- há 7 minutos
Pessoas são agredidas por situações, que diálogo resolveria.
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00:00A gente está banalizando a violência, a gente está perdendo a cabeça por qualquer motivo.
00:05E detalhe, pessoas que muitas vezes nunca tiveram envolvimento com nenhum tipo de crime,
00:11aí de repente se vêem com passagem pela polícia.
00:14E esse vai ser o nosso assunto de agora.
00:16Participa com a gente aqui no nosso estúdio.
00:17Eu recebo a psicóloga Satina Pimenta.
00:19Satina, boa tarde, obrigada pela sua participação.
00:22E o advogado criminalista, doutor Rivelina Amaral, muito obrigada também pela sua participação, doutor.
00:27Obrigado.
00:28Satina, o que explica, né?
00:30Movido por qual motivo uma pessoa pode se transformar completamente, como eu disse.
00:35Às vezes são pessoas que não têm um histórico agressivo, mas uma determinada situação parece que faz virar uma chave
00:42e ela muda completamente de personalidade naquele ataque de fúria.
00:46O que explica isso?
00:48Bacana.
00:48Acho que a gente pode usar até a questão da chave, né?
00:52A chave, para ela funcionar, ela precisa entrar em um conector, concorda comigo?
00:56Às vezes a gente já está conectado.
01:00Então, pode ser que aquela semana não foi uma semana legal, aquele dia não foi um dia legal.
01:04Algumas coisas estão acontecendo junto conosco e aquela coisinha ali que podia ter passado de forma ilesa, de forma tranquila,
01:15que eu podia ter resolvido se eu não estivesse nesse momento de estresse, vamos botar assim, mas não diminuindo para
01:24esse ponto.
01:24Mas poderia ter resolvido de forma diferente.
01:28Mas aquilo dali se torna o estupim da bomba.
01:31E às vezes até quem tem razão naquela hora, naquela situação, perde completamente.
01:37O que a lei fala acerca disso?
01:38Perder a cabeça não exclui responsabilidade de ninguém.
01:43Embriaguez não exclui responsabilidade de ninguém.
01:45O que exclui responsabilidade das pessoas?
01:48Incapacidade mental, né?
01:50Que ela vai ter uma sanção diferente, que é uma medida de segurança, que a gente chama.
01:56E as pessoas reagirem a uma injusta provocação diminui o problema.
02:03Então, quer dizer, perder a cabeça não tira a responsabilidade.
02:06Embriaguez não tira a responsabilidade.
02:08Se a pessoa for atacada injustamente e ela reagir àquela injusta provocação, ela tem uma pena reduzida.
02:17Então, nada justifica essas ações.
02:19Fazer justiça com as próprias mãos, por exemplo, é um crime também.
02:23Está descrito no Código Penal desde 1940.
02:26Então, assim, salta aos olhos essas ações e tudo mais.
02:31O que o Estado fica fazendo?
02:32O Estado fica tentando promover mecanismos de diminuir incidência de crimes.
02:39Por exemplo, oportunizando as pessoas a noticiarem, fomentando que as mulheres agredidas precisam trazer essas informações para o Estado
02:49para que ele possa promover ações que, de alguma forma, diminuam, políticas públicas, enfim, né?
02:55Mas, infelizmente, a gente está vivendo um momento acentuado de crimes dessa natureza que não tem explicação, né?
03:02Assim, para o direito não tem explicação.
03:04E nada justifica ações dessa natureza e não diminui esses problemas, sabe?
03:09A pessoa tem um processo que vai pesar contra ele, salvo se ela for agredida injustamente e ela reagir, né?
03:17Sem exceder, inclusive.
03:19Ela não pode exceder a sua reação.
03:21A reação é tão somente para conter aquela pessoa e ponto final.
03:24Olha, eu vou convidar aqui para o nosso bate-papo, gente, para a gente conversar com ela agora, a Gisele
03:29Pisa.
03:29Ela apareceu agora há pouco nessa reportagem que nós exibimos.
03:33Ela foi agredida por um outro advogado, ela é advogada, ela foi agredida por um outro advogado,
03:39tudo por conta de uma briga dos cachorros deles.
