Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 3 semanas
Produtor musical e jornalista, Edu Henning entrevistou 260 artistas e personalidades culturais durante a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus. Confira no canal do vocalista da icônica banda Big Beatles lives que abordam desde a trajetória musical a questões curiosas de importantes nomes da música brasileira.

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00E aí
00:16Ana, obrigado, hein, Ana? Valeu, aqui, eu não entendo absolutamente nada, Ana, médio.
00:26Dois. Não, mas deu certo, deu certo. Quero agradecer a vocês dois, a você pelo carinho, Ana, pela atenção. Estou
00:34muito feliz. Você está bem? Está tudo bem, Mauro?
00:36Está tudo ótimo, Mauro. Está tudo ótimo, tudo bem, obrigado. É melhor agora que a gente conseguiu bater o contato
00:42e vamos bater um patente. Está tudo certo.
00:46Mauro Alceu Amoroso Lima Celise. Você é nome de conde, rapaz.
00:53O seu nome não dá na carteira de identidade comum e mortal, não cabe. O cara tem que abreviar, senão
00:59não cabe.
01:02Passa do limite ali.
01:05Como é que foi? Você nasce no Rio, aonde? Como é que foi a atmosfera musical dentro de casa? Como
01:12é que foi essa granulada nos primeiros anos da vida, até os dez anos? Como é que foi isso?
01:21Olha, eu nasci no Rio, nasci em Botafogo e tal. E lá em casa, meus pais, eu me lembro que
01:29eles ouviram muito Frank Sinatra, né?
01:31Que era da época. Eu nasci em 50. Acabei de fazer 70 anos agora, 18 de maio. Então, naquela época
01:37maravilhosa, né?
01:38Frank Sinatra e música brasileira também. Mas eu, naturalmente, bom, até dez anos, eu não me lembro muito bem.
01:45Mas depois, na juventude, eu, com 16 anos, eu era totalmente roqueiro, muito de comportamento.
01:52Eu tinha um cabelão até aqui, que aproveitei bem enquanto tinha. Agora já está meio difícil.
01:58Eu boto o chapéu e vai esfarçando.
02:02Mas eu realmente...
02:04Mas o roqueiro, o Maurinho, o roqueiro, lá com os dez anos, você, em 1960,
02:14aí você tinha ali um rock, aquele rock abrindo e virando rock and roll, com as bandas de rock progressivo
02:26começando a chegar.
02:28Era isso o teu conceito musical ali naquele momento?
02:33Realmente, dez anos eu não me lembro. Eu me lembro um pouco mais, sei lá, 15 anos aí.
02:38Gostava muito dos Beatles. Isso eu me lembro, assim, uma clara.
02:43E o pessoal mais...
02:47Naquele filme lá, Easy Ride, eu me lembro que isso aí me fez a cabeça.
02:54Steppenwolf, aqueles grupos assim.
02:56Jimi Hendrix, eu gostava.
02:58Eu não sabia absolutamente nada.
03:01Nunca tinha ouvido falar em Pixinguinha na vida, em BBC,
03:05e em Miles Davis, em Wayne Shaw, todos os meus grandes ídolos.
03:09Jamais.
03:09É uma cultura totalmente em comportamento ali, né?
03:13E meus amigos também.
03:15Aí começou...
03:17Eu tinha que definir com...
03:19Já pulamos eu com 17 anos, tenho que entrar para a faculdade, não sei o quê, vou fazer jornalismo e
03:26tal.
03:27Mas aí, deixa eu só entender um momento antes de você chegar à PUC e jornalismo.
03:32Dali para baixo, instrumento musical, você já mexia, já começou...
03:39Absoluto, zero, zero, zero, zero, zero.
03:42Ô Mauro, você está me dizendo que você começou a tocar depois dos 17 e toca desse jeito?
03:47Minha primeira aula de flauta foi em dezembro de 1970, eu já com 20 anos, quase fazendo 21.
03:56Isso é raríssimo, isso é raríssimo, rapaz.
03:59Está no meu livro lá, da Odete Ernest Dias, minha grande professora.
04:05Agora, eu com 18 anos, por causa do Bob Dylan, que era da época,
04:09peguei uma gaitinha que aparentemente é um instrumento fácil de tocar,
04:14mas não é qualquer um que vira um Maurício Einhorn ou um Rio de Janeiro,
04:19um Tud's Tinderman, de jeito nenhum.
04:21Mas assim, você faz...
04:23Fuma um baseado naquela época, achava que estava tocando, então não era o caso.
04:28Mas eu me lembro assim, o pessoal já tocava um violão,
04:32aí para não ficar de fora, eu pegava gaita, ia para cá e para lá,
04:35mas eu era...
04:35Não, Mauro, para, para, para, está fora do tom, sei lá.
04:39Quer dizer, zero.
04:41Isso já com 18 anos.
04:42Antes era dizer, eu nunca mexi com nada de música, nada, nada.
04:47Meu avô, por parte de pai, tocava flauta, mas não era profissional.
04:53Lá em Jaú, interior de São Paulo, eu me lembro de passar em minhas férias lá,
04:59com aquela pracinha de um coreto, em 1960, 65.
