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Transcrição
00:00Em 1952, uma arqueóloga britânica chamada Kathleen Kenyon
00:06estava escavando num monte de terra no Oriente Médio
00:09quando sua equipe topou com pedras.
00:12Não pedras comuns.
00:14Pedras cortadas, arranjadas em estrutura cilíndrica
00:17que media nove metros de altura.
00:20Uma torre, com escadaria interna intacta,
00:24construída por pessoas que não tinham escrita,
00:26não tinham metal, não haviam inventado a roda ainda
00:30e que a haviam construído há onze mil anos.
00:34Aquela torre, que hoje os arqueólogos chamam de Migdal de Jericó,
00:39é a estrutura de pedra mais antiga já encontrada na história da humanidade.
00:45Ela não é mistério sem explicação.
00:48Tem explicação.
00:49E a explicação começa com água.
00:52A nascente que criou tudo, há uma fonte num vale desértico do Oriente Médio
00:59que jorra água a uma taxa de mais de mil litros por minuto,
01:03sem parar, há pelo menos doze mil anos.
01:08Não depende das chuvas sazonais.
01:10Não seca no verão.
01:11Não congela no inverno.
01:14Emerge direto da rocha calcária,
01:16como se o deserto tivesse decidido contradizer a si mesmo num único ponto.
01:21Essa nascente se chama Ein Sultan.
01:25E ao redor dela, a civilização humana se instalou mais cedo
01:30do que em qualquer outro lugar da Terra.
01:33Jericó fica a 350 metros abaixo do nível do mar,
01:37no Vale do Jordão,
01:39numa região de clima semiárido,
01:41onde a temperatura no verão chega a 45 graus.
01:45Sem a nascente, ninguém jamais viveria ali.
01:49Com a nascente, era impossível não viver ali.
01:52A água constante significava plantio constante.
01:56E plantio constante significava que grupos nômades
01:59que seguiam a chuva e a estação
02:02podiam, naquele ponto específico, parar de andar.
02:05O assentamento ao redor de Ein Sultan
02:08tem evidências de ocupação
02:10desde aproximadamente 10 mil antes de Cristo.
02:13Isso é 2 mil anos antes
02:16que qualquer outra cidade conhecida no mundo
02:18mostre sinais comparáveis de permanência.
02:22Não é apenas a cidade mais antiga.
02:24É a mais antiga por uma margem enorme.
02:27A cidade da Idade da Pedra.
02:30Os primeiros habitantes de Jericó
02:32eram caçadores-coletores
02:34que descobriram que não precisavam mais caçar
02:37para sobreviver se ficassem ao lado da nascente.
02:40A transição para o assentamento permanente,
02:43que os arqueólogos chamam de Revolução Neolítica,
02:47aconteceu em Jericó antes de qualquer lugar.
02:50Por volta de 8 mil antes de Cristo,
02:52havia em torno de Ein Sultan
02:54uma comunidade de talvez 2 mil a 3 mil pessoas.
02:59Um número expressivo para um mundo
03:01onde populações humanas inteiras
03:03eram contadas em dezenas de milhares.
03:07Essa comunidade cultivava trigo e cevada,
03:10domesticava cabras e ovelhas,
03:12armazenava grão em vasilhas de cerâmica
03:15e construía.
03:17A torre que Kathleen Canyon encontrou
03:20não era decorativa.
03:21Era parte de um sistema de defesa.
03:24Uma muralha de pedra cercava o assentamento,
03:27com pelo menos 3 metros de espessura
03:30e altura original,
03:33estimada entre 4 e 5 metros.
03:35A torre ficava encostada à muralha,
03:38com 18 degraus de pedra levando ao topo,
03:41onde vigias podiam observar o vale ao redor.
03:45Isso é perturbador quando você processa o que significa.
03:49Uma comunidade humana que ainda não havia desenvolvido escrita,
03:53que não usava metal,
03:55que não havia domesticado cavalos,
03:57já entendia suficientemente de ameaça coletiva
04:00para construir sistemas defensivos
04:03com engenharia que requer coordenação
04:05de centenas de trabalhadores.
04:08A necessidade de se defender de outros humanos
04:11é tão antiga quanto a necessidade de comer.
04:15Os crânios replasticados
04:19Entre as descobertas mais perturbadoras
04:22que os arqueólogos fizeram
04:23nas camadas mais antigas de Jericó
04:25estão os crânios replasticados.
04:28Os habitantes da cidade,
04:29no sétimo milênio antes de Cristo,
04:32tinham uma prática funerária específica.
04:35Quando alguém morria,
04:37o corpo era enterrado embaixo do chão da casa familiar.
