- há 21 horas
Produtor musical e jornalista, Edu Henning entrevistou 260 artistas e personalidades culturais durante a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus. Confira no canal do vocalista da icônica banda Big Beatles lives que abordam desde a trajetória musical a questões curiosas de importantes nomes da música brasileira.
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NotíciasTranscrição
00:11O prazer é tudo meu, eu tenho, tô muito feliz de poder conversar com você, porque você representa
00:19uma continuidade de uma história. Eu acho que a gente tem que ter muito orgulho das histórias
00:26que as nossas famílias desenham. E o brasileiro tem muito disso de ser o rebelde sem causa
00:33e às vezes não valorizar ou às vezes não salientar algumas coisas que os nossos antecessores
00:42na família, carregando normalmente da gente, eles fazem. E fazem bem feito. É o seu caso
00:48difícil, uma missão difícil, porque seu pai é um cara de muita personalidade, de importância,
00:53de muito vigor, então não é fácil pegar essa bandeira, não é fácil. Deve ter sido
00:58foda pra você, deve ter tido momentos na sua vida que você deve ter pensado, cara, isso
01:03é um risco pra qualquer profissional. Um advogado, que o pai é o mestre. Um dentista, que o pai
01:10é o mestre na área. Um político, que o pai é o mestre. Qualquer profissão que seu pai
01:16foi, ou é, um cara de evidência, você seguir aquele caminho, o cara tem que ser peitudo, rapaz. E você
01:25é.
01:25É, eu vendo uma... a minha família, assim, são muitas gerações que têm música, né? Inclusive, recentemente,
01:32eu iniciei uma pesquisa, fui descobrir lá em 1830 e poucos, na cidade de São Sebastião,
01:39no litoral norte de São Paulo. Meu trisavô montou a primeira banda das cidades, né?
01:46Que ótimo!
01:47Meu bisavô também era músico, os filhos deles, meus tiosavós, todos músicos, minha avó, músico,
01:54enfim, todos tocavam e cantavam, né? Meu pai foi realmente o primeiro que subiu ali a serra,
02:01as serras, foi para Itaubaté e ali iniciou uma carreira musical, poxa, de respeito, né?
02:09De realmente com uma importância fincada ali nas raízes brasileiras, culturalmente.
02:16Ele é um cara hoje que não é... ele é um cara que anda na rua tranquilamente, mas as pessoas
02:22tratam ele com muito respeito. Então...
02:25Uma entidade. Teu pai é uma entidade, rapaz.
02:29É. E eu tive a oportunidade de crescer nesse ambiente também. Minha mãe é pianista clássica.
02:36Então, em casa, eu tinha o Pena Branca e o Xavotinho. Era muita gente que ia lá em casa, né?
02:42Então, a música estava presente ali. Eu acho que tem essa questão genética muito importante, né?
02:47E esse que vem do trabalho, a trajetória do meu pai, né? Que sempre foi calcada na sensibilidade,
02:54na positividade. Ele é um pacificador, né?
02:58E a Pena Branca nasceu com o dom de traduzir sentimentos de maneiras...
03:03Com palavras simples e tão profundas, ideias, né?
03:08Então...
03:08É verdade.
03:09Eu acho que é arriscado, sim, né?
03:11Eu segui esse caminho.
03:13Porém, é um caminho de paz.
03:16Natural.
03:17Natural.
03:19Isso não torna um peso pra minha vida. É óbvio que a dedicação tem que ser intensa.
03:25Eu acho que eu não posso vacilar, né?
03:28Então, eu tomo muito cuidado nas minhas coisas. Eu sou criterioso.
03:33Sou meio perfeccionista, assim, quando eu vou fazer meus discos.
03:37Pensar muito nas letras, né?
03:39Nas melodias.
03:41E sempre trazer algo novo, né?
03:42Porque essa é a minha escola. É assim que eu aprendi.
03:45Agora, Chico, você...
03:47Naturalmente, a música ao seu redor.
03:49A música, o violão tá ali encostado.
03:52A viola de sete cordas tá ali.
03:54Uma percussão tá aqui.
03:55O disco de fulano tá ali.
03:57Pena Branca canta pela janela.
03:59Chavantinho entra pela porta da cozinha.
04:01Isso fica uma coisa natural pra você.
04:04Mas quando é que você estala e bota a mão no violão
04:09e faz o primeiro pram?
04:11Hum...
04:12E começa a pensar assim...
04:13Pô, bonito isso.
04:14Eu sei fazer.
04:15Quando é que você começa a se interessar mesmo em tocar?
04:19Como é que foi isso na chegada da sua vida?
04:23Eu acho que por ser um ambiente extremamente musical, né?
04:26Sempre ter um violão ali por perto, vendo as pessoas tocar.
04:29Então, desde pequeno, eu já tinha uma...
04:31Pegava o violão, nem sabia fazer o acorde direito.
04:34Mas a mão direita ia, né?
04:36Aí, aos poucos, fui aprendendo.
04:38Eu cheguei a fazer algumas aulas de violão erudito, aliás, com Luiz de Bragança,
04:45aqui na Serra da Cantareira, onde eu moro até hoje, né?
04:48Mas foi em pouco tempo que eu tive esse contato com a música.
04:53E aí, depois, ficou adormecido.
04:56Porque eu acho que é natural, né?
04:57A criança ali tá vivendo outras coisas, tá brincando.
05:01E aí, eu fui descobrir mesmo o violão numa viagem que eu fiz com o Almir, com o Almir Sater.
05:07Eu ia muito passar as férias lá em Campo Grande, né?
05:10Aí, um dia, ele me arrastou lá pro pesqueiro que ele tem,
05:13uma casinha com rede ali na beira do rio.
05:16E, um dia à tarde, ele me pediu pra eu fazer base, pra ele ficar solando viola.
05:20Eu tinha uns 14 anos nessa...
05:241994, por aí.
05:26E aí, eu sinto que ali eu destravei o violão, né?
05:29Porque eu fiquei horas fazendo base pra ele.
05:32A tarde foi caindo, o dia foi escurecendo, assim.
05:35E eu voltei dessa viagem compondo.
05:38Cheguei em casa, já fiz música.
05:40Aí, montei uma...
05:41Peraí, peraí, peraí, peraí.
05:42Chico, você tava me dizendo que saiu pra pescar e voltou o violeiro.
05:45É, isso aí não é história de pescador, não.
05:48Legal, Bih, isso é ótimo, muito bacana.
05:51Foi um contato muito intenso com a natureza.
05:54Porque eu já cresci aqui na Serra da Cantareira, né?
05:57Que é a maior floresta urbana do mundo, né?
06:01E depois eu ia entrar, assim, ao Pantanal.
06:04É uma coisa mágica, né?
06:07A densidade, os sons, né?
06:09A trilha sonora natural ali é belíssima, é mágica.
06:13E eu voltei muito inspirado.
06:16Montei uma banda de blues.
06:19Mas eu quero falar sobre a sua banda de blues e quero falar sobre esse primeiro momento.
06:24Em nenhum instante existiu da sua parte uma rejeição natural do pré-adolescente,
06:31do adolescente que é rebelde e que vai contra as coisas que são apontadas pelo pai e pela mãe.
06:37Isso é muito natural.
06:38Eu tenho uma filha de 12 anos aqui, eu sei bem do que eu tô falando, entendeu?
06:41Então, em nenhum momento você, ao montar uma banda de blues, você quis ir pra contramão do seu velho?
