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  • há 6 dias
Mais casos de violência contra a mulher revoltam

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Transcrição
00:00A gente já começa o programa com uma história triste e olha, muito revoltante.
00:04De uma mulher de apenas 40 anos, ela é acamada, porque ela não tem parte do movimento do corpo, né?
00:11Porque, infelizmente, ela já tinha sofrido um AVC e o que aconteceu agora?
00:16Sofreu queimaduras graves.
00:18O marido é o suspeito, é o principal suspeito de colocar fogo no colchão onde ela estava.
00:26Olha que covardia, hein, gente?
00:27Segundo a polícia, os dois teriam tido uma briga no apartamento do casal.
00:32Aí os vizinhos viram a fumaça e, por sorte, uma viatura da polícia passava por perto e aí também parou
00:38para prestar socorro.
00:40Imagens feitas pelos moradores mostram a mulher sendo socorrida.
00:45Ela foi levada também por uma ambulância do SAMU para um hospital aqui da Grande Vitória com queimaduras graves, gente.
00:52O companheiro dela, que é o principal suspeito, fugiu e ainda não foi encontrado pela polícia.
00:59Vamos parar para pensar, meu Deus, que covardia.
01:02Essa mulher, ela não tinha condições de se defender.
01:06E quantas outras não passam, não passaram, não viveram essa mesma violência e, infelizmente, não sobrevivem, né?
01:15E esse vai ser o nosso assunto de agora aqui no Fala Espírito Santo, eu te convido a participar com
01:19a gente.
01:20Aqui no nosso estúdio eu recebo a psicóloga Aline Hessel e também Camila Dias, que é advogada, vai participar aqui
01:26com a gente.
01:27Aline, o que essa mulher viveu, né?
01:30For a gente ver aí, infelizmente a gente não tem ainda notícias do estado, do atual estado de saúde dela,
01:36mas a gente sabe que ela sofreu queimaduras graves, ela continua internada, mas são marcas, né?
01:42Que vão ficar eternamente na vida dela, marcas emocionais e marcas físicas também, né?
01:48Que ninguém merece passar por isso.
01:50Boa tarde.
01:51Boa tarde a todos.
01:52Realmente é um nível, um grau de sofrimento até mesmo inimaginável, né?
01:58Já está numa condição, numa situação de vulnerabilidade, de dependência.
02:03E aquela pessoa com a qual ela dependia dos cuidados, dependia da própria vida,
02:09se supostamente, né, está sendo ainda levantada essa suspeita de que possa ter causado esse mal maior a ela.
02:17Então, mesmo que haja aí uma recuperação dela, certamente vão ter marcas que vão além da questão física.
02:24Camila, como disse a Aline, né, uma pessoa que dependia dos cuidados de uma terceira pessoa, né?
02:31Seja o companheiro, seja os filhos, ou então outro, um cuidador.
02:34E aí, de repente, essa pessoa que ela dependia desse cuidado é apontado como o principal suspeito.
02:41De que forma que isso pode pesar nesse processo, né?
02:45Porque era a pessoa que a gente imagina que era para estar cuidando com tanto amor e carinho,
02:49e aí ser apontada como o principal suspeito.
02:51Boa tarde.
02:52Boa tarde, Roberta.
02:53Nesse caso, são muitos agravantes, né?
02:55Vamos contar com essa possibilidade dele sendo, né, o suspeito ser de fato o criminoso aí.
03:02Ela estava numa situação onde ela não podia sequer responder por aquilo, sequer reagir.
03:07Então, isso já é um agravante, né?
03:09A situação em que ela se encontra fisicamente, enquanto deficiente.
03:13Também tem o fato de ser contra a mulher o crime.
03:16Então, foi uma tentativa de um feminicídio, né?
03:19Esperamos que não chegue a isso, mas as lesões foram graves, gravíssimas, né?
03:25Então, foi uma tentativa de homicídio.
03:27Quem quer que tenha sido praticado contra uma pessoa deficiente, que não podia se defender.
03:32Com meios torpes ainda, né?
03:34Tacar fogo é uma das formas de crimes mais cruéis que existem.
