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Eu, você, nós e o terceiro setor - 22/01/2023
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NotíciasTranscrição
00:09Muito bom dia! Eu quero desejar tudo do bem e tudo de bom para você. Ei, tá aí em casa,
00:16que Domingão maravilhoso. Seja bem-vindo, meu amigo, seja bem-vinda, minha amiga, ao nosso
00:21programa Eu, Você, Nós e o Terceiro Setor. E hoje tem muita coisa de gente eficiente.
00:29Se prepara. Estava precisando de inspiração? Estava precisando escrever uma nova história?
00:34Tem gente aqui que vai dar cada lição de vida para nós e ela está aqui, Paula Martins,
00:42apresentadora, advogada e gerente do Instituto Américo Buais. Eu quero desejar a você também
00:46um excelente dia. Bom dia! Tudo de bom para você, Paula!
00:49Obrigada, Fuli! Bom dia para você também. Bom dia para vocês de casa. Mais uma manhã de domingo
00:55e a gente aqui, juntinho, dessa vez, para debater um tema tão presente no nosso dia-a-dia
01:00e muito relevante. A realidade das pessoas diagnosticadas com algum tipo de deficiência, né? Vamos trabalhar
01:07isso daí, vamos conversar, saber um pouquinho mais, né, Fuli? Olha só, só para a gente ilustrar
01:12que o nosso papel é contar histórias e trazer números para que a gente possa ajudar a melhorar
01:19a vida das pessoas. Para você que está acompanhando a gente agora, pelo menos 45 milhões de brasileiros
01:25têm algum tipo de deficiência. Isso representa mais de 25% da população, segundo o levantamento do IBGE.
01:33Só quero dizer o seguinte, essas pessoas, mais do que respeito, elas merecem o papel do Estado,
01:39dos agentes que fazem a diferença, porque são cidadãs e cidadãos e que pagam imposto, como eu, como você.
01:48Paula, fala para nós.
01:49É exatamente isso, Fuli. E só para a gente contextualizar um pouco mais.
01:54Um em cada quatro brasileiros possuem algum tipo de condição entendida como deficiência.
01:59Então, vale lembrar que a nossa lei, lei brasileira de inclusão, que a gente pode conhecer aí
02:04como o Estatuto da Pessoa com Deficiência, está em vigor desde 2016 e traz uma série de direitos
02:10para garantir a oferta de condições de igualdade a essas pessoas com deficiência, em várias, várias áreas.
02:16Mas, assim, é o que a gente está conversando aqui. E quem vive na pele?
02:20E quem vive essa realidade? Será que a legislação está sendo realmente garantida?
02:25As normas estão sendo cumpridas?
02:27Hoje, aqui no programa, a gente vai conhecer várias histórias, várias histórias emocionantes
02:32e vamos entrar um pouquinho na realidade dessas pessoas.
02:34Ó, e prepare o seu coração para tudo que a gente vai mostrar.
02:39Você quer saber quem é o Leno?
02:40O Leno é o seguinte, quando muita gente encara algum obstáculo como
02:46Ah, eu estou com uma deficiência na trajetória da minha vida.
02:50Ele mostrou para nós que existe gente de excelência que faz a diferença, com muita eficiência.
03:00Traz só um tiquinho para eu contar para você que está aí em casa. Vai lá, manda ver.
03:05Eu fico imaginando nós dois
03:11Já confirma o dito popular, quem canta, seus males espanta.
03:16O nosso personagem Leno tem na música e na poesia muito mais.
03:21Essa alegria de viver que vem da grande inspiração chamada superação.
03:27Pai de quatro filhos mora atualmente sozinho, sendo que um filho sempre vem lhe dar suporte.
03:34Mas o Leno é aquele sujeito independente.
03:36Lavar, cozinhar, se virar nas atividades diárias, mesmo numa cadeira de rodas.
03:41Essa é a sua marca registrada.
03:44É exemplo para muita gente que anda reclamando da vida.
03:47Se tem uma coisa que tira o seu Leno do sério, é a falta de projetos para que a pessoa
03:53com necessidades especiais tenha a garantia de mobilidade.
03:59Muito bacana, né? A história do Leno é realmente muito inspiradora.
04:03Ele não se deixou abalar por nada que a vida lhe ofereceu.
04:06Agora, aqui hoje, presente conosco, nós temos pessoas maravilhosas também, que a gente vai debater esse tema bacana.
04:14Vamos aplaudir primeiro, né? Todo mundo aplaudindo.
04:17A gente combinou um negócio muito legal.
04:19Um, dois, três, todo mundo dando a mão.
04:21Ninguém larga a mão de ninguém.
04:23O nosso objetivo é esse.
04:25Quanto mais gente, mais quente.
04:27Esse é o papel de eu, você, nós, o terceiro do setor e do Instituto Américo Boaz.
04:31Obrigado.
04:32Vai ser o bordão, né, Fuliz?
04:33Tem isso no primeiro, vai ter isso no segundo agora.
04:35Esse aí. Agora, vamos apresentar todo mundo.
04:38Do lado esquerdo da doutora Paula, diga aí.
04:40Fábio Giro, né, Fábio?
04:42Fábio Ferro Giro.
04:43Do lado direito?
04:44Edith.
04:46Edith Ramalho.
04:47Edith Ramalho. É aqui do meu lado, o homem que vê tudo. Fala pra nós.
04:50Amigo Manoel Peçanha.
04:52Aê, vamos aplaudir.
04:53Gente, é uma aula, você que tá me acompanhando aí, é uma aula, ficar breves momentos.
05:01Mas a gente quer passar essa manhã com gente que faz a diferença diretamente de Cachoeira, Itapemirim.
05:07Paula nos vê a notícia.
05:08Quem tá lá?
05:09Bárbara, Bárbara, nossa querida Bárbara.
05:11Bárbara Gaspari, que ela é presidente do MOVA, assim, um instituto muito legal também, que a gente vai trazer aqui.
05:16E a Olívia da Silva, ela é vice-presidente desse mesmo instituto.
05:20Dá um tchauzinho pra gente aí que tem casa aí.
05:22Bárbara e a Olívia, sejam bem-vindos.
05:25A gente tem essa energia de gente que faz a diferença na vida.
05:29E esse sorriso lindo e estampado aí, pra gente contar muito mais.
05:33Sejam bem-vindas, tá bom?
05:36Obrigada.
05:37E você vê que elas estão tão entrosadas que foi até um nisso, não é?
05:41Parece um coral.
05:42Obrigadas.
05:43Olha, vamos lá.
05:43Agora tem entrevista pra falar de uma história muito bacana.
05:46Você sabe que eu tô conversando com o Manuel, conversando com a Edith, com o Fábio, e pra dizer o
05:52seguinte.
05:53E o Fábio, eu sou lá das Minas Gerais, a gente tem um humorista lá chamado Geraldo Magela.
05:59E ele é deficiente visual.
06:01E aí eu falei assim, ô Manuel, quando a gente pega o humor daquela rotina sua, daquilo que vocês vivem
06:08todos os dias,
06:09isso de alguma maneira ajuda a melhorar entre vocês a convivência?
06:14Você fala, Fulia, assim que eu vejo tudo na vida, né? Mais ou menos assim, Manuel.
06:17Desse jeito, é uma forma de olhar, né? Muito bom.
06:21Bacana.
06:22Essa leveza aí pra levar a vida, né, Manuel?
06:24Tem que ser, tem que ser.
06:26E aí, Edith, agora eu vou falar o seguinte.
06:28O Fábio me disse que ele já nasceu sem enxergar absolutamente, não é isso, Fábio?
06:33Manuel.
06:33Manuel, Manuel, Manuel, e eu tô aqui.
06:37Enquanto isso, eu erro o nome do Manuel com o Fábio, o Fábio olha pra mim, olha lá o peitoral
06:40dele aqui.