05:04E meu avô, que eu nunca ouvi tocar, mas tocava flauta e sax alto,
05:09que são os mesmos instrumentos que eu toco.
05:11Quer dizer, eu ainda toco soprano e tal, mas enfim, basicamente meus instrumentos,
05:15olha que coisa engraçada.
05:16Mas eu muito...
05:17Isso o avô, por parte de pai.
05:20É, por parte de pai.
05:21O avô, por parte de mãe...
05:24É que era o Alceu Amoroso Lima Cenizo, que eu acho...
05:28Alceu Amoroso Lima, por parte de mãe.
05:32Olha só, eu acho que aí valem dois capítulos que a gente poderia focar nessa árvore sua aí.
05:39Porque você está dizendo que o avô, por parte de pai, tocava sax e tocava gaita.
05:47E o avô, por parte de mãe, foi um crítico literário de importância.
05:54Foi um escritor de muita importância, um homem do texto.
05:58Salvo engano, salvo engano, em 1965, seu avô teve um livro que foi cogitado ao Prêmio Nobel de Literatura.
06:09Então, eu acho que esses dois elos lá em cima da sua árvore precisam ser valorizados nessa conversa que a
06:17gente está tendo aqui.
06:19O mais interessante, com certeza, o mais interessante é o seguinte.
06:23Eu já começando a tocar flauta em 1970, aí meus pais ficaram meio apavorados.
06:29Falei, eu vou trocar, eu vou trancar a faculdade.
06:32Eu já estava na PUC, fazendo seis meses, mas não me senti bem naquele ambiente, meio iupizinho.
06:38Nem existia essa palavra.
06:39Jornalismo, jornalismo.
06:41Eu gostava de escrever, tinha um certo talento e tudo, mas não pegou na veia.
06:50Aí, quando eu comecei a tocar, peguei uma flauta e comecei a ter aula com Odete Ernest Vias, na ProArte,
06:57e ela me recebeu muito bem, apesar de eu já estar com 20 anos, tinha a menor noção, zero.
07:03Quem foi Moza, quem foi Bach, quem foi Pixinguinha, quem foi Debussy, zero.
07:08Cultura, zero.
07:09Você devia ser um dos alunos mais velhos, devia ser um dos alunos mais velhos, e talvez o menos preparado.
07:18Com certeza.
07:19Não, absolutamente zero.
07:22Peguei uma flauta mais ou menos e tal, comprei a flauta, comprei essa flauta, e depois peguei um sax, mas
07:29aí tinha um ano depois.
07:30Aí, olha que interessante.
07:32Minha mãe e meus pais ficaram meio, pô, mas você vai, música é uma profissão, você já está com 20
07:38anos, lógico, compreensível.
07:40Uma profissão muito insegura, faz pelo menos uma faculdade, aquela coisa.
07:46Aí eu, não, mas eu quero e tal.
07:48E a Odete, olha que essa fase de Bach, que coisa linda.
07:51Assim, eu falei, caramba, essa mulher tem a mesma idade que a minha mãe, mas ela fala umas coisas interessantes.
07:58Eu fiquei meio encantado com uma pessoa mais velha, que na época ela devia ter, hoje ela tem 90, ela
08:04tem 20 anos a mais do que eu, exatamente.
08:07Então, se eu tinha vindo, imagina, 40, super jovem.
08:10Mas, para mim, já era uma senhora.
08:12Aquelas coisas, a gente achava que mais de 30 anos, aquela música do Marcos Valle, já era velha.
08:20Então, eu fiquei encantado com aquele, ela viajava, olha essa frase aqui de Bach, que frase, onde é que está
08:29escrito?
08:29Quer dizer, não tinha zero.
08:30Mas ela foi me fazendo a cabeça, devagarzinho.
08:34Bom, para resumir a história, minha mãe chamou o meu avô, o Alceu Amoroso Lima, que morava ali pertinho, na
08:40rua Paissanduro, morava em Laranjeira.
08:41Para ir lá em casa e me vir tocar.
08:44Uma pecinha, que eu confesso que eu não lembro, devia ser um trechinho de uma sonata ou um prelúdiozinho de
08:50Bach.
08:52Aí, eu toquei, devo ter acertado, meio nervoso, e me lembro, meu avô sentado assim, uns 10 metros, era uma
08:58sala grande, naqueles apartamentos antigamente.
09:02Aí, terminou, ele bateu o palco e falou, até que enfim um artista na minha família, olha que barato.
09:08E ele falou, e esse cabelo, tinha um cabelão, minha mãe devia estar achando bom, meu avô vai falar que
09:15olha...
09:16Vai enquadrar o neto, vai enquadrar o neto.
09:19Ele falou, esse cabelo está lindo, está parecendo São Francisco de Assis.
09:24Cara, você lembra disso?
09:27Agora, olha só que ponto interessante, porque quando você entra para a faculdade de jornalismo,
09:34você representava para o seu núcleo familiar uma continuidade do avô, o nome das letras.
09:42Coisas, esse cara vai representar.
09:44Aí, quando você vira o jogo e larga o jornalismo, em seis meses, e abraça a música com 20 anos
09:51de idade,
09:51sem saber o que é um ré, a sua mãe chama seu avô para ver se dá uma enquadrada,
09:57e seu avô te empurra em direção às artes.
