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O filho da dona Domingas começou a usar drogas há 15 anos. Durante todo esse período ela luta para ajudar o filho a se livrar do vício
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NotíciasTranscrição
00:00Aqui comigo no estúdio está uma mãe que batalha para livrar o filho das drogas.
00:05Estou recebendo a Domingas Soares.
00:07Boa tarde, Domingas. Bem-vinda ao Fala Espírito Santo.
00:11Conta um pouquinho aí da sua história, o que aconteceu, como é a situação do seu filho.
00:19Olha, Dani, o meu filho, até os 13 anos, ele era um garoto normal, um pré-adolescente normal,
00:28eu estudava, muito inteligente, eu só tenho um casal de filhos que são gêmeos ainda, por sinal.
00:35E a partir do momento, a partir dos 13 anos, ele começou a mudar, né?
00:44Começou a mudar dentro de casa o comportamento, né?
00:48E logo eu descobri que ele estava envolvido com droga.
00:56Quando ele tinha 13 anos de idade, ele começou faltando aulas, né?
01:01E quando eu descobri, já estava assim, tão avançado que eu...
01:08Até nesse ano, eles perderam o ano, porque parou de ir à escola e eu não sabia.
01:15Aí, daí para cá, é só luta, né?
01:18Ele, internei ele várias vezes em casas de recuperação e não resolveu, né?
01:29Hoje ele está com 29 anos, está preso e a vida, a minha vida sempre foi lutar por ele, né?
01:41Lutar por ele.
01:43Há uns anos atrás, eu não entendia muito, né?
01:49Da droga, o que que...
01:51Eu era codependente dele.
01:54Então, quando ele...
01:56Ele fazia as coisas e eu me sentia culpada, né?
02:01Achava que era por causa de mim que ele foi para essa vida, mas não, né?
02:07Depois que eu comecei a entender melhor, a procurar programas, ler muito sobre isso.
02:17E tratamento também, porque o dependente químico, não só ele, precisa de tratamento.
02:25Os familiares também precisam, porque às vezes a gente não sabe como lidar
02:32e a gente se culpa achando que a culpa é nossa, do que está acontecendo com eles, né?
02:38Aí a gente fica codependente.
02:39É como se a gente usasse...
02:40Se ele fizesse as coisas e a gente que usasse aquilo, a gente fica doente junto com eles, né?
02:47Adoece a família inteira, né?
02:49Adoece a família inteira.
02:51E o meu filho, ele quando ele pode, ele trabalha.
02:56Ele é trabalhador, inclusive ele tem assinaturas na carteira dele.
03:01Mas, assim, começa a trabalhar.
03:03Daí a pouco vem a abstinência, aí cai de novo.
03:08Aí volta, né, para as drogas de novo.
03:11Então, é uma luta, assim, muito grande.
03:13É uma luta...
03:15É uma luta que parece, assim, que não vai ter fim, né?
03:21Pois é.
03:21Aí você estava contando para a gente que ele começou aos 13 anos...
03:24Aos 13 anos.
03:25...consumindo maconha.
03:26Isso.
03:26E aí, com o passar dos anos, ele foi consumindo outros tipos de drogas também?
03:31Hoje ele está com 29, né?
03:32Hoje ele está com 29.
03:33E ele está no crack, infelizmente, né?
03:3616 anos já, 16 anos consumindo drogas.
03:4016 anos consumindo drogas.
03:41Ele conta, né, que ele começou na maconha...
03:44Ele nunca foi de bebê, de bebida alcoólica.
03:47Mas ele começou na maconha e depois cocaína.
03:51E foi entrando e foi entrando.
03:53Hoje, eu vejo, assim, eu não consigo encontrar o meu filho.
03:59Aquele filho, né, que eu tinha, que não se envolvia com nada e que era alegre, que era feliz.
04:07Mas tem um fator, assim, que eu vou falar aqui, que para as mães nunca desistir dos seus filhos.
04:17Porque é uma doença, né?
04:20Assim, como eu, por exemplo, tenho pressão alta, diabetes e tal, né?
04:25Várias doenças crônicas que não têm cura.
04:29Eles têm que se conscientizar que eles são doentes também.
04:32E a família tem que entender que eles são doentes.
04:35Que eles, né, dependem da gente, dependem de tratamento, dependem de viver a vida inteira,
04:43fugindo daquilo, né, que é o vício, que é a droga.
