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  • há 1 semana
Produtor musical e jornalista, Edu Henning entrevistou 260 artistas e personalidades culturais durante a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus. Confira no canal do vocalista da icônica banda Big Beatles lives que abordam desde a trajetória musical a questões curiosas de importantes nomes da música brasileira.

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Transcrição
00:11Opa, Daniel!
00:12Salve, salve, meu querido!
00:15Tá bem?
00:16Pô, agora tô, né, cara? Tive que dar um boot na internet aqui, virar o modem de cabeça pra baixo
00:20pra ver se ele acordava, porque eu não tava com conexão.
00:24Rapaz, isso é a pior coisa do mundo, que a gente marca tudo e fica à mercê da tecnologia.
00:28Não é feitiçaria, é pura tecnologia.
00:31Exatamente. Não, e preparei tudo, tomei aquele banho gostoso, falei, pô, agora eu vou ficar prontinho, isso aí faz uns
00:3615 minutos.
00:37Aí vira daqui, vira dali, não tem internet, aí o 4G, mas o importante é que cheguei aqui, perdão pelo
00:42pequeno atraso.
00:43Não, tamo junto, tamo junto.
00:46Eu separei uma foto aqui pra mostrar pra você, de um momento da minha vida profissional, que tem a ver
00:54com você,
00:55porque você trabalhou com esses caras e sabe da importância.
01:01Então, dá licença, posso começar a conversa mostrando essa foto aqui, ó?
01:06Olha só.
01:07Olha que maravilha, pô, os Trapalhões clássicos com você ali.
01:13Esse mal acabado no meio ali, quem tirou essa foto foi o Renato.
01:17Que bacana, por isso que ele não tá aí, porque ele tava tirando a foto.
01:22É, e essa foto é dos Trapalhões e o Rei do Futebol, o filme que tem Pelé, Luísa Brunet,
01:33e eu fiz a produção desse filme, o Carlos Manga era o diretor do filme.
01:38Paul Manga, caramba.
01:40É, e eu tava fazendo, eu fazia parte da equipe de produção com o Kaique Ferreira, que é um produtor.
01:48Às vezes as pessoas confundem com o Kaique, o ator.
01:51Não, mas esse é só o produtor, fazia, fez um Xangô de Bank Street.
01:57Aí, teve um certo dia que faltou um cara que ia ser o ator,
02:03e o Manga falou assim, Edu, bota a camisa e participa do filme.
02:08E eu participo, apareço no filme.
02:10Pô, que legal, esse filme é de que ano, Edu?
02:14Rapaz, eu não lembro bem não, eu tinha que dar uma procurada.
02:17É com o Pelé, muito legal.
02:20Como é que é o nome do filme mesmo?
02:22É, Os Trapalhões e o Rei do Futebol.
02:25Vamos ver aqui.
02:27Rapaz, isso aqui é um segundo aqui pro doutor Google.
02:30É.
02:31É.
02:31E foi ótimo, foi divertido.
02:34Deve ser 92, por aí, não é não?
02:3886.
02:40Ah, aí, aí.
02:41Meu, faz tempo, rapaz.
02:43Renato Aragão, Luísa Brunet, o Casa Ré, tava também, Maurício Duval.
02:48É.
02:50Pô, José Lio Gói, cara, olha que legal.
02:52José Lio Gói, era o bandido, pra variar, né?
02:54Pô, Pelé, com certeza, né?
02:56O rei do futebol, não podia faltar Pelé.
02:59É, foi muito divertido.
03:01E, Edu, fala a verdade, voa, o tempo voa, é muito rápido.
03:06É, é muito rápido, bichão.
03:07Bom, você nasce no Rio, mas você tem alguma ligação grande com São Paulo?
03:13Porque eu andei procurando algumas informações.
03:15Existe lugar que fala que você nasceu em São Paulo e outros que você nasceu no Rio.
03:20Nasceu no Rio ou em São Paulo?
03:21Nasci em São Paulo, já nasci em São Paulo, capital, e vim pro Rio com cinco anos de idade.
03:26E aí passei a minha vida desde então aqui, baseado aqui, depois dos vinte e poucos anos,
03:33viajando com peças de teatro e viajando com música, mas sempre baseado aqui no Rio, morando no Rio.
03:41Mas a sua família tem uma ligação musical, teatral, pra você já tinha...
03:46Como é que era essa relação com a música, aquele moleque dentro de casa?
03:51Como é que era isso com a arte?
03:52Como é que flutuava isso no seu universo familiar?
03:56Cara, na minha família, apesar de ter pessoas talentosíssimas,
04:00eu tenho uma tia que é super talentosa com a cozinha, faz comidas maravilhosas,
04:05faz caligrafia incrivelmente.
04:07Minha avó é totalmente uma bruxa da costura, ela fazia as roupas dos filhos todos.
04:13Teve sete filhos, né?
04:15Minha mãe mais seis, então ela costurava.
04:18Mas, assim, alguém que seguiu a carreira, vamos dizer assim, artística, né?
04:22Dessa maneira que a gente conhece, ou pela televisão, ou fazendo shows, né?
04:26Como você também, que é colega aí dos palcos, não tinha acontecido ainda.
04:30E eu tive essa decisão, pra mim, muito cedo.
04:33Assim, desde moleque, eu queria isso.
04:35Eu, como sou neto mais velho, então eu preparava showzinho de Natal,
04:39aí levava as primeiras músicas no violão, o texto que eu escrevia.
04:43Eu sempre tive essa coisa da poesia, do desejo de falar o que eu tinha escrito.
04:47Minha mãe me incentivava muito.
04:49Minha mãe é uma psicanalista, uma cabeça incrível, dona Ítala.
04:52Então, veio essa coisa, foi muito do início pra mim.
04:56E era sempre a coisa do palco com a música.
04:58Eu me via cantando pras pessoas.
05:00E aí, minha mãe, eu no banho.
05:02Sabe daí, eu ficava no banho cantando pras gotinhas d'água, sacou?
05:05Vocês aqui comigo hoje, bota a mão pra cima.
05:08Porque eu achava aquele universo Lulu Santos, né?
05:11Que desde aquela minha infância ali, tava o cara na crista aí, o rei do pop do Brasil,
05:17esse grande compositor.
05:18Então, eu queria ser o Lulu Santos, assim.
05:20Eu falei, cara, eu fiz cantar pras pessoas.
05:22E essas mensagens eram muito especiais pra mim.
05:25E aí, com 12 anos, eu começo a estudar violão.
05:28Pra não ser só o chato, né?
05:30Que ficava ali querendo cantar e querendo fazer alguma coisa.
05:32Pra ter uma formação musical.
05:33E aí, não parei mais de estudar música.
05:36Fiz a harmonia funcional.
05:37Mas você começa violão com 12 anos, levando a sério?
05:42Ou é aquela coisa da chatice?
05:44Porque o violão tem um começo que demora pra embalar, né?
05:48Se o cara não tiver a dedicação...
05:50Não só violão, qualquer instrumento.
05:52O começo é sempre muito árduo, né?
05:55Se o cara ali não tiver tesão, prazer, objetivo, ele para ali nas primeiras cinco aulas, né?
06:02E você já queria isso.
06:04Você queria aprender a tocar.
06:05Eu queria muito, Edu.
06:06Era muito...
06:08Era uma coisa que eu queria muito.
06:09Então, o que me ajudou foi que essa parte inicial, que você bem sabe que é chata,
06:14eu fiquei muito viciado.
06:15Então, eu não queria fazer nada.
06:16Eu ia pra escola, voltava da escola.
06:18Violão, violão, violão, violão, violão.
06:20Almoçar, violão, violão, violão, violão.
06:22E me fascinava muito a coisa da mão direita, né?
06:25Então, eu lembro que meu pai, nessa época, comprava aquelas caixas de lata de cerveja,
06:30que era aquele papelão ondulado.
06:32E aí, uma vez, ele falou, joga esse negócio fora, não é lixeira.
06:35Quando eu passei o dedo, a mão direita no papelão, fazia um barulho percussivo.
06:39E aí, eu peguei aquilo e ficava treinando as levadas com a mão direita, fazendo samba,
06:45fazendo tudo que eu ouvia.
06:46Eu adorava Lulu, como eu já te falei.
06:49Adorava Xadê, George Michael, Madonna, Angela Rojo.
06:54Então, essas coisas todas, essa mistura de música brasileira maravilhosa,
06:57com música internacional pop, enlouquecia.
07:00E virou, para mim, uma obsessão boa, né?
07:03Que você sabe como um bom músico que você é, sabe que a gente tem que ter essa obsessão, né?
07:07Para se aperfeiçoar.
07:08Virou uma obsessão de tocar e cantar aquelas músicas que eu amava, entendeu?
