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  • há 2 semanas
Produtor musical e jornalista, Edu Henning entrevistou 260 artistas e personalidades culturais durante a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus. Confira no canal do vocalista da icônica banda Big Beatles lives que abordam desde a trajetória musical a questões curiosas de importantes nomes da música brasileira.

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00:11Gustavo, primeiro eu quero te agradecer muito a tua boa vontade aí, hoje a gente tentando
00:15fazer essa conexão e você com toda boa vontade, com todo carinho para que a coisa funcionasse
00:22direitinho, tá ok? Bacana, obrigado, hein? Obrigado a você, meu amigo, tô feliz pra caramba de estar
00:27aqui com você. Me conta uma coisa, você nasce no Rio de Janeiro, Carioca da Gema e quando a gente
00:33pensa, olha a coisa interessante, quando a gente pensa na cor do som, a gente pensa num grupo da
00:39Bahia, né? Primeira coisa que passa na cabeça é quem chega no quadro e que não conhece a história
00:44de vocês, pela história do Moraes Moreira, pela força que o Armandinho tem e aí você nasce no
00:52Rio de Janeiro e dentro de casa, o que que você curtia? No primeiro momento...
01:00Primeira coisa, três a dois, são três cariocas e dois baianos, tá? Eu sei disso, eu sei bem disso, mas
01:08dentro
01:09de casa, o que que você ouvia no seu, nas suas primeiras influências, assim, o que que teu velho
01:17tocava, ouvia, o que que sua mãe rolava, o que que tinha de atmosfera musical que te atingiu
01:24inicialmente, Gustavo?
01:26Olha só, eu era moleque, meu pai, meu pai era gaúcho, entendeu? De Erechim, eu tinha aqueles
01:34nichos de coração de mãe, daquela turma lá do sul, essas peixeirinhas, eu ouvia essas coisas,
01:42mas assim, eu, é, isso não me influenciou em nada, eu tinha vitrola lá, eu, eu ficava
01:50ouvindo, eu ouvia muito, na época eu era moleque, eu ouvia a TV Rio, via o Jovem Guarda,
01:56via o programa do Roberto Carlos, é, mas eu não, eu não me ligava em ser músico, a ideia,
02:03a ideia, eu posso contar, para você entender, o povo entender o que está acontecendo, é
02:09dizer, como é que começou tudo, eu tenho que explicar o que aconteceu na minha vida,
02:15moleque. Aí, assim, eu me amei, eu tinha 15 anos, e aí eu estava no Pedro II, perto da
02:23minha casa, ali no Maitá, eu ouvia Beatles, Rolling Stone, mas já tinha o que eu falei,
02:29Jovem Guarda, eu tinha uma TV preto e branco lá em casa, eu curtia os programas, adorava o
02:35Roberto Carlos, a Elasmo, a menina, como é que é?
02:42Vanderléia.
02:43Vanderléia.
02:44E isso é óbvio, que eu curti muito, porque na época era mais rock and roll, e isso sempre foi
02:51bacana, eu sempre gostei de tudo isso aí, mas as minhas influências eram, naquela época
02:58eu estava abrindo os condições do auge, então eu comecei, eu comecei não, eu tinha uma vida
03:08assim, normal, de estudante, de secundário, entendeu?
03:12E aí eu, eu, eu, eu, eu, eu, a gente tinha as festinhas na minha rua, no Maitá, as
03:19essências, e nessas festinhas, de vez em quando aparecia um menino, que era meu vizinho, tudo
03:25começa assim, tinha um vizinho no meu prédio, morava no 8º andar, esse vizinho, o Robertinho,
03:30morava no 3º andar, e ele simplesmente tinha uma bateria.
03:36Foi ele que eu não teve uma ideia, não tinha na cabeça nada disso.
03:41Eu apenas, eu, e aí quando ele, ele era mais velho um pouquinho, já tinha uns 19 anos,
03:45ele tocava nas ruas, na noite, ele tocava com uma banda, uma banda que na época chamava
03:52The Youngsters, tocava até no Canecão e tudo, e ele resolveu um dia, ele era as festinhas,
03:59ele levava os tambores para ter uma vacuna lá, e no belo dia ele falou para a rua inteira
04:03lá do Maitá, e aquela área toda ali, que ele ia dar aula de bateria.
04:08E aí foi a galera, a cabeça da toda, foi um monte de gente experimentar essa loucura,
04:15essa ideia diferente.
04:17E não passou um, dois meses, estava só eu lá, e ele me incentivando, me dando força,
04:22e eu fui gostando da história.
04:26Aí eu descia para o 3º andar, fazia aula com ele, subia para o 8º andar, montava a batera
04:31com cadeira, sofá, e inventava lá, botava Beatles, 9 Trollers, ficava tentando acompanhar,
04:38e assim a vida, mas tudo isso era bagunça, era de farra, não tinha nenhum propósito maior,
04:45entendeu?
04:46A coisa foi andando, na medida em que eu fui gostando, e aí eu comecei a...
04:52Mãe, vou botar bateria.
04:56A história toda vem de trás, porque meu pai faleceu com...
04:59Eu tinha 12 anos e 63, e hoje em dia eu fico pensando, será que minha mãe teria deixado
05:06eu fazer essa loucura toda, essa força toda, porque meu pai era gaúchão, advogado.
05:11Braco!
05:12Aquele gaúcho brabo!
05:13Mas ele era...
05:15Eu não tenho uma ideia se ele ia participar
05:17dessa loucura.
05:19Mas sua mãe abraçou
05:22sua mãe abraçou a sua vontade
05:24e te deu a bateria
05:26com 16 anos.
05:27Então eu entendi o seguinte...
05:29Aí já era 67.
05:30Eu ia fazer...
05:33Eu tinha 15, 16, isso mesmo.
05:36Você tinha 15, 16,
05:38você já tinha um ano,
05:39mais ou menos um ano de aula
05:41com o Robertinho quando a sua mãe
05:43te deu a bateria.
05:46Foi emocionante.
05:47Eu me lembro de montar a bateria lá de qualquer maneira
05:49na sala, lá.
05:51Não tinha muita noção.
05:53Devia estar tudo meio desafinadão mesmo.
05:55Aí eu comecei a fazer um barulho lá
05:56que o vizinho subiu logo o vizinho na porta
05:58e batou com a capaí.
05:59O vizinho era um vizinho, um senhorzinho.
06:01Meu filho, que inferno é esse?
06:04Falei, caralho, tô fudido, tô ferrado.
06:07Eu vou ter que dar um jeito.
06:09Aí minha cabeça eu pensei
06:10e joguei um lençol em cima
06:12da bateria, abafou tudo
06:14e eu comecei a brincar daquele jeito.
06:16Eu tinha uns amigos meus do prédio
06:17que tocavam mais ou menos também.
06:20Eles começaram a fazer umas brincadeiras
06:21na casa de um no prédio,
06:22levavam a bateria pro vizinho de cima.
06:25Mas enfim, tudo assim,
06:27meio na bagunça.
06:28Não havia essa objetividade.
06:30Gustavo, Gustavo,
06:31Gustavo,
06:32uma pinguim branca
06:35foi a sua primeira bateria.
06:38Você tem noção
06:39de quanto agora
06:40você, um homem,
06:42um profissional realizado
06:44que já fez de tudo um pouco,
06:46o quanto deve ter sido
06:48difícil pra tua mãe,
06:50tô falando difícil pra sua mãe,
06:53comprar um bateria,
06:54não é igual comprar uma flauta
06:55ou um violão.
06:56A bateria é a cara.
06:58É por isso que eu admiro.
07:01Caro,
07:02eu me lembro que custou
07:021.500 cruzeiros.
07:04Nunca vou esquecer isso.
07:06e foi na loja
07:07Clarim da Independência.
07:09Ainda era lá na rua
07:10Dom Pedro I,
07:11ali pela área
07:14do centro da cidade,
07:16por ali, né?
07:19E ela deve ter pago
07:21umas 500 prestações.
07:23Sim,
07:23um sacrifício danado, né, Gustavo?
07:26Isso é uma loucura.
07:27Minha mãe é uma pessoa
07:28que ela é clarividente,
07:29que ela viu coisas que eu não...
07:30Ela me deu uma força,
07:32um empurrão.
07:33Aí aconteceu o seguinte,
07:34eu morava
07:35ali,
07:36tinha uma bateria
07:38e eu tinha os vizinhos ali,
07:39eu andava por ali,
07:40tudo,
07:41aquelas coisas paralelas
07:42ali perto de casa,
07:43Martins Ferreira,
07:44o Amar,
07:45não sei o quê.
07:46Pai,
07:47um belo dia
07:47encontrei com um menino
07:48que era um cara mais velho também
07:50que falou,
07:51Gustavo,
07:51eu sou pra você ter uma bateria.
07:52Olha como é que começa o negócio.
07:54Eu falei assim,
07:56pois é,
07:57eu trabalho com uma banda de baile,
07:59eu sou um cantor.
08:00Eu conheci ele de vista,
08:01mas ele era a turma
08:02daqueles cinco anos mais velhos,
08:03assim,
08:04você,
08:04nessa época,
08:04a diferença é muito grande,
08:05né?
