00:00Na temporada de chuvas, você certamente deve ter recebido um aviso no seu telefone da Defesa Civil
00:05com alarme, mensagem ou bip de notificação.
00:09Em Belo Horizonte, já teve vez que ele chegou de madrugada e acordou todo mundo da região metropolitana.
00:14Fizemos este vídeo para entender os diferentes avisos da Defesa Civil.
00:21Para começar, vamos explicar o que são esses alertas que recebemos.
00:25Hoje o Defesa Civil Alerta é um esforço entre município, estado e União.
00:28Os três têm uma gestão compartilhada disso.
00:31E via de regra, não que o estado não possa emitir nem a União, mas via de regra a gente
00:35obedece,
00:36a gente dá um protagonismo ao município, porque o município conhece a realidade,
00:40o mapeamento de risco, as peculiaridades da sua área, muito melhor do que os outros entes federativos.
00:45E aí, nesse caso, ele pode emitir sim para todo município.
00:50Ou ele pode determinar uma área específica para ser emitida.
00:53Então, respondendo a sua pergunta, a gente pode ter sim um alerta extremo apenas para uma comunidade, para uma região.
01:00E a gente pode ter um alerta extremo também para todo município, se o município, assim, julgar que são tantos
01:08pontos de risco,
01:09são tantas as áreas com risco geológico, que é o risco de deslizamento de terra, que geralmente é o que
01:15mais mata,
01:16mas isso também vai estar combinado com diversas enxurradas, inundações.
01:19A gente viu essa semana em Belo Horizonte, a gente tem visto isso em muitos municípios.
01:23A chuva vem forte, ela causa diversos impactos diferentes, muito graves.
01:29Às vezes, numa determinada comunidade vai ter o deslizamento de terra,
01:32mas ao mesmo tempo está acontecendo uma enxurrada, uma inundação em outra comunidade.
01:35Às vezes, no mesmo tempo, está tendo ali uma pessoa que já está ilhada,
01:39então, assim, um monte de coisa acontecendo e pode ser que o município, por precaução,
01:43ele adote uma visão mais ampliada, mas justamente com cuidado de salvar vidas,
01:48para não incorrer no risco e no erro de deixar uma determinada parte desguarnecida do aviso
01:56e está acontecendo alguma coisa lá que a gente ainda não tem a precisão,
02:01mas que vale a cautela para salvar vidas, eu volto a dizer.
02:04Sempre a preocupação com o salvamento de vidas.
02:06Agora que entendemos para que servem os avisos da defesa civil,
02:10vamos detalhar as diferenças entre eles, porque não é tudo igual, não.
02:14A gente tem várias maneiras de comunicar a população e tem várias maneiras da população reagir a isso.
02:20A combinação é que é o sucesso.
02:23Então, por exemplo, a gente tem um alerta que é mais simples, é via SMS,
02:27é o 40199, a pessoa coloca lá o CEP da sua casa e ela passa a receber os avisos e
02:34os alertas da sua residência.
02:36E tem aquele que tocou essa semana, que é o defesa civil alerta, que esse não é na residência, onde
02:43a pessoa está.
02:44Então ela pega o sinal de celular do que a gente chama de uma área que foi atingida,
02:49de uma área que está em risco de um polígono, tecnicamente falando.
02:53E qual que é a grande diferenciação nisso?
02:55Que quando a gente chega no defesa civil alerta, que é isso que não utiliza o telefone temporariamente,
03:00faz ali um barulho um pouco mais forte,
03:02é porque os técnicos locais, é importante a gente dizer que essa autonomia está no município.
03:08A gente obedece aquilo que o técnico local, porque ninguém conhece mais o local do que o gestor municipal.
03:14Quando ele faz essa avaliação e ele comunica isso, e essa avaliação de risco vai mudando.
03:23Ela pode ser grave num momento, mais grave num outro momento.
03:28Então, por isso existe essa diferenciação.
03:31Então a gente vai ter o defesa civil alerta na modalidade severo e no extremo.
03:36Vale ressaltar que os avisos da defesa civil são diferentes dos avisos meteorológicos.
03:41Esses de chuva que estamos acostumados a ver.
03:44Verde, amarelo, laranja e vermelho.
03:46Que inclusive tem um vídeo explicando cada um deles aqui no Pra Entender.
03:49Vou deixar o link na descrição.
03:51Uma coisa é a previsão do tempo.
03:53Então a previsão do tempo vai estar nessa classificação que você falou,
03:56a gente fazendo uma previsão, olha, vai ter uma chuva muito forte,
03:59tem a possibilidade de granizo, isso é previsão do tempo.
04:02O alerta não necessariamente está ligado à previsão do tempo.
04:07Pode estar?
04:07Pode.
