- há 2 semanas
Confira o relato de mulheres que já foram vítimas durante o parto
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NotíciasTranscrição
00:00E olha, hoje, você sabia que hoje é o dia da gestante?
00:04Para muitas mulheres, a gravidez deveria ser o momento mais pleno, mais feliz da vida.
00:10Só que muitas enfrentam o que os médicos chamam de violência obstétrica.
00:16O levantamento Nascer no Brasil, da Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz,
00:21mostra que 30% das mulheres atendidas em hospitais privados sofrem violência obstétrica.
00:28Já no Sistema Único de Saúde, o SUS, a taxa é de 45%, gente.
00:35São muitos os abusos que a mulher sofre, tanto na gestação quanto no parto.
00:42E esse vai ser o assunto do nosso quadro.
00:44E aí, doutor, participa com a gente, aconteceu com você ou com alguma conhecida,
00:49manda pra gente o relato aqui no Facebook, vou ler seus comentários, tá bom?
00:53Porque agora que a gente vai debater esse assunto,
00:55eu recebo a ginecologista e obstetra, a doutora Ana Bimbato, muito obrigada pela sua participação.
01:02A advogada também, a Amanda Magalhães, muito obrigada, Amanda.
01:06E a gente também recebe hoje aqui a Fabiola Gomes,
01:09que ela vai dar o relato dela pra gente, o que aconteceu há aproximadamente 4 anos.
01:16Não é isso, Fabiola?
01:17Boa tarde, sejam todas bem-vindas, viu?
01:19Boa tarde, boa tarde, gente.
01:21Então, é uma longa história, né?
01:25Eu, no começo, não sabia que eu estava grávida, né?
01:29Aí, eu passei muito mal, fui no hospital, fizeram um exame de urina pra saber, né?
01:35Se estava com infecção, alguma coisa.
01:38Aí, descobriu que eu estava grávida.
01:41E me encaminharam pra poder ir pra maternidade.
01:44Aí, lá na maternidade, a médica me examinou, foi super educada comigo nesse horário da tarde, né?
01:50Foi numa sexta-feira.
01:51Me examinou, tudo incertinho.
01:53Aí, ela falou comigo que pra poder eu fazer um exame de ultrassom, de emergência, eu fui e fiz.
01:59Aí, lá, mostrou que eu estava de 21 semanas, que era uma menina, estava tudo perfeito ali.
02:05Amibiótico, tudo certinho.
02:06Amibiótico, aham.
02:07Isso. Aí, eu fui pra casa.
02:09Só que, quando chegou mais à noite, mais ou menos umas seis e pouco, quase sete horas,
02:14eu senti muita dor no pé da barriga e voltei pra maternidade, mas aí já tinha trocado de plantão.
02:18Nessa hora que trocou de plantão, eram outros médicos, né?
02:22Essa médica me avaliou tudinho.
02:25Só que ela não, tipo assim, ela não fez nada de ultrassom, nada.
02:29Ela deitou na maca, me examinou e ela introduziu aquele aparelho que faz um preventivo.
02:37Nisso que ela introduziu, ela introduziu com muita força.
02:40E, na mesma hora, rompeu a minha bolsa e eu senti muita dor.
02:44Aí, eu fui questionar com ela, tudo.
02:46Ela falou comigo bem assim, que era pra eu ficar despreocupada, que ela sabia o que ela estava fazendo.
02:50Nisso, eu falei com ela.
02:51Peguei o meu exame na mão, mostrei pra ela que eu tinha acabado de fazer uma ultrassom.
02:55Ela falou que não, que aquele ultrassom estava totalmente errado, porque minha bolsa estava rota.
03:01Aí, enfim, peguei, fui, fiquei quietinha na minha.
03:05Ela fez o que ela tinha que fazer.
03:06Falou que eu tinha que ser internada pra poder tirar o bebê, porque eu não tinha sobrevida na terra.
03:11Infelizmente, na sexta-feira, eu fui, fiz esse procedimento dela.
03:15Foram 10 comprimidos de misoprostol que introduziram em mim.