07:12E aprender aquelas letras, e aprender aqueles acordes, né?
07:15E depois mergulhando na música brasileira, tirando coisa do João Bosco, né?
07:20Aquelas loucuras todas.
07:21Eu adorava mostrar que eu sabia tocar Jade, que eu sabia tocar Memória da Pele.
07:27Então, foi uma coisa, assim, muito do desejo.
07:30E é bom, né?
07:31Quando a gente é jovem, criança, mesmo adolescente,
07:34você não tem tantas outras preocupações assim.
07:37E virou minha missão o violão.
07:39E aí, eu levava para a escola, aí começou a virar bagunça durante o recreio.
07:43Depois fui suspenso, porque a galera não queria voltar para a sala de aula,
07:47porque eu estava tocando em cima do banco de madeira, entendeu?
07:50Então, aí virou uma coisa, realmente, parte da vida.
07:53Quer dizer, as meninas e os garotos do colégio foram sua primeira audição,
08:00sua primeira plateia.
08:02Exatamente.
08:03E teve também uma coisa...
08:05Por acaso, eu estou travando aí para você um pouquinho ou está de boa?
08:08Não, está boa, está ótimo.
08:09Para mim, está limpinho.
08:10Teve uma época, cara,
08:13que teve um negócio de encontro de adolescentes com Cristo aqui no Rio.
08:18É aqui.
08:19E aí, também tinha muito essa coisa de ser da banda, da igreja,
08:23e estar em contato com outros meninos e meninas que também queriam cantar,
08:26queriam tocar e aí prender novas acordes e tal.
08:28Então, teve essa coisa da festinha, do churrasco da escola.
08:33Inclusive, outro dia eu postei uma foto muito engraçada.
08:35Depois, até comento lá para você vê-la.
08:39Eu estou, assim, parecendo uma umbriguinha.
08:42Sacou o mais branquelo da turma, que eu sempre fui muito, muito branquinho,
08:45com o violão.
08:46Isso aí deve ser exatamente nessa época de 12, 13, 14 anos.
08:50Eu tinha um violão que até hoje está lá embaixo,
08:53que eu tinha pintado um yin yang nele, assim, sacou a mão.
08:57Sim, sim.
08:59Aquela coisa também dos festivais de rock, que a gente ficava vendo.
09:04Aí, isso tudo, você nasce em São Paulo, 5 anos, você vai para o Rio,
09:10e a família já se aloja na Tijuca?
09:13Não, aí foi o seguinte, meu pai veio transferido, né?
09:16Ele sempre trabalhou com seguros, agora já está aposentado, seu justo.
09:21E a gente, então, não tínhamos uma moradia fixa por aqui,
09:24e a gente pingou por alguns bairros do Rio.
09:28A gente acabou finalizando essa sequência de bairros,
09:32até se estabelecer na Tijuca,
09:34que foi exatamente nessa época onde eu já estava aprendendo o violão.
09:38E logo depois, que eu comecei com 12 anos, com 16,
09:41tamanho era a minha sede de cantar ao vivo,
09:44eu estava tocando nos barzinhos.
09:45Tinha a ABB ali, que fazia música ao vivo.
09:48Tinha um lugar que se chamava Milho Rei,
09:51que era um lugar de música ao vivo e ar-condicionado no segundo andar.
09:55Uma churrascaria, uma churrascaria.
09:57Exatamente.
09:58E aí tinha a própria praça também ali, Maracanã,
10:01onde tinha a garota da Tijuca,
10:04aqueles bairros famosos.
10:06Você também está no Rio, Edu?
10:08Não, eu estou em Vitória, mas nasci na Tijuca.
10:10Ah, então você também é tijucano, aí parceiro.
10:13Conheço essa área aí um pouco.
10:15Não sei nem se você está nesse momento na Tijuca,
10:17mas a Tijuca é uma área onde eu tive a oportunidade
10:21de entrar para comer sonho em padaria
10:25e dar de cara com Ivan Lins conversando com Tim Maia, cara.
10:31E aí?
10:32Que fantástico, que fantástico isso.
10:34A Tijuca era sensacional, cara.
10:36Você era um lugar de cultura, assim...
10:41Por quê?
10:42Era um lugar mais leve, mais suave em termos de violência.
10:45Depois, a violência tomou conta do mundo, do Rio também.
10:49E tinha... Muitos músicos tinham lá.
10:52Era uma coisa impressionante, cara.
10:53Não sei se está assim ainda.
10:55É, na verdade, eu acabei seguindo o destino de muitos tijucanos,
10:59que é vir para a Barra da Tijuca, né?
11:02Para ficar um pouquinho mais perto da praia.
11:04E acabei me habituando a viver aqui.
11:07Adoro, porque é uma parte do Rio ainda mais tranquila
11:10que a Zona Sul, né?
11:10As praias da Barra aqui, essa orla bonita.
11:13Mas eu não sei como é que anda lá a cena da Tijuca, de música.
11:17Mas, realmente, como você falou, na minha época,
11:20eu acabei me mudando de lá depois disso.
11:23Mais ou menos com quantos anos eu tinha.
11:26Acho que eu devo ter saído de lá, cara.
11:28Com uns 25 anos por aí.
11:31E aí, então, quer dizer, ainda fiquei um tempo por lá tocando.
11:34Depois veio Confissões de Adolescente,
11:36que era uma peça de teatro.
11:37Mas, antes de falar de Confissões,
11:40porque Confissões te joga para um outro segmento artístico.
11:44O que que você...
11:45O que que tocava na noite?
11:47Porque a noite é uma grande escola, né?
11:49Você tem que tocar de tudo um pouco e agradar os outros.
11:53E se você não agradar, o cara não te chama mais para a semana que vem
11:56para você defender um troco.
11:58Quer dizer, é uma...
12:01Uma roleta russa.
12:03Aham, aham.
12:04E é uma...
12:05É muito...
12:05O tempo inteiro você está em teste, né?
12:06O tempo inteiro você está sendo testado.
12:08E o que que era o teu repertório ali?
12:10Era isso que você gostava?
12:12Xadê Adul, Josh Michael, Luiz Maurício, Luiz Santos?
12:17Era esse caminho?
12:17Boa Nova.
12:18Cara, eu era uma jukebox.
12:21Eu era uma jukebox da cultura de música.
12:24Assim, tirando o samba, que eu nunca fui um cara do samba.
12:27Não tinha esse domínio, não tinha esse conhecimento.
12:30Sempre adorei, admirei, nenhum preconceito.
12:32Pelo contrário, respeito e amor.
12:34Mas a minha onda era pop e MPB.
12:36Então, assim, eu tinha detalhes do Roberto Carlos que eu adorava cantar.
12:40Segundo dizem aí, meu pai e minha mãe têm responsabilidade pelo meu nascimento.
12:44Era música de amor do casal.
12:45Eu tocava...
12:46Se você vê estrelas demais...
12:50Aí tocava Fate, do George Michael.
12:52Tocava Smooth Operator, da Xadê.
12:55Eu adorava também tocar Summertime,
12:58que era, para mim, uma coisa como se eu tivesse...
13:00Eu me sentia cantando alguma coisa jazzística que meu professor me ensinou.
13:05E aí, cara, era uma mistura de tudo.
13:08E eu ainda não escrevia.
13:10Tiveram também duas outras coisas, respondendo a tua ótima pergunta,
13:12que me auxiliaram.
13:14Uma, quando eu era muito...
13:15Como eu era muito jovem,
13:17tinha um amigo, o Mauro Portugal.
13:19Hoje em dia, Mauro Portugal é professor da rede pública aqui do Rio,
13:23professor de música.
13:24Um cara muito bacana.
13:25Sempre teve um barbão, um cabelinho aqui.
13:27Então, a gente brincava que ele era meio Jesus da turma.
13:30E o Mauro, ele devia ser pelo menos 10 a 15 anos mais velho que eu.
13:35Então, ele meio que fazia comigo um duo.
13:38Como ele tinha carro,
13:39ele tinha uma Brasília,
13:40que era a piada da nossa galera.
13:43Piada boa.
13:44Então, a gente ia nos bares.
13:46E como você mesmo sabe muito bem,
13:48às vezes você dividia,
13:49porque era a noite inteira.
13:50A gente começava às 9 até 2 da manhã.
13:52Então, o Mauro fazia um bloco e eu fazia outro.
13:55E aí, a gente fazia umas brincadeiras
13:56que já esboçavam muito essa minha coisa teatral.
13:59Porque muita gente fala assim pra mim hoje.
14:01Pô, é legal que você, como ator,
14:04você se tornou um músico com muita performance no palco.
14:08Eu falei, cara, eu acho que eu só virei ator
14:10por causa do meu palco como músico.
14:12Porque eu sempre fui muito cara de palco.
