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Estamos no Outubro Rosa, mês de alerta para prevenção do Câncer de Mama. Vamos aproveitar o programa para esclarecer dúvidas e falar sobre tratamentos para a doença, com a Dra. Danielle Chambo, mastologista, e Dr. Vitor Fiorin, especialista em oncologia clínica.
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NotíciasTranscrição
00:08Olá, sejam bem-vindos ao Check-Up Saúde. Eu sou Alice Sarsinelli e essa é a sua conexão com os
00:14maiores especialistas em saúde do estado. Gente, hoje eu vim a caráter, tô de rosa, é outubro rosa,
00:21é mês de falarmos da prevenção do câncer de mama, mas a prevenção desse câncer vai muito além da
00:28mamografia, que é importante também, mas a gente vai falar sobre o tratamento multidisciplinar.
00:33Trago hoje dois grandes especialistas para tratar do tema. Seja bem-vinda, doutora Daniele Chambor,
00:41mastologista. Obrigada, Alice, é um prazer estar aqui podendo trazer boas notícias sobre o câncer de mama.
00:47E temos também o nosso super especialista, doutor Vitor Fiorin, oncologista. Seja bem-vindo, doutor Vitor.
00:54Obrigado, Alice, mais uma vez pelo convite e estamos aqui para ajudar a população.
01:00Doutora, a gente tem um mês inteiro dedicado a esse tema, essa causa tão importante.
01:06Diferentes instituições se mobilizando aqui no estado, no Brasil como um todo, uma preocupação que é mundial.
01:13Por que é tão importante falar sobre o câncer de mama e por que isso é destaque todo ano?
01:18Então, Alice, o câncer de mama nos últimos anos vem se tornando o câncer mais comum nas mulheres.
01:26Ele sozinho corresponde a mais de 30% de todas as neoplasias, de todos os cânceres que acometem as mulheres.
01:33E não só isso, como ele também é a principal causa de morte por câncer nas mulheres.
01:39Então, é muito importante a gente falar sobre prevenção, porque o câncer de mama, se diagnosticado no início, a gente
01:46consegue mudar a história dele.
01:48E esse no início, doutor, é o quê? No primeiro mês, no primeiro ano, é em quanto tempo que gera
01:56maior segurança quando se descobre?
01:58Na verdade, a gente quer descobrir o câncer de mama quando ele não dá sintoma nenhum.
02:02Então, eu não consigo falar em tempo, né? Por isso que é tão importante fazer a mamografia como forma de
02:09fazer um diagnóstico precoce.
02:12Mas, a notícia que eu queria passar, a informação que eu queria passar hoje é que a mamografia, ela faz
02:18o diagnóstico precoce, mas ela não evita que você tenha câncer.
02:21E tem muitas coisas que a gente pode fazer, simples mudanças no dia a dia, que vão reduzir muito a
02:27chance de você ter um câncer de mama.
02:29É, eu acho interessante, doutor Vitor, a gente falar isso, porque quando a gente pensa em câncer, toda vez que
02:34a gente vai ao médico, ele pergunta.
02:36Já tem histórico de câncer na família? Tem hipertensão? Tem diabetes?
02:41E eu acho que isso leva a população, você que está em casa, aposto que acha que a grande maioria
02:47dos cânceres são por causa genética.
02:50É isso mesmo? A principal preocupação que a gente tem que ter em relação ao câncer é a genética?
02:55A gente pouco pode fazer em relação a ter ou não a doença?
02:59A gente pode fazer muito, isso é um fato muito importante.
03:02De cada 10 casos de câncer de mama, somente 1 nós descobrimos um gene que de fato está diretamente relacionado
03:11ao câncer de mama.
03:12Ou seja, de cada 10 cânceres de mama no Brasil, 9 não tem relação direta, nós não identificamos um fator
03:20genético.
03:20E aí, isso que entrou exatamente o que a Dani comentou.
03:23Então, o que causou? O que outros fatores são esses?
03:27Quais desses nós podemos mudar?
