- há 16 horas
Como ajudar um familiar a sair do vício
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NotíciasTranscrição
00:00Há alguns anos, o modelo Rafael Nunes ganhou os manchetes dos jornais de todo o país.
00:05Vamos relembrar essa história?
00:06O Rafael, ele largou a carreira de modelo e foi morar nas ruas de Curitiba por causa das drogas.
00:14Ele ficou conhecido, ganhou até um apelido aí de mendigato, lembra dele?
00:19Ele ia aí depois, né, ele foi encontrado por um fotógrafo e aí o Rafael acabou ganhando uma nova chance.
00:26Foi levado para uma clínica de reabilitação, depois recomeçou a vida como chefe de cozinha no Rio de Janeiro.
00:33Mas sempre daquele jeito, gente, com altos e baixos.
00:36E segundo a família, agora também a ex-mulher do Rafael, foi para as redes sociais pedir ajuda.
00:43O que aconteceu dessa vez?
00:45É que o mendigato teve mais uma recaída por conta das drogas.
00:51E está há seis meses, seis meses, gente, desaparecido.
00:57Ela acredita que ele tenha voltado a viver nas ruas.
01:01E a gente sabe que muitas famílias sofrem com o problema das drogas e não sabem agir nos momentos de
01:09recaída.
01:10Porque, ó, vamos lá, o usuário muitas das vezes fica agressivo, some de casa, se envolve com pequenos crimes.
01:19Pode acontecer, a gente sabe disso.
01:21E esse vai ser o nosso assunto de agora aqui no estúdio.
01:24Participa com a gente.
01:25Eu recebo a doutora Natália Gurgel, ela é psiquiatra.
01:28Muito obrigada, doutora, pela sua participação.
01:31E eu também recebo aqui o Fabiano Serafim.
01:34Muito obrigada, Fabiano, pela sua gentileza, pela confiança também no nosso jornalismo.
01:40E ele vai contar um pouquinho da história dele para a gente.
01:43Com quantos anos você acabou experimentando as drogas e entrando para esse mundo?
01:49Boa tarde.
01:50Boa tarde, boa tarde, boa tarde.
01:51Boa tarde.
01:52A minha trajetória nesse mundo da criminalidade, agindo com as drogas, ela começou aos 13 anos de idade.
02:00Você começou usando o quê, Fabiano?
02:01Maconha, na época foi maconha.
02:03E da maconha, como é que isso foi evoluindo na sua vida?
02:06Da maconha, a gente fomos ali conhecendo pessoas de outros níveis, né?
02:12E começamos a consumir a cocaína.
02:16Ali com os meus 18 anos, eu já estava viciado na cocaína.
02:20Você já se reconhecia como um viciado nessa época?
02:22Já, já.
02:23Já me reconhecia.
02:24O uso chegava com qual frequência na semana?
02:28Era a semana toda.
02:30Usava dia após dia, não tinha limite.
02:33E a minha vida, ela começou a ser distribuída nessa etapa.
02:36Nesse intercâmbio aí, usando drogas e outras drogas, fui conhecendo mais drogas, né?
02:43E foi chegar um ponto que eu não tinha como parar mais.
02:48Ela começou a fazer parte de um tecido, como nem uma roupa do meu corpo.
02:52Você tinha o conceito que você não conseguia sair dessa vida?
02:55Você queria, chegou o momento que você quis sair dessa vida?
02:58Chegou o momento que eu queria até tirar minha própria vida para poder sair dela.
03:02Chegou o momento que eu, assim, não tenho mais jeito, eu vou tirar minha vida.
03:05E foi quando eu conheci Jesus.
03:09Estava detido, estava preso, conheci Jesus.
03:12E no mesmo momento, Jesus me libertou não só das drogas, como da prisão também.
03:17E eu comecei a fazer aquele processo, a me sair das drogas.
03:20Tem quanto tempo que você vive dia após dia tentando se livrar?
03:26Porque é sempre, é eterno, né?
03:28Você, a doutora, já já vai explicar para a gente que é uma luta diária contra as drogas.
03:32E tem quanto tempo que você tem vencido essa batalha?
03:36Faz 15 anos que eu tenho lutado, tenho sobrevivido, né?
03:41Lutado contra as drogas.
03:43Contra as drogas, quando lutado mesmo, que eu já passei altas e baixas,
03:46como o Paulo Filipe viu na reportagem do Mendoigato, né?
