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  • há 7 minutos
Confira e entrevista com a Psicóloga Haifa Amado e o Tenente Cícero Viana.

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Transcrição
00:00O suicídio, ele pode ser entendido dentro da psicologia como uma resposta a uma dor emocional
00:08intensa, insuportável. É um assunto, um tema debatido, que é bastante pesado, mas ele é necessário.
00:17Então, quando a pessoa tem esse tipo de pensamento, é uma dor invisível que ela sente.
00:24Na verdade, a gente vai procurar fazer o acolhimento dessa pessoa e tentar entender o que está causando angústia
00:33em uma pessoa que está em processo de uma crise suicida. Então, ouvi-la, primeiramente, o que hoje a gente
00:42percebe
00:43que isso é uma defasagem muito grande na sociedade em geral, que a pessoa realmente se ouviu no que ela
00:49quiser falar,
00:50nos seus problemas, nas suas dificuldades. Então, o negociador vai basicamente, primeiramente, para ouvir essa pessoa,
00:57entender o que está causando aquele sofrimento nela e, de antemão, posicionar para essa pessoa algumas soluções
01:07que a gente possa estar auxiliando ela nesse momento mais agudo da crise.
01:16A gente não vai lá para dar opinião ou para dar soluções imediatistas sobre o assunto,
01:24mas se, de repente, a gente consegue, principalmente pela conversa, pelo diálogo, fazer essa pessoa realmente repensar
01:35que alguma coisa não está bem na vida dela, alguma ou várias coisas estão complicadas na vida dela,
01:44mas que, possivelmente, existem outras maneiras de a gente ir solucionando esse problema sem ser o suicídio de fato.
01:53Então, a gente pode pensar que são fatores socioeconômicos e culturais que acabam afetando ou trazendo esse tipo de sentimento,
02:04como hoje também nessa sociedade a gente vive um momento de mídias sociais, fácil informação,
02:13então isso também é um assunto, o suicídio também é fácil.
02:17E a gente vê cada dia mais frequente os jovens, adultos e crianças com sentimentos e não sabendo lidar com
02:25as emoções.
02:26Para esse pensamento mais denso e mais agudo da crise psicológica, realmente a principal solução é a fala,
02:36é você colocar isso para fora e ter uma pessoa, se possível, uma pessoa que já seja habilitada para fazer
02:44essa escuta sua,
02:45para te ouvir, para, de repente, se posicionar de uma maneira mais correta.
02:52Então, tem toda uma rede de psicólogos, de terapeutas e aí tem a parte da psiquiatria também,
02:58que pode prestar um apoio e presta um apoio fundamental para esse tipo de situação.
03:03Mas que é fundamental a gente procurar apoio, procurar ajuda, porque a gente tem uma rede de apoio,
03:08uma rede de ajuda grande no município.
03:10O que a gente tem que ter é essa sensibilidade de poder saber que aquela pessoa está em pleno desespero,
03:18ela está com uma dor tão intensa, insuportável, que ela não consegue externalizar e ela não vê saída naquele momento.
03:26Então, em alguns momentos, na grande maioria das vezes, ela vem sinalizando, é um pouco difícil de identificar,
03:35mas os pais, as pessoas que estão envolvidos, elas podem estar atentas para poder diagnosticar e averiguar isso.
03:45São muitas as pessoas que passam por um transtorno e estão passando por um transtorno psicológico nesse exato momento.
03:52E que o suicídio não é uma solução para esses problemas, em virtude de que ela não vai estar presente
03:59para usufruir dessa solução.
04:01A partir do momento da morte, ela não vai mais estar presente para ver a solução desse problema.
04:07A tristeza é uma emoção que ela nos é necessária.
04:12A tristeza não é a depressão.
04:15A tristeza é quando eu me recolho, eu reflito, eu faço as minhas análises do que me falta, do que
04:23me é fundamental, o essencial.
04:27Agora, a depressão, ela já é patológica, onde eu não vejo saída para aquele sentimento, é uma queda,
04:37onde eu não consigo ver uma luz, uma esperança, é uma desesperança, quando eu não me vejo feliz.
04:44E como a gente está falando de valores em transformação,
04:48Hoje nós vivemos uma influência muito grande das mídias sociais, onde tudo é alegria, todo mundo é feliz.
04:58E quando a pessoa não consegue se sentir dessa forma, ela acaba acreditando que ela não é igual,
05:07ou que não tem uma solução.
05:09E é uma desesperança que vem tomando conta de uma forma onde ela não vê nenhuma saída.
05:16Só desesperança.
05:18E com a possibilidade dela se libertar desse sofrimento, ela busca o ato do suicídio como uma solução para essa
05:29problemática.
05:30Existem outras redes de apoio dentro do município, tem a questão dos psicólogos, das universidades,
05:38que prestam serviço gratuito.
05:41A rede municipal de saúde presta o serviço gratuito de atendimento psicológico.
05:45O CDV, pelo telefone 188, está sempre disponível para atender, para conversar.
05:52Dependendo da fase, sempre o diálogo, não uma forma de julgamento, de compreensão para dar um acolhimento
06:00para essa pessoa, para esse ser humano que está em situação vulnerável e de sofrimento muito grande.
06:06Então, assim, tratamento psiquiátrico, tratamento psicológico, falar mais sobre os CAPS.
06:17É importantíssimo nós estarmos aqui refletindo e repensando sobre essa questão.
06:23O CAPS, que é o Centro de Atenção Psicossocial.
06:26Então, nós estamos com um índice alarmante sobre a questão do suicídio,
06:31que a cada 40 segundos, ao redor do mundo, uma pessoa comete o suicídio.
06:39E a cada 20 segundos, a tentativa de suicídio.
06:43O CAPS, que é o Centro de Atenção Psicossocial.

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