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  • há 9 minutos
No programa especial "Desafios municipais: o que cobrar de prefeitos e vereadores?", da Rádio Pan News Vitória, a comentarista de política, Gabriela Cuzzuol, fala sobre saneamento básico e destaca os impactos da ausência de esgoto tratado nas residências. Ela enfatiza que trata-se de um direito básico e aponta caminhos para que a população saiba cobrar de prefeitos e vereadores.

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00:08Boa tarde para você sintonizado aqui na 90.5. Hoje você acompanha mais um programa da série especial desafios da
00:15gestão municipal que cobrar dos prefeitos e vereadores.
00:18Eu sou Patrícia Schauser dividindo a bancada comigo. Está aqui o editor de política da Rede Vitória e do Copernic.
00:24Boa tarde Edu.
00:25Oi Patrícia, tudo bom? Tudo ótimo. Gabriela Cuzuol, nossa comentarista de política, também está aqui. Boa tarde Gabriela.
00:32Boa tarde Patrícia, boa tarde Edu, boa tarde ouvinte da Põe News. É um prazer estar com vocês mais uma
00:37vez.
00:38Hoje nós vamos falar sobre saneamento básico. Gabriela, nós estamos no século XXI e aqui no Espírito Santo 50%
00:46das residências não tem esgoto tratado ainda.
00:49Isso é muito sério, gravíssimo. Impacta não só na estética do ambiente, na questão da locomoção, como sobretudo na saúde
00:57da população.
00:58Um direito básico atribuído pela Constituição Federal em cláusula pétrea.
01:04Sem saneamento básico nós temos aí uma incidência muito grande de problemas de saúde e até um aumento de índice
01:12de mortalidade infantil, por exemplo.
01:13A gente precisa deixar claro ao nosso ouvinte que essa não é uma questão localizada.
01:19Não é apenas o Espírito Santo que tem uma deficiência na área de saneamento.
01:24Em 2019 nós tínhamos 100 milhões de brasileiros sem acesso ao serviço de saneamento básico adequado,
01:33dentre os quais cerca de 13 milhões de crianças.
01:36Esse é um dado do Ministério do Desenvolvimento Regional.
01:40Nós tínhamos também 35 milhões de cidadãos sem pleno acesso à água tratada,
01:46levando em conta que a população brasileira é de cerca de 211 milhões de pessoas.
01:50Patrícia, é um absurdo.
01:53Significa que cerca de 46,5% da nossa população continua vivendo em parâmetros medievais,
02:01em termos de saneamento básico de condições de saúde.
02:04A gente tem uma máxima em política que a gente sempre ouve o tempo inteiro.
02:08O político não faz obra de saneamento básico porque fica escondido, ninguém vê.
02:13Como é que o cidadão cobra essa obra que ninguém vê e que é tão importante?
02:18Fundamental que o cidadão tenha noção do quanto não ter acesso a saneamento atrapalha a qualidade de vida.
02:25E agora, que é período de eleições municipais, privilegiar projetos que contemple saneamento.
02:31Bastante interessante a gente pontuar a diferença entre competências do Estado, dos municípios e da União.
02:40Por exemplo, as diretrizes gerais acerca de saneamento são competência da União.
02:45O marco regulatório do saneamento aprovado esse ano, uma grande conquista,
02:52vai possibilitar que cerca de 500 bilhões de reais no período de 20 anos sejam investidos.
02:58E a gente já teve um contrato aqui no Espírito Santo assinado com uma empresa privada de saneamento barato?
03:04Já tivemos.
03:04Tivemos um contrato assinado no Espírito Santo já após marco regulatório do saneamento.
03:09O marco regulatório veio para suprir uma carência de recursos.
03:16O orçamento da União não tem capacidade de fazer os investimentos necessários
03:21para a universalização do sistema de saneamento básico.
03:25E por isso, após cerca de dois anos e meio de debates no Congresso Nacional,
03:31envolvendo especialistas, atores da sociedade civil, políticos,
03:36foi aprovado um novo marco legal do saneamento que vai possibilitar esses investimentos privados bastante robustos.
03:43um teto de aproximadamente R$ 33 bilhões por ano investidos pela iniciativa privada em saneamento no Brasil.
03:53O caminho do gestor é esse, é procurar esse tipo de parceria para solucionar um problema que parece que não
04:00tem solução.