08:06Mas ele falou,
08:07Gustavo,
08:08vai ter lista da gente,
08:09o menino tá ruim na escola,
08:10o pai vai tirar,
08:10essa é uma história
08:11que eu ouvi várias vezes.
08:13Aí eu quero saber
08:14se você topa,
08:15eu falei,
08:16é,
08:16topo.
08:18aí eu costumo falar assim,
08:19a minha verdadeira escola foi o baile,
08:21por quê?
08:21O que eu aprendi lá,
08:23que foi mais ou menos,
08:24assim,
08:24um apanhado geral desse menino,
08:26Robertinho,
08:28mas ali o baile me incentivou
08:30a aprender música,
08:32eu vi o disco,
08:33tinha um repertório de 80 músicas,
08:35100 músicas,
08:36era aquele repertório
08:36pra você tocar em baile
08:37quatro horas.
08:39E diferente,
08:41e diferente,
08:42vários estilos durante a noite,
08:44isso também.
08:44eu tive que tocar em parede americana,
08:46música brasileira,
08:47o que tava fazendo sucesso
08:48no momento,
08:50cara,
08:51aí eu tive que me virar sozinho,
08:53né,
08:53mas foi por aí.
08:54Aí foi quando você entrou
08:56pra Blackfoot,
08:57que foi seu primeiro grupo.
08:58Eu quero só entender um...
09:00Eu quero só entender uma coisa,
09:02Gustavão,
09:03do momento que sua mãe
09:04te deu a bateria,
09:06ao momento que você estreou
09:08com a Blackfoot,
09:09quanto tempo isso demorou?
09:12Ah,
09:13no mesmo ano de 67.
09:16Doideira, né?
09:17Ó,
09:17rápido, hein, cara?
09:19É,
09:20aí a gente ia lá
09:22ensaiar,
09:23ave-maria,
09:25uma loucura.
09:27Era uma turma lá
09:28do Catete,
09:30ali,
09:31mais ou menos,
09:32do Catete,
09:33ali no meio do bairro do Catete,
09:36Flamengo,
09:36Catete,
09:37ali.
09:38Mais meio Flamengo,
09:40era.
09:40E eu ia lá no prédio
09:42do Marquito,
09:43que era o guitarista básico,
09:45que tinha lá,
09:45a gente botava...
09:46Era lá que a gente ensaiava.
09:48E aí eu tive uma ideia.
09:51Vamos lembrar,
09:53como é que você tirava
09:54o repertório?
09:54Você pegava o disco,
09:56ouvia o disco
09:58e tirava em cima.
09:59Não tinha partitura,
10:01não tinha MD,
10:04CD,
10:04facilidade,
10:05não.
10:05O cara tinha que ser...
10:07Juntava todo mundo.
10:08Como é que fazia?
10:09Juntava a banda inteira?
10:10Porque nem todo mundo
10:11tinha o disco.
10:13É.
10:13Trocava cassete.
10:14Como é que era
10:15essa distribuição
10:17do repertório?
10:17disso lá,
10:18isso eu via lá
10:19e ia tentando fazer
10:21mais ou menos igual.
10:22Eu aprendi muita coisa
10:24na marra, assim,
10:25entendeu?
10:26Não é mole, não.
10:27Não é mole, não, cara.
10:30E ao mesmo tempo,
10:31eu fazia o secundário,
10:34o ginásio,
10:35eu continuaria estudando,
10:36entendeu?
10:37O objetivo era
10:38aquela velha padrão
10:39antiga,
10:40que era ser engenheiro
10:41médio.
10:42Aí,
10:44chegou na época
10:45do pré-vestibular,
10:47desculpa,
10:48pulei.
10:49Então,
10:49em 68,
10:5167,
10:5268,
10:52foram os bairros
10:53da vontade da vida.
10:54Eu me lembro,
10:55eu toquei no Canecão
10:55com essa banda,
10:56minha mãe teve que ir
10:59naquele negócio.
11:00Juizade Menores.
11:01Juizade Menores,
11:02para ter autorização
11:03para eu tocar no Canecão.
11:05Eu toquei no Canecão
11:05com 17 anos.
11:08Em 68.
11:09Foi uma história
11:10nessa banda.
11:11Nessa fase,
11:13antes do Bubbles,
11:15você tocou,
11:15Bubbles é uma história
11:16à parte,
11:17vamos chegar daqui a pouco
11:18lá,
11:18porque aquilo ali
11:18é uma página importante
11:20no rock do Rio de Janeiro
11:21e do Brasil.
11:22Então,
11:22antes de chegar
11:23no Bubbles,
11:24você tocou em duas bandas.
11:26Foi o Black Foods
11:27e o outro era
11:29Cougars,
11:30uma coisa assim.
11:31De Cougars,
11:31de Cougars,
11:32é.
11:33Você pesquisou,
11:34meu amigo.
11:35É isso.
11:36E tinha
11:36esses dois mesmos
11:38caminhos,
11:39música na noite,
11:40baile,
11:41tocava 4,
11:425 horas por noite,
11:43tinha que ir
11:44regressar no bar.
11:45Não,
11:45quando eu fui para o
11:46The Cougars,
11:47é porque eu saí
11:49do Black Food,
11:50foram dois anos,
11:51aí deu aquela vontade,
11:52rock and roll,
11:54deu aquele tesão,
11:54eu quero tocar rock and roll,
11:56parar de ficar fazendo
11:57bailinho,
11:58esse negócio.
11:59Mas é coisa de moleque,
12:00se você pensasse assim,
12:01caraca,
12:01estou fazendo um negócio
12:02muito louco,
12:03não sei o que vai dar.
12:04dinheiro que é bom,
12:05minha mãe,
12:06tudo que eu ganhava
12:07eu dava para a minha mãe,
12:08meu filho,
12:08os bairros,
12:09toda a minha régua que entrava
12:10eu dava para a minha mãe,
12:11eu olhava com ela.
12:12Eu não sei,
12:13não sei dever,
12:14eu devia ela o tempo inteiro,
12:16porque o que ela fez
12:17por mim
12:17não tem pagável.
12:20Então,
12:21eu,
12:22o The Cougars,
12:23quando chegou na minha vida,
12:26foi assim,
12:28eu falei,
12:29caramba,
12:30porque aí mudou tudo,
12:31entendeu?
12:33Porque eu fui convidado,
12:36porque já as pessoas
12:38começaram a me conhecer,
12:40dessas coisas,
12:41dessas funções aí,
12:42porque tinha pouca gente
12:42que fazia isso na época,
12:44né?
12:45E o The Cougars me abraçou,
12:47me convidou,
12:48e foi,
12:49isso foi legal,
12:49o que aconteceu é o seguinte,
12:50o The Cougars me levou
12:51para conhecer
12:53um empresário,
12:54que era o mesmo empresário
12:56do Analfa Beatles,
12:58do The Bubbles,
12:59que era o Luizinho Andrade.
13:01Então,
13:02o The Cougars fez uma ponte,
13:03eu comecei a abrir
13:04o show do The Bubbles,
13:05dar o show desse povo aí,
13:08comecei a tocar
13:09nas domingueiras
13:09do Monte Líbano,
13:11era uma loucura aquilo.
13:13Então,
13:14era um gente pra caramba,
13:15era emocionante.
13:16Para mim,
13:17aquilo foi um,
13:18eu estava...
13:19Era o máximo, né, cara?
13:20O máximo de tudo,
13:21é.
13:22Mas o meu máximo mesmo
13:23era o The Bubbles,
13:24eu queria,
13:25eu queria,
13:26eu ia,
13:27lá perto da minha casa,
13:28tinha a escola americana
13:29ali no Botafogo,
13:31isso era nos anos 60,
13:32já tem que voltar
13:32para trás ainda.
13:33eu ia lá ver Renato Ladeira,
13:36eu ia lá ver Renato Ladeira,
13:39Pedrinho Lima,
13:40e,
13:41não,
13:41antes o César Ladeira,
13:42o irmão do Renato,
13:43naquela época,
13:44eles tocavam naquela escola americana,
13:46eu ia lá ver,
13:47aquela época,
13:47eu falei,
13:47caralho,
13:48essa é a banda,
13:48eu queria ver,
13:49meu objetivo,
13:51meu sonho era tocar
13:52era o The Bubbles,
13:53eu ficava me mentalizando,
13:54mas eu tenho que tocar nessa banda,
13:55eu tenho que tocar nessa banda.
13:56E como é que você chegou
13:57até a banda
13:59que você sonhava muito?
14:00Isso é interessante.
14:02Exatamente por isso,
14:03porque como o empresário
14:04era o mesmo,
14:05eles começaram a me ver
14:06tocando,
14:07entendeu?
14:07Volta e me abrindo
14:08o show de um,
14:09abrindo o show
14:09no The Pugas,
14:12e,
14:13um belo dia,
14:14Renato,
14:14eu tenho que pular umas etapas,
14:15porque senão
14:16vai demorar muito.