06:41Cara, não é brincadeira, não.
06:42Eu não posso errar, não.
06:44Manuel, conta a sua história pra gente, vai lá.
06:47Na verdade, eu sou...
06:52Eu nasci, né? Lógico.
06:56É porque eu fiquei pensando o que eu ia falar.
06:58Eu sou de Cachoeira e Itapemirim.
07:00Também, eu também sou.
07:01Então, eu sou de Cachoeira e Itapemirim.
07:03Cachoeira é esse.
07:04Com um ano e oito meses de idade, meus pais foram descobrir a minha deficiência visual.
07:08Embora eu seja deficiente visual de nascência.
07:11Os médicos na época diziam que eu não ia andar nem enxergar.
07:15Mas a história mudou.
07:18Muita coisa aconteceu na minha vida.
07:21Eu não parei.
07:23Eu prossegui.
07:25E sempre acreditando que haveria dias melhores, eu cheguei onde eu cheguei.
07:33Viu?
07:34Quando alguém decreta pra você uma situação, uma sentença na vida,
07:39tem um negócio chamado superação.
07:42É assim que o nosso amigo Manuel faz na vida.
07:45E também a Edith, não é verdade, Paula?
07:49Com certeza, né?
07:50Edith, conta a sua história pra gente também.
07:53Então, eu já sou fundãoense.
07:55Beijo aí pro município de Fundão.
07:57Alô, meu povo de Fundão.
07:59Beijo, abraço.
08:00Fundão, beijo pra quem é de beijo.
08:02E abraço pra quem é de abraço.
08:05O povo de Fundão tá sempre ligadinho aqui.
08:08E eu nasci e minha mãe, né?
08:12Eu sou a sexta filha.
08:14E minha mãe...
08:15E minha mãe foi animada.
08:17Aô, inspirada.
08:19É.
08:19E com três meses de nascida, minha mãe percebeu que havia diferenças.
08:26Que eu não acompanhava a mão, que eu não olhava pra luz, que eu chorava.
08:30Que algo havia de diferente.
08:32Então, primeiro me levou num pediatra e ele disse que eu tinha alguma coisa nos olhos.
08:39Mas ele não conseguia me dar um diagnóstico.
08:43Aí ela foi, correu pra lá e pra cá, até que chegou no hospital das clínicas.
08:47E descobriram que eu tinha glaucoma congênita.
08:50E com sete anos de idade, eu perdi o restante de visão, que eu não tinha quase nada.
08:56Que me dava mais dores do que me ajudava.
09:02E aí eu conheci o Instituto Braille.
09:05O próprio médico escreveu pra minha mãe o endereço do Instituto Braille.
09:09E lá eu estou até hoje.
09:11E lá eu me tornei quem eu sou hoje.
09:13Eu sou mãe, eu sou esposa.
09:15Eu aprendi a ser independente dentro do Instituto Braille.
09:19Aí, Fuli, que entra o nosso e-mail especialmente, o terceiro setor.
09:24O trabalho do terceiro setor em prol da sociedade.
09:28Você imagina que se as pessoas não tivessem a oportunidade de melhorar.
09:35Melhorar com capacitação, com treinamento e com essa palavra que é a mais importante.
09:42Oportunidade.
09:42E que oportunidade foi essa que o Instituto Braille deu pra você?
09:45Conta pra nós, Manuel.
09:46A mesma oportunidade que eu tive lá no Instituto Braille, como eu disse, eu tinha um diagnóstico
09:52que eu não ia andar e nem enxergar.
09:55E eu trabalhei na roça, Fuli.
09:58Eu trabalhei capinando em Atilho Viváqua, nas fazendas em Muqui.
10:04E na colheita de café, eu ia tirando o café.
10:09Porque o café, ele dá no tronco, parecendo jabuticaba.
10:14Isso.
10:15Então...
10:16Eu sou da terra do café, eu sei o que você está falando.
10:17Então você percebeu o que eu vi, né?
10:19Eu vi o café.
10:20Manda bem, manda bem.
10:22E aí, eu tirava três balais de café por dia.
10:25Sabe?
10:26E cresci nessa esperança de ser alguém na vida.
10:29E eu tive a oportunidade de vir para o Instituto Luiz Braille do Espírito Santo, em 89.
10:34Ali eu comecei a estudar, né?
10:37Aprendi o sistema Braille, que é a leitura feita pela pessoa com deficiência visual.
10:43Comecei a estudar num colégio público, né?
10:47Que na época era o José Padre Anchieta.
10:50E depois comecei a frequentar a Biblioteca Pública Estadual, onde eu aprendi o sistema Braille através da professora Conceição.
10:58E comecei a galgar os meus degraus.
11:00Morei no Instituto Braille, porque sendo do interior não tinha onde ficar.
11:03Então o Instituto Braille foi de fundamental importância na minha vida.
11:06Te deu esse suporte?
11:07Aprendi a locomoção, porque eu não sabia me locomover sozinho, com autonomia.
11:15Eu aprendi, então, através do Instituto Braille.
11:18E aí comecei a galgar os meus degraus na vida.
11:21E o sonho que eu tinha? Ser comunicador.
11:23E eu consegui chegar.
11:24Hoje a minha formação, eu sou jornalista.
11:28Nosso companheiro, disse o passado.
11:31Trabalho no rádio também.
11:35Hoje eu faço um curso de fotógrafos cegos.
11:40Saiu aí na imprensa toda, curso de fotógrafos cegos, através de uma parceria do Instituto Luiz Braille e do Espírito
11:47Santo com a Soca Brasil.
11:49E sou músico, tecladista.
11:52Opa!
11:53Teclado, bateria, violão, acordeon, triângulo, pandeiro.
11:58Multitalentoso, né?
12:00Multitalentoso.
12:00Faz um pouquinho.
12:01Nunca deixei de sonhar, sempre sonhando e buscando e respeitando as pessoas.
12:09Cheguei onde cheguei.
12:10Pra onde vou continuar seguindo, levando esta mensagem de amor e carinho.
12:16Você consegue.
12:19Você pode.
12:20Você pode.
12:20Você pode.
12:21Repete comigo, vai lá, Manu.
12:23Você pode.
12:25Eu quero chamar a Edith na conversa também, que eu quero que eles contem um pouquinho mais dessa rotina.
12:30Vamos botar na prosa aqui o nosso amigo Fábio, não é isso?
12:32Com certeza.
12:33Olha aí essa pegada de surfista, esse cara bonitão e que tem uma história linda também e que de certa
12:40forma tem a ver com a minha família também, naquilo que foi diagnosticado ao nascimento.
12:44Não é isso, Fábio?
12:45Sim, eu tive mielo, menigocele, 24 horas de nascido, fiz minha primeira cirurgia, onde o médico mandou eu morrer em
12:57casa.
12:58Deixa eu explicar pra você, no caso dele, é também uma alteração que acontece lá quando ainda no feto, hoje
13:06é facilmente identificado e no caso dele a coluninha dele não fechava.
13:11Então, depois que ele nasceu, foi feito uma cirurgia para que a sua coluna fechasse.
13:15Hoje isso é feito no útero da mãe, mas claro com sequelas.
13:19Agora, você imagina quando alguém também te dá um diagnóstico que ele iria morrer.
13:24O Manuel falou que disseram que ele não ia andar, não ia falar, tocou a vida dele.
13:30O que sua mãe fala hoje desse diagnóstico que deram que você ia morrer em casa?
13:34Bom, hoje minha mãe já...
13:36Papai do Senhor levou, mas o que ela disse durante a sua vida?
13:39Ela falou muito, que lutou muito, falou que pra não deixar isso acontecer, né?
13:45E deu tudo errado o que o médico falou.
13:48Ah, essas imagens são de quê? Conta pra gente aí.
13:50Ali, eu tô na praia de Iriri, na praia dos namorados.
