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Psicólogo e defensora pública debatem violência intrafamiliar, que é quando membros da mesma família usam de violência uns contra os outros
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00:00Para a gente bater um papo, estou recebendo aqui no estúdio a defensora da Vara de Família de Vitória, Priscila
00:05Ribório,
00:05e também a psicóloga comportamental, doutora Aline Hessel.
00:10Boa tarde, bem-vindas ao Fala Espírito Santo.
00:13Triste demais a gente ver uma situação, você vê o depoimento, mamãe, minha mãe não ensinou isso para a gente,
00:19nós somos família.
00:21Pois é, Juliana, mas essa é uma triste realidade.
00:24Mais uma vez, boa tarde, esse espaço para a defensoria, é esse o público da defensoria pública, mas que as
00:31pessoas ainda não conhecem.
00:32Então, é por isso que até hoje, coincidentemente, nós estamos lançando uma cartilha que fala justamente sobre a violência contra
00:42a mulher.
00:43Porque essa violência contra a mulher não é só marido e mulher, é preciso deixar bem claro isso, não é
00:48só companheiro contra companheira.
00:50O número de violência contra a mulher, ela acontece justamente dentro do seio familiar, e aí envolve irmão, irmã, primo,
01:00e por aí vai.
01:02Aqui nessa cartilha, estamos até mostrando aqui agora, tem vários, o que vai falando aqui, doutora?
01:07Tipo, vai dizer quais são os tipos de violência psicológicas, vias de fato, como foi falado.
01:13Fala quais são, o que é a atitude que a mulher deve tomar, para onde ela pode ligar, onde ela
01:20pode buscar apoio quando isso acontece, né?
01:23E ela pode ser acessada no site da defensoria.
01:26Pois é, esse caso que a gente mostrou agora, um irmão agredindo a irmã a ponto de quebrar o dente
01:30dela, arrancou parte do cabelo da irmã.
01:33Tá aí, uma se enquadraria?
01:35Se enquadraria, se enquadra completamente.
01:37O que é que acontece? Por isso que foi tão importante a lei Maria da Penha, que às vezes as
01:41pessoas, elas estão banalizando a lei Maria da Penha,
01:45mas ela foi muito importante por causa disso, porque a violência que ocorre no seio familiar, ela é uma violência
01:50mais difícil de ser comprovada.
01:53Tá aí porque não foi possível o flagrante.
01:57Porque o que é que acontece?
01:58Ali, o que é que a irmã deveria ter feito?
02:00Deveria ter chamado a polícia na hora, deveria ter ido fazer exame de corpo de delito, que é uma coisa
02:05muito ruim para a mulher.
02:07Quer dizer, ela tá ali toda, sofreu a violência, tá ensanguentada, tá machucada e ainda tem que se submeter a
02:14um exame, que é um exame invasivo, na polícia.
02:18Pra quê? Isso tudo pra produzir provas, outras coisas.
02:20Outra coisa, os vizinhos, ninguém quer se meter, ninguém vai dizer que presenciou, que viu, que ouviu barulho.
02:25É uma coisa que acontece entre as paredes, né, da casa da pessoa.
02:29Então, geralmente, é difícil testemunha.
02:32Infelizmente, você vê, foram as crianças que presenciaram.
02:35Então, como que ela vai provar?
02:36Né, então fica aquela coisa, ah, é minha palavra contra dele.
02:39É por isso que é tão difícil essa comprovação dessa violência.
02:45Mas nada impede que ela prossiga com o processo, porque com certeza isso tudo vai ser averiguado.
02:52E ela, inclusive, pode pedir uma medida de afastamento em face desse irmão,
02:57pra que esse irmão não se aproxime dela.
02:59E se ele o fizer, ele pode ser preso.
03:02Mas olha, que situação triste, né, você não deixar o seu irmão se aproximar.
03:08A gente acaba se questionando o que que tá acontecendo com as famílias.
03:12Por que tanta violência num lugar que era pra ser exatamente o oposto, né?