06:49É, eu acho que foi circunstância ali, né?
06:52Porque o blues é uma escola, né?
06:54E aí, moleque com a guitarra na mão, que moleque que não gosta de ver uma guitarra chorando, gritando, é
07:01bonito, emociona, né?
07:03Eu acho que foi uma época também, nos anos 80, foi a invasão dos CDs, né?
07:08E aqui até o primeiro artista brasileiro fazer um CD demorou um pouco.
07:12Então, vinha muita coisa de fora, que eu me alimentei também, né?
07:17Embora eu já ouvisse muito LP, porque a gente tem uma coleção muito boa de LPs em casa, né?
07:23Mas aí o blues me pegou de jeito, cara.
07:26Acho que pela facilidade ali, do raciocínio, acho que como uma primeira...
07:31Não foi uma coisa de rebeldia, assim, até porque em casa o som de meu pai sempre foi muito eclético.
07:38Se você pegar o primeiro disco dele, 1970, 71, se não me engano, o Paisagem, né?
07:47Ele, pô, já foi o primeiro disco a usar a sampler, sintetizador.
07:55Então, o Plim Plim da Globo saiu desse disco, inclusive.
07:59Tinha guitarras, uma coisa meio maluca, assim, né?
08:03É, pra um homem que recebe o carimbo de violeiro e de homem do campo,
08:10é trazer elementos pro disco completamente diferentes da atmosfera, do estilo, né?
08:17É, mas eu acho que o que ele fez foi isso, pegar a música caipira tradicional,
08:21aquela viola e violão e os dois, e trazer, pô, como que funciona tocar uma bateria nessa música,
08:28o baixo, o contrabaixo, e aí vem, mas aí vem as fontes também, né?
08:34Tem muito Bolsaimo, tem todos esses caras, eu acho que, enfim...
08:41Agora, essa banda de blues que você monta depois dessa aplicação que você recebeu do Almir,
08:48naquela tarde de ficar fazendo a base do violão pra ele, você vai pra uma banda de blues,
08:53e esse momento de blues e outros estilos que não sejam a música sertaneja brasileira,
09:01a música caipira brasileira, você ficou quanto tempo ali?
09:05Ah, eu acho que foi uma fase que durou dos meus 14, aos 19 anos, talvez, né?
09:13Mas eu, com o tempo, fui sacando que a viola caipira é prima e irmã do blues, né?
09:22Você pega os bluseiros ali, é muita coisa parecida, né?
09:27O John Carreiro...
09:28É verdade, é verdade.
09:30E, inclusive, foi isso que foi o gatilho, assim, que me fez pesquisar sobre o folclore,
09:36sobre a música folclórica, música folk, né?
09:40Os seus povos trazem as tradições através da música folk, né?
09:45E fui identificando algumas coisas aqui no Brasil,
09:49aquela fase do Geraldo Vandré, mais nordestina dele, é folk,
09:55tem um monte de coisa, né?
09:57Então, é um universo para ser pesquisado, assim,
10:02de muita fartura e muitas descobertas, né?
10:08Esse ponto que você levanta também da música, da folk music americana
10:13e da música do sertão brasileiro,
10:18não só a questão dos elementos que se amarram,
10:23mas também a questão cultural, da forma que essas músicas surgiram,
10:27da sociedade que envolvia quem fazia as músicas,
10:31são muito próximas essas histórias,
10:34guardadas suas devidas proporções em função de uma ter acontecido
10:38na América do Norte e a outra na América do Sul,
10:40mas as razões eram muito próximas historicamente.
10:45Sim, mas aí você pega que todos os povos têm as suas tradições, né?
10:51Que vão passando de geração a geração.
10:54No caso aqui, a gente está falando das músicas, né?
10:58Mas o folk é um termo que foi levantado essa questão por um inglês,
11:04isso no século XIX, né?
11:06Na Alemanha,
11:07sobre como retratar essas músicas que os trabalhadores dos camponeses cantavam,
11:14mas que não tinham registros, né?
11:16Que o bisavô dele ensinou para ele.
11:19Então, eles chegaram ao termo folklori, né?
11:22Que é sabedoria popular.
11:25Verdade.
11:26E tem os irmãos Krim, que já, pô...
11:28Aí vem muita coisa, né?
11:31Aí, quando chega aqui no Brasil, o Câmara Cascudo, né?
11:34Que tem até aquele lindo dicionário dele,
11:36que vale a pena você ter do lado, eu tenho aqui em casa.
11:42Então, é um universo maluco.
11:45E daí você vai entendendo que os povos são...
11:48Nós somos um povo só, né?
11:51É verdade.
11:51Nós habitamos esse planeta gigante,
11:53cheio de recursos, de belezas...
11:56E conseguimos...
11:57E conseguimos...
11:58Alguns conseguem destruí-lo, né?
12:01Que é o pior.
12:02Esse que é o que mais incomoda.
12:04Acham que destrói-lo.
12:05Porque o planeta, a floresta é indestrutível.
12:08Ela se regenera.
12:09Ela é poderosa, né?
12:11Verdade.
12:12A música vem junto com isso.
12:14A cultura vem junto com isso.
12:15As tradições, né?
12:17Senão, ninguém vai calar isso.
12:19As coisas que eu aprendi com a minha avó, com o meu pai,
12:22ninguém vai apagar isso.
12:24Eu tento passar isso para os meus filhos também.
12:29Vamos passando para a frente.
12:30Chegou.
12:31Aí você se aproxima também, num certo momento do começo,
12:34você se aproxima do seu pai, musicalmente falando.
12:37Vai tocar, vai trabalhar.
12:39Esse ponto eu acho que é importante.
12:40Eu gostaria...
12:41Eu soube, a boca miúda, que você foi hold,
12:45foi técnico, puxava fio, montava cenário.
12:50Quer dizer, o velho Renato não liberou assim muito facilmente para você, não.
12:56Botou você para ralar primeiro.
12:58Vai ralar, depois você vai puxar cabo e depois você vai dar mais da luz.
13:04Não, eu acho que é bacana você,
13:06quando você entra numa estrada dessa, né?
13:10É você conhecer a coisa ali e ir chegando, né?
13:15Um passo a cada vez.
13:16Enfim, eu comecei mesmo puxando cabo, limpando os violões, afinando,
13:23arrumando um esqueminha para eles, né?
13:26E gradualmente eu fui.
13:28Eu dava uma canja num show, depois eu dava duas.
13:32Quando eu vi, eu estava na banda, cara.
13:35Estava dirigindo um carro.
13:38Então, foi gradual.
13:39E é uma história linda que a gente tem junto.
13:41São 15 anos que eu viajei, estivemos no Brasil inteiro juntos, né?
13:48Então, é uma história muito bonita.
13:51Viramos parceiros também.
13:53A gente compõe música junto.
13:57Então, foi...
13:58Mas não deu moleza, não, né?
14:00Mas nunca interferiu, não, sabe, Edu?
14:02Ele sempre deixou a coisa acontecer naturalmente, assim.
14:05Não era um...
14:05Foi um pai que ditava as regras.
14:08Você tem que ir por aqui.
14:11Tanto que, pô, quando eu tinha a banda de blues, né?
14:13Ele curtia, assim.
14:15Mas não ficava falando, ah, tem que cantar em português, não sei o quê.
14:19Não tinha essa onda, não.
14:21O Almir já era mais chato com isso.
