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  • há 3 semanas
Uma senhora foi sequestrada e internada à força em clínica psiquiátrica pela própria filha

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Transcrição
00:00Esse caso é um absurdo, é um absurdo e a gente sabe que é a realidade de muitos idosos que
00:05são vítimas de violência, de maus tratos
00:09e geralmente o agressor tá onde? Quem é o agressor? Tá dentro de casa.
00:14E o idoso nessas horas não tem a quem recorrer. Pra quem que ele vai pedir socorro? Hein?
00:19Vamos falar sobre isso. Aqui no nosso estúdio eu recebo Daniela Sampaio, que é psicóloga e também Laila Freitas, advogada.
00:26Boa tarde, sejam bem-vindas. Eu queria que a gente começasse explicando, a gente mostrou um caso aí, um tipo
00:33de violência,
00:33mas só que a gente sabe que existem várias formas dessa violência, principalmente que a gente tá falando aqui contra
00:40idosos,
00:41várias formas delas acontecer. Vamos fazer um alerta pro pessoal de casa? Como que geralmente começa?
00:46Eu acho que essa daí foi bem explícita e ela acaba sendo um pouco mais fácil de ser reconhecida.
00:52Tem as violências silenciosas, né? Que acontecem muito. Tanto a violência psicológica, quanto a violência financeira.
00:58Quando eu trabalhei com uma pessoa idosa, eu lembro que era a mais comum e a mais difícil, porque o
01:02idoso, por vezes, nem se dá conta.
01:04Então, assim, ele nem sabe que ele tem direito a um benefício, que ele tem algum cartão e aí o
01:09filho, enfim,
01:10alguém que tem contato com ele fica com esse dinheiro, né? Então, são vários tipos de violência.
01:14A gente fala aqui, Roberto, com muita frequência sobre a importância da rede de apoio, porque você disse bem, assim,
01:20pra quem que esse idoso vai pedir ajuda, né? E a gente pôde ver na entrevista que é uma pessoa
01:24lúcida.
01:25Eu fiquei pensando também como que uma clínica recebe essa pessoa e sem fazer uma avaliação,
01:30porque ela não tem indícios de que precisaria estar internada. Então, como que a clínica aceita também?
01:36Então, a gente tem que estar sempre atento, enquanto sociedade, a essas pessoas que ficam mais isoladas, né?
01:41O idoso, ele tende a ficar mais isolado dentro de casa. Então, eu penso que a gente, enquanto sociedade,
01:47tem responsabilidade também, né? De perceber que o idoso não tá saindo tanto.
01:50Cadê o fulano que vinha aqui na rua? Eu não tô vendo mais.
01:54Se ele realmente sumiu, como essa idosa sumiu, no sentido de que não aparecia mais, né?
01:58Cadê ela? Procurar saber. Eu penso que todos nós temos essa responsabilidade.
02:03Com certeza. Daqui a pouco, inclusive, a gente vai falar como que a sociedade pode e deve denunciar.
02:08Mas antes, doutora Laila, explica pra gente o que diz o Estatuto do Idoso, né?
02:13Quando a gente pensa assim, ah, que a gente precisa, é muito importante, né?
02:17A gente retribuir, pensar no amor de quem cuidou da gente a vida inteira.
02:22É o mínimo que a gente deve fazer, né? E o que diz o Estatuto?
02:25Realmente. O Estatuto do Idoso, ele é fundamental, assim como o da criança e adolescente,
02:30porque ele traz os direitos também do idoso e as penalidades para quem cometer qualquer tipo de crime contra um
02:38idoso.
02:39A negligência é um crime, a omissão é um crime, a falta de cuidado é um crime.
02:44É bem o que a Daniela tava trazendo.
02:47Além dos crimes relacionados a utilizar cartão do idoso sem a sua anuência, como ela diz.
02:53É muito comum, tá, Beto? É muito comum o idoso não ficar mais responsável pela sua, gerir as suas rendas,
03:01os seus bens.
03:02E não necessariamente com a sua anuência ou que ele tenha conhecimento de que isso está acontecendo da forma que
03:08está sendo direcionado.
03:10Então, é muito importante que os maus tratos, eles não são apenas físicos, eles são psicológicos, emocionais, físicos, patrimoniais, como
03:19a Daniela mesmo trouxe.