03:16Família, a gente imagina que é o quê?
03:18Amor.
03:18É uma relação, claro, que briga, sempre vai ter irmão, vai sempre brigar com a irmã, mas tem um limite,
03:24né?
03:25Exato.
03:26Eu acho que as pessoas precisam ter consciência da educação que é dada às crianças,
03:33às relações, desde a infância.
03:36Então, muitas vezes as pessoas têm uma relação de pais com filhos,
03:41de uma forma agressiva, de uma forma autoritária, de uma forma desrespeitosa,
03:47e depois espera que essa criança, no futuro, seja uma pessoa compreensiva,
03:51seja uma pessoa que saiba dialogar,
03:53sendo que na relação primária, né, de pai e filho, isso não foi estabelecido.
04:00Então, assim, é importante as pessoas terem ciência que colocar limites, colocar regras,
04:05isso tudo é possível com respeito à infância.
04:09Então, a criança cresce num ambiente onde há atrito, onde há briga, essas próprias crianças.
04:15Qual o cuidado que foi tido com elas após essa situação?
04:19De conversar com elas, explicar o que aconteceu, deixar claro que não é essa a forma de se relacionar,
04:24porque elas crescendo nesse ambiente, elas vão reproduzir essa forma de se relacionar, naturalmente.
04:32Então, a responsabilidade dos adultos, dos pais e da sociedade como um todo,
04:38é muito grande para, não só na fala com a criança, em dizer a ela como ela deve agir,
04:44mas nas nossas atitudes, sermos responsáveis pelas nossas ações,
04:49para que isso não só sirva como um modelo para as crianças,
04:54mas, principalmente, assumindo as nossas responsabilidades no meio da sociedade.
04:59Ó, várias participações já aqui pela transmissão ao vivo no Facebook.
05:03Júnior Gótes, até quando vamos ver essa violência dentro de casa?
05:07Cadê o amor ao próximo? Literalmente ao próximo.
05:10Sangue de família, triste demais, exatamente, né, Júlio?
05:14Se na família, dentro de casa, o camarada está fazendo isso, imagina na rua.
05:18É isso que a gente pensa, né?
05:20Porque se tem coragem de bater, de meter o cacete na irmã,
05:23o que ele vai fazer com quem ele mal conhece?
05:25Pois é, e está aí a importância da lei, Maria da Penha, justamente para dar efetividade a isso.
05:31Qual é a primeira sensação que a gente sente?
05:33De impunidade, se a gente, depois de tudo isso que ele fez, ele fica solto.
05:37Então, mas aí tem um problema, Juliana, é importante que ela dê prosseguimento,
05:42que ela não fique com o coração mole.
05:44Ai, meu irmão se arrependeu.
05:46Porque não é a primeira vez, pelo que ela falou.
05:47Pois é.
05:48A Lourdes, Bernadette, está falando exatamente, o agressor foi solto.
05:51E quando ele voltar para agredir e matar alguém, quem responde por isso?
05:55Como pode soltar uma pessoa perigosa?
05:58A Lorena Mandelli falando, meu Deus, mas que triste, que falta de respeito.
06:01Se ele faz isso com a própria irmã, é exatamente o que eu disse agora.
06:04Imagina o que não faria com outras pessoas.
06:07Mas aí precisa da atitude dela.
06:09A gente não sabe, às vezes ela está magoada, está ferida e não vai até lá.
06:15É isso que acontece muito nas relações de família.
06:17E é importante dizer isso para as pessoas.
06:20Vocês precisam buscar informação.
06:22Vai até...
06:23A defensoria está aí justamente para isso, para informar quais são os seus direitos.
06:26Às vezes as pessoas não conhecem os seus direitos.
06:28E para dizer qual é a forma que tem para poder punir.
06:33Agora, a Amanda Soares fala assim,
06:35poxa, a mulher estava com a cara toda machucada, a boca machucada, quebrou o dente e não tem provas?
06:41Pois é.
06:41Na verdade, tem provas.