03:29E a boa notícia é que nós podemos, junto com a equipe, interferir e diminuir esse risco das nossas pacientes.
03:37Então, eu acho que hoje nós precisamos colocar dois alertas.
03:40Os exames precoces, mas também falar sobre essa prevenção.
03:43Porque eu acho que mudar esse mito de que a genética é a mais prevalente, eu acho que foi o
03:51caso da Angelina Jolie também que trouxe isso muito forte para a mídia.
03:55Não é isso, doutora? Como que foi o caso dela?
03:57A Angelina Jolie, ela tem um papel fundamental.
04:00Porque ela trouxe, expôs um problema pessoal e conseguiu com isso quebrar uma patente e permitir que o teste genético
04:10se tornasse acessível a todas as pessoas.
04:14O valor, depois que ela conseguiu quebrar a patente, caiu muito e aí a gente consegue fazer essa pesquisa.
04:21Mas o teste genético, a mutação genética não é a principal causa de câncer de mama, como o Vitor falou.
04:29A pequena porcentagem, 10% dos cânceres são de origem genética.
04:33Então, mais importante do que o teste genético é a gente mudar os nossos hábitos no dia a dia.
04:39Um dos grandes estudos atualmente mostra que a melhor forma de você reduzir câncer de mama é fazendo atividade física,
04:47por exemplo.
04:47Você diminui em 30% a sua chance de ter câncer de mama.
04:51Sem efeitos colaterais, né?
04:53Mas todo programa a gente fala que a receita de bolo é a alimentação e a atividade física.
04:59Vamos desmistificar essa atividade física, porque eu acho que quem está no sofá lá de casa, às vezes pensa
05:04Ah, meu Deus, vai falar de novo para eu ir para a academia.
05:07Atividade física é ir para a academia? O que se considera atividade física?
05:11Quantas vezes por semana?
05:13Vamos passar uma receita de bolo mínima aí para o pessoal realmente ter a prevenção.
05:17Então, a atividade física como forma de prevenção efetiva de câncer de mama precisa ser pelo menos 150 minutos por
05:25semana,
05:25de forma moderada.
05:28Traduzindo, né? O que seria isso?
05:30É, três horas por semana e numa intensidade que, por exemplo, se você está caminhando, não importa qual atividade física,
05:37mas ela tem que ser vigorosa.
05:39De forma que, se você estiver fazendo uma caminhada com as amigas na praia, não tem que dar para você
05:44bater papo.
05:45Malhar menos a língua.
05:48Não pode ser um negócio que você está conversando, respirando, não se importando.
05:53Se você começar a ficar ofegante, então você atingiu a intensidade moderada.
05:57E aí, uma hora, três vezes na semana, os estudos mostraram que isso realmente é efetivo.
06:02Obviamente que é melhor qualquer atividade física do que não fazer nada.
06:07Mas o que realmente é efetivo é isso, 150 minutos por semana com intensidade moderada.
06:14Isso seria a prevenção pelos exercícios físicos.
06:17Existem outras formas de prevenção?
06:19Alimentos que podem ajudar nessa prevenção ou prejudicar?
06:23Olha, a atividade física é um dos grandes pilares, né?
06:27E não só como prevenção.
06:29A paciente que está fazendo o tratamento de câncer de mama, a própria quimioterapia, né, Vitor?
06:35Se ela faz atividade física durante o tratamento quimioterápico,
06:39ela está muito mais disposta, ela se sente melhor, o tratamento evolui melhor.
06:44E também diminui as chances da doença voltar.
06:46A atividade física está diretamente relacionada ao controle de peso.
06:50Então, dieta, atividade física e controle do peso.
06:55É lógico, eu costumo brincar assim, sabe aquilo que todo mundo sabe no fundo,
06:59que é o conselho das avós?
07:01E que na prática a gente acaba esquecendo de colocar em prática mesmo, né?
07:06Mas é esse o grande segredo e essa é a forma mais efetiva hoje de evitar câncer de mama.