04:40Mas o crânio era separado,
04:43modelado com gesso,
04:45com olhos de conchas inseridos nas órbitas
04:48e mantido na superfície
04:49como objeto de reverência contínua dos ancestrais.
04:54Esses crânios replasticados,
04:56hoje preservados em museus de Jerusalém,
04:59Amã e Londres,
05:01são evidência de que os primeiros habitantes de Jericó
05:04tinham uma cosmologia complexa,
05:06um senso de continuidade entre vivos e mortos
05:10e práticas rituais elaboradas.
05:13Não eram primitivos no sentido de simples.
05:16Eram complexos de formas que a ausência de escrita
05:20tornou difíceis de rastrear.
05:23A cidade que produziu a primeira torre de pedra do mundo
05:26produziu também uma das primeiras evidências de culto
05:30aos ancestrais na história humana.
05:32Milênios de ocupações e destruições.
05:35Entre o Neolítico e o período bíblico,
05:39Jericó foi ocupada, abandonada, destruída,
05:42reconstruída e ocupada novamente inúmeras vezes.
05:46A arqueologia de Tel Sultã,
05:49o monte artificial formado pelo acúmulo de milênios,
05:52de construção sobre construção,
05:55revela camadas que representam culturas completamente diferentes.
05:59A idade do bronze, inicial,
06:01de aproximadamente 3.300 a 2.000 a.C.,
06:06viu Jericó florescer como cidade comercial.
06:09Sua posição no fundo do Vale do Jordão
06:12a tornava ponto de parada obrigatório
06:15para caravanas que cruzavam entre a Transjordânia e Canaã.
06:19O oásis de tâmaras e bálsamos que crescia ao redor da nascente
06:24produzia itens de luxo comercializados por todo o Mediterrâneo.
06:29A idade do bronze médio,
06:31entre 2.000 e 1.500 a.C.,
06:35foi o período de maior sofisticação de Jericó pré-bíblica.
06:39As muralhas eram elaboradas,
06:42com sistema de glacis,
06:43uma superfície inclinada de argila endurecida
06:46que impedia a aproximação de arietes e escadas.
06:50Havia palácio,
06:52templos,
06:53sistema de armazenamento de alimentos.
06:56Jericó era uma cidade-estado próspera
06:58no centro do sistema de comércio do Levante.
07:01E então,
07:02por volta de 1.400 a.C.,
07:06as evidências arqueológicas
07:08mostram destruição abrupta por fogo.
07:10Josué e a queda das muralhas
07:13O relato de Josué sobre a conquista de Jericó,
07:18em Josué, capítulo 6,
07:20é um dos textos mais disputados da arqueologia bíblica.
07:24Kathleen Kenyon,
07:26a mesma arqueóloga que havia descoberto a torre neolítica,
07:30concluiu em suas escavações dos anos 50
07:33que não havia evidência de cidade habitada
07:36no período de aproximadamente 1.400 a.C.,
07:41quando a maioria dos estudiosos
07:43data a conquista de Israel.
07:46Outros arqueólogos,
07:47especialmente Bryant Wood,
07:50nos anos 90,
07:51reanalisaram o mesmo material
07:53e chegaram a conclusões diferentes.
07:56Wood argumenta que a cerâmica encontrada
07:58nas camadas superiores de Tel Sultan
08:01corresponde ao período da Idade do Bronze Tardio,
08:04consistente com a data bíblica,
08:06e que os grãos carbonizados
08:08encontrados nas residências,
08:10evidência de destruição súbita por fogo,
08:13combinam com o relato de Josué, capítulo 6,
08:17versículo 24,
08:19que diz que a cidade foi queimada.
08:21O debate arqueológico
08:23continua sem resolução definitiva,
08:25mas o fato
08:26é que a camada de destruição por fogo existe.
08:31que grãos carbonizados
08:32em quantidades suficientes
08:34para alimentar uma cidade
08:36foram encontrados no nível
08:38que os estudiosos discutem,
08:40e que a estrutura que Josué descreveu
08:43como muralha que caiu por fora,
08:46permitindo que os israelitas subissem,
08:49corresponde a padrões de colapso de muralha
08:51identificados em Tel Sultan,
08:54que são difíceis de explicar
08:56por causas naturais.
08:57Josué, capítulo 6, versículo 26,
09:02registra que após a destruição,
09:04Josué pronunciou maldição
09:06sobre qualquer um
09:08que tentasse reconstruir a cidade.
09:10A fase de abandono
09:12que se segue na arqueologia de Jericó
09:14durando vários séculos
09:16é consistente com essa maldição
09:18sendo conhecida e respeitada.