03:21E junto com o Código Penal, nós temos a lei e o Estatuto do Idoso, que garante mais, fortalece os
03:30direitos e as penalidades quando na existência,
03:33não só de idosos como vítimas, mas se forem familiares também.
03:38Isso também é importante, tá?
03:40Então, existe sim a penalização, salvo engano, em casa de sequestro tem agravante por ser familiar, tá?
03:47E a clínica também está completamente comprometida, porque foi o que a Daniela disse, não teve uma triagem.
03:54Geralmente, eles fazem uma triagem para identificar quais são as questões relacionadas àquela pessoa
04:00que está em tese com questões psiquiátricas a serem tratadas.
04:04Ali não aconteceu isso.
04:06Eles simplesmente internaram uma pessoa que estava bem.
04:08A sorte dela é que ela tinha rede de apoio, porque foi a sobrinha dela, se eu não me engano,
04:13que é advogada,
04:15que buscou entender o que estava acontecendo e foi atrás da polícia.
04:18E qual é a pena que a pessoa pode pegar?
04:20Depende muito do que o delegado ou delegada vai direcionar.
04:24Se for sequestro e maus tratos ou cárcere privado, é uma pena aí maior do que de 15 anos,
04:31porque você juntando todas as penas vai ter uma pena grande, tá?
04:35E tem os agravantes também.
04:36E aí, vamos pensar no lado de quem está sofrendo esses maus tratos?
04:41Você imagina aquela tristeza, né?
04:43Acho que o maior desgosto para um pai e para uma mãe é receber qualquer tipo de ofensa ou negligência
04:49daquela pessoa que ela cuidou a vida inteira.
04:52E o que isso vai causando no psicológico desse ser humano, que chega a arrepiar a gente,
04:58parar para pensar nessa possibilidade?
05:01Eu falo que é um dano quase que irreparável, porque você tem razão.
05:05Então, assim, quem tem filho pequeno, não sei, é difícil imaginar.
05:09Você consegue imaginar um filho seu um dia te agredindo?
05:12Provavelmente você não consegue imaginar isso, porque de fato é inimaginável.
05:16Então, ninguém espera passar por isso, ainda mais por aquela pessoa que você tanto cuidou, né?
05:20E eu falo também a importância da gente se preparar, sabe?
05:24Por exemplo, a pessoa quando está grávida, ela vai se preparando para receber aquela pessoa.
05:28E quando a gente sabe que a gente tem um familiar, que é óbvio que se tudo der certo, ele
05:32vai ser um idoso, né?
05:34Se ele não morrer antes, ele vai virar uma pessoa idosa, como todos nós.
05:38E então, a gente precisa se preparar para isso.
05:40A gente precisa entender, preparar a casa, preparar a paciência, preparar a dinâmica da casa, a rotina,
05:46quem vai cuidar, a gente simplesmente, de modo geral, não se prepara.
05:49A pessoa se torna uma pessoa idosa e a gente não tem paciência.
05:52Exato.
05:53Mas os pais tiveram a paciência com a gente.
05:55Isso aí.
05:55Quando a gente era bebê, quando a gente era criança, quando a gente era adolescente,
05:58que a gente deu trabalho para os nossos pais, para os nossos avós.
06:01Então, a gente precisa, o mínimo que a gente tem que fazer é devolver essa paciência.
06:05E um detalhe, ela estava tentando proteger os netos.
06:09Ela não estava fazendo nada de errado, ela simplesmente estava tentando proteger os netos
06:13de uma situação que precisava ser averiguada.
06:15Averiguada, ela fez o caminho correto, acionou quem era necessário administrativamente e juridicamente
06:20para verificar a situação dos netos.
06:22E por isso ela foi penalizada.
06:25Gente, olha só, nós pedimos para a Secretaria de Segurança Pública os números da violência
06:30contra o idoso aqui no nosso estado.
06:32Em todo o ano passado foram registradas 1.797 ocorrências envolvendo lesão corporal,
06:39maus tratos, crimes contra o estatuto e outras ocorrências envolvendo pessoas com mais de 60 anos.
06:45E o que chama atenção é que só agora, em 2023, a gente está falando aqui de janeiro e fevereiro,
06:51dois meses, foram 283 ocorrências.
06:55Agora, tem um detalhe, 283 ocorrências, fora as que não foram registradas.
07:04Porque a pessoa está em casa, vive naquele contexto de amor com o filho, de amor com o neto
07:10e não tem coragem de denunciar.
