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No programa especial "Desafios municipais: o que cobrar de prefeitos e vereadores?", da Rádio Pan News Vitória, a comentarista de política, Gabriela Cuzzuol fala da importância de gestão em contratos milionários de coleta e destinação do lixo do município. Ela também explica que, com criatividade e parcerias, é possível transformar a realidade das cidades.
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NotíciasTranscrição
00:08Boa tarde para você sintonizado aqui na Pan News Vitória.
00:11Nós começamos agora mais uma edição especial do programa Desafios da Gestão Municipal
00:16dentro da cobertura especial das eleições 2020 aqui da Rede Vitória.
00:21Edu Copernic está aqui conosco. Boa tarde, Edu.
00:23Oi, boa tarde, Patrícia.
00:24Gabriela Cusual, nossa comentarista de política. Boa tarde, Gabi.
00:28Boa tarde, Patrícia. Boa tarde, Edu. Boa tarde, ouvinte da Pão.
00:31Hoje nós vamos falar sobre coleta de lixo e limpeza pública, né?
00:37Atribuições do município.
00:38Exato, atribuições do município.
00:41No sentido mais pragmático, né?
00:43No sentido da execução das medidas de limpeza dos espaços públicos
00:48e da coleta do lixo sólido domiciliar, né?
00:52Desses resíduos, sim. Responsabilidade dos municípios.
00:54Gabriela, é uma coisa que a gente não pensa muito no nosso dia a dia.
00:59Claro que a gente quer ter a cidade sempre limpa, a cidade sempre bonita para a gente,
01:03mas a gente não percebe muito esse tipo de trabalho.
01:07Por que é importante e qual é a importância de o município ter mais atenção
01:12à limpeza e coleta de lixo?
01:14Que estão entre os maiores contratos dos municípios.
01:18Gasta-se muito dinheiro com o lixo.
01:20Por que é tão importante assim?
01:22Porque da coleta de lixo depende a manutenção das condições mais básicas de existência humana.
01:30Vocês já imaginaram uma cidade sem lixo, né?
01:32Nós retornaríamos o quê?
01:33A condições de idade média, né?
01:35Gente, o Brasil produziu em 2019 cerca de 80 milhões de toneladas de lixo sólidos.
01:42Vocês têm noção do que é isso?
01:44Vocês têm noção do que seria esse lixo abandonado nas residências
01:49ou espalhado pelas ruas, pelos espaços verdes.
01:52Tornaria a vida humana impossível por questões de saúde, proliferação de doenças, né?
01:59Questão estética.
02:00Vocês já imaginaram o espaço com todo esse lixo espalhado?
02:04Questão ambiental.
02:05Se impactaria o meio ambiente de forma direta, inclusive muito rápida, né?
02:10E também a questão da mobilidade urbana.
02:13Aliás, é algo que já acontece, né?
02:15Porque como nós vamos falar aqui ao longo do programa,
02:17o Brasil tem um déficit de coleta adequada desse tipo de lixo
02:21e em alguns lugares onde você tem, por exemplo, descarte de móveis, né?
02:26Esse tipo de coisa em meio às vias públicas, né?
02:29É complicado até passar.
02:31Até você se locomover.
02:32Gostaria de dar um exemplo, algumas regiões ali do centro de São Paulo, por exemplo,
02:36onde você tem cracolândia, você tem às vezes descarte de sofás, coisas enormes,
02:40pilhas e pilhas de lixo que impedem até mesmo a questão da mobilidade pública.
02:45Então, como o Edu colocou, é um trabalho que é comumente pouco valorizado
02:50ou até pouco percebido, porque, por exemplo, numa capital ou em cidades de porte maior
02:55como as da Grande Vitória, é um serviço até relativamente estruturado.
02:59Então, a gente percebe pouco.
03:01Mas costumam ser alguns dos maiores contratos da prefeitura
03:04porque são essenciais à manutenção das condições básicas de dignidade e vida humana.
03:10Mas assim, desculpa, Patrícia, só para colocar,
03:13a gente tem exemplos no Espírito Santo de alguns municípios do interior do Estado
03:19que passam por problemas em relação a contratos de coleta de lixo.
03:23Quais são esses problemas?
03:25Desvio de dinheiro, superfaturamento.