14:23O Almir falava, pô, vocês vão ficar cantando aí.
14:25Eu não entendo nada.
14:30Muito bom, muito bom.
14:31Agora, fiz um levantamento aqui.
14:33Você estreia artisticamente, vamos dizer assim,
14:35o seu início de carreira profissional em 1999.
14:40Aí você já começa a participar de shows, efetivamente falando,
14:48e participa de gravação de disco em 99 também.
14:51Disco do Zé Geraldo com o Renato Teixeira, você está no bolo.
14:58Sim.
14:58É, a minha primeira participação em CD foi, se eu não me engano, em 96 ou 97,
15:05no Aguara Terra, que é meu pai Xangai, que é o Xangai e meu padrinho.
15:12Então, foi a minha primeira participação.
15:15Ali naquela época eu já tinha a banda de blues, né?
15:18Eu tocava em bares.
15:20Já com 19 anos eu já estava fazendo também meu primeiro show no teatro da Assembleia,
15:26lá em Belo Horizonte, um show autoral com a minha banda.
15:32Mas eu aprendi que ser artista, assim...
15:35Tem até a frase do Rainer Maria Hilke, que eu adoro o livro dele,
15:39do Cartas ao Jovem Poeta, que ele diz que ser artista não significa contar nem calcular,
15:46e sim amadurecer o fruto sem apressar a seiva.
15:50Então, eu levo isso como um lema da minha vida, né?
15:52Então, é até bom não olhar para trás, assim, para ver quanto tempo que...
15:57É bom a gente ir seguindo aqui o presente.
16:00Olhando à frente.
16:01É.
16:02É.
16:02Agora eu fico feliz que eu estou te ouvindo assim e pensando...
16:05Ó, Xangai já esteve aqui conversando com a gente nessa sequência de entrevistas.
16:10Zé Geraldo também.
16:11Então, eu me sinto muito à vontade, porque são pessoas...
16:14O Zé é uma pessoa que eu tenho uma verdadeira paixão, né?
16:17O Zé tem uma importância muito grande para a história do Espírito Santo,
16:21como o Espírito Santo também tem uma importância muito grande para o Zé.
16:24Porque nos momentos que Zé Geraldo não tinha...
16:30Momentos da vida artística, que são altos e...
16:32Nos momentos baixos, ele vinha para cá e as casas lotavam, os teatros entupiam,
16:38as feiras agropecuárias aplaudiam em pé.
16:42Então, eu acho que a relação dele com o Espírito Santo é uma coisa muito forte.
16:45O Espírito Santo tem muito da música regional brasileira.
16:52Como nós, os capixabas, recebem as influências dos baianos, dos cariocas, dos mineiros,
16:59de uma forma...
17:00E além de uma própria cultura, que tem coisas aqui muito típicas da região.
17:05Eu acho isso interessante registrar para não ficar passando batido.
17:10O Zé tem uma importância linda na minha vida também.
17:14Eu, quando eu era moleque, também gostava de jogar futebol.
17:16Ele me levou para jogar no time do Teodoro, do Zé Maria.
17:21E ele gostava de futebol também, né?
17:23Ele gostava de mim ali.
17:25Ele chegou a pensar em ser um jogador profissional, o Zé Geraldo.
17:29Traque ali no meio de campo, os passos longos do Zé Geraldo.
17:34E o Zé Geraldo, poxa, também abriu as portas para os Teixeiras aí no Espírito Santo.
17:41Então, eu com meu pai mesmo, nesses 15 anos, não sei lhe dizer quantas vezes eu fui,
17:48mas eram umas 4, 5 vezes por ano.
17:51A gente estava aí chegando no Pirão, comendo uma muqueca, capixaba, que eu sou louco.
17:56Tenho muito de saudade.
17:58Aí você já vai para o melhor lugar, que é o Pirão, logo, para não ter discussão, né?
18:02Mas a gente sempre parava lá, saia do aeroporto, parava lá, comia e seguia trecho, né?
18:07Então, a gente sempre rodou muito nessas estradas aí.
18:10O povo sempre muito caloroso com a gente.
18:13E quando meu pai pedia para eu dar uma canja, eu que não sou besta, não sou nada,
18:17eu cantava uma música do Zé Geraldo.
18:20Então, eu ganhava o povo.
18:23Agora, eu queria conversar com você sobre algo que me impacta muito
18:28quando a gente, eu pego um disco de música caipira, música regional brasileira,
18:33e eu falo caipira num sentido de respeito.
18:37É que existem dois pontos extremamente importantes em que você,
18:43e todos esses nomes que você mencionou, tu fazem muito bem,
18:48é a harmonia vocal, a leveza vocal, os arranjos vocais,
18:55eles são extremamente bem feitos.
18:57As vozes se encaixam de forma muito harmoniosa,
19:02e que tem um equilíbrio com os violões.
19:05Eu acho que isso é tão característico, e tão bonito,
19:09e tão europeu, e tão chique, sabe?
19:15É muito bacana.
19:16E não é para qualquer um,
19:18mas isso é um ponto muito característico da música caipira no Brasil.
19:22Sim.
19:23E o que você fala sobre esse meu olhar aqui,
19:27e desse uma destrinchada sobre esse assunto?
19:30Eu acho que a música caipira,
19:33ela é essa feita no centro-oeste, no sudeste, nesses interiores,
19:37que em determinado momento,
19:41houve uma apropriação comercial do sertanejo.
19:45O sertanejo, na minha opinião, é Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro.
19:51Mas, enfim, é fato, está aí o sertanejo.
19:55Mas essa escola, acho que das duplas,
19:58eu via o Pena Branca e Chavantinho cantando,
20:01a forma como eles montavam os vocais,
20:04era muito natural,
20:06era coisa de Deus aquilo lá,
20:08porque de irmãos ali,
20:09porque um ia fazer a segunda voz,
20:12os outros estavam fazendo a primeira,
20:13eles misturavam tudo,
20:14de repente pintavam a quinta.
20:17Eu não sou muito bom tecnicamente.
20:21Eu vou muito no sentimento,
20:23acho que o texto ajuda,
20:25conduz a gente também a colocar o que está dizendo ali.
20:30O tempo também, cantando com o meu pai ali,
20:33a gente conseguia, em muitos momentos,
20:37timbrar legal a voz.
20:38Eu acho que é um momento que arrepia.
20:40E a música brasileira tem esse dom
20:42de trazer a harmonização vocal
20:45junto com a variedade de ritmos.
20:49A música brasileira é muito chique.
20:52Já mudou a música no mundo
20:55pelo menos duas vezes.
20:58E eu vejo, cara,
21:01hoje em dia, muita gente fazendo coisas lindas,
21:04lindas, cara.
21:06Eu tenho descoberto coisas fantásticas por aqui.
21:11Agora, você levantou,
21:12eu não estou querendo polemizar,
21:14mas eu quero equilibrar essa conversa.
21:16Quando nós tivemos...
21:18Agora nem tanto,
21:19porque as coisas vão esvaziando,
21:22mas ainda existe uma força muito grande
21:24da música sertaneja brasileira,
21:27que a gente vê das duplas sertanejas
21:28sertanejas e esse sucesso,
21:31esses vila isso,
21:33vila não sei o quê,
21:34grandes eventos com 40,
21:36com 50 mil pessoas.
21:38Legal, tem lá sua importância e relevância.
21:41Mas isso bota todo mundo no mesmo balaio,
21:46bota todo esse universo de música
21:48caipira sertaneja no Brasil
21:50no mesmo balaio.