03:50Eu já tive várias recaídas.
03:52Eu só consegui, assim, me reerguer quando alguém me estendia as mãos.
03:58É esse o assunto que a gente vai levar agora aí para os lares capixabas.
04:04Doutor, explica para a gente como que a droga, mesmo depois de meses,
04:09mesmo depois de anos, como que ela atua no nosso organismo, no nosso cérebro,
04:14que existe ainda essa possibilidade da recaída, essa dependência?
04:19Então, o Fabiano narrou uma história que é muito comum, né?
04:22Que são de adolescentes que passam a ter o contato, muitas vezes, inicialmente com a maconha,
04:28que se torna ali uma droga, né?
04:30Uma substância que abre portas para outras substâncias como a cocaína, né?
04:35E a cocaína, ela tem um alto poder de dependência.
04:39E com isso, os indivíduos vão ali, muitas vezes, fazendo um uso excessivo, né?
04:44É uma droga que gera uma tolerância, então esse indivíduo precisa de doses cada vez maiores
04:50para que ele possa, justamente, ter aquele efeito inicial.
04:54Muitas pessoas passam a usar a cocaína, à medida que elas entendem ali que elas querem parar,
04:59mas começam a ter efeito de abstinência, elas começam a utilizar a cocaína com o objetivo
05:03de não ter o efeito de abstinência, que é um efeito muito desagradável.
05:07Então, assim, realmente é um tratamento contínuo, esse indivíduo tem que estar em um acompanhamento,
05:13porque, de fato, essa trajetória é muito dolorosa, não só para o paciente, mas também como para o familiar.
05:19E, assim, existe uma atuação do sistema de recompensa, é um circuito cerebral,
05:24que tem a ver com a dopamina, que é uma substância que gera uma sensação de prazer,
05:29e aí esse indivíduo passa, o cérebro reconhece aquilo ali como positivo.
05:33Então, se esse indivíduo, às vezes, por exemplo, vai para uma festa e ele tem contato com a cocaína,
05:39se ele, eventualmente, passa por uma situação de crise, onde ele entende ali que a cocaína pode ser uma válvula
05:44de escape,
05:45ele já sabe o caminho.
05:46Então, a partir, às vezes, de uma recaída, ele começa a ter um comportamento de um uso compulsivo
05:52que pode gerar, novamente, ali, uma dependência da substância.
05:56Doutora, mais cedo ou mais tarde, pode ser que aquela pessoa que trava eternamente essa luta,
06:04essa batalha contra as drogas, ela venha a ter uma recaída?
06:08Sim, e é bastante comum, inclusive, durante a trajetória de tratamento,
06:12justamente numa situação de crise.
06:14Porque quando a gente fala da dependência de cocaína ou qualquer múltiplas drogas,
06:19que é o que geralmente acontece,
06:21a gente está falando de muitos pacientes que têm outras comorbidades.
06:24Então, é muito comum, por exemplo, que uma pessoa que tenha depressão utilize a cocaína,
06:28que é uma substância que é excitatória, que deixa a pessoa mais animada, mais eufórica.
06:33É muito comum, por exemplo, com relação à maconha,
06:35que pessoas que têm um quadro de ansiedade ali, com sintomas de aceleração,
06:40de pensamentos que estão muito acelerados,
06:42utilizem, por exemplo, a maconha com o objetivo de acalmar.
06:46Então, pensando, considerando que essas pessoas podem ter outras comorbidades,
06:52a situação fica mais complexa ainda,
06:53porque muitas vezes a substância entra como uma forma terapêutica,
06:58e aí, à medida que a pessoa vai,
07:01sendo a substância, tendo a substância essa característica de gerar a dependência,
07:06ela vai ficando ali dependente e utilizando doses cada vez maiores,
07:09o que traz um risco enorme.
07:11Muito interessante essa fala da doutora Natália Gurgel.
07:14Preste atenção, olha o que ela disse, às vezes a pessoa usa aquilo como uma dose terapêutica.
07:20Por quê?
07:21Porque ela, na verdade, está em busca de outras coisas, de um alívio.
07:27O que pode suprir, então, esse alívio, doutora,
07:32além das drogas que a gente já sabe que vem trazer essa sensação?
07:35Quais são os outros recursos que a família pode tentar oferecer para aquele momento?