10:01Que coisa, que história bacana, cara.
10:03É bacana, é muito legal.
10:06Eu nunca mais esqueci disso.
10:08Até que, enfim, um artista na família.
10:11Olha que barato.
10:11Aí eu fiquei nas nuvens.
10:13E esse cabelo...
10:14A minha mãe falou, mas e esse cabelo ao seu, ou papai, sei lá,
10:18esse cabelo não está muito grande?
10:20Aí ele falou, está parecendo São Francisco de Assis, está lindo.
10:24Aí acabou.
10:26Foi muito bom.
10:29O outro ponto interessante desse começo da nossa conversa,
10:32a importância do mestre, a importância do ensino acadêmico,
10:42dos primeiros passos serem agradáveis.
10:46Você encontrou uma professora que era da idade da sua mãe,
10:51que a gente sabe que nos anos 70, com cinco anos já era um coroa mais do que você,
10:57você está falando de uma pessoa de 20 anos mais do que você,
10:59e que te recebe com toda a maternidade possível, da forma maternal possível,
11:09te ensinando com paciência.
11:11E parece, pelo que eu sei das suas histórias,
11:15que ela te ensinou muito mais do que a linha erudita.
11:19Ela começa a te mostrar outros caminhos que te levam ao Moura, ao Paulo Moura.
11:24Com certeza.
11:25Explica esse ponto para a gente, para a gente chegar entre o erudito e o jazz, e o popular.
11:33Pois é.
11:34E ao mesmo tempo, eu tranquei a faculdade, mas eu estava perdido da música,
11:40não fui assim, finalmente descobri.
11:43Foi assim, confesso, uma fuga.
11:46Eu vou pegar uma flauta, porque eu estava meio perdido mesmo na vida.
11:50Aquelas coisas de garoto com 18 anos e tal, mas eu sabia que jornalismo,
11:55ou pelo menos a PUC naquela hora, não estava legal, não estava fazendo a cabeça.
12:00Mas eu falei, eu não tenho menor talento para a música, eu não sei nada,
12:05meu ouvido é horrível.
12:06Entrei, então, a Ondete realmente me acolheu muito legal,
12:11foi me mostrando os grandes mestres e tudo.
12:14E eu fui, confesso que, tomando, eu ainda morava com os meus pais naquela época,
12:19de brasileiro, mora com os pais até 30 anos e tal.
12:22Então, eu podia estudar, não estava preocupado em pagar aluguel nem nada.
12:25Eu realmente estudava oito horas por dia.
12:28Até hoje, eu estudo bastante, sempre fui muito interessado.
12:31Mas eu estudava bastante para poder compensar o tempo perdido.
12:36Eu falei, caramba, estou com 20 anos, eu tenho que ir em bocadura,
12:39a flauta é muito chata, o som falha, a desafinação.
12:43É um instrumento difícil mesmo.
12:45O começo machuca muitos lábios, você até achar a posição certa.
12:50Exatamente, é muito complicado.
12:53Mas, enfim, fui lá e tinha o pessoal no meu prédio,
12:57no Laranjeira, eu morava no segundo andar, no quinto andar,
13:00e o Tenório Júnior, que foi assassinado, grande pianista,
13:04foi assassinado pelos milicos lá na Argentina.
13:07O Vitor Assis Brasil, outro grande saxofonista,
13:12compositor, enfim, eu até tive umas aulas.
13:14No teu prédio, no teu prédio, os dois.
13:16Eles moravam lá, mas eles faziam um som, que eles diziam,
13:19no quinto andar, que era onde morava o cara que namorava a minha irmã.
13:24Depois até casou com ela.
13:26Roberto Pôr, era uma casa muito legal, os pais dele eram bem,
13:29recebia todo mundo, enfim.
13:31Só que, olha que interessante, eu ia lá,
13:33e eu me lembro deles ouvindo uma coitária, pianista, né?
13:37Aí, bicho, bicho, olha essa frase.
13:40Aí eu falei, pô, de novo essa coisa de frase?
13:42Eu não estou ouvindo frase nenhuma, né?
13:44Porque é...
13:46É uma frase, ficou bom.
13:48Eu te amo...
13:49A música fala, a música fala, bicho.
13:51Só que eu não tinha amenó, amenó, não dizia zero, zero.
13:57Eu estava desesperado.
13:59Eu falei, não estou ouvindo frase nenhuma,
14:00porque, realmente, é uma linguagem mais complicada,
14:05mais rebuscada e tal, não é...
14:10Sei lá, qualquer um entende.
14:11Enfim, mas olha que interessante.
14:13Aí eu fui, começando, um pouquinho, me seduzir,
14:16o cara explicava, eles também me deram a maior força.
14:19O Maurinho, ela chamava de Maurinho,
14:21que eles eram mais velhos, mas eles gostavam de mim e tal.
14:25Maurinho está aprendendo flauta e tal.
14:28Olha aqui, escala da maior.
14:29Um pouquinho de harmonia, o mínimo.
14:32Isso aqui é dó maior, isso aqui é dó menor.
14:34Ah, existe dó maior, dó menor.
14:36Eu não sabia que eu estava nesse nível.
14:38Sabia nada de música, como um todo, vamos dizer.