06:43Mas aí a gente precisa perguntar o seguinte, ela foi depor contra o irmão ou não?
06:48Entendeu?
06:49Porque o que acontece muito nesse seio familiar é que, apesar de acontecer tudo isso,
06:54às vezes a pessoa não quer denunciar o irmão, não quer ir realmente até o final da acusação.
07:00Ou começa e depois termina...
07:03Começa e não dá prosseguimento.
07:04A gente vê muito, muito isso.
07:06As pessoas que vão e aí acabam estimulados.
07:09Não, você tem que fazer isso, vamos lá, você precisa reagir.
07:13Aí ela vai e reage, mas aí depois fica com medo.
07:16Essa violência doméstica, ela é muito complicada.
07:19Porque é uma violência que ao mesmo tempo envolve uma moça.
07:22E ela falou, não foi essa educação que minha mãe deu.
07:25Então, isso aí é muito complicado entre o seio familiar.
07:28Mas é preciso dizer, precisa-se sim tomar uma atitude.
07:33Precisa buscar a defensoria, a delegacia das mulheres.
07:37Precisa fazer exame de corpo de delito.
07:39Precisa que as pessoas, que os vizinhos tenham coragem de denunciar.
07:43Entendeu?
07:43Não precisa revelar quem você é.
07:46Segredo de justiça.
07:47Pode ir lá, pode denunciar.
07:49Não vai ter problema da pessoa.
07:51Mas assim, existe uma, é uma cadeia de medo.
07:54É o medo do vizinho que não quer se meter.
07:56É o medo do outro familiar, porque também é familiar.
08:00Entendeu?
08:00É aquela coisa da gente, ah, deixa disso, deixa pra lá e por aí vai.
08:05E ó, a gente vai acompanhar agora mais um caso de violência em família.
08:09Olha só isso, gente.
08:10Um homem invadiu o comércio dos pais e agrediu a própria mãe.
08:14Segundo a polícia, ele queria obrigar a mãe a dar dinheiro pra ele.
08:18Tudo aconteceu dentro do estabelecimento da família.
08:22Por volta das cinco e meia da tarde, o rapaz chegou ao local pedindo dinheiro.
08:27Testemunhas contaram que ele estava bastante alterado.
08:30Agressivo, exigia que a mãe desse a quantia a todo custo.
08:33Como ela negou, o filho passou a xingá-la.
08:36Depois, agrediu a mãe, uma mulher de 58 anos.
08:40Com medo, a mulher saiu da padaria e pegou uma madeira.
08:43De acordo com a polícia, a mãe chegou a dar uma paulada no filho.
08:47Mesmo assim, ele continuava a partir pra cima dela.
08:50Foi aí que a polícia foi acionada.
08:53Quando os policiais chegaram, o homem ainda estava agressivo.
08:56Foi preciso o uso de força para que ele acatasse a ordem de prisão.
09:00Depois de contido, ele foi levado pra regional de Cariacica.
09:04Testemunhas disseram que o rapaz é usuário de drogas e já teria tentado agredir a mãe outras vezes.
09:12E olha, nós entramos em contato com a polícia civil pra saber se o homem foi autuado e encaminhado ao
09:18presídio.
09:19Mas a polícia informou que não encontrou nenhuma ocorrência desse tipo na delegacia regional de Cariacica.
09:25Bem, a gente segue aqui esperando se tem a ocorrência registrada.
09:28Mas tá aí, olha.
09:29Não foi a primeira vez que o filho partiu pra cima da mãe.
09:33Pois é, e aí é isso.
09:35Qual é a mãe?
09:36Muitas, muitas mães.
09:38Eu já presenciei várias, e principalmente no seio familiar, quando vão pra vara de família, pra um divórcio ou pra
09:45uma coisa.
09:46Quantos filhos agridem as mães, principalmente por causa de droga, pra pedir dinheiro, estão desempregados.