03:40Então, assim, esperamos que seja realmente apurado e que a pessoa seja condenada a todos os agravantes possíveis que abrangem
03:51isso.
03:51Porque, de fato, é assim como quando você tem um crime contra uma criança que não consegue reagir, é um
03:55deficiente no caso dela.
03:57Que, ainda bem que os vizinhos, né, tomaram a providência a tempo.
04:01Agora, quando você disse, né, que era uma pessoa que não conseguia se defender, a gente para para pensar, Aline,
04:09que para chegar a esse ponto, não é da noite para o dia, né?
04:13Essa mulher já devia estar suportando uma vida inimaginável.
04:18Ela já devia estar ouvindo coisas que ninguém merece, né?
04:22Ela já devia estar ali sem conseguir se defender, sem conseguir reagir.
04:27Imagina como é que é a vida dela, mas, ao mesmo tempo, para chegar a esse ponto, né, isso que
04:33eu estou falando, para chegar até a esse nível de atear fogo numa pessoa que um dia, né, a gente
04:39imagina que ele olhou para ela, disse que amava e tal.
04:42Não é assim, né, da noite para o dia.
04:44Foi uma construção, toda essa violência, ela é construída antes?
04:49Geralmente, sim, né?
04:51Principalmente em relações que já são estabelecidas, né?
04:55Então, que já estão, não é novidade ali, seja um casamento, seja uma relação de marido e mulher, de pai
05:01e filho, né?
05:02Então, a violência em si, dessa forma, a violência doméstica, geralmente ela é escalada, né?
05:08Então, ela começa geralmente com falas agressivas, com conteúdo agressivo, e isso vai elevando até o momento que pode chegar,
05:16sim, às vias de fato de uma ação física, né?
05:20Como provavelmente foi esse caso.
05:22E um ato tão covarde, ainda mais se tratando de uma mulher que não conseguia se defender.
05:28Olha só, pela internet, eu vou conversar agora com a Carla.
05:31A mãe dela, gente, ela foi assassinada pelo ex-marido.
05:35E também tem um detalhe nessa história, que a mãe dela era cadeirante, e também não teve a chance de
05:42se defender.
05:43Carla, boa tarde, obrigada pela sua participação.
05:46Qual é o seu sentimento quando você ouve uma história parecida com a história da sua mãe?
05:52Mulheres que não tinham condições de se defender, e infelizmente, né?
05:56O final da sua mãe foi ainda mais trágico.
06:01É, infelizmente, sabe?
06:03Essa justiça, o nosso, é muito falha, sabe, Roberta?
06:11Eles aproveitam da fragilidade das pessoas, das mulheres, para fazer isso com elas.
06:18E a minha mãe, eu estive com minha mãe meia hora antes dela ser morta.
06:24Aí, ela me tinha falado que ele estava agressivo com ela.
06:29Aí, ele saiu, eu fui em casa, voltei.
06:33Quando eu cheguei em casa, me ligaram falando o que aconteceu.
06:39Entendeu?
06:39Eu acho que a gente tem que ter uma lei mais branda para essas pessoas que fazem isso.
06:46Para as mulheres, não só que é cadeirante, não.
06:50Gente, é um ser humano.
06:53Entendeu?
06:54Elas fazem de tudo para ele.
06:59Uma lei mais rígida, né?
07:01Uma lei menos branda, porque a gente vê que eles acabam sempre encontrando brechas, né?
07:07No caso, o principal suspeito, que é o ex-companheiro da sua mãe, como é que era a relação deles?
07:16Olha, Roberta, ela, quando ela foi morar com ele, que meu pai mesmo faleceu.
07:23Quando ela foi morar com ele, ela era boa, ela andava lá em um restaurante.
07:29Então, aos poucos, ela foi se debilitando.
07:32E eu não fui percebendo aquilo.
07:35Aí, teve um dia que ela falou que ele batia nela, mas batia nas costelas dela para ninguém saber.
07:45E ela não falava para mim com medo de eu fazer alguma coisa com ele, sabe?
07:52Aí, eu acho, assim, que a gente tem que ter alguém por nós.
08:01Porque um homem vai lá, mata uma mulher dessa.