14:42E a Odete lá, bacana.
14:44Aí eu falei, poxa, gostei.
14:46Aí eu assistindo o Vitor tocar,
14:48mesmo sem entender,
14:49para mim era um monte de notas sem menor sentido.
14:52E o Vitor era genial.
14:54Aí eu falei, olha, tem um amigo meu
14:55que pode te emprestar um saxofone.
14:57Ele falou, era o Zemelo.
14:58Um cara até já faleceu e tal.
15:00Então, eu era um amador.
15:02Bom, para resumir, ele me emprestou um sax alto.
15:04Aí eu falei, bom, vou estudar com o Paulo Moura.
15:07Ou ele me indicou, confesso que eu não lembro exatamente.
15:09Ou talvez a Odete, acho que foi a Odete,
15:11que era muito amiga do Paulo.
15:13Porque o Paulo tocava no Teatro Municipal.
15:16Era o primeiro clarinete do Teatro Municipal.
15:18E a Odete tocava na USB e tal.
15:20Mas, enfim, ele se conheceu,
15:21porque já eram dois grandes mestres.
15:25E a Odete tem a cabeça super aberta,
15:27e o Paulo também.
15:28Aí fui estudar com o Paulo Moura.
15:30Ele dava aula em conjunto.
15:31Eram seis alunos ao mesmo tempo ali,
15:33no antigo MIS,
15:34na cidade, Museu de Imagens do Sol,
15:36naquele cineminha.
15:38A gente ficava ali meio no palco,
15:39e o Paulo sentado.
15:40Bom, agora é você.
15:42Aí dez minutos para cada um, aquelas coisas.
15:44Eu começando.
15:45Aí eu não sei porquê,
15:46e o Paulo achou que eu tinha algum talento.
15:49Olha, vou te dar aula lá em casa particular,
15:52em Copacabana,
15:54na República do Peru ali.
15:56Falei, pô, que maravilha.
15:57Então eu tive seis anos de aula,
15:59todo sábado,
16:00e depois a gente saía para a gafieira.
16:03Vou te ensinar,
16:04vou te mostrar como é que é também um sax,
16:07mais gafieira,
16:09como as pessoas dançam,
16:10como a música faria as pessoas dançarem, etc.
16:12Enfim, então eu fui nessa,
16:14um lado mais clássico com a Odete,
16:16mas sem radicalismo,
16:17porque foi a Odete que me apresentou
16:19o Pixinguinha, inclusive.
16:21Eu tive um quarteto Pixinguinha na época,
16:23e hoje em dia virou...
16:24Peraí, a professora de música erudita
16:28te apresenta a música popular do Pixinguinha,
16:30que não deixa de ter um lado erudito,
16:34o Pixinguinha,
16:35não vamos discutir, sabe?
16:36Mas é muito legal esse toque também,
16:38como a cabeça da figura era aberta.
16:41Exatamente, exatamente.
16:43E ela adora improvisar do jeito dela,
16:45ela é francesa,
16:47então nós vamos improvisar.
16:49Ela fala que ele é francês, né?
16:50Aí ela não é um improviso de blues,
16:53de escala de jazz, de bebop,
16:56que ela não sabe,
16:57mas ela sai viajando,
16:59dá umas notas,
17:00ela é genial,
17:01ela é uma pessoa maravilhosa,
17:03foi fundamental.
17:04Estudei seis anos também,
17:06ou sete anos com ela,
17:07sempre com a cabeça muito...
17:09Não, você tem que ouvir de tudo,
17:11você tem que gostar de choro,
17:13de jazz,
17:14e a música clássica,
17:15lógico, são os grandes mestres...
17:17Quebraram o preconceito
17:19daquele menino cabeludo
17:20que gostava de rock.
17:21É, exatamente.
17:22Exatamente.
17:23Agora, olha que loucura
17:25que a gente está...
17:25O quadro que a gente está pintando aqui.
17:27Você, menino cabeludo,
17:29perdido,
17:30se achando,
17:31procurando,
17:31sem certeza de absolutamente nada,
17:34começa a pegar um instrumento em 1970
17:39e se dedica com 20 anos,
17:42sem saber absolutamente nada
17:43de porcaria nenhuma,
17:45e cai na mão de pessoas certas.
17:47Eu acho que essa é a grande sacada
17:50de uma professora erudita
17:51que te apresenta a Pixinguinha,
17:53de um grande saxofonista
17:55chamado Paulo Moura
17:57que te apresenta outras coisas.
17:59O Assis Brasil,
18:01no mesmo prédio,
18:02que te leva ao jazz.
18:03Quer dizer, você tem erudito,
18:05clássico, popular, jazz,
18:08tudo chegando até você.
18:10Exatamente.
18:11Mas tem um ponto importante
18:13que a gente não pode esquecer.
18:15Vamos dar dois passos para trás.
18:17Que é o fato de você
18:20vir de uma família
18:22que a leitura era algo
18:25que devia estar contida
18:27no seio familiar,
18:29tanto que você se jogou
18:30para o jornalismo,
18:31o avô,
18:33o avô,
18:35o crítico
18:36e um escritor.
18:39Quer dizer,
18:40ali existia
18:41o Maurinho curioso.