14:14A gente brincava de tradução simultânea.
14:16A gente brincava de mitábia e diesel.
14:18Botava uma peruca, botava um óculos
14:20e cantava no falsete.
14:22E aí, o Mauro fazia uma tradução.
14:23A gente traduzia Tears in Heaven.
14:26Aí, ele falava que era
14:27dias, dias no paraíso.
14:30Aí, olha o livro.
14:30É.
14:31Você que entende bem da língua.
14:33Muito bom, muito bom.
14:35Tem todo o domínio aí dos Beatles,
14:36toda essa história.
14:37Então, quando ele falava,
14:38eu cantava,
14:39Would you know my name?
14:40Aí, ele falava assim,
14:41Would não é o meu nome.
14:46Ótimo.
14:46E era, quer dizer,
14:47você já trazia para o palco
14:49um elemento do humor
14:50que ali na frente
14:52foi o que,
14:53não foi o que te projetou.
14:54Porque para você chegar
14:55na turma do Didi,
14:57você passou por outras etapas.
14:59Mas, para participar da turma do Didi,
15:02tinha que ter uma verba especial.
15:03Porque aquilo ali
15:04não é para o Amador, né?
15:06É verdade, cara.
15:07É muito legal.
15:08Eu acho até o seguinte,
15:10complementando a sua percepção
15:11que é perfeita,
15:13eu acho que o Renato,
15:15ele tem um talento,
15:16além de todos os talentos
15:18incríveis que ele tem,
15:19que ele é um cara realmente genial,
15:21além de gentilíssimo e tal,
15:23ele tem um talento
15:24de juntar gente
15:25da energia parecida com a dele.
15:28Então, eu percebo,
15:29muitas vezes foram perguntadas,
15:30fui perguntar assim,
15:31mas como é que você
15:31foi parar lá na turma?
15:33Agora, como você falou,
15:34porque a rigor, Edu,
15:36eu fui perceber
15:38que eu tinha
15:39como levar o humor para o palco,
15:41eu já estava na turma do Didi,
15:43eu fui fazer uma peça de comédia
15:44onde eu fazia
15:45três personagens
15:46com a Pete e o Ebo
15:47e aí eu vi que eu tinha
15:48aquilo dentro de mim,
15:49tudo que eu fazia em casa
15:50brincando,
15:51que eu fazia com a namorada,
15:53que eu fazia com os meus pais,
15:54a palhaçada que eu fazia,
15:55que tinha um jeito
15:56de levar isso para o palco.
15:57Mas isso não foi
15:59uma condição
16:01cinecoma não
16:01para ir para a turma,
16:02porque, na verdade,
16:03lá a estrutura da turma
16:04do Didi, né?
16:05Sim, o Renato é o humorista,
16:07ele é o palhaço
16:07e o Rodrigo Santana
16:09tinha um personagem também assim,
16:10o Tadeu Melo,
16:12agora o Jacaré,
16:13eu, o Marcelo,
16:15o Pedro Necessetti
16:16fez um tempo,
16:17era como se nós fôssemos
16:19mesmo a turma dele
16:20e que estávamos ali
16:21como aquela escada, né?
16:22Para falar sério
16:23enquanto ele brincava.
16:25Então, acho que era
16:25essa coisa da gente,
16:27ele escolheu uma galera
16:28que ele curtia estar junto,
16:30sacou o Rodrigo Santos aí
16:32dando um alô para a gente,
16:33grande Rodrigo Santos.
16:34Seguraça.
16:35Pô, grande campeão aí
16:36também da música.
16:37Então, cara,
16:38foi muito por aí, entendeu?
16:40Perfeito.
16:41Agora, vamos,
16:42eu quero pegar um fator tempo
16:43voltando aos 12 anos,
16:45aos 12 anos você
16:46pega o violão,
16:48com que idade
16:50você começa a ganhar
16:51um dinheirinho
16:52e começa a perceber
16:53que pode ser
16:55que ser músico
16:57valha a pena?
17:00É 17?
17:01Dos 12 aos 17,
17:03você começa a aprender
17:04com 12,
17:044, 5 anos depois,
17:06você já está ganhando
17:07um troquinho
17:08nas noites da Tijuca?
17:09Sim, ganhava aquele esquema
17:11de couvert artístico, né?
17:13Então, assim,
17:14chamava os amiguinhos
17:15do meu prédio
17:16para ele me ver tocar.
17:18Então, sei lá,
17:18dinheiro de hoje,
17:19hoje deve ter um couvert
17:20aí de 15 reais, né?
17:21Um couvert barato
17:22de 15 reais, 10 reais.
17:23Então, possuía 5 amigos,
17:25já vi o dinheirinho,
17:26não tinha gasto com nada,
17:28mas era um dinheiro
17:28muito inexpressivo.
17:29Meu pai,
17:30por outro lado,
17:31me cobrava muito
17:32ter uma carreira oficial.
17:35Para ele,
17:35a carreira de artista
17:36não era uma carreira.
17:38E ele dizia,
17:39você tem que estudar.
17:40Eu falava,
17:41pai, no Brasil,
17:42para eu estudar
17:43para a música
17:43que eu quero fazer,
17:44não existe uma universidade ainda.
17:46Eu faço aula particular de canto,
17:48eu faço aula de violão popular,
17:50eu faço aula de música,
17:51faço aula de harmonia,
17:51mas não adianta eu ir
17:52para a faculdade UERJ
17:53fazer música,
17:54porque não é aquilo
17:55que eu vou usar no meu estudo.
17:56Eu não quero ir por esse lado.
17:58Então, tinha essa complicação
18:00e houve um momento
18:01que eu precisei
18:01dar aula de violão.
18:03Então, eu dava aula de violão
18:04coincidentemente
18:06para professores
18:07da rede pública
18:08que, tipo,
18:09mulheres de 40 anos
18:10que estavam afim
18:11de aprender violão,
18:12mulheres e homens também.
18:14E eu ia e preparei
18:15um métodozinho
18:16de violão básico,
18:18dava aulas de violão,
18:19ganhava uma graninha com isso
18:21e tive que entrar
18:21na faculdade de publicidade
18:23pela pressão do meu pai.
18:24Ele dizia,
18:25você tem que escolher
18:25alguma coisa
18:26para você estudar.
18:27Eu falei,
18:27bom,
18:27como eu gosto de escrever,
18:28eu sou criativo,
18:30eu vou pensar
18:30em fazer parte de criação.
18:33Então, teve essa...
18:34A grana, para mim, Edu,
18:36demorou muito tempo,
18:37assim,
18:37porque tinha coisa
18:39de tocar na noite,
18:41depois eu tocava um show,
18:43Daniel e sua banda virtual,
18:45que era com programação eletrônica,
18:46que eu fazia
18:47numa DR5,
18:48bateria, baixo,
18:50uma coisinha ali,
18:51aí tocava violão de aço
18:52com pedaleira,
18:53imitava a guitarra.
18:54E esse show
18:56foi legal
18:56porque me levou
18:58para os hotéis.
18:58como eu não dava mais certo
19:00tocando em música ao vivo,
19:02porque música ao vivo
19:03eu era muito chamativo
19:05e barulhento
19:05para música ao vivo,
19:06porque eu chamava
19:07a atenção das pessoas,
19:08eu fazia um show,
19:09eu não fazia uma música ao vivo,
19:10não desmerecendo
19:11a música ao vivo.
19:12Sim, sim.
19:13Você já tinha
19:14uma veia
19:15de palco
19:16e que existia
19:18um conflito
19:18entre a sua postura,
19:19a sua performance
19:20com a ambiência
19:21que você se apresentava,
19:22você tinha que procurar
19:24um outro palco,
19:26uma outra cena.
19:27Exato.
19:28E aí foi que
19:28a minha mãe
19:29teve esse...
19:31Ela falou,
19:32cara,
19:32quem sabe você não procura
19:33os hotéis.
19:34Meus pais estavam começando
19:35a construir
19:36uma casinha em Angra
19:37para eles,
19:38meu pai ia se aposentar
19:39e queria morar por lá,
19:40de fato ele fez assim.
19:42E aí ela falou,
19:43pô,
19:43vamos tentar ir nos hotéis,
19:45eu vou com você,
19:46a gente fez um release,
19:47ainda tinha que ir na impressora
19:48para imprimir em colorido,
19:50e falava,
19:51Daniel,
19:51sua banda é virtual,
19:52e eu comecei a entrar,
19:54Edu,
19:54por incrível que pareça,
19:55no lugar onde eles colocavam bandas,
19:58eu também entrava,
20:00porque a sonoridade
20:00do que eu tirava
20:01era bacana,
20:02eu já tinha uma boa noção
20:03de som,
20:04então assim,
20:05vinha um som pesado,
20:06porque a bateria eletrônica,
20:07bem redondinha...