03:42Boa tarde, Gisele.
03:43Obrigada pela sua participação.
03:45Primeiramente, a gente quer saber, né, como que você e o seu cachorrinho estão?
03:52Oi, oi, vocês me ouvem?
03:55Sim, sim, estamos te ouvindo.
03:56Eu não, eu acho que eu tive algum problema de conexão e eu não estou vendo vocês, mas estou ouvindo.
04:03Não, perfeito, é desse jeito mesmo, Gisele.
04:06Vamos lá, explica para a gente primeiro como que você e o seu cachorrinho, como que vocês estão?
04:13Eu estou...
04:16O Bolt está ótimo.
04:17Eu estou buscando me recuperar, muito mais psicologicamente e espiritualmente do que fisicamente,
04:29porque a dor física, a gente pode tomar um remedinho e melhorar.
04:33Explica para a gente o que aconteceu ali naquele momento.
04:39Naquele momento, eu estava ali num momento comum da minha vida, normal, cotidiano, passeando com o meu cachorro.
04:50Eu frequento vários estabelecimentos ali, né, porque tem vários pet shops.
04:58E como eu havia saído para passear com o Bolt, eu lembrei que não tinha sachê para ele comer, né,
05:05quando voltasse do passeio.
05:06Então, eu resolvi passar logo e comprar o sachê.
05:13E ao lado do pet shop é esse restaurante.
05:19Então, esse homem, ele estava lá sentado com o cachorro dele sentado embaixo da cadeira dele.
05:25Então, quando eu visualizei os dois já, umas duas lojas antes, eu puxei a guia do Bolt para ele ficar
05:31bem junto do meu corpo.
05:33Eu não tinha como passar por outro lugar, estava lotado, o estacionamento estava todo lotado.
05:39Então, eu tive que passar ali pelo...
05:42Por onde os pedestres andam ali, né, pelo passeio comum.
05:46E, dito e feito, nós passamos, o cachorro nos atacou.
05:51Ele atacou o Bolt, então eu levantei o Bolt, porque ele estava com a guia, então eu levantei ele com
05:56toda a força.
05:57E o cachorro dele veio para cima de mim para atacar o Bolt, visando atacar o Bolt.
06:03Mas acabou me atacando também, né, porque ele queria, enfim, agredir o Bolt.
06:09Então, eu me pergunto, Gisele, o cachorro dele é de grande porte?
06:13É um Poodle, só que é um Poodle grande.
06:17Certo.
06:18Não é um Poodle pequeno, não é aquele Poodlezinho pequeno, é um Poodle grande.
06:23Pode continuar.
06:24Eu não sei que raça é essa.
06:26Pode continuar.
06:28E daquele momento em diante que ele te atacou, qual foi a reação do tutor, né, do advogado?
06:36A reação dele foi continuar almoçando, como se nada tivesse acontecido.
06:40Quem teve que se retirar dali desesperada foi eu.
06:44Eu fiquei lá na porta do pet shop, onde eu ia, né, e fiquei nervosa ali, todo mundo vendo aquilo.
06:51E então eu respirei fundo e falei, olha, eu acho que o senhor tem que começar a andar com o
06:58seu cachorro com guia
07:00e também com focinheira.
07:02O senhor conhece uma lei distrital que diz que os animais têm que andar com a guia, coleira,
07:09e no caso de eles serem agressivos, focinheira?
07:14Aí ele disse...
07:16Ele começou a falar alguns impropérios, dizer que eu era louca, e enfim, começou a me insultar de várias coisas,
07:25mas não me recordo agora, e eu disse assim...
07:30Aí ele disse assim, pode chamar quem você quiser, que eu disse que ia chamar a polícia então, né,
07:37que eu sou advogado e além de advogado eu sou presidente da comissão de ética.
07:42Eu disse, nossa, que bom!
07:44Então, o senhor...
07:45Porque o senhor não chama o tribunal de ética até aqui para a gente tentar resolver essa situação?
07:50Aí ele disse, eu não, não estou afim.
07:53Aí eu disse, então tá bom.