03:28Os contratos normalmente são valores muito altos, principalmente para nós, população,
03:34que não temos a noção do que é esse dinheiro.
03:37A gente fala de contratos de limpeza e coleta de lixo em municípios pequenos
03:41nos valores de um milhão, dois milhões, três milhões, dez milhões de reais.
03:47O que eu queria te perguntar é, tem que ser tão caro assim?
03:51Tem que ser tão custoso assim para o município para ter um bom serviço de limpeza pública?
03:58A gente sabe que é muito importante.
03:59Você acabou de colocar que é importantíssimo, essencial.
04:02Fundamental.
04:02Fundamental para a nossa vida.
04:03Mas precisa ser assim tão caro?
04:06Então, Edu, não necessariamente.
04:08Em primeiro lugar, eu gostaria de esclarecer que não fornecer o serviço de coleta e descarte
04:15adequado de resíduos sólidos não é uma opção da gestão municipal.
04:19Existe uma legislação que obriga as prefeituras a ofertarem esse tipo de serviço.
04:24Então, por exemplo, se você escolher um candidato que amanhã assumir, for diplomado
04:29e resolver que não vai mais oferecer o serviço de coleta, ele está incidindo numa conduta ilegal.
04:35A lei, existe uma lei de 2010, chamada Lei do Lixo, que prevê um plano de tratamento
04:44e descarte de resíduos, obriga as gestões a cuidarem disso e aí tem todo um organograma
04:51de planejamento.
04:51Em relação aos valores, Edu, não é um serviço barato, porque ele tem que ser oferecido
04:58à universalidade da população.
05:00Você não pode ter algumas áreas em que esse serviço não esteja disponibilizado.
05:05O que não acontece no Brasil.
05:07Nós estamos longe ainda de termos a universalização do serviço adequado de coleta e tratamento
05:14de lixo.
05:15O que ocorre é que pode ser cobrada, eventualmente, uma taxa.
05:20Por exemplo, em vários municípios da Grande Vitória, os munícipes pagam um valor junto
05:25ao IPTU, que ajuda as prefeituras a dirimirem esse valor.
05:28Na cidade de Cariacica, por exemplo, o custo desse serviço é de cerca de 80 milhões de
05:35reais, mas a prefeitura arca com cerca de um e meio, porque o restante fica a cargo
05:39dessa pequena contribuição.
05:41Então, como impacta muito o orçamento municipal, em virtude também da maioria das prefeituras
05:50precisarem administrar uma situação de déficit fiscal, essa possibilidade existe e vem sendo
05:56cada vez mais adotada, mais implementada.
05:59Nós evoluímos muito com relação ao tratamento de lixo nos últimos anos, porque antigamente
06:03existiam aqueles lixões, inclusive muito famoso, era aqui na região de São Pedro, gerou
06:08até documentário.
06:09Foi um documentário.
06:11Durante a visita do Papa à Vitória, ele fez uma missa em São Pedro, ficou famoso, fez
06:19uma doação também, uma doação de 30 mil dólares na época, para as pessoas que
06:24viviam ali, para construir um centro para as pessoas que viviam ali.
06:27É, as pessoas moravam literalmente dentro do lixão ali de São Pedro.
06:31Hoje, lixão é proibido.
06:34Em condições degradantes, né?
06:34Em condições degradantes.
06:36Era uma imagem do Brasil que circulava até internacionalmente, as pessoas vivendo,
06:40coabitando ali.
06:42Com lubos.
06:42Nesses lixões, né?
06:43Com animais.
06:47Eram locais, assim, de grau máximo de precariedade, centros de proliferação de doenças, né?
06:53Até mortes, índice alto de mortalidade infantil, esse tipo de coisa.
06:57Então, a denominada Lei do Lixo, né?
07:00Que foi a Lei 12.305 de 2010, que foi regulamentada no final deste mesmo ano, salvo engano, 23 de
07:08dezembro de 2010, instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabeleceu um prazo
07:14de até o fim de 2014, para que o Brasil erradicasse esses lixões a céu aberto, né?
07:20E a gente vai falar um pouco sobre a diferença entre os lixões e os aterros.
07:25Porém, em virtude das dificuldades dos municípios, Patrícia, isso não foi implementado.
