiro sinal de fumaça, tem fogo?
08:36É assim que começa.
08:38Então, mulheres, não subestimem esse primeiro sinal.
08:42Ah, foi uma escorregada.
08:45Ah, não, ele não vai fazer mais isso.
08:47Vai.
08:49Provavelmente vai.
08:50E esse homem já deve ter até um histórico de agressividade com outras namoradas.
08:57Às vezes, um histórico de agressividade com amigos.
09:00Histórico de agressividade no meio familiar.
09:03Já na escola.
09:05Não é do nada.
09:07Isso já tem ali uma progressão.
09:09Então, teve um primeiro sinal?
09:13Saia desse relacionamento.
09:15Porque a tendência é que, de fato, piore.
09:18A história dela é algo, às vezes, mais pontual.
09:21Uma primeira situação e já foi uma surra.
09:25Mas, normalmente, isso começa aos pouquinhos.
09:29E vai progredindo.
09:31E vai aumentando.
09:32E vai aumentando.
09:33Até que chega um ponto da jovem filmar o seu próprio assassinato.
09:39Até que chega o ponto de um caso como esse, que a gente também vai contar agora.
09:44Presta atenção.
09:45Pela internet, a gente vai conversar com o seu Elson.
09:48Em 2015, a filha dele, Ana Clara Félix, que tinha apenas 19 anos, gente.
09:55Ela foi assassinada pelo namorado.
09:57Um caso que eu me recordo muito bem, que chocou todo o Estado.
10:01Oito anos depois, a dor da família ainda é a mesma, né, seu Elson?
10:06Obrigada pela sua participação.
10:07Boa tarde.
10:10Boa tarde.
10:11Boa tarde, é verdade.
10:14Parece que quanto mais a gente pensa, quanto mais a gente, sei lá, a dor, parece que em
10:24alguns momentos ela até aumenta.
10:26Porque é inacreditável.
10:29A forma como acontece a pessoa ser assassinada por quem ela acreditava está sendo protegida.
10:36Entendeu?
10:36Então, é muito complicado.
10:39Não dá para aceitar.
10:41É inaceitável.
10:42A gente espiritualmente vai buscando força para conviver com isso, com essa perda.
10:48Mas é muito difícil.
10:50É muito difícil.
10:51Então, é preciso muita atenção.
10:54Muita atenção.
10:55Na época, seu Elson, ela chegou a relatar algum comportamento violento dele?
11:05Então, com os pais, com nós, os pais, ela nunca relatou nada.
11:11E na nossa presença também, nunca ouviu, nunca aconteceu nenhuma atitude desse sujeito
11:20que nos desse a entender que tinha uma tragédia por acontecer.
11:25Nunca, mas assim, com irmão, com amigos, amigas, ela comentou.
11:33Mas, infelizmente, não chegou até nós, os pais.
11:36Não chegou.
11:37E hoje, quando o senhor vê mais casos se repetindo, histórias parecidas com a história da sua filha,
11:43qual é a sensação que isso te traz?
11:46Sensação de, parece assim, de impunidade.
11:50Na verdade, é isso que acontece.
11:51Apesar de, graças a Deus, o assassino da minha filha ter sido condenado,
11:59mas, assim, parece que a justiça não é, ela não tem, assim, a força, o peso que deveria ter
12:05para amedrontar essas pessoas, porque isso é uma coisa que está enraigada na sociedade,
12:12sociedade machista.
12:13O homem, ele acha que é dono da mulher, então é muito difícil.
12:17O que nos resta é ter mais atenção nos detalhes, né, do relacionamento,
12:26procurar nos informar, assim, estar mais por dentro do que está acontecendo,
12:31porque, realmente, é muito difícil, é muito difícil.
12:34O caso aconteceu em 2015, ele foi julgado e condenado em 2019 a 31 anos de prisão.
12:43O que o senhor achou a respeito dessa pena?
12:46Como eu disse, a pena, eu acho que a pena está ok.
12:52O problema todo é a forma como depois a pessoa cumpre essa pena,
12:59com vários atenuantes de, como é que fala, boa conduta e etc.
13:06E o condenado, ele sabe que ele não vai ficar 31 anos na cadeia.
13:12Ele vai ficar um terço disso aí e olha lá.