04:01Porque toda vez que a gente vê nas periferias, principalmente, até nas cidades maiores,
04:06a gente não vê tratamento de esgoto, a gente vê, a gente tem uma, aqui na Grande Vitória, por exemplo,
04:13a gente tem uma, a gente é comum a gente ver valões na Grande Vitória, né?
04:18Uma coisa que parece impensada.
04:21São lugares onde o mau cheiro é muito forte, não tem nenhum tipo de tratamento,
04:27a água não tem nenhum tipo de tratamento.
04:30Fica mais fácil agora para o gestor fazer a parceria?
04:32Definitivamente, Edu. Na Grande Vitória, dados de 2018, apontam que 10,4% da população não tem acesso
04:40à água tratada e 42% não tem pleno acesso à coleta de esgoto, né?
04:46Ou seja, agora, a partir da possibilidade de parceria com a iniciativa privada,
04:50definitivamente fica mais fácil, né?
04:52O que muda a partir desta regra?
04:54O Estado não deixou de ser responsável pela oferta de serviço, de forma alguma.
04:58Apenas ele pode estabelecer parcerias com empresas de iniciativa privada,
05:02ele não precisa priorizar o fornecimento público do serviço, né?
05:07Ele pode aí estabelecer por meio de licitação parcerias com empresas da iniciativa privada
05:13para que esse serviço seja oferecido, né?
05:15É contratado ou não pelo Estado.
05:17A meta é que até 2033, 99% da população tenha água potável
05:23e que também até o ano de 2033, cerca de 90% da população tenha plena coleta e tratamento de
05:30esgoto, né?
05:31O marco também conta com ações de diminuição, de desperdício de água e aproveitamento de água de chuva,
05:38o que é muito importante pelo aspecto de preservação ambiental.
05:42Os ambientalistas estão sempre chamando atenção para essa questão da superutilização da água, né?
05:48Maior do que a capacidade dos recursos naturais, do que a capacidade ideal de disponibilização dos recursos naturais, né?
06:01Enfim, existem aí toda uma série de regulamentações a serem cumpridas de exigências, né?
06:08E caso sejam cumpridas, a iniciativa privada tem condição de atuar no setor,
06:12gerando inclusive oportunidades de emprego e de renda.
06:16É, nós temos os casos também de bairros mais carentes que às vezes até já tem a rede de esgoto,
06:22mas a pessoa não tem dinheiro para fazer a ligação da casa dela para essa rede, né?
06:27A prefeitura pode ajudar nessa situação?
06:29A prefeitura não só pode como deve, a prefeitura pode financiar direto ou indiretamente essas ligações, Patrícia.
06:34É uma das atribuições da prefeitura, né?
06:37Inclusive, isso impactaria, isso impacta diretamente o orçamento do município,
06:43porém, há uma considerável redução de custos, por exemplo, com tratamentos de saúde,
06:48além da preservação do direito à vida da população,
06:52que está diretamente associado à questão do saneamento básico.
06:57Tem uma coisa que você falou nas nossas discussões aqui e também no programa sobre as pesquisas eleitorais
07:03que a Rede Vitória tem realizado e tem divulgado junto com a futura,
07:07que não é, que isso é uma obrigação do gestor, isso não é a favor do gestor.
07:12Isso tem que estar na cabeça da população, né, Gabriela?
07:16Definitivamente.
07:17Não há benfeitoria nenhuma, caridade nenhuma,
07:21em que o gestor público providencie um sistema de saneamento eficiente.
07:25O mínimo que você, ouvinte, que você, cidadão, tem de exigir, né,
07:31é a coleta de esgoto adequada, um sistema bem feito e duradouro de coleta de esgoto.
07:37Não é que seja provido aquele sistema de qualquer forma
07:41e de maneira a precisar ser refeito em um período aí de três, quatro anos, não.
07:46Você tem direito a um serviço eficiente, de qualidade, de tratamento de água e de coleta de esgoto, né?
07:51E se você não está recebendo esse serviço, você tem que cobrar,
07:54você tem de reclamar junto aos órgãos competentes, no caso,
07:58através da prefeitura, que é quem divide a responsabilidade com os estados e com a União.
08:03É importante para o nosso ouvinte saber, Patrícia e Edu,
08:05que os municípios, eles desenvolvem planos de saneamento básico, né?
08:10Eles têm ali metas a serem cumpridas,
08:13são planos que são, inclusive, discutidos com a sociedade, né,
08:16e aprovados pelo governo federal.
