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Índice de isolamento social e população da terceira idade são alguns dos novos critérios adotados pelo governo capixaba para elaborar o mapa de risco do novo coronavírus
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00:00Então, vamos falar um pouquinho do que o senhor estava explicando para a gente, pontuando essas ações do novo mapa
00:04de risco,
00:05umas alterações que foram feitas. O senhor destacou índice de isolamento social, que a gente já falou que não está
00:11ideal aqui no Estado,
00:13tem a taxa de letalidade também, que é levada em consideração, não é isso, doutor?
00:18É, tem a taxa de letalidade, a taxa de letalidade é a diferença da quantidade de mortos com a quantidade
00:25de confirmados, certo?
00:27Então, é importante ser inserido também na matriz de risco, mas já vista que há uma, para provocar um pouco
00:36mais no município,
00:37na atenção por dia primária, que efetivamente sejam testados, realmente, as pessoas que devam ser testadas.
00:44E a porcentagem da população, se muito 60 anos, é porque o grupo de risco, já previsto em todas as
00:53orientações dos órgãos de saúde,
00:57mundiais, do Brasil e locais, é nesse sentido. Então, baseado nessa preocupação, o governo do Estado inseriu esses três elementos,
01:06no sentido até de buscar, efetivamente, co-participação, co-responsabilidade na atuação disso tudo.
01:13Porque se a comunidade, de forma geral, ela se cuidar mais, ela respeitar o isolamento,
01:21ela efetivamente, aquele município vai ter um índice de isolamento mais alto,
01:27ele vai ter uma quantidade de contaminados mais baixa,
01:31e aí, dessa forma, o município pode evitar de entrar no risco alto ou extremo,
01:38no qual, no risco alto, já tem uma série de restrições,
01:42e no extremo, são aquelas restrições extremas, como já foi bem destacado por você aqui.
01:50Então, você quer, na prática, assim, esse mapa de risco,
01:54ele é para determinar medidas que possam ser adotadas em cada município.
01:59Ele começa a dividir as medidas por município, de acordo com a situação que ele está vivendo.
02:04A gente tem aqui, mostrando hoje, que Vitória passou a ser a cidade.
02:08Com mais casos, então, está aí uma observação para ficar acompanhando esses três itens que o senhor citou agora.
02:15Moradores, pessoas acima de 60 anos, a taxa de letalidade,
02:19e também o índice de isolamento, dando aqui o exemplo da capital,
02:23para ver, olha, vão precisar mudar as medidas que estão sendo adotadas, vamos manter.
02:28É por aí, Serquia?
02:30É por aí, realmente, essa matriz de risco, ela faz uma composição entre ameaça e vulnerabilidade.
02:36No fator ameaça, nós temos o coeficiente de incidência que já tínhamos,
02:40mas esses três elementos, taxa de letalidade, índice de isolamento e porcentagem da população dos últimos 60 anos.
02:47Então, se o poder local, se a comunidade, de forma geral, ela respeitar essas regras todas,
02:53obviamente, que o coeficiente de incidência, ele não vai crescer na velocidade do crescimento de incidência do Estado,
02:59a taxa de letalidade vai diminuir, o índice de isolamento vai aumentar, certo?
03:04E há uma possibilidade, há uma chance de que esse município não adentre no risco alto e extremo,
03:12que ocasiona uma série de limitações para a população, de forma geral, e o comércio.
03:15E essas limitações que o senhor se refere, seria fechar mesmo, parar tudo, só ficar o que é extremamente essencial?
03:24É o risco extremo, né?
03:25No risco extremo, é o lockdown ou isolamento ou a restrição total,
03:32na qual só os serviços essenciais, realmente, saúde, abastecimento, o serviço de segurança, ele vai ficar aberto.
03:40Então, assim, realmente, esse trânsito da sociedade, ele fica muito mais limitado.
03:48Não se pode sair de casa, realmente, tem uma série de restrições, certo?
03:52Então, assim, é uma situação que não é boa para ninguém, nem para o Estado, nem para a população.
03:59Então, por isso que todo mundo tem que agir de forma participativa, colaborando, para que o Estado não chegue nessa
04:05situação.
04:06Exatamente o que a gente não quer ver, né, doutora Flamena?
04:08É, uma coisa importante que as pessoas não levam em conta é o que é fechar tudo.
04:14Porque fechar tudo, na verdade, é ficar somente o que é absolutamente essencial e você poder sofrer penalidades, não só
04:22aconselhamento.