13:16Então, não adianta, tinha que ser um negócio assim,
13:20se é 31 anos de cadeia, era melhor que fosse 20,
13:23que, pelo menos, eu sei que 20 anos de cadeia, ele estaria cumprindo.
13:27Mas, infelizmente, a nossa justiça, ela premia, parece que ela premia esses criminosos.
13:38Infelizmente, é a sensação que a gente tem, porque são tantos casos.
13:42E ainda assim, vale lembrar que aconteceu em 2015, foi julgado em 2019.
13:46Imagina a dor da família.
13:48E, para a justiça, esse é um prazo até rápido.
13:51Mas, para a família, até ser julgado, isso é uma eternidade, né, seu Elson?
13:57Nossa, muito, muito.
13:59É assim, foi angustiante.
14:02Até o dia do veredito, no tribunal, nossa vida, assim, foi, parecia que, sabe,
14:08era um tormento, uma angústia, assim, em todos nós, em mim, na mãe, nos irmãos.
14:19Foi muito difícil.
14:20E é muito difícil, depois que acontece o julgamento, você tem, assim, uma sensação
14:25de que, bom, foi cumprido, né, foi feito justiça.
14:30Mas, infelizmente, depois disso, né, a gente sabe que é a nossa, o nosso sistema, né,
14:38o sistema brasileiro é assim.
14:39E eu acho que é falho nesse aspecto.
14:43E, Ana Clara, a gente vê aí.
14:45Perdão, pode continuar.
14:47Porque quem perde, quem perde, para quem perde, é, como se diz, é sempre, é o tempo todo,
14:58é para sempre, até o dia que eu, enquanto eu estiver por aqui, eu vou sentir essa perda.
15:04Agora, para quem comete o crime, para os familiares de quem comete o crime,
15:09para quem comete o crime, é só uma questão de tempo, para que tudo se realinhe e a pessoa
15:16continue com a vida dele normal, podendo, inclusive, cometer novamente esse tipo de delito.
15:23E como a gente está vendo aí, a Ana Clara era uma menina muito jovem, que tinha uma vida
15:28inteira pela frente.
15:29Quais sonhos foram interrompidos, né, para que a gente possa fazer esse alerta para outras
15:35meninas, para outras jovens, outras adolescentes, que estão aí, correndo esse mesmo risco,
15:41senhor Elson?
15:43Olha, Ana Clara, ela é uma menina que ela, ela era muito feliz, ela era muito alegre,
15:51ela, onde ela estava, ela contagiava, isso, às vezes, até é um lugar comum, a gente fala assim,
15:56mas é verdade, onde ela estava, ela contagiava todos, ela era muito alegre,
16:00tinha muita vontade de viver, tinha muita vontade de conhecer as coisas, tinha planos
16:07para o futuro, sempre pensou, ela trabalhou, começou a trabalhar muito cedo, porque ela
16:13quis, ela não precisava, é porque ela quis, graças a Deus ela não precisava, mas ela
16:18quis, ela sempre trabalhou, estudou, ela sempre quis buscar as coisas dela e, infelizmente,
16:26isso foi interrompido, tudo, tudo, uma coisa assim, abruptamente, inesperadamente, foi
16:33interrompido, de onde a gente menos imaginava que pudesse acontecer.
16:38Tá certo, senhor Elson, agradeço muito a sua participação, mais uma vez, recebo o
16:43abraço de toda a equipe do Fala Espírito Santo para toda a sua família, viu?
16:46Uma boa tarde para o senhor.
16:48Boa tarde, estou à disposição, desculpe qualquer coisa que na emoção do assunto é
16:53complicado, às vezes, a gente ponderar.
16:56A sua dor a gente entende e abraça.
16:59Obrigada mais uma vez, viu?
17:01Obrigado, boa tarde.
17:03E olha só, a Silva, Mário, participa com a gente e diz, as mulheres se arriscam muito,
17:07como no caso também da cantora Sara Mariano, a baiana, que a gente até mostrou o caso
17:12dela aqui semana passada.
17:14A Silva fala, hoje eu tenho medo de ter um outro amor que não existe mais, está difícil
17:20confiar.
17:21Fica difícil para os pais, né?
17:23A Libna hoje é mãe, ela sabe disso, fica difícil a gente pensar assim, eu tenho filhos
17:28também, tanto menino quanto menina.