07:31Cerca de 60% dos municípios brasileiros hoje ainda contam com esse tipo de locais inadequados
07:38de descarte de resíduos sólidos, né?
07:40Em virtude disso, houve uma ampliação no prazo federal e os municípios têm até o
07:46ano de 2021, ou seja, final do ano que vem, para erradicar completamente os lixões.
07:51Creio que seja algo bastante difícil, levando em consideração que hoje no Brasil existem
07:56mais de dois lixões a céu aberto de maior e menor porte.
07:59Eu acho que a gente precisa ter em mente também.
08:01Dois mil?
08:01Dois mil.
08:01A gente precisa de mais de dois mil, né?
08:04Eu tive acesso a umas quatro pesquisas, né?
08:07Uma delas falou em quase quatro mil.
08:09Uma delas falou em algo em torno de dois e duzentos.
08:12É muito complicado você conseguir fazer essa mensuração.
08:14O Brasil tem cinco mil e setenta municípios.
08:17Quer dizer, você fiscalizar município a município não é simples, né?
08:20Esse dado que eu trouxe para vocês é da ABRAF, Associação Brasileira de Resíduos Sólidos.
08:28Enfim, o prazo para que isso seja completamente erradicado é até o final do ano que vem.
08:33Agora, a gente precisa entender também que nem sempre o lixão é aquela extensão enorme.
08:39Você pode ter também nos municípios lixões menores, aqueles locais um pouco menores,
08:45onde o descarte de lixo sólido, não reciclável, via de regra, mas o reciclável acaba indo junto.
08:53Esse é um problema que o Brasil também tem, né?
08:56Fica ali descartado a céu aberto, sem nenhum tipo de critério.
08:59Isso por si só já configura um lixão.
09:01Eu, então, a lei prevê até o final do ano que vem para que isso seja erradicado,
09:06mas eu acho muito difícil diante do que se apresenta.
09:08Temos aí um desafio para gestores municipais.
09:11E como é que o gestor municipal deve encarar esse desafio?
09:14Como é que resolve esse problema?
09:16Como algo prioritário.
09:18Lixão é algo que não pode existir, simples assim.
09:20Não, mas aí na prática como é que ele faz?
09:22Porque ele assume a prefeitura.
09:24E a prefeitura sempre depositou lixo lá no terreno baldio, né?
09:27Ah, vai lá e deposita no terreno baldio.
09:29Mas ele tem um compromisso.
09:31A lei obriga que ele acabe com o lixão que tem ali.
09:34Como é que ele tem que fazer?
09:35Qual é o passo a passo?
09:37Aquele lixão precisa ser substituído por um aterro sanitário.
09:40Mas aí como é que ele faz?
09:41Ele contrata um aterro sanitário terceirizado.
09:43A prefeitura monta, faz, cria um aterro sanitário.
09:48Segue as regras do aterro sanitário.
09:50Como é que ele tem que fazer?
09:51Aqui na Grande Vitória nós temos empresas.
09:52Nós temos, na verdade, nós temos cinco aterros sanitários na Grande Vitória.
09:56Mas, na verdade, tanto a coleta é feita por empresas terceirizadas,
10:00quanto o descarte, né?
10:01Essa operação entre você recolher o lixo e descartá-lo
10:06é feito por outras empresas, né?
10:08E aí a prefeitura faz a licitação via processo licitatório, né?
10:13É uma contratação que as prefeituras sabem fazer.
10:15Eu só queria abrir um parêntese para falar para o ouvinte que nos acompanha
10:18que a questão do resíduo líquido já tem a ver com saneamento.
10:25Já é outra coisa.
10:25Nós estamos tratando aqui de resíduos sólidos.
10:28Vamos falar sobre saneamento, né?
10:31Vamos falar, certamente.
10:33Aproveitando.
10:34Mas aí a gente está falando de estruturas muito bem montadas.
10:38Grande Vitória, uma região metropolitana, tem um pouco mais de...
10:42Tem mais recursos, tem mais gente.
10:45Então, fica mais fácil.
10:46E no interior?
10:47Então, Edu, no interior existe a possibilidade, por exemplo,
10:50de duas, três prefeituras se unirem e alugarem
10:53ou até construírem um aterro sanitário em conjunto.
10:57Isso não precisa ser feito de forma isolada.
