- há 2 semanas
Muitas mulheres no Brasil enfrentam longas esperas por medidas protetivas contra a violência doméstica. Essa espera pode ser traumática e recurso pode não chegar a tempo, como foi o caso da jovem Iris. Por que isso está acontecendo? Conversamos com a advogada Layla Freitas, a psicóloga Gisélia Freitas, e a ativista Jucileia Ribeiro para entender o problema.
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NotíciasTranscrição
00:00A enfermeira que foi assassinada estava grávida de oito meses.
00:03O suspeito, o ex-namorado da Iris, está preso pelo crime.
00:08Mas um detalhe, gente, desse caso chama, chama muito a nossa atenção.
00:13Três meses antes de ser morta, a enfermeira registrou um boletim de ocorrência
00:19contra o ex-namorado por violência doméstica.
00:23Ela teria sido agredida com um mata-leão e ameaçada com uma arma.
00:28A Iris pediu uma medida protetiva contra o Cleilton.
00:33Mas essa medida, essa medida protetiva, nunca, nunca saiu.
00:38Segundo a Polícia Civil, pode ter sido uma falha provocada por uma mudança no sistema
00:44e aí esse pode ter sido o motivo de não ter dado andamento ao pedido da Iris.
00:50A polícia ainda afirma que vai investigar com rigor.
00:54Mas a gente sabe, né, que esse não é o único caso de mulheres que esperam, esperam, esperam por medida
01:02protetiva e não conseguem.
01:04Ou então enfrentam aí uma burocracia até conseguir.
01:08Por que tanta dificuldade?
01:10Vamos bater um papo sobre isso?
01:12Quais são os obstáculos que a mulher acaba enfrentando, além da dor, né, da violência que ela sofre também?
01:18Vamos bater um papo?
01:19Aqui no nosso estúdio eu recebo Gisele Freitas.
01:22Obrigada, Gisele, que é psicóloga, vai participar com a gente.
01:24Doutora Laila Freitas, que é advogada, muito obrigada pela sua participação.
01:29Jusceléia Ribeiro, que ela é ativista, né, ela faz parte do movimento Libertas,
01:35que encoraja mulheres a sair de um relacionamento abusivo, tóxico, violento.
01:41E ela entende de perto, você já sentiu na pele a dor dessas mulheres, né, Jusceléia?
01:47Boa tarde.
01:48Boa tarde, Roberta.
01:49Já senti sim, e a gente fica transtornado de saber que uma falha no sistema custou a vida de duas
01:54mulheres,
01:55da Iris e da Rebeca.
01:57Então, assim, são coisas que podem ser corrigidas, mas não vão sanar o dano feito.
02:02Assim, a mulher, quando ela vai fazer essa denúncia, Roberta, ela vai em busca de socorro.
02:08Só que nós temos um número elevado de medidas deferidas, indeferidas no Estado.
02:13Ou seja, nós temos mais de 3 mil mulheres que não têm medida.
02:16Então, assim, porque as pessoas acham que uma ameaça, ela não pode ser concretizada.
02:22E ela vai se concretizar, dependendo do cara, ela vai se concretizar.
02:26Porque, só assim, a medida protetiva é um papel.
02:29Ele é um papel que, no começo, ele te traz uma segurança.
02:32Porque você já não está mais omissa com aquela dor.
02:34Você está querendo botar, postar para todo mundo que você está sofrendo a violência.
02:39Ah, mas muitos homens, a medida protetiva, eles falam que é papel.
02:42Mas a maioria dos homens, eles têm medo da medida protetiva.
02:46Porque aquilo ali causa um transtorno muito grande para o homem.
02:49Quando a mulher denuncia o homem, esse homem é agressor.
02:51Ele já não é mais... o nome dele já não fica mais limpo.
02:54Ele já se torna um agressor de mulher.
02:56Tem prefeituras e empresas que já não contratam mais o agressor.
03:00Então, assim, quando a gente vai na medida protetiva,
03:02você diz assim, ah, mas essa medida protetiva é um papel.
03:04Só que a medida protetiva em cena causa danos grandes ao agressor.
03:08E isso começa a inibir esse homem de continuar a praticar.
03:12Poxa, ela teve coragem de denunciar.
03:14Então, agora ela não vai aceitar mais o fazer.
03:17Ou ele tenta mudar, ou ele tenta largar ela, ou ela divorcia, ou tudo mais.
03:22Agora, a nossa preocupação não é com as 9 mil que tiveram a medida.
03:27São casos como a Iris, que as mulheres não têm a medida,
03:30e elas voltam a conviver com esse agressor.
03:32O que será delas?
03:34Doutora Laila, como que é o trâmite?
03:36Qual é a situação?
03:37Como é que é o processo?
03:38A mulher sofreu uma agressão, ela vai até a delegacia,
03:42registra o boletim de ocorrência.
03:44Em que momento é ela que deve pedir?
03:47É a polícia que oferece?
