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  • há 2 horas
Quando outubro se aproxima e Belém começa a mudar o ritmo para receber o Círio de Nazaré, uma preparação silenciosa também ganha força dentro de conventos, escolas, comunidades e casas religiosas. Antes de ocupar as ruas, muitas religiosas vivem a festividade a partir da oração, das peregrinações, da acolhida aos fiéis e de atividades de evangelização.
Para a irmã Maria Rejiane da Mata Dias, da Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, o Círio não pode ser resumido a um único dia. A experiência, segundo ela, é construída ao longo de um período de preparação que envolve a vida comunitária e a espiritualidade.

Repórter: Jéssica Nascimento
Imagem: Wagner Santana

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Transcrição
00:00O sírio de Nazaré é uma expressão da nossa fé.
00:02Na verdade, o sírio não é um dia, mas é uma construção.
00:07A gente tem as peregrinações, a preparação do coração,
00:11a ida à basílica em momentos que antecedem o sírio,
00:15e na escola, o momento de preparação também,
00:18a partir daquilo que a gente reza todos os dias nessa espiritualidade mariana.
00:23Primeiro dizer que a nossa congregação teve a graça de uma visita de Maria.
00:27Nossa Senhora das Graças apareceu para uma filha da caridade, em 1830, na França.
00:32Então, para nós, nossos fundadores nos consagraram a Maria como a única mãe da companhia.
00:38E participar das festividades do sírio, dessa experiência de fé,
00:42é confirmar que Maria é mãe da humanidade, é mãe da companhia.
00:46Então, para nós, é de um amor muito grande rezar o terço
00:49e fazer a invocação Nossa Senhora de Nazaré, rogai por nós.
00:53Primeiro, a associação.
00:54Nós renovamos os votos todos os anos na festa da anunciação, 25 de março.
00:59Então, Maria disse sim a Deus.
01:01Com Maria, a gente aprende a dizer sim todos os dias para a nossa missão de servas.
01:05Servas na educação, servas na saúde, nas pastorais, servas na Igreja de Deus.
01:11Nossas casas se abrem para acolher os peregrinos.
01:14Nós temos muitas pessoas que vêm para as nossas casas,
01:16pedem hospedagem para ficar nas nossas casas,
01:19nesse período do sírio mais intenso, mais próximo das festividades,
01:22da quinzena do sírio.
01:24Então, penso que a nossa casa é um local que acolhe e se dispõe a ajudar,
01:29principalmente com a doação de água, que é o que a gente precisa muito nesse período.
01:33Estarmos em Belém é um diferencial muito grande.
01:36A gente se sente parte desse mistério de fé,
01:40dessa atmosfera que Belém vive, do sírio de Nazaré.
01:42Então, as nossas escolas se preparam a partir do momento em que a gente prepara o nosso sírio da escola.
01:48Na sexta, que antecede o sírio de Belém, nós realizamos o sírio aqui no entorno da escola.
01:53Nós saímos com nossos estudantes às sete da manhã,
01:56nós fazemos a caminhada, rezando com eles,
01:59refletindo sobre o tema do sírio de cada ano,
02:02cantando para a Nossa Senhora, é claro.
02:04E nós motivamos para que todos possam participar desse momento bonito de fé
02:08do sírio de Nazaré em Belém do Pará.
02:10Eu tenho uma lembrança do meu primeiro sírio.
02:13Eu era irmã do seminário no ano de 2014,
02:19ou melhor, no ano de 2004, assim que eu entrei no seminário.
02:23Então, meu primeiro ano como irmã do seminário,
02:26quando eu contemplei as famílias indo juntas para o sírio,
02:31todas oferecendo o sacrifício, uma família dizendo para mim,
02:34nós viemos agradecer, não viemos pedir nada,
02:38porque nós somos uma família de fé.
02:40Então, aquilo me chocou, porque a gente pensa que as pessoas vão para o sírio
02:44apenas para pedir um milagre,
02:46mas não para agradecer, porque a sua família é cristã,
02:49a sua família é de fé.
02:51Então, naquele meu primeiro momento como consagrada,
02:54ouvir um testemunho desse para mim chamou muita atenção,
02:56porque tinham crianças, tinham adolescentes nessa família.
02:59Então, é sinal de que eles vão crescer com essa herança de fé e de amor à Maria.
03:03O primeiro sentido é a gente pertencer.
03:05Quando a gente pertence à família Vicentina,
03:08que é o nosso caso, a nossa educação aqui do Catarina Labore,
03:11a gente começa a servir,
03:14porque o Vicentino, ele se dispõe a servir.
03:17E a gente serve na nossa casa,
03:19a gente serve na escola, a gente serve na sociedade.
03:22A gente sempre diz que os alunos que saem do Catarina,
03:25eles nunca devem deixar os pobres.
03:27Os pobres têm que ser bem olhados por eles.
03:29Um médico, um professor,
03:32qualquer tipo de profissão deve dizer,
03:35não, para eles eu sirvo com muita alegria.
03:39Eu não preciso de dinheiro para dizer que eu vou ser um bom profissional.
03:43Eu preciso ter muito amor no coração.
03:45Então, assim, a gente educa e diz que nós temos uma mãe que olha por nós.
03:50E a gente, estamos distantes de Jesus,
03:52ela fica pensando, como que eu posso trazer?
03:54Então, a escola, ela tem essa perspectiva
03:57de ajudar as pessoas a olhar para Jesus.
03:59E quando a gente olha para Jesus,
04:01a gente percebe que ele tem uma boa mãe também olhando por nós.
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