08:05Aí, vai lá, fica um mês, dois, três, sai.
08:09Vai para a rua.
08:11Igual ele já tinha matado outro antes de ir para a cadeia, antes de matar minha mãe.
08:17E sua mãe sabia, Carla?
08:19Sua mãe sabia disso?
08:21Sabia.
08:23Sabia, mas ele tinha pagado o tempo que eu tinha feito.
08:27Entendeu?
08:28Minha mãe, eu acho que ela estava, assim,
08:34fragilizada pela morte do meu pai, sabe?
08:37Sentindo a falta de alguém.
08:40Aí, botou esse plástico dentro de casa.
08:44É igual essa senhora, ela não morreu, graças a Deus, ela está aí.
08:49Mas e o sentimento dela, como é que vai ficar?
08:53Como que fica o sentimento de uma mulher dessa agora?
08:58Entendeu?
08:59São tantos traumas, né?
09:01Tanto o emocional quanto o físico, né?
09:04E aí, o caso que aconteceu com sua mãe foi dia 10 de agosto, né?
09:09Como é que tem sido a vida de vocês de três meses para cá?
09:12Como é que está a vida, a sua vida, a sua filha também, né?
09:15Ela pergunta pela avó?
09:17A minha filha, Roberta, foi a primeira que viu.
09:22Eu fui na casa dela, que a mulher ligou, aí eu fui lá.
09:27Aí que eu abri o portão, ela falou assim,
09:29mãe, minha avó caiu, eu vou ajudar minha avó a levantar.
09:33Quando ela entrou, que ela viu minha mãe cair dando aquela força de sangue,
09:37ela saiu correndo.
09:39Depois disso, ela não conseguiu ir para a escola mais,
09:41porque a escola que ela estuda, é em frente à casa da minha mãe.
09:45Entendeu?
09:46Eu só estou ficando doente, eu fico mais no hospital do que em casa.
09:49Hoje mesmo eu cheguei do hospital, estava internada.
09:53Eu não tenho saúde, eu sinto falta de minha mãe.
10:03Entendeu?
10:03É por isso que eu falo, gente, vamos fazer uma lei para ser rígida com esses homens.
10:10Entendeu?
10:11Para ajudar essas mulheres.
10:16Eu não...
10:18Sei lá, não sei o que eu faço, mas...
10:21Ele está preso.
10:22Nesse exato momento ainda não aconteceu o julgamento, mas ele permanece preso.
10:26Está preso.
10:27Está preso.
10:30Faz o seguinte, Carla, continua com a gente, que eu quero aproveitar a presença aqui da
10:34advogada, Camila Dias, quero tirar essa dúvida com ela.
10:37Doutora, por que que os homens acabam encontrando brechas na lei?
10:43O que que explica, né?
10:44Que eles estão presos, daqui a pouquinho estão soltos.
10:46Teve um dia que a gente noticiou de um cara que não foi um caso de feminicídio, foi um
10:51caso grave de agressão a uma mulher.
10:53Isso foi no domingo.
10:54Na quinta-feira eu vi um homem descendo do ônibus aqui no centro de Vitória.
10:59Ela veio um susto quando eu olhei para ela e falei, gente, mas esse homem foi preso no
11:01domingo?
11:02O que que explica isso?
11:04Então, teria que saber como é que... o que foi apurado, né?
11:09Mas, falando desse caso aí específico, ele é o reincidente de um homicídio.
11:14Então, acredito, né, pela lei que ele não vai sair, né?
11:20Então, assim, quanto a isso, né, como a participante aí comentou, né, há leis mais
11:26mais fortes, né, menos brandas.
11:29Não, ele cumpriu pelo que eu entendi do primeiro homicídio, né?
11:32E agora mais um, infelizmente, da mãe dela.
11:37Existem situações onde eles são soltos, né?
11:42Pode ter sido uma falsa denúncia, né, a gente não sabe, às vezes a gente noticia,
11:47mas sem saber por trás o que que houve, né, do outro lado.
11:51Às vezes pode ter sido uma... o que não... é exceção, tá?
11:55Isso daqui não é em nenhum momento defesa contra o agressor, mas pode muitas vezes ser
12:00uma legítima defesa, né?