03:49Como é que isso funciona?
03:51E se tem um prazo também, né?
03:53Um prazo que está ali pela lei para ela receber essa medida.
03:56Boa tarde, Berta.
03:57Boa tarde.
03:59Então, tem todo um trâmite formal para ser seguido, sim.
04:02É um encaminhamento para a delegacia especializada, a DEAN, daquela comarca.
04:07No caso de Vitória, fica ali atrás da própria superintendência da Polícia Civil.
04:12A partir do momento que ela está lá, ela vai prestar as informações,
04:16informar o que está acontecendo quanto à violência, seja física, seja emocional,
04:19sexual, psicológica, patrimonial, sexual, dentre outras.
04:24E é perguntado a ela, pela escrivão ou escrivão, se ela tem interesse na medida protetiva
04:30e se ela também tem interesse em representação criminal, porque são duas coisas diferentes.
04:35A mulher pode pedir a medida protetiva, mas entender que não é necessário que ele seja processado criminalmente,
04:41porque são duas questões diferentes e é respeitada a vontade dela.
04:44E, a partir disso, esse boletim de ocorrência se transforma numa investigação
04:50e também é passado para o juízo daquela comarca para se deferir ou indeferir a medida protetiva
04:57e a representação criminal, caso ela exista.
04:59Hoje, a lei da Maria da Penha, ela teve mais de 26 atualizações.
05:05Então, hoje a gente tem a possibilidade da própria delegacia
05:10comunicar do deferimento ou não da medida protetiva,
05:13a depender da urgência, do perigo que a vítima se encontra.
05:17Mas, infelizmente, a realidade que a gente tem, Roberta,
05:20e aí eu preciso ser honesta com os nossos telespectadores,
05:24é que muito da lei da Maria da Penha e suas atualizações
05:26não são colocadas em prática na delegacia, quiçá na Justiça.
05:31Então, a maioria das vezes, o delegado ou delegada
05:33não informam do deferimento da medida protetiva,
05:36mesmo que sejam casos de urgência.
05:38Tive casos, inclusive, em janeiro,
05:39que a gente sequer conseguiu fazer o pedido de medida protetiva
05:43pela ausência de delegado no plantão,
05:47porque hoje existe o telefagrante, né?
05:48A mulher chega delicada, traumatizada, violentada,
05:53e ela sequer tem um delegado, delegada ou um escrivão
05:55para atendê-la no plantão.
05:57É tudo feito online.
05:58Então, quer dizer, o homem não é o único culpado dessa violência.
06:04Perfeito.
06:04O nosso Estado também está falhando.
06:07Exatamente.
06:09Infelizmente, o Estado está sendo omisso
06:12com essas 3 mil mulheres que não tiveram o deferimento da medida protetiva
06:16e de mulheres como a Iris, que infelizmente buscam
06:19e é muito difícil a mulher conseguir chegar ao momento de denunciar.
06:23É muito difícil ela conseguir se fortalecer o suficiente
06:27para falar, eu preciso fazer isso.
06:29Imagina uma mulher grávida de 8 meses,
06:31no caso ela estava com 6 meses, 5 meses,
06:34a delicadeza dela e ela ter que passar por aquele momento
06:38sem nenhum tipo de apoio.
06:41Ainda ouvir assim,
06:43ah, mas ela não procurou de novo polícia.
06:44Peraí.
06:45Então, o erro foi dela?
06:46O erro não foi dela.
06:47Ela não procurou pelas questões dela,
06:49porque viu que não funcionou,
06:50porque estava grávida e precisava de apoio.
06:53Muitas mulheres que são vítimas não buscam a delegacia
06:56justamente porque são dependentes financeiramente.
06:59Então, a gente não sabe se esse foi o caso dela.
07:02Ela nunca tem que apontar o dedo para ela.
07:04Você tocou num ponto muito forte,
07:05era exatamente o que eu ia jogar agora,
07:07a pergunta para a Gisele Freitas.
07:10A mulher, para ela conseguir dar esse passo
07:13de fazer realmente essa denúncia,
07:15registrar o boletim de ocorrência,
07:17é uma dificuldade.
07:18Ela precisa ter essa certeza no coração.
07:21E aí, quando ela dá esse passo,
07:23chega lá, cadê o apoio que ela precisa, Gisele?
07:25Sim, porque quando chega,
07:26já está no limite do seu sofrimento, do seu medo.
07:29Medo que muitas vezes movimenta para fazer a denúncia
07:32e o mesmo medo que paralisa pelo medo,
07:35pela ameaça desse companheiro.
07:38E esse companheiro abusivo,
07:40é fácil às vezes a gente falar por fora,
07:43como uma mulher bonita, estudada.
07:46Só que esse cara,
07:47ele se apresenta não como um cara abusivo,
07:50mas como um príncipe encantado,
07:51um cara inteligente,
07:52são pessoas manipuladoras,
07:54pessoas que encantam.
07:56E o poder deles é exatamente o de controle.