13:58E a minha namorada fez esse vídeo aí, fazer uns projetos pra divulgação, pra patrocínio, né?
14:04Na época eu pegar a banda de caiaque e através desse vídeo aí eu consegui alguns apoios, fazer uma divulgação
14:14e conseguir competir, voltar a competir.
14:16Eu participei de campeonato brasileiro, sul-americano, já participei de mundial também.
14:25Bacana.
14:26Entendeu?
14:26Eu participei de um mundial, se não me engano, foi em 98 ou 99, não lembro direito.
14:30Eu fui o único deficiente físico no mundial, entendeu?
14:33O resto, tudo andava.
14:37O esporte entrou na sua vida quando?
14:40Com 15 anos de idade, que eu vi um amigo meu pegando onda de caiaque na Barra do Jucu, o
14:45Renato.
14:47E aí ele me deu os primeiros passos ali, comecei a pegar onda, me interessei, comprei um caiaque.
14:54Na verdade ele fez um livro de ouro, ele comprou um caiaque pra Rio, pra passeio, né?
14:58Na época eu ganhei aqueles caiaques abertos.
15:00Comecei a pegar onda de caiaque ali, depois eu troquei por um de onda mesmo.
15:06E comecei a participar de campeonato brasileiro, sul-americano.
15:10Eu fiquei 10 anos sem competir, depois a gente tinha parado, por causa de patrocínio,
15:14depois voltei, depois de 10 anos, aí consegui pegar um terceiro lugar no brasileiro,
15:20depois peguei um quarto lugar no sul-americano.
15:22Consegui um bolso atleta, fiquei um ano recebendo o bolso atleta,
15:26aí fui pra São Paulo, fui pra Santa Catarina pra competir,
15:31aí depois cortaram o bolso atleta e eu parei de novo.
15:34Ô Fábio, o Manuel recebeu, desde sempre também, essa negatividade.
15:41Ah, você não vai andar, você não vai isso, você não vai aquilo.
15:44Você recebeu uma sentença pior, né? Vai morrer em casa.
15:48É, praticamente isso.
15:49Mas depois disso, quando você conheceu o esporte, começou a trabalhar nisso,
15:55começou a se dedicar, você também foi desestimulado pela questão da sua deficiência?
16:01No esporte?
16:02No esporte.
16:03Não, não, não, no esporte não.
16:05Eu sempre tive apoio, quando eu comecei a conhecer o pessoal da canoagem,
16:09sempre me apoiaram, sempre me ajudaram.
16:12Incentivaram, né?
16:13Incentivar, entendeu?
16:16Consegui comprar equipamento através deles, eles me ajudando também.
16:21E correndo atrás, às vezes, um falando com o outro, vamos fazer o campeonato de atal, tal.
16:29Sempre, através deles, sempre foi nota 10.
16:31Porque é uma realidade muito comum para a gente que atua nessa área, se deparar com isso.
16:40Pessoas com deficiência enfrentam muito disso.
16:44E foi um tema da campanha que nós fizemos dentro do Instituto Américo Boaz em 2022.
16:50Nós defendemos muito isso, para que a gente conseguisse construir uma sociedade menos capacitista.
16:55E eu acho que isso tem muito a ver com o que a Bárbara faz no Mova-se.
17:00É isso mesmo, Bárbara? Conta para a gente.
17:03Com certeza, Paulo.
17:04Tem tudo a ver com a missão do Mova-se, né?
17:07De conscientizar as pessoas contra o capacitismo, a falta de acessibilidade,
17:12muitas outras coisas mais que a gente trabalha lá também.
17:17Bárbara, como é que isso aconteceu na sua vida?
17:21O porquê? O que motivou?
17:23O que que fundamentalmente fez com que vocês agissem para que o Mova-se acontecesse?
17:31O Mova-se nasceu da... a gente fala que ele nasceu do amor, né?
17:35De uma mãe por uma filha, porque a nossa fundadora tem uma filha com uma doença rara,
17:40ela tem dificuldade de andar.
17:42E aí ela começou a perceber que ela não tinha acesso nos lugares,
17:46tinha dificuldade de frequentar os lugares, né?
17:49E aí ela começou, sabe aquela coisa de você encontrar uma pararia,
17:52encontra outra no supermercado e vai juntando as pessoas com deficiência no grupo?
17:57Eu sou uma das primeiras voluntárias para o grupo, ainda tinha cinco pessoas,
18:02ela foi juntando e foi formando o grupo.
18:05E aí foi crescendo, crescendo.
18:07Hoje a gente já é mais de 100 pessoas no WhatsApp e 13 mil pessoas no Instagram.
18:12Nossa, são 13 mil pessoas.
18:14É muito cedo.
18:15Uma corrente realmente muito forte, né?
18:18É, uma corrente bem forte, bem grande.
18:21Quais ações principais, assim, Bárbara, vocês executam?
18:26Ai, tem um monte.
18:27Eu sou apaixonada pelo Mova-se nas escolas,
18:30que a gente leva as bonequinhas para as crianças verem,
18:32bonequinhas com deficiência, que a gente tem uma tesã aqui, Capixaba, que faz.
18:36E aí a gente leva lá para apresentar, para contar historinha.
18:40E tem também a parte de multa moral, que a gente criou uma multa moral.
18:45A gente foi na internet, né?
18:46Mas fez uma com a nossa cara.
18:48De quando a gente vê alguém parado na vaga de deficiência,
18:51a gente vai lá, coloca a multa moral para ele e fala,
18:54ó, você parou uma vaga que não é sua nem por um minuto.
18:58E tem muitas outras ações, como Mova-se Mulher, que a gente faz todo ano,
19:02como Morar o Dia da Mulher, Mova-se Família,
19:05onde a gente faz o grupo de pais, para que eles se conscientizem,
19:09possam conversar, trocar experiências, né?
19:12Porque pai e mãe tem que aprender todo dia, né?
19:16Então, mais criança com deficiência, mais ainda.
19:18Eu já vi vários exemplos, vários vídeos, de crianças,
19:23principalmente crianças deficientes, em que vão lá e aplicam essa multa moral
19:29que a Bárbara estava falando.
19:31E elas davam assim, gente, não é possível ter um grau de dificuldade.
19:35Com a minha cadeira de rota, como é que você faz?
19:37Está aqui uma multa moral.
19:38Porque eu acho o seguinte, o ser humano, ele aprende pelo amor ou pela dor.
19:42O amor é a conscientização, não é isso?
19:45Gente, não estaciona em vaga para deficiente.
19:48Nem para deficiente, nem para idoso, vamos respeitar.
19:51Agora, se não aprende pelo amor, vai aprender pela dor,
19:55pelo menos, que nem multa resolve muitas vezes, mas a multa moral.
19:59Olivia, quais os desafios que nós precisamos ajudar o Mova-se a entrar no circuito?
20:04Fala de mudanças de vida, não é isso, Paula?
20:07Com certeza.
20:07De crianças, de pessoas que entraram o antes e o depois do Mova-se.
20:12Isso.
20:13Bom, eu tenho uma filha, ela fez cinco anos, essa semana, inclusive, a Estela.
20:20E ela está indo com paralisa cerebral, temos as dificuldades do dia a dia, né?
20:25Das pessoas com consciência, de forma geral.
20:29Mas o Mova-se, ele mexeu muito comigo, por conta de todo o contexto que a gente vive, né?
20:37Da sociedade, que a gente precisa fazer aquele trabalho de formiguinha,
20:41aquele trabalho de conscientização, de amor, da tão falada empatia.
20:47Então, eu engajei nesse projeto e ano passado, Bárbara me convidou para ser a vice-presidente.
20:54Eu aceitei.
20:55E é um desafio mesmo, como vocês estão falando aí, é desafio, é diário.
21:00É um trabalho árduo, não é fácil, né?
21:03Assim como a gente está falando aí da muda moral, tem diversas outras questões que envolvem
21:08a falta de acessibilidade.