14:18O resultado,
14:21um belo dia,
14:23o Renato me liga,
14:24olha,
14:25o Johnny vai sair,
14:27mesma história,
14:28tá mal na escola,
14:29o meu pai vai tirar,
14:30você queima,
14:31babá,
14:32eu falei,
14:33Renato,
14:33meu sonho é tocar com vocês,
14:35cara,
14:35você não tem ideia,
14:36tudo que eu quero na vida
14:37era tocar no The Bubbles,
14:38era,
14:38uau,
14:39espírito,
14:40Rolling Stones,
14:41né,
14:43a caralho é toda,
14:44porra,
14:44pelo amor de Deus,
14:45era maravilhoso.
14:46É,
14:47não,
14:49estamos entre amigos,
14:51estamos entre amigos,
14:52vamos lá.
14:53Aí você,
14:53você entra no The Bubbles,
14:55agora é legal a gente falar do The Bubbles,
14:57é o seguinte,
14:58é bom registrar,
14:59fotografar o seguinte,
15:00é uma banda,
15:02que tem uma página importante na história do Brasil,
15:05de rock,
15:06de rock progressivo,
15:07de fusão,
15:09grandes nomes da música popular brasileira,
15:11tocaram nessa banda,
15:13ai,
15:14você não diz,
15:16cara,
15:17você tem um dia.
15:18Isso é uma reprodução que o Renato fez agora,
15:21recentemente,
15:22esses caras aí,
15:23não tem eu ali,
15:25tá vendo?
15:26Sei,
15:27cara,
15:27que rarinho,
15:28esse já é 130 gramas,
15:30é uma reedição.
15:33Ah,
15:33isso é quando o Renato montou,
15:34agora nos anos,
15:36o Renato faleceu uns 4,
15:375 anos atrás,
15:38infelizmente,
15:40ele tava muito gordinho,
15:41aquelas coisas de,
15:43lamentável,
15:44aí ele foi uma perda danada,
15:46ele começou a parar,
15:48bom,
15:49mas voltando,
15:51o Bubbles,
15:53a gente teve uma história muito bacana,
15:56que evoluiu tudo,
15:57por quê?
15:58Porque a gente começou a ficar,
15:59as pessoas conheciam,
16:00mas o Bubbles,
16:01o que,
16:01o The Cougars e tal.
16:03E um belo dia,
16:05nós soubemos que o,
16:06o Jardim Macalé,
16:08que era o produtor musical da Gal,
16:10ele queria uma banda pra acompanhar a Gal,
16:13qual era a roqueira naquela época,
16:14você pegar o início da Gal,
16:16tinha aquele cabelo black power,
16:19a postura de roqueira mesmo,
16:21sensacional.
16:23A Gal foi um amor na nossa vida,
16:25adorava,
16:25você tava no meu palinho,
16:27mas ela tinha namorada de hoje,
16:28ela tinha que tomar cuidado.
16:29Mas era engraçado,
16:30um amor,
16:32a Gal era maravilhosa.
16:34Aí o Jardim Macalé foi lá,
16:36ver a nossa banda,
16:37o Bubbles tocar no Monte Lipa,
16:39aí ficou doido.
16:41Falou,
16:41vai ser a banda que eu quero,
16:43a Gal vai gostar,
16:44não sei o que,
16:44pá,
16:45convidou a gente.
16:47A gente foi ensaiar,
16:48e fizemos um,
16:49um,
16:50um som ontológico,
16:52na parte chamada Sucata,
16:54no Estadio Rimo da Lagoa,
16:55ali embaixo,
16:56isso é em 1970.
16:58Ali já fizemos dois meses,
17:00é um som ontológico,
17:02com aquele menino,
17:04é,
17:05das Artes Plásticas,
17:07o...
17:08Sei,
17:09de São Paulo.
17:11Não,
17:11o menino lá do Rio,
17:13aqui do Rio,
17:15oh,
17:15meu Deus,
17:16ele fez um,
17:18ele fez um bloco,
17:19ele ficava em cima,
17:20te nanava as conselhas embaixo,
17:22e aí o The Bubbles em cima.
17:24aquele menino faleceu cedo,
17:26vagarão,
17:27Artes Plásticos,
17:27famosão,
17:28comendo um dele,
17:28meu Deus.
17:30Vamos,
17:30vamos,
17:31vamos tocar o nosso barco,
17:32daqui a pouco a gente lembra.
17:34A gente,
17:35então,
17:35começou a fazer aquele show lá,
17:38com,
17:38aí já era,
17:40a formação,
17:41que era o Renato Ladeira,
17:44Arnaldo Brandão,
17:45Pedrinho Lima e eu.
17:49Aí,
17:50a gente,
17:51na época,
17:51Arnaldo,
17:52gostava muito daquelas coisas,
17:54a gente tinha um equipamento bom pra caramba,
17:55tinha um equipamento bom.
17:57Aí o Renato,
17:58naquela altura,
17:59o Arnaldo falou,
18:00gente,
18:01vamos dar um jeito de ir pra Londres,
18:02vamos comprar equipamento novo,
18:04estamos precisando,
18:04o Arnaldo vinha estourando,
18:05tudo que era a casa de,
18:07de Thundersound,
18:08que ele tinha da Janine,
18:09todo baile,
18:10final de semana,
18:11aquelas duas casas de Thundersound,
18:13estouraram a metade do alto-falante,
18:14a dona Maria,
18:15que ele tinha que ler,
18:16toda semana,
18:17tinha a dona Maria,
18:18a mulher que você estava do alto-falante,
18:20ele pedra o canecão,
18:21vocês dão o braço por ali.
18:24E aí,
18:25nós tomamos essa ideia,
18:26tomamos o gosto,
18:27por exemplo,
18:28vamos,
18:28vai ter um festival na Ilha de White,
18:30não sei o que,
18:32mas podia ir,
18:33juntar tudo,
18:34aí a Gal soube da história,
18:36aí o Gil e o Caetano,
18:38estavam esse lado,
18:39essa história é longa,
18:40mas é muito bacana.
18:41Não,
18:41mas é ótima,
18:42estou adorando.
18:47a Gal soube,
18:48falou,
18:48ah,
18:48gente,
18:48eu quero ir com vocês,
18:50o Caetano e o Gil,
18:52estou com saudade,
18:52eu também quero ir lá,
18:54vamos,
18:55o Guilherme Araújo,
18:56mas espertamente,
18:59abarcou a sua ideia.
19:01Desculpa,
19:02vamos só fazer um adendo
19:03para as pessoas que não sabem,
19:05ou não se estão ligando,
19:06o Guilherme Araújo.
19:07Guilherme Araújo,
19:08empresário de toda a rapaziada dos anos 70,
19:10um empresário muito sagaz,
19:13um cara que foi empresário da Gal,
19:15do Gil,
19:16do Caetano,
19:18todo mundo dos anos 70,
19:21que fez uma carreira consolidada naquele momento,
19:24passou pelas mãos dessa pessoa que você acabou de falar,
19:27Guilherme Araújo.
19:30Guilherme Araújo,
19:31maravilhoso.
19:32Gal Costa,
19:32ele ouviu que vocês,
19:36ainda de bombos,
19:38não tinham virado uma bolha,
19:39vocês estavam pensando em ir para a Inglaterra
19:42para comprar equipamento.
19:44Gal Costa se disse,
19:46vou junto com vocês,
19:47que Gil e Caetano estão lá,
19:49aproveito e vejo os amigos.
19:51Tá,
19:51tá tudo bem,
19:52aí vocês surgiram,
19:53tem uma coisa muito curiosa que eu quero saber,
19:56Gustavo,
19:56por isso que eu estou fazendo esse introdutório.
19:58Vocês,
19:59vocês sabiam que iam ver um festival
20:01que tinha lá,
20:03Hendrix,
20:03Hendrix e Ru.
20:04A gente sabia,
20:05mas entre aspas,
20:06assim,
20:07era um negócio que não tinha,
20:08assim,
20:08aquela importância que passou a ter para mim,
20:11era uma coisa,
20:12eu não tinha a menor ideia
20:13de quem ia tocar.
20:15Tá,
20:16depois daquela coisa que aconteceu na minha cara
20:18é que eu fiquei louco,
20:19entendeu?
20:19Sem dúvida,
20:20vamos assistir um festival da Ilha Wright,
20:23lá.
20:23Tá,
20:24aí você chegar lá,
20:26já sabendo que ele está tocando um monte de monstros sagrados,
20:30tocando,
20:30eu tenho uma curiosidade,
20:32umazinha.
20:32Você pulou duas coisas,
20:33mas tudo bem.
20:35É,
20:35não,
20:35pulei só para a gente pegar o rumo.
20:39Como é que vocês subiram no palco
20:41e se apresentaram?
20:42Eu tenho uma curiosidade,
20:43filha da puta,
20:44com relação a isso.
20:45Como é que...
20:45Você pulou duas coisas,
20:46baixinho.
20:48Então vai,
20:48tem um tour que eu pulei
20:49para a gente não poder ganhar tempo,
20:51senão...
20:51A Gal teve,
20:52então aí,
20:53com essa história do Guilherme Araújo,
20:54abraçar a ideia,
20:55pegar a Gal e botar no avião,
20:57aí nós viemos bagar a nossa passagem mesmo,
21:00ela se aproveitou disso,
21:01botou a Gal no meio,
21:02fomos para...
21:03Aí nós fomos a Portugal,
21:04ele arrumou três shows para ele fazer na televisão,
21:06e televisões lá.