07:12E às vezes sente vergonha também, né?
07:14Exatamente.
07:14Eu trabalhei no serviço de convivência e aí é um serviço que tem em todo o Brasil, sabe?
07:19E aí, por vezes, no serviço ali, que é um serviço que tem atividade física,
07:23ali naquele momento de descontração é o momento que você consegue identificar uma violência,
07:27onde o idoso, ele desenvolve uma confiança em você e aí ele começa a te contar,
07:33a falar que não, ele não pode sair ou que ele tem que voltar correndo para casa
07:36porque ele é obrigado a fazer almoço, enfim.
07:38Mas o idoso, ele precisa dessa confiança.
07:41E aí ele contava ali, ô Roberto, e às vezes a gente via, quando a gente falava sobre denunciar,
07:46era algo assim, assustador.
07:47Não, é meu filho, sabe?
07:49Ou que não seja filho, é meu, enfim, meu genro.
07:52Mas a denúncia é algo que esse número, eu imagino que ele seja muito maior do que a unidade.
07:57Muito maior, muito maior.
07:57Eu tive um caso onde a idosa, ela era violentada fisicamente e psicologicamente pelo filho.
08:04E ela não admitia de jeito algum realizar a denúncia.
08:08Mesmo que ela estivesse num risco de morte, que estava nesse nível, ela não admitia de forma alguma.
08:15E aí os familiares ficavam completamente perdidos porque queriam respeitar a vontade dela,
08:20mas também sabiam que ela estava num risco muito grande.
08:23Então é uma situação muito delicada.
08:25E é importante dizer que a gente tem a delegacia especializada do idoso.
08:28E o atendimento, ele é voltado para esse tipo de situação.
08:30Já já você vai contar para a gente como que nós podemos fortalecer essa vítima e ao mesmo tempo realizar
08:35esse próximo passo.
08:37Agora, em abril do ano passado, olha só, um caso de violência contra um idoso chocou os moradores da Serra.
08:42Eu lembro muito bem dessa notícia.
08:43O seu Arnaldo Setiba, de 76 anos, ele foi morto com golpes de facão.
08:49Ele teve um desentendimento com o neto, que na época tinha apenas 18 anos.
08:54E aí a briga, gente, infelizmente terminou dessa forma aí trágica, né?
08:58Esse neto, gente, é usuário de drogas e, segundo a família, já havia agredido o avô diversas vezes.
09:07O rapaz está preso, aguardando o julgamento.
09:11E pela internet, a gente vai conversar agora com a Jô Ciara.
09:14Ela é neta do seu Arnaldo e vai contar para a gente como que a família está hoje,
09:2010 meses depois da morte do avô, que na verdade completou ontem, né, Jô Ciara?
09:25Boa tarde.
09:27Boa tarde, Roberto.
09:30Ontem tiveram 10 meses, né, da perda.
09:33E é algo difícil, né, principalmente para mim.
09:38Tá sendo muito difícil mesmo ter que conviver e para cada dia, saber que ele foi brutalmente
09:44assassinado, porque não foi um assassino qualquer, né, foi um neto que basicamente o meu avô
09:51matava o nome dele, né, o meu avô sustentava tanto a mãe quanto os filhos, para ele chegar
09:57a esse ponto.
09:59E a relação deles, como é que era anteriormente?
10:05Sempre foi de violência, sempre foi de agressão, ele sempre agrediu meu avô e assim a gente
10:13tinha as medidas sabidas, ele tomava, ia na polícia, ele estava abolindo ocorrência e
10:19até então não resolvia, porque a mãe dele sempre mostrava a lado de que ele tinha problema
10:23e ficava tudo nisso.
10:24Até que chegou que ele teve a capacidade de dizer que iria matar o meu avô mesmo.
10:30Ele já tinha prometido para o meu avô, uma hora eu vou te matar.
10:33E chegou o momento que ele fez.
10:36Essas ameaças que ele já vinha fazendo, vocês chegaram a acreditar nisso, nessa possibilidade
10:41ou não pensavam que era da boca para fora, Jô Ciara?
10:45Então, a gente nunca acreditou que ele poderia um dia fazer isso, matar ele mesmo, a gente
10:50nunca acreditou nisso.