04:24Porque dentro do fecha tudo, você começa, pode até começar inicialmente aconselhando,
04:30mas depois você vai solicitar as pessoas que comprovem que aquilo que elas estão dizendo, que estão fazendo, é verdade.
04:36Então, é muito importante que as pessoas entendam isso.
04:39A restrição é muito maior.
04:41As pessoas vão ter realmente que se conscientizar que se elas não tiverem um bom motivo para sair e não
04:46souberem explicar por que estão saindo,
04:49elas podem ser obrigadas a voltar para as suas casas e, eventualmente, até pagarem multas.
04:56Até serem punidas por não estarem dentro de casa, né?
04:59Exatamente.
04:59Sem comprovar que, olha, eu estou saindo porque eu trabalho na saúde e eu estou indo.
05:03Não, eu estou saindo porque eu vou para a farmácia, que é onde eu trabalho, né?
05:06É, agora é muito importante que as pessoas percebam por que a gente chega nessa necessidade.
05:13As pessoas não entenderam ainda que a velocidade de expansão desse vírus, ela é muito rápida.
05:17Sempre que o R0, que é aquela taxa de transmissibilidade que a gente chama de quanto uma pessoa pode contagiar
05:25a outra, é superior a 1, ela é muito ruim.
05:28Quando ela eleva mais do que isso, ela se torna bem difícil de você conseguir conter a progressão dessa doença.
05:35Então, a gente tem que entender que a única coisa que faz esse R0, essa taxa de reprodutibilidade baixar, é
05:42o isolamento social.
05:44Infelizmente. A gente não tem vacina, a gente não tem medicamentos eficazes e o que precisa é baixar essa taxa
05:51de reprodutibilidade para não sobrecarregar de uma vez só o sistema de saúde.
05:56E olha, está aí o governo dando um panorama dessa situação, destacando também a importância do isolamento e o reflexo
06:03disso também na saúde pública, né?
06:05Certamente. As pessoas, às vezes, se perguntam por que não tem mais leito de hospital de campanha, mas a Secretaria
06:15de Saúde, ela está bem atenta a isso e está utilizando leitos subutilizados que já tem os equipamentos necessários.
06:22Mas o que eu gostaria de alertar é que não são só leitos. Os médicos, os enfermeiros, todas as equipes
06:31de saúde, elas estão adoecendo. Por quê?
06:33Porque quanto maior o número de pessoas para você cuidar, menos tempo você tem para se desparamentar.
06:40E a gente sabe que na hora da retirada dos equipamentos, isso é extremamente possível a contaminação se a pessoa
06:48não fizer adequadamente, chegando ao ponto de terem profissionais de saúde que não comem na quantidade que deveriam, não bebem
06:56água na quantidade que deveriam.
06:57E algumas cidades onde a situação está muito crítica, no kit dos médicos, tem fralda descartável, para evitar que as
07:07pessoas tenham necessidade de utilizar o banheiro, porque eles precisam se desparamentar e se reparamentar.
07:12Então, se a pessoa imaginar a velocidade que eu preciso para fazer isso, quanto mais profissionais que se contaminem sejam
07:19afastados, mais dificuldade a gente vai ter.
07:23E não adianta ter só leito, precisa ter gente capacitada para fazer o trabalho.
07:27Então, a gente tem que entender que a gente que está se negligenciando nisso, eventualmente, vai precisar, eventualmente, de um
07:36leito dessa capacidade.
07:37Então, por que eu estou dando trabalho a Deus?
07:40As pessoas dizem, Deus tome conta, mas Deus não precisa tomar conta das coisas que a gente faz errado.
07:45Ou seja, doutora Floreana, para a gente esclarecer, é estar em casa para evitar que você precise de uma unidade
07:51hospitalar,
07:52para evitar que também você passe essa doença por uma pessoa que pode se agravar, como a gente tem visto
07:58aí os grupos de risco,
07:59que são as pessoas acima dos 60 anos, quem tem problemas de coração, quem tem problemas pulmonares também, gestantes.
08:07E olha, a gente tem uma pergunta aqui, várias perguntas chegando.
08:10A Fabiola Freitas está falando o seguinte, meu filho é cardíaco, tem uma transposição de grandes vasos, 4 anos de
08:16idade.
08:16A consulta dele com o cardiologista foi cancelada.
08:19Ele corre risco de ficar sem essa consulta, porque ele faz um acompanhamento a cada 6 meses e seria agora
08:25em abril.
08:26Ela pergunta, o que fazer?