07:11Doutor, e conta um pouquinho, quais são os sinais, né?
07:15A gente fala muito do autoexame, tem aí as imagens passando, quem quiser ir lá na internet,
07:21aprender como fazer.
07:23Eu vejo assim, às vezes a gente também tem algum problema e não quer nem tocar, né?
07:27Então, acho que a gente poderia falar um pouquinho sobre o autoexame,
07:31doutora Dani explicar para a gente como fazer, como tocar, com que frequência.
07:35Mas para além do autoexame, que outros sinais,
07:39claro que o ideal não é esperar esses sinais aparecerem,
07:42mas que outros sinais estão ligados ao câncer de mama.
07:46Qualquer... o importante, na hora que a mulher conhece a sua mama,
07:50esse autoexame, ela permite o autoconhecimento da mama.
07:53Ela começa a perceber o que é normal na vida dela, no anticiclo menstrual.
07:58Isso é o normal dela.
08:00Se ela perceber uma alteração, principalmente um caroço, um nódulo,
08:06algo maior do que estava antes.
08:09Isso é um sintoma, um sinal de que ela merece uma avaliação por um especialista.
08:16Outra coisa que acontece é a mulher perceber, por exemplo, a mama mais vermelha,
08:21ou mais quente, dolorosa.
08:24E se isso principalmente se permite, se persiste por um tempo,
08:29e isso não passa, isso merece uma avaliação.
08:33Então, ínguas, que são os caroços, as ínguas, as linfonodomegalias,
08:38embaixo do braço, também são diretamente relacionadas ao câncer de mama.
08:44Então, muitas pacientes, infelizmente, descobrem, às vezes, já com o caroço embaixo do braço.
08:48Tendo que, quando a gente vai conversar,
08:51ela já tinha notado há meses um caroço e não percebeu.
08:56O mamilo mudou.
08:57O mamilo sempre foi de um jeito, agora ele foi para dentro.
09:00Saiu um líquido do mamilo e que nunca tinha saído.
09:04Então, essas são características que você tem que procurar um especialista imediatamente.
09:09Perfeito. E o autoexame, doutora?
09:11Qual é a maneira correta, realmente, da gente fazer?
09:14Algumas pacientes começam a fazer o autoexame e daí começam a fazer todos os dias.
09:19Não é assim.
09:20A mama sofre influência hormonal.
09:22Então, cada período do ciclo menstrual, a mama vai estar de uma forma diferente.
09:26O ideal é escolher um dia no mês para poder fazer esse exame.
09:30E, de preferência, no período que a mama está sob menor influência hormonal,
09:35que é entre o sétimo e o décimo dia do ciclo.
09:37Ou seja, ficou menstruada, é o primeiro dia do ciclo.
09:40Aí, conta uma semana depois e pode fazer o autoexame.
09:45A gente recomenda que faça o autoexame no chuveiro, em saboada,
09:48porque a mão vai deslizar mais fácil sobre a pele.
09:52E também se olhando no espelho, levantando os braços para poder observar se as duas mamas estão iguais,
09:58se quando levanta o braço tem alguma retração, se o bico vai para dentro,
10:02ou alguma parte da mama vai para dentro.
10:04Essa é a maneira mais correta de se fazer o autoexame.
10:07E como o Vitor bem falou, o autoexame é para você se conhecer.
10:11Eu costumo falar com os alunos que é assim, sabe?
10:14Todo dia você tem aquele trajeto da sua casa até o trabalho.
10:17Se eu te perguntar exatamente o que tem no trajeto, você não sabe.
10:21Mas se um dia mudar alguma coisa, você vai saber.
10:24Vai perceber.
10:25É a mesma coisa.
10:26É o autoconhecimento mesmo, não ter medo de se tocar.
10:29E eu acho que às vezes a gente percebe alguma coisa diferente e tem medo de descobrir.
10:33Não pode ter medo de descobrir.
10:35É melhor um diagnóstico precoce que vai fazer toda a diferença.