21:08Quer dizer,
21:09ela ficava uma semana em Portugal,
21:11fui ver tourada,
21:13com o Caetano,
21:13o Caetano veio de Londres,
21:15nós fomos ver um campo pequeno lá,
21:17uma tourada,
21:18eu me lembro que o cara tomou uma chifrada na...
21:21nas...
21:21nas...
21:21baixas lá,
21:22saiu arrastando,
21:23eu nunca me esqueci desse bagulho.
21:24Estava o Caetano,
21:25a Gal,
21:25eu,
21:26o Arnaldo...
21:26O Renato não foi,
21:28que estava mal na escola,
21:28a mãe,
21:29a dona Renata Fronze,
21:30deixou ele ir para...
21:31O Renato foi,
21:31o Renato Ladeira não foi!
21:34Quem não sabia?
21:35A mãe dele,
21:38a três Renata Fronze,
21:40proibiu o Renato Ladeira
21:42de ir,
21:43porque estava mal na escola.
21:44Que sensacional isso, cara!
21:46É,
21:47depois ela deu um fusca para ele,
21:49só de onde?
21:49Esse fusca,
21:50que a gente depois passou a brincar,
21:53com os fusca andava para lá e para cá.
21:55Aí nós fomos para Portugal,
21:57aí ficamos lá em Lisboa uma semana.
21:58Aí o Caetano veio,
21:59aí nós fomos para Londres.
22:01Chegando lá,
22:02nós fomos recebidos pelo Caetano Gil,
22:03eles moravam na mesma casa,
22:04um triplex lá no bairro do Chelsea.
22:07E aí apareciam os amigos deles lá,
22:10quando souberam da sua história toda,
22:12a Gal,
22:13a gente,
22:13esse cara,
22:14o Renato Prato,
22:15esse cara apareceu lá,
22:16e ele morava 5 anos em Londres,
22:18São Paulo,
22:19família Prato,
22:20que já tinha,
22:21morava um tempão lá.
22:23falava bem inglês e tal.
22:26Aí ele convidou,
22:26você não quer ficar lá na minha casa,
22:29no meu apartamento,
22:29o apartamento do quarto andar,
22:32daqueles prédios da Cromwell Road,
22:34aquelas ruas maravilhosas de Londres,
22:36aqueles prédios tudo igualzinho.
22:38Não tem elevador,
22:39era aquelas cantarias assim,
22:40que saia até lá em cima.
22:42Pá!
22:43O apartamento era simplesmente 4 quartos,
22:46morava umas 20 pessoas,
22:48era um monte de maluco,
22:49era uma comunidade,
22:51entendeu?
22:52Entrava e saia neguinha,
22:53a polícia ia lá,
22:54pra saber,
22:55quem tá,
22:56teve por aqui,
22:57mas já foi,
22:57ah,
22:58fugiu de casa,
22:58não sei o que,
22:59uma bagunça.
23:00Mas lá eles não estavam preocupados muito com a gente não,
23:02não estavam nem aí.
23:03Ninguém fumava
23:06raciste lá,
23:07e a polícia não estava nem preocupada com essa porra.
23:09E aí,
23:11essa história,
23:12aí que veio,
23:14então,
23:14aí a gente chegou a próximo,
23:16daí,
23:16pra ir de White.
23:17Aí Caetano,
23:18Gil,
23:19foi todo mundo,
23:19a Gal,
23:20Gil,
23:20Caetano,
23:21a gente,
23:22vários amigos.
23:24Oi.
23:25Não,
23:26eu quero,
23:26vocês foram como espectadores,
23:28é isso que eu quero saber,
23:29como é que vocês chegaram no palco,
23:31rapaz.
23:32Espectadores,
23:33exatamente.
23:34Aquela,
23:34aquela viagem de trem,
23:36depois da barca,
23:36depois do ônibus,
23:38aí chega lá,
23:38montar os dois barracas,
23:41de índia,
23:41tinha uma namorada aí,
23:43que entra tudo,
23:43a namorada,
23:44a namorada desse cara,
23:45era uma francesa,
23:46ela levou duas barracas,
23:47aqueles cones,
23:48aqueles cones americanos,
23:49aquelas barracas de índio americano,
23:52a gente dormia assim,
23:53com as perninhas assim,
23:54um monte,
23:55dava,
23:56era um barracas,
23:56assim,
23:57dava,
23:58era uma circunferência,
23:59dava,
23:59dormia,
24:00à vontade.
24:00e esse cara,
24:02o Renato Prado,
24:03tinha um monte de percussão,
24:05de tambores,
24:05grandes,
24:06pequenos,
24:07levou tudo.
24:08Então,
24:09ele ficava fazendo som,
24:10na grama,
24:12em frente da barraca,
24:14imagina o Gaetano,
24:15Gil Gal,
24:16cantando,
24:16tocando violões,
24:17da gente,
24:18papatucando,
24:18os amigos do Gaetano,
24:20que tinha um cara...
24:20Viraram,
24:21viraram a atração,
24:22vocês viraram a atração
24:24do povo ali em volta.
24:27É,
24:27resultava 200 pessoas,
24:28mas até aí,
24:29eu havia comprado,
24:30aí que é o principal,
24:32o Gaetano,
24:33sobre até cita isso no livro,
24:34no livro dele lá,
24:36ele,
24:36na biografia dele,
24:37eu comprei um gravador crown,
24:39daquele gravador cassete,
24:40daquela moderna,
24:41na época,
24:42leviam umas fitas cassete,
24:43e eu ficava gravando aquilo,
24:44o som ali,
24:46tinha imagem,
24:46som.
24:48E nos dois primeiros dias,
24:50chegou na quarta-feira,
24:52o Cláudio Prado falou,
24:54gente,
24:55falou,
24:55porra, Gustavo,
24:56você está gravando essas coisas aí?
24:58Eu falei,
24:58estou,
24:58olha só,
25:00eu vou lá,
25:01na organização do festival,
25:03porque eles têm que saber
25:04que existe um tal de Caetano Beloso
25:06e o Gilberto Gil,
25:08que são exilados brasileiros,
25:10estão na ditadura do Brasil,
25:12eles têm que saber
25:13que eles existem,
25:14que eles têm que,
25:15que eles estão aqui,
25:17e ele foi e sumiu,
25:18para o meu gravador.
25:21Eu falei,
25:21que está bem,
25:22aí ele tomou um hora sunshine,
25:23que era aquele o astro da época,
25:25desse tamanho,
25:27pá,
25:28e pegou o meu gravador e foi.
25:30Eu falei,
25:30meu Deus,
25:31passei o dia lá vendo os sons undergrounds lá,
25:34era de graça,
25:35a entrada,
25:36o palco,
25:36o cara,
25:36uma imensidão,
25:37nunca tinha visto,
25:38aquelas casas de três andares,
25:40parecia um prédio de três andares,
25:41que era do lado,
25:42assustador.
25:43Eu vou correr,
25:44porque já sei que você quer chegar lá.
25:45Não, não.
25:47Porque eu fui ver som,
25:48a gente ia passear lá longe,
25:49na montanha,
25:50uma colina que tinha,
25:51se eu vi,
25:52eu quero testar no som,
25:53lá de longe,
25:54se eu vi o bagulho,
25:55meu Deus,
25:56o que vai vir por aí?
25:57As casas de som lá perto do palco,
25:59se instituiuam.
26:01Não nos responsabilizamos,
26:03por quem tiver,
26:03menos de cinco metros,
26:04distante,
26:05assim.
26:07Tá.
26:08Aí ele foi,
26:09levou o gravador,
26:10e de noite ele volta,
26:12com a seguinte notícia,
26:13olha,
26:14consegui,
26:14e amanhã,
26:15todo mundo no palco,
26:16falei,
26:16hã?
26:17Todo mundo no palco,
26:19eu nem dormia,
26:20aquela noite direito.
26:21Falei,
26:22meu Deus do céu,
26:23é pra tocar como?
26:24Não,
26:24o que vocês estão fazendo aqui?
26:27Caralho,
26:28aí,
26:28desculpa,
26:30caramba,
26:31aí nós fomos,
26:32no domingo de manhã,
26:33ele conseguiu dobrar,
26:34dobrar,
26:35é uma organização inglesa,
26:36mano,
26:36não quero conversar,
26:37eu mentir,
26:37isso é,
26:41vocês tocaram que horas?
26:44Às onze da manhã.
26:46Onze da manhã,
26:47é o que a gente vê no documentário,
26:50vocês no palco,
26:51aquele documentário,
26:53aquele filme,
26:53Tropicalia,
26:55que aparece ali,
26:56aí eu costumo falar,
26:57que onde eu citei a bunda,
27:00o Jimmy Hendrix,
27:01onde eu citei minha bunda lá antes,
27:03três dias antes.
27:04Puta,
27:05que sensacional.
27:06E aí eu morro aquele chão,
27:08um maluco lá,
27:09assim,
27:09do nada,
27:10ele sentado,
27:10faz um círculo,
27:11sentado no chão,
27:13saiu depois,
27:14nas revistas lá,
27:15do Bonstone,
27:16do Melody Maker,
27:17a melhor,
27:17a única banda acústica do festival,
27:20entendeu?
