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  • há 3 semanas
Em um mundo cada vez mais tecnológico, essas facilidades são verdadeiras armadilhas para os idosos. Os criminosos se aproveitam disso para aplicar golpes. O Advogado especialista em direito do idoso Rafael Vasconcelos explica os cuidados necessários nesses casos.

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Transcrição
00:00Chama o pai, chama o avô, a avó, a mãe, todo mundo pra acompanhar essa entrevista de agora.
00:05Por quê? Porque o mundo de hoje é muito tecnológico.
00:08E aí, pros idosos acompanharem todas essas mudanças, a gente sabe que isso é difícil.
00:14Então, eles acabam se tornando o alvo fácil para os golpistas, para os bandidos.
00:19Então, esse vai ser o assunto de agora aqui no nosso estúdio.
00:22Participa comigo, viu?
00:23Aqui a gente recebe a doutora Kelly, que ela é geriatra.
00:26Muito obrigada pela sua participação, doutora.
00:28Seja bem-vinda, viu?
00:29Muito obrigada, obrigada.
00:30Doutor Rafael Vasconcelos, que é advogado, vai explicar pra gente se consegue o dinheiro de volta, se não consegue, se
00:36já era, como é que fica?
00:37Daqui a pouquinho o senhor responde pra gente.
00:39E a gente também tem a honra de receber aqui hoje o senhor Sebastião.
00:43O senhor Sebastião, muito obrigada pela sua presença.
00:45O senhor assistiu agora essa reportagem.
00:48O senhor também foi uma vítima recentemente, não é isso?
00:51Boa tarde.
00:51Sim, boa tarde.
00:52Conta pra gente qual foi a história que tentaram contar pro senhor, que na verdade contaram, né?
00:59Sim.
00:59Primeiro foi que recebi uma ligação com o nome da gerente do meu banco.
01:06Eu, sem olhar o senhor, percebi, pensei que fosse do banco.
01:10Ela falou que ela era a secretária da gerente.
01:13Aí foi conversando comigo, falou que eu tinha feito uma compra em São Paulo.
01:18Falei, não, não fiz compra nenhuma.
01:20Então, esse dinheiro, você perdeu o cartão?
01:23Falei, não, não perdi cartão.
01:24Foi o Chupacabra?
01:25Eu falei, também não.
01:26Meu cartão tá aqui comigo, só tem um cartão que tá comigo aqui.
01:29Ela falou, então foi um golpe.
01:30Alguém deu esse golpe em você.
01:32Mas pra esse dinheiro estornar pra você, você vai ter que passar os dados.
01:38E foi conversando comigo, conversando, que eu passei os dados pra ela.
01:43E ela foi, nesse momento, ela falou, então vou passar pra menina do cartão, que era outra pessoa.
01:49Aí passou pra menina do cartão e começou a conversar comigo, pedir meus dados, falando.
01:53Depois, no final, ela falou assim que precisava de pegar o cartão pra levar pra lá.
02:00Depois, ela ia fazer outro cartão, isso foi na segunda-feira.
02:03Na quarta-feira, eu recebi o cartão em casa, outro cartão.
02:07E aqui ele tava cronado, tava alguma coisa assim.
02:09E era pra mim cortar o cartão no meio.
02:11Só que o cartão no meio é cortado vertical, horizontal, vertical.
02:15Aí eu cortei e esperei o cara lá embaixo na portaria pra entregar o cartão.
02:20Ela falou pra mim fazer uma carta, falando o motivo, pra eles entrarem na justiça, né?
02:28Delegacia, esse negócio todo, pra comprovar essa confusão que tá dentro.
02:32E eu acreditei.
02:34Eu tava fora de mim.
02:36Porque eu sei tudinho.
02:38Que você não pode dar a senha, não pode fazer nada disso.
02:40Só que, conversando comigo, me debriou, que até minha esposa tava perto de mim, falando comigo.
02:46Eu não escutava, eu não dei assunto a ela.
02:48A sua esposa já tinha percebido que podia se tratar de um golpe?
02:51Sim.
02:52Que achou que os dados que eu tava dando não eram compatíveis, o que era pra fazer.
02:57Só que eu não me senti que eu tava em si.
03:01Porque se eu tivesse consciente, eu tinha...
03:05Eu vejo isso aí todo dia na televisão, passando.
03:07Você acha que conquistaram a sua confiança, igual a gente viu ali naquela reportagem?