04:46E hoje, daqui logo mais, a gente vai conversar também com o médico psiquiatra
04:49para falar exatamente sobre essa doença.
04:51Porque a dependência em drogas, a dona Domingas está aqui falando para a gente,
04:55é uma doença, é considerada como uma doença.
04:58E precisa de um acompanhamento, precisa de um tratamento.
05:01Agora, falando sobre o seu filho em casa.
05:04Ele era violento?
05:06Começou a assumir coisas de casa?
05:10Olha, é...
05:13Violento, ele nunca foi muito violento.
05:16Era violento, tipo assim, ele sempre tentou muito parar com a droga.
05:22Então, às vezes, ele ficava dois meses, três meses sem usar droga,
05:26e aí entrava na abstinência.
05:27Quando ele entrava na abstinência, aí ele ficava violento, né?
05:32E quanto a assumir coisas dentro de casa, até hoje, eu praticamente não tenho nada em casa.
05:39Porque parei de comprar.
05:41Eu só tenho uma cama para dormir, um fogão, um armário.
05:44Só isso, não pode ter nada, porque ele vendia tudo.
05:47Quando ele estava dentro de casa, teve tempo de eu chegar em casa,
05:50e até as lâmpadas da minha casa ter saído.
05:55Não tem nada dentro de casa.
05:57Entendeu?
05:57Então, é assim...
05:59E a gente, quando a gente não entende muito, né?
06:04A gente acaba fazendo coisas com eles que, em vez de ajudar, piora.
06:09Como já aconteceu de eu bater no meu filho, expulsar ele de casa com a roupa do corpo, entendeu?
06:15Eu já fiz muita coisa que hoje eu me arrependo.
06:18É um desespero porque você não sabe como agir, né?
06:20É um desespero que a gente não sabe como agir.
06:25A gente fica assim, tipo, o que eu vou fazer?
06:29Você acha que você já fez de tudo, né?
06:33E não teve jeito.
06:34Mas, hoje, eu sei que não depende nem de mim, né?
06:39E nem depende dele, somente dele, né?
06:42Da vontade de querer sair, da vontade de querer largar a droga, é difícil?
06:49É.
06:50Mas não é impossível, né?
06:52Porque eu penso assim, enquanto tem vida, tem esperança, tem chance de mudar, tem chance de ser outra coisa, né?
07:03Então, eu creio, inclusive, eu nunca abandonei ele.
07:07Por quê?
07:08Porque eu creio que, na hora certa, ele vai ser liberto, né?
07:13Ele vai criar uma força interior que ele vai conseguir se libertar.
07:18Se libertar da droga, se libertar não só da droga, mas de todos os vícios, né?
07:23Porque o vício não é só droga.
07:25Tem vários vícios, né?
07:27Que a gente sabe.
07:28Tem.
07:28Vamos falar sobre eles.
07:31Agora, a gente está falando dessa relação familiar.
07:33Às vezes, ela é muito, muito difícil.
07:36A gente já mostrou vários casos.
07:38Ele, em outubro, ele acabou fugindo do presídio e foi parar lá em casa.
07:46E eu sempre, eu preciso, né?
07:49Às vezes, de usar algum remédio controlado e eu sempre tenho em casa para uma emergência.
07:54Eu não uso direto, mas tenho.
07:56E ele acabou uma noite lá usando sete comprimidos de clonazepam misturado com a droga, misturado com o crack.
08:05E depois ele ficou tendo alucinações, vendo pessoas perseguindo ele.
08:11É tanto que ele mesmo chamou a polícia na época para poder prender ele.
08:17Porque ele falava que tinha alguém perseguindo ele, que tinha alguém querendo matar ele.
08:23Aí, na época, ele mesmo chamou a polícia e a polícia foi lá e prendeu ele de novo.
08:29Pois é.
08:30Coração de mãe dói, né?
08:32Vendo uma situação como essa.
08:34Agora, a senhora me diz, estava contando aqui, que ele já foi internado.
08:37E ele tem vontade de largar as drogas.
08:40Olha, ele tem muita vontade de largar as drogas.
08:45Inclusive, ele me pediu para eu tentar ajudar ele a arrumar uma clínica de recuperação.
08:53Mas uma clínica que realmente trate.