07:59Então, para isso, a pessoa tem que estar já amarrada.
08:01Aí, quando a pessoa já está envolvida, apaixonada,
08:04no caso dela, já estava até grávida,
08:06aí começa, já tem uma gravidez,
08:08já tem uma dependência emocional,
08:10já tem um laço,
08:11aí começa o abuso.
08:13E então, ela, quando vai à delegacia,
08:15ela vai também,
08:16depois de passar por um filtro na cabeça dela,
08:19o que a minha família vai pensar,
08:20o que a sociedade vai pensar,
08:22o que meus amigos vão pensar.
08:24E como é que eu explico isso?
08:26Porque existe uma vergonha também,
08:29existe um medo também social.
08:31O filho dela, de 8 anos.
08:32O filho também.
08:33Ela é pesquisadora da UFIS,
08:34então, o meio social dela.
08:37Sim.
08:37Olha só, pela internet,
08:39a gente vai conversar agora com a Sandra,
08:41que é muito amiga da família da Iris,
08:43e chegou a conversar com a jovem recentemente
08:46sobre os abusos que ela sofria no relacionamento.
08:49Inclusive, a Sandra está ao lado da dona Márcia,
08:52que é a mãe da Iris,
08:53mas a dona Márcia está naquele momento,
08:56da avalanche de emoções
08:58diante de algo que aconteceu tão recente.
09:01E de imediato, a gente já agradece
09:03a participação de vocês aqui no Fala Espírito Santo.
09:08Conta pra gente, dona Sandra,
09:11de que forma que a família conversava com a Iris
09:14sobre esse assunto?
09:16Em que momento vocês começaram a perceber
09:18que esse relacionamento era tóxico,
09:20era abusivo?
09:22Ela chegou e nos convitenciou
09:24que sofria um relacionamento abusivo,
09:27tinha que dormir de calça jeans,
09:29tomava banho dentro da piscina da própria casa,
09:31de roupa,
09:32não podia ir à praia,
09:34estava sempre sendo ameaçada por ele,
09:36não podia ir ao supermercado,
09:38porque tinha homens.
09:40Pediu que ela parasse de trabalhar
09:42e ficasse só em casa.
09:44Ela realmente não estava tendo vida.
09:48E no momento que ela relatou isso pra vocês,
09:50qual foi a reação da família?
09:53A gente pediu a ela que se afastasse,
09:57que se afastasse dele,
09:58que não era bom pra ela.
10:03E qual foi a postura dela na época?
10:05Porque não é tão simples assim,
10:08como a própria psicóloga que está com a gente aqui hoje,
10:11a Gisele Afreitas,
10:11ela acabou de relatar,
10:13a gente não consegue sair de um relacionamento da noite pro dia,
10:16esse tipo de relacionamento,
10:17porque eles têm estratégias,
10:19as artimanhas que nos fazem ficar ainda mais dependentes.
10:23Ela estava muito assustada com tudo que estava acontecendo,
10:27já tinha decidido que ia ter a filha sozinha
10:30e ia com a ajuda da família,
10:32só que ela já havia dito que queria se afastar dele,
10:35não queria mais relacionamento com ele.
10:39E perto da família,
10:41como ele se comportava perante as famílias familiares?
10:45Não tivemos muito...
10:46Não deu tempo de a gente ter muito contato com ele,
10:50então a gente não conhecia a pessoa a fundo.
10:53Certo.
10:54Daqui a pouquinho a gente volta a falar com vocês,
10:56dona Sandra,
10:57pra continuar repercutindo esse assunto aqui no nosso estúdio.
11:00A gente vê que, por exemplo,
11:03quem tirou a vida da Ana Carolina,
11:05que foi uma outra jovem,
11:06que a gente repercutiu muito a morte dela,
11:09aquela que foi assassinada aqui no centro de Vitória,
11:11também vítima de feminicídio,
11:13agia da mesma forma, né?
11:15Com controle sobre a vida dela.
11:18Jusceléia, você que atende muito essas mulheres,
11:22é assim que eles agem?
11:24Eles agem dessa forma,
11:26e a mulher acha que isso no começo é um cuidado.
11:28É um cuidado que ele tem,
11:31dele querer falar da minha roupa,
11:34dele querer controlar o meu telefone.
11:36Elas acham que isso é cuidado.
11:37Ela, se no começo, no primeiro negócio,
11:39igual a psicóloga falou,
11:41o homem não mostra que ele é esse.
11:44Ele mostra aquele lado bom,
11:45aquele lado de cuidado,
11:46aquele lado que ele está fazendo isso por bem dela.
11:48Entendeu?
11:49E, assim, a gente,
11:50quando fala em denunciar,
11:53antigamente nós passávamos muito
11:54pela dependência financeira e emocional.
11:57Hoje em dia, as mulheres enfrentam muito
11:59a dependência religiosa.
12:02Elas são muito citadas,
12:03não denunciadas, baseadas em religião.
