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  • há 13 horas
Conciliar a produção agrícola com a conservação das florestas, ampliar a restauração de áreas degradadas e transformar a preservação ambiental em oportunidades econômicas estão entre os desafios e as possibilidades para o Pará. Em entrevista ao Grupo Liberal, Leonardo Sobral, diretor de Florestas e Restauração do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), destaca o potencial do estado para avançar nessa agenda por meio de incentivos econômicos, do mercado de carbono, da bioeconomia e das concessões florestais para restauração. O especialista também ressalta a importância de valorizar os produtos da floresta em pé e de fortalecer iniciativas que conciliem conservação ambiental, produção sustentável e geração de renda.

* Repórter: Jéssica Nascimento

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Transcrição
00:00Para a gente iniciar essa entrevista, quais são hoje os maiores desafios
00:04para conciliar a produção agrícola com a conservação das florestas
00:08no estado do Pará?
00:11Olha, a primeira grande notícia é que a conciliação da produção agrícola
00:19com a área florestal é totalmente possível.
00:24Hoje, não só no estado do Pará, em toda a Amazônia,
00:28existem áreas produtivas, áreas com aptidão de produção agrícola
00:34e que elas devem cada vez mais implementar as boas práticas produtivas
00:42e aí eu me refiro a boas práticas tanto do ponto de vista ambiental
00:46como do ponto de vista social e ao mesmo tempo mantendo a sua reserva florestal,
00:55mantendo a floresta em pé, sem que haja essa concorrência, vamos dizer,
01:00entre as atividades.
01:01Então, a notícia e é o que o Imaflora também prega aqui em todas as nossas ações
01:08é que é totalmente possível essa conciliação.
01:12Sem dúvida.
01:13Como o Imaflora avalia o ritmo atual das iniciativas de reflorestamento
01:17e restauração na Amazônia?
01:19Estamos avançando no tempo necessário ou ainda não?
01:24Olha, a restauração florestal, o tema de restauração florestal,
01:29ele, no ambiente de pesquisa, ele já é muito consolidado
01:34e nos últimos anos a gente viu um grande interesse do setor privado,
01:40principalmente dado a questão do carbono florestal.
01:43A gente tem que entender que a restauração florestal é uma forma de,
01:47ao mesmo tempo que você planta as árvores, está restaurando a floresta original
01:53e essa, ao crescer as árvores, ela faz o sequestro do carbono,
01:58a remoção do carbono e aí você consegue estabelecer um projeto de carbono
02:03e ter uma remuneração por esse carbono que está sendo retirado da atmosfera.
02:08Então, nos últimos anos, essa atividade vem crescendo bastante,
02:13vem ganhando muita importância no Brasil, no estado do Pará,
02:18sem dúvida também há um crescimento muito grande,
02:20mas como você pergunta do ritmo, tem muito ainda o que se fazer.
02:24O que a gente vem discutindo é que cada vez mais deva ter incentivos econômicos,
02:30além do carbono, outros produtos, seja madeira ou produtos não madeireiros
02:36que possam vir atrelado a essa atividade,
02:39para que essa atividade cada vez mais seja viável,
02:42do ponto de vista econômico mesmo.
02:44Então, ainda tem um longo caminho a ser percorrido,
02:47mas o que a gente vem vendo atualmente
02:50são muitas ações de fortalecimento desse setor
02:54e a gente entende que o estado do Pará tem aptidão para isso.
02:58Tem muitas áreas degradadas que poderiam estar sendo restauradas
03:03e já tem um programa de governo instituído.
03:07Então, acho que tem um ambiente,
03:09eu digo que hoje temos um ambiente favorável
03:12para avançar na agenda de restauração.
03:16Excelente.
03:16E o Ima Flora tem algum projeto que avalia como destaque
03:20ou importância nessa questão do carbono no Pará ou na Amazônia?
03:24Tem algum projeto que chame a atenção?
03:27Sim, a gente tem uma plataforma de monitoramento
03:31chamada Carbon On Track.
03:33Essa plataforma de monitoramento da restauração florestal
03:37que avalia a qualidade da restauração
03:41e, ao mesmo tempo, faz uma avaliação
03:43da quantidade de carbono que está sendo sequestrado.
03:46Então, hoje existem diversas tecnologias
03:50nesse mundo de avanço tecnológico.
03:53Tem muita informação, tem muita novidade.
03:55Por exemplo, a gente fez o monitoramento de uma área
03:58utilizando tecnologia de LiDAR,
04:01que são lasers, né?