21:52Quando, no meu olhar,
21:53que eles não fazem a música sertaneja,
21:56ponto, eles fazem uma nova versão,
21:59uma nova oportunidade comercial,
22:02uma relação de venda de ingressos.
22:05Agora, esse momento atrapalhou vocês
22:09ou acabou fomentando um pouco mais,
22:13trazendo vocês um pouco...
22:15O que eu digo a vocês assim,
22:16quem faz com o clássico e o erudito?
22:20O popular e o popularesco, entendeu?
22:23Atrapalhou ou ajudou?
22:24Eu acho de verdade que acaba fortalecendo,
22:28de uma maneira geral,
22:30acho que fortalece mesmo.
22:31Eles vêm com esse espírito comercial,
22:34que às vezes eu penso a carreira musical
22:37como um equilíbrio artístico e comercial.
22:42Acho que são duas pernas andando
22:44de forma equilibrada e coerente.
22:49Mas eles trazem isso.
22:51E a cultura brasileira é tão vasta.
22:54Temos festas aí que às vezes o povo...
22:56O povo não é uma festa para o povo ouvir música e refletir.
23:00Tem que dançar mesmo para vender cerveja, sei lá.
23:04Agora, tem momentos,
23:06quando você apresenta...
23:07Por exemplo, esse disco de meu pai
23:09com o Almir Sáter,
23:11era de uma beleza.
23:13Então, quando você põe isso para um grande público,
23:15funciona também, né?
23:18Não tem dúvida.
23:20Nós, cara,
23:21a gente já se apresentou
23:23em palcos pequenos
23:25e em palcos gigantescos, né?
23:27Sem mudar o formato do show.
23:30Nossa consistência,
23:31nosso amor sempre foi intenso ali, né?
23:34Então, eu acho que a soma disso tudo
23:37acaba fortalecendo a gente.
23:39O que me preocupa um pouco
23:40é a forma como é feito isso, né?
23:43Para os artistas,
23:45principalmente dessa geração que está chegando, né?
23:48De se implantar uma carreira,
23:49de se abrir espaços.
23:52Porque hoje o que gira muito é...
23:55Tem a quantidade de gente fazendo
23:57e a quantidade de investimento, né?
24:00Que realmente eu não sei
24:02de onde é que vem tanto investimento.
24:04Mas, enfim,
24:05é uma coisa que acaba atrapalhando a gente
24:07que vai de uma forma orgânica.
24:10Isso!
24:10E a minha escola é essa, entendeu?
24:13Eu aprendi com o Renato Cheira,
24:15com o Zé Geraldo,
24:16com o Almir Sater.
24:19Tem esse povo que vem junto
24:20e independente de moda.
24:26É uma coisa perene, cara.
24:28Eu acho que a construção da carreira
24:29desses caras é um exemplo, né?
24:31E é o que não me deixa desanimar, cara.
24:36Então...
24:36Não, eu acho que você levantou...
24:37Você botou um ponto,
24:39acho que é fundamental,
24:40que eu os vejo com muito respeito
24:43e tenho muitos amigos
24:44nesse universo da música sertaneja,
24:47mas não vejo sertaneja...
24:51é...
24:51moderna.
24:52Moderna!
24:53Moderna!
24:54Moderna!
24:54É...
24:54Moderna!
24:55Eu não...
24:56Falta a coisa orgânica
24:58que você acabou de colocar.
25:01Então você vê um puto escritório,
25:03cada um botando um milhão de reais,
25:06cinco empresários botando
25:07um milhão de reais cada um,
25:09investindo numa dupla sertaneja
25:11para receber o dinheiro
25:12ao longo de X meses,
25:14na contabilidade tal,
25:15você tem que fazer tantos shows
25:16e você vai ganhar essa merreca
25:18ou o Lusco vai ganhar outra merreca.
25:21Exatamente.
25:21Isso, é isso...
25:23Esse é o ponto que me incomoda.
25:25É incomoda principalmente
25:27não por eles estarem fazendo
25:28o trabalho deles lá,
25:29mas é porque realmente fecha...
25:32rola o monopolismo.
25:35Então nas rádios
25:35a gente não consegue colocar.
25:37Porém, cara,
25:38vivemos num mundo hoje
25:40que não dependemos mais só disso.
25:42A gente tem a internet,
25:44eu vejo às vezes uma live assim,
25:47a gente consegue atingir
25:48e ser mais direto com as pessoas,
25:52explicar melhor,
25:52até de uma qualidade melhor
25:54do que era feito antes.
25:56O próprio canal no YouTube,
25:58pô, tu faz uma live
26:00e de repente tem duas mil pessoas
26:02te vendo, entendeu?
26:04Então eu acredito nessa coisa,
26:07de caminhar,
26:09de acreditar nos sonhos,
26:11de conhecer a sua própria história,
26:14né?
26:15E escrever novas.
26:17E escrever novas histórias.
26:19É o caso que você tem...
26:21Eu tenho observado
26:21que você vem fazendo isso,
26:24você tem procurado novos parceiros,
26:28parceiros não da sua vertente
26:30que possam trazer coisas diferentes
26:32para você,
26:33mas ao mesmo tempo
26:34com a mesma harmonia,
26:36sabe?
26:36Não é trazer alguém
26:38completamente na contramão
26:39do que você faz,
26:40mas eu acho isso...
26:41Não sei se você faz isso
26:43de forma pensada.
26:45Bom, eu vou trazer
26:46Roberta Campos para cá,
26:49vou botar ela aqui comigo,
26:50vou trazer...
26:52Isso dá um olho diferente.
26:58É uma renovação.
27:00Ah, Edu,
27:01tem coisas que eu faço
27:03de forma pensada, assim, né?
27:05Mas eu,
27:05quando eu vou fazer uma música
27:07com alguém, assim,
27:08tem muita gente
27:09que me pede também,
27:10parceria,
27:11mas eu acho que é um momento
27:12de tanta intimidade, assim,
27:15você, sei lá,
27:17você coloca algumas fraquezas
27:19também sua ali na mesa,
27:21você está fazendo uma letra,
27:22às vezes você...
27:22É muita intimidade que tem, né?
27:25Então, eu acho que esse
27:27aprocho tem que ser natural.
27:29Eu, por exemplo,
27:30você citou a Roberta Campos,
27:31que é uma pessoa linda,
27:33de uma alma,
27:34putz, incrível,
27:35ser humano que eu conheci,
27:36fiquei amigo,
27:38e naturalmente...
27:39Eu falo,
27:40vamos fazer uma música,
27:41eu estou te mandando
27:41uma letra aí.
27:43Aí você termina ela.
27:44Então, a coisa é...
27:45Aí vai acontecendo
27:47de forma natural, né?
27:49É bonito.
27:50Eu tenho isso com o João Carreiro,
27:52o João Carreiro também,
27:53que já é outra vertente, né?
27:55Mas que, de alguma forma,
27:57a gente se entende, né?
27:58Os nossos caminhos
27:59se cruzam em algum momento, né?
28:01Então,
28:03tem a coisa pensada, sim, né?
28:05Mas tudo acontece com essa...
28:08Você não tem uma ligação anterior ali.
28:11Para mim, eu tenho dificuldade
28:12de ligar para alguém e falar,
28:14vamos gravar,
28:15mas não conheço a pessoa.
28:17nos encontramos,
28:18não sabemos quem somos.