07:55Me afastei, passei no pet shop, as pessoas que viram a discussão falaram,
08:02nossa, esse cara com esse cachorro...
08:04Aí comprei o petisco do Bolt, fiquei na esquina com o Bolt, um pouquinho distante,
08:10e fiquei observando lá ele, porque eu chamei a polícia, liguei para a PM, liguei 190,
08:17aí a polícia demorou uns 20 minutos, se passaram 20 minutos,
08:23então eu liguei de novo, expliquei a situação, que eu tinha sido agredida,
08:27tanto por ele quanto pelo cachorro, e eu estava com medo de ele ser evadir do local.
08:33Então, nesse momento ele já tinha te agredido então?
08:38Essas imagens que a gente está acompanhando aí agora, momento da agressão,
08:42então ele já tinha te agredido?
08:44Não, não, atenção só ao cachorro.
08:48Isso, a agressão foi já na segunda chamada para a PM, que eu disse assim,
08:53olha, ele vai terminar de almoçar e vai ser evadir, ele vai embora,
08:57se vocês não vierem agora, por favor, ele vai embora.
09:01Aí foi dito e feito, eu fechei a boca, ele entrou no carro dele e colocou o cachorro dentro,
09:07e foi embora, aí eu peguei o meu celular para ir e fui até lá e comecei a filmar a
09:14placa dele,
09:15porque embora eu saiba que ele mora no sudoeste e que ele está sempre ali pelas redondezas,
09:23eu não sei onde ele mora, eu não sabia o nome dele, eu não sei quem ele, enfim.
09:28Aí foi nessa hora que ele se exaltou com você, Gisele?
09:32Ele se exaltou comigo porque eu estava filmando a placa dele.
09:37E qual foi a reação das pessoas ao redor?
09:42Eles ficaram perplexos, todo mundo assistiu, todo mundo filmou,
09:49mas eu não gostaria de dizer que ninguém não quis fazer nada para impedir toda aquela violência
09:58que ele cometeu contra mim, porque as pessoas sabem que ele é uma pessoa que é destemperada,
10:06que é uma pessoa um pouco agressiva, então talvez isso tenha inibido alguém com uma capacidade
10:15de detê-lo para que ele não me agredisse naquele momento.
10:22Eu não acho que as pessoas tenham agido errado, eu acho que, na verdade,
10:27foi mais uma questão de proteção, inclusive, divina, porque poderia ter sido pior.
10:33Eu não sabia, ele tinha armas brancas.
10:38Olha só, eu quero aproveitar que nós estamos aqui no estúdio com a advogada e com a psicóloga,
10:43quero aproveitar para trazer esse caso, continua com a gente que eu já volto a falar com você,
10:47um minutinho, doutor Rivelino, um caso como esse, a pessoa pode responder por quais crimes
10:54e a pena também que ela pode pegar?
10:56É, então, na verdade, em primeiro lugar, nossa solidariedade a ela, né, que é um absurdo, cena péssima.
11:03É crime de lesões corporais, né, as penas são penas de certa forma baixas, que não geram prisão,
11:11quer dizer, as pessoas são encaminhadas à delegacia, prestam depoimento,
11:15a vítima é submetida a um exame de lesões corporais, mas não há prisão nesses casos.
11:21Então, quer dizer, e as pessoas ficam se perguntando, ah, mas precisa mudar a lei, precisa alterar a lei?
11:27O que ocorre?
11:28Não necessariamente só aumento de pena resolve diminuição de índice de criminalidade, né,
11:35quer dizer, a gente tem, por exemplo, a lei de drogas teve aumento da pena mínima de 3 para 5
11:41anos em 2006,
11:43e eu pergunto, de 2006 para cá tivemos redução de índice de tráfico de drogas?
11:48Não, temos aumento exponencial.
11:50Na verdade, não esse caso, esse caso é um caso muito específico, né, de agressão voluntária, né,
11:56quer dizer, não tem justificação, nada, absolutamente nada justifica essa agressão de um homem desse tamanho com uma mulher, né?
12:04Talvez se fosse outro homem ele não teria agredido a ela, né, ou a ele, melhor dizendo.