08:56Eu sei que não tem, como eu falei aqui, é uma doença que não tem cura, mas tem tratamento.
09:08Para a pessoa sair daquela abstinência, conseguir ter uma vida normal, mesmo sendo dependente daquilo.
09:18E aí, ele me pediu para que eu arrumasse uma clínica para ele, tentar arrumar uma clínica para ele,
09:25para quando ele sair da cadeia, ele nem ir lá em casa.
09:28Ele já iria direto para a clínica.
09:30E essa clínica, como é que a senhora conseguiria?
09:32É uma clínica particular?
09:33Olha, eu...
09:35Porque eu já internei ele várias vezes nessas casas de recuperação, que são filantrópicas,
09:43que trata mais espiritualmente.
09:49Mas agora, eu gostaria de conseguir uma clínica particular, que tem um tratamento para desintoxicação do organismo.
09:57Entendeu?
09:58Não sei se existe, eu não consegui ainda, eu não tenho condições de pagar.
10:02Inclusive, eu, na época, eu pedi para me ajudarem, quando foram lá na minha casa fazer entrevista
10:10do que aconteceu com ele, nesse tempo que ele estava em casa, que ele fugiu.
10:14E eu pedi muito isso, porque quando a pessoa não quer, às vezes você larga para lá.
10:22Mas quando você vê que a pessoa tem interesse de mudar, de querer se libertar daquilo, de querer deixar,
10:30a gente tem que fazer o possível e o impossível para poder ajudar, para poder ver se a pessoa consegue
10:37ter uma vida normal.
10:39E olha, a gente falando aqui sobre internação, tem comentários que estão chegando aqui pela nossa transmissão no Facebook,
10:45a Mônica Martins, o que adianta?
10:48Não há quem obrigue a internação, a pessoa é um viciado, já não responde pelos próprios atos, pelo vício,
10:54e a família não pode internar.
10:56Vamos falar sobre essa internação.
10:58O que diz a lei sobre a internação de usuários de drogas?
11:02Vou colocar aqui na nossa conversa o advogado Rivelino Amaral.
11:06Boa tarde, Rivelino. Obrigada por atender a gente, viu?
11:10Boa tarde, Juliana. É um prazer falar com você e que pese o assunto ser tão triste, né, Juliana?
11:18Pois é, e a gente sabe que é um assunto que envolve muitas famílias, centenas de famílias aqui no Estado,
11:24por todo o país, sofrem com a dependência química e ficam sem saber o que falar.
11:29Agora, quando o assunto é internação, o que diz a lei, doutor Rivelino?
11:33Então, Juliana, em primeiro lugar, assim, é um sofrimento, como essa mãe coloca, e coloca muito bem,
11:40com sábias palavras, é um sofrimento para a pessoa que está viciada e para a família também, né?
11:48E aí, assim, Juliana, o Estado, ele busca a todo tempo punir as pessoas que cometem crime,
11:55mas também salvaguardar as pessoas que estão doentes, né?
11:59E, na verdade, isso é um caso de saúde pública.
12:02E o que fala a lei?
12:04Houve uma alteração na lei agora recentemente, talvez as pessoas nem tenham conhecimento de tal fato,
12:10de tal alteração.
12:11No meio do ano passado, em junho de 2019, houve uma alteração,
12:16e a entrada em vigor de uma lei, que permite a internação compulsória.
12:21A internação compulsória é aquela internação que não precisa da anuência da pessoa,
12:26quer dizer, ela não tem que autorizar mesmo, porque ela está doente, né?
12:30Antes dessa alteração, essas internações, que são chamadas internações compulsórias,
12:35é uma internação forçada, ela só poderia ocorrer com decisão judicial.
12:41Então, isso demandava muito tempo.
12:43As pessoas precisavam buscar um advogado, uma defensoria pública,
12:47e o juiz determinar essa internação.
12:50Com a alteração da lei, com a entrada em vigor dessa lei, em junho do ano passado,
12:56os médicos estão aptos a atestarem a necessidade da internação daquela pessoa.
13:04Essa pessoa vai ficar internada por, no máximo, 90 dias, com o objetivo de ser desintoxicada.
13:13E mais, o Estado também custeia essa internação.
13:17Por certo, existem clínicas particulares, mas o Estado também custeia as clínicas particulares
13:25com verba pública do próprio Estado.