21:10E não só, né, acessibilidade estrutural, essa que a gente vê,
21:15Ah, vamos colocar uma rampa aqui, ou vamos acertar o piso.
21:18Não é só isso.
21:19A nossa maior falta de acessibilidade, infelizmente, hoje, ainda é as atitudes, né?
21:27São as barreiras atitudinais que a gente encontra na sociedade.
21:29Exatamente.
21:30Então, a gente procura quebrar dia após dia, ir um pouquinho por vez, um passinho de cada vez.
21:38Um passinho de cada vez.
21:39E é isso aí.
21:39Eu acho que o trabalho que vocês estão fazendo junto às escolas, tentando levar essa
21:47consciência, né, desde as crianças até professores e tal, gestão, é essencial.
21:54Porque a gente só vai conseguir transformar a nossa sociedade através da educação.
22:00Então, essa acessibilidade metodológica, né, é a base.
22:06É a base pra gente conseguir transformar e melhorar as condições que a gente vive hoje.
22:13É isso.
22:14É a gente incutir na cabecinha das crianças mesmo, né?
22:18Porque a partir delas que...
22:20Eu falando como mãe agora, né, de uma criança com deficiência.
22:24É a partir daquela convivência de você aprender com as diferenças que você vai formar um cidadão
22:30mais consciente e disposto a promover essas mudanças, né?
22:37É parte disso.
22:40Não, a Paula vai daqui a pouquinho chamar um VT muito legal, mas eu gostaria de fazer
22:44uma pergunta tanto pra Bárbara, como pra Olivia.
22:46A gente fica batendo na tecla aqui de como cadeirantes, as pessoas que têm deficiência visual,
22:53as pessoas que precisam se locomover, o quesito acessibilidade.
22:58Gostaria de colocar de novo a Bárbara e a Olivia no circuito, porque a gente tem muitos
23:02exemplos aqui da Grande Vitória.
23:04Vocês moram, sim, na cidade de Polo do interior, mas como é que é acessibilidade, mobilidade aí?
23:09Conta pra gente.
23:11Muito difícil.
23:12As calçadas aqui são extremamente furacadas, é muito complicado.
23:17E uma coisa que a gente tem que falar também, não é só a questão de acessibilidade física,
23:21como a Olivia está falando, tem também a questão da acessibilidade comunicacional.
23:26Muitas pessoas que a gente conhece dentro de Polos, não conseguem ir ao médico, porque
23:31não tem tradutor de Libras.
23:33Então, se a pessoa é surda, ela não consegue se comunicar, porque não tem tradutor pra ela.
23:38Então, é uma luta também, a gente aqui no povo, se a gente tá com duas, a gente tem
23:42várias frentes de luta, né, mas tem duas que são muito importantes.
23:46Colocar tradutores de Libras nos prédios públicos, nos lugares públicos, nos médicos
23:52pra ajudar as pessoas com deficiência auditiva.
23:55E também os prédios públicos, que os prédios que a gente mais precisa, igual, de tirar
23:59a identidade da Olivia, pra ter acessibilidade.
24:02Porque não tem os prédios públicos, onde a gente precisa tirar a documento de cachoeira,
24:06infelizmente, eles não são acessíveis.
24:09Agora, a Bárbara e a Olivia, vamos lá, a liberdade, dizem o seguinte, nós estamos
24:13falando de cachoeira, falamos de muitos municípios da Grande França, e na Barra do Jucu,
24:16como é que é a acessibilidade lá pra você que é cadeirante, Fábio?
24:19O que que é isso?
24:21Eu vou repetir a pergunta e você reforça a sua resposta.
24:26Na Barra do Jucu, pra você que é cadeirante, como é que é a acessibilidade, mobilidade
24:32pra você?
24:33Repete agora pra gente, Fábio.
24:34O que que é isso?
24:35O que que é isso, gente?
24:37Não tem?
24:37Não, nenhuma.
24:39Nenhuma.
24:41Rua, prelepípedo, toda desburacada.
24:44Ah, vou te dar um exemplo.
24:45Olha pra rodinha da minha cadeira aí, da frente.
24:48Isso.
24:48Rua.
24:49E não é falta de reivindicar, de solicitar, de pedir, de implorar, não é isso, Fábio?
24:53Não.
24:54Rapaz, o tal do cadeirante sofre.
24:57Não só o cadeirante, né?
24:59Não, não só o cadeirante.
25:00Tô botando o cadeirante...
25:00Tô mostrando aonde é que tá o desgaste aí, mostra a cadeirinha dele, como é que tá
25:04toda estrupiada a roda aí, ó.
25:06Barra do Jucu, pra você, ó.
25:08Olha aqui, tudo solto.
25:08Entendeu?
25:09Meu Deus do céu.
25:10Não tem, não tem sensibilidade nenhuma.
25:13Não tem calçada, a rua, calçada toda quebrada, não tem rampa direito, não tem...
25:18E o município de Vila Velha tem um conselho da pessoa com deficiência?
25:22E não...
25:23Nada, nada.
25:27Eu acho que eu...
25:29Como eu já falei várias vezes, eu já pedi, quer dar uma volta de cadeirante roda aqui
25:34na Barra do Jucu?
25:35Pra ver se consegue andar?
25:37Ninguém quer.
25:39Entendeu?
25:40Mas se você olhar lá, o centro da Barra do Jucu, hoje algumas ruas estão fazendo,
25:45botando pra VS.
25:47Entendeu?
25:47Mas não são todas ainda.
25:51Paralepípedo todo aberto, assim, todo, né?
25:56Desnivelado todo.
25:58Mas não tem que pedir, né, gente?
26:00A Paula quer advogar.
26:01Não tem que pedir, gente.
26:04A Paula abriu o programa de hoje falando, é lei, é direito que eles têm.
26:10O gestor tem que cuidar.
26:12Você viu que a minha pergunta foi pro Fábio?
26:14E a pergunta tem que ser estendida pra Edith, também pro Manuel, porque a gente fica pedindo.
26:22Ó, na minha comunidade, vamos melhorar.
26:24Aqui é a calçada cidadã.
26:25Você viu que Bárbara e Olivia disseram.
26:27Não é só isso.
26:29Quando um cadeirante ou um portador de necessidade está chegando num prédio público, numa loja,
26:37tem que ter uma comunicação especial pra ele também.
26:40Entendeu?
26:40Não é só a questão física.
26:42E lá na Barra do Jucu não tem nem a questão física.
26:45Edith, só chamar a Edith.
26:46Edith, quais são os principais desafios pra você que não enxerga?
26:52Em questão da acessibilidade, são todos.
26:55Então vai lá, vamos tentar resumir esses todos aqui, só os pontos específicos do
26:59sofrimento diário, do desafio diário que você tem.
27:04Calçadas, todas estrupiadas, uma mais alta, outra mais baixa, você não sabe onde andar.
27:12Carros parados, que às vezes a gente vai na beira da rua, porque a calçada está quebrada,
27:18mas os carros estão cheios.
27:20Eu sou do município da Serra, peço aí pra prefeitura olhar mais pra gente, porque está muito ruim estar andando
27:29na Serra.
27:30Você não consegue ser independente e nós precisamos, porque eu tenho três filhos e eu preciso levá-los à escola,
27:38trazer, ir trabalhar, voltar.
27:40E a acessibilidade da Grande Vitória não está muito diferente de Cachoeiro, não.
27:47A acessibilidade realmente, a gente pergunta o que é isso, porque não tem.
27:54Não adianta só o Instituto Braille, com toda a competência, capacitar a Edith, o Manuel que está aqui,
28:04se um cara me para um carro numa calçada.
28:07Você tem noção do que a Edith falou aqui?
28:10Gente, não adianta.
28:12Ela é um ser humano mais competente que eu e você, que está acompanhando aí.
28:17O Manuel que está aqui, o Fábio também.