18:43Sim.
18:45Sim.
18:45Com certeza.
18:46Essa curiosidade
18:48te formou
18:48uma personalidade musical.
18:50Exatamente.
18:51Exatamente.
18:52Não tem mais uma dúvida.
18:53E o lado profissional,
18:56olha que interessante.
18:57O Paulo Moura
18:58fazia muitos arranjos
19:00naquela época.
19:01E o Wagner Artizo,
19:03grande pianista,
19:04compositor, lógico,
19:05todo mundo sabe,
19:06estava chegando no Rio,
19:07ou tinha chegado
19:08um ano atrás,
19:09mas, enfim,
19:10ainda não era conhecido
19:11em 71, 72.
19:13E o Paulo dava
19:14muita arranjo
19:15para ele fazer.
19:16O Wagner já era um cara
19:17muito ligado em arranjo,
19:18harmonia,
19:19sempre foi muito bom nisso.
19:20Então, o que acontecia?
19:21Eu já, em 1973,
19:24quer dizer,
19:24eu com 73,
19:26tinha dois anos e meio
19:27de música,
19:28eu já gravei aquele disco
19:30Milário dos Peixes,
19:31aquele disco do Milton,
19:32muito bonito.
19:33Um emblemático disco.
19:35É.
19:35Com o Som Imaginário,
19:37que era Nivaldo Ornelas,
19:38Tony Horta,
19:39Robertinho Silva e tal,
19:40e Luiz Alves.
19:42E eu laria na orquestra,
19:43de Simoku e tudo,
19:44mas, enfim,
19:45tendo que ler
19:45aquele negócio ao lado,
19:46eu me lembro do Márcio Malar,
19:48nunca mais esqueci,
19:49me dando a maior força.
19:50Boa, garoto!
19:52Bacana!
19:52Quer dizer,
19:54fui cercado também
19:54de pessoas muito,
19:55muito generosas comigo.
19:57Mas, enfim,
19:58o Paulo Moura,
19:59como a Odete não tinha
20:00enturmação com gravação,
20:02ela não,
20:03entendeu?
20:04Ela era professora
20:05e concertista,
20:06mas o Paulo Moura já era,
20:08o Paulo fazia arranjo
20:09para a Sueli Costa,
20:10com quem eu conheci,
20:12eu adoro a Sueli até hoje,
20:14a Gonzaguinha,
20:16enfim,
20:16todos aqueles caras de Daudeon,
20:17então,
20:18o Wagner também.
20:19aí,
20:19Mauro,
20:20tem gravação amanhã.
20:21Eu comecei a ganhar
20:22um dinheirinho,
20:23já profissionalizando,
20:25e gravação,
20:25você sabe,
20:26tem que chegar
20:26e ler ali na hora.
20:28Então,
20:29eu meio,
20:29tinha gravação
20:30meio difícil,
20:31mas aí tinha o Copinha,
20:32grande mestre,
20:33Copinha,
20:34calma,
20:34garoto,
20:35eu vou,
20:35olha,
20:35a divisão é,
20:36pá,
20:37pá,
20:37pá,
20:37pá,
20:38pá,
20:38Cantava assim a divisão,
20:40aí eu tocava meio de ouvido,
20:42meio lendo,
20:43meio lendo,
20:44mas tinha que tocar,
20:45olha,
20:45cuidado que o si bemol
20:46tá um pouco alto,
20:47afinação,
20:48era um perrengue danado,
20:49e ela tudo...
20:50Mas já ganhava um troco,
20:52ganhava um troco,
20:53então,
20:54você pode dizer que,
20:55em 70,
20:56você começa uma aula,
20:59dois anos e meio depois,
21:00você já tá gravando um disco,
21:02que é Milagre dos Peixes,
21:03do Milton,
21:05que é um disco que tá na história
21:06da indústria fonográfica brasileira.
21:08Quer dizer,
21:09com dois anos e meio
21:10de aprendizado,
21:11você já tava profissional,
21:14o que tava ganhando?
21:15Dinheiro pra mim,
21:15profissional.
21:16Exatamente.
21:17Então,
21:18realmente,
21:19aí depois comecei a tocar
21:20com o Wagner Ortiz,
21:21fazer show com quem eu...
21:22Pô,
21:23eu tenho um eterno agradecimento
21:25até hoje,
21:25me ajudou muito,
21:27me botou em muitas gravações,
21:29e gravei muitos LPs,
21:31a gente é da época do LP,
21:33com o Wagner,
21:34ele também me ensinava muita coisa,
21:35não,
21:35cuidado desse acorde aqui,
21:37você não tá improvisando legal,
21:38essa nota evita esse cibemol aqui,
21:40porque...
21:41Ah,
21:41enfim.
21:42Então,
21:43meu aprendizado é meio assim,
21:45depois com Hermeto,
21:46com Egberto,
21:47com Luiz Ester,
21:47com Peranzetta,
21:48com Cristóvão Bach,
21:49só fera.
21:50Nossa,
21:51só monstro.
21:52E você lá,
21:53é um deles,
21:54você é um deles,
21:55cara.
21:55Agora,
21:56olha só,
21:57com Hermeto você tocou sete anos,
21:59com Tiso você tocou doze.