04:03Através, embarcado num drone.
04:05Então, isso reduz o tempo de monitoramento em campo, né?
04:10Otimizando essa atividade
04:11e trazendo maior precisão para a quantificação de carbono.
04:15Então, esse é só um exemplo.
04:17Tem outras tecnologias existentes
04:19e a gente vem cada vez mais também avançando nessa atividade.
04:24Muito bacana.
04:25Belém e Pará estão no centro das atenções globais
04:29devido à agenda climática, né?
04:30Principalmente depois da Conferência Mundial do Clima
04:34de Lutas Climáticas, que foi 2009, ano de 2025, aqui.
04:37Como a população local pode se beneficiar diretamente
04:41da chamada bioeconomia?
04:44Olha, Belém, de fato, está no centro da tensão climática, né?
04:51Depois da COP30, eu acho que muitos...
04:54O Belém conseguiu, de fato, fazer uma COP muito bem feita,
04:59no meu ponto de vista,
05:00e eu acho que, a partir daí,
05:03muitos benefícios podem advir disso.
05:07A bioeconomia é um exemplo.
05:09Então, quando a gente fala de bioeconomia,
05:12acho que só para traduzir, né?
05:13A gente está falando de produtos da floresta, né?
05:17Produtos da sociobieconomia,
05:20que vai desde frutos, óleos, sementes.
05:24Então, é uma gama enorme de produtos.
05:27E eu acho que o que a COP trouxe,
05:31um legado importante,
05:32é um olhar também internacional,
05:36que pessoas de vários países estiveram em Belém,
05:41podendo ver a riqueza e valorizar esses produtos,
05:46mas também, eu vou dizer, para a população brasileira,
05:49porque nem o próprio Brasil também conhece essa riqueza
05:53e valoriza esses produtos.
05:56Então, eu acho que nessa perspectiva de valorização do produto,
06:00que é um produto que vai para a culinária, por exemplo, né?
06:03Alguns produtos vão para a culinária,
06:04eu acho que é super importante que eles sejam valorizados e reconhecidos.
06:08Por quê?
06:09Porque quanto mais a gente valoriza produtos da floresta,
06:12mais incentivo a gente está dando para que a floresta permaneça em pé.
06:17Então, quando a gente, cruzando, né?
06:20Conectando um pouco os produtos da sociobieconomia
06:23com a questão climática,
06:25a questão de contenção do desmatamento, é isso.
06:27A gente precisa valorizar a floresta em pé
06:29através de seus produtos
06:31e de seus serviços que são prestados
06:34não só localmente, né?
06:36No estado do Pará, em Belém,
06:38mas para todo mundo, né?
06:40É a regulação do clima que a gente está falando.
06:42Sem dúvida.
06:43Na prática,
06:45de que forma a certificação florestal
06:47ajuda a combater o desmatamento
06:48ilegal na Amazônia?
06:52Olha, a certificação florestal,
06:55ela é uma ferramenta de mercado,
06:57é uma ferramenta que valoriza
07:01produtos que foram produzidos com um nível de consciência,
07:09um nível de produção que leva em consideração
07:13questões ambientais e sociais.
07:16Então, é como se estivesse elevando a régua mesmo da produção.
07:21Esses produtos,
07:22através da certificação,
07:24do selo de um certificado,
07:26eles são mais valorizados pelo mercado.
07:29Então, há exemplos muito claros, né?
07:32Por exemplo, a Europa
07:34é uma região que valoriza muito
07:36produtos certificados
07:37e pagam mais por isso.
07:39E, às vezes, também não é só uma valorização
07:41de aumentar o preço,
07:43mas de abertura de mercado.
07:44Às vezes, alguns produtos que não
07:46são tradicionalmente
07:48absorvidos pelo mercado,
07:50mas pelo fato de ter a certificação
07:53há essa abertura de mercado
07:55e as empresas começam
07:57a inserir novos produtos,
07:59novas espécies nesse mercado.
08:01Então, a certificação,
08:01hoje, ela é um instrumento de mercado
08:04muito importante, assim,
08:05para a valorização dos produtos.
08:07Excelente.
08:08Quais são os principais gargalos, né?
08:10Econômicos ou técnicos
08:12que os produtores enfrentam
08:14na hora de recuperar áreas degradadas?
08:19Olha, a recuperação
08:20de áreas degradadas,
08:21a gente, assim,
08:24obviamente, sabe
08:25que tem um custo elevado, né?