08:28Olha, normalmente a gente tem alertado para que essa redução de atendimentos que sejam necessários,
08:36principalmente nesse sentido, ela é prejudicial, porque se tiver necessidade de ajuste das doses
08:43para que a criança se mantenha compensada, é importante que isso seja feito.
08:48Então, eu acho que ela deve insistir, entrar em contato novamente,
08:52porque um paciente cardiopata que tenha suas medicações não atualizadas, ele pode isso compensar.
08:58Então, ela deve insistir, verificar qual foi o motivo de ter sido suspensa a consulta,
09:04porque esses pacientes, dependendo da necessidade, eles têm realmente problema com ajuste de doses.
09:10Eu lido muito com criança cardiopata com síndrome de Down, e às vezes eles demoram muito a fazer a consulta,
09:16e às vezes o ajuste da medicação modifica a situação e coloca insuficiência cardíaca,
09:21muitas vezes com a necessidade de internação.
09:23Então, vale voltar a fazer o contato bom com o consultório, né?
09:26Para remarcar também essa consulta.
09:30A Ranielle Vasconcelos.
09:31Juliana, eu precisei ir em Laranjeiras comprar uma medicação, está uma loucura.
09:36Tem muita gente na rua, sem necessidade, entrando e saindo de lojas, só para olhar,
09:41ninguém está levando a sério.
09:43Serqueira, como é que tem sido aí o trabalho até de conscientização que o Corpo de Bombeiros vem fazendo,
09:48em parceria com o governo e prefeituras por todo o Estado?
09:51Esse é um desafio da fiscalização.
09:53A gente tem procurado fazer essa fiscalização de forma intensa, de segunda a segunda.
09:59Essa fiscalização é baseada, a gente tem um mapa de prioridade de bairros,
10:03que é baseado na incidência dos bairros e nas denúncias que o Observatório da Secretaria de Segurança tem.
10:09Então, a gente faz uma justaposição dessas duas informações e dali nasce o mapa de prioridade de cada município.
10:17Mas, de fato, a gente tem observado que tem acontecido isso, embora as pessoas tenham utilizado máscaras realmente,
10:25a gente vê na rua, nos ônibus, mas pessoas que saem de casa à toa, sem destino definido,
10:31eu vou em tal lugar, vou comprar isso e vou voltar para casa.
10:34É para ficar passeando, ficar vendo, quer ficar vendo?
10:36Entra no site da loja, fica vendo, observa o que quer comprar, vê o preço, vai direto, faz a compra
10:41e retorna.
10:42Assim, simples assim, de forma bastante objetiva.
10:47É chato, é chato ficar em casa, né?
10:50Ficar muito tempo em casa, claro que é, mas é um momento que a gente está vivendo
10:54que a gente tem que buscar, buscar respeitar, entender que isso pode ser ruim para a gente,
10:59pode ser ruim para alguém da nossa família, né?
11:02Euzi Moura falou, pessoal, tem quatro meses que eu estou em Portugal.
11:06Aqui, o povo tem sido bem consciente, respeitando as normas, o contrário, né?
11:12Do que a gente vem acontecendo.
11:14Obrigada, Euzi, pela sua participação.
11:16Um beijo para você aí, falando direto de Portugal, com a gente aqui pela transmissão no Facebook, tá?
11:22Nathalia Andrade, Ju, estou com um pouquinho de falta de ar desde o dia 9,
11:25mas tenho medo de ir ao médico e piorar a situação.
11:28Não saio de casa, só meu marido que sai para trabalhar.
11:31Será que eu tenho que procurar um médico mesmo assim, doutora Flamena?
11:34Imediatamente. Todas as vezes que a pessoa tem a percepção da falta de ar, isso é fundamental.
11:40Se ela está em casa há quatro meses e só está fazendo as coisas habituais,
11:44ela precisa procurar uma assistência de saúde.
11:48Quando a pessoa tem sintomas gripais, ou mesmo que não perceba, por exemplo,
11:52às vezes as pessoas ficam esperando ter febre.
11:55Não é todo mundo que tem febre.
11:57Na verdade, nesse inquérito que a gente avaliou, menos de 30% das pessoas tinham febre.
12:02Então, a febre, além dela ser às vezes difícil de perceber para algumas pessoas,
12:07e elas não costumam usar termômetro, às vezes tem outros sintomas que passam como doença banal,
12:12como uma obstrução nasal, uma coriza, uma dor na garganta, mas a falta de ar, ela pode ser até ansiedade.
12:20Mas é importante que a pessoa procure, verifique se a saturação de oxigênio está boa,
12:25isso é muito fácil, coloca o aparelhinho no dedinho.