28:18Mas não basta só isso, ter alguém, um cara que sem educação, sem senso de civilidade,
28:26que para o carro na calçada, onde ela precisa passar, para levar as filhas para a escola, para o dia
28:31a dia.
28:32Inacreditável que nós estamos falando que estamos em 2023 e as pessoas continuam se comportando assim.
28:37Vai lá, Paula.
28:38É isso aí.
28:39Essa questão é a falta de autonomia que as pessoas com deficiência acabam enfrentando
28:44por falta de respeito da nossa sociedade.
28:47Agora, Fulia, segura aí um pouquinho.
28:49Opa!
28:50Só para a gente conferir e ilustrar isso que está todo mundo falando aqui.
28:53Vamos conferir uma reportagem sobre essa dificuldade de deslocamento, né,
28:57em ambientes urbanos para as pessoas que têm algum tipo de deficiência.
29:01O Cláudio é totalmente cego.
29:03Mesmo assim, pega três conduções todos os dias para trabalhar na Laramara,
29:08Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual.
29:12Pega o ônibus, metrô, trem, são três transportes para chegar até aqui, para voltar a mesma coisa.
29:19No trajeto, Cláudio encara ruas desniveladas, cheias de buraco e sem rampas de acesso.
29:25Os acidentes são comuns.
29:27Já caí dentro do bueiro.
29:28Ele não conseguiria chegar até o trabalho sem contar com o apoio de pessoas que estão próximas,
29:34o que nem sempre acontece.
29:36Atravessar uma avenida, entrar na porta certa do metrô, do trem.
29:41Às vezes não tem funcionário.
29:42Às vezes os funcionários não vêm e todo mundo vai embora e a gente fica ali sozinho.
29:46Dificuldades que desafiam muita gente.
29:49De acordo com dados das Nações Unidas,
29:51um bilhão de pessoas do mundo têm algum tipo de deficiência física ou intelectual.
29:5780% vivem em países em desenvolvimento, como o Brasil.
30:01Segundo o IBGE, pelo menos 45 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência,
30:08o que representa quase 25% da população.
30:12Pessoas que muitas vezes são impedidas de frequentar locais públicos, como estádios de futebol.
30:18Foi o que aconteceu com o torcedor do Bragantino,
30:21que comprou ingresso no setor com acessibilidade para assistir ao jogo contra o Corinthians.
30:26Ele acabou sendo barrado.
30:28A denúncia foi feita por uma sobrinha do cadeirante pelas redes sociais.
30:32O clube se manifestou, lamentando o ocorrido,
30:35e disse que já entrou em contato com o torcedor e espera recompensá-lo de alguma forma.
30:41Embora a acessibilidade seja prevista por lei,
30:44a maior parte dos locais está longe de ser, de fato, acessível.
30:49A nossa legislação é muito farta, muito diversificada e que traz inúmeros direitos.
30:56Entretanto, ela não é efetivada, ela não é cumprida.
31:00Está vendo aí?
31:02Precisamos dar mais atenção, respeitar a legislação vigente e respeitar as pessoas com deficiência.
31:09Agora, ainda nessa mesma pegada, vamos ouvir um depoimento que o meu amigo querido Vanderson,
31:15presidente da Federação das APAES do Espírito Santo, mandou para a gente.
31:19Olá a todos, quero primeiramente agradecer o convite.
31:23É um prazer participar do programa e debater um tema tão importante quanto o da acessibilidade.
31:29Quando a gente fala de acessibilidade, quase sempre a gente é levado a pensar
31:34sobre a ausência ou não de rampas, de elevadores, né?
31:38Ou seja, aspectos referentes ao uso dos espaços físicos por pessoas com deficiência
31:43ou algum tipo de mobilidade reduzida.
31:46Mas essa é uma visão um pouco restrita.
31:48É preciso pensar de uma forma um pouco mais ampla sobre a acessibilidade.
31:53A acessibilidade, na verdade, é romper toda e qualquer barreira
31:57que impeça ou dificulte a plena participação das pessoas com deficiência
32:01nos vários âmbitos da vida social.
32:05Portanto, ela é uma condição fundamental e caminha de braços dados
32:09para qualquer processo de inclusão social efetivamente concreto.
32:14E ela se apresenta com múltiplas dimensões,
32:16incluindo aquelas de natureza física, né?
32:19Como a questão das rampas,
32:20mas também atitudinais, tecnológicas, informacionais, comunicacionais,
32:25linguísticas, pedagógicas, entre outras tantas, né?
32:29Então, nesse sentido, a acessibilidade e a inclusão social,
32:32elas estão intrinsecamente ligadas,
32:35elas caminham de mãos dadas e devem caminhar de mãos dadas, né?
32:37Nós não vamos conseguir construir uma sociedade efetivamente inclusiva
32:43se a gente não conseguir derrubar os muros materiais ou simbólicos, né?
32:48Que relegam essa parcela da população a uma existência ainda muito precária
32:52que desqualifica suas possibilidades, seus potenciais de desenvolvimento
32:58e sua autonomia, que é o mais importante.
33:01Essa é uma luta ainda em curso, é uma discussão permanente.
33:05A gente tem avançado bastante, eu penso, nessa temática ao longo das últimas décadas, né?
33:10O Brasil é signatário de tratados internacionais importantes,
33:14nós temos legislações extremamente modernas e de vanguardas no Brasil,
33:19como a Lei Brasileira de Inclusão,
33:20mas ainda temos uma distância muito grande entre as normativas legais
33:25e as políticas públicas efetivas para dar conta dessas normativas legais, né?
33:30Por isso a gente diz que a luta, ela é contínua,
33:33para que de fato a gente possa construir uma sociedade acessível, inclusiva,
33:38pautada na cultura da diversidade, no respeito às minorias e nos respeitos às diferenças, né?
33:44Nós temos pautado esse debate lá na Federação das Rapazes,
33:48todo o nosso espaço é acessível,
33:51levamos nosso informativo mensal para o digital,
33:54justamente para que ele pudesse ser acessível com libras, com legendas, né?
33:58Nós não fazemos nenhuma comunicação que não possua libras ou descrição, né?
34:03Acho que são alguns princípios que nós cultivamos
34:06e que precisam ser fortalecidos e precisam ser cobrados para todos os espaços,
34:12sejam eles espaços públicos, espaços privados,
34:15para que efetivamente a gente construa, como eu falei,
34:18um ambiente acessível e inclusivo a todos,
34:22e que todas as pessoas com deficiência possam usufruir de todos os ambientes
34:28e estar onde precisa estar.
34:31Bacana.
34:31Que esclarecedor, hein?
34:33Ele é ótimo.
34:34Obrigado ao nosso Anderson aí,
34:36porque a lei existe, ela só não é cumprida.
34:38Olha que absurdo, gente.
34:39É cumprida em parte, né, Fri?
34:41Porque na verdade a gente precisa...
34:42Eu não vou querer também ser um crítico,
34:44a crítica pela crítica.
34:46Existe a lei em parte, mas assim,
34:48o que a gente conversa com o Fábio, com a Edith e também com o Manuel,
34:55é que é o seguinte, conta aí o exemplo da árvore aqui,
34:58conta para nós aqui, Manuel, como é que são as árvores aqui, Vitória?
35:01A maioria das vezes as árvores estão posicionadas de forma um pouco,
35:07vou só avisar, inadequada,
35:10porque as árvores, ela vem e faz esse processo.
35:12A bengala passa e indica que está tudo ok,
35:17mas essa parte que fica na direção da cabeça,
35:19ou até mesmo no peito da pessoa que está passando,
35:22e aí você acaba batendo nessa árvore.
35:26Eu sei que existe vários processos para que isso ocorra,
35:30mas acredito eu que em primeiro lugar é o ser humano, né?
35:34A Edith vai falar agora que ela também tem um detalhe com os postes,
35:39de um esposo dela que também é deficiente visual e é alto.