07:40Atividade física, psicoterapia, que é a terapia ali com o psicólogo,
07:45tem grupos de ajuda, por exemplo, o NA, o Narcóticos Anônimos,
07:50então, assim, tem várias estratégias que precisam ser, podem ser utilizadas,
07:54e isso vai individualizar, dependendo de cada caso, de cada paciente,
07:59de cada substância, em geral,
08:01mas são situações ali que existe um controle, existe uma ajuda.
08:05Eventualmente, dependendo da gravidade da dependência, é necessário uma internação.
08:10Então, isso tudo é conversado com a família.
08:13Muitas vezes, o paciente, ele demora a ter o entendimento de que aquela substância está trazendo prejuízo.
08:19Muitas vezes, ele começa a delapidar patrimônio, vender bens,
08:22enfim, essa reportagem que passou anteriormente,
08:25pequenos furtos, pega ali alguma coisa da família para poder vender,
08:29para conseguir usar a substância,
08:31e é importante que a família tenha esse entendimento e observe essa alteração de comportamento,
08:36agressividade, que já está passando ali, né, totalmente, de uma situação de normalidade.
08:42E é nesse momento que a família precisa, de alguma forma, tentar ajudar.
08:47Só que, muitas vezes, esse indivíduo, ele não está aberto a receber essa ajuda.
08:50E aí, muitos familiares buscam profissionais, no sentido de entender de que forma eles podem abordar.
08:56Às vezes, vai ser necessário uma internação involuntária, enfim,
08:58Existem N possibilidades, mas é muito importante que esse familiar,
09:03identificando que ele tem ali um ente querido, que está com alteração de comportamento,
09:06que está usando alguma substância, que aquilo ali está aumentando o padrão,
09:10e realmente, aquele paciente, né, aquele indivíduo está em sofrimento,
09:14é importante que eles busquem ajuda, e existem locais que orientam esses familiares,
09:18para que eles possam fazer a coisa da forma mais cuidadosa,
09:22com o objetivo de aliviar esse sofrimento,
09:24que é do paciente, do indivíduo e do familiar, que sofre muito.
09:29Perfeita a sua explicação, doutor.
09:30Agora, Fabiano, você consegue hoje identificar o motivo de algumas recaídas suas no passado?
09:40As minhas, não só minhas, que agora também eu faço o tratamento de outras pessoas.
09:44Eu, com a lei de ser pastor, sou pastor e diretor da Caixa de Recuperação do Projeto Ando Mais Um,
09:48do Pastor Márcio da Vitória.
09:50Então, agora eu estou na outra fase de identificar a pessoa e saber sanar ela,
09:56para ela não poder ter esse gatilho mais e voltar às drogas.
10:00O principal gatilho das drogas é a posição familiar, né,
10:05que a posição familiar, ela tem que estar sempre presente na vida da pessoa.
10:08A pessoa, ela se volta para as drogas porque, às vezes, ela não tem um quadro histórico,
10:12que a família que abrace ela de uma forma que não deixa que as drogas entrem.
10:16De que forma que você gostaria de ter sido abraçado?
10:21Que, de repente, naquele momento de recaída,
10:24o que poderia ter sido feito para que você não chegasse a esse ponto?
10:29Eu tive, na minha família mesmo, a minha mãe e meu pai,
10:33se separaram quando eu era bem mais novo.
10:36E logo quando eles se separaram, eu não tive estrutura familiar.
10:38A minha mãe, ela começou a beber, começou a...
10:41Ela fumava muito e eu não tive aquele pulso firme dela.
10:44E eu comecei a ir para a rua, encontrar novos amigos,
10:47e foi onde eu conheci essa droga.
10:49Então, eu não tive aquela...
10:51Pegaram a família ali para me segurar.
10:54Aí, na recaída, isso...
10:56Tudo isso vinha à tona?
10:57Vem à tona, vem à família, vem à família que a droga levou.
11:01Eu era casada, 12 anos, tenho uma filha de 20 anos, né?
11:04Então, quando...
11:06Geralmente, você começa a pensar naquilo ali,
11:08aí o recurso da pessoa que não tem estrutura, né?
11:11Ela volta às drogas.
11:13A pessoa que já tem estrutura, não, já percebeu,
11:15não, eu consigo superar, né?
11:17Outros, não, já não tem essa facilidade de superar.