13:28Então, a internação compulsória foi facilitada, foi entrada em vigor dessa lei 13.840, de 2019,
13:36possibilitando, então, que o médico ateste a necessidade da internação,
13:45que é a internação compulsória.
13:48Pois é, a gente estava, enquanto o senhor estava falando,
13:51a dona Domingos falou exatamente isso que a senhora precisava.
13:54É exatamente isso que eu precisava.
13:56E o meu filho não vai nem ter problema, por quê?
14:00Porque ele quer.
14:02Ele vai, tipo assim, vai ser um obrigado, por quê?
14:06Para que o Estado leve.
14:07Mas ele quer ir, ele quer, quando ele cumprir tudo o que ele deve à justiça,
14:14ele sair de lá e ir direto para uma clínica de recuperação.
14:19Pois é.
14:20Agora, vamos saber o que o Estado fala, porque nós procuramos o governo do Estado
14:25para saber o que é oferecido na rede pública aos dependentes químicos.
14:29Quem tem essa resposta é Cris Lemos, que está ao vivo na nossa redação de jornalismo.
14:33Boa tarde, Cris.
14:35O que a Secretaria de Saúde disse, hein?
14:36Boa tarde, Ju, boa tarde para todos.
14:40Em nota, a César disse que conta com leitos de saúde mental
14:44no Hospital de Atenção Clínica, no Centro, por gentileza, UTP,
14:49no Centro de Atendimento Psiquiátrico Aristides Alexandre Campos,
14:53no Hospital Estadual Infantil e também no Imabar.
14:56Além de leitos próprios, a Secretaria também afirmou que conta com leitos filantrópicos
15:03e em clínicas credenciadas para atender aos pacientes de saúde mental usando o protocolo
15:09estadual de classificação de risco em saúde mental para definição de prioridade clínica
15:16para internação.
15:17Em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos, a César também tem o Centro de Acolhimento
15:25e Atenção Integral sobre Drogas, o CAAD.
15:29Esse centro é um serviço de atendimento integral no tratamento e cuidado visando a redução
15:36das diversas vulnerabilidades associadas ao uso abusivo de álcool e outras drogas.
15:42O Centro de Acolhimento fica na Avenida Getúlio Vargas, no Centro de Vitória, ao lado da Praça 8.
15:49O horário de funcionamento é das 9 da manhã às 4 da tarde, de segunda a sexta-feira, Ju.
15:56Mas é bom explicar que para conseguir o atendimento no CAAD, é necessário fazer a marcação
16:01por esse número que aparece aí na sua tela.
16:05Volto contigo, Ju.
16:06Então, olha, tá aí o telefone na tela.
16:08Obrigada, tá, Cris, pelas suas informações.
16:10Vamos deixar mais esse telefone aí na tela para o pessoal de casa, para pessoas que
16:14tenham algum familiar envolvido com drogas, precisa de ajuda, tá aí um contato.
16:20Você já entrou, Domingas, em contato com esse telefone que a gente está disponibilizando
16:25aqui do CAAD?
16:26É, eu não sei se nesse telefone.
16:29Mas eu já internei ele aqui em Vitória quando, no governo passado, tinha o...
16:36Eu esqueci, tinha um programa que apoiava as clínicas de recuperação.
16:42E a gente tinha que vir aqui em Vitória, inclusive é aqui na Rua 8 também, e fazer um
16:47cadastro, todo um acompanhamento.
16:50E aí eles enviavam o dependente para algum desses lugares.
16:54Mas não é clínicas particulares, são clínicas, como eu falei, que tratam mais, como que
17:02eu vou dizer, mais espiritualmente, a força da pessoa, né?
17:06Se a pessoa realmente tiver uma força ali, que conseguir aguentar, ficar ali, aí ele
17:12fica.
17:13E muitos conseguem sair, né?
17:16Através desse método.
17:18Mas muitos não conseguem, que é o caso do meu filho, porque eu já internei ele várias
17:22vezes, né?
17:24E não, infelizmente, ele não conseguiu.
17:27E aí ele fala assim agora, mãe, eu quero ir para uma clínica particular, uma clínica
17:33que eu consiga sair, limpar meu corpo, limpar meu corpo, limpar, é mudar realmente, é sair
17:42da abstinência, né?
17:43Para mim tentar ter uma vida normal.
17:47O meu filho, ele vive em muitas prisões, né?