35:43Conta o case para a gente aí, Edith.
35:46Às vezes a gente passa e passa a bengala e você passa, vai tranquilamente.
35:53Daqui a pouco, o meu esposo tem 1,90,
35:58e ele bate a cabeça lá no alto e ele fica muito bravo,
36:03porque as pessoas não olham para esse motivo e falam assim,
36:06ah, mas é muito alto, ninguém vai passar ali.
36:08Não, gente, nós cegos, nós somos altos também,
36:11temos altura, apesar que eu não tenho,
36:15mas existe, né?
36:16A gente tem que pensar no que está no alto,
36:18não só o que está no chão,
36:20porque nós precisamos ser independentes.
36:22Edith, no ar aqui, ó, está lá a imagem do seu esposo,
36:25mandando bem, ali é um banjo?
36:27Um banjo.
36:28Um banjo, no primeiro momento achei que ela não cava aqui.
36:30E os dois herdeiros lá?
36:33Isso.
36:33Quais os nomes? Fala pra gente, Edith, estão na tela da TV agora.
36:36Manda beijo, manda beijo, é o momento.
36:38Beijo, amo vocês.
36:41Aí você não me faz chorar,
36:42porque essa aí é minha família, é minha preciosidade.
36:45Fala o nome do seu amor lá, do banheiro.
36:46Meu esposo, chama Glauco Silveira.
36:48Esse é um vídeo que está no canal do YouTube dele, né?
36:53Se eu puder aqui falar.
36:54Pode?
36:55É, canal Cavaquinho e Percussão com Acessibilidade.
36:58Meu esposo, ele é músico, muito talentoso também,
37:02tal qual o nosso amigo Manuel aqui.
37:04É isso.
37:05É, esse, o pequenininho é o meu de 5 anos, o Gutierre.
37:10E o maiorzinho é o Gustavo.
37:13E o que está na câmera, né?
37:15Uma hora, no início do vídeo ele aparece.
37:17Tem 16 e é o Guilherme.
37:19São as minhas preciosidades.
37:21E no Rio eu tenho dois de coração,
37:23que são meus enteados, filhos, o Lucas e a Daiane.
37:27Não estão nesse vídeo.
37:28Mas assim, eu e ele, a gente enfrenta barreiras, né?
37:35Mas estamos aí com a nossa família, né?
37:39Nesse vídeo, inclusive, nós estamos cantando um louvor.
37:41Te agradeço pela minha família, porque a nossa família tem que ser a nossa base,
37:47a nossa luta diária.
37:49A gente tem que estar lutando por eles.
37:51É o que fortalece, né?
37:52É o que fortalece, exatamente.
37:54Agradeço muito a minha mãe pelo que eu sou hoje.
37:57Mas, infelizmente, não a tenho mais.
37:59Perdi ela o ano passado, em março.
38:02Mas ela que lutou muito por mim.
38:05Muito mesmo.
38:06Ó, as suas...
38:08Dá a mão aqui.
38:09Vamos dar a mão.
38:10Nós treinamos todo mundo.
38:10Dá a mão aqui.
38:12Ninguém solta a mão de ninguém diante de qualquer que seja emoção.
38:15Tá vendo aqui?
38:15Ela tá emocionada, que ela falou da família linda dela.
38:18São três filhos e dois enteados.
38:20E ela falou de muito amor,
38:22porque a sua mãe deve ter sido, assim, fundamental em tudo que você viveu.
38:26Estamos emocionados por você aqui.
38:28Então, ó, deixa essa emoção fluir,
38:30porque em algum lugar ela sabe desse amor seu.
38:33Edith tem uma história, Fuli, muito interessante.
38:36Edith chegou no Instituto Luiz Bralho do Espírito Santo
38:39e ela não caminhava sozinha.
38:42Não.
38:43E Edith, juntamente conosco,
38:46eu fui uma das primeiras pessoas que auxiliou a Edith pra andar,
38:51participamos de esporte, juntas, correndo.
38:53Nós somos atletas, Edith também.
38:56Que legal.
38:56E nós viajamos juntos.
39:00E o mais interessante é que a mãe dela
39:01confiou a mim a responsabilidade de tomar conta dela, sem ver.
39:08Ele chegou lá em Fundão e pediu a minha mãe permissão.
39:12Eu falei assim, mas ela não vai deixar,
39:14porque minha mãe não queria que eu andasse sozinha.
39:16Falei, minha mãe não vai deixar, porque você também é deficiente visual.
39:20Ele, não, eu vou lá.
39:22E nós fomos.
39:23E ele sentou com ela, com esse carisma que ele tem, né?
39:26Ele é meu amigo.
39:27Esse tipo de voz, esse tipo de voz diferenciado que esse homem tem também.
39:31É, sentou com ela, fez café, ela fez bolinho de chuva pra ele.
39:34Falei, pronto, ganhou.
39:36E ele deixou eu viajar.
39:38E esse é o nosso trabalho, Ofoli, no Instituto Luiz Braide do Espírito Santo.
39:43Tá junto com a pessoa com deficiência visual.
39:46E ela aprendeu a locomoção, se tornou atleta, competiu.
39:50Hoje trabalha, é representante, vende cosméticos e etc e tal.
39:56E ela é professora também do sistema Braile.
40:02Que legal.
40:03Dá aula no Instituto Braile, que é o nosso papel também,
40:06está ensinando o sistema Braile pra pessoa com deficiência visual.
40:11E a gente tem feito esse papel pra auxiliar a pessoa e mostrar que ela pode caminhar,
40:17ela pode estar no dia a dia.
40:19Pode falar, Paula, eu senti que você queria falar.
40:21Eu ia te perguntar.
40:22Eu olhei nos seus olhos.
40:24Eu queria saber como é que o Instituto Braile, ele se mantém.
40:27Porque as instituições do terceiro setor têm essa dificuldade.
40:30Vocês já estão aí há mais de 80 anos.
40:33Exatamente.
40:33Nós agora vamos completar sete décadas, né?
40:38E o que que acontece?
40:39O Instituto Luiz Braile do Espírito Santo, ele é mantido por pessoas voluntárias
40:44que se propõem a ajudar o Instituto, né?
40:47Nós somos uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos.
40:52E contamos com a sua solidariedade.
40:55Você que queira ajudar o Instituto, você seja pessoa comum, parlamentar,
41:02enfim, você pode estar ajudando o Instituto também nos nossos projetos.
41:06Isso aí, Manoel.
41:07Olha no fundo dos olhos do pessoal que está em casa.
41:10E na tela que está em casa aí, está aparecendo agora os contatos para você ajudar o Instituto Braile
41:16que muda a vida das pessoas.
41:19Muda, transforma.
41:20Muda, transforma com muita competência.
41:23Você, com essa voz retumbante, diferenciada, faz a convocação agora, vai lá.
41:28Você pode ajudar o Instituto Braile através das nossas redes sociais.
41:37Podem marcar e nos fazer uma visita.
41:41Crianças, pessoas têm começado a caminhar.
41:46Eu peguei crianças lá no Instituto que não conseguem andar.
41:49E através do nosso trabalho que nós realizamos lá, ele tem essas facilidades.
41:55Podem, no seu dia a dia, estar praticando as suas atividades.
42:01De lá já saiu advogados, comunicador, que sou comunicador, trabalho no rádio também.
42:07Tem um canal, o Fuli no YouTube.
42:09Fala pra gente.
42:10Chama-se Amigo Manuel.
42:13Acesse lá, por gentileza.
42:15Hoje nós temos uma dificuldade muito grande, que muitas pessoas acessam o canal e não se inscreve.
42:20Inscreve, que a gente precisa monetizar esse canal.
42:23Deixe o seu like.
42:25Deixe o seu like.
42:26Inscreva-se.
42:27Aciona o sininho.
42:27Amigo Manuel.
