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  • há 3 semanas
No programa especial "Desafios municipais: o que cobrar de prefeitos e vereadores?", da Rádio Pan News Vitória, a comentarista de política, Gabriela Cuzzuol fala sobre mobilidade urbana e como o gestor deve atuar para tornar a cidade mais viável para motoristas, ciclistas, motociclistas e pedestres. Ela explica ainda quais são as atribuições do município no gerenciamento das vias públicas.

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00:07Boa tarde, para você sintonizado aqui na 90.5, nós damos continuidade a nossa série especial
00:14Desafios da Gestão Municipal, o que cobrar dos prefeitos e vereadores?
00:18Edu Copernic aqui conosco. Boa tarde, Edu.
00:21Boa tarde, Patrícia.
00:22Gabriela Cusual, nossa comentarista de política. Boa tarde, Gabi.
00:25Boa tarde, Patrícia. Boa tarde, Edu. Boa tarde, ouvinte da PAM. Prazer em estar com vocês mais uma vez.
00:30Hoje nós vamos falar sobre mobilidade urbana. Qual é a responsabilidade do prefeito quando se fala em mobilidade urbana?
00:38Então, Patrícia, responsabilidade fundamental, né?
00:41Em primeiro lugar, porque a mobilidade urbana é essencial para que a vida nas cidades flua, né?
00:46As pessoas têm que ter ali condição de se locomover, independente do veículo que elas escolham, né?
00:52Então, de acordo com a Lei 12.587 de 2012, essa lei instituiu a Política Nacional de Mobilidade Urbana,
01:01pela qual o prefeito deve garantir segurança no trânsito, igualdade de acesso ao transporte público,
01:06priorização de veículos não motorizados, como bicicleta e coisas assim, né?
01:11Enfim, os prefeitos, eles têm que criar um plano que possibilite que a mobilidade seja universalmente acessível
01:20e fluida a todos os munícipes, a todos os habitantes das cidades.
01:23E como é que faz isso?
01:24Através da instituição do Plano Nacional de Mobilidade Urbana no Brasil, né?
01:29Lei 12.587 de 2012, a partir da qual os municípios precisam traçar diretrizes
01:37para que a mobilidade urbana flua nos mais diversos segmentos,
01:42deixando claro que a lei contempla apenas municípios acima de 20 mil habitantes,
01:46o que significa que no Brasil, que tem 5.570 municípios, alguns milhares ficam de fora.
01:53Mesmo assim, no país, a implantação desse planejamento ainda está bastante incipiente,
02:01tanto que houve uma prorrogação de prazo, uma outra lei criada em 2020,
02:07propôs uma extensão desse prazo.
02:10E municípios que têm mais de 250 mil habitantes vão poder implementar até o final
02:15este planejamento, até o final de 2022.
02:18Municípios que tenham menos, entre 20 e 250, terão até o final do ano de 2023
02:22para traçar esse plano, que diz respeito às diretrizes municipais de mobilidade.
02:28Aí é importante a gente chamar a atenção do ouvinte, do espectador que nos acompanha,
02:33para o seguinte, quem delibera, quem legisla acerca de competências gerais,
02:40como, por exemplo, a idade a partir da qual uma pessoa pode dirigir, é a União.
02:45O município, esse planejamento, ele define diretrizes municipais,
02:52trata do transporte relacionado aos limites do município, ao território do município
02:59e regulamentação acerca de outros tipos de veículo, ciclovias, faixas de pedestre,
03:05esse tipo de coisa, para que a mobilidade do cidadão se dê de forma mais fluida.
03:10Então, para a gente evitar congestionamentos, isso cabe ao prefeito ter um planejamento
03:16aí da mobilidade para evitar esses problemas?
03:20Definitivamente, Patrícia. O planejamento, ele contempla todas essas áreas.
03:23É bastante interessante a gente levar em consideração que mobilidade não tem a ver só com ônibus, né?
03:29Em geral, é uma associação muito comum que nós fazemos, né?
03:34Associar mobilidade com ônibus, muito pelo contrário.
03:36Às vezes, uma forma de incentivar a mobilidade é estimular as pessoas a usarem outros tipos de transporte,
03:43como, por exemplo, os pools de carro, né? As caronas, os transportes em que os carros levem mais pessoas,
03:51os transportes alternativos não poluentes, como as bicicletas, né?