10:52Por ser neta, a gente sempre viu isso, como diz, né, acontecer na casa dos outros, mas
10:57nunca esperava acontecer na nossa.
10:59Até que chegou o dia que ele ficou falando o tanto que ele fez, mas a gente não esperaria
11:04que ele ia fazer isso mesmo.
11:06Em que momento que acabou o respeito, essa relação de respeito de neto e avô?
11:11O que aconteceu lá atrás?
11:14Ele sempre queria dinheiro, né, porque o meu avô era aposentado e ele sempre queria
11:19dinheiro para usar drogas, ou às vezes queria telefone de meu avô e meu avô não queria
11:22dar, né, e sempre teve essa discussão, aí sempre ficava nisso, ele queria o telefone
11:29e meu avô não dava, queria dinheiro e dava, aí agredia, aí xingava, né, porque a agressão
11:34até então não é só fisicamente, é psicologicamente também, então ele passou por um período
11:39sofrendo agressão psicologicamente, até que chegou um dia que ele agrediu mesmo e foi
11:43da parte da agressão que ele começou a falar que ele iria matar o meu avô.
11:47E qual era o sentimento do seu avô de, infelizmente, se tornar uma vítima, né, assim, diante
11:54daquela pessoa que eu imagino que ele pegou no colo, que ele cuidou, que ele ajudou a
11:59trocar a fralda, acordou de madrugada.
12:02Qual era o sentimento do seu avô depois que começaram essas discussões?
12:06Ele tinha desgosto pelo que estava acontecendo com o neto?
12:09Sim, ele sempre teve, ele sempre falou que queria, inclusive, a mãe retirasse o neto
12:15do quintal, porque a residência era dele, só que ela nunca quis tirar o menino.
12:20Ele sempre ficava nessa e ele sempre pedia, né, que queria que tirasse, porque dali ele
12:26não sairia e no dia que ele faz, dali que só seria morto, que foi como aconteceu.
12:32A família tentou intervir nesse meio tempo e fazer algo pra que pudesse preservar a vida
12:39desse avô?
12:42Assim, da nossa parte, pelo menos da minha parte, da parte da minha mãe, sim.
12:46A gente pediu ele pra ele poder, pelo menos, viajar um pouco, esclarecidamente, mas ele nunca
12:51quis sair.
12:51A mãe do menino, a gente pediu pra poder, que ela tirasse ele do quintal, né, e saia da
12:56residência, só que ela também nunca quis sair, porque ela nunca precisaria que o filho
13:00dela não ia fazer isso.
13:02Deixa eu aproveitar a presença aqui da Laila, que é advogada, tá aqui no nosso estúdio.
13:06Já, já volto a falar com você, Jossiara.
13:08Obrigada, viu, pela sua participação.
13:10Imagino como é que fica, né, pra família reviver todo esse sentimento, né?
13:14Ontem, gente, completou 10 meses da morte do avô da Jossiara.
13:18Laila, ela disse que quem foi lá realizou a denúncia, né?
13:23O que a família deve fazer dali em diante quando percebe que as coisas, nada acontece, né?
13:29E aí?
13:30Muitas vezes, só o boletim de ocorrência não é o suficiente.
13:33Então, o ideal é buscar a Justiça, fazer um pedido de medida protetiva pra esse idoso,
13:41tá?
13:41Que a partir do pedido de medida protetiva deferido, se requer a retirada dessa pessoa,
13:47daquele ambiente, daquele terreno.
13:49E se ele não quiser, o problema é dele.
13:51Vai vir a patrulha, vai vir quem tem que vir pra auxiliar na retirada dele.
13:56E aí, aquele idoso vai ficar numa situação de segurança.
13:58Então, medida protetiva pro idoso, foi deferida, autorizada no caso, pede o acompanhamento da
14:06polícia militar pra que seja retirado daquele mesmo espaço.
14:09É isso.
14:09E a família tenta intervir, tenta ajudar de alguma forma e não sabe como.
14:14Ah, a gente tenta tirar o idoso do lar, mas é a casa dele, ele nasceu, cresceu, foi criado
14:20ali, o terreno é dele, é do avô.
14:22Como é que faz pra convencer o idoso, Dani, de que aquele ambiente não é mais seguro
14:28pra ele?
14:30É tão difícil, né, Roberta?
14:31E você pode ver que a entrevistada falou assim que ninguém acreditava que ele ia fazer
14:35isso.
