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  • há 1 hora
Mulheres vítimas de agressões contaram como conseguiram superar tanta violência

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Transcrição
00:02Andréia foi agredida na frente dos filhos.
00:05Ele chegou em casa, eu estava deitada, ele não acreditou que eu estava dentro de casa, porque ele estava drogado.
00:11E aí ele me bateu tanto na barriga, na barriga, eu saí de casa, andei até o centro comunitário, caí.
00:17E no dia seguinte eu fui para o hospital e tinha perdido a criança, estava grávida de quatro meses.
00:24Como que era o comportamento das crianças nessas horas? O que elas faziam?
00:29Gritavam muito, corria, eu tentava se esconder, pedia socorro.
00:37Há 40 anos, Dona Hilda também viveu esse drama.
00:41Eu levei um empurrão, né, e nesse empurrão que eu levei, eu reagi com uma crise, uma crise nervosa.
00:49Ele foi atrás de mim e falou assim, se você chamar a polícia, eu pego o carro e passo assim
00:54de você.
00:57Muito triste, né, para a pessoa que está sendo, passando por essa situação e para as crianças também.
01:08Joana sofreu todo tipo de humilhação na frente dos filhos.
01:12Ele perturbou o dia todo, não sei porquê, ele falou que vai me matar, que vai não sei o quê.
01:16Aí eu me deixei, fiquei com medo de estar dentro de casa.
01:21Aí quando eu cheguei na casa dela, eu deitei no sofá, comecei a conversar e dormi.
01:26Quando me despertaram que a minha casa estava pegando fogo, ele veio e colocou fogo em tudo.
01:31Jogou álcool, sei lá o quê, gasolina.
01:34Queimou tudo, eu fiquei só com a roupa do corpo.
01:39Meu filho ficou, quando ele chegou, não tinha nada, o computador dele, cama, não tinha nada de casa.
01:46Tudo queimado.
01:47Tudo queimado, nossa, eu fiz choro, ele teve que parar no psicólogo.
01:54Para dar um basta nas agressões e cobrar mais apoio da polícia e do governo, foi criado o grupo Mulheres
02:02Poderosas da Grande Vitória.
02:04As vítimas se reúnem para contar histórias, histórias bem dramáticas.
02:09E aí, dessa forma, uma ajuda a outra.
02:13Em comum, além de serem vítimas da violência doméstica, o fato de serem mães violentadas, feridas na frente dos filhos.
02:21Como no caso da dona de casa da Serra, que mostramos na semana passada.
02:25Ela foi cruelmente agredida pelo companheiro, pelo simples fato de ter arrumado um emprego.
02:30Quando eu cheguei em casa, ele estava deitado no sofá, as crianças brincando.
02:35Aí eu avisei para ele, de repente, do nada, ele começou a arrumar as coisas dele, você está atrás de
02:39homem.
02:40Ele ficou nervoso, ele ficou estressado, me jogou na cama.
02:44E começou a me bater, a me espancar, e foi me batendo, me batendo.
02:48Só que na hora, eu gritei, socorro, me ajuda.
02:52Não faz isso comigo, não, porque eu tenho dois filhos para criar.
02:56Então, aquilo foi meu desespero, porque eu vi a morte de pé.
03:02Foram 12 anos de violência na frente dos filhos.
03:05Um bebê e uma menina de 7 anos.
03:08Ele ia me matar.
03:09Ele tentou até pegar uma faca.
03:10Mas a minha filha pequena, que é a mais velha, ela gritou, não faz isso com a minha mãe, não.
03:17Por favor, vai embora daqui, sobe daqui, mas não mata a minha mãe, não.
03:21Aí eu gritei, os vizinhos veem e me ajudaram.
03:26O filho de Joana, hoje, é um jovem adulto.
03:29Mas as marcas ficaram.
03:30Teve problema de rendimento na escola, as notas dele abaixaram.
03:34Quando falava, ele falava que estava preocupado comigo, com medo dele fazer alguma coisa comigo.
03:39Então, assim, teve muita...
03:41Ele vivia apavorado?
03:42Vivia, com medo.
03:45Para fugir do marido agressor, Andréia teve que mudar de estado, se afastar dos filhos.
03:51Deixou as crianças com a avó.
03:52O filho mais velho nunca perdoou.
03:54Eles acham assim, ah, minha mãe foi embora e teve que me deixar para trás.
03:59O mais velho, até hoje, ele bate na mesma tecla, a minha mãe me abandonou.
04:04Por eu não ter condições de levá-lo, a minha mãe me abandonou com a minha avó.
04:11Eu tive que fugir, porque ele entrou na minha casa três vezes para tentar me matar.
04:16Se eu não tivesse ido embora, com certeza eu não estaria aqui hoje.
04:22Ouvimos uma psicóloga para falar sobre os efeitos dessa violência na cabeça e no futuro dessas crianças.
04:30O que eu mais vejo em consultório, em casos desse tipo, são crianças muito inseguras.
04:37Crianças muito introvertidas, com dificuldade de se relacionar com outras pessoas.
04:43Com dificuldade de entender os seus sentimentos, de lidar com eles e de expor o que sente.
04:52É preciso proteger as crianças.
04:55É preciso preservá-las.
04:57Cuidado, procure um profissional adequado.
05:00Mãe, procure uma terapia para poder enxergar essa situação.
05:05Para poder enxergar se você realmente vive ou não um relacionamento abusivo.
05:10E como sair dele.
05:12E também para o filho.
05:14É muito importante que seja um profissional especializado em criança.
05:19Criança e adolescente, enfim.
05:21Para que ele tenha um tato para lidar com isso de uma forma melhor.
05:27Então, mulheres, não esqueçam.
05:30Denunciar é se salvar e preservar os seus filhos.
05:34Coragem.
05:35Eu vi nos meus filhos uma coragem.
05:39Porque eu fui embora com a roupa do corpo, fui para outro estado.
05:43E lá eu comecei a trabalhar.
05:45Pude vir, pegar os dois filhos mais novos.
05:48Morar com eles.
05:50Ter um conhecimento da vida.
05:52Crescer mentalmente.
05:53E foi a melhor coisa que eu fiz.
05:57E foi a melhor coisa que eu fiz.

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