08:18E que desses planos dependem o repasse de recursos do governo federal, né?
08:24A União é responsável por diretrizes gerais acerca de saneamento.
08:29Por exemplo, se o prefeito decidir que não vai mais prover saneamento básico ao município,
08:34não pode, né?
08:35É proibido por lei.
08:36A Constituição Federal obriga, né, a esse direito básico
08:40que está associado à garantia do direito à vida do cidadão.
08:43Falta informação também para as pessoas, Gabriela.
08:46A gente vê que são pessoas muito carentes, né?
08:49Pessoas que moram ali do lado de um esgoto a céu aberto,
08:52que tem fossa ainda no quintal de casa.
08:55Essas pessoas não entendem o poder que elas têm
08:58e os direitos também que elas têm.
09:00Falta informação, né?
09:01E nós, ouvintes que dispomos da informação, precisamos informar.
09:05Nós precisamos fazer, né, quem ainda não sabe,
09:09ter plena consciência de que é um direito,
09:11de que não é favor, não é caridade, não é benfeitoria
09:15e que elas têm de cobrar.
09:16E esse momento, né, em que estamos prestes a escolher nossos representantes,
09:21é fundamental priorizar essa pauta.
09:23Como?
09:23Optando por candidatos que priorizem saneamento básico.
09:26Se você vive, né, em meio ao esgoto,
09:29sem acesso à água tratada,
09:31que é o básico, é o mínimo para garantia da sua vida,
09:34da sua saúde, da saúde da sua família,
09:36você tem que escolher um candidato que contemple isso.
09:38Ah, Gabi, mas e se eu escolher e ele não fizer como tantos políticos não fazem?
09:42Você tem de reclamar, você tem que fazer denúncias aos órgãos competentes
09:46e, sobretudo, você tem de escolher outro candidato nas próximas eleições.
09:50Outra coisa também que é importante é ver a capacidade que o candidato tem
09:54de se articular e de buscar recursos, né, Gabriela?
09:58Porque os recursos para saneamento são muitos,
10:02são muito altos, o valor é muito alto, ok.
10:05Mas há bancos públicos e privados que fazem financiamentos para prefeituras,
10:11para municípios e o candidato, um bom candidato,
10:16um candidato que vá olhar para essa área,
10:19ele tem que ter essa articulação e esse conhecimento para buscar esses financiamentos.
10:23Exatamente, Edu, muito bem pontuado,
10:24até porque candidatos não atuam sozinhos, eles têm equipes, né?
10:27Então, se a equipe do candidato não está dando conta deste,
10:31que é um direito fundamental, talvez ele não seja o melhor candidato, né?
10:34E foi bastante interessante você ter feito esse apontamento,
10:37porque bancos fazem financiamento para saneamento básico, né,
10:42com o subsídio do governo federal.
10:44Existe previsão de recursos com juros mais baixos, né?
10:47E outra coisa, existe a previsão de oferta desse serviço via iniciativa privada também, né?
10:54E aí a prefeitura abre a licitação, faz a contratação da empresa
10:57e vai contratando e pagando por esse tipo de serviço, né?
11:00Então, veja bem, eu sempre pontuo nos nossos programas
11:04que o bom gestor é, sobretudo, aquele capaz de pensar em boas estratégias
11:10para o município, porque municípios têm especificidades também.
11:13Com certeza, o plano de saneamento básico ideal para o município de Vitória
11:19não é o mesmo para o município de Cariacica, né?
11:22A população varia, o número de residentes varia,
11:27o número de bairros em situação de vulnerabilidade varia,
11:30o número de bairros que já têm essas redes operando de forma eficiente varia.
11:36Cada município tem aí, né, seus detalhes que têm de ser contemplados pelos gestores.
11:41E o candidato que não está preocupado com saneamento básico,
11:45ele também não está preocupado com o meio ambiente?
11:47Vai poluir os rios, poluir as praias, que atrai turistas também para a cidade?
11:51O candidato que não está preocupado com saneamento básico
11:54não está preocupado com o eleitor.
11:56Está preocupado aí com o projeto pessoal de poder, né?
12:00O saneamento básico influencia diretamente na preservação de recursos ambientais, né?
12:06Você polui os rios, você gera doenças, você aniquila espécies, né?
12:12Vivendo ali em meio ao esgoto.
12:16Enfim, o impacto é frontal e altíssimo.