12:05Você pode ver que esse que assassinou a Iris,
12:07ele se autotitulava cristão.
12:10Então, assim,
12:11a gente tem que ter cuidado
12:14com o que a gente ouve
12:15e como que a gente incentiva
12:17as pessoas a denunciarem
12:18e a elas ficarem.
12:19Porque a gente está passando
12:21por uma situação
12:22que a gente,
12:23a mídia,
12:25a televisão,
12:26a internet,
12:27estamos incentivando
12:28essa mulher a denunciar
12:29e, quando chega na base do Estado,
12:31essa mulher está ficando violentada de novo,
12:33que é a violência estatal.
12:34Porque as mulheres estão ficando
12:36abandonadas no meio do caminho.
12:37Então, assim,
12:38o que a gente tem que levar em consideração
12:39é a história da Iris
12:40e tirar que não aconteça com outras
12:43que um simples falho no sistema
12:46custa a vida.
12:47Uma simples omissão do Estado
12:50custa a vida.
12:52Então, assim,
12:52nós temos mulheres
12:53que voltam para o marido
12:54por causa da fome,
12:55nós temos mulheres
12:56que não conseguem passar
12:57para ir embora
12:57e ficam aqui
12:58para serem assassinadas.
13:00A gente tem várias,
13:01igual ela falou assim,
13:02que a Lei Maria da Penha
13:02vem sofrendo várias variações.
13:05Ninguém,
13:06nenhuma mulher no Estado
13:07até hoje
13:07recebeu o aluguel social
13:08que a Lei Maria da Penha tem.
13:10Ou seja,
13:10essas mulheres estão morando
13:11dentro da casa
13:11com agressor com medida protetiva.
13:13Essas mulheres,
13:14o acesso jurídico delas,
13:15Roberta,
13:16é muito difícil.
13:17Elas fazem,
13:18você pode ver que você vira e mexe,
13:20toda semana,
13:20Roberta,
13:20está aqui batendo
13:21na violência doméstica,
13:22as várias outras redes
13:24estão batendo nessa tecla,
13:25incentivando,
13:26a mulher está informada,
13:27ela está procurando o direito dela,
13:28que é tanto que,
13:29no ano passado,
13:29foram 21 mil denúncias.
13:31Mas a maioria delas
13:32no meio do caminho
13:33se perdem,
13:34porque não existem políticas públicas.
13:36E essa mulher
13:37fica no meio do caminho.
13:38Como que eu tenho
13:38uma medida protetiva
13:39e o cara tentou me enforcar
13:40e eu volto a morar
13:41na mesma casa que ele?
13:42O que eu vou dar
13:43para os meus filhos
13:44se quando ele sai
13:45de dentro de casa,
13:46para ele é lucrativo,
13:47porque ele não está
13:47nem preocupado
13:48em pagar a pensão,
13:49porque eu tenho que ir
13:50para a defensoria
13:51aguardar a pagar
13:52e até lá
13:52os se viram com os filhos.
13:54Então,
13:54essa mulher,
13:55muitas das vezes,
13:56igual a Iris e outras mais,
13:58igual a Jacelene,
13:59lá de Guarapari,
13:59elas são violentadas
14:01não só pelo homem,
14:02pelo Estado,
14:03pela sociedade
14:04que não apoia essa mulher.
14:05Então,
14:06a gente tem que verificar
14:07até que ponto
14:08que nós estamos
14:08expondo a mulher
14:09a mais violações de direito.
14:11Porque é muito triste,
14:12Roberto,
14:13uma mulher chegar para mim
14:14e falar bem assim,
14:15eu estou voltando
14:16para o meu marido
14:16porque eu não aguento
14:17mais passar fome.
14:18E você sabe
14:19que o cara vai ter
14:20o desfeito de feminicídio,
14:21porque a agressão,
14:23se você ver a agressão,
14:24ela está aqui embaixo,
14:24quase na mutilação
14:25do violômetro.
14:27E esse homem
14:27vai matar essa mulher
14:28porque ela não tem o que comer.
14:29e o Estado fica como?
14:32Nada.
14:32Aí é muito fácil
14:33depois eu chegar e falar assim,
14:34por uma fala do sistema,
14:36a Elis morreu
14:36e a Rebeca,
14:37a filha dela,
14:37morreu.
14:38E olha que ferramenta
14:38de controle poderosa
14:40desse cara, né?
14:41Então,
14:41existe essa dependência mesmo
14:43social,
14:44estrutural,
14:45familiar,
14:46religiosa,
14:46eles sabem disso também.
14:48então,
14:49quando deixa a mulher,
14:50você não vai trabalhar,
14:51você vai ficar em casa,
14:52porque não quer a dependência dela,
14:53não quer que ela se autoemprego,
14:55que ela se autoempreenda,
14:58que ela tenha a sua própria condição
15:01de sobreviver,
15:03que ganhe seu dinheiro.