09:52E as mães, infelizmente, passam a mão na cabeça, não querem denunciar, têm vergonha de mostrar que na família tá
10:00acontecendo esse tipo de problema.
10:02Então, é uma violência que ela traz diversas consequências, então as pessoas não tomam atitude.
10:08Mas é difícil, né, doutora, também pra uma mãe, assim, né?
10:11Porque o filho, né, tem essa relação e esse cuidado que a mãe quer ter, mas ele tá passando dos
10:19limites, extrapolando qualquer compreensão, né?
10:22Com certeza.
10:23Pensando na violência dentro do seio familiar, é algo que vai além da própria agressão.
10:29Nós estamos falando de relações onde tem um vínculo afetivo, emocional, psicológico, muito forte, muito intenso,
10:38diferente de um estranho na rua que, com até uma certa facilidade, pode-se ter essa denúncia, né?
10:44Então, mais do que um aporte jurídico, seria muito importante também o apoio emocional pra essas famílias,
10:51pra essas mães, pra esses filhos, pra essas crianças, de uma maneira geral.
10:55Seria muito importante que, junto com o apoio e com a orientação jurídica,
11:00viesse também pra essas famílias, psicólogos, assistentes sociais,
11:04que pudessem orientar essa família do que pode ser feito, como que elas podem agir nessas situações.
11:10E, claro, acolher o sentimento, o conflito emocional que muitas vezes existe diante dessas situações.
11:16E, ó, a gente tá com participações aqui na nossa transmissão.
11:20A Graziele Varnelos aqui tá falando.
11:23Essas pessoas malvadas são falta de amor, muito triste.
11:27Mas o amor tá esfriando pelo próximo, ela diz aqui.
11:31A Fabiane aqui também participando.
11:33Eu moro em cima da casa da minha irmã e eu não converso, não falo com ela.
11:38A gente já brigou muito e hoje não nos falamos mais.
11:41Mas ela se acha uma pessoa valente, melhor do que todo mundo e eu não sou assim.
11:47Tá vendo?
11:48Irmãs que moram uma em cima da outra, ou seja, praticamente o mesmo imóvel, né?
11:52Que é uma casa muito comum as famílias, né?
11:54Terem isso.
11:54Você fica com a parte de baixo, com a parte de cima e não se falam.
11:58Veja, isso eu acho que é um exemplo muito importante.
12:01Porque vivemos hoje numa sociedade onde as escolas investem num conteúdo, num conhecimento tecnológico.
12:09Uma série de informações extremamente úteis e importantes e muitas vezes as habilidades sociais,
12:15a comunicação, o como se expressar, não é priorizado como algo importante a ser colocado.
12:22Isso vem mudando, né?
12:23Hoje, por exemplo, a base curricular nas escolas coloca a importância da educação socioemocional.
12:29Então, a gente precisa, desde criança, trabalhar e ensinar como expressar os meus sentimentos,
12:37o que eu posso sentir e como eu posso expressar.
12:39Então, ela pode não gostar da irmã, ela pode não gostar das atitudes da irmã,
12:43mas isso não dá o direito a ninguém de demonstrar isso de forma agressiva.
12:48Então, isso foi negligenciado durante muitos anos, durante toda essa geração adulta que está aqui hoje,
12:55como algo desnecessário, o cuidado das emoções, né?
12:58E a gente está sofrendo as consequências disso, sim, porque hoje as pessoas não têm habilidades
13:03para lidar com as suas próprias emoções, principalmente as negativas.
13:07Vamos mostrar aí a prova?
13:08A gente vai relembrar agora, porque já aqui na TV Vitória a gente já mostrou vários casos
13:12dessa violência familiar.
13:14Tem a história de um neto que foi preso e depois solto por agredir o avô e ameaçá-lo de
13:19morte.
13:20O senhor Edson tem 64 anos e conta como a briga com o neto começou.
13:27Batei uma cara em cima do canto, porque todo mundo sabe que ali é uma rede de água.
13:32Aí ele desceu me xingando.
13:33Aí desceu, arrancou o portão.