12:27A gente tem até acostumado, eu tenho em casa, tenho estimulado minha família a ter,
12:33principalmente que tem mais pessoas com idade superior a 60,
12:36então a gente tem estimulado as pessoas que sabem, é simples manejar, mas nem todo mundo tem.
12:42Então, essa pessoa precisa procurar assistência médica o mais rápido possível,
12:46não deve ficar em casa.
12:47Falava-se, olha, só vai se você tiver com uma situação mais grave, uma falta de ar,
12:51ou tiver com esse quadro, né, essa febre repetida, os sintomas também que são da gripe,
12:56mas mais acentuados agora, isso mudou, doutora?
13:00É, a nossa preocupação, quer dizer, a preocupação do doutor Nézio, principalmente,
13:05partiu do que a gente encontrou no inquérito sorológico,
13:08que mostrou que pessoas com mais vários sintomas juntos,
13:13alguns que poderiam denotar gravidade como falta de ar,
13:18elas poucas, em relação às que foram diagnosticadas, tinham procurado um serviço de saúde.
13:23A preocupação dele é que as pessoas, como essa senhora que perguntou agora,
13:28eu estou com falta de ar, eu preciso ir ao médico?
13:30Algumas pessoas não reconheciam a falta de ar e não reconheciam que tinham um sinal de gravidade.
13:37É muito interessante porque, como as pessoas sabem que a gente está estudando bastante isso,
13:42é muito comum as pessoas me ligarem, olha, minha família está assim, assim, assim.
13:47Aí eu faço todas as perguntas.
13:49Às vezes, as pessoas têm dificuldade de reconhecer.
13:51Então, como as pessoas têm dificuldade de reconhecer e nem todo tem um oxímetro
13:55para fazer em casa, no dedinho, a saturação de oxigênio,
14:00é difícil, às vezes, da gente ter certeza de que muitas pessoas que não estão,
14:04que estão chegando graves no hospital, não poderiam ter sido socorridas
14:08numa fase mais precoce, que talvez tivesse sido um investimento
14:12para ela não necessitar ir direto numa situação crítica para a UTI com o risco de morrer.
14:17Ou seja, a hora que busca a ajuda já se agravou o quadro de saúde, né, doutor?
14:22A nossa preocupação é mais com as pessoas que têm dificuldade de perceber.
14:26Isso é muito comum em homem e é muito comum nas pessoas que não têm consultas regulares com o médico,
14:33não têm uma empatia estabelecida entre ele e o médico que cuida,
14:39que se transforma num vínculo, essa relação.
14:42Então, o fato de você olhar cara a cara para um paciente,
14:46mesmo que seja feita uma estratégia até a consulta visual com o meio de eletrônico,
14:54tipo tela...
14:55Essa telemedina que a gente vem falando bastante nesse momento.
14:58Existe a possibilidade da pessoa ser bem avaliada, mas nem sempre vai ser avaliada da melhor maneira.
15:05Quer dizer, a gente tem que trabalhar em várias frentes.
15:07Existe até a possibilidade, mais para frente, de se entender que a visita domiciliar das pessoas
15:13que tinham sintomas, ligaram para o 156 e foi reconhecido, pode ser também uma estratégia
15:19que as pessoas reconheçam que pode ajudar.
15:22Então, tem o sistema de saúde, tem a possibilidade de fazer rastreamento com busca ativa,
15:29que a gente chama, mas com a possibilidade de ser visto por um médico,
15:33realmente cataloga a pessoa naquela necessidade de acompanhamento.
15:37A gente está recebendo participações, dúvidas aqui, doutora Filomena.
15:40Ana Paula Simman, moradora de Itaparica, Vila Velha.
15:43Dor de garganta e dor de cabeça antes de dormir, podem ser sintomas da Covid-19?
15:52Se for só antes de dormir, não necessariamente, mas nesse momento, qualquer pessoa com dor de
15:58garganta, com obstrução nasal, com cefaleia, que é a dor de cabeça, dor no corpo, mesmo
16:04que não tenha percebido nenhuma tosse importante, vale a pena ficar alerta para ver se não encontra.
16:11Tem muita gente que usa diagnóstico pela internet para procurar sintoma, mas as pessoas agora
16:16estão sendo econômicas, elas não estão procurando muito, elas ficam pensando, ah, não,
16:20não, eu não sei se isso é negação, que as pessoas têm atitudes negacionistas, não,
16:26isso não pode acontecer comigo.