03:55E incentivar até políticas públicas pela qual as pessoas desenvolvam atividades próximas às suas residências, né?
04:03Isso também tem a ver com o planejamento urbano.
04:06De fato, é importante que a gente esclareça que política de mobilidade está totalmente associada ao planejamento urbano do município.
04:15Gabriela, o que eu queria que, assim, ficasse claro, que você deixasse claro para a gente era o seguinte.
04:22A mobilidade urbana é de responsabilidade do gestor municipal.
04:26Mas até que ponto? Eu te pergunto isso pelo seguinte.
04:30A gente tem características aqui no estado que são bem peculiares.
04:33Por exemplo, a gente tem uma promessa histórica, uma briga histórica para ter o aquaviário,
04:40o transporte aquaviário na Grande Vitória.
04:42Ao mesmo tempo, a gente tem no norte do estado e também no sul do estado,
04:46cidades cortadas por rodovias importantes, a BR-101 principalmente.
04:50A BR-262 também, que são rodovias federais.
04:53Federais, exato.
04:55Exatamente, mas fazem parte do dia-a-dia da cidade.
04:57O transporte aquaviário faria, já fez parte do dia-a-dia da história da Grande Vitória.
05:04A gente teve também, num passado recente, gestores levantando a possibilidade de metrô de superfície
05:12ou TLV, trilho...
05:15VLT.
05:16VLT.
05:16Veículo leve sobre trilhos.
05:18É a mesma coisa.
05:20A gente viu que isso funcionou no Rio de Janeiro, pelas Olimpíadas, pela Copa do Mundo.
05:27Mas como é que o eleitor não cai nas promessas do gestor que sabe que não vai conseguir fazer um
05:33projeto mirabolante desse?
05:35Como é que o eleitor sabe, pode detectar isso num plano de governo de um candidato a gestor?
05:42É muito bem colocado, Edu.
05:44Então, o eleitor precisa se atentar ao fato do gestor estar propondo competências que não são atribuições do município.
05:51Por exemplo, se algum candidato está propondo que vai criar um novo sistema Transcall,
05:56em que você interligue, por exemplo, transporte de municípios diferentes,
06:01fica ligado porque ele está te enganando.
06:03Se algum gestor propõe, vou fazer parceria com o Presidente da República para construção ou reparação de rodovias federais,
06:11ou vou, por exemplo, suspender pedágios de rodovias estaduais, também está mentindo.
06:17Conforme a gente tem colocado aqui, o gestor municipal delibera apenas a cerca de mobilidade nos limites do município.
06:25A Lei nº 12.587, de 2012, pode ser resumida em três pilares.
06:32O primeiro é a realização de investimento. O que é isso?
06:35O município precisa investir no que se chama de estrutura viária.
06:38Construção e manutenção de vias, calçadas, ciclovias, viadutos.
06:42Deve cuidar também dos terminais, dos pontos de ônibus e das paradas de transportes coletivos.
06:47Que terminais, gente? De ônibus municipais.
06:50Se você está insatisfeito com o Transcall, não é questão do prefeito.
06:55Transcall, a gente está falando de mobilidade intermunicipal, interligação de vários municípios.
07:00É competência estadual.
07:03Também precisa prestar serviços essenciais de transporte coletivo urbano.
07:07O que seria?
07:08Já que eles não têm essa responsabilidade pelo transporte coletivo aqui na grande vitória do sistema Transcall.
07:16Pois é, mas do sistema municipal tem.
07:18Vitória e Vila Velha tem.
07:20Exatamente, no caso do sistema urbano.
07:22E aí é importante a gente ressaltar que essa responsabilidade da prestação de serviço não significa que a prefeitura tem
07:28de prover.
07:29A prefeitura pode estabelecer uma concessão como de fato ocorre.
07:33transferir a responsabilidade da prestação de serviço para empresas privadas.
07:38Ou seja, se você está insatisfeito com o ônibus que você utiliza, é competência da prefeitura também que regulamenta.
07:45O que é a regulamentação?
07:47Estabelece os parâmetros, as diretrizes, como aquele transporte tem que ser, o que ele precisa oferecer, quanto ele pode cobrar
07:54de passagem.
07:55Por isso que nos tradicionalíssimos protestos de 2013, não é por 20 centavos, o que se cobrou?
08:03Que a tarifa dos ônibus municipais da cidade de São Paulo fosse mantida em um determinado valor.