14:35Imagina um avô, né?
14:36Eu penso que ele também nunca imaginou que isso pudesse acontecer de fato.
14:41Às vezes pensava que era uma briga, né?
14:42Que é só um estresse, mas que vai passar.
14:45Então, eu penso que realmente, assim, conversar com essa pessoa, claro, é o único caminho,
14:51fazer a força não vejo como um caminho adequado, mas eu não sei como essa pessoa reagiria
14:58com essa conversa, visto que ela não imaginaria que isso pudesse acontecer.
15:02E visto que o neto era super violento já.
15:06Então, é uma situação que se você não busca medida protetiva, você não consegue
15:11resolver.
15:11E interessante que, assim, nesse caso, né, e em alguns casos tem a dependência química,
15:17que tem essa alteração do juízo de realidade, mas de modo geral, ainda que sem a dependência
15:22química, as pessoas estão muito intolerantes, né?
15:24Muito.
15:24A gente já falou isso aqui uma vez, assim, eu não sei ouvir não, sabe?
15:27As pessoas não estão sabendo ouvir não, elas não estão sabendo.
15:29Por exemplo, eu quero o seu dinheiro e pronto, acabou.
15:31Você tem que me dar.
15:33Então, a gente precisa repensar isso.
15:35Às vezes as pessoas falam assim, ah, a televisão tem falado de assuntos muito difíceis, mas
15:38eu acho que é o nosso papel.
15:39Exatamente.
15:40Porque a gente, eu enquanto profissional da saúde, você enquanto profissional, você
15:43enquanto comunicadora, eu penso que a gente precisa falar desses assuntos.
15:46Com certeza.
15:46Porque um idoso que talvez esteja assistindo agora pode pensar, olha, então, eu tenho
15:50um caminho, né, eu tenho algo a se fazer.
15:51Ou a filha desse idoso, né, que está acontecendo.
15:54Olha só, a Maricida Borges fala exatamente o que você disse agora, Dani.
15:57A falta de educação, cuidados e amor pelos idosos estão comum, muito triste.
16:02E, ó, aqui em Vitória, um outro caso chamou a atenção dos moradores do Bairro República.
16:07A violência foi contra uma mulher de 61 anos.
16:09Um jovem de 29 anos foi preso por bater na mãe.
16:14Gente, que absurdo.
16:15Bateu na mãe.
16:16Ainda cortou o cabelo dela, gente.
16:18Segundo a polícia, a idosa contou que o rapaz estava muito alterado e deu socos e chutes nela.
16:24O filho foi levado pelos militares ao plantão especializado em atendimento à mulher de Vitória.
16:29Em defesa dele, olha aí, ó, em defesa dele, gente, a mãe disse que o rapaz tem transtorno mental.
16:37É difícil, né?
16:39Seja o que está por trás disso, seja a droga, seja o transtorno mental, seja lá o que for.
16:45Quando tem transtorno mental, aí que a mãe teve mais amor e carinho ainda, né, mais paciência ainda
16:52dá para cuidar e depois que cresce a gente vê tudo isso acontecendo.
16:56Como que então, Laila, como que a mãe, às vezes demora a ter essa consciência, né,
17:03mas como que a própria vizinhança pode fazer para ajudar nessa denúncia?
17:11Denunciar é o mais importante em relação aos vizinhos, às pessoas em volta.
17:15A mãe, eu não sei do caso, mas o importante seria fazer uma interdição, né,
17:21para que ela pudesse direcionar para um tratamento adequado para essa pessoa,
17:25porque senão ela fica exposta ao perigo, outras pessoas ficam expostas ao perigo
17:30e o próprio agressor fica exposto ao perigo.
17:32E esse filho precisa urgente de uma internação?
17:34Exatamente.
17:35Passa por uma interdição para ir para uma internação compulsória, né?
17:38Certo, doutora?
17:39Isso.
17:39É melhor para todo mundo.
17:40É melhor.
17:40É melhor para ele, é melhor para a mãe, né?
17:42Exato.
17:43Ela, dessa forma, ela não está deixando de amá-lo.
17:45Pelo contrário, ela está amando, porque ela está protegendo ele.
17:49Agora, Dani, quando a gente pensa nas vítimas, por que que geralmente os casos que a gente
17:55noticia, diferente aí, tudo bem que teve o avô da Josiara, mas a maioria dos casos
18:01se trata de mulheres, né?