28:21Eu gosto dessa intimidade, assim.
28:24Eu acho que torna
28:25a ação muito mais profunda.
28:29É, eu acho fundamental
28:31para que a coisa cresça,
28:34para que exista uma evolução,
28:36entendeu?
28:37É mais ou menos o seguinte,
28:38se você olhar para trás
28:39e ver lá
28:41Renato Teixeira,
28:43Almir,
28:45Serjão,
28:47Zé Geraldo
28:47e outros,
28:49Pena Branca e Xavanti,
28:50todos
28:52se cruzam em algum instante
28:54e trocam figurinhas
28:56em algum instante
28:57e mostram suas músicas
28:59um para o outro,
28:59outro para o um
29:00e cria um universo
29:02que é quase
29:03uma brigada.
29:06Uma brigada
29:07de incêndio,
29:08entendeu?
29:09Uma brigada
29:10de incêndio.
29:11A floresta está incendiando,
29:13mas os bombeiros
29:13somos nós.
29:14Esses caras
29:15têm uma importância
29:16e eu acho que você,
29:17que traz
29:18esse DNA,
29:20que traz
29:21essa influência
29:22toda dessa turma
29:23toda que eu acabei de falar,
29:25acho que
29:25se aproximar
29:26de pessoas
29:27como a Roberta
29:28e como outros,
29:29que tem uma harmonia
29:31e que tem outro caminho,
29:34isso pode representar
29:35uma
29:36uma
29:37longevidade
29:38para a música
29:39regional brasileira
29:40muito maior,
29:41porque esse urbano,
29:43o paulista,
29:44urbano,
29:44caipira,
29:46é fundamental
29:47para que
29:47a coisa
29:48continue,
29:50que o estilo
29:50tenha
29:52vazão,
29:53né, meu compadre?
29:54Porque senão
29:54são afogados
29:56por essa música
29:57sertaneja
29:58que a gente
29:58acabou de falar agora.
29:59Mas eu acho
30:00que o que
30:02tranquiliza,
30:02o que eu acho legal
30:03é que o trabalho
30:04deles aí
30:05vira uma referência
30:06com o tempo,
30:08né?
30:09Então,
30:10isso aí é um marco,
30:12enfim,
30:13isso daí ninguém tira,
30:14é uma coisa,
30:15pô,
30:15as pessoas olham
30:16como referência,
30:18como ponto de partida,
30:19como reflexão,
30:21sei lá,
30:22você pensar
30:23que a música,
30:24a letra
30:25de uma música
30:26pode mudar
30:27a vida
30:28de uma pessoa,
30:28né?
30:30Pode.
30:31E a música
30:32pode resistir
30:33a guerras,
30:35a pandemias,
30:37é incrível.
30:39Incrível.
30:40Você foi,
30:41se envolveu
30:42como diretor artístico
30:43de um projeto
30:43chamado
30:43Raízes Sertanejas.
30:45Isso.
30:46Esse projeto,
30:47eu queria que você
30:48explicasse um pouco
30:49pelo que eu entendi,
30:50é um projeto
30:51que,
30:51não sei se
30:52ele teve continuidade
30:54depois de um certo tempo,
30:56mas não ficou pouco tempo,
30:58em que vocês
30:58produziam shows
31:00em teatros municipais
31:02de São Paulo,
31:04que é o país amigo
31:06de língua portuguesa,
31:07mas próximo do Brasil
31:08é São Paulo.
31:09Então,
31:10tem um interiorzão
31:13da porra,
31:14tem um interior
31:15com bons teatros,
31:16com boas estruturas.
31:18Então,
31:19você levava,
31:20você como diretor artístico
31:21desse projeto,
31:22você levava a música
31:24sertaneja de raiz
31:26interior de São Paulo
31:28adentro.
31:29É,
31:30esse foi um projeto
31:31que a gente desenvolveu
31:32junto com
31:33o Tempero Cultural,
31:35um escritório aqui
31:36que faz projetos
31:38para leis,
31:40Proac,
31:41né?
31:41Esse,
31:42no caso,
31:42foi um projeto
31:44para o Proac
31:45e que a ideia
31:47era assim,
31:49eu montaria um repertório
31:52traçando uma,
31:53o período da música
31:55sertaneja,
31:55né?
31:58E tínhamos o convidado
32:00principal,
32:01Sérgio Reis.
32:02Então,
32:03eu apresentava
32:04algumas músicas
32:04desse repertório
32:05e eu fiz muito
32:07o lance de ser
32:08o Raiz dos Sertanejos
32:10até para dar
32:10umas cutucadas,
32:11né?
32:11Nesse sertanejo novo.
32:13Então,
32:13de repente,
32:14num repertório desse
32:15eu coloquei
32:17Gonzaguinha,
32:19né?
32:19que ele tinha
32:20aquela coisa
32:21urbana,
32:21mas ele contestava
32:22a solidão
32:24urbana
32:25pensando no sertão,
32:26né?
32:27Então,
32:28eu consegui
32:29enxergar
32:30uma conexão
32:31e esse projeto
32:32virou um disco,
32:34né?
32:34Ele foi apresentado
32:35também como
32:37especial de fim de ano
32:38da TV Cultura
32:40e aí virou um disco
32:41depois
32:43que foi lançado
32:44pela Aquarupi,
32:45tendo as plataformas
32:46digitais, né?
32:47É um projeto
32:48super bonito,
32:49durou dois anos
32:50e por ser um projeto
32:52do PROAC,
32:53então a gente tinha
32:53que atuar aqui
32:54em São Paulo
32:55e no interior
32:56de São Paulo,
32:57né?
32:57Porque a minha ideia
32:58era sair
32:59para o Brasil todo,
33:00né?
33:01É,
33:02mas eu acho
33:02que São Paulo,
33:03o interior de São Paulo
33:04já consome bastante
33:06o artista,
33:07porque a estrutura
33:09da cidade de São Paulo,
33:11do estado de São Paulo
33:12é uma coisa
33:13fora do comum,
33:14né?
33:14É,
33:14tem belos teatros,
33:16eu conheço
33:18centenas de teatros
33:19aqui no interior
33:20de São Paulo,
33:21já tive o privilégio
33:22de tocar em vários,
33:24acompanhar eles,
33:25alguns sendo reformados,
33:27outros já deteriorados,
33:29já teve teatro
33:30que a gente foi tocar
33:30que tinha uma cachoeira,
33:32que na hora
33:33de abrir para o público
33:34abriu uma cachoeira,
33:35assim,
33:36na plateia,
33:38impressionante,
33:39mas teatros lindos também,
33:41né?
33:42Históricos
33:42e bem cuidados,
33:46enfim,
33:47mas a gente
33:48infelizmente
33:48passou por alguns
33:49que
33:51estavam,
33:51assim,
33:53de dar muita tristeza
33:54na gente,
33:55né?
33:56Até a nossa equipe,
33:57assim,
33:58teve que atuar
33:58para arrumar
34:00coisinhas,
34:01assim,
34:02é uma aventura,
34:03né, cara?
34:03É uma aventura,
34:04cara,
34:04né?
34:06É isso aí que é,
34:07aí a experiência
34:08vai aumentando,
34:09né?
34:09Porque o cara
34:10tem que chegar
34:10e se virar,
34:11porque o compromisso
34:12tem que ser assumido,
34:13assumir o compromisso
34:14tem que ser executado,
34:15né?