09:21Eliseu e a cura da nascente.
09:23Primeiro Reis, capítulo 16, versículo 34,
09:29registra o cumprimento da maldição de Josué.
09:32No tempo de Acabe,
09:34um homem chamado Iel de Betel
09:36reconstruiu Jericó.
09:38O custo que pagou
09:39confirmou a profecia antiga.
09:42A cidade que ressurgiu
09:44enfrentou um problema
09:45que a antiga não tinha.
09:47Segundo Reis, capítulo 2,
09:50versículos 19 a 22,
09:52descreve moradores de Jericó
09:55procurando Eliseu,
09:57o profeta sucessor de Elias,
09:59com uma queixa específica.
10:01A água da nascente
10:02havia ficado ruim,
10:04imprópria para consumo,
10:06prejudicando as colheitas.
10:08Eliseu pediu uma vasilha nova
10:11com sal,
10:12jogou o sal nas águas
10:13e declarou que o Senhor
10:15havia curado a nascente.
10:17O texto registra
10:18que ela permaneceu pura
10:20depois disso.
10:21Qualquer visitante
10:23de Jericó hoje
10:24pode beber da água
10:26de En-Sultan,
10:27que continua Jor.
10:28O detalhe do sal
10:29não é irracional
10:31em contexto hidrológico.
10:33Nascentes subterrâneas
10:34em regiões calcárias
10:36às vezes carregam minerais
10:38ou compostos sulfurosos
10:40que as tornam
10:41impróprias para consumo.
10:43A purificação de nascentes
10:45era preocupação real
10:47para comunidades antigas.
10:48O milagre estava
10:50no diagnóstico
10:51e na eficácia imediata,
10:54não em contrariar
10:55princípios hidráulicos.
10:57Herodes e o Palácio de Inverno
11:00Quando Herodes, o Grande,
11:03assumiu o controle da Judéia
11:05como cliente de Roma
11:06a partir de 37 a.C.,
11:10Jericó era cidade próspera,
11:12mas politicamente irrelevante.
11:14O que Herodes enxergou nela
11:17foi algo diferente.
11:18Posição geográfica ideal
11:20e clima.
11:22A 250 metros abaixo
11:24do nível do mar,
11:26Jericó tem verões brutais,
11:28mas invernos a menos
11:29quando o resto da Judéia
11:31está frio.
11:32Para um rei que sofria
11:33de condição de saúde,
11:35que tornava o clima de Jerusalém
11:37especialmente difícil,
11:38nos meses frios,
11:40Jericó era o equivalente
11:42da Riviera Mediterrânea.
11:45Herodes construiu em Jericó
11:47um complexo de palácios de inverno,
11:50à margem do rio Wadichelt,
11:52com piscinas aquecidas,
11:54jardins irrigados,
11:56instalações de banho romanas
11:58e todos os elementos
11:59de arquitetura de luxo
12:01que havia aprendido
12:02a admirar em Roma.
12:04O complexo foi escavado
12:06pelo arqueólogo Ehud Netzer
12:08a partir dos anos 70,
12:10e as fundações revelam
12:12um palácio que competia
12:14em sofisticação
12:15com qualquer coisa
12:17construída em Jerusalém.
12:19Herodes morreu em Jericó,
12:21em 4 a.C.,
12:23após período de enfermidade severa,
12:26descrito por Joséfo
12:27com detalhes que os médicos modernos
12:30associam à insuficiência
12:32renal crônica.
12:33Quando morreu,
12:34seu corpo foi levado
12:35em procissão de Jericó
12:37a Herodião,
12:38onde foi enterrado.
12:41Jesus em Jericó
12:42Os evangelhos mencionam Jericó
12:45em contextos distintos
12:46que revelam aspectos diferentes
12:49do ministério de Jesus.
12:50Lucas 18 e 19
12:52narram dois eventos
12:54que aconteceram em Jericó
12:55ou na estrada
12:56que levava a ela.
12:58Primeiro,
12:59a cura de Bartimeu,
13:01um mendigo cego
13:02que gritou à beira da estrada
13:04quando a procissão de Jesus passou.
13:06Jesus,
13:08filho de Davi,
13:09tem misericórdia de mim.
13:11A multidão tentou calá-lo.
13:13Ele gritou mais alto.
13:15Jesus parou,
13:16chamou-o
13:17e curou-o.
13:19A estrada de Jericó
13:20a Jerusalém,
13:21que sobe 350 metros
13:23em 40 quilômetros,
13:25era uma das rotas
13:26mais movimentadas
13:28da Palestina.