17:30E aí, a pessoa que minha filha está conhecendo, é uma pessoa que ela vai conhecer, é uma pessoa
17:35bacana?
17:35E como é que a gente educa também os nossos filhos de hoje, tanto para se for vítima, para
17:42identificar isso, quanto para não ser, Deus me livre, um possível agressor.
17:47Como é que a gente educa os nossos filhos?
17:49Roberta, o ambiente é fundamental.
17:53Aí é que eu quero me dirigir até aos pais, primeiro.
17:57Uma criança, um jovenzinho, que vê ali o seu pai tratando a sua mãe de forma violenta,
18:05ainda nós precisamos entender que a violência não é só a física.
18:10Nós temos a violência moral, a violência psicológica, a violência patrimonial.
18:17Então, aquela criança, aquele pré-adolescente, ele vê o pai tratando a mãe mal, tratando
18:25a mãe com rispidez, com ignorância, privando a mãe ali de algo material, não permite que
18:34a mãe trabalhe, não permite que a mãe estude, não permite que a mãe tenha liberdade.
18:41Aquela criança já vai crescendo naquele meio, vê o pai xingando, falando palavras pesadas
18:48de desmoralização em relação à mulher, em relação ao feminino, em relação às tarefas
18:56da casa.
18:57Ah, sua mãe tem que fazer mesmo, ela fica aqui o dia todo sem fazer nada, tem mais é que
19:01limpar.
19:02E aí a criança vai ouvindo e vai crescendo nesse ambiente.
19:06Então, ele já vai, ali no caso dos meninos, naturalizando que tratar a mulher de forma
19:15pejorativa, colocando a mulher em segundo plano, é normal, é natural, porque ele viu aquilo
19:22na casa dele e ele passa a reproduzir quando ele começa a conviver com uma outra mulher,
19:29mulher, porque ele aprendeu, então...
19:32E normaliza, né?
19:33E normaliza, muito.
19:35E aí ele vai...
19:35É normal pra ele tratar a mulher desse jeito?
19:37É normal, porque ele viu o pai.
19:40Então, qual é a referência da criança?
19:43São os pais, são os cuidadores primários.
19:47Então, os pais e os cuidadores aqui, né?
19:50Seja você o tio, a tia, a madrinha, o avô, a gente precisa ter cuidado com o ambiente,
19:57porque o ambiente gera comportamento.
20:01Então, precisa cuidar daquilo que está sendo feito naquele local.
20:05Olha o comentário da Núbia Velten, ela diz,
20:08eu não aceito a minha filha ser agredida pelo marido ou namorado, assim como não aceito
20:14o meu filho agredir a namorada ou a esposa.
20:18A Suelen, gente, foi morar junto com o primeiro namorado quando tinha 13 anos.
20:23Olha só, Líbina, uma história parecida com a sua e sofreu com a violência doméstica.
20:29Aos 13 anos de idade, eu fui morar com um rapaz, onde ele me batia muito, ele me espancava muito.
20:38De ter o dia dele, de falar que queria comer, eu botar a comida dele e ele jogar a comida
20:44no chão
20:45e falar que não queria comer, queria me bater.
20:48Enfim, aos 17 anos de idade, eu novamente fiz outra escolha errada,
20:54onde eu arrumei uma pessoa que me batia muito e aquilo para mim era status, né?
21:01Era ciúme e tal.
21:03E nunca tive coragem de denunciar.
21:07Obrigada, Suelen, pela sua participação.
21:09E depois ela até me mandou a mensagem.
21:10Ela falou, Robertinho, ele colocava uma bala no revólver e fazia roleta russa comigo.
21:15Teve um outro comentário aqui no Facebook também que me chamou muita atenção.
21:20Cadê?
21:20A respeito do trauma que depois achei.
21:23A Silva fala que depois, não sei se foi ela que falou, que alguém me disse
21:27que depois fica até difícil de arrumar um outro companheiro.
21:31Você também passou por esse sentimento de trauma?
21:34Sim.
21:35Quando eu me separei, eu não queria mais casar.
21:38Eu não queria mais, porque para mim, todos os homens...
21:40Eu já cheguei a achar, Robertinho, que todo relacionamento tinha violência.
21:45Eu achava que nenhum casamento, porque eu era muito nova, então eu não conhecia nada da vida.