34:15Pois é.
34:17Quantos discos
34:18você tem
34:21próprios
34:21e quantos discos
34:22você participou?
34:25Você tem esses números
34:27na...
34:27Tem que ter,
34:28tem que...
34:28Não,
34:28não tem,
34:29não são tantos,
34:31né?
34:31Mas discos meus
34:32produzidos,
34:33assim,
34:34nas plataformas digitais,
34:35eu tenho sete.
34:36Lancei agora,
34:37sexta-feira,
34:38passada,
34:40o sétimo,
34:41né,
34:41mais recente,
34:41que é o Ciranda
34:42de Destinos
34:43ao vivo
34:44e é um trabalho
34:45que tá super bonito,
34:47tá indo bem
34:49nas plataformas,
34:50né?
34:51O Ciranda
34:52é o que tem
34:53a capa do Elifas.
34:55É,
34:55tem,
34:56esse é o do estúdio,
34:58esse daqui,
34:58a capa do Elifas.
35:00É lindo isso.
35:01A capa linda,
35:02pô,
35:02foi um momento,
35:04no dia que chegou aqui,
35:06era,
35:07foi meio surpresa
35:08pra mim,
35:08né?
35:08Eu não sabia
35:10que ele tava fazendo
35:11a capa.
35:12É em parceria
35:12com a Quarupi.
35:15Esse disco aqui
35:16nas plataformas digitais
35:17a gente já atingiu
35:18mais de um milhão,
35:19cara,
35:20de streams,
35:21de forma orgânica.
35:23É,
35:24de forma,
35:25não tem grana pagando,
35:26não,
35:27é forma orgânica.
35:28Pois é.
35:29E aí,
35:29esse disco que a gente lançou
35:31ainda não tem o Elifísico,
35:32mas passando a pandemia,
35:34provavelmente,
35:34a gente faça uma edição
35:36dele físico,
35:37mas já tá indo muito bem também.
35:39Em uma semana,
35:40a gente já tá com quase
35:41400 mil streams.
35:43Agora,
35:45é,
35:46tem essa coisa
35:47que são os
35:47direitos naturais,
35:49né?
35:49Nessa era digital.
35:51É.
35:51É uma coisa
35:52que a gente precisa
35:54conversar muito,
35:56e eu acho que
35:56os autores,
35:58os artistas,
35:59precisam estar bem alinhados,
36:02e sabendo
36:03falar sobre esse assunto
36:04tão complexo,
36:06e que hoje
36:07é tratado como
36:08que um
36:08serviço escravo,
36:10cara.
36:11É,
36:12não,
36:12a gente,
36:12é só ir olhando pra trás,
36:14Chico,
36:14e vendo
36:15os movimentos
36:16que aconteceram
36:17na história
36:17da indústria fonográfica,
36:19não só brasileira,
36:20mas principalmente
36:21a nossa,
36:22porque a nossa,
36:23nós somos latinos
36:25e desorganizados
36:26de um modo geral
36:27desde sempre.
36:29Talvez,
36:30por exemplo,
36:31outro dia eu tava lendo
36:32um livro
36:32o P. Refracton,
36:33um grande guitarrista
36:35que tá doente,
36:37tá largando os palcos
36:38e tal,
36:39ele tem
36:39duas ou três músicas
36:41de sucesso mundial,
36:43e ele vive
36:43das duas ou três músicas
36:44de sucesso mundial,
36:45vive bem,
36:46pagou,
36:47as editoras
36:47funcionam bem,
36:49né?
36:50É isso,
36:51cara,
36:51é isso.
36:52Aqui,
36:53uma pessoa como
36:55o Renato Teixeira,
36:56que tem lá,
36:57Romaria,
36:58Romaria,
36:59Romaria,
36:59pronto,
37:00só uma musicazinha,
37:01era pra ele viver
37:02de Romaria
37:03o resto da vida.
37:05É,
37:06viver,
37:09mas ele tem mais,
37:10né?
37:11Sim,
37:12tô falando uma,
37:13tô falando uma música.
37:14sério,
37:15não,
37:15mas se você pega
37:16o caso do Renato,
37:17já é uma outra coisa,
37:18né?
37:19Eu vejo assim,
37:20na minha geração,
37:21assim,
37:21os artistas que estão chegando,
37:23a gente não tem como
37:24depender muito disso,
37:26né?
37:27De,
37:27só de direito autoral,
37:28a gente tem que ralar mesmo,
37:30entendeu?
37:30Porque não é fácil,
37:32ainda num momento desse,
37:34fica tudo mais difícil,
37:36mas a gente não pode perder
37:37o foco,
37:40perder a serenidade,
37:41né?
37:41Porque às vezes o desespero bate,
37:44né?
37:45Mas assim como ele vem,
37:47ele passa,
37:48então a gente precisa ter a sabedoria
37:50também de nesses momentos,
37:52ter o pé no chão,
37:54abrir a cabeça,
37:54abrir o coração pra outras coisas,
37:57às vezes é difícil,
37:59a gente sabe que tem coisas aí
38:01que pegam o bicho,
38:02o homem, né?
38:03Do jeito que a gente não consegue
38:04explicar,
38:06algumas coisas,
38:07questões emocionais,
38:08e causam,
38:10enfim,
38:10é importante a gente ter a sabedoria
38:12e estar atento
38:13a quem está ao nosso lado,
38:15a música pode nos levar
38:17por bons caminhos também,
38:19vai ter um dia
38:19que vai estar tudo ruim,
38:21né?
38:21Tem um amigo meu que fala,
38:23tem o diabão
38:24e o diabinho.
38:29Ótimo,
38:30ótimo,
38:31gostei.
38:32Agora você,
38:33esse período agora
38:34de quarentena,
38:35como é que você administrou
38:36essa questão?
38:37Primeiro,
38:38claramente,
38:39que a gente parou de trabalhar
38:40e isso incomoda
38:42a qualquer cara
38:43que já está no ritmo
38:45de trabalho há muito tempo.
38:46A outra é
38:47porque deixar de trabalhar
38:47não entra dinheiro.
38:49Então você tem
38:49um equilíbrio emocional
38:51e financeiro aí,
38:52você teve sorte
38:54de administrar isso?
38:56Nesse momento?
38:58Eu estou me equilibrando,
39:01né?
39:01Eu não posso reclamar,
39:03mas tive momentos
39:04muito difíceis,
39:07mas graças a Deus
39:08eu tenho as coisas
39:10editadas e bom,
39:11enfim,
39:12boas editoras,
39:13tenho um relacionamento
39:15bom com as pessoas.
39:16Então eu consegui
39:16viabilizar um projetinho
39:18aqui,
39:19fazer uma gravação,
39:20uma produção aqui,
39:22né?
39:23Mas muito fora
39:25do ideal.
39:27Eu sou um privilegiado
39:29porque eu moro aqui
39:29na Serra da Cantareira,
39:31é a casa que é da minha família
39:33já há muitos anos,
39:34então aqui é como
39:35uma vila meio hippie aqui,
39:37né?
39:38Então tem uma casinha
39:39que mora a minha mãe,
39:40ela fica estudando
39:41o piano clássico dela ali,
39:43na outra mora o meu pai,
39:45na outra mora eu
39:46com os meus filhos,
39:47minha esposa,
39:49então a gente tem
39:50uma horta aqui, né?
39:52Então a gente vai procurando
39:56bicho se equilibrar,
39:57né?