27:20E falando bem,
27:21nós demos bis e o caramba,
27:23primeira vez que eu ouvi,
27:25no Rio de Janeiro,
27:26aquele abraço,
27:28o Caetano já composto ali,
27:30naquela época,
27:31tudo em meio,
27:32foi maravilhoso,
27:34entendeu?
27:35Aquilo foi inesquecível,
27:36eu fiquei extasiado.
27:38Aí começou aquela história,
27:41eles ganharam os passes,
27:42para voltar,
27:43naquela área restrita da frente,
27:47a Gal,
27:48viu o Caetano e a Gal,
27:49que ganharam passes.
27:50O que aconteceu,
27:51o brasileiro,
27:51a gente,
27:52espertinho,
27:53todo mundo,
27:53pelo amor de Deus,
27:54o Dom entrava,
27:56o Dom voltava,
27:58alguém trazia,
27:59levava mais dois,
28:00daqui a pouco,
28:00daqui a pouco?
28:01Onde vão três,
28:03então 30.
28:04É, 30.
28:05Daqui a pouco,
28:06estavam os 30 lá,
28:07eu vi o festival todo,
28:08na cara do gol,
28:09na frente ali,
28:10cara.
28:11Porque é todo dia,
28:12a mesma coisa.
28:13Você lembra,
28:14você lembra quem você assistiu?
28:17É,
28:18eu vi várias coisas,
28:19que me impactaram muito.
28:21O Jé Trotão,
28:23Derruta,
28:23o Coop,
28:24era Tome toda,
28:24na minha cara,
28:25meu filho.
28:26Era o auge da obra Tome,
28:28eles botam três holofotes
28:29para o exército,
28:30aquela cena que tem no filme,
28:33na história lá,
28:34todo mundo levanta o cabelo,
28:36de madrugada isso,
28:37entre duas e quatro da manhã,
28:38sei lá,
28:39espetacular.
28:41Espetacular.
28:42Espetacular.
28:42Aqueles pulos,
28:43aquela coisa toda,
28:45aquilo é uma loucura.
28:47E aí,
28:48já,
28:48eu vi o gol de bugalhado
28:50do Hernandes,
28:51na minha cara,
28:52assim,
28:52pá,
28:53pertinho,
28:54assim,
28:55de caraca.
28:56Aí teve também outras coisas,
28:57teve vários deles,
28:59teve aquela cantora,
29:02folk também,
29:03que foi famosa,
29:04não tinha,
29:05o marido estava preso,
29:06como é que chama ela?
29:07Juan Baez?
29:10Juan Baez?
29:11Não foi lá,
29:11não,
29:11não é?
29:12Eu acho que é Juan Baez,
29:14qual é a outra menina?
29:17Bom,
29:17enfim,
29:19mais,
29:19enfim,
29:20olha só,
29:20vamos lá.
29:20Family Stone,
29:21Chicago,
29:23Chicago,
29:24espetacular,
29:25entendeu?
29:26Pelo amor de Deus.
29:27Sei lá,
29:29Moody Blues,
29:31e por aí vai,
29:31Slender Family Stone,
29:33manhã cedo,
29:33eu estava meio dormindo,
29:34assim,
29:35muito pá,
29:35daqui a pouco vem o Slender Family Stone,
29:37acorda todo mundo,
29:38seis e meia,
29:39sete horas da manhã,
29:41finalizando aquela noite,
29:42de sexta para sábado,
29:44e aí a coisa foi andando,
29:46a gente começou a entrar toda noite,
29:48todo dia,
29:49daquele mesmo jeito,
29:49daqueles dias que viravam 30,
29:52como você falou,
29:53e foi maravilhoso,
29:55eu me lembro que na veste do show,
29:56dos Jimi Hendrix,
29:57no próprio domingo,
29:58eu via,
30:00eu via uma filha enorme do pessoal,
30:02naquela grama,
30:03aquele gramado,
30:04até o asfalto,
30:05lá,
30:06tinha que ir embora,
30:06trabalhar no dia seguinte,
30:08eu falei,
30:08meu Deus,
30:09os caras são loucos,
30:09o Jimi Hendrix vai tocar de novo,
30:11os caras precisam ir embora,
30:12mas eu sabia,
30:13eu que ele estava cansado de ver,
30:14eu que nunca tinha visto,
30:15para mim era uma coisa,
30:17do outro mundo,
30:18uma coisa inesperada,
30:19maravilhosa,
30:20e foi isso,
30:22aí,
30:22depois desse,
30:26depois dessa,
30:26porque já estamos,
30:27só temos 20 minutos pela frente,
30:29estou aqui,
30:29nem chegamos na cor do show ainda,
30:31mas olha só,
30:32olha só,
30:33mas tem que fazer em duas vezes,
30:34aí vocês voltam para o Brasil,
30:38vocês passam por essa experiência,
30:40na ilha de Wright,
30:41e voltam para o Brasil,
30:43depois de,
30:43nunca voltou igual,
30:45só um detalhezinho,
30:47sim,
30:47claro,
30:48mudou tudo,
30:49só um detalhezinho,
30:50o Guilherme Araújo,
30:52soube,
30:53falou para a gente,
30:54gente,
30:54estão voltando para o Brasil,
30:55eu tenho uma amiga minha,
30:56francesa,
30:57que vai ter um show,
30:58do Rolling Stones,
30:59de Paris,
31:00no mesmo caminho de volta,
31:01ali vocês,
31:01se vocês conseguirem trocar a passagem,
31:04ela compra os ingressos,
31:04vocês pagam ela lá,
31:06ela espera vocês uma noite,
31:07vocês podem ver o Rolling Stones,
31:09eu vi o Rolling Stones,
31:11com 19 anos,
31:12cara,
31:13no Paré de Esporte,
31:15em Paris,
31:15tinham aqueles cenários,
31:16igual o Maracanãzinho aqui,
31:18chegamos lá,
31:18uma multidão,
31:19aquele monte de polícia,
31:20porque era naquela época,
31:20a revolta,
31:21os coletivos,
31:23aquele policial,
31:24a polícia francesa,
31:25todos aqueles,
31:26pareciam os astronautas,
31:28cara,
31:28um corredor polonês,
31:29para entrar,
31:30chegamos lá,
31:30uma multidão,
31:32não conseguimos nem achar o lugar da gente,
31:33vamos sentar aqui mesmo,
31:34na escada,
31:35e dane-se,
31:35sem arrumar a confusão,
31:38neguinho revoltado,
31:38um monte de gente subia,
31:39falava no palco,
31:40aí acontece uma banda,
31:42lembro das duas vezes que eu vi o Rolling Stones lá fora,
31:44eu fui em Paris,
31:45por acaso,
31:45o outro foi com o Jorge Ben,
31:47em 75,
31:48eles têm uma banda de negões,
31:51uma banda de negros,
31:52para fazer a abertura,
31:53se eu não sabia,
31:55enfim,
31:56esses caras,
31:57quem é que estava na plateia,
31:58que eles se convidam para subir no palco?
32:00Eric Clapton,
32:00morou?
32:01Eu vi de bandeja,
32:02o Eric Clapton ainda,
32:04tocando com essa banda,
32:06anda abrindo o chão dos Rolling Stones,
32:08ponto,
32:09Ave Maria,
32:10aí voltamos para o Rio de Janeiro,
32:12aí chegamos aqui,
32:13o que a gente vai fazer agora?
32:14Puta que pariu,
32:15a gente já viu toda a maioria dos nossos ídolos,
32:18vai ficar fazendo cover,
32:19se nós fazendo cover,
32:21esses caras copiando?
32:23Não,
32:23vamos pensar em fazer nossas duas,
32:25todo mundo com a mesma ideia,
32:26pô,
32:26vamos mudar tudo,
32:28para tocar a música brasileira,
32:30em português,
32:31a gente tinha que mudar o nome,
32:33aí badebamba,
32:34os bolhos,
32:34as bolhas,
32:36ficava feio,
32:37a bolha ficava um negócio bonito,
32:39universal,
32:40um circular,
32:41tinha uma outra,
32:42a bolha é bonita,
32:44pra caramba,
32:45então,
32:45a gente assumiu a bolha,
32:47e começamos a fazer nossos bares,
32:49o Muzo é Nossa,
32:50o empresário ficou louco,
32:52porque o pessoal ia embora,
32:53no meio do show,
32:55teve um show ontológico,
32:56no Tamões,
32:57lá em Niterói,
32:57que o pessoal começou a ir embora,
32:59e começou a tocar só a música da gente,
33:00o empresário ficou doido,
33:01vai acabar tudo assim,
33:02não é possível,
33:04você não pode fazer isso,
33:05aí o pessoal ia mesclar,
33:07os velhos,
33:07o ok,
33:08o ok,
33:08nós sabíamos,
33:09que todo mundo gostava,
33:10que a gente tocava,
33:11e o Muzo é Nossa,
33:12e aí foi andando a bolha,
33:14ponto.