22:01É,
22:02exatamente.
22:02Cara.
22:03E às vezes,
22:04às vezes ao mesmo tempo,
22:06quer dizer,
22:07eu tocava com
22:08em Vaga,
22:09mas já tocava com o Hermeto,
22:10e eu sou muito profissional,
22:11muito organizado de horário,
22:13de agenda,
22:14e nunca deu zebra,
22:15eu morria de medo de deixar alguém na mão,
22:18imagina,
22:19meus grandes ídolos e tal.
22:21Então,
22:21felizmente,
22:22depois foi o Egberto também,
22:24meio junto com o Hermeto,
22:26porque não eram tantos shows assim,
22:29então dava para conciliar,
22:30eu fazia agenda direitinho e tal.
22:33Enfim,
22:33só mestre,
22:34quer dizer,
22:36você aprende muito,
22:37o Hermeto morou lá em casa uma semana,
22:39quando ele veio para o Rio,
22:40ele morava em São Paulo,
22:42eu o conheci numa gravação do Taiguara,
22:45um disco bacana,
22:46que tem um nome indígena,
22:47Taixi,
22:48agora não vou lembrar o nome bonito do Taiguara,
22:50um disco bonito,
22:51e o Hermeto escreveu para uma super orquestra enorme,
22:54na Odeon,
22:55que era ali na rua Rio Branco,
22:59no centro do Rio?
23:00No Rio?
23:01Odeon no Rio.
23:02No centro do Rio.
23:04E aí,
23:05a orquestra toda ali tinha uns seis flautas,
23:08era um negócio enorme,
23:10e eu tocando ali,
23:11o Hermeto escreveu difícil também,
23:12aquelas divisões dele,
23:13falei,
23:16caramba,
23:17não vou conseguir ir.
23:18Aí ele veio até a estante de música,
23:21nunca mais escrito,
23:21Maurão,
23:23tinha tido me apresentar,
23:24bacana,
23:26gente jovem,
23:27estava o Raul Mascarens também, que
23:28mais ou menos começou com o mito saxofonista.
23:31Aí ele bateu assim na...
23:33Ó, pá, pá, pá, pá, pá,
23:35pá, pá, não, não, não, cuidado, ó.
23:37Enfim, me ensinou a divisão
23:39que era complicada mesmo, ainda mais naquela época.
23:41Aí eu suando, frio,
23:43mas consegui gravar e tal. Ele falou,
23:44eu gostei de você. Amanhã
23:46eu estou em São Paulo fazendo show, ele morava em São Paulo.
23:49Quer pegar um ônibus e ir pra lá?
23:51Eu falei, meu Deus do céu, é tudo que eu quero
23:53na vida. Aí ele pegou um ônibus
23:55cedinho. Fui pra São Paulo
23:57tocar com ele. Primeiro show que eu fiz
23:59com o Hermeto na vida. Olha que bacana.
24:01Então é... Que muito bom.
24:03Um ensaio só, só consegui ensaiar
24:05entender duas músicas.
24:07O show tinha, sei lá, dez músicas.
24:09Aí duas músicas, fiz uma participação, morrendo
24:11de medo e tal, mas... E ele deixou
24:13eu abrir o show dele.
24:15Olha que loucura. Tava no camarim
24:17com pico daquela flautinha pequenininha.
24:19Tinha acabado de comprar, tava todo
24:21empolgado. Aí ele passou assim
24:23no camarim, deu o segundo sinal.
24:25Pô, bonito esse som aí. Falei, é,
24:27Hermeto, o pico e tal. Eu trouxe, quem sabe
24:29se você quiser usar. Não, gostei.
24:31Você vai lá e vai abrir o show pra mim.
24:32Falei, que isso?
24:33Caralho, assim de cara?
24:35De lata?
24:36É, né?
24:36Até assim.
24:37Aí você apertou o furigo, como se
24:41diz na gíria, e invadiu o palco.
24:43O que é que você tocou?
24:44Não, eu fiz um... Aí eu falei,
24:47mas, Hermeto, o que eu vou tocar?
24:48Fiz essa pergunta.
24:50Falei, fecha o olho,
24:52improvisa uma coisa,
24:53pensa, pensa num pássaro,
24:55porque o pico não induz, é um pouco
24:56um passarinho,
24:57é um instrumento um pouco chato,
24:59se você ficar muito tempo, é muito agudinho,
25:01meio... Ainda mais eu tinha muito pouco...
25:03Se fosse faltar meio carreira,
25:04tudo bem, mas eu tinha pouco recurso,
25:07assim...
25:08Dominava pouco o bichinho, né?
25:10Tinha pouco domínio.
25:11Eu sei o seguinte, olha que bacana.
25:13Aí eu tô...
25:14Não me lembro.
25:15Improvisando.
25:16Eu diria, pãe, pãe, pãe,
25:17fazendo umas coisas assim,
25:18meio abstrata.
25:19Daqui, sei lá,
25:20pra mim durou 20 minutos,
25:21mas deve ter durado 3 minutos.
25:23Começou a entrar, assim,
25:24o grupo inteiro,
25:26tem a harmonia.
25:27Pãe,
25:27é o Nivaldo Ornega,
25:29era o Nivaldo Sartmanis,
25:30que eu adorava e adoro até hoje.