08:07Isso é determinado por quem?
08:09Pela prefeitura.
08:10Por quê?
08:10Porque é transporte municipal que vai circular nos limites da cidade.
08:16E outra coisa acerca da qual a prefeitura delibera é a concessão de isenções, de benefícios, determinadas categorias que vão
08:24ter isenção ou pagar uma passagem mais em conta, esse tipo de coisa.
08:28É importante ressaltar o seguinte, que as manutenções dos ônibus, do transporte, ficam a cargo das empresas.
08:36São elas as responsáveis por manter uma frota em condições de higiene, em condições de utilização, uma frota nova, em
08:44condição de circulação.
08:46Ah, e se eu estou insatisfeito com os meus ônibus, o que eu faço?
08:50Eu denuncio, deixo a prefeitura saber que aquele transporte não está adequado.
08:54Porque aí, num novo processo licitatório, numa nova contratação ou renovação daquele contrato,
08:59a prefeitura fica ciente de que as determinações da contratação não estão sendo cumpridas e pode pensar em substituir ou
09:07utilizar os devidos meios para que a sociedade tenha o serviço de acordo conforme rege a lei.
09:13Gabriela, a gente vê nas cidades, no Espírito Santo, a gente tem algumas cidades bastante antigas.
09:19Sim.
09:19Que cresceram desordenadamente.
09:21Então, a gente vê calçada que não dá para passar uma pessoa, a gente vê calçada grande, a gente vê
09:25ruas estreitas.
09:26A prefeitura, o gestor, tem como reordenar a cidade, a obrigação dele reordenar a cidade nesse sentido?
09:34Definitivamente, a manutenção das vias de mobilidade também é uma atribuição bastante importante da prefeitura.
09:39E, mais uma vez, eu coloco que a gente não tem mobilidade dissociada de planejamento urbano.
09:47Na verdade, as áreas da gestão pública estão todas interligadas, como a gente vem colocando aqui, reiteradamente, nesse programa.
09:54A gente não pode separar como se elas funcionassem de forma isolada.
09:59Não só a manutenção de calçadas, como também de vias urbanas, as ciclovias, que são muito importantes também.
10:08Isso tudo fica a cargo da gestão municipal.
10:11Reiterando, com a devida regulamentação federal, conforme eu coloquei, se tem algum candidato a prefeito prometendo que as pessoas vão
10:21poder começar a dirigir a partir dos 12, 13 anos de idade,
10:25fiquem espertos, fiquem ligados.
10:27Esse tipo de coisa não pode acontecer porque a regulamentação é federal.
10:30Se um prefeito decide, por exemplo, proibir as ciclovias na cidade, não quero mais ciclovias na minha cidade, não vai
10:36mais ter.
10:37E aí não tem nenhuma justificativa específica, se é que existe alguma, creio que não.
10:43Mas, enfim, também não é um tipo de deliberação que, sem alguma justificativa bastante severa, creio eu, que pudesse ocorrer.
10:51Existem diretrizes federais para que se promova e se universalize a mobilidade com qualidade.
10:57Falando sobre congestionamento dentro da mobilidade, Gabriela, você acha que aqui na Grande Vitória falta uma parceria entre os municípios,
11:06já que somos uma metrópole, uma região metropolitana, e precisa haver essa unificação para poder tentar resolver o problema do
11:14trânsito?
11:14Se um carro quebra na rodoviária de Vitória, prejudica o trânsito de Cariacica.
11:18Se acontece um problema na descida da terceira ponte, prejudica o trânsito em Vila Velha.
11:22Teria que pensar de forma unificada?
11:24Definitivamente, Patrícia, até porque a frota de carros entre 2010 e 2020 dobrou, completamente desproporcional ao aumento populacional.
11:36O que eu penso que possa dificultar um pouco essa integração entre os municípios no sentido de promover uma mobilidade
11:45melhor é a falta de planejamento.
11:47A gente está falando aqui no plano municipal de mobilidade, quer dizer, se os municípios da Grande Vitória, vários deles
11:54ainda não apresentaram esse plano.
11:56Quer dizer, se eles desenvolvessem os planejamentos, podendo até trocar informação, com certeza isso facilitaria a vida do cidadão.
12:04Até porque na Grande Vitória é muito comum que o cidadão viva em um município, trabalhe em outro, faça esse
12:10deslocamento intermunicipal ao longo do dia.