18:03Por quê?
18:04Você pode perceber que quando a gente fala de violência, a gente fala sempre dos que
18:08sofrem a violência, sempre dos mais vulneráveis, né?
18:11Eu vi que você mostrou, acho que ontem, questão de agressão à criança.
18:14Sim.
18:16A gente tende a imaginar que a gente tem um poder sobre as pessoas e que a gente tem
18:20esse direito de agredir.
18:21Então, assim, se você não faz o que eu quero, eu tenho esse direito, porque você
18:25é vulnerável, você é mais fraco que eu.
18:26E, de modo geral, as mulheres tendem a ser mais fracas, né?
18:30Assim, nesse sentido, né?
18:32Fisicamente falando.
18:33Então, não é uma regra, mas normalmente é isso que acontece.
18:36Então, as pessoas têm esse pensamento, errado, claro, mas de que se a pessoa é vulnerável,
18:41se ela é mais fraca do que eu, eu tenho esse direito.
18:43E aí ela vai se calando, né, também.
18:46E quais são as consequências desse se calar?
18:49Tanto que psicológico.
18:50Tanto que psicológico, é o silenciamento, ela vai carregando, aumentando aquilo e isso
18:54vai aumentando cada vez mais o risco dela?
18:57Com certeza.
18:57E tem a maior probabilidade de desenvolvimento de transtornos, né?
19:01Transtorno de ansiedade, transtorno depressivo, porque essa pessoa vai guardando isso e ela
19:05vai ficando, de fato, prostrada, assim, né?
19:07Eu até falo com meus pacientes com muita frequência no consultório, essas pessoas falam assim,
19:11mas eu sinto uma dor nas costas, mas é porque realmente é como se você estivesse pegando
19:14o peso, sabe?
19:15Colocando nas suas costas, uma hora você não aguenta mais.
19:17Então, os prejuízos são muito grandes.
19:20E olha só, a Bruna Sequeira, ela fez um vídeo, contou pra gente sobre uma prima, na
19:26verdade, a prima da mãe dela, que ela ficou em um abrigo de idosos em péssimas condições.
19:32É uma história triste, que eu fiquei arrepiada quando eu conversei com ela.
19:35E isso também é uma forma de violência.
19:39Roda aí pra gente ver.
19:41O meu relato, infelizmente, ele é um relato triste, de uma prima que ficou no período
19:46de um dia e uma noite no asilo.
19:49Foi o tempo que ela ficou, mas o suficiente pra minha mãe, ao ir buscá-la, né?
19:54A pedir à família pra poder trazê-la pra ficar conosco e chegar no local, identificar
20:00um ambiente totalmente desumano, com odor muito forte de urina, de fezes, com muitas
20:07moscas, muita barata, totalmente insalubre, totalmente impossível de permanecer, de trazer,
20:18de proporcionar um conforto pros idosos.
20:23Graças a Deus nós conseguimos, nós levamos ao Ministério Público a informação, né?
20:28A situação era totalmente desumana e que isso sirva de exemplo, né?
20:34Pros familiares que, ao procurar um local pra deixar os idosos, que seja um local, pelo
20:39menos, de melhor condições.
20:44Obrigada pela sua participação.
20:45E esse relato é muito importante porque a família prestou atenção há tempo, mas só
20:50que eu conversei com ela antes.
20:52Na verdade, eram os últimos momentos de vida dessa senhora.
20:56e os médicos falaram, né?
20:58Cuide com muito amor e carinho pra que ela se despeça com dignidade.
21:02Exato.
21:03E, infelizmente, ela viveu esses momentos muito tristes pra pensar nessa realidade que
21:09a Bruna relatou pra gente.
21:11O que também, isso também é considerado maus tratos, né?
21:16Uma negligência.
21:17O fato de não dar um banho, de não trocar a roupa do idoso, principalmente quem é
21:22acamado, né, Dani?
21:23Isso.
21:23Negligência também é uma violência, né?
21:25Exatamente.
21:25E eu acho importante só a gente falar também, Beto, assim, no Bastidores a gente estava
21:29conversando, inclusive com sua equipe, sobre casos também que tem pessoas que abrem mão,
21:34né, de prazer, de, enfim, de sair pra cuidar dessas pessoas.
21:38Então, eu acho importante a gente falar isso também porque esses casos existem e essas
21:42pessoas têm que ser exemplo nesse sentido.