15:04Então,
15:04o crescimento da mulher,
15:05a mulher na carreira que cresce,
15:07é muito complicado
15:08para esse homem
15:08que vem dessa estrutura machista,
15:11patriarcal,
15:12é enraizada na nossa cultura,
15:13não pode,
15:14ele tem que ser maior,
15:16ele tem que ser acima dessa mulher,
15:17essa mulher não pode ser independente.
15:19Muitas dessas mulheres
15:20que conseguem trabalho,
15:21que pedem depois a separação,
15:23elas são o quê?
15:25Assassinadas.
15:25Deixa eu voltar a falar então
15:27com a Márcia,
15:28que é a mãe da Iris,
15:29que ela está participando com a gente,
15:31ali ao lado da Sandra,
15:32que é amiga da família, né?
15:34A dona Márcia,
15:35a gente respeita o sentimento de mãe
15:37nesse exato momento,
15:38ela está ali só acompanhando a entrevista.
15:41E eu queria que a família, né?
15:43Vocês, enquanto família, amigos,
15:45relatassem para a gente
15:47como que vocês recebem essa informação
15:49de que há três meses
15:50a Iris havia solicitado
15:52uma medida protetiva
15:54que não teve andamento.
15:57A gente não sabia disso, né?
15:59Como que...
16:00Ela achava que estava protegida,
16:02que a medida protetiva,
16:03a partir do momento que ela
16:04lavrou lá o boletim de ocorrência,
16:06que as informações, os documentos
16:10estavam correndo na justiça, né?
16:12E que ela teria esse amparo.
16:15E ela relatou para vocês
16:17que ainda assim ele continuava
16:19perseguindo, monitorando a vida dela?
16:23Não, ela não falou isso.
16:25Ela disse que ela não iria encontrar com ele,
16:28igual a gente tinha pedido a ela,
16:31entendeu?
16:31Mas aí ela disse que não ia encontrá-lo.
16:34Então, quer dizer,
16:35eu acho assim, né?
16:36Que talvez através da mãe dele, assim,
16:38ela conversava com a mãe, talvez.
16:40Mas com ele, ela não disse nunca mais.
16:43Para nos preocupar, talvez,
16:45ela não disse mais nada.
16:47Falou que não estava encontrando ele,
16:49ou desconversava apenas.
16:51E qual é o sentimento,
16:52ao ter agora acesso a essa informação,
16:55de que o nosso Estado falhou?
16:57Falhou.
16:57Muito triste, né?
16:59Porque a gente não tem essa informação.
17:01A gente não tem essa informação de como seguem, né?
17:03Os documentos a partir daí, entendeu?
17:06A gente acredita que deveria ter uma reciprocidade,
17:10tipo assim, um encaminhamento,
17:11alguém ligasse para nós,
17:13que lá no boletim consta os nossos nomes,
17:15nossos endereços,
17:16de todos os lugares onde ela precisava, né?
17:19Ela seria aí encontrada, entendeu?
17:21Não sei, seria como se fosse uma varredura, assim, né?
17:27Nem que seja o telefonema,
17:28perguntando por ela, sobre ela.
17:31Acredito que haveria,
17:32que se houvesse algum tipo de monitoramento,
17:36mesmo que seja à distância,
17:37mesmo que seja o telefone,
17:39que tinha meu nome,
17:40que tinha o nome de todo mundo lá,
17:41que estava ligado a ela,
17:43a gente talvez não deixasse uma coisa acontecer
17:47tão grave dessa, né?
17:48Uma tragédia dessa.
17:49Isso só reforça o sentimento de indignação?
17:53Nesse caso, eu acho que poderia ajudar a diminuir, né?
17:58Ou não acontecer mais casos, entendeu?
18:00É isso que a gente pede.
18:02Que é exatamente o que a Juscileia falou agora há pouco
18:04aqui no programa.
18:05Já volto a falar com vocês de novo.
18:07Juscileia,
18:09quando uma medida protetiva,
18:11ela é deferida,
18:13ou seja, ela é concedida
18:15àquela mulher, né?
18:17Isso, de fato,
18:19ajuda a ter essa sensação
18:21de proteção?
18:23Quando a medida é deferida,
18:25é oferecida a visita da patrulha Maria da Penha,
18:28que são visitas de surpresa,
18:29feita pela PM,
18:30nessa mulher,
18:31que causam a sensação de segurança.
18:33A partir do momento que o homem
18:35é acionado pela medida protetiva,
18:37alguns homens têm medo.
18:38Assim,
18:38a maioria dos homens falassem
18:40de violência,
18:40as pessoas falam assim,
18:40isso é um papel.
18:41Ele é um papel que causa medo
18:43para o agressor,
18:44porque ele causa prejuízos
18:46para o agressor.
18:46A lei Maria da Penha,
18:47a medida protetiva,
18:48ela causa danos para o homem,
18:49ele tem que entender isso.