13:29Era por ela
13:30que os peregrinos
13:31subiam para as festas
13:32em Jerusalém.
13:33Era também,
13:35segundo Lucas 10,
13:36o cenário que Jesus
13:37usou para a parábola
13:38do bom samaritano.
13:40Um homem que desce
13:41de Jerusalém
13:42para Jericó,
13:43é assaltado,
13:44é ignorado
13:45por sacerdote
13:46e levita,
13:47e é socorrido
13:48por um samaritano.
13:50A escolha da estrada
13:51não era arbitrária.
13:53Cada pessoa
13:54que ouvia a parábola
13:55havia caminhado
13:56aquela estrada
13:57e podia imaginar
13:58cada cena.
14:00Segundo,
14:01a história de Zaqueu,
14:03chefe dos coletores
14:04de impostos
14:04de Jericó,
14:05que subiu numa
14:06amoreira
14:07para ver Jesus passar.
14:09Jesus o chamou
14:10pelo nome,
14:11foi à sua casa,
14:12e Zaqueu anunciou
14:13que devolveria
14:14quatro vezes
14:15o que havia roubado.
14:17Jericó
14:17era sede
14:18de posto
14:19alfandegário
14:19importante
14:20porque ficava
14:21na rota
14:22entre a Transjordânia
14:23e Jerusalém.
14:25Ser chefe
14:25dos coletores
14:26de impostos
14:27de Jericó
14:27significava
14:29controlar
14:29um fluxo
14:30considerável
14:30de tributos
14:31que Roma
14:32e Herodes Antipas
14:33exigiam
14:34dos comerciantes,
14:36Bizâncio,
14:37Islã
14:37e os cruzados.
14:39Com a expansão
14:41do Império Romano
14:42e depois
14:42do Império Bizantino,
14:44Jericó
14:45manteve
14:45seu status
14:46de cidade
14:46de oásis
14:47com importância
14:48religiosa
14:49crescente.
14:50Monges cristãos
14:51se instalaram
14:52nas grutas
14:53e em costas
14:53do vale ao redor,
14:55criando comunidades
14:56eremíticas
14:57que existem
14:58há mil e seiscentos
14:59anos
14:59em forma variada.
15:01O Mosteiro
15:02de São Jorge
15:03no Wad Kelt,
15:04construído originalmente
15:05no quinto século
15:06depois de Cristo
15:07e parcialmente
15:08restaurado
15:09no século XX,
15:10ainda funciona
15:11hoje como
15:12comunidade monástica
15:13grega ortodoxa,
15:15dentro de uma ravina
15:16impressionante
15:17de arenito vermelho.
15:18A estrutura
15:20que parece impossível,
15:21cravada
15:22na parede da ravina
15:23como andaimes
15:24na rocha viva,
15:25é um dos mais
15:26extraordinários
15:27sítios religiosos
15:29do Oriente Médio.
15:30Em seiscentos
15:31e trinta e seis
15:32depois de Cristo,
15:34os exércitos
15:35islâmicos
15:35que saíam
15:36da Arábia
15:36sob o califado
15:38de Omar
15:38capturaram Jericó
15:40sem resistência
15:41significativa.
15:42A cidade
15:43ficou sob controle
15:45islâmico
15:45com breve interrupção
15:47durante as cruzadas,
15:48quando foi
15:49reconquistada
15:50por cruzados
15:51europeus
15:51e depois
15:52devolvida
15:53ao controle
15:54islâmico
15:54por Saladino
15:55em 1187.
15:58Durante o período
15:59otomano,
16:00que durou
16:00do século
16:01XVI
16:02ao início
16:03do século XX,
16:04Jericó
16:05era a aldeia
16:06pequena
16:06de poucos
16:07milhares
16:07de habitantes,
16:08muito menor
16:09do que havia sido
16:10em seus períodos
16:12de auge.
16:12A população
16:13viveu principalmente
16:14de cultivo
16:15de tâmaras
16:16e cana-de-açúcar,
16:18irrigados
16:18pelas nascentes
16:19que nunca pararam
16:21de jorrar.
16:22Jericó
16:23no século XX
16:24e hoje,
16:25a modernidade
16:26chegou a Jericó
16:27com múltiplas ondas
16:29de transformação
16:30política.
16:31Após a Primeira
16:32Guerra Mundial
16:33e o colapso
16:34do Império
16:34Otomano,
16:35a região
16:36passou ao controle
16:37britânico
16:38sob mandato
16:39da Liga
16:39das Nações.
16:40Com a criação
16:41do Estado
16:42de Israel
16:43em 1948,
16:46Jericó
16:46ficou sob controle
16:47jordaniano,
16:49que a administrou
16:50até 1967,
16:53quando Israel
16:54capturou a Cisjordânia
16:56na Guerra
16:56dos Seis Dias.