33:17Continua,
33:18agora você,
33:18eu estou te ouvindo,
33:21porque aí vocês determinam,
33:23mudam,
33:24apanham,
33:25para acertar o repertório,
33:26tudo dentro de uma normalidade,
33:28isso está dentro de um,
33:30um rearranjo da carreira,
33:32a partir do momento que vocês saíram,
33:34mas você,
33:35você particularmente,
33:36volta e começa a participar de gravações,
33:39e tocar com um monte de gente,
33:42e salvo engano,
33:44salvo engano,
33:45você está,
33:46empresta a sua bateria,
33:47para dois discos emblemáticos,
33:49da história,
33:50da música brasileira,
33:52um,
33:53se eu estiver enganado,
33:54você me conserta,
33:55por favor,
33:57você emprestou,
33:58você emprestou sua bateria,
33:58para Raul Seixas,
33:59em Guita,
34:00no disso,
34:02Raul Seixas,
34:02me convidou,
34:03para tocar com ele,
34:05e eu tinha,
34:06foi um momento crucial,
34:07porque eu saí,
34:08da bolha,
34:10eu achava que não dava,
34:11para fazer as duas coisas,
34:12entendeu,
34:12tudo erro,
34:14de garoto,
34:15eu já estava casado,
34:16com o filho,
34:17eu morava,
34:17numa casa do Rio Comprido,
34:19antes eu havia tocado,
34:20com José Rodrigues,
34:22e aí eu conhecia,
34:23eu tenho que falar,
34:24vai me cobrar,
34:26aí eu com José Rodrigues,
34:27eu conheci o Elias Misrar,
34:29e o Paul de Castro,
34:30nós fizemos uma banda,
34:31chamada Veludo,
34:33foi o primeiro rock progressivo,
34:34de qualidade do Brasil,
34:35rock progressivo clássico,
34:37bom para caraca,
34:39aquilo não foi gravado,
34:40aquilo não foi gravado,
34:41naquela época,
34:43eu tenho aqui,
34:43desculpe,
34:44salvo engano,
34:45Paul de Castro,
34:46na flota,
34:47e no violino,
34:49violino,
34:49não,
34:49o Paul de Castro,
34:50era guitarrista,
34:52depois ele foi,
34:53apareceu,
34:54do som do,
34:55do,
34:56do,
34:57Luiz Maurício,
34:58do Santos,
34:59do Santos,
35:01tocando,
35:03tocando,
35:05essa é a única coisa gravada,
35:07a revolta,
35:08mas já é,
35:10anos depois,
35:11porque naquela época,
35:11não havia nada,
35:12fizemos,
35:13banana progressiva,
35:14fizemos uns festivais,
35:15maravilhosos,
35:17aí eu tocamos,
35:18naquele,
35:18pois é,
35:19você falou do Raul C,
35:20aí eu comecei a tocar com o Raul,
35:24maravilhosamente,
35:24dois anos,
35:25eu saí da bolha,
35:26cara,
35:26eu não dormi uma noite,
35:28pensando nisso,
35:29hoje em dia,
35:30eu penso que eu não precisava ter saído,
35:32mas também estava difícil,
35:33na época,
35:34as coisas não estavam andando,
35:35estava tudo meio paradão,
35:37pós-da-ditadura,
35:38estava infernal o negócio,
35:41e o Raul era um cara que quebrava,
35:42não sei como,
35:43volta e vê,
35:43cadê o Raul?
35:44Ah,
35:44foi um toque,
35:44passou aqui,
35:45levou para conversar lá,
35:46e assim era,
35:47ia para a delegacia,
35:48voltava,
35:49mas enfim,
35:51e,
35:51então o D. Rodrigues foi uma ponte também,
35:53eu fiz vários forços com o D. Rodrigues,
35:55e nós fizemos essa banda veludo,
35:57que teve momentos maravilhosos,
35:59com o Vimana,
36:00o Teatro Teresa Raquel,
36:01aquele Patrick Moraes,
36:03que substituiu o Eiffel,
36:05ele estava na plateia,
36:07um dia,
36:07ele é todo,
36:07eu canto com a gente,
36:08toquei com ele,
36:09cara,
36:10assustador,
36:11foi um momento assim,
36:12e eu esqueci,
36:13isso era 72,
36:1473,
36:15por aí,
36:16você vê,
36:17em 74,
36:18eu comecei com o Raul,
36:20e aí,
36:21eu tenho um episódio,
36:22eu tenho que falar de uma pessoa,
36:24que aí é crucial,
36:25porque a situação estava difícil,
36:27eu quando comecei a ensaiar lá,
36:31eu fui morar no Rio Cumprido,
36:33que eu não conseguia mais pagar,
36:34minha mãe me ajudava,
36:35eu não conseguia,
36:36eu morava na Zona Sul,
36:37eu estava morando na Carlos Góes,
36:40e aí,
36:40eu arrumei um jeito com a bolha,
36:42vamos lá,
36:43a bolha,
36:43a gente,
36:44eu vou alugar uma casa,
36:45o Marinaldo,
36:46que era um empresário de uma banda,
36:47o Mar Revolto,
36:48o pessoal,
36:49o Andergrado que tinha por aqui,
36:50e ele falou,
36:51você pode morar lá,
36:53eu achava o aluguel,
36:55o Renato,
36:55a bolha pagava metade do aluguel,
36:57e eu pagava a outra metade,
36:59porque nós passamos a ensaiar lá,
37:02era no quarto lá,
37:04mas tinha vários quartos,
37:05não tinha problema de acústia,
37:06ninguém reclamava,
37:07era no alto do morro,
37:10aí,
37:11a gente,
37:13eu queria chegar,
37:14onde é que eu estava,
37:16bom,
37:16aí,
37:17eu resolvi um belo dia,
37:18eu falei,
37:18caramba,
37:19eu estou ilhado aqui,
37:20a coisa não está acontecendo mais nada,
37:21o Raul era um cara que gostava,
37:23não gostava de show,
37:24eu comecei a sentir isso,
37:25gostava de ficar no estúdio,
37:27caramba,
37:27show,
37:28era meia dúzia,
37:29eu me achei que ia tocar pra caraca,
37:31eu não ia te cair o dinheiro,
37:34eu falei,
37:35porque você ia ficar preocupado,
37:36eu falei,
37:36eu estou ilhado aqui,
37:38nesse rio cumprido,
37:39eu quero voltar pra Zona Sul,
37:41dito e feito.
37:43Foi quando você se aproximou do Jorge?
37:46Começou lá atrás,
37:47daquele jeito maluco,
37:48de baterista,
37:49doido,
37:49do nada,
37:51eu chego na Zona Sul,
37:54voltei,
37:54fui morar ali no jockey,
37:57aí,
37:57aquelas andanças,
37:58praia,
37:59não sei o que,
37:59Zona Sul,
38:00quem que eu encontro?
38:01Uma pessoa,
38:03que eu vou dedicar um dia,
38:05se eu fizer um livro,
38:06essa pessoa vai ter um capítulo maravilhoso,
38:09uma parte,
38:09que é um cara espetacular,
38:11que sem ele,
38:11ele foi no Zona de Águas da Minha Vida,
38:13se chama-se Tati.
38:15Tati Carvalho.
38:17O Tati,
38:18foi o cara,
38:20que,
38:22encontrou comigo na rua,
38:23e falou sobre o disco solo,
38:25do Moraes Moreira,
38:27entendeu?
38:28Pá,
38:29quero,
38:29pô,
38:29o Moraes tá me dando bateria,
38:30ele quer mudar,
38:31ele não quer fazer o meu atumar lá,
38:33do Novo Baiano,
38:33e ele era,
38:34oba,
38:35pá,
38:36quero.
38:36Fizemos aquele disco antológico,
38:38primeiro LP do,
38:39primeiro disco do Moraes,
38:4175.
38:43Em seguida,
38:44ele foi tocar com o Jorge Bem também,
38:46que ele fazia um monte de coisa.
38:47Ele é esperto,
38:48falando.
38:49E o irmão dele,
38:51aquele,
38:51o Sérgio Carvalho,
38:52que faleceu recentemente,
38:54era um,
38:54foi o produtor do Siguar,
38:56que era a vida inteira,
38:57um monte.
38:57Sim.
38:57Conhecia todo mundo da Poligrã,
38:59era um cara que,
39:04o Dade,
39:05então,
39:05começou a tocar também com o Jorge Bem,
39:07e o Jorge Bem ensaiava,
39:09lá na casa do após,
39:10do Dade,
39:11em Panema.
39:11Aí,
39:13o Dade falou,
39:14Gustavo,
39:14o Jorge Bem,
39:15eu fiz um show com ele,
39:16mas o baterista não quer ficar,
39:17não,
39:17ele quer ficar errado no estúdio,
39:19quer ficar lá no estúdio,
39:20não tá afim de ficar viajando,
39:21não sei o quê.
39:22Falei,
39:22opa,
39:23aí vem o Dade de novo.
39:25Pá,
39:26um mês depois que eu comecei a tocar com o Jorge Bem,
39:27eu tava em Paris,
39:29o Teatro Olimpíada de Paris,
39:31duas semanas,
39:33dali fomos pra Londres,
39:34um discontológico,
39:35tropical,
39:36um disco que pouca gente conhece,
39:39maravilhoso,
39:39o Jorge Bem começou a tocar guitarra,
39:42essas coisas não me aconselham,
39:43não me aconselharam na minha vida.