10:59O que as prefeituras precisam pensar é em planejamento, né?
11:03O descarte adequado de resíduos sólidos depende fundamentalmente de planejamento.
11:07E não é um processo barato porque precisa ser universal, né?
11:12E aí nós temos um outro dado.
11:15O Brasil, cerca de algo em torno de 50% do lixo no Brasil ainda não é recolhido.
11:20É aquele lixo que a gente não vê, o que se chama de lixo invisível, né?
11:24Apesar de serem contratos caros e de você ter grandes forças mobilizadas para esse serviço,
11:31em grande parte dos municípios isso ainda não ocorre.
11:33E precisa ocorrer.
11:34E o que acontece é que é necessário planejamento para que se otimize os recursos disponíveis
11:39para a prestação de um serviço eficiente.
11:41No caso de prefeituras menores, você não precisa, dependendo da quantidade de lixo,
11:45ter um aterro exclusivo.
11:47E conforme coloquei também, cada vez mais se dá a contratação de empresas.
11:51A prefeitura não precisa contar com a própria equipe para realizar esse tipo de serviço.
11:58E como é que o cidadão, como é que a população e o eleitor podem fiscalizar isso?
12:05Porque, como a gente já citou, são contratos de valores muito altos
12:09e às vezes são contratos que são passíveis de desvio de recursos.
12:13Como é que a população e como é que o cidadão fiscaliza isso?
12:18Presta atenção.
12:19É prestar atenção em como o caminhão de lixo está passando na rua,
12:22para onde ele está indo, a condição do caminhão de lixo.
12:24É procurar um documento.
12:26Como é que a população faz para fiscalizar isso?
12:28Então, Edu, cada vez mais os instrumentos de transparência estão aí para isso.
12:31Portais da transparência, nós, a mídia, nós estamos provendo cada vez mais informações
12:36para que o cidadão tenha instrumentos de fiscalização e de cobrança de um serviço mais eficiente.
12:42E também, conforme você colocou, fiscalizar de modo prático.
12:47Será que ele está deixando de receber o serviço de coleta de lixo diariamente?
12:52Será que o caminhão de lixo que deveria estar passando todo dia,
12:55está passando três vezes por semana, que é um caminhão de quinta categoria?
12:59Será que é um caminhão, de repente, que não vai ter ali a superfície adequada
13:03para comprimir, por exemplo, o reciclável?
13:08Como esse serviço vem sendo recebido?
13:11E eu penso que, em relação à taxa também de limpeza que é cobrada
13:16em alguns municípios de cidadãos para custear esse serviço,
13:19ela pode variar muito, não é uma taxa fixa.
13:22Então, por exemplo, se você está em alguns municípios,
13:25ela é cobrada, inclusive, dependendo da área onde você mora,
13:28do bairro onde você mora.
13:29Do valor do IPTU.
13:30Do valor do IPTU, proporcional ao valor do IPTU.
13:32Que varia de acordo com a área onde seu imóvel se encontra.
13:36Então, eu penso isso também.
13:37Será que você está recebendo um serviço de qualidade inferior ao do seu vizinho do outro bairro
13:43e está pagando mais caro?
13:44E aí, sempre há os devidos instrumentos de denúncia.
13:47Você tem que cobrar a sua prefeitura.
13:49Se não, procurar as instâncias adequadas e fazer uma denúncia, cobrar um serviço melhor.
13:53Nós tivemos problemas recentes aqui na Grande Vitória, em um município,
13:58que teve uma demora para renovar o contrato.
14:01Não sei se você lembra.
14:02E o lixo ficou espalhado pela rua.
14:03E o lixo ficou espalhado e foi um caos.
14:05Os moradores não sabiam o que fazer.
14:07Porque era uma semana.
14:08Imagina uma semana de lixo.
14:09Numa rua aí com 10, 20 residências.
14:12E a gente não está acostumado com isso.
14:14E uma semana de lixo, para a gente, parece que é.
14:16São 2, 3 anos de lixo.
14:18Porque é muita coisa espalhada pela rua.
14:20Porque é um serviço que a gente não vê.
14:22Como a gente tem disponibilizado, né?
14:24Com certa frequência e com algum nível de qualidade, de maneira muito corriqueira,
14:28a gente não percebe a diferença que faz.