13:36O cunhado que pregou, estava no chão aí.
13:39Ele arrancou o portão, jogou no chão.
13:41Ia quebrar a caixa de energia ali com o chadão.
13:44Foram muitas agressões verbais.
13:47Eu vou matar, eu vou ser um velho vagabundo, um crente safado, porque eu sou um cristão.
13:52Ser um crente safado, porque você não é homem.
13:53Mas rapaz, mas fala tanta coisa, tanta coisa.
13:56No meio da confusão, o avô machucou o pé.
13:59O neto de 23 anos foi contido por familiares.
14:02Ele gostou de machucar a gente, a gente tentava tirar o corpo fora e segurando ele ao mesmo tempo.
14:06Porque se a gente não segurasse ele, ele falou que ia matar mesmo.
14:10Segundo a família, o jovem usou esse pedaço de madeira.
14:13E ia até essa cavadeira para agredir.
14:15Ele havia ameaçado matar o avô e colocar fogo na casa.
14:20Ele falou que ia vender a moto por 6 mil e comprar uma pistola.
14:23Para me matar, de qualquer maneira.
14:25De matar eu e matar todo mundo da minha família.
14:27Avô e neto foram para a delegacia de Cariacica.
14:30O rapaz ficou detido.
14:32Mas, de acordo com os parentes, ele já está solto.
14:35Para mim foi um pesadelo.
14:37E eu nunca me desafio dessa maneira.
14:39Um neto, eu esperava de qualquer um estranho fazer comigo.
14:41E agora, família, não.
14:46Triste, né?
14:47Isso é muito comum.
14:48Mostramos aqui dados, essa violência.
14:49No caso, o avô, ele está bem, está andando.
14:51Agora, a gente vê isso também acontecer com idosos que já estão mais acamados,
14:55que já estão até impossibilitados de ter uma reação.
14:57Pois é, e é importante a gente dizer o que esse avô pode fazer.
15:00Então, o que esse avô pode fazer?
15:02O neto não foi solto?
15:03Vai na delegacia, faz uma denúncia pedindo uma medida protetiva para que esse neto não se aproxime.
15:11Porque se esse neto começar a rondar ali a casa dele, ele já pode acionar a polícia e ele já
15:16vai preso.
15:17Porque está descumprindo a medida de proteção contra o idoso.
15:21Então, isso ele pode fazer.
15:22Outra coisa, a gente vê muitos idosos que, infelizmente, dependem dos filhos financeiramente.
15:28Então, são agredidos e ficam com medo de denunciar e perder aquele sustento.
15:32O que é que eles podem fazer?
15:35Denuncia sim, pede uma medida de afastamento desse filho, dessa filha.
15:40E lá na defensoria, a gente pode ajuizar uma ação de alimentos e os pais que estão idosos podem sim
15:47pedir pensão para os filhos.
15:49Não é só os filhos que podem pedir para os pais.
15:51Então, esse pai, essa mãe idosa, ele pode vir buscar um auxílio da defensoria para a gente entrar com uma
15:57ação de alimentos contra esses filhos.
15:58E aí, poder prover o sustento sem precisar continuar com essa agressão.
16:03Que isso acontece muito, porque justamente não tem como se manter.
16:07E aí, acaba deixando para lá, achando que é normal.
16:10Ai, meu filho já cuida de mim, já paga minhas contas.
16:13Então, acaba deixando para lá, perdoando.
16:16E é isso que acontece.
16:17Muito e muitas vezes, né?
16:19E esse eu acho que é um trabalho importante que vocês estão fazendo aqui, em divulgar essas informações.
16:25Infelizmente, boa parte da população não tem conhecimento dos seus direitos, do que pode ser feito, quais são as reais
16:31consequências.
16:32Então, programas, atitudes, divulgação, projetos são fundamentais para a população ter o tipo de informação.
16:41E, em contrapartida, fazer valer o seu direito.