11:20Já volta às drogas e está bem tratado,
11:22depois volta de novo àquele velho estágio.
11:23Teve algum momento que você conseguiu superar uma recaída
11:26no sentido de nem ter a recaída naquela fase?
11:30Por pouco você ia de novo para as drogas,
11:33mas algo te segurou?
11:35Várias vezes.
11:36E o que que te segurava?
11:37A presença da minha filha.
11:39Minha filha, ela está...
11:41Na verdade, está assistindo a gente agora, né?
11:43Ela, assim, sempre está presente.
11:44Pai, como é que você está?
11:45Eu estou bem.
11:46Ela sempre está ali me perguntando sobre mim.
11:49E isso é importante.
11:49Então, eu fico mais medo de estar ruim
11:52e estar oferecendo um mau recurso para ela,
11:56assim, de pai.
11:57Então, isso me faz ficar de pé,
11:59me faz pensar melhor,
12:00me faz correr atrás de benefícios,
12:02me faz tentar tirar as pessoas que estão nesse estado.
12:05Isso me alegra e eu faço com que eu corra atrás.
12:07Hoje em dia, a gente trabalha com 20 alunos lá
12:12e 18 deles estão bem.
12:15Que bom, que bom.
12:17Agora, o que que explica, doutora?
12:20Às vezes, muitas mães, muitos pais, muitas famílias
12:23estão ali cercando essa pessoa de amor, de carinho
12:29e ainda assim, ela tem uma recaída.
12:32Guarda a resposta que daqui a pouquinho você vai explicar para a gente,
12:35porque tem muitas mães querendo ouvir isso.
12:36Mas antes, tem vários famosos também
12:39que vivem ou viveram o drama da dependência química.
12:44Tem muitos casos, né, gente, de recaídas.
12:46O jornalista Léo Dias já falou publicamente
12:49sobre o seu problema com as drogas.
12:51Na tentativa de evitar as recaídas,
12:53ele mudou de cidade,
12:54foi morar com uma amiga
12:56para ser, digamos assim, vigiado de perto.
12:59Outra é a atriz Vera Fischer.
13:01Já teve várias passagens por clínica de reabilitação.
13:05Durante as recaídas, a Vera sempre se envolvia em confusão.
13:09Lembra disso?
13:10Então, com uma vez em que ela agrediu a babá do filho.
13:14Outro famoso também que viveu muitas polêmicas
13:17por causa das recaídas é o Fábio Assunção.
13:20Desde 2008, ele trata o vício em drogas
13:24e já foi flagrado visivelmente alterado em várias ocasiões.
13:28Hoje, o Fábio diz que o vício é um assunto do passado.
13:33Que bom, né, gente?
13:34A gente vai ver agora a história da Lohane.
13:37Ela saiu do mundo das drogas com muita luta, viu?
13:40Vamos ver.
13:42O processo de sair, né, do uso das drogas
13:49demorou, em média, ali, mais ou menos um ano.
13:52Eu não sei quantos meses, eu não sei dizer qual foi o dia, né,
13:57mas eu me recordo que no início,
14:01de quando eu decidi a mudança,
14:05até o dia de fato que eu me vi livre,
14:08foi ali, em média, um ano, esse processo.
14:13Mas foi um processo árduo,
14:15foi um processo que eu não passei por ele sozinha,
14:18precisei de muita ajuda,
14:20ajuda dos meus familiares, apoio,
14:23ajuda espiritual, né, na igreja que eu reunia na época.
14:27E mais do que ajuda, né, de Deus, dos familiares
14:32e das pessoas que estavam ali junto comigo,
14:35eu precisei reconhecer que eu precisava me ajudar.
14:39Então, foi aonde eu mesma busquei, né,
14:44ter a minha, como que eu posso dizer,
14:47a minha libertação daquele vício.
14:50Então, assim, foi árduo,
14:52eu me recordo inúmeras vezes, assim,
14:55de eu chorar de vontade,
14:57e eu dobrava o meu joelho e pedia muita força a Deus.
15:01E aqui estou eu, né, há mais de 15 anos.
15:04Graças a Deus livre.
15:06Ai, Lohane, você, olha, arrepiou a gente aqui no estúdio, viu?
15:10Obrigada mais uma vez pela sua participação.
15:13Doutora, é muito forte ouvir isso, esse relato, né?
15:16Ela falou que ela chorava de vontade.