03:11Foi isso?
03:11É um tipo que você fica neutro nesse lugar.
03:16Você só vê aquela pessoa falando, você não escuta mais nada.
03:19Aquela pessoa tá certa, aquela pessoa tá fazendo a coisa certa.
03:22E você cai num golpe desse jeito.
03:24Em que momento que o senhor se deu conta de que se tratava, então, de um golpe?
03:27Depois de quase três horas que ela tava comigo no telefone, que eu tava caminhando, com o telefone ligado.
03:33Que ela pediu pra ficar com o telefone ligado, que ela ia fazer o processo de estornar o dinheiro, né?
03:40E foi passando, demorando, demorando.
03:42Quando eu cheguei no final da minha caminhada, que eu me toquei, que era um golpe.
03:47Mas aí já era tarde.
03:48Quando eu voltei pra casa, eu peguei o telefone da minha esposa, liguei pro banco.
03:52Aí que eles me falaram que eu tinha sacado os 46 mil e 900.
03:57Quase 50 mil reais.
03:5946 mil reais e 900?
04:01É, em 10 vezes pagaram a parcela.
04:04A fatura vai chegar.
04:05Eles fizeram, fizeram saque de 15 mil, depois de 14, 900, depois de 17.
04:13E nisso eu fiquei pensando, porque o banco não falou nada comigo.
04:18Não entrou em contato comigo, ó, por que você tá fazendo essa compra?
04:21Por que esse dinheiro tá saindo?
04:22Eu não, né?
04:23Essas coisas, o banco sempre dá o toque pra eles.
04:27É você mesmo que tá fazendo, o que tá acontecendo?
04:29Eu não recebi nada disso.
04:31Doutor Rafael, pra gente entender o modo operante desses golpistas, é por aí o caminho,
04:36eles tentam conquistar a confiança.
04:38Você viu o seu Sebastião falando, não, só conseguia prestar atenção na pessoa que
04:42tava comigo na ligação.
04:43É esse o caminho que eles buscam?
04:44Boa tarde.
04:45Boa tarde.
04:46É, o modo operante é exatamente esse, né?
04:48Os estelionatários, eles se utilizam, né?
04:51De poder de persuasão, de uma fala, né?
04:54Mais simplificada pra poder iludir, principalmente os idosos, né?
04:58E o que eles forçam exatamente é que as pessoas que estão, as vítimas, que elas não tenham
05:03acesso a outras pessoas pra poder verificar se aquilo efetivamente é ou não golpe.
05:07Você viu que ela, que a estelionatária, no caso, que ela insistiu que ele ficasse no
05:12telefone.
05:13Três horas.
05:14Exatamente pra que evitasse, né?
05:16Esse acesso mais fácil pra ligar pra instituição financeira, ou pra conversar com o filho,
05:20ou pra conversar com até a própria esposa dele.
05:23E ela fica sempre falando, não, faz assim, faz assado, não desliga, porque a gente precisa
05:26de dar celeridade à resolução do caso.
05:29E esse golpe, em específico, ele é chamado golpe do motoboy, em que as pessoas mandam,
05:34os estelionatários têm acesso ao aplicativo, né?
05:38E mandam uma moto na residência do idoso ou da vítima, e aí buscam aquele cartão.
05:43Mesmo que cortado, a vítima acha que o cartão não vai poder ser utilizado, né?
05:47Mas os cartões, atualmente, eles têm aquele chip.
05:50E se o chip não for cortado, ele pode ser utilizado com a senha que já foi, outra
05:54hora, fornecida pela vítima, né?
05:57Obviamente.
05:57Isso é muito comum, e isso aumentou muito esse tipo de golpe durante a pandemia, em que
06:03as pessoas não saíam pra ir pro comércio, né?
06:05Não saíam de casa, e muitas pessoas caíram nesse tipo de golpe.
06:09E, infelizmente, apesar da responsabilidade das instituições financeiras ser objetiva,
06:15as instituições, muitas vezes, não acatam essas contestações por parte das vítimas,
06:20né?
06:20Nós vimos ali, até tem uma indicação, né?
06:24De que foram operações altas.
06:25Então, se foram operações altas, primeiro, a instituição financeira deve criar um bloqueio.
06:30Porque, em caso de operações altas, a pessoa seja contactada, então o cliente tem que ser
06:35contactado pra poder confirmar aquela operação.