16:44Então, se a pessoa não for denunciar, se a pessoa não for até a polícia, se a pessoa não tomar
16:48uma atitude diante daquilo que ela está sofrendo,
16:51os órgãos competentes não vão ter como agir de uma forma eficiente.
16:56A Ananias está aqui da Vila falando o seguinte.
16:59Enquanto punirem agressores com medida protetiva para a vítima, não intimidará ninguém.
17:05A gente sempre vê um questionamento dessas medidas protetivas, porque a pessoa tem lá a medida protetiva e ainda assim
17:11é agredida.
17:11O que acontece? Eu vou chegar num ponto importante.
17:16Você ter a medida protetiva, é claro que nós não temos um sistema que faça com que a pessoa fique
17:22100% monitorada pela polícia
17:25ou que realmente se sinta protegida.
17:28A realidade da situação da sociedade em si é complicada para você conseguir manter isso.
17:35Mas o problema maior é que, às vezes, a pessoa recebe uma medida protetiva da justiça
17:40e ela não dá prosseguimento a isso aí.
17:45Ela não vai lá saber como é que está o processo, informar que continua a ameaça,
17:53procurar a defensoria para dar prosseguimento àquilo ali.
17:56E, às vezes, o processo acaba morrendo porque a pessoa se muda,
18:00porque a pessoa muda de telefone, a gente não consegue achar a pessoa
18:03e aquela medida protetiva acaba caindo.
18:05porque a medida protetiva é o seguinte, Juliana, deixa eu falar bem claro para as pessoas.
18:11Ela é... o juiz determina que você fique afastado da pessoa, vamos supor, 300 metros
18:18ou não possa se aproximar, não possa frequentar a mesma casa e tal.
18:22Aí você está com a medida protetiva contra a sua irmã, vai você e sua irmã para a casa da
18:26sua mãe.
18:28Sua irmã não está descobrindo a medida protetiva, é você que tem que procurar também se manter afastada.
18:34Então, quando acontecem essas coisas familiares, acontece muito isso.
18:37Por exemplo, a gente, às vezes, lá na defensoria, tem a mulher que está com medida protetiva em face do
18:42homem
18:42porque tem medo que ele mate ela, mas vão os dois para a defensoria para ser atendido juntos.
18:47Aí a gente já fala...
18:48Então, é importante falar o seguinte, a gente tem que tomar essa medida protetiva como uma coisa muito séria.
18:56E aí, por exemplo, esse avô aí, o que é que vai acontecer?
19:00Se, quando esse neto começar a rondar, ele não tiver essa medida protetiva e ele não buscar essa ajuda,
19:05o que é que vai acontecer?
19:06Ele vai ter que acabar se mudando, ele vai ter que ir embora do lugar dele
19:10porque se esse neto realmente quiser matá-lo, vai matá-lo.
19:14Ó, tô vendo aqui pela transmissão, ainda isso acontece.
19:17Tô vendo aqui como é comum isso, esses conflitos familiares.
19:21Tem muita gente mandando depoimento, participando aqui da nossa transmissão.
19:25A Nelly Charilli falando, Ju, minha irmã não fala com quase toda a nossa família.
19:30A Alexandra Anjos tá aqui contando, a minha enteada apanhou do marido dela e mais duas meninas ajudaram a bater
19:36nela.
19:36Os familiares não querem se meter, né?
19:39Houve aí uma separação e aí um não aceita o outro.
19:43E é importante, Juliana, que as mulheres saibam o seguinte.
19:46Se elas não tiverem pra onde ir, a defensoria, nós temos um núcleo que é junto com o governo do
19:53Estado
19:54que a gente encaminha, existe uma casa de acolhimento que o endereço é totalmente sigiloso
20:00e que a mulher pode ir pra lá com seus filhos até conseguir se restabelecer
20:05se ela tiver medo mesmo do agressor.
20:07Porque, às vezes, nem a medida protetiva de fato funciona.
20:12Nós, inclusive, temos...
20:13Nós somos o maior número de mulheres com botão do pânico, infelizmente, é o nosso estado do Espírito Santo.