03:19E eu falava todo o tempo que eu não queria, que eu não queria, mas ela falava que ela sabia
03:23o que ela estava fazendo.
03:25Nisso, desses 10 comprimidos, na sexta-feira, no sábado, deu um intervalo e eu questionava, eu falava que o bebê
03:32estava chutando.
03:33E que, tipo assim, era um desespero.
03:34Eu estava sentindo muita dor, muito incômodo, estava sangrando muito.
03:38E ela falava que não, que ela sabia o que ela estava fazendo.
03:42No domingo, foram mais 8 comprimidos de misoprostol inserido, no total 18.
03:47E não pode, porque o máximo é 4.
03:50Aí, em nenhum momento ela queria me escutar, em nenhum momento ela queria ouvir o que eu tinha para dizer
03:55e eu só sabia chorar.
03:57Aí, na segunda-feira, trocou de plantão, veio o doutor, me avaliou.
04:02Aí, ele me encaminhou para uma clínica, porque ela falava também que lá no hospital não tinha como fazer o
04:07ultrassom.
04:08Aí, foi quando constatou que no ultrassom que ele fez na segunda-feira, que o bebê estava vivo.
04:13Aí, eu fiquei mais um período lá, até tentar segurar.
04:16Peguei uma infecção no ultrassom, eles não me avisaram que eu estava com uma infecção no ultrassom.
04:21Foi tentando segurar, segurar.
04:23Aí, quando o bebê conseguiu pegar um peso, né?
04:26Aí, foi quando ele encaminhou para o Jaime.
04:28Aí, no Jaime, eu fiquei mais um tempo lá no hospital do Jaime, para tentar ver se conseguia segurar o
04:33bebê.
04:33Mas aí, a infecção no meu ultrassom estava muito avançada.
04:37Aí, infelizmente, teve que tirar.
04:38Aí, ela nasceu com 24 semanas.
04:40Olha, está aqui um caso, um relato fortíssimo, que além de uma violência obstétrica, tem também negligência nesse caso, né?
04:49Assim, dá para a gente ver, né, Amanda?
04:52Assim, eu queria, inclusive, que você mostrasse, relatasse, abrisse para o pessoal de casa o que, quais são as situações,
04:59quais são os casos mais comuns de violência obstétrica.
05:02Porque aqui, a gente mostrou um extremo, mas que mostra até onde isso pode chegar.
05:06Sim.
05:08Pegando o caso dela em específico, pelo que ela me relata, eu já identifico algumas questões.
05:15A primeira, ela não foi devidamente informada do que estava acontecendo.
05:20A opinião dela não foi respeitada durante o procedimento.
05:24Ela relata que a médica que atendeu ficou o tempo todo dizendo que sabia o que estava fazendo.
05:29Então, também a desqualificou enquanto um ser humano com vontades, né, com desejos e com direitos a obter explicações sobre
05:39o que estava acontecendo.
05:42Estamos falando também do momento da inserção do equipamento no canal dela, que ela afirma ter causado o rompimento da
05:49bolsa.
05:50A gente ainda não sabe direito o que aconteceu, mas isso também pode ser considerado um tipo de violência obstétrica.
05:56Nós falamos também da doença que ela pegou, a infecção que ela pegou em razão disso, do uso dos medicamentos
06:05abortivos de forma errada,
06:08porque, no fim das contas, o bebê não estava morto, o bebê estava vivo.
06:13E estamos também, quando a gente fala de violência obstétrica, Roberta, nós não falamos só da gestação e do parto.
06:20Nós falamos do pós-parto também, né, nós falamos também da saúde e qualidade de vida da criança que está
06:27ali nascendo.
06:27Então, todos os problemas que, provavelmente, esse nascimento prematuro ocasionaram ao seu filho, também enquadramos como violência obstétrica.
06:37Doutora Ana, a violência obstétrica, quando a gente vai conversar com uma mulher, ou ela já passou por isso, ou
06:44ela conhece alguém que tenha passado por isso.
06:46É mais comum do que a gente imagina, mas a gente também não pode banalizar, né, a gente precisa lutar
06:51contra isso.