06:37Segundo, foram recorrentes da mesma fonte de recebimento.
06:41Então, existe uma chance muito grande, no caso dele, de ser contestada a superação,
06:47e se não houver acatamento administrativo, isso ser contestado na justiça.
06:51Então, você já tá adiantando, então, pra gente a resposta, se o senhor Sebastião
06:55tem direito, se ele consegue reaver esse valor que foi perdido.
06:58É possível, então?
07:00Em muitos casos, administrativamente, as instituições financeiras, elas não acatam, tá?
07:06Esse pedido, e a necessidade de ajustamento de demanda contra o banco, tá?
07:11No caso dele, que não foram várias operações pequenas, aquelas operações de R$ 100,00 na
07:16padaria, por exemplo, foram operações altas com uma instituição em específico, o banco
07:20vai ter que analisar se aquela instituição que recebeu operações altas, se ela tá em
07:24colúio com o estelionatário.
07:26Porque se essa instituição recebeu um valor tão alto, parcelado, e ela não souber quem
07:32passou aquele cartão, ela também vai ter que prestar esclarecimentos, inclusive pra
07:36autoridade policial.
07:37Porque a autoridade policial, quando analisar este crime, no caso, sendo lavrado um bolete
07:43de ocorrência, né, impulsionado pela autoridade policial, ela vai investigar quem estava envolvido
07:48naquela fraude.
07:49E, sendo identificado, se eventualmente essa empresa não teve a segurança de pedir um
07:55documento, de ter a segurança formalizada juridicamente ao caso, essa empresa pode,
08:01obviamente, ter necessidade de prestar esclarecimentos.
08:04Perfeito, doutor.
08:05Olha só o comentário aqui da Letícia Pimenta, ela diz, na hora do desespero, numa situação
08:09financeira como se encontra o país, os idosos caem com mais facilidade, né?
08:14Por que, doutora Kelly?
08:16E aí, aliado a toda tecnologia que a gente também hoje está imerso, se a gente não
08:21dá conta de acompanhar, eu imagino, os idosos, né?
08:26Boa tarde, doutora.
08:27Boa tarde, Roberta.
08:28Então, Roberta, pode ser vários fatores, né?
08:32Eu acho que tem um pouco do medo de estar lidando com uma tecnologia que eles... é muito
08:40novo tudo isso pra eles.
08:42É um medo de perder o dinheiro e, com isso, acabam sendo vítimas fáceis de estelionatários
08:49como esses.
08:50Porque se eu faço uma compra, no caso dele, não, não fiz, eu vou perder esse dinheiro.
08:55Então, a tendência é você tentar reaver isso daí e, com isso, você é mais lubridiado,
09:04mais facilmente, sabe?
09:05Tem também a questão da escuta por telefone.
09:09Às vezes, é difícil, pelo déficit auditivo, entender a situação que está acontecendo.
09:15Então, muitas vezes, esse entendimento.
09:17Alguns idosos que estão começando alguns processos demenciais que ficam com dificuldade
09:23em entender o ambiente em volta, o que está acontecendo.
09:27O julgamento daquela situação fica muito mais difícil por conta da doença.
09:32Então, isso leva eles a um estado de vulnerabilidade, de maior fragilidade também.
09:38E aí, a gente sabe, então, em resumo, que os idosos não estão preparados pra lidar com
09:44esse mundo tecnológico.
09:45Aí, a gente pensa nos filhos, né?
09:48Nem todos têm paciência, o que deveriam ter, pra ensinar pros pais a utilizarem essa
09:55ferramenta.
09:55Você percebe muito isso, doutora?
09:57Às vezes, até nós, como filhos, também não dominamos muito bem a tecnologia.
10:03Tem hora que eu entrego as coisas na mão do meu marido pra lá, resolve pra mim, você.
10:05A gente não consegue, né?
10:07Então, às vezes, pra gente também, fica mais difícil.
10:11É importante lembrar que o envelhecimento populacional está muito acelerado.
10:15Então, nós temos idosos de 80 anos com filhos de 60, que também são idosos.
10:20Então, e os netos, muitas vezes, estudando fora, não conseguem dar o suporte adequado,
10:25não conseguem verificar.
10:27Então, eu acho que aí é importante a informação, passar informação de como que são esses golpes.
10:35Ó, tá tendo um golpe novo na praça, tá sendo assim, assim, assim.