14:30Mas, da maneira como as cidades, sobretudo as cidades, estão estruturadas hoje em dia,
14:35sem coleta adequada de lixo, eu acho que a gente pode afirmar que a vida em situação de dignidade
14:41fica impossibilitada.
14:44A gente está falando de 80 milhões de toneladas de lixo por ano no Brasil.
14:48Imagina isso espalhado.
14:50Isso deixado a céu aberto, né?
14:52E com todas as consequências ambientais de saúde.
14:55A gente desenvolveria, eu acho, que uma maneira de vida aí, talvez eu esteja exagerando um pouco,
15:02mas talvez semelhante à idade média.
15:05Ou algum exagero.
15:06Alguns especialistas apontam que saneamento, coleta de lixo, a destinação do lixo,
15:11é o que proporcionou a nossa qualidade de vida de hoje em dia e também a nossa expectativa de vida.
15:18Porque a idade média, a expectativa de vida era de 50 anos, 45 anos era velho.
15:2450 anos já estava no final da vida.
15:26Hoje em dia, a nossa expectativa de vida é muito mais alta, né?
15:30O que eu queria te perguntar é o seguinte.
15:32É interessante para o gestor, para o futuro gestor e para o eleitor,
15:37prestar atenção no plano de governo dos candidatos, no sentido de aproveitar o lixo?
15:42Porque a gente sabe que o lixo é um problema, ok.
15:45Mas se ele for tratado, ele pode ser reciclado.
15:48O aterro sanitário pode utilizar o gás que sai do lixo lá, orgânico,
15:55para gerar energia, gerar combustível.
15:57Então, isso também é um fator para ser observado.
16:00A criatividade do gestor na hora de aproveitar ou se aproveitar desse lixo que é recolhido?
16:05Não, é um caminho, não é fundamental.
16:06Ou nós começamos a conceber formas sustentáveis de vida ou nós não vamos conseguir.
16:15Ou nós vamos ter nossas existências muito impactadas.
16:18Não existe caminho, fora que a gente repense hábitos de consumo, né?
16:23As pesquisas apontam um aumento anual da quantidade de lixo.
16:28E que ninguém está, sem querer te interromper,
16:31mas já interrompendo um pouquinho, o crescimento e essa vontade de consumir isso
16:41parece que não vai acabar e só vai aumentar, né?
16:44É o que a gente vê isso.
16:45E porque a economia gira, a indústria gira e tem que crescer e tem que ir para frente,
16:51parece que hábito de consumo, pelo menos a gente não está disposto a mudar.
16:53É, acredito que sim.
16:55A gente tem aí incentivos muito constantes a esse consumo exacerbado
17:00que se revela de maneira muito impactante, sobretudo a partir da década de 70, né?
17:06E a gente tem também um crescimento populacional exponencial, né?
17:10Nós tivemos aí, a população triplicou nos últimos 50 anos.
17:14Então, isso leva a um aumento considerável de lixo.
17:18Mas eu tenho, do volume de lixo, mas eu tenho uma informação bastante interessante, né?
17:23Que é o seguinte, nos últimos 5 anos foram parar nos lixões,
17:2945 milhões nos lixões e nos aterros sanitários,
17:3245 milhões de toneladas de materiais recicláveis que poderiam ter ido para as associações
17:40e rendido cerca de 3 bilhões a cooperativas de reciclagem,
17:44catadores e usinas processadoras que operam no setor.
17:47Então, veja bem, o processo de reciclagem, ele é sustentável em todos os níveis,
17:51não apenas pela perspectiva ambiental, mas também espacial, de mobilidade,
17:57porque você está reduzindo ali espaços de lixo e você está fomentando a geração de emprego e renda,
18:03ou seja, está mobilizando a economia.
18:05Uma matéria do jornal Folha Vitória, uma matéria muito interessante que está publicada no site, né?
18:10Conta com o depoimento da catadora Vera Lúcia Silva dos Santos,
18:13que afirmou que a cooperativa da qual ela faz parte recebeu da Prefeitura Municipal de Vitória
18:19cerca de 70 toneladas de material reciclável, né?
18:23E que é uma cooperativa que provê sustento a 20 famílias.