20:08Perfeito.
20:09Preenchia o espaço,
20:11preenchia o espaço
20:12com menos integrantes,
20:15né, cara?
20:17E que não era,
20:17e vai dizer também
20:18que não era o meu objetivo,
20:20eu tive o primeiro objetivo
20:21de fazer uma banda,
20:22de tocar com gente,
20:23de compartilhar,
20:25até tive banda
20:26com o professor de violão
20:27que eu tinha,
20:27o Renato de Carvalho,
20:28lá da Tijuca,
20:30mas a gente,
20:30no primeiro show,
20:32a mulher dele,
20:32aquela flautista,
20:34passou mal,
20:35ele foi ficar com ela,
20:36e eu acabei sozinho
20:37no palco,
20:37onde eu ia tocar
20:38com quatro pessoas,
20:39eu e um violoncelista,
20:40e isso,
20:41eu não sei se você se lembra
20:42aqui no Rio,
20:44no São Conrado Fashion Mall,
20:46tinha um lugar muito bacana
20:47no segundo andar,
20:48que ele tinha um mezanino,
20:50eu não vou lembrar o nome agora,
20:51mas a música acontecia
20:52naquele mezanino,
20:52era um lugar muito bacana,
20:53você se lembra disso
20:54aqui no Rio,
20:55não?
20:55Não,
20:55não,
20:55não lembro,
20:56aí vocês tocavam no mezanino?
20:58Aí a gente foi tocar no mezanino,
20:59mas era um lugar difícil de tocar,
21:01era uma coisa mais sofisticada,
21:02e aí eu subi ao palco
21:05sozinho com o violoncelista,
21:06num show que tinha uma formação
21:08de flauta,
21:09de um outro violão,
21:10e aí eu fiquei,
21:11aquilo foi meio traumatizante
21:12para mim na época,
21:13eu falei,
21:13cara,
21:13eu preciso,
21:15já que eu não encontrei ainda
21:16pessoas que querem tanto,
21:18porque eu era muito jovem,
21:19né?
21:19Então assim,
21:20eu não encontrei aquela turma
21:21que queria tanto quanto eu,
21:22porque muitas bandas
21:23se formaram assim,
21:23né?
21:24Com a galera toda jovem mesmo,
21:26e vamos lá,
21:27a gente quer,
21:27eu não encontrei essa galera,
21:28então eu vou construir isso
21:30sozinho,
21:30enquanto eu puder,
21:32sacou?
21:32vou fazer proclamação,
21:33vou fazer porque eu quero,
21:35quero fazer isso virar,
21:36e aí acabei sendo o cara da banda
21:39sozinho ali,
21:39o frontman único,
21:43primeiro e único,
21:45continua,
21:45tem um amigo que fala assim,
21:47continuaria sendo melhor
21:48se não fosse o único,
21:53agora,
21:54paralelo a isso,
21:55para agradar,
21:56para complementar,
21:58para ter uma relação
21:59com o pai,
22:00com a mãe,
22:00você faz publicidade,
22:05isso,
22:06consequentemente,
22:07muito dentro de uma harmonia
22:08que você se autopromovia,
22:11né?
22:11Ao entender como fazer o cartaz,
22:14a entender,
22:14a se comunicar com as pessoas,
22:16você viu que ali
22:18era o menos atrativo,
22:21não,
22:22atritante com o que você,
22:24menos atritante
22:25com a sua personalidade e tal.
22:27Você chegou a se formar?
22:28Conseguiu se formar?
22:29Não,
22:30não me formei,
22:31não me formei,
22:32porque tocava,
22:33tocava lá na Tijucona,
22:35e aí a faculdade era de manhã,
22:38então várias e várias vezes
22:39eu não acordava,
22:41porque tocava ali,
22:43aí ficava com a...
22:43E sempre fui um cara da madrugada,
22:45sempre,
22:46ficava tirando música na madruga,
22:48ficava,
22:48gostava,
22:49gosto muito dessa energia da madrugada,
22:50desde muito novo,
22:51e aí comecei a perder as aulas,
22:54eu só fiz,
22:54para você ter uma ideia,
22:55eu fiz o primeiro e o segundo período
22:56na Estácio,
22:57da Tijuca,
22:58e o terceiro período
23:00eu fiz na faculdade Elia Alonso,
23:03na faixa,
23:03que fica ali em Laranjeiras,
23:05e na entrada do quarto período
23:07eu já tranquei,
23:07tranquei e nunca mais voltei,
23:10e aí falei,
23:10foi um dia que eu já estava fazendo estágio
23:13numa agência,
23:14e estava infeliz para caramba,
23:16uma agência na Lapa,
23:18bacana,
23:18mas falei,
23:19cara,
23:19isso aqui para mim vai ser ruim,
23:21eu não posso desperdiçar o meu tempo
23:24valioso estudando isso
23:25para pegar um canudo,
23:27para guardar o canudo,
23:28e aí começar a fazer o que eu quero fazer,
23:30então eu cheguei em casa,
23:31morava com os meus pais,
23:32falei,
23:32olha pai,
23:33você não vai ficar feliz,
23:35mas eu vou trancar a faculdade,
23:37vou sair do estágio,
23:38e eu vou dar um jeito de tocar,
23:40e aí foi que eu comecei
23:41dando as aulas de violão também
23:43que eu te falei,
23:43porque ele falou,
23:44você não quer estudar numa faculdade,
23:46você não quer ter uma,
23:47então você se vira,
23:48falei,
23:49tudo bem,
23:50tenho de morar,
23:51vou me virar,
23:51vou dar aula de violão,
23:52vou fazer o que eu conseguir,
23:53comecei a tocar mais,
23:54aí esse show se desenhou melhor,
23:56esse show do Daniel sozinho
23:58com a sua banda virtual,
24:00e aí que vem a história do Confissões
24:02um pouco depois disso.
24:04Aí você entra em Confissões,
24:07eu vou ser sincero
24:09que eu não lembro de ter visto em Confissões
24:11uma banda tocando ao vivo,
24:12eu não sei se a versão que eu cheguei a assistir,
24:15que é a versão que eu assisti,
24:17era uma versão que já rodava no Brasil,
24:19talvez ao rodar o Brasil,
24:21eles devem ter tirado a banda ao vivo
24:24e trabalhado com playback,
24:25deve ter sido por aí.
24:27Mas a ideia de Confissões inicial
24:29era ter a banda tocando ao vivo
24:32uma história que inclusive dominou o Brasil
24:37durante algum tempo,
24:38que foi um grande sucesso,
24:39virou seriado de televisão,
24:42lançou um monte de artista importante,
24:43que está aí até hoje.
24:45Era isso mais ou menos?
24:47É, por aí.
24:48O Gil Limousine também,
24:49grande músico,
24:50está aqui, está com a gente,
24:51dando um salve aqui.
24:52Valeu, Gil, bem-vindo.
24:54Estamos aqui trocando essa ideia gostosa
24:55com o Edu.
24:56Cara, o Confissões era o seguinte,
24:59ele foi criado com as quatro atrizes,
25:02Maria Mariana,
25:03com a direção do Domingos Oliveira,
25:05pai dela,
25:05e tinha o Alexandre Vaz,
25:07que é um grande músico,
25:08que agora mora em Nova York já há algum tempo,
25:10que ele tocava violão
25:11e cantava algumas músicas ali ao vivo da peça.
25:15Cantava Vinícius de Moraes,
25:17cantava Tempo, Tempo,
25:18do Caetano,
25:19numa versão linda, maravilhosa.
25:22Cantava,
25:23fazia uma abertura.
25:24Então, antes da peça começar,
25:25as pessoas estavam entrando no teatro,
25:27sentavam,
25:28e aí vinha o Alexandre com o headset,
25:31com o violão também sem fio,
25:33tocando,
25:34e as meninas cantando,
25:35sentadas,
25:36como se fosse uma grande brincadeira,
25:37na casa delas.
25:39E quando eu entrei no espetáculo,
25:40o espetáculo já era um grande sucesso,
25:41com quatro anos de trajetória pelo Brasil,
25:46e eu entrei através de um teste,
25:48porque eu estava na Musearte,
25:50que era uma escola de harmonia funcional
25:52na Zona Sul,
25:53no Copacabana,
25:54e eu vi lá no mural,
25:57procuramos menino,
25:58entre tantos e tantos anos,
25:59que toque violão e cante,
26:00com disponibilidade para viajar.
26:02E eu sempre...
26:03Opa!
26:03Pô, falei, sou eu.
26:04Essa última frase chamou a atenção.
26:07Sou eu, cara.
26:08E aí fui fazer lá no Planetário,
26:10Edu,
26:10esse teste com o Domingos Oliveira.