10:38Fique atento, fique esperto.
10:40Porque são tantos, e às vezes é difícil acompanhar, né?
10:44Porque a criatividade deles é tanta.
10:46Mas é importante passar essa informação, olha, tá tendo um golpe do motoboy.
10:51Até em grupos de família, avisar, tá tendo um golpe tal.
10:54Olha, aconteceu isso, não atenda.
10:56Se receber uma ligação estranha, desligue.
11:00Desligue, ligue pro seu filho.
11:03Não atenda telefone que você não conhece, que você não sabe que tá na sua agenda.
11:09Porque a chance de ser golpe é muito grande.
11:12E, senhor Sebastião, o senhor disse aqui no início da entrevista que o senhor tinha esse comportamento.
11:15Sempre foi muito atento?
11:17Sempre, sempre fui atento.
11:18Só que o que a doutora falou, eu foquei naquele dinheiro que tinha sido a compra.
11:23O seu medo era esse, né?
11:25É, o medo da compra.
11:25Então, a gente, é uma metodologia que eles usam, focando naquilo, a gente acaba focando uma coisa,
11:31esquecendo que podia ser maior o gasto, como foi o meu.
11:35E qual foi o seu sentimento quando o senhor se deu conta?
11:40A gente logo fica pensando assim, poxa, eu fui muito bobo em cair nesse golpe, que todo mundo tá falando,
11:46né?
11:46E eu também falava a mesma coisa.
11:49Então, são coisas que a gente fica na nossa mente há muito tempo.
11:55E até hoje ainda fico com esse sentimento ainda.
11:59Isso traz um impacto emocional.
12:03Além do prejuízo financeiro, a gente sente na fala aqui do senhor Sebastião e também dessa reportagem que a gente
12:09viu,
12:10o quanto os idosos ficam ainda mais fragilizados emocionalmente, né doutora?
12:17Isso traz bastante um sentimento de inutilidade, um sentimento de vulnerabilidade, um sentimento de não pertencimento àquela sociedade que ele
12:29não consegue se adequar.
12:30Como que eu caí nisso, né?
12:32É, como caiu.
12:33Como? Eu já tinha ouvido isso tantas vezes.
12:36E o problema depois é a questão emocional, né, Roberta?
12:40Porque aí vem depressão, dependendo da quantidade de dinheiro, fica uma situação entre a família também, apontando o dedo, você
12:50errou, olha só o que aconteceu.
12:53Então, ao invés de apontar o dedo, acolha, né?
12:57A gente tem que ter esse outro olhar aí para que isso também não volte a acontecer novamente e ficar
13:02mais atento.
13:02O senhor também se sentiu julgado pelas pessoas próximas?
13:07Isso também te afetou, senhor Sebastião?
13:09Não, graças a Deus a minha família é muito unida e elas me deram apoio, né, necessário.
13:15Minha filha que estava junto comigo lá depois me deu e tem outra filha também que me deu apoio.
13:20Então, soube isso aí não, graças a Deus.
13:22Graças a Deus.
13:23Que eu não tenho esse problema.
13:24Que bom, mas a gente já viu vários relatos de pessoas que são apontados pelos vizinhos, pelos próprios familiares.
13:30E isso também é cabível em processo porque olha o que pode levar, olha o prejuízo emocional que isso também
13:38pode trazer para um idoso, doutor Rafael.
13:40É, obviamente, que existe repercussão jurídica, né?
13:43Em todo ato jurídico existe uma repercussão jurídica.
13:46Sendo identificado a participação de terceiros nessa eventual quadrilha, né, eventualmente, existe sim a possibilidade de ser buscado, inclusive, um
13:58ressarcimento, né, decorrente do dano moral ou dos danos materiais especificamente que ele teve.
14:05Uma das palavras que eu digo que é a mais importante para todo idoso aprender, inclusive para todos nós aprendermos,
14:11é a palavra não.
14:13A palavra não, ela tem sido banalizada pela perspectiva de educação.
14:19Nós fomos criados muitas vezes a falar, não pode falar não, você tem que falar só sim.
14:23Mas o idoso, principalmente, tem que aprender a falar não.
14:26Eu digo isso por quê?
14:27Porque a maior parte das pessoas que caem em golpes foram porque não disseram não.
14:32O caso de empréstimos consignados que são assumidos sem autorização, muitas vezes os idosos ficam com vergonha de falar para
14:38a atendente que liga ali no telefone e fala assim, olha, você tem um dinheirinho aqui liberado?
