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  • há 5 semanas
Produtos da cesta básica, como arroz, óleo e feijão tiveram um aumento expressivo nos últimos dias. Afinal de contas o que têm provocado essa disparada nos preços?

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Transcrição
00:00O que está no carrinho é o quanto Dona Leda utiliza de óleo quase todas as semanas.
00:05Com o marido desempregado, ela passou a viver das encomendas de salgados fritos.
00:10Só que o custo tem ficado alto demais.
00:14Eu pagava R$ 3,40, R$ 3,58, mas agora subiu muito.
00:22Não é impressão da Dona Leda, é fato.
00:24O aumento no preço do óleo de soja foi constatado pelo Diese, quase 15% de um mês para o
00:31outro, em Vitória.
00:33O arroz também acompanhou a tendência de alta.
00:36A gente comprava o arroz, o saco de 20 quilos, cerca de R$ 18, R$ 17.
00:42Hoje ele está custando R$ 22, R$ 23.
00:45O preço dos alimentos foi o que mais contribuiu para a alta de 0,24% na inflação oficial do
00:52país em agosto,
00:53divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira.
00:56A inflação dos alimentos chegou a subir quase 9% nos últimos 12 meses.
01:01O arroz e o óleo de soja foram os produtos que tiveram maior valorização.
01:07Para este economista, a explicação começa no dólar e passa pelo campo antes de chegar ao consumidor.
01:13A gente tem uma combinação de fatores que envolvem o dólar, a escassez dessas mercadorias no mercado interno e também
01:24fatores climáticos.
01:25É a lei da oferta e da procura.
01:27Na falta de produto no mercado interno, o preço sobe.
01:31O mercado internacional procura, nós temos uma diferença de câmbio expressiva, entendeu?
01:41E o que vai acontecer?
01:43O produtor nosso aqui vai vender seus produtos para vender em dólar, do que vender em reais.
01:49O supermercadista é apenas um repassador de preços, entendeu?
01:54Ele não faz preço.
01:55Quem faz preço é o mercado.
01:57Além do óleo e do arroz, o feijão e o leite também sofreram acréscimo durante a pandemia.
02:04Como são produtos da cesta básica, quem mais sente o impacto da escalada de preços é o consumidor de baixa
02:11renda.
02:11Foi um dos motivos que levaram PROCONs de todo o país a cobrar uma interferência do governo federal.
02:18A gente espera que o governo federal tome medidas que ajudem ao mercado, né?
02:23Que o governo federal tem este poder, né?
02:25Mecanismo tem, mas para o economista não é simples nem rápido.
02:31Qualquer tipo de intervenção de governo nessas relações que se dão entre consumidores e empresas é algo difícil,
02:38porque a gente vive numa economia de mercado e naturalmente a única arma que consumidores tem contra, ao menos, abusivos,
02:46é fazer substituição de produto e tentar ao máximo evitar a compra em estabelecimentos que estão adotando alguma prática que
02:56possa ser considerada abusiva.
02:58O problema é que até o principal trunfo do consumidor ficou prejudicado na pandemia, a pesquisa de preços.
03:05Muita gente deixou para lá o hábito de bater perna em supermercados buscando os melhores preços.
03:12É que o costume saudável para o bolso se tornou um risco para a saúde pública.
03:18A arma que o consumidor tem justamente para poder combater a alta de preços é a pesquisa de preços.
03:26Mas com a pandemia, esse efeito de concorrência, vamos dizer assim, de procura de preços, ele acaba sendo prejudicado
03:35e isso também pode ser um fator que está prejudicando aí os preços dos consumidores.
03:41É escassez de produtos no mercado interno, é escassez de tempo.
03:46Resta ao consumidor pagar o preço.
03:49O tempo hoje é que é caro.
03:51Então, se a gente já costumeiramente faz compra de algumas coisas,
03:57você já mapeia o mercado e é onde tem um preço médio melhor.

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