06:52É importante a gente falar sobre isso. Eu nasci de um parto violento. Minha mãe sempre falou isso com lágrima
06:57nos olhos.
06:58Depois de 40 anos, ela continua falando isso.
07:00E é importante a gente falar que a violência obstétrica não é cometida apenas pelo obstetra.
07:06É por toda a equipe que assiste a mulher durante o pré-natal, o parto e o pós-parto, como
07:12ela falou.
07:13E não precisa ser uma violência física.
07:16Às vezes, uma fala...
07:18Porque é classificada como uma violência contra a mulher, né?
07:21Só que num momento que a mulher está muito fragilizada.
07:25Muito...
07:25Num momento que pode levar a consequências muito graves, né?
07:30Tanto para a vida dela quanto para o filho.
07:32Que foi exatamente o que aconteceu com a sua filha, Fabíola.
07:36Exato.
07:37Exatamente.
07:38Quais foram as sequelas que ela tem na vida?
07:41Então, ela ocasionou um sangramento grau 3 no crânio, mas foi absorvido, né?
07:47Mas ocasionou um atraso motor na parte esquerda do corpinho dela.
07:53Que hoje em dia ela precisou de fazer uma cirurgia para poder ver se consegue andar normalmente.
07:58Ela está fazendo fisioterapia para ver se consegue, porque sozinha ela não consegue, né?
08:03Aí, no caso, eu tenho que fazer praticamente tudo para ela.
08:06Questão também nesses últimos 4 anos.
08:09Parei a minha vida, praticamente, para poder cuidar dela, né?
08:12E ela também tem uma broncodisplasia pulmonar.
08:17Foi feito isso, né?
08:18No procedimento.
08:19E ocasionou essa broncodisplasia pulmonar nela.
08:22E você chegou a acionar a justiça, né?
08:24Acionei, entrei com um processo judicial contra o hospital.
08:28E no período que eu estava lá, Deus foi tão bom.
08:31Aí até me emociona de falar.
08:32Porque eu não gosto nem de lembrar, sabe?
08:36Só quem estava comigo sabe que eu passei lá dentro.
08:39E mesmo assim, eu tive muita força para tirar foto, para filmar.
08:43Então, tipo assim, tudo o que aconteceu nesse período, tudo o que eu fiquei lá no hospital,
08:47eu filmei, eu tirei foto.
08:49Aí muitas pessoas falam assim, ah, mas como que ela conseguiu?
08:53Ah, é só Deus.
08:55Então, hoje em dia, depois de 4 anos, passou 4 anos, mas ainda dói, né?
08:59Mas eu consegui tudo, graças a Deus.
09:00É provas e tudo, eu entrei com o processo.
09:03E é a pergunta que eu quero jogar agora para a doutora Amanda, que está aqui com a gente.
09:06Como que a mulher prova?
09:08Porque muitas não têm o conhecimento dos direitos dela.
09:13E aí, por exemplo, às vezes é negado o companheiro.
09:16Exatamente.
09:16E aí, se não tem ninguém ali para ser testemunha, como que ela prova?
09:20Sim, de fato, é muito difícil de comprovar as práticas, até porque existem outros tipos
09:26de violência que são cometidas no decorrer do parto, Roberta, que a pessoa nem entende
09:31que ela está sendo submetida, né?
09:33E vamos supor, se ela consegue cópia do prontuário dela, que é um objeto de prova, nem sempre
09:40será possível identificar a ocorrência dessa violência através do prontuário.
09:45Então, temos, além desse, o meio de prova, o acompanhante, que é direito de todo e qualquer
09:51parturiente desde 2005.
09:53Aqui em Vitória, Vila Velha, Guarapari, Serra, também existe legislação municipal que garante
10:01as parturientes, o acompanhamento por uma doula, que também é um bom objeto de prova.
10:06Pessoas que contratam fotógrafos para filmar ou fotografar o parto também, nós utilizamos
10:13como objeto de prova.
10:16Mas, assim, de fato, mesmo existindo todas essas garantias legais, hospitais ainda negam
10:24acesso, tanto a acompanhantes quanto a doulas, fotógrafo até que não, mas doulas, engraçado,
10:32né?