12:02A gente não sabe, a gente só escuta às vezes falando que o homem chegou e agrediu, mas
12:05ele estava defendendo de algo que eu também... não é o caso aqui, que está sendo abordado
12:09em nada, mas eu estou citando algumas possibilidades.
12:12É, você está trazendo para a gente curiosidades, porque na hora do julgamento, né, o que...
12:17ou então o delegado está ali também convertendo a prisão em flagrante, né, para preventiva.
12:24A gente não sabe quais são, né, o que que pesa nessa decisão, né?
12:30Mas é um momento muito importante, um momento muito crucial da gente parar para repensar,
12:34porque a gente está vendo aqui a mãe da Carla e a gente está vendo esse outro caso, né,
12:39são pessoas que estão pedindo, estão fazendo um apelo, que é preciso mudar as leis,
12:45que a gente precisa de leis mais firmes, mais rígidas, para que a gente não veja mais
12:51essas situações.
12:51Sim, é bom pontuar, Roberta, assim, infelizmente chegamos ao feminicídio no caso da mãe, né,
12:56da participante, mas como bem aqui a psicóloga também falou, relacionamento violento, ele
13:00vai dando seus sinais até culminar, infelizmente, no ponto crucial que foi a morte.
13:06Mas ela citou, né, mãe, ela já havia sido agredida outras vezes, chegou a expressar
13:11isso, então não foi uma surpresa, infelizmente, a agressão, né, e a gente não conta com o
13:16pior, nunca a gente espera, né?
13:18Então, assim, ele deu todos os sinais, ele já era um homicida, ele agredia ela, então,
13:24assim, não foi uma surpresa, infelizmente, esse homem, ele estava muito claro quais seria
13:30o que ele cometeria uma hora.
13:32Então, assim, não adianta a gente ter só lei, lei a gente tem, mas e o antes?
13:37E o que a gente pode fazer para estar rompendo isso, que é o que a gente precisa abordar,
13:41né, denúncia, não foi denunciado por ela, né, infelizmente, então, assim, agora é
13:45hora de esperar a justiça cumprir, mas sempre alertando, né, que esses casos, para eles
13:50não se repetirem, a gente conseguir diminuir esses índices, nós dependemos de todo um
13:54contexto, não basta ter uma lei, a lei vai estar esperando que isso aconteça, infelizmente,
13:59né, ela está ali para isso, mas a gente poderia ter evitado de outras formas.
14:03E olha só, as mulheres que conseguem sobreviver a essa violência, ficam com marcas emocionais,
14:09físicas também, como a gente já falou aqui agora, são muitas marcas e nunca mais
14:13vão ter a vida de antes.
14:16É o caso da Thalita Berger, de 29 anos, ela foi baleada pelo ex-namorado, que não aceitava
14:23o fim do namoro.
14:25Isso aconteceu, gente, em Santa Maria de Atibá, no mês, agora, mês de outubro, que passou,
14:29a Thalita, ela foi levada para o hospital, ficou em estado grave, mas sobreviveu, graças
14:34a Deus, só que ela, infelizmente, ela está paraplégica, e aí, né, isso são informações
14:41que a família, depois, distribuiu aí, relatou para a imprensa.
14:45E, Aline, a Carla falou com a gente o quanto que a mãe delas ficou fragilizada com a perda
14:53do pai, que o pai morreu.
14:55Então, esses homens agressores, eles, parece, assim, é uma percepção que a gente tem,
15:02assim, eles buscam pessoas que estão fragilizadas emocionalmente.
15:06Por que era o caso aqui da mãe da Carla, né, assim, que ela já sabia de todo o histórico
15:12dele, mas, ao mesmo tempo, essa carência dela a deixou mais vulnerável?
15:16Geralmente, sim, Roberta, esses são homens que buscam mulheres, não são necessariamente
15:23mulheres fracas ou nada nesse sentido, mas que podem estar num momento de fragilidade
15:28ou que têm valores que, muitas vezes, se pegam tendo a necessidade de ter a presença de um
15:35homem em sua vida e aceitando, daí, qualquer um a qualquer custo.