17:52Tem a prisão do corpo que está lá, que ele está lá no presídio e a prisão da alma,
17:59a prisão espiritual, né?
18:01É muito difícil, hoje eu entendo e vejo como que é difícil para a pessoa sair de uma
18:11coisa assim, sozinho.
18:12Só que tem um fator também que é fundamental, é a fé, né?
18:20Ter uma fé sobrenatural, porque Deus existe, Jesus existe e ele é que tem condições de
18:30nos libertar de qualquer coisa, né?
18:33Se a gente colocar nas mãos de Deus, colocar Jesus na frente, com certeza, é o que eu creio,
18:40a minha luta até hoje é essa, porque eu creio que um dia ele vai ser liberto, um dia ele
18:47vai conseguir sair disso.
18:49Mas como o Estado tem, né?
18:52Os programas, o Estado ajuda, tem as leis para ajudar, eu quero chegar.
18:58Ter acesso, né?
18:59Ter acesso.
18:59Esse que é o questionamento, porque a gente escuta exatamente, dona Domingos, a reclamação
19:03de muitas mães, assim como a senhora, que tentam fazer a internação, mas não conseguem.
19:08Inclusive, gente, nós convidamos um representante do Estado, do governo do Estado, da Secretaria
19:14de Saúde, para participar aqui da nossa entrevista, dar orientações para essas famílias que
19:18precisam ajudar os seus filhos, maridos, familiares que são dependentes químicos, mas eles enviaram
19:26essa resposta que a Cris falou agora, dando o serviço que é prestado pelo Estado.
19:31Eu vou voltar a conversar com o doutor Rivelino Amaral, advogado, que está explicando aqui
19:35hoje para a gente como é que funcionam as internações da lei.
19:39E agora, doutor Rivelino, eu queria saber os direitos das famílias, porque a gente está
19:43aqui com o exemplo da dona Domingos, que tenta internar o filho.
19:46Mostramos aqui o caso de uma mãe que foi agredida e ameaçada pelo filho, que também
19:51é usuário de drogas.
19:53E aí, a gente vê famílias passando por isso, mas, por outro lado, existe a lei, que
20:00não é cumprida para todo mundo, né?
20:03Não é todo mundo que tem acesso a esses programas, a esse apoio por parte do Estado.
20:09Juliana, então, as palavras da dona Domingos são perfeitas, né?
20:15Quer dizer, a família fica sofrendo junto com a pessoa também, o viciado, enfim, né?
20:21E o Estado, Juliana, ele não tem alcance suficiente, ele não consegue atender a todas as pessoas.
20:29Então, assim, como a dona Domingos colocou muito bem, eu aí, nos meus mais de 20 anos
20:36de advocacia criminal, eu percebo claramente que a saída para o mundo das drogas, em primeiro
20:44lugar, é tentar não entrar, né?
20:46Quer dizer, nós que somos pais, é...
20:49Mas o pai não é culpado, e a mãe não é culpada, e dona Domingos...
20:57Bom, eu perdi o sinal do doutor Rivelino, a gente vai tentar voltar a falar com ele para
21:04bater aqui um papo.
21:05Deixa eu agradecer a dona Domingos, que está aqui hoje.
21:08Claro, por favor, o espaço está aberto para você.
21:11É, Ju, o meu filho, ele chegou até pedir para mim tentar chegar até um juiz, e para
21:20esse juiz fazer essa intervenção por ele, ele não quer sair da cadeia, ele quer cumprir
21:28o que ele deve para a justiça, e quando ele sair de lá, ele se encaminhar diretamente
21:33para uma clínica, entendeu?
21:35Então, ele fez esse pedido para mim, mãe, vai no juiz, vai no fórum, tenta chegar até
21:40um juiz para eu conseguir me internar em uma clínica, entendeu?
21:45Então, é assim, eu deixo aqui a minha vontade, né?
21:52Eu tenho muita vontade de que...
21:55É o meu sonho, né?
21:56Acho que é o sonho de toda mãe que se encontra nessa situação, é de ver seu filho livre,
22:02é de ver seu filho liberto, tendo uma vida normal, né?
22:05Como todo mundo.
22:07Então, eu volto a falar, para as mães, não desista dos seus filhos.
22:12Eu sei que é difícil, eu sei que tem aqueles, igual falou aí, né?