39:58Então,
39:59enfim,
40:00mas eu não posso reclamar não
40:02porque apareceram
40:02alguma outra coisinha
40:04assim,
40:04um trampo
40:05que salvou a pátria,
40:07assim, né?
40:08Mas a coisa já está
40:09ficando difícil de novo.
40:11É,
40:12a esperança é que a gente
40:13está ouvindo aí
40:13que nos próximos dois meses
40:16a gente está livre disso,
40:17espero que seja verdade.
40:18Vamos rezar para...
40:20Eu acho que vai ser
40:22um dia muito emocionante,
40:24o dia que a gente tiver
40:26essa salvação, né?
40:28Uma vacina.
40:30É tudo o que a gente deseja,
40:31acho que desde o início,
40:32cara,
40:33porque dia 13 de março
40:35eu fiz o meu último show.
40:37Foi inclusive o lançamento
40:39do disco, né?
40:41Do Ciranda de Destinos.
40:44E foi a última vez
40:46que eu saí de casa, assim, né?
40:48Doideira, né?
40:49Se a gente parar para pensar
40:50março, rapaz,
40:51nós estamos agora
40:51entrando em dezembro.
40:53doideira, né?
40:54Mas desde o início,
40:55eu sabia que a vacina
40:57seria a nossa...
40:59É, não,
41:00com certeza,
41:00mas eu achei que...
41:01Eu não esperava
41:02que demorasse tanto,
41:03estou sendo sincero
41:04porque eu estou de saco cheio.
41:05Mas vamos para frente.
41:07Você falou que agora
41:08há pouco tem sete discos
41:10próprios,
41:11mas participando
41:13dos outros discos,
41:14discos de amigos,
41:16botando o seu...
41:17Você tem esse número
41:19de cabeça?
41:21Essa conta,
41:22não sei não,
41:23mas...
41:24Mas eu já participei
41:25de muitos discos,
41:26graças a Deus.
41:28Graças a Deus.
41:29Teve um muito interessante,
41:32um dos primeiros
41:33que eu participei,
41:35foi do Dércio Marques.
41:37Ele estava fazendo
41:38um disco
41:39falando de lua,
41:42alguma coisa assim, né?
41:43Ele me convidou até
41:44para cantar uma música
41:45do meu pai,
41:46porque ele achava
41:47o nosso timbre
41:49muito parecido, né?
41:50Não,
41:51não é muito parecido, não.
41:52É idêntico, pô.
41:54O cara...
41:54É, graças a Deus.
41:56Ainda bem que você
41:57errou isso, né?
41:58O Thalene,
41:59ainda bem.
42:00Eu sou se você fosse fanho.
42:01Aí, isso deu.
42:03Nasci com a voz
42:04do chororó,
42:05do querido chororó.
42:08E aí,
42:09o Dércio Marques
42:10é uma escola
42:11de harmonização vocal,
42:14de sabedoria popular,
42:16da glória,
42:17das tradições.
42:19Eu tive o privilégio
42:20de conviver também
42:21com esse cara.
42:22E a minha primeira participação
42:23tem sido no disco dele.
42:25Aí, depois disso,
42:26teve várias.
42:27Participei do disco
42:29do...
42:29De quem?
42:31Ixi,
42:31tanta gente.
42:33Do Zé Geraldo.
42:36Discos do meu pai,
42:37participei de alguns, né?
42:39Inclusive,
42:39teve o Amizade Sincera,
42:41que levamos o Grammy,
42:43o Grammy Latino,
42:44mesmo.
42:45Enfim.
42:47Esse ponto
42:48é outra coisa
42:50que eu acho interessante.
42:51O Grammy Latino,
42:52que é algo
42:52que qualifica o artista,
42:55só você ser
42:58mencionado
42:58que está concorrendo
42:59ao Grammy Latino,
43:01isso é algo maravilhoso.
43:03Eu acho que
43:03essa etiqueta,
43:05essa marca,
43:08veio a chamar a atenção,
43:11porque nós,
43:11há muito tempo,
43:12não tínhamos um prêmio.
43:13Tivemos ali
43:14o prêmio Sharp,
43:14que foi muito importante
43:16para a música brasileira,
43:17e com o tempo,
43:18o McLean esvaziou
43:20o prêmio Sharp,
43:21e eu acho que
43:22o Grammy veio
43:23para dar esse carimbo
43:25para a música brasileira, né?
43:27Eu acho que é fundamental.
43:29Você tem um disco
43:30que ganhou um Grammy,
43:32meu irmão?
43:34é aquela coisa
43:36de síndrome de cachorro
43:37vira lá
43:37que nós temos que matar
43:39do brasileiro.
43:40Nós temos que matar isso.
43:41É foda,
43:42parabéns,
43:42é para aplaudir em pé,
43:45parabéns.
43:45Ser mencionado,
43:47estar concorrendo
43:48ou ganhar um prêmio desse.
43:50É,
43:51eu acho que também,
43:52bicho,
43:53a gente tem até
43:54alguns prêmios
43:54aqui no Brasil, né?
43:56Os que não estão,
43:57até não estão acontecendo
43:58por falta de investimento.
44:00mas talvez a gente...
44:03O prêmio, cara,
44:05não quer dizer muita coisa, né?
44:07Óbvio que é um reconhecimento,
44:09é prazeroso,
44:11mas o que importa
44:13é que é uma letra
44:15que pode mudar a vida
44:16de uma pessoa.
44:17Não, com certeza,
44:18com certeza.
44:19E eu acho brasileiro, cara,
44:21essa coisa...
44:23Brasileiro é poderoso, cara.
44:24A arte, a cultura brasileira,
44:26a música brasileira
44:27é potente, cara.
44:29É diversa,
44:30ela é rica,
44:31ela é divertida, né?
44:34É verdade.
44:35O melhor prêmio
44:36que a gente pode receber
44:37na vida
44:38é fazer música brasileira.
44:40Bem feita,
44:41com qualidade,
44:42com sensibilidade.
44:43Eu acho que
44:44um ponto importante
44:46que eu vejo
44:46na música sertaneja,
44:49caipira brasileira,
44:50é a sensibilidade.
44:52São as mensagens,
44:53são as letras,
44:55o sofrimento
44:56é sempre em busca
44:57de uma solução.
44:58a natureza,
45:00a harmonia
45:01entre as pessoas.
45:02Isso é o texto
45:03da música sertaneja
45:05no Brasil,
45:05caipira principalmente,
45:07é muito forte,
45:09é muito poderoso.
45:10Tem aquelas tragédias também,
45:12né?
45:12Não.
45:12O Chico Mineiro,
45:14o Ildo,
45:15aí, cara.
45:16O Pena Pena,
45:17o que que falava pra mim?
45:18Ai, meu Deus,
45:19essa de cortar os pulsos.
45:21Tinha as tragédias mesmo, né?
45:23Com certeza.
45:24É a coisa cultural, né?
45:27Dos interiores, né?
45:29E o Pena Branca,
45:30eu tive a oportunidade
45:31de ouvir muitas histórias
45:33com ele, assim.
45:34E ele,
45:35o que mais me atraía nele,
45:36assim,
45:37é que ele ia atrair
45:38em busca das músicas
45:39mais gentis,
45:41assim, né?
45:42Das plantas,
45:43do...
45:45Eu tive o privilégio
45:47de ter lindas histórias
45:48com ele
45:49e ver essa beleza
45:50do interior aí.