14:42A pessoa fala, não, eu não quero.
14:44Se a pessoa falar, não, eu não quero, e essa operação for validada, buscando uma gravação, você consegue impugnar.
14:51Agora, muitas vezes a pessoa fica com vergonha e fala sim, e aí depois isso tudo gera repercussão jurídica.
14:56Se alguém vem numa instituição financeira, dentro ali do caixa eletrônico, e vai te oferecer ajuda e você não tem
15:02segurança, busca um funcionário do banco na hora ou diga não.
15:07Fala, não quero ajuda.
15:09Por que eu coloco isso?
15:10Porque muitas vezes isso pode vir dentro da própria casa.
15:14Nós tivemos várias reclamações já, inclusive foi objeto já de matéria aqui, de que dentro da própria família às vezes
15:22pode ter alguém que está com a dependência química ou com uma questão psicológica deturpada, e isso pode ocasionar também
15:29uma fragilidade, principalmente da pessoa idosa.
15:33E isso só pode ser coibido com a palavra não.
15:36Então, obviamente que eu sei que existe dificuldade, principalmente quando é dentro da própria residência, mas isso dentro da perspectiva
15:43médica pode trazer repercussões muito ruins para o idoso, se não souber dizer essa palavra tão importante.
15:50Perfeito.
15:50Vamos fazer o seguinte?
15:52Pela internet, a gente também vai convidar aqui o professor especialista em computação, o professor Otávio Lube,
15:59e ele vai explicar para a gente como que nós podemos ajudar aos idosos a não caírem nesses golpes de
16:06internet.
16:06Professor, obrigada pela sua participação.
16:09Queria que você explicasse para a gente, principalmente pensando nos filhos, os netos, como que a gente pode atualizar os
16:16nossos pais, os nossos avós.
16:18Boa tarde.
16:20Boa tarde, pessoal.
16:22Boa tarde, Roberta.
16:23Boa tarde, seu Sebastião.
16:25Tudo bem com vocês?
16:25É um tema bastante sensível, porque envolve toda uma questão de educação.
16:32A gente não está falando necessariamente de uma questão de problemas tecnológicos, mas sim de uma cultura de utilização da
16:40tecnologia.
16:41E isso é fundamental.
16:43Isso a gente precisa lembrar que os nossos pais, os nossos avós começaram a usar a tecnologia há muito pouco
16:51tempo.
16:51E nós somos aquilo que nós chamamos de nativos digitais.
16:54A gente conhece um pouco mais de tecnologia, porque a gente cresceu com a tecnologia, né?
16:59Eu nem tão nativo mais.
17:02Mas existem, sim, algumas recomendações que a gente pode fazer para evitar esse tipo de golpe,
17:07que, como muito bem dito na reportagem, é o que nós chamamos de engenharia social.
17:12Então, não é coisa de um hacker, não é coisa de um criminoso sozinho.
17:18É coisa de um grupo de criminosos, de uma organização criminosa, que se junta para aplicar golpes de extorsão, golpes
17:26de roubo de informações e golpes de transações financeiras, como a gente vê aí no caso do seu Sebastião, fazendo
17:36aí algumas transações inadequadas, né?
17:38Algumas transações que não deveriam ser permitidas.
17:42Então, a primeira grande dica para que a gente evite esse tipo de golpe é que a gente tenha ciência
17:49dos aplicativos, ou seja, das soluções tecnológicas que podem fazer essas transações financeiras no nosso celular, no nosso computador.
17:59Porque tudo isso, tecnologicamente, é bloqueável.
18:03Ou seja, a gente pode bloquear transações financeiras no celular, a gente pode bloquear transações financeiras de um computador, a
18:11gente pode limitar o valor das transações financeiras.
18:15Então, uma curiosidade que eu estou vendo aqui na reportagem é que, dentre as transações, que, como muito bem colocado,
18:21foram transações altas, a gente percebe que os valores não são os mesmos, né?
18:26Por que isso acontece? Porque se você tenta fazer duas transações de mesmo valor, o banco tem aquilo ali, a
18:33instituição financeira tem aquilo ali como uma possível fraude e vai fazer o bloqueio.
18:38Então, você percebe como que isso é obra numa organização criminosa que sabe exatamente o modo operante do mercado, das
18:47instituições financeiras.