42:28Amigo Manuel.
42:31Ele tem uma música do canal.
42:32Amigo Manuel, fazendo a diferença na comunicação.
42:36Gente, eu não aguento o Fuli, pelo amor de Deus.
42:38Gente, eu só vou fazer o seguinte, a gente falou aqui em vários momentos das mães.
42:43A gente se emocionou, tenho certeza que a mamãe também do nosso querido Manuel, o Fábio,
42:49enquanto o papai do céu permitiu que você tivesse, a mãe dele recebeu o seguinte diagnóstico,
42:54leva esse menino pra morrer em casa.
42:55A Bárbara e a Olivia estão no circuito porque é o seguinte, o mais importante é que existe
43:01uma mola propulsora de amor na sociedade chamada mãe.
43:05E as duas nos disseram que o Mova-se parte justamente dessa mola propulsora desse amor chamado
43:15mãe.
43:16E essa repercussão desse amor, ele tem crescido, que você já falou de 13 mil pessoas, não
43:22é isso?
43:23No Instagram.
43:23O que mais vem aí do Mova-se pra nós?
43:26Bárbara e Olivia, fiquem à vontade pra inundar isso aqui de amor.
43:31Conta aí pra nós.
43:33O que que vem, Mova-se esse ano?
43:35Ai, meu Deus, o que que tem que não virar?
43:40Olha, o nosso projeto desse ano, como a gente vem de uma pandemia, né, e do retorno das
43:47atividades, então nosso passo é montar a nossa sede, é instalar, é promover mais ações
43:55pra chamar mais a sociedade cachorrense, né, pra juntar, pra somar pro projeto e é dar
44:03continuidade ao que vem dando certo, assim.
44:06Fuli, essa coisa da mãe, né, programa passado a gente viu um projeto pautado pra fomentar
44:12o trabalho das mães, hoje de novo, mães, tal da mãe tem um superpoder, né?
44:17Se não fosse o amor das mamães, eu falo isso, a minha já tá com 80 anos, a dona Cecília,
44:23o apelido dela, a dona Ciroca, que faz um pão de queijo, um pudim.
44:27Você pode trazer pra redação, tá?
44:28É, toda vez eu falo isso, o problema é que ela vai virar amiga de infância de nós,
44:32a com 80 anos vai ligar, Manoel, você tá querendo aí um pudim, Edith, Fábio, lá na
44:37Barra do Jucu, ela é sensacional.
44:40E vou dizer o seguinte, as mães efetivamente brigam, lutam pela causa, são as mães que
44:48falam, ó, você vai conseguir, quando o mundo todo, o universo conspira contra, a mamãe
44:55fala assim, vamos lá.
44:56Você quer conhecer um cara que também é um exemplo, é um cara que se superou, é um
45:02cara eficiente na vida?
45:05Você tava precisando também de inspiração, depois de conhecer um pouquinho mais da história
45:09do Fábio, da Edith e do Manoel, a gente vai chamar quem?
45:13Fala o nome dele aí.
45:14O Leno, que não gosta de ser chamado de seu Leno.
45:17Exatamente, chamou de seu Leno, ele chia mais do que gato com asma.
45:20Manda ver o diferencial desse cara na vida da gente, vai lá.
45:25Eu fico imaginando nós dois.
45:31Já confirma o dito popular, quem canta, seus males espanta.
45:36O nosso personagem Leno tem na música e na poesia muito mais, essa alegria de viver que
45:42vem da grande inspiração chamada superação.
45:47Nós estamos aqui no bairro Novo Horizonte, na Serra, na casa do Leno.
45:51E o que a gente vê na rotina dele é um ser humano eficiente, muito eficiente.
46:06Pai de quatro filhos mora atualmente sozinho, sendo que um filho sempre vem lhe dar suporte.
46:12Mas o Leno é aquele sujeito independente.
46:15Lavar, cozinhar, se virar nas atividades diárias, mesmo numa cadeira de rodas.
46:20Essa é a sua marca registrada.
46:22É exemplo para muita gente que anda reclamando da vida.
46:26Se tem uma coisa que tira o seu Leno do sério, é a falta de projetos para que a pessoa
46:31com necessidades especiais
46:33tenha a garantia de mobilidade.
46:36É porque eles não precisam.
46:37Você vê que tem um deputado, um senador que corre atrás de alguma coisa porque tem uma filha com problema.
46:43E a senadora que foi acidentada, ela corre atrás porque eles precisam.
46:48Mas, no geral, não precisam.
46:50A gente vai ver isso na prática.
46:53Aqui, por exemplo, é um lugar que eu não consigo acessar devido aos degraus.
46:58E outros tantos lugares, como, por exemplo, ir ao dentista, que geralmente é no segundo andar.
47:05Eu só posso ir no primeiro.
47:07Eu tenho algumas dificuldades aqui.
47:09Algumas rampas dão para subir, outras não.
47:11Aqui, por exemplo, é impossível.
47:15Não tem jeito.
47:16Então, eu tenho que ir pela rua, encarar os carros mesmo e andar junto porque não tem outro jeito de
47:22passar.
47:23Pegar um ônibus para o seu Leno é sinônimo de falta de respeito.
47:28Vamos entender melhor.
47:30Uma das grandes dificuldades que eu tenho de andar de ônibus é que agora, principalmente, que só tem o motorista,
47:37e o espaço é muito pequeno.
47:39Então, eu tenho que subir na rampa e fazer uma manobra.
47:43Se o ônibus estiver muito cheio, não dá para fazer a manobra.
47:47O pessoal fica impaciente.
47:49Então, é melhor nem ir de ônibus.
47:52Quero não ir de ônibus porque é difícil.
47:55A acessibilidade está prevista em lei.
47:58É dever das prefeituras, governos estadual e federal.
48:02É um direito do Leno e de outros milhões de brasileiros e brasileiras.
48:11Quem mais?
48:13Terminou de escrever um livro e iniciou um curso de psicanálise.
48:18É um homem que insiste em não desistir.
48:22É o Leno.
48:23Quando a vida apresentou obstáculos, tudo isso fortaleceu esse cara.
48:28É, enquanto a lei não é devidamente cumprida para melhorar a vida dessas pessoas,
48:33o Leno tem na música a sua maior resistência e fazer da sua vida uma vida com eficiência.
48:41Se eu me interessar por alguém, o problema fica dentro da sua cabeça.
48:47Você acha que alguém está vendo aquilo como problema, mas de repente a pessoa não está nem...
48:51Você fica se culpando, não vou fazer isso porque alguém vai pensar isso.
48:56É só fazer, quer sair e resolver.
49:01Já imaginou que ele tem aquela chamada cadeira motorizada?
49:06Nós temos aqui o Fábio, que está aqui com a cadeira dele, que é a chamada cadeira tradicional, né?
49:13A cadeira normal.
49:14E aí, gente, na imagem ali, para vocês que estão em casa e para quem está aqui no estúdio,
49:19ele consegue até acessar aquela rampinha do ônibus, mas lá dentro ele não consegue se locomover.
49:24Não consegue manobrar.
49:25Ele mora na serra e não tem a calçada para ele, Edith e Fábio, hein, o Manuel?
49:32Então, assim, ele tem todas as condições, ele se programou, ele é músico, é escritor, é poeta,
49:40mas ele não consegue se locomover, gente.
49:44Eu queria ter uma palavrinha do Fábio, da Edith e do Manuel com mais um exemplo,
49:51que vem ratificar o que vocês vivem.
49:54Começa com você, Fábio.
49:56Bom, você falou das rampas de ônibus aí, por exemplo.
50:00Quando funciona é legal, quando não funciona...
50:03Ah, tem um dia que não funciona também.
50:05Tem, eu já vi que eu te fiz dentro do ônibus que eu já vi.
50:09Rapaz, uma vez ela sumiu comigo, mas não quis voltar para poder...