22:16Que agrediu a mãe.
22:18Meu filho, graças a Deus, nunca me agrediu, a única vez, ele até ficou muito exaltado
22:24dentro de casa, e nessa época eu até prendi ele pela lei Maria da Penha, porque na época
22:30foi o que eu encontrei, assim, eu falei, se eu não fizer isso agora, lá na frente
22:35ele vai me dominar, ele vai até me bater, né, tudo.
22:40Então, na época eu prendi ele pela lei Maria da Penha, mas tudo que eu fiz até hoje
22:45não deu resultado.
22:47Mas, a gente faz, a gente tenta, e eu creio que um dia ele vai conseguir, né, e talvez
22:54consiga ser internado aonde ele quer.
22:57E dona Domingos, ele agora, a senhora falou que ele está preso, já estão lembrando,
23:01gente, desde os 13 anos, ele começou consumindo maconha, hoje já consome crack, né, são 16
23:05anos aí consumindo drogas, e hoje ele está preso por roubo.
23:10Por roubo.
23:10E roubando para consumir drogas?
23:13Roubando para consumir drogas.
23:16Infelizmente, para consumir drogas.
23:19Não é, assim, não vou tirar a culpa dele, né, porque eu sei que ele é culpado pelos
23:25atos que ele faz, mas quando ele consegue trabalhar, ele trabalha.
23:30Mas quando não consegue, quando ele fica na abstinência, às vezes fica 4, 5 meses sem
23:35usar nada, aí chega uma hora que ele não aguenta, ele vai, sai do serviço, né, volta
23:42a cometer crimes para poder usar a droga.
23:46Para manter esse vício, né.
23:48Olha, o João Antônio dos Santos está aqui na nossa transmissão.
23:51Ei, Juliana, eu estou ouvindo essa mãe relatando sobre o filho e eu sei tudo o que ela passa.
23:55Já tive um filho assim, é muito difícil e triste.
23:58A Rosângela Fernandes, só quem passa por essa situação, quem tem na família um dependente
24:05é quem realmente entende, né, esse vício maldito, abala a família inteira, quem mais
24:09sofre são as mães, porque tem muitas pessoas da família que viram as costas e abandonam,
24:15ficam com raiva e questionam, né, por que você está ajudando, mas é seu próprio filho,
24:19né.
24:20A Margarete Andrade também falando aqui, tem dois irmãos que há anos usam drogas.
24:25É um sofrimento sem fim para todos nós, familiares e para eles também.
24:29É um sofrimento que envolve todo mundo, né, dona Domingos?
24:32É, é um sofrimento que envolve todo mundo e realmente a família vai lutando, vai lutando,
24:38como eu tenho irmãos que já ajudam ele muito, arrumam serviço para ele e tal, mas ainda
24:44a pessoa desiste, desiste de ajudar, de querer ajudar.
24:48E aí nos resta o sentimento de mãe, né, que a gente nunca abandona um filho, né, tem
25:00muitas mães que infelizmente abandonam, mas a gente, né, não é o...
25:06A gente, cada um tem uma história, cada um tem um porquê, né, mas a maioria das mães
25:12nunca abandona o seu filho por nada desse mundo.
25:15E olha, dona Domingos, muito obrigada por ter vindo aqui, contado um pouquinho da sua
25:19história, eu sei que não é fácil, é uma luta muito grande, eu fico na torcida para
25:24que tudo dê certo, para que as coisas melhorem, para que seu filho consiga se livrar das drogas
25:29e volte para casa, viu?
25:30Obrigada, Ju, eu que agradeço, né, por vocês terem me chamado aqui e volto a falar, mães, não
25:38abandone seus filhos, lute por eles, lute, porque um só tem a mãe, como o meu filho só tem eu,
25:46eu que
25:47vou visito, eu que vou no presídio, eu que corro atrás das coisas, nas minhas possibilidades, né, então
25:54a gente tem que lutar e lembrar que acima de tudo tem um Deus, né, que é Ele que nos
26:04mantém de pé todos os dias, é Ele que nos fortalece, é Ele que cuida de nós, a gente
26:09cuida dos filhos e Deus cuida de nós.
26:12De todos nós, lá de cima.
26:13Muito obrigada, viu?
26:15Tudo de bom para a senhora, uma ótima tarde.
26:17Tchau, tchau.