18:50Ele não consegue passar
18:51em determinados concursos públicos,
18:53ele não consegue acessar
18:55determinadas empresas,
18:56ele já não é mais considerado
18:58um réu primário,
18:59porque ele se tornou
19:00um agressor de mulher,
19:01então isso causa impacto
19:02na vida dele.
19:03E a partir do momento
19:04que um cara que quer
19:05ter um concurso público,
19:06se ele quer ser alguma coisa,
19:08ele não pode ter
19:08uma medida protetiva
19:09no nome dele.
19:11Mas o que acontece?
19:12O que acontece, Roberta,
19:13é que muitas das vezes
19:14com essa medida protetiva,
19:16ela tem assim a visita da PM,
19:18ela consegue, não sei o que lá,
19:19mas ela continua morando
19:21no mesmo local com o homem
19:23ou tendo contato com esse homem
19:25por causa, muitas das vezes,
19:26da gravidez
19:26ou por causa dos filhos pequenos.
19:29Agora tem um atenuante
19:30na lei Maria da Penha
19:31que o cara que agride a mulher
19:32não é mais necessário,
19:34obrigatório,
19:35compartilhar a guarda,
19:36que já é um grande crescimento
19:38para proteger essa mulher.
19:39Mas a gente tem que se posicionar,
19:41as prefeituras, o Estado,
19:43como acolher essa mulher?
19:45Atendimento psicológico,
19:45Roberto,
19:46para a mulher que é dependente emocional
19:47é muito difícil na rede pública,
19:49ela não consegue acessar.
19:50E muitas das vezes,
19:51você imagina uma mulher grávida,
19:53o que ela quer é a figura do marido,
19:54do homem que ela idealizou,
19:57ela pode voltar,
19:57porque ela não foi tratada
19:58sobre essa dependência.
19:59A dependência financeira,
20:01a gente não tem uns projetos
20:02que façam essa mulher empreender,
20:03que façam essa mulher ir para frente,
20:05muitas das vezes,
20:06não tem crédito para essa mulher
20:06colocar essas crianças para trabalhar.
20:08Então, assim,
20:09a gente estamos falhando
20:09como Estado e sociedade
20:10no acolhimento.
20:12Essa mulher está muito bem informada?
20:13Está.
20:13Porque nós tivemos número recorde
20:15de denúncia.
20:16Só que nós estamos falhando,
20:19nós, o que eu falo,
20:20é o Estado,
20:21é a sociedade no acolhimento.
20:23Essa mulher não está
20:23se sentindo acolhida.
20:24Acho importante,
20:26perdão, Roberta,
20:27mas acho importante,
20:29junto com a fala dela,
20:31trazer que não é só o Estado falhar
20:33em estar com a mulher.
20:35O Estado acredita que é a mulher
20:36que tem que chegar nele.
20:38É o Estado que tem que chegar à mulher.
20:40São as políticas públicas,
20:41os projetos que têm que estar
20:42dentro da comunidade.
20:44Então, a gente tem vários espaços,
20:45por exemplo, em São Pedro,
20:47onde você não tem uma creche tão próxima.
20:49São Pedro é gigante,
20:50grande São Pedro.
20:51Você tem locais ali específicos
20:53de violência contra a mulher
20:54e que você não tem um CRAS,
20:56você não tem um CRANSB,
20:56você não tem uma rede de apoio.
20:59Você tem que vir aqui
21:00na casa do cidadão.
21:01Essa mulher,
21:02ela tem condições de vir
21:03até a casa do cidadão?
21:04Ela tem condições financeiras,
21:06emocionais?
21:07Por que não está dentro
21:08dos espaços onde a mulher está?
21:10Então, não é só o acolhimento da mulher,
21:12é o fortalecimento,
21:13como ela mesmo diz.
21:14Deixa eu voltar a falar com a Márcia
21:17e também a dona Sandra,
21:18que estão participando com a gente,
21:20a mãe e a amiga,
21:21também da família e a dona Sandra.
21:23Diante disso tudo,
21:25o que vocês esperam a partir de agora?
21:30A gente espera que a justiça seja feita
21:33e que ele pague pelo crime
21:35que ele cometeu
21:36e que não aconteça com mais mulheres.
21:39Que sirva de exemplo
21:40e que o poder público
21:42dê uma atenção especial ao caso.
21:45Todas as famílias
21:47têm mais, no sentido disso,
21:50acolhimento,
21:51igual a doutora Tícia aí,
21:52porque a mulher precisa desse acolhimento,
21:55precisa desse acompanhamento.
21:58É isso que a minha filha não teve
22:00do Estado, né?
22:02A sua filha,
22:03a gente estava aqui refletindo ontem
22:05sobre o caso da Iris,
22:06que a gente está falando,
22:07foi um crime cruel
22:08contra uma filha,
22:10contra uma mãe,
22:11contra uma pessoa
22:13que estava a serviço
22:15da sociedade,
22:16fazendo estudos
22:17para a população,
22:19para a nossa saúde,
22:20para o nosso bem-estar.