10:38Isso é o que falou, Alice.
10:39É bem importante que um estudo brasileiro mostrou que um terço dos motivos das mulheres
10:45não fazerem mamografia que foi indicado ou que ela sabe que precisa é pelo medo de descobrir.
10:52Então, programas como o seu, exatamente essa é a mensagem.
10:55Não tenha medo de descobrir, muito pelo contrário.
10:57Tenha desejo de se...
10:58Caso descubra, cure-se rápido.
11:01Procure ajuda.
11:02A gente, quando tem um problema, a gente não fica esperando o problema ficar grande, difícil de ser resolvido.
11:08A gente tem que sempre buscar resolver esse problema o mais rápido possível.
11:11Eu acho que esse medo, doutor, vem muito assim, de alguns fantasmas.
11:15A morte, aí eu quero saber do senhor, se ele é um câncer que realmente é muito letal,
11:21leva as pessoas à morte, quais as chances de cura.
11:24E as questões estéticas, a perda de cabelo.
11:27Então, explica pra gente, quais os tratamentos que existem hoje
11:30e quais são as chances da pessoa ter uma vida depois de ter um diagnóstico como esse.
11:37Com certeza as pessoas que estão assistindo conhecem pessoas com câncer de mama.
11:40Doutor Ernesto, desculpe, interromper.
11:42Eu deixei a imagem da senhora, antes de poder parar.
11:45Nós espalhamos o programa com 24 minutos e esse era com 19, né?
11:49Ah, não, esse é 24 mesmo.
11:51Ah, é 24?
11:51Isso, o segundo é que é com 20.
11:55Ah, então nós vamos voltar?
11:57Não tem problema, agora eu já vou deixar a câmera com o doutor e dar para a sequência.
12:00Tá bom.
12:02Só a gente vai sugestar o pronome de geral.
12:06Tratamento, né?
12:07Tratamento?
12:08Isso.
12:09A gente vai se perder, a gente vai entrar na conversa e já se perde, né?
12:12É um tratamento, acho que é bom.
12:16Era um fantasma de descobrir da morte.
12:19A chance de cura e os tratamentos.
12:21Aí, tá ótimo.
12:22Pode só dar um tempo e pode ir.
12:26Mais uma ótima pergunta, Alice.
12:28Realmente o fantasma da morte, a palavra câncer, muitas pessoas, aquela doença, na verdade o câncer é uma sentença de
12:36vida.
12:37O câncer, quando descoberto o câncer de mama precoce, 95% das mulheres estão vivas, são curadas com essa doença.
12:46Quantas mulheres você que está nos assistindo conhece que teve câncer de mama e está vivendo, vive sua vida, está
12:53com seu marido, com a sua família, leva as crianças na escola, já tem neto, neta e está indo na
12:58igreja.
12:59Faz suas rotinas habituais.
13:01Então, a gente precisa desmistificar isso.
13:03A gente não precisa ter medo da palavra.
13:05Isso está longe de ser uma sentença de morte.
13:07E muitas das vezes o que a gente mais ouve é, o câncer me ajudou a viver melhor.
13:13O câncer me ajudou a ser uma pessoa melhor.
13:17Então, é por isso que a gente fala sempre que o câncer é uma sentença de vida e uma vida
13:22que se transforma para melhor.
13:23É claro, tem o tratamento, tem o momento que pacientes fazem quimioterapia, fazem cirurgia, tem que fazer reconstrução, algumas perdem
13:31o cabelo.
13:32Ninguém está falando que é uma jornada simples.
13:34Tem seus desafios e são muitos desafios de fato.
13:37Mas a verdade é que a maioria das pacientes no Brasil são curadas do câncer de mama.
13:43E doutor, quais são os tratamentos?
13:45Você citou aí alguns.
13:47É químio, é rádio, é cirúrgico.
13:49O que a gente tem hoje disponível para tratar o câncer?
13:52Esses são os três pilares principais.