45:52Ele me ajudou bastante
45:53nessa...
45:54Nessa labuta aí também.
45:57É, eu acho que...
45:59E essa questão
45:59do timbre vocal
46:00de você e seu pai?
46:03Você...
46:04Você...
46:05Sente o que a gente sente?
46:07São muito próximos
46:08dos timbres, né?
46:09Não são idênticos,
46:10mas são próximos.
46:11É natural.
46:12É pai e filho,
46:13Pelo amor de Deus.
46:14Não existe ali
46:15uma forçação de barra
46:17pra aparecer
46:18é igual eu
46:20e meu irmão.
46:20Se meu irmão
46:21telefonar pra cá,
46:22ele é capaz
46:22de dar ordem
46:23dentro de casa
46:24e nego obedece
46:26meu irmão
46:26igual assim, cara.
46:29Manda lá,
46:30compra, faz,
46:31acontece!
46:32E vocês têm
46:33um timbre...
46:34Isso acontecia
46:36um pouco aqui
46:36de ligar em casa.
46:38Renato não falou
46:38o Chico,
46:40é o Chico, pô.
46:45Mas não...
46:46Eu acho
46:47o jeito
46:47dele cantar
46:48super doce,
46:50ele adquiriu
46:51uma sabedoria
46:52ao colocar
46:53a voz
46:53que ainda
46:54não atinge,
46:54não.
46:56Mas é fruto
46:58ali de muita
47:00dedicação.
47:01É uma coisa
47:02de, cara,
47:02eu acho que
47:03nasce com a pessoa
47:04aquilo, né?
47:05Essa mesma
47:06simplicidade
47:07que ele tem
47:07de escrever
47:08coisas tão profundas
47:10que podem mudar
47:10a vida de uma pessoa
47:11e saber dizer
47:13aquilo de uma maneira...
47:14eu acho que ele coloca
47:15a voz de uma maneira
47:16tão doce, cara,
47:19que preenche, né?
47:22Eu não tenho
47:23esse talento
47:23que fazer.
47:24Eu já saio
47:24mais chutando
47:25balde mesmo,
47:26às vezes.
47:28E é assim, né?
47:29Cada um tem a sua...
47:30Cada dedo
47:31tem sua unha.
47:32Cada dedo
47:32tem sua digital, né?
47:34Isso é importante.
47:34É isso.
47:35E como você
47:38é compositor,
47:39você reflete
47:40o que você
47:40passou
47:42durante a sua
47:43trajetória.
47:43E a dele
47:44é diferente da sua.
47:45Então, o resultado
47:45final
47:47é o mesmo
47:48caminho,
47:48mas não é
47:49o mesmo atalho.
47:51É,
47:52eu, em algum
47:53momento da minha vida,
47:54eu senti necessidade
47:55de dizer coisas, né?
47:57É óbvio,
47:58eu acho que tem a coisa
47:59assim de você ver
48:00com a pessoa
48:01próxima a você
48:02fazendo tal coisa,
48:04inspira, né?
48:06Agora,
48:08que nem diz o Zé Geraldo,
48:09que escreva a sua
48:10própria história
48:11pelas suas próprias mãos, né?
48:13Perfeito.
48:14E até o Renatão mesmo, né?
48:16Cada um de nós
48:17compõe a sua
48:18própria história, né?
48:20É,
48:20perfeito, perfeito.
48:21E eu, graças a Deus,
48:23ele me deu a liberdade
48:24de ser assim,
48:25de escrever minhas coisas.
48:28Às vezes até
48:28ele não concorda
48:29com algumas coisas,
48:30mas
48:32é a vida.
48:35Eu quero te agradecer
48:37muito por você
48:38ter vindo aqui
48:38conversar com a gente,
48:39muito honrado
48:40com a sua sensibilidade,
48:44me chama a atenção
48:45do seu texto,
48:46me chama a atenção
48:46dos seus arranjos,
48:49mas
48:50é aquela coisa
48:51do
48:52simples, complicado
48:53e o complexo fácil,
48:56sabe?
48:56Parece
48:58antagônico
48:58uma coisa,
48:59mas
48:59é o que eu sinto
49:00da sua música,
49:02que é o simples, complicado
49:03e o complexo fácil
49:05da gente
49:07consumir,
49:08entrar na alma.
49:09É o que você disse,
49:10uma música pode mudar
49:11a vida de uma pessoa.
49:13Isso é histórico
49:14e verdadeiro.
49:15Queria te agradecer
49:16por você estar aqui
49:17com a gente.
49:18Eu que agradeço
49:19demais, Edu.
49:20Quero combinar
49:21com você,
49:22depois que a gente
49:23estiver vacinado,
49:24quero te encontrar aí,
49:26dar um abraço
49:26a você ao vivo
49:27e quem sabe...
49:29Lá no Pirão,
49:30lá no Pirão,
49:31nós vamos nos encontrar
49:32no Pirão,
49:33no Pirão.
49:33Quem sabe ainda
49:34tenho o privilégio
49:35de cantar uma música
49:36com vocês.
49:38Rapaz,
49:38eu sou apaixonado
49:39pelo Robert Soul,
49:41sim,
49:42eu dormia
49:44e acordava
49:45ouvindo
49:45o meu disco
49:46preferido.
49:48É,
49:48e o Robert Soul
49:49é um divisor
49:50de águas
49:51entre
49:52aqueles meninos
49:53que eram
49:54quase cover,
49:55né,
49:56e os caras
49:57que começavam
49:58a criar
49:58suas próprias músicas,
50:00né,
50:01era o momento
50:01o Robert Soul
50:02dos Beatles
50:03é um divisor
50:03de águas
50:04entre os dois
50:06momentos principais,
50:07né,
50:07aquele momento histórico
50:08deles de terninho
50:09e o momento
50:10que eles começam
50:11a compor
50:11suas músicas
50:12de forma mais
50:14violenta,
50:14mais participativa.
50:16Beatles eu gosto
50:17um pouquinho.
50:19Mas vamos fazer
50:21um som juntos aqui.
50:23Mas esse abraço
50:24tá combinado
50:24lá no Pirão.
50:27Combinadíssimo.
50:27Um beijo em casa,
50:28muita paz,
50:29muito breve,
50:30muita paz em casa,
50:31muita tranquilidade,
50:32muito obrigado
50:33pelo carinho,
50:34meu irmão.
50:36Fica um Deus,
50:37muito obrigado.
50:38Amanhã,
50:38Vanderlei,
50:39amanhã Vanderlei.
50:40Ah,
50:40manda um beijo
50:41pra Vandeca,
50:42adoro ela.
50:55que o que eu estou
50:59é o que eu estou
51:00de novo.
51:00O que eu estou
51:01de novo,
51:01Vamos lá.
51:11E isso,
51:14gente,
51:25que o que eu estou
51:52Legenda Adriana Zanotto
52:22Legenda Adriana Zanotto
52:52Legenda Adriana Zanotto
53:22Legenda Adriana Zanotto
53:52Legenda Adriana Zanotto
54:22Legenda Adriana Zanotto
54:52Legenda Adriana Zanotto
55:22Legenda Adriana Zanotto
55:52Legenda Adriana Zanotto
56:22Legenda Adriana Zanotto
56:52Legenda Adriana Zanotto
57:22Legenda Adriana Zanotto
57:52Legenda Adriana Zanotto
58:22Legenda Adriana Zanotto
58:35Legenda Adriana Zanotto