22:21Ela sempre foi assim,
22:24muito, sabe,
22:25cuidar de pessoas,
22:26zelar das pessoas,
22:28indiscriminadamente, sabe?
22:30Sem distinção de qualquer natureza.
22:32Qual é a memória
22:33que a Iris deixa para a senhora?
22:36Ah, essa menina linda
22:38por dentro e por fora,
22:39contagiante,
22:40onde passava,
22:43prestativa,
22:43levando luz e alegria,
22:46sabe?
22:46Ela mantinha o sorriso
22:48mesmo nas horas, né,
22:49muito tristes.
22:50Então, por isso também
22:51da gente não, né,
22:53acreditar que ela estava sendo,
22:55estava bem, né?
22:56Porque o moço fazia ela
22:57falar isso,
22:58eu acredito, né?
22:59Não sei quem, né,
23:00mas o criminoso,
23:02eu imagino que
23:04fazia ela falar assim, né?
23:06E a gente perguntava
23:08se estava sendo tudo bem,
23:09ah, tudo bem, mamãe,
23:10não, agora não vou
23:11constituir uma família.
23:14Aquela coisa assim, sabe?
23:16Toda esperançosa,
23:17cheia de sonhos,
23:18de planos,
23:20de uma jovem, né,
23:21como outra,
23:23guerreira, sabe,
23:24com muitos méritos,
23:25nossa,
23:26ela estava tão feliz
23:27de estar custando mestrado, né?
23:30Ela falou,
23:30mãe,
23:30depois eu vou prestar
23:31o concurso público,
23:32eu já entro
23:32como diferencial, né?
23:34Porque ela sabe falar,
23:35sabia falar inglês
23:37fluentemente, né?
23:38Já teria o mestrado,
23:40então ela já entraria
23:41com um pouco mais
23:41de oportunidade, né?
23:43Que ela estava vendo
23:44que o mercado também
23:45não é lá, né?
23:46Muito disputado,
23:47mas a gente sente demais,
23:49muita falta dela.
23:51Ela chegou a relatar
23:52para a senhora
23:53essa vontade de ganhar
23:55a neném na Europa,
23:57em Portugal?
23:59Não, ela falava assim,
24:00não passando, né?
24:01Porque às vezes a gente
24:02conversava,
24:02ela falava assim,
24:03mas eu achava
24:03que era brincadeira dela,
24:05sei lá,
24:06ela não falava por quê, né?
24:07Ela não falava por quê,
24:09ela falava só que
24:10queria visitar, entendeu?
24:11Eu falei, não, filho,
24:12agora a barriguinha
24:13está meio grande,
24:14a gente não decidiu isso,
24:15você não falou nada
24:16disso antes, né?
24:17Vamos esperar
24:18a minha nascer, né?
24:19Que vai ter oportunidade,
24:21alguma coisa assim,
24:22mas não falou exatamente,
24:23entendeu?
24:24Ela não explicava
24:24para me poupar,
24:25talvez,
24:26para preservar alguém
24:27ou alguma coisa, né?
24:30Ai, dói muito.
24:32Muitas mulheres fazem isso
24:34para poupar a mãe,
24:35para poupar a família, né?
24:37A mulher sofre silenciosamente,
24:40até porque tinha o outro filho,
24:43e a gente até se pergunta, né?
24:44Como é que fica
24:45essa outra criança
24:46de oito anos?
24:48Como é que ela está?
24:50maravilhoso, maravilhoso,
24:51eu não sei,
24:52eu nem falei com ele
24:52depois do interno,
24:53porque ele está com o pai,
24:54graças a Deus,
24:55ele está ficando com os priminhos, né?
24:58São férias,
24:59escolares, né?
25:00Mas é muita dor,
25:01ele ainda não caiu a ficha, né?
25:03É uma criança de oito anos.
25:05É um processo muito difícil,
25:07mais uma vez,
25:08a gente vê aí, Gisélia,
25:09os órfãos do feminicídio, né?
25:12A gente se pergunta,
25:14até quando?
25:15É, e olha,
25:16um alerta importante, né?
25:17Para a rede de apoio
25:18dessas mulheres,
25:20uma das principais ações
25:22do manipulador
25:23é tirar a base,
25:24a estrutura,
25:25e essa base é a base familiar,
25:26da rede de relacionamentos,
25:28amigo, social, trabalho,
25:30e tira também
25:31uma base importante
25:32que a autoestima da pessoa
25:33é ela mesma,
25:34ela se destrói,
25:35destrói a ponto
25:36de estar num poço
25:37que não consegue sair.
25:38Nesse momento,
25:39é importante os sinais,
25:41porque essa pessoa
25:42não verbaliza,
25:43não, por vergonha,
25:45ou achar que ele vai mudar,
25:46e se fala para uma rede de amigos,
25:48se fala para a família,
25:49qual a primeira ação?