13:55Quimioterapia, radioterapia e cirurgia.
13:58Todo paciente passa pelos três?
14:00Nem todo.
14:01O tratamento curativo, quando a gente vê os pacientes em que tem metástases, que a doença foi para outro órgão,
14:08o tratamento é basicamente a quimioterapia e os remédios novos.
14:11Como já tem hoje imunoterapia, tem comprimidos que revolucionaram o tratamento.
14:17Um até foi aplaudido em pé em um dos congressos mais importantes do mundo.
14:21Ao passo que, na doença precoce, o principal papel é a cirurgia.
14:27A cirurgia é o principal tratamento curativo do câncer de mama.
14:31Em alguns casos, são acrescentados radioterapia e quimioterapia, ou hormonioterapia, que é um comprimido que bloqueia o hormônio.
14:39Do contrário, a só cirurgia, muitas das vezes, ela já resolve o problema na maioria dos cânceres.
14:46Gente, por falar em tratamento multidisciplinar do câncer, nós convidamos uma assistente social para falar sobre o tema.
15:03Eu sou Adriana Mendes, assistente social, há 15 anos na área de saúde, trabalho com o público em tratamento de
15:11câncer.
15:12E nesse público, atendo mulheres com câncer de mama.
15:16Essas mulheres chegam para mim com um devido questionamento.
15:21Eu consigo me aposentar?
15:23Eu vou ter direito a algum tipo de benefício durante o meu tratamento?
15:28E aí, eu tenho a resposta para elas.
15:31Além desses direitos, que são os direitos previdenciários ou assistenciais, ela tem os direitos sociais que são concedidos através da
15:40política pública da pessoa com câncer.
15:43Então, em relação à aposentadoria, essa mulher, ela não consegue se aposentar.
15:49Mas ela tem direito, sendo trabalhadora, com carteira assinada, ao auxílio doença.
15:56A mulher que é trabalhadora e não tem carteira assinada, ela tem direito ao benefício assistencial.
16:05E aí sim, essas mulheres vão ser devidamente orientadas com relação aos seus direitos.
16:12Então, essa mulher que questiona sobre se vai ter direito a algum tipo de benefício durante o seu tratamento,
16:20sim, ela vai ter direito a esse benefício e vai ser devidamente direcionada pela orientação do serviço social.
16:30Nós estamos aqui hoje com idealizadores de uma linda campanha que se chama o Juntos pela Mama.
16:37E eu queria que você explicasse para a gente, doutora, o que é o Juntos pela Mama?
16:42Como que a gente pode ajudar?
16:43Conta aí essa história desse lindo projeto, já que estamos aí no outubro rosa.
16:47Bom, o Juntos pela Mama é um projeto meu e do Vitor.
16:52A gente começou bem na época da pandemia, foi um período difícil para começar,
16:57mas sempre visando ter um tratamento diferenciado para as pacientes do SUS,
17:04tentando igualar esse tratamento ao tratamento particular.
17:08E mais do que pensar só em tratar o câncer de mama,
17:12uma visão global da saúde da mulher e tudo aquilo que envolve a paciente que está passando por um tratamento
17:19com câncer de mama.
17:21O que vocês observavam na prática que levou a essa dor?
17:25O que vocês viam ali que incomodou para que o Juntos pela Mama surgisse?
17:29As pacientes chegavam sempre com um diagnóstico já muito tardio, com a doença já muito avançada,
17:37e não por falta de procurar, mas por falta de acesso.
17:41Demorava muito a burocracia, para conseguir consulta com um especialista.
17:46Depois que já estava tudo pronto, a fila para cirurgia, que era muito grande, de pelo menos seis meses.
17:52E isso, em se tratando de câncer, é inconcebível.
17:55Nesses anos, a gente veio tendo várias pequenas vitórias, digamos assim.
17:59Então, a gente conseguiu, no primeiro ano, a touca gelada, que impede a queda do cabelo durante a quimioterapia.
18:06Totalmente de graça para as pacientes do SUS, que fazem quimioterapia na Santa Casa.