10:32Doulas e acompanhantes ainda negam.
10:36E aí, nessas horas, faz o quê?
10:37Bate o pé, fala, eu tenho direito, eu conheço meus direitos?
10:40Diretoria do hospital, se for o caso, polícia, 190, 180, 135, são três telefones, 135, um
10:49portal direto com a saúde, 180 é o disque de proteção à mulher e o 190 é o que todo
10:57mundo liga, né?
10:58Que entra em contato com os senhores.
11:00Mas, assim, existem etapas, você não precisa necessariamente já ligar para esses telefones.
11:05Primeiro, você vai socorrer aos superiores da pessoa que fez a negativa.
11:09Porque, como disse a doutora, a violência pode ser cometida por qualquer pessoa que está
11:15inserida, qualquer pessoa daquele corpo médico.
11:17Porque quando eu falo corpo médico, não estou falando só de médicos.
11:20Equipe de enfermagem, técnicos, limpeza, atendentes, qualquer pessoa que está envolvida
11:24nisso, pode oferecer essa negativa.
11:29E também pode ser antes, durante ou depois do parto.
11:33Olha só, doutora Ana, tem um comentário da Gibianeto, ela diz que tem pavor do corte
11:38da cesárea dela.
11:39Quando foi tirar os pontos, a enfermeira que atendeu falou que o médico que costurou não
11:44devia ter mulher para ter feito o que fez na barriga dela.
11:48E esse foi o comentário, ela está aqui falando, pássimo, foi uma médica que costurou minha
11:52barriga.
11:52Costurou igual uma barriga de porco.
11:54Não deixo ninguém ver.
11:56Eu tenho muita vergonha.
11:57Quais são os relatos mais comuns, doutora, que chegam para você de violência obstétrica?
12:02Olha, eu acho que aqui a gente está até falando de casos extremos.
12:06Mas as coisas mais comuns são as falas, por exemplo, a paciente está lá no momento
12:11do trabalho de parto, faz força, você não fez, não estava bom na hora de fazer.
12:18Isso é uma violência.
12:19Teve o caso da Chantal, que ganhou uma repercussão nacional, que as palavras que foram usadas
12:25naquele momento são palavras que não dá para ouvir em momento nenhum.
12:28Em momento nenhum.
12:29E é um momento que você está com medo, você está com dor e você precisa daquele apoio
12:34da equipe, né?
12:35E outros casos também é fazer procedimento, como a doutora falou, sem autorização da
12:41paciente.
12:41A episiotomia, a ocitocina, a lavagem intestinal, que era feita de rotina, raspagem dos pelos
12:48pubianos, que era obrigatório nos hospitais há um tempo atrás.
12:52Graças a Deus, os hospitais têm mudado as condutas, mas a gente ainda tem muita coisa
12:56para melhorar.
12:57O tipo de parto, isso ainda rola muita polêmica.
12:59A mulher tem direito a escolher se ela quer ganhar normal ou cesárea?
13:05A paciente sempre tem direito de voz, de opinar sobre que tipo de tratamento que ela vai
13:11receber, né?
13:12Agora, se aquele é o parto mais indicado para ela ou não, isso tem que ser discutido
13:18com a equipe técnica.
13:19Nunca imposto, mas discutido, né?
13:22Os riscos e esclarecer.
13:23Depois que você esclarece, fala assim, não, de repente o melhor tipo para você é o
13:27parto normal, ah, mas eu não quero, mas aqui, ó, os riscos são melhores, você vai
13:32ter uma boa resolução.
13:33Geralmente, na base da conversa, as coisas se resolvem, né?
13:36O problema é que no SUS, cada consulta é com um médico diferente.
13:40Então, às vezes, você relatou isso para o primeiro e não levou isso para o segundo,
13:44no terceiro e quarto e sabe Deus quem vai fazer o seu parto, né?
13:47Dentro do SUS é muito complicado você construir um plano de parto e esse plano de parto ser seguido,
13:51por exemplo.