12:09Então, assim, absolutamente nada justifica.
12:12E aí eu diria assim, o que faz reduzir índice de criminalidade?
12:15Aplicação de políticas públicas, enfim, mas não para esse caso.
12:19Esse caso é uma violência descompensada, sem justificativa, de um homem contra mulher.
12:26O que é que a lei faz? O que é que o Estado faz?
12:29O Estado fica tentando criar mecanismos para as mulheres.
12:34As mulheres estão sendo agredidas diuturnamente, estão sendo violentadas, estão morrendo, né?
12:41Então, assim, as medidas protetivas servem para isso, né, a lei Maria da Penha serve para isso, para tentar atender
12:49a essas vítimas,
12:51mostrar para esses agressores que eles são alcançados e puni-los.
12:56E essa punição servir também de exemplo para outros, né?
12:59Mas assim, Roberta, nada justifica isso, né?
13:03Nada justifica a ação de um homem desse tamanho contra uma mulher por causa de uma briga de cachorro, né?
13:09Quer dizer, é um negócio que foge a normalidade por completo.
13:12Satina, nessas horas, né, a gente sabe que a raiva é um sentimento normal do ser humano, mas ao mesmo
13:20tempo, como controlar?
13:22É, a raiva, ela é um sentimento normal do ser humano, a gente tem que ter raiva, a gente tem
13:27que sentir, passar por uma situação e falar,
13:30nossa, estou com raiva.
13:32Agora, qualquer sentimento, pode ser a raiva, pode ser o amor, pode ser qualquer que seja, ele não pode tomar
13:38conta da gente,
13:39pelo fato de sermos sujeitos racionais.
13:41Quando acontece esse movimento, como veio no início da reportagem, essas pessoas, elas têm consciência do que elas estão fazendo.
13:49E elas fazem porque elas sentem que possuem o poder para fazer.
13:54Então, o frentista está com a mangueira lá de álcool na mão,
13:59nossa, eu tenho poder, olha aqui a minha arma, vou botar fogo nessa pessoa,
14:05o sujeito, né, o advogado, porque eu sou da comissão de ética, eu tenho poder, pode chamar quem você quiser.
14:11Então, esses poderes, que podem vir de objetos ou podem vir de estados sociais,
14:16acabam gerando uma, eu posso fazer o que eu estou fazendo.
14:22Se eu passar deste limite, nada vai me acontecer.
14:26Se eu passar deste limite, eu vou conseguir agredir aquele que eu quero agredir.
14:31Entende?
14:32Então, tem uma justificativa social e cultural aí colocada das relações de poder
14:37que estão sendo colocadas e manifestadas dentro daquilo que a gente apresentou hoje aqui.
14:43O da mulher, pior ainda, né?
14:45A gente já veio aqui milhares de vezes para falar sobre essa relação.
14:48Que está ligado umbilicalmente também àquela coisa de você sabe com quem você está falando, né?
14:53Exatamente.
14:53Ser advogado não dá credencial para ninguém, para absolutamente nada.
14:57Ser advogado, o advogado é advogado no processo, na audiência.
15:02Ele tem possibilidade de conversar com o juiz, conversar com o promotor.
15:06O advogado, ele funciona dentro do fórum, né?
15:09O fato de ele ser advogado não dá direito a ele cometer crime, desrespeitar as pessoas,
15:15achar que ele é maior do que alguém, absolutamente nada.
15:18De que é de uma comissão X ou Y, nada, absolutamente nada.
15:22E vamos também voltar um pouco no que a própria Gisele relatou para a gente,
15:26o que também foi, né, assim, apresentado na reportagem, que é o quê?
15:31Ela estava ali na razão dela porque ela foi atacada por um cão.
15:36Então, ela chegou para o tutor desse animal e pediu, né, por gentileza,
15:41vamos colocar a coleira, vamos colocar a focinheira.
15:43Ela estava dentro do direito dela, né, doutor Rivelino?
15:45Claro, absolutamente, exercendo o direito dela e ele ultrapassa o limite, né?
15:49Quer dizer, ele nem reage a uma injusta provocação porque ela exerceu a cidadania.