12:21Então, tem essa questão também.
12:23E reforço, né?
12:25Tem a questão estética.
12:27Você imagina um lugar ali em que você tem esgoto a céu aberto, né?
12:31Você tem a questão de locomoção.
12:33Pode parecer até difícil, né?
12:36Talvez para o leitor, para o ouvinte que nos acompanha, mas imagina como é que você circula
12:43por um local com esgoto muito forte a céu aberto.
12:48Crianças circulando ali, né?
12:50Então, é muito interessante porque uma cidade é um organismo, né?
12:56Uma cidade é toda interligada.
12:58Você não pode pensar em nenhuma área de um município de forma desintegrada das outras.
13:04O município só funciona se pensado em conjunto, de maneira integrada.
13:09Você falou que a gente precisa olhar o gestor e precisa olhar quem está em volta dele, né?
13:15As equipes que fazem o governo andar de fato.
13:19É importante ter uma equipe para olhar para o saneamento básico especificamente,
13:26não só para fazer a obra ou identificar onde que precisa fazer a obra do saneamento básico,
13:31mas montar equipes temáticas para buscar o recurso, para saber de onde vai sair,
13:37para saber como é que vai organizar essa obra, isso tem que estar no programa de governo dos candidatos?
13:43Sim, Edu.
13:43O saneamento básico, ele, via de regra, está associado às equipes de infraestrutura, né?
13:49Inclusive, no Brasil, ele é considerado o setor mais atrasado da infraestrutura, né?
13:53O gap, o nosso gap, que nós precisaríamos investir em saneamento básico para sanar o problema no Brasil,
14:00conforme coloquei no início aqui da minha fala, é de cerca de 500 bilhões de reais no período de 15
14:07anos,
14:0733 bilhões.
14:08Então, ele é um gap estrutural que, obviamente, depende de uma equipe qualificada para analisar.
14:15É bastante interessante, o marco civil do saneamento, o marco regulatório do saneamento básico,
14:22por si só, não resolve problema.
14:24O marco trouxe alguns instrumentos que facilitam que o gestor tome medidas no sentido de resolver o problema,
14:33no sentido de solucionar o problema, mas, por si só, ele não resolve.
14:36É muito importante que a gente entenda que problemas de gestão urbana não se resolvem apenas por meio de lei,
14:47de projeto lei, de emenda constitucional, não, né?
14:52Não, a legislação é um caminho, a legislação oferece ferramentas, né?
14:57E aí, cabe a um gestor assessorado por uma boa equipe e pela Câmara de Vereadores,
15:02por isso que tem um papel primordial aí, no sentido de aprovar bons projetos, boas estratégias
15:09e, sobretudo, fiscalizar a forma como esses projetos estão sendo implementados,
15:14fiscalizar, inclusive, a alocação de recursos, né, para que faça funcionar.
15:20E, Gabriela, quanto que o governo federal destinou ou destina para o saneamento básico no país hoje?
15:27Bastante dinheiro, Edu.
15:29É uma área que consome muitos recursos.
15:31Em 2019, o governo federal destinou 2,1 bilhões de reais através do Ministério do Desenvolvimento Regional.
15:38É muito dinheiro, mas não está nem perto do que é necessário, né?
15:41Não está nem perto do que é necessário, porque é uma área da infraestrutura que demanda um aporte muito grande
15:49de recursos, né?
15:50E é um serviço prioritário, ou seja, há demanda.
15:54Então, por isso, nesse sentido, o marco regulatório do saneamento é um instrumento que pode facilitar a solução desse problema.
16:04Você falou sobre o marco regulatório do saneamento, 2033 é o prazo.
16:09É muito tempo, não?
16:11É bastante tempo, mas nós vimos aqui outros marcos regulatórios que não foram cumpridos, né?
16:15Coleta de lixo, por exemplo, o tempo para a liquidação dos lixões não foi cumprido, né?
16:25É porque o que acontece é que é bastante tempo, porém o Brasil é um país muito grande, muito complexo.
16:31A gente tem que pensar que nós estamos falando de saneamento básico para 5.570 municípios com características totalmente diferentes.
16:40E saber que investe em saneamento, economiza na saúde.
16:45Investe em saneamento, economiza na saúde, potencializa a economia, investe na estética do município, melhora a locomoção das pessoas,
16:54aumenta a perspectiva de tempo de vida do cidadão e, sobretudo, consegue de condições mínimas de dignidade ao cidadão do
17:04município.