08:29Então, eu acho que a primeira barreira
08:31é de que forma
08:33eu monto um projeto
08:34de recuperação de área degradada
08:36para que eu tenha recursos
08:38advindos dessa atividade
08:41de recuperação
08:42que ajudem
08:43no fluxo de caixa.
08:45Então, assim,
08:46o carbono é um exemplo
08:49mais fácil, assim,
08:50de ser visto, né?
08:51Então, à medida que eu consigo
08:52vender esse carbono
08:54que eu estou fazendo
08:55a recuperação de uma área degradada,
08:57por sua vez,
08:58eu posso estabelecer
08:59um projeto de carbono
09:00e vender esse carbono, né?
09:01Então, o carbono
09:02entra como uma receita importante,
09:06ele não consegue, obviamente,
09:08pagar todo o montante, né?
09:11Do recurso necessário
09:12para fazer a recuperação,
09:13mas ele é uma receita importante.
09:15Outras receitas
09:16através de produtos
09:18gerados através
09:19daquela recuperação também.
09:21Então, se eu estou plantando
09:22uma determinada espécie
09:24que vai produzir
09:25uma semente
09:27ou um óleo essencial,
09:28eu também tenho como receita
09:30e essa equação
09:32de produtos
09:33com carbono,
09:35isso ajuda
09:36na minha visão
09:37a endereçar
09:39essa principal barreira
09:40que é o custo.
09:41Acho que o custo
09:42é a principal barreira.
09:43tem barreiras tecnológicas?
09:45Eu acho que sim,
09:46mas isso,
09:47o Brasil,
09:47a gente vem avançando muito, né?
09:49Então,
09:50tecnologia de produção
09:52de mudas,
09:53de viveiros,
09:55tecnologias de produção mesmo,
09:57como preparar o solo,
09:58como corrigir o solo, etc.
10:00Eu acho que isso,
10:01a gente vem avançando bastante.
10:03Bacana.
10:04Assim,
10:05muito se fala
10:05no mercado de carbono, né?
10:07Às vezes,
10:07poucas pessoas entendem
10:09como funciona
10:09esse mercado de carbono
10:10na prática,
10:11porque são muitos termos,
10:13muitas questões ambientais
10:14também envolvidas nisso.
10:15Se você pudesse explicar
10:17para alguém
10:17que não sabe
10:18o que seria
10:19o mercado de carbono,
10:20e como funciona atualmente
10:22o mercado de carbono
10:23na Amazônia.
10:24Tá.
10:26Olha,
10:26o mercado de carbono,
10:27primeiro,
10:29é importante
10:31salientar o seguinte,
10:32uma floresta
10:33em pé,
10:35toda a cobertura
10:37florestal,
10:38as árvores,
10:39ela tem carbono
10:41estocado.
10:42Tá.
10:43Então,
10:43uma árvore,
10:44ela tem no seu tronco,
10:47nas suas folhas,
10:48toda ali
10:49é carbono estocado.
10:51Uma das formas
10:53de mensurar
10:57esse carbono,
10:58então,
10:58é você
10:59mede todas
11:00aquelas árvores,
11:02né,
11:02e aí,
11:03com isso,
11:04você tem
11:04qual é o estoque
11:05de biomassa,
11:07transformando
11:07essa biomassa
11:08em carbono
11:09e falando,
11:09olha,
11:10então,
11:11em uma área
11:12de um hectare
11:13de floresta,
11:14eu tenho ali
11:15cerca de
11:16300 toneladas
11:18de carbono,
11:19tá,
11:20e à medida
11:20que você evita
11:22que essa floresta
11:24é derrubada,
11:25é desmatada,
11:26eu posso,
11:27através de um projeto,
11:29vender
11:29esse carbono.
11:30Então,
11:30essas 300 toneladas
11:32que foram evitadas
11:33de serem derrubadas,
11:35elas viram
11:36um crédito de carbono
11:37que pode ser comercializado
11:39no mercado
11:39de carbono.
11:41Ao mesmo tempo,
11:42quando eu tô fazendo
11:43uma área degradada,
11:45eu tô fazendo
11:46uma restauração
11:47florestal,
11:48essa restauração,
11:49quando planta as árvores,
11:51ela sequestra
11:52carbono,
11:53e essa quantidade
11:54de carbono
11:54que é sequestrado
11:55também,
11:56é feito todo esse cálculo
11:57pra ver quantos créditos
11:58de carbono
11:59estão sendo
12:00gerados.