50:13E aí?
50:14O pessoal te pega?
50:15Como é que é?
50:16Não pega, só só para bater.
50:18Ah, meu Deus do céu.
50:20Que horror.
50:21Na teoria, muito boa, na praça, é diferente.
50:24Quero agradecer.
50:25Fábio, obrigado.
50:26O meu diretor está aqui.
50:28Gente, a gente podia fazer mais uns 10 programas com vocês, que vocês são sensacionais.
50:33Vocês estão educando, dando aula, transferindo conhecimento para a gente.
50:37Manuel, obrigado pela gentileza.
50:38Papai do céu, te abençoe.
50:40E continue sendo esse sucesso que você é, tá?
50:42Um exemplo para nós.
50:43Quero só agradecer pela oportunidade, pedir que vocês conheçam o Instituto Braille,
50:48o meu canal no YouTube, Amigo Manuel, e dizer o seguinte, quando a gente fala de acessibilidade,
50:55como disse o colega, ela é bem mais ampla.
50:57Mas você já pensou, por exemplo, na audiodescrição?
51:03Audiodescrição.
51:03O direito a ir ao cinema, assistir um filme, o direito nos veículos de comunicação,
51:13de escrever as imagens mudas que nós estamos falando.
51:16Procure sobre isso, porque a acessibilidade vai bem mais adiante.
51:23Um abraço, um beijo no coração de vocês.
51:26Que Deus abençoe a todos.
51:27De cada quatro brasileiros, um tem algum tipo de deficiência.
51:32E pode ser você, ou estar ao seu lado, ou estar na sua família.
51:35Se ligue nisso.
51:37Obrigado, Edith.
51:38Obrigado, Fábio.
51:38Eu te agradeço.
51:39Bárbara!
51:43Obrigada, gente.
51:44Obrigada a todos.
51:46Uma breve aqui fala minha.
51:48Eu gostaria de agradecer a todos que fizeram parte da minha infância, da minha vida.
51:55Que eu consegui chegar aqui.
51:58Eu vim de fundão e morei na casa de parentes.
52:00Não vou falar o nome porque, né?
52:02Não posso esquecer de alguém.
52:04Mas obrigada, viu?
52:06A vocês que estão aí em Goiabeiras, que participaram da minha vida.
52:10E hoje, eu sou muito grata a Deus porque vocês apareceram no momento que eu mais precisei.
52:16Obrigada, TV Vitória.
52:17Obrigada pela oportunidade.
52:18Um beijo a todos.
52:19Beijo para quem é de beijo.
52:20Abraço para quem é de abraço.
52:21Cadê a Bárbara e a Olívia?
52:23Ei, Bárbara e a Olívia, obrigado pela aula hoje aqui também, hein?
52:26Super mães, super engajadas nessa causa maravilhosa.
52:30Obrigado, tá bom?
52:32Obrigada, obrigada.
52:33Tchau, tchau, gente.
52:34Vamos aplaudir a Bárbara aqui.
52:36A Olívia aplaudir.
52:38Fábio, Manuel, Edith e a Paula também que nos dá esse presente toda vez.
52:42Ah, e aí no próximo bloco, conta o que é que tem.
52:44Ah, fica ligadinho porque no próximo bloco a gente vai conhecer mais uma história que vai te emocionar.
52:49A inspiradora história de um cabeleireiro sem as mãos.
52:52A gente volta já.
53:15Estamos de volta.
53:17Tá, o programa lindo, maravilhoso que está transformando todos nós.
53:21Pode virar aqui porque a Paula está aqui emocionada.
53:24Eu, você, nós e o terceiro setor.
53:26E falando de coisas importantes.
53:28E tem qual assunto importantíssimo também, inspirador, que você vai trazer agora?
53:32Agora a gente vai conhecer o Gabriel, que nasceu com uma doença rara.
53:36Mas não deixou as dificuldades abalarem a luta para seguir o seu sonho, ser cabeleireiro.
53:50Edward, personagem icônico do cinema, transformou uma limitação em um dom.
54:01Gabriel não tem as mãos de tesoura, mas usa com precisão máquina e até navalha.
54:12Eu peguei numa máquina de cortar cabelo aos 14 anos.
54:16Queria aprender.
54:18Depois deste dia, nunca mais Gabriel largou o equipamento.
54:25Eu comecei cortando o cabelo do meu irmão.
54:28Um amigo da escola viu e também quis.
54:31Aí veio outro amigo.
54:32Eles foram curtindo e começaram a surgir clientes e mais clientes.
54:37Com os chicos da escola também.
54:39Criado num bairro de classe média baixa de Buenos Aires, capital argentina,
54:44Gabriel nasceu com uma doença rara chamada síndrome de Reinhardt.
54:48Uma doença congênita, onde a pessoa pode apresentar ausência completa ou parcial de braços, pernas ou dedos.
54:55Gabriel não tem os antebraços.
54:58E uma perna é mais curta que a outra.
55:00Repare que ele usa uma prótese para deixar as duas pernas do mesmo tamanho.
55:06E como aprendeu tão rápido, mesmo com toda a limitação?
55:10Ele tem a resposta na ponta da língua.
55:13O talento caiu do céu.
55:17O Max agora está acostumado a cortar o cabelo com o Gabriel.
55:21Mas na primeira vez...
55:25No começo eu tive medo, mas encarei.
55:28Quando ele começou a cortar, eu me surpreendi, viu?
55:32Gostei muito.
55:34Para poder abrir seu próprio salão, Gabriel teve que se especializar.
55:39Fez curso para ser um profissional.
55:41Hoje tem três barbearias.
55:44Todas aqui em Buenos Aires.
55:47A vizinhança tem orgulho do jovem cabeleireiro.
55:51A Alicia é dona desta mercearia e casada com um brasileiro.
55:55Ela diz que fica encantada com a determinação do rapaz.
55:58Para mim é um exemplo de vida.
56:01Tamanho esforço foi reconhecido.
56:03A história de Gabriel já foi parar em programas de TV da Argentina.
56:06E ele participou até como jurado de reality shows.
56:11Ele dá cursos na Argentina e no exterior.
56:15E a fama do Gabriel Mãos de Navalha atrai cada vez mais clientes.
56:22Eu cortava em outra barbearia.
56:24Mas quando vi como o Gabriel trabalhava, resolvi cortar só com ele.
56:28Ele tem mais qualidade que muitas pessoas.
56:32Cara, que bacana, né?
56:34Tá vendo, Fuli?
56:34Quem quer dá um jeito, corre atrás, se vira e faz acontecer.
56:40É isso que a gente quer passar para você.
56:41A Paula falou.
56:42Quem quer.
56:43A vida está aí, ó.
56:45A vida está aí para você.
56:46Claro que eu, você, nós, o terceiro setor, nós queremos falar dessas instituições,
56:52dessas pessoas, dessas organizações que ajudam a promover, que ajudam nessa mudança de vida.
56:59Claro, mas cobrar também para que a legislação que ajude aos deficientes, cada vez mais a legislação possa ser aplicada.
57:07Paula?
57:07Com certeza.
57:08Agora eu faço um convite a vocês que estão aí em casa acompanhando a gente.
57:11Acompanhe o trabalho do Instituto Américo Boaz nas nossas redes sociais, arroba Instituto Américo Boaz.
57:16A gente tem o nosso site também, institutoamericoboaz.com.br.
57:20Obrigado sempre pela aula.
57:22E a gente sempre diz aqui, ó, fazer o bem...
57:25Faz bem.
57:26Quanto mais gente, mais coração quente.
57:28Obrigado você.
57:29A gente se acompanha, a gente se fala, a gente se vê.
57:32Um ótimo domingo.
57:33Tudo bom e tudo bem.
57:33Valeu, Paula.
57:34Tchau, gente.
57:35Obrigada.
57:36Tchau.
57:36Ótimo domingo.
57:44Tchau.