18:28Então, a gente acha que não, mas às vezes a gente precisa falar também
18:31que muitas vezes aquele processo de recolhimento do lixo particular,
18:36a pessoa que está na praia catando uma latinha,
18:39o catador que está ali com o carrinho recolhendo um papelão,
18:42que aquilo é uma atividade de subsistência e também sustentável.
18:47Às vezes, você simplesmente entregando um material sustentável a um catador,
18:50você não só está ali fomentando uma espécie de renda,
18:53mas você também está tendo uma atitude de proteger o meio ambiente, né?
18:57Então, eu penso o seguinte,
18:59a gente precisa discutir sustentabilidade, né?
19:03E gestores que incluem isso no projeto de maneira prioritária
19:08merecem total atenção,
19:10porque é fundamental para a possibilitação da vida nas cidades.
19:13É, e a gente fala de contrato com empresas de lixo,
19:16mas também tem que ter investimento na educação ambiental.
19:20As pessoas ainda desperdiçam um papelão
19:24que poderia ir para a coleta seletiva, não vai.
19:26Tem gente que ainda joga lixo na rua, né?
19:28Aí causa alagamento, né?
19:30Tem gente, não.
19:31Tem muita gente, inclusive entre as classes A e B,
19:34inclusive entre bairros das classes A e B,
19:36pesquisas comprovam isso.
19:38Essa questão da consciência ambiental,
19:40ela perpassa todas as classes sociais,
19:42porque ela é uma questão fundamentalmente de educação, né?
19:45Você precisa trabalhar.
19:46E é interessante, porque a consciência sustentável
19:49é trabalhada na educação de forma mais consistente
19:52há mais ou menos 20 anos.
19:53Agora, pela questão do descarga...
19:55Quer dizer, não temos evolução, não.
19:57Temos evolução, né, gente?
19:58A partir de 2010, nós temos aí...
20:00O Plano Nacional de Resíduos Sólidos é bastante interessante.
20:06Ele, inclusive, corresponsabiliza o gerador do lixo.
20:09Ele cria incentivos para o consumo consciente.
20:11Ele não traça parâmetros apenas para o devido descarte
20:19e coleta dos rejeitos e recicláveis.
20:23Não.
20:23Ele é um plano bastante robusto nesse sentido.
20:25Então, eu acho que estamos evoluindo.
20:27Não com a rapidez que mereceríamos ou precisaríamos,
20:30mas eu acho que estamos.
20:32Queria chamar a atenção do ouvinte que nos acompanha
20:35para a nossa responsabilidade.
20:37A Patrícia colocou agora, né,
20:38você que está aí jogando lixo na rua,
20:40você que não está separando o reciclável
20:44do que não é reciclável, né?
20:46Você que está jogando, descartando lixo, às vezes,
20:49numa sacola rasgada, aquilo vai ficar caindo,
20:51de repente, pelo meio da rua.
20:52Às vezes, medidas muito simples.
20:54Ou você, né, que poderia estar optando
20:56para consumir numa embalagem reciclável e não está.
21:01Coisas muito simples e que impactam, por exemplo,
21:04o orçamento de forma mínima,
21:05que a gente deixa de fazer e que, em larga escala,
21:09tem efeitos nefastos.
21:11Eu acho que um exemplo disso, por exemplo,
21:13um exemplo disso, por exemplo, é ótimo.
21:15Eu acho que um exemplo interessante disso,
21:17o descarte de lixo nos oceanos, né?
21:21Existem aí vários estudos de que a quantidade de plástico,
21:25por exemplo, microplástico,
21:28mata milhares e milhares de peixes, né?
21:31E aí você tem todo um ecossistema prejudicado, né?
21:35Você tem aí desde de...
21:36Enfim, eu acho que nós podemos contribuir
21:39não só fiscalizando e cobrando o serviço,
21:41mas tomando medidas simples
21:43e que, em larga escala,
21:44impactam muito o nosso dia a dia
21:46e o dia a dia das nossas famílias.
21:47Uma coisa que me chamou a atenção,
21:48que você falou, é
21:50deem mais atenção para o candidato,
21:52para o político, para o gestor,
21:54que tenha um plano.
21:55Isso pode ser determinante
21:57na hora de escolher um gestor
21:59nessas eleições municipais?