17:04Pelo que você analisou dos programas de governo que você viu, você viu propostas de candidatos voltadas para saneamento básico?
17:11Como é que a gente está em relação a isso aqui no Estado?
17:14Ah, em vários planos de governo, Edu, os candidatos estão fazendo referência a essa importante questão do saneamento básico, né?
17:23Porém, via de regra, como temos apontado aqui no nosso debate, as questões estão muito generalistas.
17:30Os candidatos estão pecando nos detalhes, em explicar para a população, em detalhes, como vai ser feito.
17:37Uma questão que a Patrícia trouxe que é muito importante.
17:40Por exemplo, o cidadão mais vulnerável, né, que vive até perto de um sistema de saneamento básico, mas não consegue
17:48fazer ligação.
17:49A prefeitura vai financiar isso?
17:51Como?
17:51Através de repasse direto?
17:53Vai fazer o pagamento?
17:55Vai contratar uma empresa terceirizada para fazer essa ligação?
17:57São detalhes, são questões muito simples que não têm resposta, né?
18:02Claro, há diferenças entre os programas, né?
18:04Entre prefeitos e vereadores, são 12 mil candidatos no Espírito Santo.
18:08Só nos municípios da Grande Vitória são 54.
18:11São muitos candidatos, são muitos planos de governo.
18:14E é claro que as abordagens são diferentes.
18:16Mas via de regra, o que falta são respostas claras e pontuais.
18:21Como vai ser feito?
18:23Como vai ser entregue para quem mais precisa?
18:25E quando?
18:26E se você, ouvinte que nos acompanha, precisa dessas respostas e não as tem, pergunte.
18:31Pergunte ao seu prefeito, pergunte ao seu candidato.
18:34Cobre, é seu direito.
18:35E de onde vem o dinheiro também, né?
18:37E de onde vem o dinheiro para fazer, né?
18:39De onde vem o dinheiro, exatamente.
18:40No caso, o dinheiro vem de você.
18:42É o seu dinheiro.
18:43Porque, na verdade, o contribuinte não existe.
18:45O que existe são os pagadores de impostos.
18:47Somos nós que financiamos na máquina pública.
18:49Então, se há um direito garantido pela Constituição fundamental para a garantia da nossa vida, né?
18:54E não estamos recebendo, não está sendo cumprido, o benefício pelos impostos que pagamos não está sendo concedido.
19:02Temos que cobrar.
19:03É, inclusive porque nas cidades onde já existe essa ligação de esgoto, o morador, ele paga por um tratamento que,
19:13às vezes, não acontece.
19:14Ele paga o dobro do que ele gasta pelo tratamento de água para tratar o esgoto e o esgoto não
19:19é tratado, é jogado na praia.
19:20Exatamente, é jogado na praia, né?
19:22E, inclusive, essa é uma realidade, às vezes, em municípios até grandes, né?
19:25Em municípios grandes, municípios com estrutura.
19:28E, de uma certa forma, isso foi normalizado.
19:30As pessoas veem o esgoto sendo jogado na praia e é como se aquilo não tivesse impacto direto nas vidas
19:35delas.
19:35Tem impacto direto, sim.
19:37Tem impacto na saúde, tem impacto na preservação ambiental, que, indiretamente, vai impactar na saúde.
19:43Tem impacto no desenvolvimento, porque uma cidade desestruturada não é um lugar onde alguém queira investir.
19:49Tem impacto estético, né?
19:52Enfim, tem impacto no organismo que é a cidade, o estado e o país.
19:57E eu acho que esse é o pensamento que a gente sempre tem que ter.
20:00Nós vivemos em municípios orgânicos, integrados.
20:03A gente não consegue separar.
20:05Ah, o meu bairro tem, então está tudo bem.
20:07Não está tudo bem.
20:08Seu bairro tem, mas a periferia não tem, está tudo muito mal.
20:12E a gente tem que batalhar que tenha, porque a cidade funciona de maneira integrada.
20:16E falando disso, da ligação, a gente vê muita ligação do esgoto na rede que capta a água da chuva,
20:22né?
20:22Então, quando chove, a gente tem um problema sério, não só aqui na Grande Vitória, que é muito crônico,
20:27mas a gente viu aí no começo do ano vários municípios que foram atingidos por fortes chuvas,
20:32principalmente no sul do estado.
20:34Municípios ficaram completamente destruídos.