15:20Sim.
15:20Mas ela falou que a força de vontade dela também é muito importante nesse processo.
15:25Sim, é muito importante.
15:26E é justamente essa dificuldade que nós temos muitas vezes com relação aos familiares.
15:31Porque eles identificam que aquele indivíduo está ali num sofrimento,
15:35que está num uso abusivo,
15:37que está, às vezes, vendendo itens da casa.
15:40Eles abordam, mas aquela pessoa não necessariamente está apta para receber.
15:44E aí, o familiar, ele começa, muitas vezes, a ser visto como inimigo.
15:48E é justamente que aí entram os episódios de agressão, né?
15:51Porque muitas vezes aquele indivíduo, principalmente se ele está em uso ou no craving, né?
15:55Que é aquela vontade intensa de utilizar,
15:57ele não responde por si, ele fica ali completamente descompensado.
16:01E aí, à medida que num tratamento, né?
16:06Começando um tratamento, identificando que ele realmente está precisando de ajuda,
16:09que ele perdeu o emprego, que ele perdeu a família,
16:11que ele perdeu o contato com filhos,
16:13ele começa a se mobilizar e vê que, de fato, aquilo ali é importante,
16:17ele vai passar a ter um entendimento e ele vai passar a ter uma força de vontade,
16:20muitas vezes, para persistir nesse tratamento,
16:23que é um tratamento para a vida toda, né?
16:24Ele precisa estar atento, porque o risco disso, haver uma recidiva,
16:28é alto à medida que ele, novamente, tem contato com aquela substância.
16:32Então, a grande dificuldade das famílias,
16:35e o que traz bastante sofrimento, é justamente,
16:38qual é o ponto que eu preciso levar o meu filho, o meu ente querido,
16:41como eu faço, né?
16:43Eu chamo o SAMU, eu levo para um psiquiatra,
16:46eu chamo um psiquiatra na minha casa,
16:47você vê, você vê no dia a dia,
16:49muitos pais, muitos familiares desesperados.
16:52Só que, realmente, quando o paciente não quer,
16:55quando ele não aceita,
16:56muitas vezes, a internação é o único recurso que você tem ali
17:00para mostrar para aquele paciente a necessidade,
17:04porque quando ele está internado, ele vai ficar em abstinência.
17:06Inclusive, eu falei, né, que a abstinência é um período de muito sofrimento,
17:10de muita dor, que traz sintomas físicos muito desagradáveis.
17:13E, durante uma internação, você conta com um recurso medicamentoso
17:17que vai aliviar aquele sofrimento,
17:19que vai, muitas vezes, apaziguar,
17:20para aquela pessoa entender, né,
17:22todo aquele processo que ele vem vivenciando, e muitas vezes...
17:25Uma hora ela vai conseguir superar essa dor, doutora?
17:28Esse sofrimento da abstinência?
17:30Sim, da abstinência, sim.
17:31Ele é passageiro, principalmente quando tem o auxílio da medicação.
17:36Sem o auxílio da medicação, também vai passar,
17:38mas a medicação ajuda a atenuar e tornar aquilo ali, né,
17:41menos desagradável.
17:43Perfeito.
17:43Olha só, tem aqui o comentário do João,
17:46João da Costa Filho.
17:48Ele fala que é ex-dependente químico de droga,
17:50que ele não precisou de terapia, né,
17:53e ele fala que a droga, gente, é a maior desgraça,
17:57é a palavra que ele usa.
17:58E é verdade, né, que hoje está destruindo as vidas.
18:01Ele diz que foi no fundo do poço,
18:03e ainda fala que, ainda critica quem está querendo fazer a liberação das drogas, né,
18:08que é um outro assunto também que a gente já debateu aqui no programa em outros momentos.
18:12A Luciana Sena quer saber, tem algum endereço para buscar ajuda?
18:18Gostaria, inclusive, que, aproveitando a presença também do Fabiano,
18:21que vocês pudessem dizer quais são os caminhos que as pessoas têm,
18:25que as pessoas podem buscar.
18:26É, atualmente, assim, tem o CAPS, né, que é um serviço do SUS,
18:31que é o especializado em álcool e drogas,
18:34e lá eles contam com uma equipe multidisciplinar,
18:36onde existe psicólogo, terapeuta ocupacional,
18:40e esse paciente, ele vai ter um tratamento especializado e voltado
18:44para a recuperação ali da dependência química.