22:02Edu, atuando como analista
22:03de pesquisas eleitorais,
22:05eu não consigo ficar muito animada, não.
22:07Mas eu penso que deve ser.
22:10Eu penso que a gente,
22:11com tantas opções,
22:12esse ano nós temos uma média aí
22:14na grande vitória
22:15de mais de 10 candidatos por município.
22:17Entre tantas opções,
22:19eu penso que a escolha deve passar
22:20pelo candidato que priorize
22:22o que é fundamental
22:23nas nossas vidas.
22:24E por mais que esse serviço relacionado
22:27à coleta e tratamento adequado de lixo
22:29não seja tão visível,
22:31é fundamental para que a gente
22:33tenha condições mínimas
22:35de vida, de saúde,
22:37de habitação,
22:38de preservação ambiental.
22:39E aí eu estou falando também
22:40de alimentação,
22:41porque se você não tem
22:42meio ambiente preservado,
22:43isso impacta até a comida
22:45que vai para as nossas mesas.
22:47Então, assim,
22:49essa pauta,
22:50coleta de lixo,
22:51é prioritária,
22:52mais do que a gente entende.
22:54Procure planos de governo
22:55que contemplem isso.
22:56Gabi, a gente sempre fala, né,
22:58do plano de governo,
22:59do candidato.
23:00Como é que os nossos ouvintes,
23:03os nossos eleitores,
23:04eles podem acessar,
23:05ter acesso a esse plano de governo?
23:07No site dos candidatos.
23:09Todos os candidatos têm sites
23:10e nos sites o ouvinte
23:12pode encontrar tudo.
23:13Então, por exemplo,
23:14se interessou por um candidato,
23:16viu alguma matéria no Folha Vitória,
23:18aqui na Jovem Pan,
23:19na TV Vitória,
23:20pensou, poxa,
23:21gostei do projeto dele
23:22na área de saúde.
23:24Ih, mas tem a questão
23:25da coleta de lixo
23:26que impacta na minha vida.
23:27Vou entrar no site
23:27e dar uma olhadinha.
23:28Em geral,
23:29quando eles distribuem
23:30material de campanha,
23:32tem lá,
23:34pode ter aí
23:35a abordagem
23:35de algumas pautas
23:36ou vai ter o endereço
23:37do website
23:38para o ouvinte consultar.
23:40Uma possibilidade também
23:41é entrar em contato
23:41direto com o candidato
23:42e eles têm disponibilizado
23:43vários canais
23:44porque, é claro,
23:45eles querem contato com você
23:46para conquistarem seu voto.
23:48E também é obrigatório
23:49para eles publicarem
23:50os planos de governo
23:51no site do TSE,
23:53que fica disponível,
23:54qualquer um pode olhar
23:55e é o oficial.
23:56Ali não tem fake news,
23:57não tem nada disso.
23:58Ah, é.
23:59A gente pode acreditar.
24:00É verdade.
24:01É o site do TSE.
24:02Pode ser até que o candidato
24:03não cumpra o programa dele,
24:05mas o programa
24:06que ele colocou
24:07que está ali no TSE
24:08é dele mesmo.
24:09É verdade.
24:09Não, e tem um outro aspecto,
24:11né?
24:12De acordo com o programa
24:13no TSE,
24:14que está no site do TSE,
24:16a gente pode cobrar
24:17posteriormente, né?
24:18Exatamente.
24:18Você divulgou esse programa
24:20e você não está entregando isso.
24:21E aí, daqui a quatro anos,
24:22quando eles tentarem reeleição,
24:24a gente pode falar,
24:24poxa, mas você disse
24:26que ia fazer isso
24:26e não fez.
24:28E candidato que joga
24:29Santinho ali no chão,
24:30no lixo,
24:31não vai estar preocupado
24:32com o governo de lixo.
24:32Não merece seu voto, gente.
24:34É verdade.
24:35Não merece seu voto.
24:36Gabi, obrigada
24:37pela sua participação
24:38hoje aqui.
24:39Eu que agradeço.
24:40Um prazer estar com vocês
24:41mais uma vez
24:42nessa série muito interessante
24:44Desafios Municipais.
24:45Até o próximo programa.
24:46Até quarta-feira.
24:48Valeu, até o próximo.
24:49Tchau, tchau.
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