25:32Pãe,
25:32aquelas coisas meio,
25:34meio Miles Davis,
25:35dos anos 70,
25:36sabe?
25:36Beach Brew,
25:37meio viagem.
25:39Aí a Leusa,
25:40a gente balançava aqueles negócios,
25:42tudo da época, assim.
25:43Aí o pai do Hermeto
25:45tocando uma sanfona
25:46super rústica.
25:48E...
25:50Uma confusão,
25:51no bom sentido,
25:52um free,
25:53que a gente chama.
25:54A cara de Hermeto Pascoal,
25:55por sinal.
25:57Aí ele chegou do meu lado,
25:59com a flotinha,
25:59foi chegando.
26:00Pronto, Maurão.
26:01Pode sair, Maurão.
26:02Pode sair.
26:02O meu ouvido,
26:04gentilmente.
26:05Pode ir, Maurão.
26:06Depois eu te chamo.
26:07Vai, vai.
26:08Quer dizer,
26:09me fez sair.
26:09Aí todo mundo bateu.
26:10Pô, eu chorei.
26:11No palco.
26:12Lógico, cara.
26:14E a gente pode chamar isso
26:16da sua estreia no palco?
26:18É.
26:20Pelo menos que me marcou
26:22profundamente.
26:23Talvez eu...
26:23Não,
26:24eu já devia ter tocado
26:25com o Wagner,
26:25que também foi genial, lógico.
26:28Mas estava ensaiado,
26:29tudo escrito.
26:30É.
26:30Mas essa roubada
26:31foi a primeira
26:32das várias outras
26:33que você encarou na vida.
26:35É tipo...
26:35Ah, é.
26:36É tipo o Ernesto.
26:37Ele bota a pessoa
26:39no bom sentido
26:40no fogo,
26:40mas ao mesmo tempo
26:41você cresce,
26:42você realmente
26:43tira energia
26:44e não sabe
26:45de onde.
26:46Muito bacana.
26:47Aí, em 1985,
26:51aparece você
26:52com um dos grupos
26:53mais importantes
26:56daquele momento
26:57e ainda até hoje,
26:58que é o Cama de Gato,
26:59que foi um grupo
27:00que deu uma cara
27:01para o Chorinho,
27:02para a música instrumental,
27:04que deu
27:05um outro patamar,
27:08no bom sentido,
27:09sem desmerecer
27:10absolutamente ninguém,
27:11mas trouxe
27:11uma jovialidade
27:14para o Chorinho
27:14naquele momento.
27:15Exatamente.
27:16É verdade.
27:17É verdade.
27:17É verdade.
27:18E era o
27:19Pascoal Meirelles,
27:21eu e o Pascoal
27:22somos os fundadores,
27:23grande batera.
27:25E bem no comecinho
27:27é o Romero Lubango,
27:29que mora em Nova Iorque
27:30há 30 anos,
27:31grande violonista,
27:32que eu já tenho
27:32dois CDs gravados com ele,
27:34tem um com o Edu Lobo,
27:35nós ganhamos um leme,
27:36inclusive, etc.
27:37E até amanhã
27:38eu vou estar com ele,
27:39ele chegou em Nova Iorque,
27:39hoje me ligou,
27:40amanhã eu vou estar com ele
27:41aqui no Rio.
27:41E o Nilson Maiton,
27:43um baixista também,
27:44que está morando
27:44em Nova Iorque
27:45há 30 anos.
27:46Bom, para resumir,
27:47aí eles,
27:48olha, nós vamos para Nova Iorque,
27:49mas não tinha o nome do grupo.
27:51Aí eu falei,
27:52pô, mas a gente,
27:53vocês vão embora?
27:54É, a gente vai embora,
27:55porque no Brasil está ruim
27:56e tal,
27:57mas, pô, sugere um nome
27:58para o grupo e tal.
28:00Aí eu falei,
28:00Cama de Gato,
28:01o Nilson Maiton é quem deu.
28:02Bom, aí chegou o Rick Pantoja,
28:05que eu não conhecia,
28:06que é um grande tecladista,
28:07compositor,
28:08ele tinha estudado na Berkman,
28:10se formou e tal.
28:12E o Arthur Maia,
28:13com 17 anos.
28:15Outro mostro.
28:16Vamos chamar o Arthur,
28:17tem um garoto muito bom
28:18em Niterói e tal.
28:19Assim formou
28:20essa formação mais clássica,
28:23gravamos quatro CDs
28:24com essa formação,
28:25depois o Rick voltou,
28:27que está lá até hoje,
28:28há 20 anos,
28:29em Los Angeles,
28:30da aula,
28:31professor,
28:31também sabe tudo de música.
28:33O Arthur,
28:34infelizmente,
28:34já foi.
28:35E aí entraram o Jota Moraes,
28:37que é um gênio também,
28:38o Jotinha,
28:39maravilhoso,
28:40música excepcional,
28:41vibrafone,
28:42piano,
28:43compositor,
28:43um gênio também.
28:45E o André Meiva,
28:46um ótimo baixista,
28:47também no lugar do Arthur.
28:49Quer dizer,
28:49isso já tem 20 anos.
28:52E o Milbo era o último.