04:08Mas ele, via de regra, ele é a partir dos riscos que foram criados.
04:13Então é comum também a pessoa falar assim,
04:16olha, eu estava em casa, já estava chovendo há 10 minutos,
04:19o alerta veio depois de 10 minutos de chuva.
04:23O que tem de errado aí?
04:24Nada.
04:24Porque essa avaliação, a chuva por si só, não é desastre.
04:29A chuva é um fenômeno climático.
04:32Vira desastre quando ela encontra vulnerabilidade.
04:35E aí à medida que isso vai evoluindo, os técnicos vão avaliando.
04:40Falam, olha, o risco está aumentando.
04:41Então se no início da chuva não tinha necessidade de emitir um alerta,
04:44agora passa a ter, porque ela veio num volume com impacto diferente do que a gente pensava.
04:51E também é muito comum, mesmo com a previsão da chuva,
04:55a gente tem impactos diferentes em diferentes pontos da cidade.
04:58A gente esteve lá na zona da mata, em Juiz de Fora a gente teve,
05:03em uma comunidade com a mesma chuva,
05:05com a mesma chuva a gente teve em uma comunidade uma situação de risco
05:08completamente diferente de outra comunidade.
05:11Então veja bem, é uma avaliação que ela precisa ser feita durante o evento
05:16de maneira sistemática e contínua.
05:18Então é o cuidado que o técnico tem de ficar acompanhando ali a evolução
05:22e a partir dessa evolução tomar uma decisão com relação a qual a alerta emitir.
05:28Agora que já entendemos as diferenças entre os alertas,
05:32é importante saber o que fazer quando recebemos cada um deles.
05:35Muitos óbitos nesse período são por medidas que a gente fala banais, bobas.
05:43A pessoa que vê ali é uma enxurrada na rua e ela julga que não tem risco ela atravessar,
05:49mas às vezes tem força suficiente para levar ela para debaixo de um carro,
05:52ela fica presa e morre.
05:53A gente já teve óbito assim no período chuvoso.
05:56Nos dois últimos a gente teve óbito assim.
05:58A pessoa vê lá também, acha que não é nada demais, entra na água para brincar.
06:02O Defesa Civil alerta, ajuda a falar assim, olha, cuidado, preserve a sua vida.
06:08Nesses casos que a gente teve no ano de 2026 e no ano de 2025,
06:14em 2025, um casal que entrou para brincar na água e não voltou,
06:18em 2026, três crianças, duas tinham uma galeria escondida,
06:22duas foram puxadas, uma conseguiu sobreviver.
06:26A gente fala, Jorge, que até água na altura da canela muitas vezes é um risco grande.
06:30Por quê? Porque ela está turva e a pessoa não vê uma armadilha que tem ali,
06:33uma tampa de bueiro que está aberta, a pessoa vai entrar e não vai sair.
06:37Então, assim, às vezes vale o desconforto, a pessoa fica incomodada,
06:41mas é o desconforto do bem.
06:44É compreensível ter o desconforto que as pessoas, e na verdade a ideia é essa,
06:47é para que a pessoa não saia de casa naquele momento, a não ser que seja uma urgência.
06:51Mas, ah, eu quero sair para comprar o pão, para passear, para correr.
06:56Olha, a gente emite um alerta e fala, ó, vale o cuidado agora, vale a cautela,
07:00pense na sua vida primeiro, na vida das pessoas que você ama.
07:03Então existe essa distinção.
07:06E aí esses técnicos que são locais, eles vão avaliando.
07:09Essa semana também a gente teve, numa rua de um bairro em Belo Horizonte,
07:12que teve um deslizamento de terra, a pessoa deu retorno.
07:15Falei, ainda bem que eu não saí de casa naquela hora,
07:17porque se eu tivesse saído, não quer dizer que ela...
07:20É difícil saber prever o que ia acontecer, mas uma certeza nós temos,
07:24que ela não saindo, o pior não aconteceu, nada de grave aconteceu.
07:29Mas olha, é um desconforto que acontece tão poucas vezes no ano,
07:33só naquelas situações que elas são severas e extremas,
07:36e que ajudam a salvar a vida.
07:38Então, assim, vai muito desse trabalho que a gente está fazendo agora,
07:41em conjunto com o Estado de Minas.
07:43De também, da nossa parte, informar com qualidade as pessoas,
07:47mostrar para elas a importância, pedir para elas paciência,
07:51para elas terem compreensão.
07:53Às vezes, o desconforto de acordar para um ao mesmo tempo
07:57estava salvando a vida do outro.
07:58Então, qual é o preço de salvar uma vida?
08:00É o seu sono.
08:01Eu acho que vale a pena.
08:03Para mais vídeos como este, acesse a página do Pré Entender
08:05no site do Estado de Minas.
08:07Até mais!