00:01O Conexão Justiça atendeu o chamado desesperado da dona Tânia, que mora no bairro Campina Grande, em Cariacica.
00:09Por que a senhora já tá chorando?
00:11Eu já tô chorando porque eu já fui mordida hoje.
00:14Aí, ó.
00:18Ela tá precisando de ajuda.
00:20Ela precisa.
00:24Vamos lá conhecer a neta da senhora?
00:27A Ana Cláudia tem 19 anos e é neta da dona Tânia.
00:32A mãe da jovem, filha da dona Tânia, morreu em maio vítima de um câncer.
00:37E a menina só tem a avó agora.
00:41Desde que nasceu, a jovem enfrenta vários problemas de saúde, inclusive mentais, como retardo, esquizofrenia e outros.
00:50Muitas vezes fica descontrolada e agressiva.
00:54Ela morre, ela bate, ela xinga, ela fala que vai levantar e vai quebrar tudo.
00:59E chuta, gente.
01:01Nem mandando ela, chuta.
01:03Olha, gente, a Ana Cláudia tá assim mais tranquila porque a avó deu o remédio que ela precisa tomar.
01:09Mas mesmo assim ela fica agitada quando não tem remédio.
01:12Isso aqui é agressivo, ela bate.
01:14Eu tô aqui hoje, eu tô toda roxa.
01:16Aqui, ó.
01:17Isso aqui foi mordida, mordida, tudo de hoje, ó.
01:19Mordida, mordida.
01:20Não vou pra lá, eu já quei quase quebrei a coluna.
01:24Precisa de ajuda, né? De internação.
01:26Precisa de internação.
01:28Uma situação muito complicada e que fica ainda pior porque a Ana Cláudia precisa urgente do exame videoeletroencefalograma.
01:37O pedido foi feito em maio e com urgência, mas até agora ela não conseguiu realizar o procedimento.
01:44Tem o papel de internação dela, já botei na defensoria.
01:49Tem o papel pra fazer esse exame.
01:52Fisioterapia, botei no posto, até agora nada.
01:55Quer dizer, tá tudo parado, parece que tem uma vontade, sabe?
02:00Não é porque a gente é pobre, não, gente.
02:02A gente tem que conhecer alguém pra me ajudar.
02:07A dona Tânia tava me falando que eles vivem aqui com um salário mínimo do BPC, mais 500 reais que
02:13o esposo recebe.
02:15E aí, como é que paga esse exame?
02:17A senhora tem dinheiro?
02:19Nem o centavo mexeu agora, não acho um real, porque eu não tenho nada.
02:23Eu tenho Deus.
02:24Deus eu tenho.
02:26Agora esse exame é muito caro, gente, eu não tenho condição.
02:32A avó coleciona laudos e receitas médicas da neta.
02:37Nesse monte de documentos, várias internações no Hospital Estadual de Atenção Clínica, o antigo Adalto Botelho.
02:45Ana Cláudia também precisa urgente de tratamento psicológico adequado.
02:51E o direito dela, que ela tem direito, perante a lei, ela tem direito à saúde e tudo.
02:57Já botou na justiça, já entrei, não tive retorno nenhum.
03:00O juiz pede papel, papel, papel, tem tudo ali.
03:06Além dos problemas com a neta, dona Tânia ainda cuida do marido, que teve um AVC há oito meses,
03:13e da irmã, que trata de um câncer.
03:15A dona de casa fica mais aflita, porque sente que está perdendo as forças,
03:21e não sabe o que vai ser da família se ficar doente também.
03:25Estou tendo muita crise de ansiedade, eu fico em trêmula,
03:29meus pés começam a pinicar, minha língua começa a pinicar, meu coração dispara.
03:34Vou ficar doente?
03:35Já, já, já, já, já.
03:39Em um ato de desespero, ela implora por ajuda.
03:43Que tiver amor, que tiver Deus no coração, que tenha fé, que crê em Deus, que ajude.
03:53O Conexão Justiça procurou o núcleo de proteção aos direitos humanos do Ministério Público Estadual.
04:00Na semana que vem, você acompanha o que a coordenadora, a procuradora de justiça, Catarina Cecim Gazelli,
04:07falou sobre o que pode ser feito para ajudar a família da dona Tânia.
04:13E aí