28:53É, mas eu acho
28:54que o Cama de Gato
28:55tem um capítulo
28:57importantíssimo
28:58na música instrumental brasileira,
28:59principalmente por esse item
29:01que nós colocamos aqui agora,
29:02que naquele instante
29:04ela joga uma luz,
29:06a banda,
29:07o grupo,
29:07joga uma luz
29:08sobre o chorinho
29:10de uma forma,
29:12de um frescor,
29:14traz um frescor
29:15para o negócio.
29:15É verdade,
29:16é verdade.
29:18E depois com a entrada,
29:20só para fechar aqui,
29:21a entrada do Milbo Araújo,
29:22que é um grande percussionista,
29:23hoje em dia é um quinteto,
29:25e com a entrada do Jota
29:27realmente ficou mais brasileiro,
29:30mas assim,
29:30mais contemporâneo.
29:31O Jotinha é meio na linha
29:32do Hermeto,
29:33o Hermeto adora ele,
29:34inclusive,
29:34é um cara muito criativo
29:36e tem umas composições
29:38interessantes,
29:39mas assim,
29:39com frescor,
29:40como você está dizendo
29:41melhor do que eu,
29:43Baião,
29:44Maracatu,
29:45Choro,
29:46quer dizer,
29:46o Henrique tem um pouco
29:48do Lange de Los Angeles,
29:50mais americano,
29:51que é maravilhoso,
29:52grande compositor,
29:53mas o Jota trouxe mais para cá
29:55e o Mingo entrando,
29:57então tem Zabumba,
29:58sabe,
29:58uma coisa bem rústica brasileira,
30:00mas com harmonia
30:00super interessante,
30:02o André Neiva também,
30:03um grande baixista,
30:04Pascoal nem se fala,
30:05então é um grupo que eu adoro,
30:07espetacular,
30:08muito legal
30:08e tem um grande prazer
30:10em tocar com eles.
30:11Em 88 você lançou
30:13seu primeiro disco.
30:15É,
30:15Mauro tem isso.
30:17E eu estou errado,
30:18eu fiz uma conta hoje,
30:19você dá muito trabalho,
30:21Mauro,
30:21você me deu muito trabalho hoje,
30:22porque eu fiquei contando
30:23seus discos,
30:24eu cheguei a 39,
30:26eu estou errado?
30:27Não,
30:28está certíssimo,
30:29certíssimo,
30:31certíssimo,
30:31é isso aí.
30:32Quer dizer,
30:32em 88 você lançou
30:34seu primeiro disco
30:35e na sua história
30:36você tem 39 discos.
30:39É.
30:39Cara,
30:40vamos ser sinceros,
30:41você é um flautista,
30:45é um saxofonista,
30:47com quase 40 discos,
30:49é uma vida
30:50fonográfica,
30:52de registro,
30:53invejável
30:54para qualquer artista
30:55do mundo
30:55e qualquer país
30:56desse planeta.
30:58É,
30:59é porque,
31:02sei lá,
31:04a minha mulher,
31:05Ana Luisa também,
31:06que a gente está casado
31:07há 20 anos,
31:09ela é jornalista e tal,
31:10mas gosta,
31:11sabe muita coisa de música,
31:12então ela me ajuda muito,
31:13porque eu,
31:14como te falei,
31:14sem nem ligar um celular,
31:16eu sou péssimo,
31:17se dependesse de mim,
31:18eu estava passando
31:19fome de badaponte ali,
31:20porque eu não ia arranjar show
31:21nem num boteco da Lapa,
31:24entendeu?
31:24Então,
31:24tem esse lado também profissional,
31:26tem o outro lado
31:28que ela agita para mim,
31:29faz as capas maravilhosas,
31:32e dá muita ideia,
31:33ela tem uma cabeça muito boa,
31:35ela é produtora,
31:36fazer aquele projeto Aquarius,
31:38com carabiché,
31:39enfim,
31:39ela acaba um pouco.
31:40Eu queria,
31:41eu quero falar do projeto Aquarius
31:42porque você teve num,
31:43porque eu fui lá,
31:44eu fui em vários,
31:45mas você teve num,
31:46salvo engano,
31:49com o produtor dos Beatles,
31:52você estava nessa?
31:53Eu estava lá debaixo da chuva,
31:55eu estava lá debaixo da chuva.
31:58É,
31:59incrível.
32:00Aquele dia foi emblemático,
32:02cara.
32:03Aquele dia foi emblemático,
32:04foi um grande show de vocês,
32:06cara.
32:07Aí,
32:07só para quem não sabe,
32:09projeto Aquarius,
32:10jornal O Globo,
32:11Jardim Botânico,
32:13um dia com orquestra sinfônica,
32:16com o coral dos milímetros de Petrópolis,
32:19um grupo formado por grandes músicos brasileiros,
32:22George Martin,
32:23o produtor dos Beatles,
32:24veio ao Brasil para reger
32:26na Quinta da Boa Vista,
32:28e o mundo cai de chuva
32:31em cima daquele palco.
32:33A orquestra não toca,
32:36resolve recolher seus instrumentos,
32:38porque com certeza iriam todos para concluir,
32:42mais na coxia,
32:44esses caras...

Recomendado