16:27Nesse momento, a gente quer que as pessoas prestem atenção.
16:31Tem pessoas que estão sendo diagnosticadas com RT-PCR positivo, cujo único sintoma era
16:35dor nas pernas.
16:36O RT-PCR positivo é com o...
16:38É do genoma.
16:39O Covid, né?
16:40É do Covid que você faz com o suave no nariz.
16:43Que é aquele tipo um cotonete grande que coloca no nariz.
16:47Ó, tem mais dúvidas.
16:48Carlinhos e Cipriano, crianças podem estar no grupo de risco?
16:51E aí a Nígela Silva vem aqui abaixo e fala.
16:53A partir de quantos anos a criança entra no grupo de risco, doutora Flamengo?
16:57É, na verdade, quando a gente fala em criança de uma maneira geral, a gente se preocupa mais
17:01com aquelas abaixo de um ano, principalmente aquelas muito novinhas, porque tem doenças que
17:07parecem com o Covid, como bronquiolite e outras doenças que deterioram a criança muito rápido.
17:14Então, crianças abaixo de um ano, principalmente aquelas abaixo de três meses, a gente deve
17:18ficar atento e eu acho que nesse momento expor essas crianças, principalmente as que estão
17:23abaixo de três meses, é de fundamental importância que as pessoas não exponham.
17:28Que elas realmente só saiam com a criança se for estritamente necessário e entendam que
17:34o cuidador da criança tem que ser uma pessoa que não esteja se expondo.
17:38Então, se é uma pessoa que tem um cuidador, que sai, vai cuidar de várias pessoas ou sai
17:45para fazer compra, não é o momento de se fazer isso, porque às vezes a mãe que teve
17:50o bebê, ela não tem só ela, muitas vezes por algum problema de saúde, possibilidade
17:55de cuidar sozinha do bebê.
17:57E às vezes ela entrega essa criança a um cuidador que está saindo, está andando
18:02de coletivo, está se expondo e expõe a criança dela também.
18:07Então, a criança muito novinha, a gente fica preocupado realmente, porque pode pegar
18:12outros tipos de vírus que tenham sintomatologia parecida e a gente acha que é assim, mesmo
18:18se considerando que as crianças têm possibilidade de serem assintomáticas, os bebês a gente deve
18:23olhar com muito mais atenção.
18:24Com cuidado, né?
18:26Cerqueiro, a Nelly Charille está falando aqui na nossa transmissão.
18:29Ju, nos ônibus ainda tem aquelas pessoas que não utilizam máscaras.
18:33Isso está proibido aqui no Estado, né?
18:35É proibido.
18:36De fato, o transporte público deve ser utilizando máscaras.
18:44Inclusive, a gente está intensificando a fiscalização e tem feito fiscalizações nos terminais,
18:48mas a gente pretende, a partir da semana que vem, avançar na fiscalização, de fato,
18:52nos ônibus.
18:53Dentro dos coletivos também?
18:55Exatamente.
18:56Dentro dos coletivos, nos pontos de ônibus, a gente pretende avançar também, obviamente,
19:03de forma aleatória, para a gente ter certeza e realmente fiscalizar, já visto que o transporte
19:10público é um ambiente, uma fonte de interação, de transmissão.
19:17Então, assim, as pessoas têm que, de fato, utilizar essa barreira para tentar mitigar
19:22o efeito dessa transmissão.
19:23E como é que funcionam essas fiscalizações?
19:26Tem uma abordagem na população?
19:28É uma conversa?
19:29É uma orientação?
19:31Como a gente não está no lockdown, o município está no risco alto, não há uma proibição,
19:38de fato, da pessoa, do cidadão transitar.
19:41Então, é feita uma abordagem.
19:44O agente uniformizado, seja do município ou do Estado, ele se aproxima e aborda aqueles
19:52grupos e solicita que a pessoa utilize máscaras ou que ela se desfaça daquela aglomeração.
19:58Em geral, Juliana, a população, ela é educada, ela é consciente, ela obedece essas orientações.
20:07Da mesma forma, no comércio, o comércio foi aberto agora, dia par, diarinha, por horário,
20:14tem uma série de dúvidas e as abordagens, em geral, elas esclarecem essas dúvidas também.
20:20Em algumas situações, obviamente, a abordagem é mais rigorosa, com aplicação de notificações,
20:27de multos ou até de intervenções, ou até de interdições.
20:30Mas a gente tem visto aí o Estado seguindo, tanto as empresas, o comércio, seguindo, em sua maioria,
20:37as determinações aqui do governo do Estado.