20:19Que existe...
20:20Inclusive, o botão do pânico foi criado aqui.
20:23Mas só que a polícia não consegue dar vazão a tudo isso, ela não consegue fazer essa efetiva proteção.
20:29Então, se a mulher está ameaçada de fato e ela tem certeza ou ela acredita que o agressor pode, de
20:36fato, matá-la,
20:38infelizmente, ela vai ter que mudar a vida dela.
20:40Ela vai ter que mudar de emprego, ela vai ter que, infelizmente, porque é...
20:44Pra escapar dessa violência.
20:46Pra poder escapar, né?
20:47A gente falou aqui da relação de violência com os idosos.
20:50Tem comentários aqui, Letícia Pimenta falando, muitos filhos abandonam os idosos
20:54pra não terem como, e ela bota estorvo àquela ocupação de sair, de levar, de cuidar.
21:00Tem uma telespectadora aqui também pelo Face, pediu pra eu não identificá-la.
21:04Ela disse o seguinte, minha avó deu moradia pros filhos.
21:07Dois deles moram na casa que é dela, não pagam água nem luz, e às vezes ainda querem que ela
21:13dê a comida pra todos eles.
21:16Sem contar algumas palavras que ferem o coração dela.
21:20O que fazer nesse caso aí é que ela tá pedindo uma ajuda.
21:24Pois é, então aí vai ter que convencer essa avó, né, a buscar a defensoria pra gente, primeiro,
21:32tentar com que esses filhos saiam da casa.
21:36Agora, se a avó, porque aquela coisa assim, do cuidado, de zelo, de ser mãe, de ser mãe duas vezes,
21:42né, que a avó é,
21:43ela não tem coragem.
21:45Ela, enquanto neta, pode ir lá na defensoria e falar, ó, tá acontecendo isso lá com minha avó.
21:49É, mas aí a avó pode falar que não tá acontecendo.
21:52Na verdade, o que eu preciso deixar claro é que a avó pode expulsar essa galera da casa dela.
21:56Vou deixar bem claro, assim, ela pode pedir que os netos têm que sair da casa dela.
22:02A casa dela, se eles são maiores de idade, ela não tem obrigação nenhuma, isso não vai dar problema nenhum
22:07pra ela.
22:08E se ela não conseguir tirá-los de lá por bem, ela vai na defensoria, que a juíza vai pedir
22:13que eles, vai determinar que eles saiam da casa dela.
22:18Só que pra ela, que ela possa viver em paz na casa dela.
22:21Só que, provavelmente, ela não vai querer isso.
22:24E aí é o ciclo vicioso.
22:27E aí é onde partem as agressões.
22:29E, infelizmente, é por isso que as pessoas precisam lutar pelos seus direitos, precisam acreditar, não podem aceitar as coisas
22:37dessa forma, entendeu?
22:39Infelizmente, sabe aquela, aquela, que a gente tinha aquela acreditado?
22:42Paris, Matheus, você que falou.
22:44Falou sobre isso.
22:45Então, olha só, a avó, você já criou seus filhos, entendeu agora seus netos, deu educação, é maior de idade?
22:53O mundo tá aí.
22:55Não pode aceitar esse tipo de agressão.
22:57Dentro da própria casa, em lugar nenhum, né, gente?
22:59Vamos falar bem.
23:00Pois é, essa neta, ela pode, num primeiro momento, ir na defensoria, pra gente poder orientá-la, pra ver como
23:05ela pode conversar com a avó,
23:07tentar levar a avó lá, pra gente conversar e explicar que não vai ser nada demais, não vai acontecer nada
23:12com os netos dela,
23:13o máximo que vai acontecer é eles saírem da casa dela.
23:16Seguir a vida, né?
23:16Pra poder viver em paz.
23:17Olha, queria agradecer muito a presença de vocês aqui, obrigada pelo bate-papo, pelas orientações e uma ótima semana.
23:24A cartilha tá disponível no site da Defensoria.