20:36E aí, tem uma chuva dessa, mistura água de esgoto com água de chuva e a gente fala de saúde.
20:41A água de chuva entra dentro de casa pelo ralo do banheiro, porque a ligação está na rede plurial.
20:47Exatamente.
20:47Aí, mistura tudo e a gente entra num problema de saúde, um problema sanitário,
20:53e aí a gente entra no problema do tratamento de esgoto.
20:56É preciso escolher muito bem os próximos gestores, né, Gabela?
21:01Exato. E eu acho que esse debate que nós estamos travando hoje, que nós temos hoje,
21:06e todos os outros, e aí são todos os programas no site do Folha Vitória,
21:11recomendo ao ouvinte que acompanhe, eles são fundamentais por isso, Edu,
21:14porque a gente não pode pensar a cidade como algo desconectado.
21:18E nem pensar que talvez o nosso bairro, por ter uma estrutura um pouco melhor,
21:23não vai ser frontalmente impactado por regiões onde essa infraestrutura não tenha, né?
21:28Se, por exemplo, a gente vai ter a água da chuva misturada com esgoto,
21:31alagando residências, às vezes, daquela pessoa mais vulnerável,
21:34aquela pessoa vai estar doente, é uma pessoa com quem a gente convive,
21:38porque é um colaborador nosso, um parente nosso, uma pessoa da nossa família,
21:41e aquilo vai se proliferando.
21:43Então, assim, não existe qualidade de vida de forma isolada.
21:46Uma cidade é um organismo, nós vivemos de maneira integrada, né?
21:50Nós temos discutido aqui, nesse programa Desafios das Gestões Públicas,
21:53pontos específicos.
21:55Porém, se o ouvinte acompanhar todos os vídeos lá no site do Folha Vitória,
22:00ele vai perceber que é uma integração.
22:02Você não consegue ter uma área plenamente contemplada
22:04se você simplesmente fechar os olhos e fingir que as outras não existem.
22:07Não é assim que o município funciona, porque não é assim que funciona a vida.
22:11Então, quando a gente está exigindo um direito,
22:12a gente está pedindo um olhar para todos os aspectos da nossa vida
22:17enquanto munícipes, né?
22:19E relembrando que é nas cidades que a vida acontece.
22:22É nas cidades que o nosso dia a dia se desenvolve.
22:26Gabriela, muito obrigada pela sua participação hoje conosco.
22:29E como você disse, né?
22:30Os vídeos estão disponíveis no Jornal Online Folha Vitória,
22:33os vídeos aqui do nosso programa especial na Pan News,
22:36e também as reportagens do Jornal da TV Vitória,
22:38que vão ao ar todas as terças e quintas.
22:40Exatamente, está tudo disponível lá, inclusive o conteúdo com perguntas
22:44aos candidatos da Grande Vitória, perguntas que contemplam esses assuntos.
22:48São dez perguntas comuns, que são perguntas de assuntos comuns a todos os municípios,
22:54necessidades dos municípios.
22:55Está tudo disponível lá, tudo para ajudar o eleitor a ter uma melhor decisão.
22:59Essas entrevistas estão bem interessantes, porque muitas vezes a gente fala
23:03que os planos de governo não contam com respostas tão claras.
23:06E lá nas perguntas, ouvinte, você vai encontrar aquilo que você realmente queria saber
23:10sobre o seu candidato, que nenhum outro veículo de imprensa perguntou.
23:13Está lá, claro e simples para você entender.
23:16Eu queria aproveitar para fazer um elogio às excelentes reportagens do programa
23:22Desafios Municipais, que vêm sendo realizadas para a TV Vitória.
23:27Vêm sendo exibidas no Espírito Santo no ar e no Jornal da TV Vitória, às 19 horas.
23:35Excelente conteúdo, muito informativo, feita por uma equipe de redação
23:39que está ali fazendo jornalismo de altíssimo nível.
23:42Deixo os meus parabéns às jornalistas Luana Damasceno e Beatriz Figueiredo
23:47e ao editor Tiago Brunieira.
23:49Acompanhe, os vídeos estão todos lá, vários tópicos da gestão municipal
23:53para você, ouvinte da PAM.
23:54É isso aí, eleições 2020, a maior cobertura do Estado.
23:58Você acompanha primeiro aqui.
23:59Legenda Adriana Zanotto
24:03Legenda Adriana Zanotto

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