26:12Tinha que tocar uma música,
26:14contar uma piada,
26:15contei uma piada horrorosa,
26:17mas foi tão cara de pau
26:18que o Domingos curtiu.
26:20Fiz o teste com 85 meninos,
26:22e aí tem uma passagem interessante
26:24que eu queria compartilhar com você,
26:25quem está vendo a gente agora
26:27e quem vai ouvir depois,
26:28porque eu acho que é muito importante,
26:29no que diz respeito,
26:30a gente realizar o nosso sonho.
26:33No período que eu tive,
26:35entre...
26:36Eu acho que o teste foi
26:37numa quinta ou sexta-feira,
26:38e eu ia ter resultado na outra semana,
26:41lá pelo meio da outra semana.
26:43E eu tive, assim,
26:44dias muito duros em casa,
26:46eu fiquei muito chateado,
26:48e aí meu pai chegou,
26:49eu estava péssimo,
26:50ele falou,
26:51o que você tem?
26:51E aí eu só chorava,
26:52só chorava,
26:53e ele falou,
26:53o que houve,
26:53o que aconteceu?
26:54E aí eu entendi
26:56que eu estava com muito medo,
26:58porque eu percebi que aquela
26:59era uma das únicas portas
27:01que eu tinha visto na minha vida
27:03para eu seguir uma carreira artística,
27:04porque como você me perguntou
27:05no começo da conversa,
27:06eu não tinha ninguém artista
27:08na minha família,
27:09eu não tinha nenhum conhecido
27:10que vivia disso,
27:11esse para mim era um mundo
27:13totalmente da fantasia,
27:14um mundo à parte,
27:15que eu não sabia como funcionava,
27:16que eu não sabia como que eu ia entrar,
27:18não sabia de porra nenhuma,
27:20entendeu?
27:21É, imagino.
27:22Eu cheirei ali aquele,
27:24eu vi ali na frestinha
27:25aquela gente famosa,
27:28aquele diretor,
27:28aquela gente que vivia de teatro,
27:31e eu que tinha preconceito
27:32em relação ao teatro,
27:34porque eu achava que teatro
27:35era uma coisa de menina,
27:36confusões de adolescente,
27:37o que é isso?
27:38Porque eu sou adulto e tal.
27:39Quando eu vi o que era a peça,
27:42o que era o astral
27:42daquelas pessoas,
27:44eu fiquei tão apaixonado,
27:45tão encantado,
27:46que eu já estava vivendo
27:47meio que um medo
27:48e uma tristeza
27:49caso eu não fosse escolhido,
27:50sacou?
27:51E aí depois veio a notícia
27:53que eu fui escolhido
27:55e foi a grande porta
27:57que se abriu para mim
27:58e me trouxe o teatro,
28:00porque depois virou para mim
28:01o lugar sagrado.
28:03Eu entendi.
28:05Não, eu estou te ouvindo
28:06pensando assim,
28:08foi a sua porta de entrada,
28:10mas ao mesmo tempo
28:12você começa a,
28:14não é a matar,
28:15mas a afogar lentamente
28:18o seu lado cantor,
28:20compositor,
28:21porque as coisas foram acontecendo
28:23mais naturalmente para o ator
28:25do que para o cantor.
28:27E como é que você,
28:28apesar de tudo,
28:29você conseguiu lançar
28:30acho que quatro discos,
28:31que é uma vitória,
28:34né?
28:35Dois?
28:36Dois discos e dois símbolos,
28:38e o terceiro está vindo agora.
28:39Então você conseguiu ainda,
28:43sempre que você tem chance,
28:44você aparece apresentando
28:46algum evento com violão,
28:48você sempre está tentando
28:50colocar aquele trampolim,
28:52que é a música,
28:52que foi sempre o seu trampolim,
28:54sua identificação,
28:56ao longo da sua carreira.
28:57Mas você,
28:58porque o Brasil é muito sacana.
29:00Eu me lembro claramente
29:01de um cara que a gente
29:02não vai discutir
29:03que é se é ruim ou é bom,
29:05porque o sucesso dele
29:07é indiscutível,
29:08o Fábio Júnior.
29:10Eu me lembro bem
29:10quando o Fábio começou
29:12uma carreira de cantor,
29:14e que foi para uma gravadora
29:15poderosa e queriam fazer dele
29:17um novo Roberto Carlos,
29:18e ele mesmo tinha conflito
29:21entre um ator e um cantor.
29:22Imagina o cara
29:24daquele estágio,
29:30protagonista de novela,
29:31estourado com uma CBS
29:33que depois virou Sony,
29:34botando todo o dinheiro,
29:36que o terno que ele tirava
29:38na fotografia
29:38era mais do que
29:39ele ganhava por ano.
29:42E aí veio o conflito,
29:44a dificuldade.
29:44Você sentiu isso?
29:46Ou foi embalando
29:48e nem percebeu
29:49que isso estava acontecendo
29:50com você
29:51da carreira musical
29:53ficando em segundo plano
29:54e a carreira de ator
29:55estourada?
29:57Cara,
29:58na verdade,
29:59não chegou a acontecer isso
30:01por alguns motivos.
30:03Por exemplo,
30:03o Confissões de Adolescente,
30:05eu estava muito mais
30:06como músico
30:07na peça
30:07do que como ator.
30:09Eu nem tinha
30:09formação de ator ainda.
30:10Então, assim,
30:11eu tinha duas falhinhas
30:13na peça inteira,
30:14as meninas contavam
30:15as histórias,
30:16falavam,
30:16e eu estava a peça inteira
30:18com o meu violão
30:19de aço
30:19ou violão de nylon
30:22tocando.
30:22E eu abria a peça
30:24fazendo um mini-show
30:25antes das meninas entrarem
30:27com três músicas
30:28para plateias
30:29do Brasil inteiro.
30:30Então,
30:30fiz Teatro Castro Alves,
30:32fiz Curitiba,
30:34aquele teatro lindo
30:35de Curitiba,
30:35Guaíra,
30:37em Curitiba.
30:38Lindo, lindo.
30:39Canecão no Rio de Janeiro.
30:41Então, assim,
30:41os maiores teatros do Brasil,
30:43já que a peça
30:43era um grande sucesso,
30:45para plateias de 500,
30:46mil,
30:471.500 pessoas,
30:48eu estava ali tocando,
30:50eu estava com a minha música.
30:51E o teatro,
30:52naquele momento,
30:53para mim,
30:53me mostrou um caminho
30:55de sobreviver
30:56e de ganhar dinheiro
30:57também com a carreira artística.
30:59Porque as quatro meninas,
31:01quando eu entrei,
31:01houve uma mudança do elenco.
31:03Então,
31:03entraram junto comigo
31:04a Débora Seco,
31:06a Carolina Dickman
31:07e a Maria Ribeiro,
31:09que são atrizes
31:10que estão aí até hoje
31:11e etc e tal.
31:12Tinha também
31:15a Fernandinha Badauê,
31:16que era do elenco anterior,
31:17e depois entrou
31:18a Luísa Mariani,
31:20que acabou de fazer
31:21um filme lindo,
31:22o ano passado ganhou
31:22o melhor filme
31:23lá no Festival de Miami,
31:25que ela é prima
31:27da Mariani,
31:28que é a diretora
31:28de cinema brasileira
31:29e que é excelente.
31:30Mas, enfim,
31:31então eu vi
31:32aquelas meninas famosíssimas,
31:34amigas de caras
31:35que estavam na malhação
31:36e ganhando,
31:37conforme você falou
31:38do terno,
31:39ganhando um terno
31:40do Fábio Júnior
31:42por dia
31:43para ir em uma festa
31:44de debutantes.
31:45E eu era um cara
31:46sem grana,
31:48com um carro
31:50popular velho
31:50que meu pai
31:51tinha me dado,
31:52ainda tive essa sorte,
31:53essa benção
31:53de ter um pai
31:54que tinha condição
31:54de me dar.
31:55Mas, assim,
31:56sem onde cair morto
31:57e precisando já
31:58ganhar um dinheiro,
31:59se eu quisesse
32:00seguir aquilo,
32:01existia,
32:02existe,
32:02sempre existia
32:03essa pressão
32:04dos meus pais,
32:05principalmente do meu pai,
32:06da minha mãe não,
32:07de que aquilo
32:08que eu faço
32:09também gere um dinheiro,
32:10aquela coisa bem...
32:11Meu pai tem 84 anos,
32:13uma cabeça
32:13bem voltada para isso.
32:15E aí eu falava,
32:16como é que eu vou fazer?