12:14E é bastante interessante a gente pensar que mobilidade urbana é um processo realizado em parceria entre União, Estados e
12:22municípios.
12:23Não pode haver imposição, sabe?
12:26O governo do Estado, por exemplo, não pode determinar que a partir da semana que vem, os cinco municípios da
12:32Grande Vitória desenvolvam em um ano um planejamento que contemple o CIM.
12:36Não é assim, né? Existe uma lei que obriga os municípios a apresentarem, a integração precisa ser proposta, é um
12:43processo, não existe esse tipo de característica impositiva.
12:48Existem as regulamentações gerais e aí vai descendo até que chega a municipalidade para desenvolver a sua própria e executar,
12:55provendo serviço aos cidadãos.
12:56A gente viu acontecendo na Grande Vitória uma mudança de trânsito no sentido de dar mais, teoricamente, mais fluidez, mas
13:06gerou uma série de críticas por parte dos moradores,
13:10que foi uma faixa exclusiva para ônibus, transporte coletivo de uma forma geral.
13:16A gente viu também uma experiência em São Paulo com o ex-prefeito Haddad, que distribuiu ciclovias pela cidade.
13:24Só que também não foi tão bem aceito assim. Então, em alguns lugares, as críticas eram porque a ciclovia tirava
13:31espaço dos carros,
13:32aí aquela briga entre ciclistas e motoristas. Qual é o meio termo? Onde o gestor deve chegar para atender a
13:40população?
13:41Com a nossa realidade aqui do Estado.
13:43Pois é, Patrícia, Edu, eu penso que a baliza de todos esses processos devem ser pesquisas, devem ser estudos, né?
13:51Você falou do município de São Paulo, é um município com características, inclusive, geográficas diferentes das nossas.
13:56Completamente diferentes, né?
13:58É um município que passou por um processo de desenvolvimento urbano muito diferente do nosso.
14:03É um município em que esse próprio processo de ordenamento municipal, de desenvolvimento urbano, de planejamento urbano,
14:12tem características muito distintas a depender dos bairros, das regiões, né?
14:17Então, é fundamental que se desenvolvam estudos, né?
14:20E, a partir disso, se propõe um planejamento.
14:23Você está falando de algumas medidas que foram implementadas no sentido do planejamento urbano na Grande Vitória.
14:28Agora, muitas vezes, nós observamos a execução das medidas.
14:32E a gente não observa aquilo em um planejamento de mobilidade urbana desenvolvido em médio prazo.
14:38Ou seja, fica aquela medida por si só, tomada com o intuito de resolver um problema que, de fato, tem
14:47uma amplitude muito maior,
14:48que envolve o município inteiro, né?
14:50Então, por isso, é fundamental que os municípios da Grande Vitória desenvolvam o seu plano de mobilidade
14:58com base na Política Nacional de Mobilidade Urbana do Brasil, balizado em estudos, né?
15:03O município de Vitória, por exemplo, deu uma declaração em uma reportagem do site Folha Vitória
15:09de que eles contrataram uma consultoria, né?
15:12Então, uma consultoria, em tese, tem a obrigação de desenvolver os devidos estudos para que isso se desenvolva.
15:20E é muito interessante essa sua fala, porque a gente precisa pensar a política pública
15:25como algo que vai além da ação de um gestor específico.
15:29Um plano de mobilidade não é algo que vai ser implantado pelo período de um ano e ano que vem
15:34vai virar uma coisa completamente diferente.
15:35Não. Ele é feito por um período maior para que realmente possa melhorar a situação de mobilidade, né?
15:43E aí ele vai sendo revisto a fim de que se contemple as necessidades da população.
15:48E o que acontece com o município que não entregar esse plano de mobilidade?
15:53Se não for feita uma nova ampliação de prazo, ele vai deixar de receber recursos federais para a implantação do
16:01devido plano
16:02e o munícipe, o morador, vai ser prejudicado.
16:05De fato, já é, porque a gente não pode ter política de mobilidade urbana dissociada de desenvolvimento urbano.
16:14A gente tem uma população crescente em níveis absurdos, a gente tem frotas de carros que crescem em níveis absurdos.
16:20Precisamos trazer também a questão ambiental.
16:22Tem uma questão ambiental grave envolvida aí na questão da mobilidade urbana, né?
16:28Então, melhor cumprir.