15:39Então, acho que são vários fatores que levam uma mulher a se envolver com um homem desses
15:44e que a gente precisa falar, a gente precisa discutir, a gente precisa diluir um pouco esse
15:48assunto para tentar evitar que esses casos voltem a acontecer.
15:54Claro que, quando a gente fala o que a mulher pode fazer de diferente, mais uma vez, não
15:59é responsabilizando a vítima ou responsabilizando a mulher, não é ela responsável por não
16:04se envolver com alguém violento, mas tem algo que ela pode fazer.
16:09Eu acho que essa é a mensagem que a gente pode dar.
16:12Então, se você suspeita que você está com alguém que está com um tom mais violento,
16:17que está tendo uma forma mais agressiva de se comunicar, que já teve, em outros momentos
16:22ou com outras pessoas, um relacionamento mais agressivo, uma postura mais agressiva, se afaste.
16:29Nessas horas, o exagero não é necessariamente ruim.
16:34Então, é a forma que a gente pode tentar de prevenir, de não deixar que mais uma vítima
16:39seja feita.
16:40Mas a gente sabe que, na prática, nem sempre é tão simples assim se afastar.
16:46Olha só o que aconteceu no Rio de Janeiro.
16:47Um policial militar, gente, ameaçou explodir uma granada num condomínio.
16:53Muitos moradores tiveram que sair de casa às pressas.
16:56E aí, tudo isso aconteceu porque o policial estava inconformado com o fim do namoro.
17:02E aí, o que ele fez?
17:03Ele mandou para a ex uma foto e ele aparece segurando a granada.
17:08O explosivo, acompanhe.
17:10Bombeiros e policiais cercaram a área depois da denúncia de que um morador,
17:15que é policial militar reformado, ameaçava a provocar uma explosão.
17:19No acesso à garagem, algumas pessoas pediam informações aos agentes de segurança,
17:25enquanto outras explicavam a eles como estava o clima nos corredores.
17:29Nas varandas, moradores assustados.
17:33Quando anoiteceu, o clima ainda era de medo.
17:36Muita gente não sabia quando e se poderia voltar para casa.
17:41Em pânico, moradores não quiseram dar entrevista.
17:44Homens do BOP, o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, também foram chamados.
17:54Um negociador chegou para tentar convencer o PM reformado a não explodir o prédio.
18:01Toda essa confusão aconteceu, segundo os investigadores,
18:05porque o policial, inconformado com o fim do relacionamento,
18:08mandou uma foto para a ex-mulher, onde aparece segurando uma granada.
18:13A ex-companheira, então, avisou as autoridades.
18:16Por fim, o morador entregou uma arma aos PMs, mas o explosivo não foi encontrado.
18:23Foram cerca de duas horas e meia de negociações até o PM se entregar.
18:28Depois de tudo resolvido, o negociador, enfim, pôde tirar o colete à prova de balas.
18:33O policial, que ameaçou detonar uma granada, teve um surto psicótico.
18:38Ninguém ficou ferido e ele foi levado para o Hospital da Polícia Militar, no Estácio.
18:44Graças a Deus que ninguém ficou ferido.
18:46Agora, eu quero voltar, Aline, naquele ponto, quando eu chamei essa reportagem,
18:51que eu falei, nem sempre é fácil, é simples colocar um ponto final.
18:55Às vezes a mulher está completamente decidida a colocar um ponto final naquele relacionamento,
18:59que não dá mais certo.
19:00Ela já identificou que ela sofre um relacionamento tóxico, abusivo,
19:05mas como que ela pode conseguir colocar esse ponto final?
19:10Porque às vezes acontece isso daí, ameaças, e ela não sabe mais por onde ir.
19:15Às vezes acaba tendo que voltar por conta dessas ameaças.
19:19Olha, Roberto, acho que se tivesse uma solução simples, a gente estaria com certeza divulgando.
19:25Não é simples, não vai ser simples.
19:27Acredito que diante do agressor, do possível agressor ou do possível assassino, digamos assim,
19:34acho que vale a pena ir até mentir, disfarçar, falar, não,
19:39vamos dar um tempo, eu preciso trabalhar mais, ou eu estou em um outro momento.