39:45Essa turma,
39:46essa turma que foi com você pra Paris com o Jorge Bem,
39:49antes de ser Bem Jó,
39:51era Zé Roberto Vandaluz,
39:57Joãozinho na permissão,
40:01Vandaluz no teclado,
40:04baixo era o mundo,
40:07era o Dade,
40:08desculpe,
40:09o baixo era o Dade,
40:10e quem mais?
40:12E vocês quatro?
40:14É,
40:14tem fotos antológicas de vocês,
40:19na janela dos carros,
40:21assim,
40:22não tinha umas fotos acima,
40:23tem essas fotos aí?
40:26Ah,
40:26esse disco?
40:27Só por favor,
40:31tem aqui o Aca Brasil,
40:32que eu já não tô,
40:34em todas as múltiplas,
40:34mas tô em várias,
40:35tô na foto aqui também,
40:37dá pra ver aí?
40:39Tá.
40:39No meio,
40:40lá em cima.
40:42Vandaluz ali no meio.
40:43Olha aqui,
40:44a bolha,
40:45primeiro ele pesinha com o parque da bolha.
40:50Caraca,
40:50que demais,
40:51né?
40:51Tem dois,
40:52cara.
40:55Sei lá,
40:55quando é que é isso?
40:56Meu Deus.
40:57Muito bom.
40:57Tem muita coisa pra falar,
40:59não vai dar,
41:00mas então tem que correr.
41:05Vamos tomar um parque,
41:06nós não vamos falar muito
41:08da cor do som,
41:09não,
41:09porque toda a história
41:10da cor do som
41:10a gente conhece,
41:11a não ser que a gente
41:12tem que analisar as pessoas.
41:13Eu ia chegar na cor do som
41:13daqui a pouco.
41:15Porque aí a formação
41:18da cor do som,
41:19a base,
41:19começa com esses
41:20discos do Moraes,
41:21que eles chamam
41:22o tal de Armandinho,
41:23que eu nunca tinha ouvido falar,
41:24eu mal conhecia
41:25o que era trâneo elétrico,
41:26entendeu?
41:27Uma loucura.
41:28E de repente
41:29aquilo tomou
41:29uma forma gigantesca,
41:31de repente
41:31tava a gente gravando
41:32um disco do Moraes,
41:34comecei a admirar o Armandinho
41:35pra caramba,
41:36falei,
41:36meu Deus,
41:37o cara é lento pra falar,
41:38mas toca pra caraca.
41:40Ele levava dez minutos
41:41pra responder
41:41uma pergunta que você fazia,
41:42e levava dez minutos
41:43pra responder.
41:45Parecia
41:47engraçado pra caramba,
41:48eu comecei a acostumar
41:48com aquela coisa.
41:50O Mundo também participou
41:51do disco,
41:51uma ou duas faces,
41:52me lembro,
41:53e nessa formação
41:54a gente começou
41:54a tocar com o Moraes,
41:55ele começou a abrir
41:56umas brechas pra gente
41:57durante o show,
41:58ele começou a tocar
41:59uns instrumentais.
42:01Aí teve um tal,
42:02aquele visionário
42:03chamado
42:06da Warner,
42:08o André Midani,
42:09que enlouquecidamente
42:10chamou a oportunidade
42:11e foi falar comigo
42:12um dia que estava,
42:13o André Midani
42:13convidou de me fazer
42:14um,
42:14pra gente gravar,
42:16falei,
42:16caraca,
42:17e o nome?
42:18Qual é o nome da banda?
42:21Aí,
42:21ao longo,
42:21a gente vivia muito
42:22com o Neve,
42:23a gente vivia naquela
42:24do Caetano,
42:24isso aqui,
42:25aí começa a falar,
42:25conversa vai pra cá,
42:26houve aquela ideia,
42:27pô,
42:28existiu uma banda
42:30que acompanhava
42:31o Novo Baiano,
42:32chamava Cor do Som,
42:33mas depois acabou,
42:34porque eles passaram
42:35a resolver essa guerra
42:36tudo Novo Baianos
42:38e essa música,
42:39esse nome sumiu
42:41e,
42:42muitas conversas
42:43vai e vem,
42:44a gente descobriu
42:45que esse nome
42:45era legal pra caramba,
42:46pô,
42:47tem tudo a ver,
42:48pá,
42:49e aí fizemos
42:49aqueles dois
42:50instrumentais,
42:51o segundo,
42:51no Festival de Mão Trê,
42:52que o André Midani
42:53veio aqui
42:54no primeiro ano
42:55de Warner,
42:56final do ano
42:57de 77
42:57pra 78,
42:59ele esteve aqui
43:00e viu a gente
43:01tocar num mini showzinho
43:02numa boate
43:03na Rota Nacional.
43:04Desculpa,
43:05desculpa aqui,
43:05desculpa,
43:05temos uma interrupção
43:08valiosa,
43:08importante,
43:10do Mu,
43:10Mu Carvalho,
43:12dizendo que o Sérgio
43:13de Carvalho
43:14antes convidou
43:15pra gravar
43:16uma demo
43:16na Poligrã,
43:17o Sérgio de Carvalho,
43:19que você mencionou
43:20agora há pouco,
43:20irmão do Mu
43:22e do Dades,
43:23que era...
43:23tá certo.
43:25Eu tô com luz
43:26que você vai fazendo
43:26correio,
43:27tá fazendo correio,
43:28eu já falei...
43:29Não,
43:29não,
43:30sem dúvida,
43:30tá pulando,
43:31mas a gente...
43:32Pois é,
43:33como era um trabalho
43:34instrumental,
43:35as pessoas
43:35não levavam muita fé,
43:37não deram muita força,
43:38a coisa ficou assim,
43:39bem que ele tentou,
43:40o Sérgio foi maravilhoso.
43:42É.
43:43Travamos algumas canções
43:44lá e tudo,
43:44é isso mesmo,
43:45desculpa aí,
43:46obrigado.
43:47Aí vocês acontecem
43:49e estão trabalhando juntos,
43:51lógico que tiveram
43:52umas paradas,
43:52o mercado mudou muito,
43:54a música instrumental
43:55brasileira,
43:57que tinha tudo
43:58pra se transformar
43:59em algo espetacular
44:00pro mundo inteiro,
44:02a cabo esvaziada
44:03pelas gravadoras,
44:04pelas rádios,
44:05isso tudo é um quadro
44:08infelizmente verdadeiro.
44:10Mas...
44:13Uma coisa que a gente
44:14não pode esquecer jamais
44:16e não pode omitir nunca
44:17é a qualidade
44:19do trabalho de vocês,
44:21os músicos
44:22que formam
44:22a cor do som
44:23todos,
44:24você,
44:24Ari,
44:25o Dádio,
44:26o Mu
44:26e o Armandinho,
44:28são músicos
44:29de altíssimo nível,
44:31são instrumentistas
44:33maravilhosos,
44:34aquelas coisas
44:36que um destino
44:38junto a vocês
44:39e transformam
44:41na cor do som
44:42numa coisa
44:43fora do comum.
44:44É verdade.
44:45E que só se tornou
44:46conhecida mais
44:47por quê?
44:48Ele não vendia nada,
44:49vendia 3,
44:504 mil discos,
44:51nós íamos
44:51ser mandados embora
44:52da gravadora.
44:54Até que
44:55a duas penas
44:57com o Guti Carvalho,
44:59que era também
44:59outro cara
45:00que era
45:01sobrinha,
45:01primo da família,
45:02era da idade do Mu,
45:04o Guti,
45:05que tinha também,
45:05era produtor,
45:07ele fez o início
45:09todo,
45:09ele segurou a onda
45:10e nós vemos
45:11o auxílio do Chouos,
45:12o Gaetano,
45:13com o Beleza Pura,
45:14do Humberto Gil,
45:15com o Abri a Porta,
45:17o Mu fez uma música
45:18maravilhosa,
45:19que era o reggae,
45:20que ninguém tocava reggae
45:21naquela época,
45:22com aqueles
45:23semis...
45:24desculpa,
45:28Swig Menina
45:29com Moraes
45:29e essas três
45:30músicas cantadas
45:31eles puxaram o disco,
45:32só tinha sete instrumentais
45:34e essas três cantadas
45:36seguraram a onda
45:36e começaram a tocar
45:37em tudo que a rádio do Brasil
45:38saiu do FM
45:40para o AM
45:41e aí pá!
45:42E aí na começão,
45:43aí o sucesso chegou.
45:45Aí eles tocavam à vontade,
45:46ficavam dois meses
45:47fora de casa,
45:48a transação
45:49que era melhor
45:49que para mim na época,
45:50saia pelas estradas
45:51com aqueles caminhões
45:52e a gente de avião
45:53e a gente viajou,
45:54o Brasil inteiro,
45:55os cabos a rabos
45:56fazendo muita coisa.
45:59Pois é,
45:59não tem coisa
46:00para falar,
46:01mas...
46:02Olha só,
46:02mas nosso tempo,
46:04infelizmente nosso tempo
46:05é curto,
46:05mas eu acho que você
46:06contou uma parte
46:07da sua história,
46:08porque a parte da Cor do Sul
46:09todos nós amamos
46:11e conhecemos bem.