20:40Nós temos um relatório semanal sobre o resultado das fiscalizações, tanto a nível estadual,
20:47como essa fiscalização mais intensa aqui na Grande Vitória, onde se localiza realmente,
20:53de forma mais concentrada, a quantidade de casos.
20:57E a gente realmente observa, assim, um avanço no cumprimento das medidas,
21:03tanto pelo poder local, quanto também pela comunidade.
21:06E, como eu falei já, lamentavelmente, pequenos grupos não cumprem essas medidas
21:13e a fiscalização também vai ficando mais avançada.
21:17Ela começa a ser uma fiscalização mais rigorosa,
21:20que realmente passa a agir com um pouco mais de rigor, no sentido de realmente aplicar a multa,
21:25no sentido realmente de fazer intervenção mais robusta, né?
21:30Assim, é no sentido de evitar realmente que a gente entre numa situação tão dolorosa
21:38como outros países entraram e outros Estados estão entrando.
21:41e, graças a Deus, o Espírito Santo ainda está passando por essa situação de forma menos dolorosa.
21:47Graças às medidas já adotadas desde o início do mês de março,
21:51é importante essa colaboração de todos.
21:53Olha, está aí mais uma mudança, sendo informada pelo governo,
21:57essa transferência de pacientes de acordo com a necessidade, doutora Filomeno.
22:01Agora, a gente fica imaginando a situação da família, né?
22:03A angústia de você ter o seu ente que está internado e, de repente, olha, ele está em outro hospital,
22:08longe.
22:10É, isso é uma coisa complexa.
22:12Eu enfrentei um familiar doente, é tenso.
22:17É bem complicado, doutora Filomeno, ficar até emocionada de lembrar.
22:21Serqueira, já se imaginou viver uma situação como essa?
22:24Alguém muito próximo, está internado no hospital e aí precisar de uma transferência?
22:29Já começa pelo fato do familiar não poder visitar essa pessoa.
22:33É, porque quando está internado por coronavírus, não tem visita na UTI, né?
22:38Ninguém, a gente não pode chegar.
22:40Já começa por aí, né?
22:41Assim, você não poder ver o seu ente familiar e quem está internado também não poder ter aquele acolhimento da
22:47família.
22:48E essa transferência, assim, obviamente não é o que a saúde, o que o Estado quer,
22:54mas é o que se propõe, o que está posto, dada essa quantidade de pandemia aqui no Estado.
23:02Pois é, e aí o que acontece?
23:04A explicação do governo do Estado é que essa transferência é um processo natural pela necessidade,
23:10porque se não tem vaga nos hospitais, na região onde a pessoa mora,
23:15não vai deixar de atender se tem uma vaga num outro hospital.
23:19Então, está aí essa transferência, né?
23:21É importante, é importante, porque quando eu tenho um paciente em situação crítica,
23:27necessitando de cuidados de CTI, eu transferir um paciente desse para um lugar que fica a uma hora ou mais
23:34de distância,
23:36tem uma situação de gravidade muito mais intensa.
23:39Então, eu corro o risco desse paciente morrer no trajeto ou chegar e não ter o tempo de ser atendido
23:46da maneira devida.
23:47Quando você tem um paciente que já melhorou, é diferente, ele saiu do cuidado crítico,
23:54iria para uma enfermaria, vai ceder o leito para uma pessoa que está necessitando naquele momento, naquele local.
24:02Então, é uma coisa lógica que você transfira um paciente em melhor condição do que você correr o risco de
24:08transferir um paciente.
24:10Primeiro, uma fase de altíssima transmissão, muitas vezes, porque eles chegam graves, às vezes, em fase ainda transmitindo.
24:18Então, existe a possibilidade da equipe se infectar no trajeto.
24:23Quando você transfere um paciente crítico, você tira uma pessoa que lida com o cuidado do paciente mais grave
24:29e ele vai ter que contar com o tempo de ida e o tempo de volta, retirando essa pessoa do
24:35cuidado especializado,
24:37porque ela está transportando uma pessoa.
24:40Então, quando você transfere um paciente que já saiu da fase crítica, isso é mais humano e mais adequado,
24:47porque mesmo que eu gaste o tempo, não necessita ser uma pessoa que presta cuidado intensivo e que faça essa
24:53transferência.
24:53Vamos citar agora o exemplo da Suécia, até ouvir a doutora Filomena e Serqueira também do Corpo de Bombeiros,
25:00porque não houve isolamento social e está aí a Suécia descontando na quantidade de casos.