16:30Para o trânsito funcionar melhor, a gente sabe que são uma série de fatores, né?
16:36Eu vou citar um deles, que é, por exemplo, a sincronia de sinais de trânsito.
16:41Para quem está no trânsito, no dia a dia, principalmente na Grande Vitória,
16:44a gente consegue perceber claramente que não há na Grande Vitória sincronia de sinais.
16:48Simplesmente é inexistente.
16:51Como que o cidadão cobra isso, essas medidas específicas?
16:55Eu estou falando especificamente de sincronia de sinais.
16:59Está no nosso dia a dia.
17:00Mas falo também sobre distribuição de agentes de trânsito pela cidade.
17:05Como é que o cidadão cobra isso?
17:07Como é que o cidadão cobra a melhoria,
17:09indo direto a esses pontos que ele identifica no dia a dia da cidade como deficientes?
17:14Cobra a prefeitura, né? Definitivamente.
17:17E, sobretudo, nesse período eleitoral,
17:19verifica-se no plano de governo dos candidatos pelos quais eles se interessam,
17:24esse tipo de coisa está contemplado.
17:26E aí, Edu, há um fator bastante interessante,
17:29que é a generalidade dos planos de governo dos candidatos
17:34no que se refere à mobilidade.
17:37Você vai ter aí a proposta em vários planos, né?
17:40Eu estudei praticamente todos.
17:43Você vai ter aí eles falando que vão implantar a Política Nacional de Mobilidade Urbana.
17:48Mas tudo muito genérico, né?
17:48Muitas propostas no sentido de construção de ciclovias, ciclofaixas,
17:54zona de redução de velocidade.
17:56Em alguns, incentivo à utilização de veículos alternativos,
18:00até também por conta da pauta ambiental.
18:02Mas tudo muito genérico, tudo muito similar.
18:05Então, identifique o que é importante para você.
18:08Você é aquele eleitor que precisa utilizar o carro?
18:12Você é o eleitor que utiliza o transporte público?
18:14Você é o eleitor que utiliza uma bicicleta,
18:17para quem é uma ciclovia importante para você?
18:18Como é o serviço que você recebe hoje?
18:20No planejamento do seu candidato, como aquilo está descrito?
18:23O que ele pretende fazer?
18:24Aquilo te serve?
18:26Então, eu penso, eu analiso dessa forma.
18:29Identifique o que é importante para você.
18:30E eu acho que, sobretudo, em médio prazo.
18:32A gente tem que pensar que os gestores agora
18:34estarão conosco pelo período de quatro anos.
18:37Será que daqui a quatro anos eu quero,
18:41as ciclovias que eu tenho hoje,
18:45desde 2012, por exemplo, em Vitória,
18:47houve ampliação de 13,71 quilômetros de ciclovia,
18:5118,36 quilômetros de ciclofaixa.
18:53Eu, por exemplo, ando muito de bicicleta,
18:56eu utilizo muito.
18:56Quer dizer, para mim é pouco.
18:58O que seria ideal para mim seria um plano de governo
19:01que contemplasse uma ampliação mais substancial
19:04desse tipo de veículo.
19:05Não só porque eu acho que, para mim, é muito eficiente,
19:09mas como tem, até onde eu analiso,
19:11traz uma série de efeitos positivos para a cidade.
19:14Inclusive, gente, o gestor municipal,
19:16ele pode estimular o uso de veículos alternativos,
19:20inclusive concedendo alguns benefícios fiscais.
19:23Existem uma série de formas de estimular.
19:25Realização de campanhas de conscientização também, né?
19:29Os gestores, eles têm uma amplitude muito grande
19:31de funções que podem realizar
19:34para desenvolver esse tipo de transporte mais viável
19:38para as cidades do futuro, inclusive.
19:40É, investindo em ciclovia, você tira o carro da rua,
19:44você tira o passageiro de dentro do ônibus,
19:45porque tem muita gente que gosta de pedalar,
19:48que poderia utilizar a bicicleta para ir trabalhar, por exemplo,
19:51mas não vai porque não se sente seguro.
19:53Tem medo ali de dividir a pista com o carro, com o ônibus.
19:57Exatamente.
19:57Você tira o passageiro do transporte público,
19:59você tira o carro da rua.
20:00É importante a gente salientar que cada vez mais existem campanhas
20:04para que mais pessoas usem menos carros.