15:54O que as pessoas precisam fazer quando acontece um caso dessa natureza?
15:58Exatamente o que ela fez, infelizmente, acontecer o que aconteceu.
16:00Mas chamar a polícia, né?
16:02Você não tem que reagir a assaltos, você não tem que reagir às pessoas te agredindo,
16:06não reagir a nada.
16:07Quem tem a função de nos proteger é o Estado.
16:10Então, tem que chamar a polícia e a polícia vai ter a possibilidade de tomar uma atitude,
16:15de prender essa pessoa, de conduzi-la para a delegacia, de ser lavrado uma ocorrência,
16:21de, eventualmente, a pessoa ser presa em flagrante.
16:23Então, quer dizer, infelizmente, ela fez absolutamente tudo como tem que fazer,
16:27mas essa pessoa destemperada a agrediu e uma agressão sem precedente,
16:32sem justificativa nenhuma, mas que certamente vai ser punido severamente.
16:37E você, inclusive, quer fazer até um comentário em cima disso, né, Sátima?
16:40Quero, quero sim, que eu acho que é muito importante.
16:43Nós estamos numa sociedade onde todo mundo quer estar certo.
16:46Então, quando nós somos enfrentados dentro daquilo que a gente acha que é certo,
16:52a gente tem se apresentado de forma muito abrupta.
16:56Por que, Sátima?
16:57Porque quem é certo tem mais status na sociedade.
17:02É como se fosse assim, entende?
17:04Então, a sociedade que a gente vive hoje, ela é extremamente individualista.
17:07A gente não consegue olhar o outro e falar assim, opa, errei.
17:11Porque parece que quando eu erro, eu sou diminuído.
17:15E eu não quero ser diminuído numa sociedade como a nossa.
17:18Eu quero sempre ser o maioral, o bonzão, o que faz, o que acontece.
17:22Está faltando humildade, reconhecimento, humildade?
17:24Está faltando?
17:25Necessário.
17:26Necessário a gente reconhecer os nossos erros.
17:29Ali ele podia falar, poxa, me desculpa, realmente, como advogada, eu conheço a lei e realmente
17:35o meu cachorro está de forma equivocada nesse momento.
17:39E acabava a história ali.
17:40Mas não, eu preciso estar certa, eu preciso ser a pessoa com a razão.
17:45Porque eu tendo a razão, eu volto, eu tenho poder.
17:48E olha só, quando a gente fala que as pessoas estão passando, gente, passando dos limites,
17:53que não sabem lidar mais com os sentimentos, com uma raiva, frustração, por exemplo,
17:57nem exagero não, tá?
17:58Dá só uma olhada nesse caso.
18:00Um motorista que foi fechado no trânsito por um carro, ligou para a polícia e disse
18:05que dentro desse veículo tinham bandidos que cometeram um assalto.
18:10Ele fez isso por vingança.
18:13Gente, esse homem mobilizou toda a polícia e em poucos minutos, tá?
18:16E aí foi emitido um alerta vermelho, foi feito um cerco eletrônico e os policiais
18:21descobriram que o carro era alugado e que foi encontrado no aeroporto de Vitória.
18:26E ali dentro do carro estava um casal e os dois são guardas municipais.
18:31Tudo isso aconteceu no mês de fevereiro, mas só agora a polícia concluiu o inquérito
18:36que indicia o jovem por denunciação caluniosa.
18:41Olha isso.
18:42Tudo por conta de uma vingança, é o que a Sátina acabou de falar.
18:45A gente não aceita quando a gente está errado, né?
18:48Deixa eu voltar a falar com a Gisele, né?
18:51Para ela explicar para a gente qual é o sentimento dela agora e o que ela pretende fazer, Gisele,
18:55com todo esse caso.
18:58Por incrível que pareça, o sentimento que mais me afeta agora e me abala é em relação ao meu filho.
19:13porque eu, quando eu vejo aquelas imagens que, como vocês viram, eu estava com um vestidinho casual
19:24para passear com o meu cachorro e como ele me atacou e estava chovendo e eu caí,
19:32fiquei toda molhada, me senti muito humilhada, as pessoas ali vendo aquela cena grotesca.