25:06Isso é muito interessante, porque os governantes entenderam que só a consciência das pessoas,
25:12que lá é um país altamente elevado em termos de nível de IDH, se você pensar em termos de nível
25:18socioeconômico,
25:19as pessoas têm muita instrução e eles contaram com a participação das pessoas nessa possibilidade de decidir pelo isolamento.
25:28Isso já não tinha funcionado na Inglaterra, já não tinha funcionado em vários lugares, como houve em Milão, na Itália,
25:36que o prefeito, inclusive, depois pediu desculpas, pediu perdão à população por não ter entendido
25:42que esse momento não era de deixar as coisas rolarem da maneira que gostariam.
25:46E é muito triste, porque dentro do bloco de países semelhantes em termos de condições à Suécia,
25:53pela Suécia ter tomado esse tipo de atitude inicialmente, disparou o número de mortes em relação à quantidade que ocorreu
26:00nos outros países,
26:01porque eles entenderam que não era uma coisa que valeria a pena fazer.
26:07E é muito triste, porque isso é citado por governantes como se fosse uma estratégia a ser cumprida,
26:12como a gente vê que não foi isso que aconteceu.
26:15Então, as pessoas citam a Suécia muitas vezes como um exemplo bom e a gente sabe que não é.
26:21Não é, a gente está vendo os números, né?
26:24Não precisava ter morrido tanta gente por morte que poderia ter sido evitada se houvesse o simples distanciamento social
26:32e o cumprimento de regras que são perfeitamente cumpridas por qualquer pessoa que tenha entendimento da situação.
26:38Pois é, e é exatamente a recomendação contrária.
26:41No Espírito Santo, em a maior parte do Brasil, a determinação dos governos é que as pessoas se mantenham em
26:48casa.
26:48Aqui no Espírito Santo é essa determinação e vem se destacando a importância desse distanciamento, né, Sergira?
26:55É verdade.
26:56É importante destacar que a gente está vivendo, o mundo todo está vivendo um desastre.
27:03Essa pandemia é um desastre, existe o Código Brasileiro de Desastre, inclusive está classificado lá,
27:09que é um desastre natural, biológico, por epidemia, por vírus.
27:13E nessa gestão do desastre, que é uma situação crítica, o momento e como essa calibragem que se adota aos
27:21mídias é fundamental.
27:22A doutora Flamengo se positou aqui no caso da Itália, né, assim, Milão não para.
27:28E mais à frente o governador local teve que pedir desculpas.
27:35A Espanha também aconteceu da mesma forma.
27:38Reino Unido também, eles fizeram isso.
27:41Olha, não, vamos deixar a população toda se infectar para criar os anticorpos e aí a gente passa.
27:46E a gente vê...
27:47Não deu certo, né, voltaram atrás.
27:48E a gente vê outros países como Portugal, Alça, Noruega, Finlândia, com uma baixa taxa de mortalidade.
27:54É importante destacar, por exemplo, aqui no Espírito Santo, por exemplo, o primeiro caso foi dia 5 de março.
28:00Dia 3 de março, criada a sala de situação, decretado o Estado de Emergência de Saúde Pública.
28:0416 e 17 de março, os decretos com relação à proibição das aulas, à suspensão das aulas,
28:11evitação de locais com aglomeração de eventos, shows e congressos.
28:16Dia 18, o comércio.
28:18E a primeira morte se deu dia 1º de abril.
28:20Nos Estados Unidos, a primeira morte foi dia 1º de março, dia 13 de março foi decretado o estado de
28:27emergência específico do país
28:29e só dia 16 de março as restrições.
28:33Então, assim, a gente vê uma diferença de um mês.
28:36E, assim, esse manejo da gestão no momento certo, na calibragem certa, faz toda a diferença nas próximas semanas e
28:46próximos meses.
28:46Então, assim, a Suécia, pelo meu ponto de vista, teve uma liderança equivocada, teve um manejo equivocado na gestão desse
28:54desastre.
28:55Os seus pares, os seus vizinhos, com 100 mortes, 80 mortes, 120 mortes, e a Suécia com 10 vezes mais
29:02a quantidade de mortes.
29:04Realmente é lamentável.
29:06É triste, mas é com os exemplos que a gente vai aprendendo e que a gente consiga seguir aqui no
29:10Espírito Santo.
29:11Claro que já tivemos aí, olha quantas mortes, muitas pessoas, infelizmente, morreram.
29:16Aqui no nosso estado, já foram 346 óbitos, um número no país também que vem crescendo.