13:53Já na perspectiva privada, fica muito mais prático, você tem um obstetra que está
13:57te acompanhando, você já discutiu todas as possibilidades, o que você quer, o que
14:01não quer, quais são os limites para a saúde do bebê, né?
14:04Qual que é o limite que o médico vai dizer, não, infelizmente, a partir daqui temos que
14:08fazer X coisa.
14:10Essa discussão dentro do âmbito privado, dentro dos planos de saúde é muito mais fácil
14:15do que no SUS.
14:16Por esse motivo que você diz, toda vez que ela é atendida, ela é atendida por um médico
14:20diferente.
14:21O médico que vai fazer o parto dela é um médico que ela nunca viu na vida, né?
14:25Então, realmente, é muito mais complicado.
14:28Por isso que a gente vê aí a estatística maior no SUS, né?
14:31E a gente vai ver agora o depoimento da Aline.
14:33Ela também foi vítima de violência obstétrica.
14:36Vamos ver.
14:38Depois de várias idas e vindas à maternidade, sem sucesso de internação, resolvi fazer
14:44uma ultrassom por conta própria, pois já estava com quase 42 semanas.
14:49E, neste ultrassom, constou que eu estava sem o líquido amniótico e teria que fazer
14:53uma cesárea de urgência.
14:55Fomos direto para a maternidade.
14:57Com toda a preocupação desesperada, eu estava.
15:00Chegando lá, me internaram uma hora da tarde, a ultrassom foi feita de manhã, me internaram
15:04uma hora da tarde.
15:06E daí que eu entrei para a maternidade, que eu fui internada, não tive acesso a mais
15:11ninguém da minha família.
15:13Não pude passar informação, pois não deixaram entrar o telefone também.
15:17E não tive acesso a mais ninguém, ninguém ficou sabendo de nada, nem eu nem sabia o que
15:22poderia acontecer comigo.
15:23Me colocaram no quarto sozinha.
15:25Ali não tinha enfermeira, não tinha médico nenhum que pudesse ali me acolher.
15:31E ali colocaram a sonda em mim para um procedimento cirúrgico, que não foi feito de imediato.
15:37E fiquei sozinha ali, com a sonda no quarto, sozinha, praticamente isolada.
15:43Não vi enfermeira, não vi ninguém.
15:45E quando foi cinco horas da tarde, cinco horas depois da internação, que aí veio as enfermeiras
15:52e me levaram para o centro cirúrgico.
15:56Logo após esses três anos dessa experiência, eu tive ali uma outra gestação recente, né?
16:03E fiquei atenta, pois não queria passar novamente pela experiência dolorosa, terrível que eu tive.
16:10E eu exigi meus direitos, fiquei atenta.
16:13E ali sim, eles foram cumpridos.
16:16Isso é muito importante.
16:17A gente tem que ficar atenta.
16:20exigir nossos direitos, que é um direito nosso, de mãe, né?
16:23Da gestante.
16:25Tá vendo como é que a gente tem informação, faz toda a diferença.
16:29Obrigada, Aline, pela sua participação.
16:31E aí a gente se coloca no lugar da gestante, né?
16:34Porque a gente sabe que é o momento mais pleno, mas ao mesmo tempo,
16:38divide o coração com o medo.
16:41Olha só como é que fica o psicológico da mulher.
16:44É o caso aqui da Jennifer.
16:45Ela falou que teve uma violência em si psicológica, que saiu do consultório com 28 semanas,
16:51tinha ido fazer o exame do coração da neném,
16:53e a médica simplesmente falou que a neném dela ia nascer com vários problemas no coração,
16:57ou até mesmo nem ia nascer.
17:00E que se nascesse seria um milagre.
17:03Graças a Deus ganhou a filha com 36 semanas e 3 dias,
17:06e perfeitamente bem, e não precisou nem ficar na UTIM.
17:09Mas ficou muito mal até o nascimento da filha.
17:13Fabíola, como é que ficou o seu psicológico até o nascimento da sua filha também?
17:19Pra ser sincera, eu nem tenho mais, né?
17:22Não tenho.
17:24Desde de tudo do ocorrido, né?