18:10A gente conseguiu uma sala de cirurgia dedicada ao tratamento das pacientes com câncer de mama.
18:16E hoje, na Santa Casa, a gente não tem mais fila de cirurgia.
18:19A gente desenvolveu um aplicativo, que as pacientes podem entrar em contato com a gente,
18:24através do arroba Juntos Pela Mama, pelo Instagram, é direcionada por um WhatsApp,
18:29e conversam diretamente com a gente.
18:32Havendo a necessidade, elas passando por essa triagem, a gente marca consulta para a mesma semana.
18:37Mas que paciente é essa? Tem que ser aqui do Espírito Santo?
18:40Qualquer paciente.
18:42Qualquer paciente.
18:42Qualquer paciente.
18:43E ela entra em contato com vocês a partir de um diagnóstico que ela já teve de um clínico,
18:48de uma suspeita, desse banho demorado, de sentir um caroço.
18:52Qual é o momento de buscar o Juntos Pela Mama?
18:55O Juntos Pela Mama, no WhatsApp, ele funciona como uma triagem virtual.
18:59A gente faz o papel desde esclarecer dúvidas, quanto de priorizar aquelas pacientes
19:06que estão com uma suspeita de câncer de mama.
19:09Então, se você tem uma suspeita, se você tem uma dúvida, você pode entrar em contato com a gente.
19:13Se você tem um exame alterado e que você não sabe para quem levar,
19:17você pode mandar esse exame através de foto para a gente.
19:21E isso é uma triagem virtual.
19:23Quando a gente classifica que o paciente realmente é um paciente que está em suspeita de câncer de mama,
19:29a gente convoca esse paciente, então, para uma consulta presencial.
19:34Na mesma semana, toda quinta-feira, a gente atende essas pacientes.
19:37E se confirma presencialmente a necessidade de se fazer a biópsia, a gente faz no mesmo dia.
19:43Então, a gente conseguiu reduzir essa espera e, com isso, melhorando em muito a assistência a essas pacientes.
19:52E de onde que vem essa verba, doutora?
19:54Ela é do SUS.
19:55Como que a população pode ajudar?
19:56Como você que está em casa nos assistindo e que achou lindo, assim como eu,
20:01esse grande projeto, que é um projeto social, é um projeto de vida.
20:05Como que as pessoas podem ajudar?
20:06Além de acessar lá no Instagram, arroba Juntos pela Mama.
20:10Bom, esse ano, a gente está focando a campanha em qualidade de vida, né?
20:16Em tudo isso que eu acabei de falar aqui no programa.
20:19Em atividade física, em alimentação balanceada, em emagrecimento, controle do peso.
20:27Então, a nossa linha de pesquisa agora é em relação a isso.
20:31E a gente vai estar nas academias parceiras durante todo o mês de outubro,
20:36oferecendo um exame que chama bioimpedância,
20:40que ele serve para detectar a sua composição corpórea,
20:44saber a porcentagem de gordura, a porcentagem de músculo que você tem,
20:48como que está seu metabolismo, quanto que você precisa perder de peso.
20:51E você vai receber todas essas orientações individualizadas.
20:54Esse exame vai custar 50 reais e qualquer pessoa pode fazer
20:58nessas academias que estão sendo parceiras com a gente.
21:01Mesmo não estando matriculado na academia, só ir até lá?
21:05Mesmo não, só ir até lá.
21:05Nós vamos divulgar todos os dias no nosso Instagram aonde está o nosso aparelho.
21:10E todo o dinheiro arrecadado com essa ação vai servir para a gente poder construir
21:16o nosso ambulatório de sexualidade para as pacientes com câncer de mama.
21:20E dessa forma a gente poder dar o atendimento realmente integral para as pacientes com câncer de mama.
21:25Como que é esse ambulatório, doutora? Qual que seria o papel dele?
21:28O ambulatório de sexualidade ainda não está funcionando.
21:32Ele é uma idealização.