29:23Mas a gente segue aqui com as medidas e atualizando também as determinações.
29:27Jôsica Serqueira aqui falando sobre esse mapa de risco, algumas alterações.
29:31Eu agradeço muito a sua presença aqui.
29:33Eu sei que já tem mais entrevista agora, então obrigada, viu, Coronel, pela sua participação aqui e pelas orientações passadas.
29:40Hoje eu recebo aqui no estúdio a médica doutora Filomena Alencar, que está tirando aqui um pouco das nossas dúvidas
29:45sobre essa doença,
29:47que vem aí há alguns meses que a gente vem lidando com ela, mas ainda assim a gente tem dúvidas,
29:53né, doutora Filomena?
29:54Porque é uma doença muito nova.
29:56É, na verdade é a gente mesmo que está aprendendo com ela, né?
30:00Ou seja, os próprios médicos, né?
30:02É, porque quando é uma doença que já tem todo um quadro estabelecido, que todo mundo conhece, sabe exatamente o
30:09que vai fazer,
30:10tem uma conduta preparada ou tem uma vacina, é fácil da gente orientar.
30:14Mas essa doença trouxe para a gente coisas muito diferentes para estudar todo dia.
30:21E a velocidade dos artigos é tanta que até o comprometimento do nível de informação que se presta,
30:28porque não dá tempo dos revisores fazerem uma revisão muito apurada.
30:32E é importante quando as pessoas trazem algum comunicado que vá ser importante no dia a dia da gente,
30:38que a gente pode observar e não ter correlacionado com a doença e ser a doença.
30:43E estar, né, ligada, né?
30:44Exatamente.
30:45A Simone Bonomo pergunta aqui, Júlio, me tira uma dúvida, os fumantes também correm risco?
30:50Olha, o fumante, ele corre um risco muito de se infectar.
30:54Primeiro, porque a mão está, o dedo está no cigarro, o cigarro às vezes é colocado no cinzeiro ou numa
31:01mesa
31:02e a pessoa leva o dedo próximo à boca e a gente sabe que a entrada do vírus é pelas
31:08mucosas da boca, do nariz e dos olhos.
31:11Então, corre risco nesse sentido de se infectar com maior possibilidade.
31:15E é uma coisa interessante, eu tenho observado que boa parte das pessoas que não cumprem o uso da máscara
31:21adequadamente
31:21é que elas colocam a máscara no queixo para fumar.
31:25Isso aí é uma coisa, porque como fumar é um ato compulsivo muitas vezes, as pessoas nem se lembram da
31:31higiene,
31:32elas não higienizam as mãos como higienizariam para pegar na máscara, pegam no cigarro, levam o cigarro à boca, é
31:39complexo.
31:40Ainda tem a questão de se for um fumante crônico, ele pode ter já um grau de comprometimento pulmonar
31:45que torne a doença mais grave eventualmente.
31:48Ou seja, outros problemas, né?
31:49A Nígela Silva pergunta assim, a partir de que momento a pessoa é considerada curada da Covid-19?
31:56Olha, normalmente a gente vai ser considerado curado quando os sintomas realmente acabam.
32:01Alguns são um pouco mais longos, né?
32:03Então, tem pessoas que se queixam de passar mais tempo para recuperar aquele cansaço, aquela falta de ânimo,
32:09que a gente chama de fadiga.
32:10Então, isso é variável.
32:12Agora, a questão da cura que ela deve estar perguntando é sobre a eliminação do vírus.
32:18Em geral, a gente sabe que o vírus é muito mais eliminado durante a fase aguda.
32:22Se você pensar na secreção colhida de via aérea, do cotonete nasal que o pessoal fala,
32:29você tem pouca possibilidade de ter realmente vírus detectado depois de 11 a 14 dias.
32:37Quando você usa secreção, por exemplo, de escarro, ou você usa material colhido a partir de aspiração tipo broncoscopia,
32:46você pode até ter mais tempo.
32:48Mas o que a gente entende nisso é que muitas vezes você tem pedaços do vírus
32:53que você consegue identificar o genoma, mas você não sabe se aquele genoma,
32:57se colocasse para multiplicar nas células, seria realmente invasivo e se multiplicaria nas células.
33:03E, ó, só que já que a gente falou de cura, 3.676 capixabas já são considerados curados.
33:10Doutora Filomena, muito obrigada mais uma vez.
33:11Muito obrigada a você, Juliana.
33:12Uma ótima tarde.
33:14Para você também.
33:14Muito obrigada.