16:58Jericó
16:58foi a primeira
16:59cidade a passar
17:00ao controle
17:01da Autoridade
17:02Palestina
17:02em 1994,
17:06como parte
17:06dos Acordos
17:07de Oslo.
17:08Hoje,
17:09é administrada
17:10pela Autoridade
17:11Palestina
17:12e tem população
17:13de cerca
17:13de 20 mil
17:14habitantes,
17:15concentrada
17:16ao redor
17:17da nascente
17:17que há 12 mil
17:19anos nunca
17:20parou de jorrar.
17:21A atração
17:22arqueológica
17:22principal
17:23é Tel Sultan,
17:25o monte
17:26que acumula
17:26as camadas
17:27de todas
17:28as Jericós
17:29que existiram
17:30ao longo
17:30dos milênios.
17:31Os visitantes
17:32podem ver
17:33a base
17:34da torre
17:34neolítica
17:35de 11 mil
17:36anos,
17:36as muralhas
17:37da Idade
17:38do Bronze
17:39e as estruturas
17:40de períodos
17:41posteriores
17:42empilhadas
17:43umas sobre
17:44as outras
17:44como folhas
17:45de um livro
17:46de pedra.
17:47A teleférico
17:48que leva
17:48ao topo
17:49do Monte
17:49da Tentação,
17:50a colina
17:51acima
17:52de Jericó,
17:52onde a tradição
17:53cristã situa
17:54o jejum
17:55de 40 dias
17:56de Jesus,
17:57opera desde
17:58os anos 90
17:59e oferece
18:00vista panorâmica
18:01do Vale
18:02do Jordão
18:02e do Mar
18:03Morto.
18:04E em Sultan
18:05ainda jorra.
18:07Mil litros
18:08de água
18:09por minuto,
18:10como sempre.
18:11O museu
18:11que foi construído
18:12ao redor
18:13da nascente
18:14protege o contexto
18:15arqueológico
18:16ao mesmo tempo
18:17em que permite
18:18que os visitantes
18:19vejam e toquem
18:20a água
18:20que tornou possível
18:22tudo o que aconteceu
18:23nos 12 mil
18:24anos seguintes.
18:26Existe em arqueologia
18:28um conceito
18:29chamado de
18:29sítio estratificado,
18:31um local
18:32onde as camadas
18:33de ocupação humana
18:34estão tão bem
18:35preservadas
18:35que escavar
18:37verticalmente
18:37é literalmente
18:39viajar no tempo.
18:40Tel-Sultan,
18:42o monte
18:43de Jericó,
18:43é o sítio
18:44estratificado
18:45mais profundo
18:46do mundo.
18:47Escavar um metro
18:48não é alcançar
18:49um século
18:50atrás,
18:51é alcançar
18:52talvez
18:52500 anos.
18:54Escavar
18:5520 metros
18:56é alcançar
18:5710 mil anos.
18:58Os crânios
18:59replasticados
19:00dos mortos
19:01que os vivos
19:02mantinham
19:03em casa.
19:03A torre
19:04que vigias
19:05subiam
19:06para ver
19:06os inimigos
19:07chegando.
19:08Os grãos
19:08carbonizados
19:09da última
19:10refeição
19:11antes do fogo.
19:12O mendigo
19:13que gritou
19:14mais alto
19:14que a multidão
19:15que tentou
19:16silenciá-lo.
19:17O coletor
19:18de impostos
19:19na Amoreira.
19:20A nascente
19:21que Eliseu
19:22curou com sal.
19:2312 mil
19:24anos de
19:25história humana
19:26num vale
19:26de 350 metros
19:28abaixo
19:29do nível
19:29do mar.
19:30Todos
19:31gravitando
19:32ao redor
19:32da mesma água
19:33que ainda
19:34jorra no mesmo
19:35ponto,
19:36como se o tempo
19:36inteiro
19:37não houvesse
19:38passado.
19:38A cidade
19:40mais antiga
19:40do mundo
19:41é hoje
19:42uma cidade
19:42comum
19:43de 20 mil
19:44pessoas,
19:45com supermercados
19:46e celulares
19:47e congestionamento
19:48no horário
19:49do almoço.
19:49E a torre
19:50de pedra
19:51que um ser humano
19:52construiu
19:5311 mil
19:53anos antes
19:54da era
19:55cristã
19:55ainda tem
19:56a escadaria
19:57intacta,
19:58esperando
19:59que alguém
19:59decida
20:00subir.
20:00vir.