19:45Evitar fazer isso pessoalmente.
19:48Se for para terminar a relação, se for pessoalmente, que tenham outras pessoas presentes.
19:53Se você já sabe que é uma pessoa que tem um perfil um pouco mais agressivo ou violento,
19:58que já demonstrou de alguma forma alguma ameaça,
20:00caso você vá terminar e eu vou acabar com a sua vida,
20:05registrar isso de alguma forma, um boletim de ocorrência, ter um respaldo aí da lei para isso.
20:10E essa mulher foi super corajosa, né?
20:12Sim.
20:12Que ela denunciou o ex que é um policial militar reformado.
20:17Isso, exatamente.
20:17Ela foi muito corajosa.
20:18Então, precisamos acreditar na lei, é importante que isso seja feito,
20:22e buscar estar sempre com pessoas, nesse caso.
20:25evitar sair sozinha, é triste esse tipo de orientação, não deveria ser o ideal,
20:30mas é o que a gente pode fazer para nos proteger, né?
20:34Então, se tiver que terminar com uma pessoa dessa, faça pelo telefone,
20:38mande por mensagem, ou vá junto com outras pessoas,
20:41de preferência até mesmo do sexo masculino, forte,
20:45para estar ali do lado para proteger, caso seja necessário.
20:48E bater de frente, então, nem pensar, eu digo, quando eu falo bater de frente,
20:51porque às vezes acaba rolando uma discussão naquele momento.
20:54Ah, por que você não quer? Por causa disso, por causa daquilo, você é isso.
20:58Recebe 500 mil acusações.
21:00Isso.
21:00Nessas horas, não vale a pena o conteúdo da discussão, o conteúdo do argumento.
21:07Não vale a pena querer provar se está traindo ou se não está traindo,
21:12se fez algo de errado ou se não fez algo de errado.
21:14Acho que vale até mais a pena, no verbal, dê razão para a pessoa.
21:19Deixa ele com a razão dele.
21:20A razão é o que menos importa nessa hora.
21:22O que mais importa é a sua vida.
21:24Então, não fale, tente não ter atitudes que vão deixar aquela pessoa mais agressiva.
21:29Não que seja a responsabilidade da mulher isso.
21:33Mas, são artimanhas, literalmente, que a gente pode tentar ter para sair dessa situação.
21:40Agora, Carla, a gente mostrou uma mulher corajosa agora,
21:43que conseguiu fazer essa denúncia ou receber uma ameaça.
21:46Mas, a gente também mostrou hoje o caso de uma mulher, a Camada,
21:51que a gente imagina que ela tem ali limitações, é claro, né?
21:55Ela já foi, já sofreu um AVC, para poder fazer uma denúncia, por exemplo,
21:59que não é tão simples assim.
22:00Mas, segundo a nossa equipe de reportagem, que foi ao local, os vizinhos relataram que as brigas ali eram constantes,
22:10pelo que eles próprios ouviam, né?
22:13Qual é a importância da sociedade nessas horas, né?
22:16Já que os vizinhos já haviam percebido que o clima não era bom.
22:20Então, Roberta, a gente tem trabalhado bastante em campanhas nesse sentido, né?
22:24Já foi o tempo daquele famoso ditado de briga de marido e mulher, ninguém mete a colher.
22:30Agora, a gente mete, sim.
22:31Colher, panela, o que tiver que se meter, a gente tem que se meter.
22:35Porque temos uma responsabilidade.
22:37Às vezes, a gente escuta, assim, do outro lado.
22:38Ah, mas eu vou, eu denuncio, depois ela volta.
22:42Depois ela vai e tira a denúncia, enfim.
22:45Mas, naquele dia, aquela denúncia que seja anônima de um vizinho que escutou um objeto caindo,
22:51a mulher pedindo socorro, pode ter sido naquele dia que salvou uma vida.
22:55Nesse dia, né, os vizinhos escutaram e viram a polícia passar e tomaram a providência.
23:00Suponhamos que não fosse o caso dele ter ateado fogo, mas ter batido, enfim,
23:05ter, né, chegado próximo à morte de outra forma.