19:39e eu só conseguia pensar que o meu filho ia me ver naquela situação e foi o que mais doeu
19:48para mim.
19:49E aí eu fiquei agachada ali, procurando o meu celular, pensando que ele tinha jogado longe, né?
19:56Mas, na verdade, ele tinha escondido.
19:58E eu fiquei ali semi-nua, fiquei exposta, com vergonha e imaginando, imaginando não, perplexa,
20:13perplexa, porque eu sou uma advogada que milita defendendo o direito das mulheres
20:20que são vítimas de violência doméstica, que são vítimas de qualquer tipo de violência.
20:26Eu também atuo na área criminal.
20:29Então, eu fiquei numa situação assim que eu parecia que era um pesadelo, era um pesadelo.
20:38Mas de tudo que aconteceu, de tudo que aconteceu, o que mais me abalou foi que eu não queria
20:45que o meu filho soubesse do que aconteceu.
20:48Eu não queria.
20:50Mas as coisas tomaram uma repercussão tão grande que a minha família, que mora em Rondônia,
20:59viu, sabe?
21:00O meu pai viu, a minha mãe viu, o meu filho viu.
21:03Eu esperava que ele não soubesse, né?
21:05Ele está aqui, ele mora comigo aqui no Sudoeste.
21:07Pensei que ia ficar uma coisa isolada por aqui, né?
21:10Mas não, então foi grande.
21:12Então, ele acabou por saber.
21:14Não teve como ele não saber.
21:16Então, é assim que eu me sinto.
21:18Obrigada pela sua participação.
21:20A gente se solidariza muito com você.
21:22E a gente, eu me coloquei agora no seu lugar, eu me imaginei, assim, levantando de toda essa cena,
21:29do chão, indo embora para casa com esse sentimento de humilhação que você falou.
21:34Obrigada pela sua participação.
21:35Que você receba o nosso abraço aí em Brasília, tá bom?
21:39Um abraço para você.
21:40Eu que agradeço pelo carinho e por vocês estarem me dando esse apoio.
21:46Muito obrigada.
21:47Um beijo a todos.
21:48Um beijo.
21:49E aí, Sátina, a gente para para pensar agora quantos e quantos casos poderiam ser evitados.
21:56E aí também, por outro lado, a gente sabe que tem pessoas que têm já aquele comportamento,
22:02aquele temperamento mais explosivo e ela não admite.
22:06Ela não se dá conta.
22:07Como que a família pode ajudar nessas horas?
22:10É, eu achei muito bacana que no início da reportagem falaram sobre a questão da doença mental, né?
22:16E que houve uma retirada de sempre ser uma doença mental.
22:20Isso para mim é muito importante, porque senão a gente resume aos transtornos sempre.
22:26Eu acho que é muito importante que nós tenhamos um diálogo aberto e assertivo dentro de casa
22:31para mostrar, olha, esse aqui, agora ali você passou do limite, aqui está errado,
22:37vem aqui e vamos tentar resolver isso.
22:39Você está vendo o que você fez a mais?
22:41Não precisava ter agido de tal maneira.
22:44Só que normalmente essas pessoas, elas se acham certas.
22:49E aí, para você conseguir essa abertura, para que essa pessoa faça uma reflexão, é muito complicado.
22:56Desistir? Não, desistir não é a opção.
22:59A gente tem que tentar, principalmente quando é um familiar nosso, né?
23:02Mas tentar devagarzinho mostrar, olha, que podia ter agido de tal forma.
23:07Você não acha que quiser ser boa?
23:08Vamos tentar ver isso melhor?
23:10Você está se repetindo?
23:11Pensa bem comigo.
23:12Tá certo, Sátina.
23:13Obrigada pela sua participação.
23:15Obrigada novamente.
23:15Você também, doutor Rivelino?
23:16Eu que agradeço.
23:17Muito obrigada.
23:18Acho que é um debate que leva muita reflexão para os lares, né?
23:21Será que a gente está passando do ponto?
23:22Quem é outra pessoa, deixa quieto, vai embora para casa e passa por cima.
23:26Obrigada, viu?