46:12A sua parte
46:13ficou muito clara
46:14para mim
46:14e para as pessoas
46:15que estão nos acompanhando.
46:16Destino,
46:17destino.
46:18Destino,
46:19cara.
46:20Destino.
46:20Eu nunca imaginei
46:20ser músico,
46:21a ideia não era essa.
46:22eu fui me estimular
46:23para a música,
46:24fui me estimular
46:25para a engenharia,
46:26não passei,
46:26falei,
46:27mãe,
46:27você pagou
46:27para o vestibular,
46:28eu faço de novo,
46:29eu fui para a Ilha de White,
46:31mas na volta
46:32eu faço outro vestibular,
46:33eu fiz em 71,
46:34passei para a licenciatura,
46:36fiz o Instituto Vila Lobo,
46:37que agora é o de Rio.
46:39Eu me formei
46:39em licenciatura e música
46:42entre 71 e 75.
46:44As pessoas,
46:44as pessoas me passavam
46:45porque sabiam
46:46que era bom,
46:47mas faltava aula
46:48para caramba,
46:49ficava um mês fora
46:49com o Jorge Bem,
46:50uma bagunça danada.
46:52Só o cara da Harmonia
46:53lá não deixou passar,
46:54eu fiz mais um ano
46:55de Harmonia,
46:56só com esse cara
46:57me levou duas vezes
46:58na faculdade.
47:01Essas são as histórias
47:03marcantes,
47:03marcantes da minha vida.
47:05Depois tem um monte.
47:06Tem esse trabalho
47:07que eu estou fazendo agora,
47:08que eu tenho que citar,
47:10com o Rodrigo Jesus,
47:12que é um puta guitarrista
47:13amigo meu,
47:14Rodrigo Jesus,
47:15e o Rodrigo Jesus Trio,
47:18com o Leo Neiva,
47:19baixista de Niterói,
47:21a gente toca instrumental
47:22bom pra caramba,
47:23com música brasileira
47:24misturada com jazz,
47:26rock,
47:26a gente fez muito
47:27germania,
47:29muito beco das garrafas
47:31e estamos tentando
47:34fazer mais coisas
47:35e a pandemia chegou
47:36e estragou tudo
47:36e estava ensaiando,
47:37estava bom pra caramba.
47:39Então eu tenho esse lado,
47:40tem vários lados
47:40que são...
47:41Eu tenho sonhos ainda,
47:44meu filho,
47:44sem não sonhar,
47:45eu vou parar.
47:47Acho que você
47:48falou tudo agora,
47:49se não sonhar,
47:50pode parar.
47:51Olha só,
47:51tem que falar duas coisas,
47:52quando começou
47:53a nossa live,
47:54antes,
47:54quando a gente
47:55estava fazendo o teste,
47:56eu recebi um WhatsApp
47:57de um cara
47:58chamado Roberto Frejá
47:59dizendo pra te mandar
48:01um beijo,
48:01um abraço,
48:02que ele te adora,
48:03então eu estou passando aqui
48:05esse recado do Frejá.
48:07Outra coisa é o seguinte,
48:08Alvo Rosa...
48:08Eu vi o Alvo no começo do...
48:12Alvo Rosa.
48:14Nós temos três...
48:15Vamos falar,
48:16vamos passar esse serviço
48:17que eu acho que é importante.
48:18Alvo Rosa,
48:19que vocês vão fazer
48:21no Blue Notes.
48:23Fala pra gente,
48:23você tem essas informações
48:25de cabeça,
48:25você lembra?
48:27O Alvo Rosa
48:28é uma volta às origens.
48:30Sim,
48:31mas vocês vão apresentar agora
48:32no Blue Notes
48:33no mês que vem.
48:33É,
48:34o repertório do disco,
48:35vai ser um som
48:36só instrumental,
48:37que a gente fez
48:38numa palhinha
48:38no Montreux,
48:40Rio agora,
48:41no Montreux Jazz Festival,
48:42e lá vai ser...
48:43Vamos fazer o LP todo,
48:46são oito músicas.
48:48E é uma volta às origens.
48:50Muitas aqui
48:50nunca foram gravadas,
48:52Dança Sassino
48:53nunca foi gravada,
48:54a não ser naqueles
48:54com o Vivo,
48:55tem o Espírito Infantil
48:57do Mu,
48:57que nós tocamos
48:58no Festival de Chorinho,
49:00em 77,
49:01na TV Bandeirantes.
49:02Tem um LP,
49:03só tem naquele LP
49:04da TV Bandeirantes.
49:05Tiramos o quinto lugar
49:06no Festival de Chorinho,
49:07só com os caras
49:08tradicionais.
49:09foi assim,
49:10uma surpresa maravilhosa,
49:12fizemos uma ideia,
49:14jogamos uma ideia
49:14sem meio diferente
49:15ali,
49:16moderna,
49:16do negócio.
49:18Isso foi muito gratificante.
49:20Então,
49:20é essa a ideia aí,
49:21volta às origens.
49:24Vamos passar o serviço,
49:25que tem muita gente
49:26nos acompanhando,
49:27é interessante.
49:28O Almo Rosa
49:29vai para o Blue Note
49:30dia 19 de dezembro.
49:33Eu quero só entender
49:34o seguinte,
49:35é um show presencial
49:37ou será transmitido
49:38pela internet?
49:39Não,
49:40vai ter público,
49:41vai ter público,
49:42não sei como é o esquema.
49:44Nós fizemos lá
49:44o ano passado,
49:45mas era o show normal nosso,
49:47misturado,
49:48instrumental,
49:49encantado.
49:51Quem tiver interesse
49:52em assistir,
49:53poderá conseguir
49:54um ingresso,
49:55entrar e assistir,
49:56logicamente que tem
49:57uma limitação,
49:58que as pessoas corram.
49:59Eu não sei como é,
50:00mas eu sei que vai ter
50:01plateia.
50:02Mas com certeza,
50:04com certeza,
50:05deve ser uma plateia
50:08menor e com todas
50:09aquelas regras
50:10de segurança.
50:11Então,
50:11com gentileza,
50:12quem tiver interesse,
50:14Blue Note,
50:14São Paulo,
50:15dia 19 de dezembro,
50:16show ao vivo.
50:18Quem está dizendo aqui
50:19é Solange Penegrini.
50:21É,
50:21Solange,
50:21meu amor,
50:22minha namorada.
50:24Ela é um show.
50:25Ela é o ativo.
50:27Ela é,
50:27a pessoa,
50:28o único disco que eu gravei,
50:29a única produção
50:30que eu fiz da minha vida
50:31se chama Solange Penegrini,
50:33mais.
50:33Solange Penegrini.
50:35Legal.
50:35É uma pessoa maravilhosa,
50:37mas antes de mais nada,
50:38a minha parceira,
50:39estamos juntos há quase 20 anos,
50:41sei lá.
50:42Isso aqui é a única produção
50:43que eu fiz,
50:44mas tenho o maior orgulho.
50:45Um dia você vai ouvir,
50:47senão você me perde,
50:48entra no YouTube
50:49e ouve,
50:50vai um monte de coisa lá.
50:52Eu esqueci de falar
50:53do Vitor Biglioni,
50:55do Pé em Santana,
50:57que foram dois caras
50:58que tocaram naquelas mudanças
51:00que o Armandinho saiu.
51:01Olha só,
51:02nós estamos chegando
51:03ao final da nossa conversa,
51:04eu quero te agradecer muito
51:06pela lição que você me deu agora
51:08de história,
51:09de vida,
51:10de coerência,
51:11de vontade,
51:12de prazer,
51:13de alegria,
51:14e que reflete muito
51:16em tudo que a gente ouviu
51:17ao longo desses anos
51:19e vamos ouvir muito mais
51:20pela frente,
51:21que é a cor do som,
51:22seu trabalho
51:23e sua dedicação.
51:25e uma coisa que vocês têm,
51:27que nós,
51:28que gostamos de música,
51:29precisamos aplaudir sempre.
51:31Bom gosto.
51:32Bom gosto.
51:34Vocês têm bom gosto.
51:35Então,
51:36eu vou pedir pra audiência
51:37que está nos acompanhando
51:38uma salva de palmas
51:39pra Gustavo,
51:40que merece.
51:41Valeu,
51:42Gustavão.
51:43Obrigado,
51:44meu querido Dudu.
51:45Adorei tudo,
51:46maravilhoso.
51:47Faltou um monte de coisa,
51:48mas se você quiser fazer
51:48uma segunda,
51:49a gente faz uma segunda live.
51:51Vamos marcar a parte 2.
51:54Um beijo.
51:55É,
51:55tem a Ramalho,
51:57tem...
51:59Um beijo pra...
52:00Gustavão,
52:01obrigado por ter um beijo em casa,
52:02meu irmão.
52:03Um abraço.
52:04Tá bom.
52:05Fica com Deus.
52:06Muita gente vai reclamar de mim
52:07que eu não falei.
52:08Muita gente,
52:08sabe?
52:09É,
52:10mas a gente faz a parte 2
52:11logo, logo.
52:12Vamos fazer uma parte 2.
52:13Um beijo.
52:15Tchau, tchau.
52:16Tchau, tchau.
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