32:17E aí eu vislumbrei
32:18a história da televisão
32:19e eu falei,
32:20um dia eu falei na cozinha,
32:21lá em casa,
32:22eu falei,
32:22eu vou construir
32:23uma carreira na televisão,
32:25eu vou ficar conhecido
32:27e, através
32:27de eu ficar reconhecido,
32:28eu vou fazer
32:29muitos trabalhos bacanas
32:30de ator
32:30que eu adoro
32:31e eu vou fazer
32:31muita coisa com música.
32:33Então, Edu,
32:34continuando a responder
32:35a tua pergunta,
32:36eu em nenhum momento,
32:37olha como é que foi interessante,
32:39aí eu fui fazer
32:39Sandy Júnior,
32:41que foi um...
32:43Antes disso,
32:44eu fiz um musical
32:45chamado Cambai,
32:46que foi Chico Buarque,
32:48Edu Lobo,
32:48João Falcão,
32:49com direção musical
32:50do Lenine,
32:51então foi um grande
32:52musical brasileiro
32:53que rodou
32:54apenas oito capitais
32:55e ali eu falei,
32:57cara,
32:57eu quero me nutrir disso,
32:59eu quero me nutrir
32:59do mundo musical,
33:00eu quero me nutrir,
33:01eu quero estar na televisão
33:02porque eu via,
33:03Edu,
33:03a diferença que fazia
33:04dos atores que estavam
33:05só no teatro,
33:06dos atores que estavam
33:07na televisão,
33:08as portas que se abriam,
33:10a questão também
33:11de você poder
33:11ter um reconhecimento
33:13para falar
33:14para mais pessoas,
33:15porque a gente quer isso,
33:16né?
33:16A gente quer falar
33:17para mais gente
33:18e eu já escrevia,
33:19eu já estava compondo,
33:20então eu falei,
33:20cara,
33:21eu quero falar
33:21para mais gente.
33:23Então,
33:23os papéis da televisão
33:25por também
33:25essa sincronicidade,
33:28eu fiz um...
33:28o primeiro protagonista
33:29que eu fiz
33:30numa novela
33:30lá das sete,
33:31em 2000,
33:32era o DJ Nicolau,
33:33ele era um DJ
33:34que cantava
33:34e tocava violão também,
33:36então eu toquei
33:37durante a novela,
33:38a trilha inteira
33:38sonora da novela,
33:40que era o tema
33:41do Nicolau,
33:42era o epitáfio
33:44dos titãs,
33:45o Acaso Vai,
33:47então assim,
33:47eu cantei essa música
33:48a novela inteira
33:49com violão,
33:50cantei a música
33:51que era do Caetano Veloso
33:53na voz da Adriana Calcanhoto,
33:55se eu fosse marinheiro,
33:58é do Caetano eu acho
33:59essa música,
33:59né?
33:59Isso,
34:00acho que sim.
34:01Cantava isso,
34:02cantava Sonho do Peninha,
34:04que também estava
34:05na trilha da novela,
34:06então assim,
34:07a música acabou
34:08que em todos os trabalhos
34:10que eu fiz,
34:11por as pessoas saberem
34:13que eu sou da música,
34:14elas de alguma forma
34:15integravam aquilo,
34:16e aí eu fazendo
34:17os tais jabás,
34:19que eu fiquei sabendo
34:20em confissões que existiam,
34:22que é você ir numa cidade,
34:23fazer parte de uma festa
34:24de 15 anos,
34:25fazer uma presença VIP
34:26numa boate e tudo,
34:27quando eu ia fazer um jabá,
34:29eu achava muito pouco
34:30eu ficar ali sentado
34:32tirando foto
34:32e dando autógrafo,
34:33então o meu empresário
34:34da época,
34:35eu falava pra ele,
34:36diz que a gente vai fazer
34:37a presença,
34:38que é uma hora e meia
34:39de presença,
34:40que eu vou tocar uma hora
34:41pras pessoas,
34:42eu vou cantar pras pessoas,
34:44e depois eu tiro foto
34:45e dou autógrafo,
34:47então acabou que eu fazia
34:48shows,
34:49né?
34:50Que eu estava recebendo
34:50por aquilo.
34:51Um pocket show
34:52e uma presença.
34:54O cara botava o microfone,
34:55eu levava ainda
34:56alguma coisa do,
34:57que aí eu usava já o MD,
34:59lembra do mini disco?
35:00Sim, sim, sim.
35:01Aí eu levava o MD,
35:02pedia uma via estéreo,
35:04pedia uma via de violão
35:05ou de guitarra,
35:07quando tinha,
35:07em muitos lugares
35:08que a gente ia,
35:09tinham bandas,
35:10grandes bandas
35:11tocando já.
35:12Então,
35:13uma festa de 15 anos
35:14que o cara gastava
35:15uma grana
35:15e botava a melhor banda
35:16da cidade ali
35:17tocando.
35:18aí eu me inseria
35:19na banda,
35:19comentava com os caras ali,
35:21como eu tinha
35:21um grande conhecimento
35:22de repertório
35:22por causa da história
35:23pré-gressa,
35:24né?
35:24De noite.
35:26Acabou,
35:26pô,
35:26vamos cantar essa,
35:27vamos cantar essa
35:27do Capitá,
35:28vamos cantar essa
35:29do não sei o que,
35:29fazer o show.
35:30Então,
35:31eu tive essa...
35:32Claro que quando você
35:34está numa novela,
35:35aquele um ano ali,
35:36você não pode marcar show,
35:38você não pode marcar
35:39nenhum dentista quase,
35:41porque tua agenda
35:41fica muito restrita.
35:42Mas se eu não estava
35:43tocando na novela,
35:44como foi o caso
35:45de Desejo de Mulher,
35:46que eu citei aqui,
35:48eu estava tocando em casa,
35:49estava escrevendo música,
35:51sempre comprando instrumento,
35:53sempre colocando coisa
35:54de música, sabe?
35:55Para dentro de casa,
35:57porque sempre foi realmente...
35:59Não vai ter como
36:00eu deixar nunca, né?
36:01Você sabe como é que é isso,
36:02você sabe do que
36:02que eu estou falando.
36:03E você,
36:04você,
36:06no seu texto,
36:07nas suas composições,
36:09você traz uma coisa
36:11que tem muito
36:12do Lulu Santos.
36:13Olha só,
36:14que eu não estou falando
36:15de ritmo,
36:16eu estou falando de texto.
36:18Você tem muito
36:19desse,
36:20daquela tua,
36:22daquela base
36:23que você tinha
36:24de 12, 13, 14, 15, 16 anos.
36:27A coisa positiva,
36:28para cima,
36:29mensagens do bem,
36:32mensagens bacanas, né?
36:34Não é
36:34essa vida vai errar, não.
36:36Vamos acertar nessa vida,
36:38é diferente.
36:39É a mesma coisa,
36:40mas é diferente.
36:41que você traz
36:42essa positividade
36:45no teu texto.
36:47É,
36:48isso é importante
36:49para mim
36:49e para caramba, cara.
36:50Eu acho que
36:50a questão de propósito, né?
36:53Que depois eu fui entender
36:54que tinha esse nome
36:55e depois eu fui entender
36:57por que eu queria
36:57cantar para as pessoas,
36:59por que eu queria
37:00estar no palco
37:00e não era uma coisa assim...
37:03Eu vejo claramente,
37:05olhando para trás
37:05e o sentimento
37:06que eu tinha naquela época,
37:07que me acompanha até hoje,
37:09é claro que a gente é artista,
37:10a gente quer
37:11que as pessoas gostem
37:12do que a gente está fazendo,
37:13para a gente
37:14encarar o coração delas,
37:15mas eu vejo
37:16que nunca foi uma coisa assim
37:19o sonho da Miss, né?
37:21Sem desmerecer
37:21o sonho da Miss.
37:22Mas não é que eu queria
37:22estar no palco brilhando
37:24e as pessoas me adorando,
37:25eu queria falar coisas
37:27para as pessoas,
37:28eu queria dizer coisas
37:29que eu tinha descoberto
37:30através da música.
37:31Então,
37:31eu cantava a música
37:33do George Michael
37:33e eu falava,
37:34preste atenção nessa letra
37:36de Father Figures,
37:37que ele está falando
37:38da figura paterna
37:39e preste atenção
37:40nessa música do João Bosco,
37:41olha que poesia.
37:43Então,
37:43eu tinha essa coisa em mim,
37:44um pouco de orador,
37:46de comunicador,
37:47que é esse propósito,
37:48que eu depois descobri
37:49que tem esse nome,
37:50de, de fato,
37:51comunicar coisas
37:52para as pessoas
37:53e que você disse
37:54perfeitamente,
37:55de passar essa energia positiva,
37:57de passar essa visão
38:00proativa de vida
38:01e de questionar as coisas
38:03para o crescimento
38:04e de estimular
38:06as diferenças
38:07e o entendimento
38:08e o respeito
38:09entre elas,
38:09entendeu?