25:50Você vai cascar fora,
25:51você vai se afastar
25:52dessa pessoa,
25:53e como que fica
25:54se ela continuar?
25:55E a vergonha também?
25:56Então, vai até o nível máximo,
25:59ou essa família,
25:59ou esses amigos,
26:00só sabem depois
26:01que acontece algo,
26:02ou já está no nível insuportável,
26:04porque esconde,
26:08fica embrionário
26:08essas informações.
26:09Por isso que é muito importante
26:11essa rede de apoio,
26:12essa rede de amigos,
26:12a família,
26:13investigar sim,
26:14se meter na relação sim,
26:16colocar a colher sim,
26:17como é que está,
26:18o que está acontecendo,
26:19porque essa pessoa,
26:20ela é blindada,
26:22e esse cara fala,
26:23ela é protegida,
26:24e toma muito mais cuidado
26:26se não achar
26:27que essa pessoa está sozinha.
26:28Até porque esse relacionamento,
26:30segundo a própria família,
26:32já tinha ali sinais
26:33de um relacionamento abusivo,
26:35tóxico.
26:36Deixa eu voltar mais uma vez
26:37a falar com a dona Sandra
26:40e a dona Márcia,
26:41elas continuam com a gente
26:42por ligação de vídeo,
26:43para a gente saber,
26:44qual foi a primeira reação
26:45da família
26:47quando a Iris
26:48levou essa notícia
26:50de que ela sofreu
26:52pela primeira vez,
26:53a agressão
26:55do Cleilton,
26:56que é o principal suspeito.
27:01Nós ficamos perplexos,
27:03pedimos a ela
27:03que se afastasse dele
27:05e que não chegasse nem perto,
27:08porque ela estava
27:09correndo perigo.
27:11Ela disse que não iria,
27:13eu pedi a ela muitas vezes,
27:14filha,
27:15não converse com ele sozinha,
27:17não se ele estiver,
27:18né, do lado dela,
27:19alguma coisa.
27:20Falei muitas vezes com ela,
27:22não acreditar nele,
27:23não mãe,
27:23mas ele é bonzinho,
27:25só aconteceu essa vez,
27:26eu falei,
27:26filha,
27:27não pode acontecer
27:28coisa pior,
27:29ele pode bater de novo,
27:30você não,
27:31por favor,
27:32você tem sua mãe,
27:33você tem sua família,
27:34você tem muitos amigos,
27:35você é muito amada,
27:37mas ela acreditava
27:38que aquilo foi
27:38uma coisa
27:41particular,
27:42isolada,
27:43entendeu?
27:44Não sei,
27:45não sei.
27:47Dona Márcia,
27:48primeiramente,
27:49os nossos sentimentos,
27:50nós agradecemos
27:52imensamente
27:52a sua participação,
27:53a confiança
27:54no nosso jornalismo,
27:55a você também,
27:56dona Sandra,
27:57obrigada pela sua participação,
27:59e qual que é a nossa intenção?
28:01É levar o alerta
28:02para as mães,
28:04para as filhas,
28:05para os filhos também,
28:07né,
28:07porque a gente precisa
28:09repensar a forma
28:10que a gente cria
28:11os nossos meninos hoje,
28:13para que eles sejam
28:15protetores,
28:16para que eles sejam
28:17aquela pessoa
28:18que a mulher
28:18sonha em ser,
28:19um grande marido,
28:20um grande filho,
28:22porque só assim
28:23a gente vai conseguir
28:25mudar essa realidade
28:26que, olha,
28:27gente,
28:28nós estamos ainda
28:28em janeiro,
28:29já tivemos três
28:31feminicídios
28:32aqui no nosso estado.
28:33É inadmissível,
28:35é o ápice
28:36da violência
28:37contra a mulher.
28:38Muito obrigada
28:39pela participação
28:40de vocês duas,
28:41viu?
28:41E mais uma vez,
28:42receba o nosso abraço,
28:44tá?
28:44Eu espero um dia
28:44recebê-la aqui
28:45no nosso estúdio,
28:46dona Márcia,
28:47e dar esse abraço
28:48pessoalmente na senhora,
28:49tá?
28:50Uma boa tarde.
28:51Boa tarde,
28:52obrigada.
28:54Lamentável que a gente
28:54esteja mais uma vez
28:55falando da violência
28:56contra a mulher,
28:58tendo aí esse desfecho
29:00que a Iris teve.
29:01O que a gente pede
29:02é que as pessoas
29:02que não puderem
29:05acolher essa mulher,
29:06que não desincentive,
29:09não fala que a mulher
29:10sabe edificar a sua casa,
29:12essas coisas que,
29:13para uma mulher
29:14que já é violentada,
29:15dói muito.
29:17Com certeza.
29:18Gente,
29:18obrigada pela participação
29:19de vocês.
29:20Infelizmente,
29:20o nosso tempo acabou,
29:22mas a gente sabe
29:22que é assunto
29:23para o ano inteiro.
29:24Obrigada.