23:07Se os vizinhos também não tivessem tomado a medida, ela poderia agora estar morta.
23:11Então, enquanto sociedade, seja num prédio, seja a vizinhança de rua,
23:16escutou o barulho, ouviu, briga, não tem problema no que a mulher vai achar,
23:21no que o homem vai achar.
23:22As ligações podem ser anônimas, né, no 180, que é um disco que denuncia
23:27para casos de violência contra a mulher, o 190, que é para a polícia mesmo, né,
23:31está agindo imediatamente.
23:33Então, para poder apartar aquele momento, né, e nisso a mulher criando força
23:37até conseguir, de fato, fazer ela mesma a denúncia e se livrar dessa relação.
23:42Deixa eu voltar a falar com a Carla, que a mãe dela também já foi vítima,
23:44infelizmente chegou ao ponto do feminicídio, né, mas a mãe dela,
23:48para quem ligou a televisão agora, a mãe dela era cadeirante
23:51e o ex-companheiro foi quem tirou a vida dela.
23:54Carla, como a gente já contou, ele está preso.
23:57O que você espera?
23:59Eu espero justiça, sabe, Roberta?
24:02Porque ele foi um homem que ela deu casa a ele, deu carinho, entendeu?
24:09Eu acho que no mínimo que pode acontecer é ter justiça.
24:14Ela fazia de tudo para ele, entendeu?
24:18Eu ia lá de manhã, eu ia de tarde, ela tratava ele bem.
24:25Aí ela foi se destruindo e eu não percebi aquilo, entendeu?
24:32Quando eu fui perceber, já era tarde.
24:34Quando você fala, Carla, quando você fala assim, que você não ia, enquanto filha,
24:40que você não ia percebendo isso, a sua mãe, por ela também, a autoestima dela estar baixa,
24:47por tudo que ela vinha sofrendo, ela também passava a esconder essas coisas de vocês?
24:53É, ela escondia, eu chegava lá, aí ele, quando estava perto de mim, ele falava assim,
24:59eu te trato bem, não trato, Marilene?
25:01Ela falava assim, trata?
25:04Eu maltrato você, Marilene?
25:06Ela, não, sabe, mas eu não percebi.
25:13Ele foi destruindo ela um pouco, sabe?
25:16Eu só espero justiça da nossa lei, eu só espero isso só.
25:20E qual é o recado que você deixa para aquelas filhas que estão se identificando com a sua fala,
25:28que começam a perceber esses sinais, que as mães vivem nesse ambiente,
25:34o que você tem a dizer para essas filhas?
25:37Minha filha, se você tem esse caso na sua família,
25:43não espera acontecer o que aconteceu com a minha mãe, não.
25:46denuncie ele, chama sua mãe e conversa, entendeu?
25:53Porque eu esperei muito, não espera não.
25:57Porque depois que a gente perde a mãe da gente,
26:00a primeira vez a gente acaba, ainda mais do jeito que eu perdi a minha.
26:04A minha vida acabou.
26:07Eu não vivo mais, não vivo.
26:11Entendeu?
26:12Minha filha de 11 anos, eu não sei se ela vai conseguir ir para a escola ano que vem,
26:17esse ano ela não conseguiu.
26:20Então eu peço às filhas, às irmãs que percebem isso,
26:26não deixa passar em branco, não.
26:27Tá certo, Carla.
26:30Obrigada pela sua participação, por abrir um pouco do seu coração e da sua vida
26:36para os nossos telespectadores e fazer esse alerta muito importante,
26:40principalmente para nós mulheres.
26:42Obrigada, viu?
26:44Obrigada para vocês.
26:45Obrigado vocês lembraram da minha mãe.
26:47Tá certo.
26:49Fica com Deus.
26:50Um beijo no seu coração e dá um beijo na sua filha também.
26:53Aline, obrigada pela sua participação, por todas as suas dicas,
26:57você e a Camila Dias, advogada, que participaram aqui desse programa com a gente.
27:01Obrigada, viu?
27:02Volta em sempre.
27:02Eu que agradeço.
27:03E lembrando que essa é uma responsabilidade de toda a sociedade, dos homens também.
27:06Exatamente.

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