21:34E a grande... Por que isso? Qual é essa necessidade?
21:38A gente tem visto cada vez mais pacientes jovens com câncer de mama.
21:41E como o Vitor bem falou, um dos tratamentos é a hormonioterapia.
21:46Que faz o quê? Bloqueia a ação dos hormônios nas células tumorais.
21:50Mas não só nas células tumorais, né?
21:52A gente induz a paciente a ter sintomas de menopausa.
21:55E dentre esses sintomas, a dificuldade de ter relação, o ressecamento vaginal.
22:00E aí você imagina, a gente está tendo paciente de 25 anos, 30 anos com câncer de mama.
22:06Essa paciente tem toda uma vida pela frente.
22:08E esse assunto da sexualidade ainda tem um tabu muito grande ao redor dele.
22:14Então a gente viu pelas queixas da paciente o quanto que é isso é importante
22:18e não está disponível pelo SUS.
22:20Então essa é a nossa meta, de conseguir adquirir um aparelho que melhora esse ressecamento vaginal
22:26e permite que essa paciente com câncer de mama, que está na menopausa induzida,
22:32possa ter uma vida plena.
22:33E quem quiser fazer doações em dinheiro, pode também, independente da campanha?
22:39Pode também, só entrar em contato com a gente pelo Instagram.
22:42Doutor, a gente está quase chegando ao final.
22:45E eu imagino que alguns dos nossos ouvintes, já que é uma doença tão comum,
22:49estejam passando agora por um tratamento de câncer.
22:52O que a gente pode falar para esses pacientes, para esses familiares?
22:56Você aí que é tão humano, uma pessoa, além de um doutor, uma pessoa com uma sabedoria humana muito grande.
23:02O que a gente pode trazer aí de palavra para essas pessoas que estão passando por esse diagnóstico?
23:07Acho que a gente pode deixar de mensagem que é sempre importante ter uma equipe e a sua família do
23:13seu lado.
23:14Acho que durante o processo, a gente sempre fala que o câncer é uma maratona, não é uma corrida de
23:20100 metros.
23:21É uma jornada em que o diagnóstico assusta.
23:25Na hora que inicia essa corrida da maratona, a nossa dúvida é, será que eu vou chegar?
23:31Será que eu vou conseguir vencer essa distância que é tão árdua?
23:36Mas com o passar do tempo, com o apoio, com o preparo adequado e com uma equipe realmente preenchida
23:44por médicos, psicólogos, fisioterapeutas, centro social, nutricionista, dentista, tem todo um time.
23:52E junto com a sua família, é possível passar por essa jornada de uma maneira menos difícil
23:59para você ter os louros de chegar ao seu destino final e ter a sentença da vida.
24:05Doutora, e isso é possível então pelo SUS? É essa a boa notícia que a gente traz?
24:09É essa a boa notícia. A gente consegue, pelo menos a gente se esforçar ao máximo
24:12para poder ter essa igualdade de tratamento.
24:17Multidisciplinar da mesma forma?
24:19Multidisciplinar, que é fundamental.
24:21Maravilha. Estamos chegando então ao final desse check-up saúde.
24:25Deixo espaço aberto para a senhora também falar um pouquinho com as pacientes, doutora.
24:29Olha, eu acho que o mais importante é realmente isso.
24:33Hoje o câncer de mama não é uma sentença de morte e a gente consegue, com o apoio da família,
24:40com fé,
24:41passar por tudo isso de uma forma leve e sair com muitas lições e com o ressignificado da vida.
24:49Perfeito. Esse foi o check-up saúde de hoje.
24:51Agradeço muito aos nossos grandes especialistas.
24:54Me procura lá no meu arroba também no Instagram,
24:57arroba doutoralicesarsinelli.
24:59Lá vocês podem acessar pelas minhas redes sociais
25:02todos esses conteúdos que a gente traz aqui para vocês.
25:05Um grande abraço e até semana que vem.
25:12Transcrição e Legendas por Quintena Coelho