38:10Então,
38:10eu tento muito
38:12passar isso
38:12através de letras.
38:13O trabalho novo até,
38:14ele está mais dançante
38:16do que pensante,
38:17porque eu estou muito
38:19encantado
38:20e ligado com essa história
38:21do que é
38:23a célula rítmica
38:25do forró,
38:26do reggaeton,
38:27do baião,
38:28do samba rock,
38:29que são coisas
38:30que estão muito
38:31falando ali.
38:32Eu digo que os ritmos
38:33para mim são muito irmãos,
38:34pela minha ignorância.
38:37Não, mas
38:38eu assino embaixo,
38:39é isso que você está certíssimo.
38:41Em algum momento
38:42eles se cruzam
38:43em alguma ponte.
38:44É, e alguém,
38:45e um influenciou o outro,
38:46todo mundo veio da África,
38:47né, cara?
38:48Todos os ritmos
38:49vieram da África,
38:50então,
38:50quando você vai vendo
38:51por que as coisas
38:52se originaram,
38:53como veio o forró,
38:55como é que nasce,
38:55por que tem o baião,
38:57e aí o reggaeton,
38:58que é a música pop atual,
39:00desse lado hispânico,
39:02aí,
39:02pan-americano.
39:04Então,
39:04eu comecei a compor
39:05muito há algum tempo
39:06e nessa onda,
39:08então,
39:09diz que vem um pouco
39:09por aí,
39:10mas sempre com as letras.
39:12Tem letra falando
39:13de quando o Daniel Azulay,
39:15nosso colega,
39:15morreu no início
39:16aí da pandemia.
39:17Opa!
39:18E aí,
39:19eu fiquei muito
39:20tocado com aquilo,
39:21porque cada artista
39:22que se vai,
39:23né,
39:23é um pedaço nosso
39:24que também está indo,
39:26Sem dúvida.
39:27Também está partindo.
39:28Quanto mais um Azulay
39:29que também deve ter
39:32te atingido muito
39:32pela sua faixa etária,
39:34porque é um cara
39:35que estava ali na televisão,
39:36um cara que estava
39:37ensinando a desenhar,
39:38um cara que estava
39:39mostrando com aquela
39:40gravatinha dele,
39:41mostrando...
39:42Acho que você deve
39:42ter sido atingido
39:45no crescimento
39:46pelo Azulay da vida.
39:48Exatamente,
39:49exatamente.
39:50E aí,
39:50aquilo bateu para mim
39:52e eu escrevi
39:53que nem um avião,
39:54que até dá nome
39:55aí ao projeto do disco,
39:57não ao disco,
39:58mas ao que envolve,
39:59que é que nem um avião
40:00que rasga o céu
40:01e some no infinito,
40:02a gente passa por aqui,
40:04né,
40:05e que depois que a gente
40:06tenha passado,
40:06que alguém possa olhar
40:07para o céu e dizer,
40:08poxa,
40:08que lindo esse avião,
40:09que a gente deixou
40:10alguma mensagem,
40:11alguma coisa.
40:12Tem uma música
40:12chamada Mãe,
40:13que eu fiz para a mãe,
40:15e aí,
40:15no momento que eu já sabia
40:16que a minha mulher
40:17estava grávida,
40:17a gente está grávida
40:18nesse momento,
40:19a Alice vai chegar em janeiro.
40:21Opa,
40:22vai mudar a tua vida
40:22radicalmente,
40:23se prepara com isso.
40:25Exatamente.
40:26Nada da sua vida
40:28terá mais importância
40:29do que Alice,
40:32Alice,
40:33Alice,
40:34Alice.
40:34Vai mudar radicalmente,
40:36se prepara,
40:36compadre.
40:37Que legal.
40:37Eu tenho uma filha
40:39de 12 anos,
40:40cara.
40:41Pô,
40:41que máximo.
40:41Então,
40:42é isso que eu ia te perguntar.
40:43Então, meu irmão.
40:43Como é que é a tua prole?
40:45Você tem quantos filhos?
40:46Eu tenho uma menina
40:47de 12 anos
40:50que muda a tua vida.
40:51Primeiro é o seguinte,
40:52eu já estava de saco cheio
40:53de tudo.
40:53Ah,
40:54quando ela vem,
40:55muda,
40:56porque você ganha
40:56uma nova energia,
40:57você começa a criar
40:58tudo de novo,
40:59e você pensa...
41:01E uma coisa
41:02que vai acontecer
41:02muito com você,
41:04que deve acontecer
41:05com você,
41:06que aconteceu comigo,
41:07é você querer mostrar
41:08para ela
41:10que você é um cara
41:11criativo,
41:12inteligente,
41:13entendeu?
41:13Aí você começa
41:14a reinventar tudo,
41:16cara.
41:16Você começa a refazer
41:17a música,
41:18a tua vida
41:19ganha um outro rumo,
41:20cara.
41:21A sua vida artística
41:21vai ganhar um outro rumo,
41:22você vai ver.
41:23Que máximo,
41:24que máximo.
41:24Isso é uma viagem
41:25de amor muito grande,
41:26né, cara?
41:27Uma coisa,
41:28assim,
41:29inexplicável.
41:29É o milagre da vida.
41:31É.
41:32É.
41:32E outra coisa,
41:33você não é mais menino,
41:34cara.
41:35Então,
41:35você encontra uma parceira
41:38com uma relação
41:40com dinheiro
41:41diferente,
41:41não existe mais desespero.
41:43Não é que não exista
41:44necessidade,
41:45é diferente.
41:45Sim, claro.
41:46Eu falo desespero.
41:47Ah, eu tenho que...
41:48Não.
41:48O dinheiro vai vir.
41:50Aí você encontra
41:51uma parceira,
41:52vem uma...
41:52Rapaz,
41:53é tudo no momento certo,
41:55no instante exato,
41:56não adianta ser diferente,
41:58não, cara.
41:58Você vai ver,
41:59vai ser ótimo para vocês.
42:01Que bom,
42:01que bom.
42:02Como é que é o nome
42:02da tua de 12?
42:04Chloe.
42:05Chloe,
42:06que lindo nome.
42:06É,
42:07a mãe que...
42:09Desde sempre.
42:10É uma figura linda.
42:12É uma figura linda.
42:13É muito bom,
42:14cara,
42:14porque você...
42:14Ao mesmo tempo,
42:17nós somos extremamente
42:19dominados por duas mulheres,
42:20né?
42:21Isso também.
42:22Aguarde.
42:24Lá,
42:24daqui a cinco anos
42:25a gente conversa de novo.
42:27Você vai ver.
42:28Elas sabem jogar com a gente,
42:30compadre.
42:30Com certeza.
42:31Não,
42:31e é o seguinte,
42:32a minha mulher é capricorniana
42:34e fez aí a mágica
42:36de que vamos ter
42:37uma filha capricorniana
42:38igual a mãe,
42:39rapaz.
42:40Olha aí.
42:40Ah,
42:41meu irmão,
42:42se prepara,
42:42compadre.
42:43Mas é muito bom.
42:44É muito bom.
42:45E você vai ter oportunidade
42:47de mostrar para uma criança.
42:49Primeiro que você é responsável,
42:50vocês são responsáveis
42:52pela formação
42:53de um ser humano,
42:54cara.
42:54É um negócio muito doido.
42:55E tudo que a gente tinha
42:57com os nossos pais
42:58de rejeição,
42:59de conflito,
43:01de...
43:02Você começa a entender
43:03que os caras têm
43:03mais razão
43:04do que a gente
43:04poderia imaginar,
43:05sabe?
43:06Com certeza.
43:06É um negócio que começa
43:07a mudar a relação
43:09bravo.
43:10Mas é bom,
43:10é bom.
43:12Bom para aprender.
43:13É muito legal.
43:14Olha,
43:14falando aqui,
43:15se prepara.
43:16É, Alex.
43:17Agnes Cristina falou
43:18Daniel Del Sarto
43:19for babies.
43:21Turma do Lambi Lambi.
43:22É,
43:22dá uma...
43:25Turma do Lambi Lambi
43:25eu acho que era
43:26do Daniel Azulay,
43:27não?
43:28Eu acho que era assim,
43:29cara,
43:29exatamente.
43:30o Daniel Azulay
43:31e a turma do Lambi Lambi,
43:32não era isso?
43:33Exato.
43:34Eu acho que era isso mesmo.
43:35Agora,
43:35fala um pouco desse...
43:36Nós estamos na reta final,
43:37temos oito minutos pela frente.
43:39Fala desse trabalho,
43:40desse single
43:41que você colocou,
43:43disponibilizou.
43:44Como é que está esse...
43:46Como é que está...
43:47Como estão nas plataformas?
43:48Como é que a gente ouve?
43:49Onde é que a gente encontra?