17:27Até hoje, eu nem tenho mais.
17:30Eu tento ter, né?
17:31Tento ter calma, tento...
17:33Tudo pra mim eu tento fazer com que eu fique bem,
17:36mas não dá, desde de tudo que ocorreu,
17:39do que eu passei naquele momento ali,
17:42das violências, tudo.
17:44Não tenho mais.
17:45Te traumatizou?
17:47Totalmente.
17:49Totalmente.
17:50Eu, sinceramente,
17:53acho que...
17:54Não tem nem o que falar.
17:56Foi muito traumatizante pra mim, sabe?
18:00Até hoje.
18:00A gente sente até uma tensão na fala da Fabiola,
18:06que embora ela tenha sido indenizada com 40 mil reais,
18:10não tem dinheiro...
18:11Não tem dinheiro que pague.
18:12Que pague nem o que ela passou
18:14e nem todos os tratamentos que a filha dela vai precisar.
18:18Mas, na verdade,
18:19só pra ressaltar aqui,
18:21na verdade,
18:22esse valor, né,
18:23que o juiz estipulou de 40 mil,
18:26não tá nem ainda certo,
18:28porque ainda falta ver se o hospital ainda vai recorrer
18:31sobre esse valor, né?
18:33E não paga nem os honorários do advogado,
18:37não paga nem uma psicológica,
18:38não paga nada esse valor,
18:40tudo que eu passei, sabe?
18:42Pelo que eu li do seu caso,
18:44foi indeferido danos materiais também, né?
18:46Danos materiais.
18:48Deve ser os reembolsos, né?
18:50Pensionamento, alguma coisa assim.
18:52Eu achei um absurdo, se eu senti.
18:53Não, é um absurdo o que aconteceu com ela
18:55e o desfecho, né?
18:57Porque não paga nem os remédios
18:59que a filha dela precisa.
19:01Agora, doutora,
19:02pra gente finalizar esse assunto,
19:03como que nós, mulheres,
19:05a gente pode se precaver,
19:08prevenir dessas situações?
19:10Eu acho que, em primeiro lugar,
19:11é saber dos seus direitos, né?
19:14Então, saber que você tem direito acompanhante,
19:17ser esclarecida,
19:18se for algum procedimento,
19:20alguém vai colocar algum soro,
19:22uma sonda,
19:22perguntar por quê,
19:23você tem direito de saber
19:25o que que tá acontecendo,
19:27vai pra uma cirurgia,
19:28tem que saber por que essa cirurgia,
19:30o que que tá acontecendo,
19:31isso é muito bem explicado.
19:32Se não tá certa
19:33do que tá acontecendo,
19:35não aceita.
19:36É o seu direito,
19:36é o seu corpo,
19:37é o seu bebê,
19:38é a sua vida.
19:38E se não tiver sendo seguido,
19:41obedecido,
19:41a Amanda já passou aqui também
19:43as orientações.
19:44Hoje, temos muito acesso
19:45à informação,
19:46se você não tem um obstetra
19:47que te acompanha
19:49de forma contínua, né?
19:51Como é o caso das mulheres do SUS,
19:53temos o YouTube com informações,
19:55temos advogados especializados no assunto,
19:57a Defensoria Pública tem um núcleo
19:59de atendimento à mulher
19:59que também pode esclarecer
20:01quais são os seus direitos.
20:04Então, se informe antes,
20:06porque caso seja submetida,
20:08agora você já sabe
20:09o que você precisa fazer.
20:10Tá certo, gente.
20:11Obrigada pela participação de vocês.
20:13Como é que é o nome da princesa?
20:14Ana Vitória.
20:15Dá um beijo na Ana Vitória
20:16por todos nós
20:17e quem sabe a gente
20:18quer recebê-la aqui
20:19no nosso estúdio.
20:20Tá bom?
20:21Tá bom, obrigada.
20:21Obrigada, gente.
20:22Obrigada, doutora Ana.
20:23Obrigada também, doutora Amanda.
20:24Viu?
20:24Obrigada, Fabiola.
20:25Obrigada, Fabiola.