21:44assim, eu não tô falando de modo nenhum que a gente vai abrir mão da nossa vida, não
21:48é isso que eu prego.
21:49Porém, é o que a gente vem falando desde o início, a importância de devolver pra essa
21:53pessoa todo o cuidado que ela já deu, né?
21:55Então, sim, a gente tem exemplos bons de pessoas que se entregam e devolvem esse carinho que
22:00elas recebem, né?
22:01E esse caso da Bruna foi de uma casa lá, vamos dizer assim, né, que foi inclusive em outubro
22:09do ano passado, ela foi fechada justamente por ter vários casos, por ter essas denúncias.
22:16Então, é muito importante que os familiares, caso a gente, né, fala assim, ó, Beto, ó,
22:20vamos colocar papai, mamãe, vovô numa casa de repouso, numa instituição, vamos.
22:25Vamos, vai ser bom pra ele, é um consenso, né, vocês vão entrar nesse acordo, mas pesquise.
22:31Exatamente.
22:32Pesquise muito bem, né?
22:33Busque saber, vá conhecer, porque não é uma, concorde comigo, doutora, não é algo
22:40exceção que uma casa lá esteja numa situação de abuso, de negligência, de omissão, acontece
22:46muito e infelizmente não há uma fiscalização ferrenha quanto a isso.
22:51E quando a família vai visitar, geralmente o quê, ó?
22:54Se avisa antes e aí torna as coisas.
22:57Tudo tá lindo.
22:57Exatamente.
22:58Né?
22:58E a gente também tem noticiado vários casos também de cuidadores dentro de casa, né?
23:05E aí, como que a gente consegue provar?
23:08Só com câmera?
23:10Como é que a gente observa também esses sinais e prova isso?
23:13Eu acho que é a atenção ao idoso, primeiro.
23:16Você consegue perceber se o idoso está sendo virado da forma que deveria, pra não aparecerem
23:21escaras ou piorarem as escaras.
23:23O próprio idoso, muitas vezes, ele relata isso, mesmo que de uma forma difícil, mas
23:29ele relata.
23:30A câmera é, sim, muito importante.
23:33Mas aí eu falo até como uma experiência pessoal.
23:36É importante que os filhos ou netos estejam presentes de forma rotineira ali, pra poder
23:43entender como esses cuidados acontecem.
23:46Já aconteceu, por exemplo, uma situação que eu conheço, aonde deixavam, a cuidadora
23:51deixava a idosa no sol e ficava no celular conversando.
23:57E não era um pouquinho de sol, era no sol, de forma ostensiva, o que acabava prejudicando
24:04aquela idosa.
24:05E o que que aconteceu?
24:06A familiar chegou no momento.
24:08E aí a familiar pediu pra que ela se retirasse.
24:11Mas porque chegou.
24:12E se não chega?
24:13Isso que você falou, doutora, é muito importante, porque eu só vou perceber que, por exemplo,
24:17uma ferida aumentou se eu estou presente.
24:19Exatamente.
24:19Se eu sou ausente, provavelmente eu vou chegar lá e vou achar que já é assim.
24:22Exatamente.
24:23As pessoas, os filhos, os familiares precisam tirar a concepção de, contratei uma cuidadora,
24:29não preciso mais me preocupar.
24:31Não, você precisa sim ter noção dos remédios que se toma, se estão sendo tomados corretamente,
24:37se estão sendo feitas as limpezas higiênicas necessárias, se aquele idoso, aquele idoso
24:42está recebendo o trabalho humano que precisa.
24:46Tem uma frase que diz, um pai cuida de 10 filhos, mas um filho, às vezes, não cuida
24:51de um pai.
24:51E, geralmente, se tem cinco filhos, é um ou dois que, de fato, se comprometem.
24:57E aí, sobrecarrega, né?
24:58Que é o que...
24:58Que é o que acontece, infelizmente, a gente noticia.
25:01Obrigada pela participação de vocês, viu?
25:03A gente que agradece.
25:04Pessoal, aqui, os nossos telespectadores ficaram até emocionados com essa entrevista
25:08e a gente também, viu?
25:10Obrigada, Josiara, pela sua participação, por esse relato.
25:13Receba o nosso abraço aí na sua casa, na sua família, tá bom?
25:18Um beijo para vocês.

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