20:07Se você faz um trajeto todo dia,
20:09vai junto com o seu vizinho, vai junto com uma pessoa, né?
20:11Tem a questão ambiental, você polui menos, né?
20:15E outra coisa, o uso de transporte alternativo
20:16possibilita também a vivência do dia a dia na cidade, né?
20:19Você anda ali pelo lugar que compõe o seu dia a dia,
20:23pelas proximidades do seu trabalho, né?
20:25Você tem um outro olhar, né?
20:27Você incentiva também, de alguma forma, o comércio local,
20:31a convivência entre pessoas que utilizam o mesmo ambiente.
20:34Você passa a ter um outro nível de interação com as cidades.
20:37E, na verdade, vários tipos de transporte alternativos.
20:41Eu acho que é muito importante que a gente faça uma menção
20:43ao fato de que empresas de aluguel de bicicleta
20:47tentaram se instalar em alguns municípios da Grande Vitória
20:50e as prefeituras se posicionaram de forma contrária,
20:53porque forneciam esse mesmo serviço, né?
20:56Enquanto nós estamos aqui apontando os inúmeros benefícios, né?
21:00Da popularização desse tipo de transporte alternativo.
21:03Então, assim, oferta de transporte alternativo,
21:07oferta de formas alternativas de um cidadão se locomover
21:11são extremamente benéficas aos municípios,
21:15precisam ser estimuladas, difundidas e muito difundidas.
21:19E eu acho também que é bom citar que esse olhar da gestão pública
21:24tem que ir um pouco além.
21:25Você falou de incentivos e tal, mas a pessoa que vai trabalhar de bicicleta,
21:28por exemplo, precisa ter no lugar de trabalho um local que possa tomar um banho,
21:32possa colocar uma roupa mais limpa,
21:34porque sabe que está na rua, pegou uma chuva ou um lugar mais empoeirado,
21:38não vai chegar, vai chegar suado.
21:40Então, faz parte do papel do gestor também propor esse tipo de incentivo, né?
21:46Isso é claro, você pensar a cidade por esse olhar, por esse viés,
21:50faz parte do que se chama de Plano Nacional de Mobilidade Urbana.
21:53Às vezes, Edu, é um investimento mínimo,
21:55é você conseguir prover um local ali para a pessoa colocar a bicicleta dela.
21:59Às vezes, é um olhar de gestão no sentido de você liberar
22:01uma empresa que faça um aluguel barato de bicicleta ou de patinete.
22:05Por que não patinete?
22:06É um veículo de locomoção alternativa, né?
22:08Muito usado por adolescentes, você está tirando pessoas do transporte público,
22:13elas passam a ter uma outra relação com a cidade, né?
22:16Você ter aí uma ciclovia, você ter aí um espaço melhor cuidado.
22:20E eu acho que a gente precisa pensar também no tipo de relação custo-benefício, né?
22:24É o tipo de relação que, pela perspectiva do custo-benefício,
22:28é muito eficaz.
22:29E eu estou falando de vários tipos de recurso,
22:32desde o recurso material, financeiro, até o recurso ambiental,
22:36até você ter menos gente utilizando frota de ônibus, muitas vezes, né?
22:41A gente tem pessoas que utilizam ônibus seis vezes ao dia.
22:44Às vezes, a pessoa que trabalha num local mais distante, oito vezes ao dia.
22:47Pega dois, três ônibus para ir, dois, três ônibus para voltar.
22:52Então, isso tudo faz parte do olhar do gestor.
22:54E no que se refere à mobilidade, nos limites do território do município,
22:59o gestor pode fazer muito, né?
23:01E, como falei, eu tenho estudado bastante os planos de governo
23:05por conta desse trabalho que temos realizado.
23:07Acho muito genérico, muito focado no que as pessoas querem ouvir,
23:13no que se refere à mobilidade urbana.
23:15Mas sem aprofundamento.
23:16Sem aprofundamento, sem o foco nos detalhes,
23:19que é o que faz a diferença na política pública municipal.
23:22Gabriela, obrigada mais uma vez pela sua participação aqui.
23:25A gente se encontra na sexta de novo, aqui às três e meia da tarde.
23:29Eu que agradeço.
23:30Um prazer estar com vocês mais uma vez.
23:32Estamos esperando todos na sexta, às três e meia da tarde.
23:35Até sexta, Edu.
23:36Até sexta, Patrícia.
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