12:01Então,
12:02mas pra resumir
12:03de forma simples,
12:04é biomassa,
12:05é floresta em pé,
12:06tem carbono,
12:07floresta que está
12:08em crescimento,
12:09tem carbono,
12:10tô fazendo um recorte
12:11aqui, claro,
12:12mais florestal,
12:13né,
12:13que eu acho
12:14que é o principal,
12:16mas é só pra ter
12:17uma ideia
12:17de como funciona
12:18esse mercado.
12:20Existe algum papel,
12:21né,
12:21das comunidades
12:23tradicionais,
12:23dos povos indígenas,
12:25no sucesso
12:26dos projetos
12:27de restauração
12:28florestal?
12:28Eles têm
12:29alguma participação
12:30nisso?
12:31hoje os projetos
12:33de restauração
12:34florestal
12:34estão começando
12:35a serem
12:37estabelecidos,
12:38seja em territórios
12:39de comunidades
12:40tradicionais,
12:41indígenas
12:42ou assentamentos,
12:43né,
12:43então tem muitos
12:44exemplos de projetos,
12:45por exemplo,
12:46na Transamazônica,
12:48que tem implantado
12:49áreas de sistemas
12:51agroflorestais,
12:52então ao mesmo tempo
12:53que você tem
12:54árvores,
12:55floresta,
12:56você também tem
12:56uma atividade produtiva,
12:57por exemplo,
12:58como o Cacau,
12:59como o Dendê,
13:00então tem sim
13:02as comunidades
13:02começando a se envolver
13:03nesse tipo
13:04de atividade,
13:05e eu acho
13:06que o outro,
13:06talvez até o principal,
13:10são os territórios
13:11de comunidades
13:12tradicionais,
13:13os territórios coletivos,
13:14que têm feito
13:15um papel fundamental
13:16de preservação,
13:17de manutenção
13:18da floresta
13:19em pé, né.
13:21Excelente,
13:22e para finalizar
13:23a nossa entrevista,
13:24existe algum projeto
13:25hoje de destaque
13:26na questão
13:27da restauração
13:28florestal na Amazônia,
13:30ou no Pará,
13:30que o Imaflora
13:31destacaria?
13:33Olha,
13:34o que eu
13:35destacaria
13:36agora
13:36é o momento
13:37onde a restauração
13:39florestal
13:40está entrando
13:41na agenda
13:42das concessões
13:43florestais.
13:44Concessão florestal,
13:46só para esclarecer,
13:47são áreas públicas,
13:48tá,
13:49degradadas,
13:50então seja ali
13:51uma unidade
13:51de conservação,
13:52e que ela pode
13:55ser concedida
13:56para uma empresa
13:57fazer a atividade
13:59de restauração
14:00e essa empresa
14:01ela é remunerada
14:02através da venda
14:03do carbono
14:04dessa restauração.
14:05Então,
14:05essa atividade
14:06de concessões
14:07florestais
14:08para restauração
14:10florestal
14:11é uma novidade
14:12e o Pará
14:13foi pioneiro,
14:15está sendo pioneiro.
14:16A primeira área
14:17concedida
14:18para restauração
14:18florestal
14:19foi feita
14:20pelo Estado
14:20do Pará,
14:21pelo Ideflor Bill
14:22e na região
14:25da Terra do Meio,
14:26São Félix do Xingu,
14:28e agora
14:29o governo federal
14:30também está fazendo
14:31concessão
14:31para restauração
14:32em Rondônia,
14:33então eu entendo
14:34que essa é uma agenda
14:35ainda com bastante
14:36potencial
14:37e eu acho que
14:39é uma dobradinha
14:41que faz todo o sentido.
14:42São concessões
14:43de áreas
14:43que são degradadas
14:44para que seja
14:45feita uma restauração
14:47e aí
14:47no futuro
14:48a gente vai ter floresta
14:49e a gente vai ter produção
14:50dentro dessas áreas.
14:52Excelente, excelente.
14:53Essa foi a nossa entrevista
14:54com Leonardo Sobral,
14:56diretor de florestas
14:57e restauração
14:58do Imaflora,
14:59Instituto de Manejo
15:00de Certificação Florestal
15:01e Agrícola.
15:01Mais uma vez, Leonardo,
15:03obrigada pela sua participação.
15:05Jessica,
15:05eu que agradeço
15:06e a gente fica à disposição.
15:08Obrigada, Gustavo.
15:09E a gente fica à disposição secretary.
15:15hei
15:16Legenda Adriana Zanotto

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