43:50Vamos dar um serviço aí,
43:51vamos.
43:52Super legal, cara.
43:53Então,
43:54em relação a palco,
43:56faz quatro anos
43:58que eu estou com um projeto
43:58chamado Del Sarto Live.
44:00que é,
44:01por incrível que pareça,
44:02uma volta lá,
44:03época dos hotéis.
44:06Então,
44:06é música eletrônica ao vivo,
44:08eu produzo aqui,
44:09Sunplay e tal.
44:10Então,
44:10eu faço muitos mashups
44:11de música pop gringa
44:13com música brasileira,
44:14pegando coisas da década de 80,
44:16misturando Marina Lima
44:19com Calvin Harris,
44:21Justin Bieber
44:23com Caetano Veloso,
44:24de uma maneira muito harmoniosa,
44:26muito gostosa.
44:26É um show muito para cima.
44:28Então,
44:28isso foi bom,
44:29porque me colocou bem na minha raiz
44:30de poder pular,
44:32de poder botar a galera
44:33para pular bastante,
44:35independendo
44:35de um bom backline,
44:37que você sabe a complicação
44:38que é de passar uma bateria,
44:40de passar um som de baixo.
44:42Então,
44:42assim,
44:42eu já levo a coisa meio pronta
44:43e agrego a isso
44:45baterista,
44:46às vezes,
44:47agrego a isso
44:47percussão eletrônica,
44:48vocais,
44:49enfim.
44:49E do ponto de vista autoral,
44:51que foi a tua pergunta,
44:53tem um single que saiu,
44:54que foi o Quere É Que Dar,
44:55já está fazendo até tempo demais
44:57que ele saiu,
44:58que é uma música em espanhol
44:59que eu compus
44:59quando estava lá por Miami.
45:02Fui tocar lá.
45:03Esse show já viajou um pouquinho,
45:05não tanto quanto eu quero,
45:07mas ele viajou um pouquinho.
45:08E aí,
45:09o disco novo
45:10é cantado em inglês,
45:11português e portuñol,
45:13porque portuñol é a língua do futuro.
45:16A língua do futuro tem sotaque.
45:19Então,
45:19a gente começa em dezembro agora,
45:21a gente começa com singles,
45:23e aí vem uma temporada de singles
45:25que,
45:25se tudo correr bem,
45:27pelo menos por um ano,
45:28a gente vai ter single todo mês.
45:30E o meu desejo,
45:31assim,
45:32já estou produzindo para isso,
45:33é que a gente sempre tenha
45:34todo mês alguma música nova,
45:35mas esse álbum,
45:36ele se conclui aí
45:37lá por volta de setembro,
45:40outubro do ano que vem
45:41com esses singles.
45:42E aí o single junto dos clipes,
45:43então quem quiser chegar junto
45:45é Daniel Del Sarto
45:46em qualquer lugar,
45:47no YouTube,
45:49no Instagram,
45:49aqui onde a gente está falando.
45:51E eu também queria aproveitar
45:52a minha fala longa
45:53para agradecer a você
45:54e para dizer o prazer
45:56de conversar com você,
45:57você que é um cara inteligente,
45:58alto astral,
45:59e foi o Bruno Galvão
46:00que fez essa ponte gostosa,
46:02então agradeço também a ele.
46:03E você ganhou aqui
46:04mais um admirador
46:06e um amigo,
46:07assim,
46:07virtual,
46:08por assim dizer,
46:08que a gente ainda está
46:09se conectando.
46:10É verdade.
46:11Mas pela trajetória,
46:13pelo desejo,
46:14pelo fazer diário
46:15que você está aí
46:15fazendo lives
46:16e se reinventando
46:17e pela tua história também,
46:19o meu respeito,
46:20então é bom para caramba
46:21estar contigo.
46:22Eu agradeço, meu irmão.
46:24Eu sou...
46:25Estou aqui fazendo isso
46:26para...
46:27Eu costumo brincar assim,
46:28eu podia estar roendo
46:29o pé de cadeira,
46:30aí um dia...
46:32Vou fazer uma...
46:34Você,
46:34por incrível que pareça,
46:37238 convidados aqui.
46:39Uau!
46:40Parabéns!
46:41Parabéns!
46:42Uma loucura!
46:42Uma loucura isso!
46:44Uma loucura isso!
46:46Estou marcado
46:47até 15 de dezembro já!
46:49Pô, que máximo!
46:50Parabéns, Edu!
46:51Que legal!
46:51É muito legal!
46:52É muito legal!
46:53Sabe?
46:54Amanhã, por exemplo,
46:55amanhã a gente vai conversar
46:56com um cara chamado
46:56Sid Chaves,
46:57que é o cara
46:58que é o vocalista
46:58do Renato e Seus Blue Caps.
47:00Olha que maravilhoso!
47:02você tem um cara negro,
47:05vamos ser...
47:06Um negro
47:07de um país racista
47:09que começa a ter visibilidade
47:12na jovem guarda...
47:13Uau!
47:14Uau!
47:15Que maneiro!
47:15Que tem 50 e poucos anos
47:17de carreira...
47:18Uau!
47:19Que maneiro!
47:19Cantando com gás e energia...
47:22Porra, isso é uma loucura!
47:23Esse é o nosso Brasil, bichão!
47:24É você,
47:25é o Sid,
47:27é o pessoal do Rock Brasil,
47:29é o Ivan Lise,
47:30é o Roberto Menescal,
47:31é o lixo!
47:33É um Brasil muito rico
47:35para ter somente
47:36um ritmo dominando a parada.
47:38Essa que é a relação
47:39que mais me incomoda.
47:40Exatamente!
47:41Eu acho que você está fazendo
47:42uma parte importante nisso,
47:44que eu acho que é um objetivo
47:46que eu acho que a gente tem que ter
47:48enquanto brasileiro, cara,
47:50que é valorizar os nossos nomes
47:52e parar...
47:54E você está fazendo exatamente isso,
47:55parabéns!
47:56E parar de colocar foto,
47:57e eu me coloco nisso,
47:59de colocar foto
48:00e prestar homenagem
48:01para as pessoas
48:02no dia que elas morrem,
48:03sacou?
48:03É, é uma loucura isso.
48:05A gente tem um monte
48:06de ídolos vivos
48:07que a gente tinha que celebrar,
48:09que a gente tinha que ter lugar
48:10para eles estarem contando
48:11a história deles,
48:12para eles estarem mostrando
48:12a música deles,
48:13para a gente reverenciá-los,
48:15e eles estão escondidos,
48:17passando dificuldade,
48:18ou de grana,
48:19de doença,
48:20sacou?
48:21E aí, quando morre,
48:22a gente bota uma foto,
48:23chora,
48:24sente aquela coisa,
48:25ah, era uma pessoa maravilhosa.
48:26Não,
48:26a pessoa maravilhosa
48:27tem uma porrada viva,
48:28a gente tem que resgatar isso.
48:30E eu acho que o que você
48:31está fazendo
48:31passa muito por aí.
48:32Parabéns, cara.
48:34Obrigado, meu irmão.
48:34E olha,
48:36muita paz para você,
48:38muito amor dentro de casa.
48:40Janeiro,
48:40nós estaremos,
48:42se Deus quiser,
48:43livres
48:45desse vírus,
48:46e a chegada
48:47da sua pequena
48:48para um novo ano,
48:50com uma nova história,
48:51com um novo mundo,
48:52e para ela,
48:53a maior felicidade do mundo
48:55é o que nós precisamos,
48:56todos nós,
48:57inclusive ela.
48:58Poxa, amém,
48:59amém, cara.
49:00Dá para dar um beijinho
49:00aqui nas pessoas
49:01aqui que estão falando
49:02com a gente?
49:03DJ D. Carvalho,
49:04minha parceira de palco,
49:06grande DJ,
49:07de BH,
49:08do Rio de Janeiro.
49:09O Alex Papá perguntando
49:10se você já fez cover do Dinho
49:11por causa dessa semelhança,
49:12grande do Dinho.
49:14Eu canto algumas coisas
49:14do Capital,
49:15mas nunca fiz cover.
49:17F. Portela também,
49:18aqui,
49:18dando um abraço para nós.
49:21Obrigado a todo mundo
49:21que teve com a gente,
49:22Estúdio Móis.
49:24Pô,
49:24um beijo grande para todo mundo.
49:25Edu, mais uma vez,
49:26obrigado.
49:28Meu irmão, beijo.
49:29Se a gente manter essa vibe aí,
49:31parabéns por tudo
49:31e conte comigo, meu irmão.
49:33Foi um grande prazer.
49:34Um beijo em casa,
49:35tudo de bom.
49:36Tchau, tchau, meu irmão.
49:37Tchau, tchau.
49:38Obrigado.

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