18:48Tem também as clínicas particulares, tem os psiquiatras, tem os psicólogos, né,
18:52que são voltados ali, especializados no tratamento da dependência química.
18:56Então, temos esses recursos, né, e ele, acho que pode falar um pouquinho do trabalho dele também.
19:00É, e Fabiano, é importante também falar, assim,
19:02o que é que ajuda ainda mais, né, a continuar livre das drogas,
19:09diante de todas as possibilidades, as ferramentas que a gente,
19:12que a doutora contou agora para a gente.
19:13Nós temos um trabalho na Casa de Recuperação, no projeto Mais Um, né,
19:17que é um projeto voltado para tratamento químico, né, e do álcool.
19:22Lá, nós trabalhamos com terapias ocupacionais, né,
19:27nós não usamos nenhum medicamento,
19:29lá é o poder de Deus mesmo que transforma a vida das pessoas,
19:33e o dia a dia nosso é trazer, que é ocupar a mente deles,
19:37não só nos estudos, como nas palestras que eles te dão, né,
19:40eu dou palestras lá de manhã, de tarde, à noite, né,
19:43e a gente consegue ocupar eles, o tempo deles,
19:45para que eles não fiquem pensando lá fora,
19:48nós deixamos eles tentamente ocupados.
19:49Aí eles fazem terapias do dia, tem palestras do dia,
19:52a chegar, tá, eles estão mais cansados.
19:54Eles têm hora para comer, hora para dormir, hora para tomar café,
19:57nós trazemos ele para o mundo atual, ao qual eles perderam.
20:00Nós começamos a aplicar neles a terapia,
20:02para que eles voltem a viver humanamente, qual eles não viviam.
20:07Ocupar a mente, doutora, ter oportunidade no trabalho,
20:12ter momentos em família, né, tudo isso é importante,
20:16não deixar o dependente sozinho naquela fase inicial,
20:20tudo isso faz a diferença?
20:21Faz bastante diferença.
20:23E atividade física é uma coisa que faz bastante diferença, né,
20:26então existem também essas palestras motivacionais,
20:30todo esse passo a passo, inclusive, também a psicoterapia, né,
20:34que o psicólogo aplica,
20:35ajuda bastante nesse processo de recuperação e de manutenção,
20:39porque a gente está falando de uma situação inicial,
20:41que eventualmente é uma situação mais delicada,
20:44mas aí vem a manutenção, que precisa ser contínua, né,
20:47e aí esse paciente, ele vai estar vinculado ali a uma equipe,
20:51e muitas vezes, quando esse paciente tem um indício
20:54de que ele vai ter ali uma recaída,
20:58ele conta com aquele profissional, né,
21:00e muitas vezes a gente consegue fazer um atendimento em conjunto,
21:02consegue ali identificar, ou quando ele tem uma recaída,
21:05ele consegue acessar, para que aquela recaída, né,
21:08não se prolongue, ele acabe novamente entrando num uso ali
21:11mais intenso da substância.
21:13Então, existem vários recursos, mas para isso é importante
21:17que o paciente queira e que ele realmente entenda a gravidade
21:20e esteja disposto.
21:22Doutora Natália, agradecemos imensamente a sua participação
21:25aqui no Fale Espírito Santo.
21:26Eu tenho certeza que você falou diretamente para famílias
21:29que estão precisando dessa ajuda.
21:31Sim.
21:32E para você, Fabiano, muito obrigada.
21:34Não dá aqui sua mão, vamos lá.
21:35Muito obrigada, viu?
21:36Manda um beijo para a sua filha, Esté, que já que é a sua fortaleza.
21:39Esté, você é a filha do coração do papai,
21:42te amo muito.
21:43Por isso, o papai está de pé, né, para que veja você vencer também.
21:47É isso aí.
21:47A gente vai aproveitar então, porque hoje é aniversário do meu filho, Daniel.
21:51Um beijo, filho, te amo.
21:52Oh, gente, hoje é sexta-feira.
21:54Então, aproveita também você aí na sua casa,
21:56liga para aquela pessoa que você ama também,
21:58aproveita esse momento, já que a gente está aqui se inspirando nisso,
22:01levando inspirações.
22:01Obrigada, viu, gente?
22:02Obrigada.
22:03Obrigada, boa tarde.