21:50Então, quando eu me separei, eu falei que eu não queria mais.
21:52E minha mãe, não, você precisa de alguém para ajudar, né?
21:55Porque ele não foi pai também, depois que separei.
21:58E eu falei, não, eu cuido dos meus filhos sozinha, ainda não entendia que a criança,
22:03se ela precisa de uma figura paterna, não entendia nada dessas coisas.
22:06Eu achava que só eu poderia dar conta.
22:08E eu não queria mais um relacionamento, porque eu achava que todos iam me agredir,
22:14que todos iam me fazer sofrer, que todos iam fazer a mesma coisa.
22:17Tanto que eu comecei a um relacionamento e ele puxou o meu cabelo.
22:23E nunca mais eu falei com ele.
22:25Nunca mais.
22:26Eu falei, nunca mais.
22:27Não, mas eu não...
22:28Não, não quero.
22:29Nunca mais eu falei.
22:30Não quero.
22:31Não tive contato.
22:32Bloqueei tudo.
22:33E eu não queria mais ter um relacionamento.
22:36Quando eu conheci o meu marido, foi muito complicado para confiar.
22:41Complicado.
22:41Eu achava que ele ia fazer a mesma coisa.
22:43Então, ele teve muita paciência comigo, mas muita paciência mesmo.
22:48E ele se mostrou um homem de caráter por meus filhos.
22:55Ele sempre, desde pequeno, ele sempre fala como se deve tratar.
22:58Eu acho isso muito bonito.
23:00Ele senta os meninos na mesa desde pequeno e começa a falar como se deve tratar uma mulher.
23:06Que lindo.
23:07Sim, Roberta.
23:08Por isso que eu falo que eu sou abençoada, tá?
23:09E ele ensinou para os meus filhos isso.
23:12O diálogo lá em casa sobre isso.
23:15Os meus filhos, eles sabem que eu sofri violência doméstica.
23:18Eu nunca escondi as coisas deles.
23:21E ele não tem essas coisas na minha casa.
23:26Eu grito, né?
23:27Aquela coisa de mulher.
23:28Mãe nervosa, né?
23:30Com eles, muito.
23:32Mas, em termos de relacionamento, é muito saudável.
23:38Qualquer problema que eles têm, eles vão com o meu esposo, sentam, conversam, sabe?
23:42Quando é assunto particular.
23:44Gente, eu assim, eu dei um salto na minha vida.
23:48Deus falou bem assim, não, minha filha, vem aqui.
23:50Você passou por isso, mas você vai falar para outras meninas que passou, que tem jeito de mudar.
23:56Que bom que você conseguiu identificar isso a tempo.
23:58Sim, e antes, né, quando eu estava prestes a ver outro relacionamento, era imediato, quando eu conversava com a pessoa
24:09e via alguma coisa diferente, eu já me afastava, porque o medo era muito forte.
24:14Achei o comentário aqui da Silva.
24:16Ela que falou que hoje ela tem medo, né, de ter um novo relacionamento.
24:19Olha só, em 2020, nós também mostramos aqui na TV Vitória o caso da universitária Júlia Mendonça, de 18 anos.
24:27Ela foi assassinada dentro de casa com um golpe de faca.
24:31O namorado de Júlia, na época, o ex-estudante de direito, Caio Miranda Nogueira, de 22 anos, foi denunciado pelo
24:38crime.
24:38A denúncia diz ainda que tudo aconteceu na presença do filho do casal de um ano e oito meses na
24:47época.
24:48Caio não aceitava a separação.
24:50Em 2021, ele foi a júri popular e foi condenado a 28 anos de prisão.
24:56A defesa entrou com recurso junto ao STF.
24:59Só para encerrar, eu vi aqui um comentário de um pai, agora já subiram os comentários, mas eu li um
25:06trecho que ele diz, tem uma filha de 17 anos, sempre conversa sobre esse assunto com ela, mas ainda assim,
25:12tem medo disso acontecer, de acontecer algo parecido, porque sabe que todos nós estamos vulneráveis.
25:17Mas a informação é o que ajuda muito a gente a prevenir esses casos, né?
25:22Obrigada, Gisele, pela sua participação.
25:25Libna, um beijo na sua família, linda que você tem, como um presente de Deus.
25:29Ô, presentão.
25:30Beijo, gente.

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