18:48Então, é muito importante a gente se juntar com os filhos, com os netos, para saber, olha, onde que eu
18:55posso fazer transações financeiras aqui?
18:58Onde que eu posso fazer algum tipo de transação que pode me levar a um prejuízo?
19:03Eu posso desabilitá-la?
19:05Um caso muito recente é o caso do próprio Pix, né?
19:08As pessoas começarem a tomar cuidado para fazer limitações desses aplicativos para que essas transações não sejam possíveis.
19:16E, claro, existe um processo educacional, é ensinar a usar, ensinar a usar os aplicativos, mas também, como já foi
19:25bem colocado aqui pelo doutor aqui nessa reportagem,
19:29é aprender a dizer não, aprender a lidar com o fato de que nós recebemos, infelizmente, todos os dias, ligações
19:36tentando roubar informações para que esse tipo de golpe seja praticado.
19:41Então, é todo um processo de educação, é todo um processo de conscientização que precisa ser feito para que a
19:47gente pare de cair nesse golpe e para que, claro, as pessoas que cometem esses golpes sejam cada vez mais
19:53punidas.
19:53E aí vem sempre a última recomendação que eu dou, a última, talvez a principal, que é denunciar.
20:00Como a doutora acabou de colocar, que as pessoas têm até vergonha de falar, isso é verdade, eu lido com
20:07isso todos os dias, com as pessoas com vergonha de falar, de denunciar, justamente com medo dessa repreensão.
20:13A gente tem que ter, de certa forma, essa noção de que quanto mais nós denunciarmos, mais esse tipo de
20:20golpe vai ficar à mostra para que as pessoas responsáveis sejam punidas.
20:25Perfeito, professor. Já volto a falar com você, já que você já deu essa dica aí da importância da denúncia.
20:30Então, eu quero trazer essa pergunta aqui para o doutor Rafael Vasconcelos.
20:34Em que momento e o que a gente usa como prova?
20:37Como é que eu vou provar, né, seu Sebastião, que é uma mulher e estava falando comigo no telefone? E
20:40aí?
20:41É muito importante. Existem, inclusive, aplicativos, né?
20:45Dentro da área da seara dele, né? Existem muitos aplicativos de gravação.
20:49Existe a possibilidade, no caso dos idosos, seria muito bom até para a família ajudar, a gravação das ligações que
20:55foram efetivadas, tá?
20:57Dentro do aparelho. E aí, essa ligação gravada, ela pode, sim, servir como prova, principalmente nesses casos.
21:03Uma demanda que é muito importante ser feita, principalmente, inclusive, no caso dele, é a lavratura do boletim de ocorrência.
21:10Existe uma delegacia especializada na defesa do idoso.
21:13Então, essa delegacia, ela tem a demanda mais simplificada para o idoso.
21:18Se houver qualquer tentativa e forem vazadas informações do idoso, é muito importante fazer o boletim. Por quê?
21:26Depois que os estelionatários buscam e têm todos os dados de documentos da pessoa idosa,
21:32é muito comum que esses dados vazem e, depois, empréstimos sejam validados,
21:37que sejam feitos cadastros para a liberação de crédito nessas lojas, departamento, com falsificação de documentos.
21:45Então, muito importante, não passe fotografia de documento para instituições, a não ser que você saiba a credibilidade.
21:54Então, eu falo, se você precisa fazer algum empréstimo, alguma coisa, é melhor você procurar uma instituição que você saiba
21:59da credibilidade
21:59do que você fazer pelo telefone com uma pessoa que você nunca viu na vida.
22:03Então, é muito importante que você busque, ao máximo, a segurança. Por quê?
22:07Mesmo com segurança, a gente pode ter problemas jurídicos, né? A gente pode ter repercussões.
22:11Então, é melhor você evitar problemas. O boletim você vai guardar pelo resto da vida, ou pelo menos por 5
22:19ou 10 anos.
22:20Por quê? Porque se o seu documento for fraudado, não naquele mesmo momento, mas daqui a 2 anos,
22:25e você tiver que buscar esse boletim, você vai ter mais dificuldade.
22:28Então, guarde isso, coloque com bastante clareza no detalhamento do boletim, que aquela informação vazou,
22:35para que se houver depois qualquer negativa, indevida, você tenha, inclusive, a possibilidade de acionar na justiça e se proteger.
22:42Vamos saber aqui com o senhor, com o senhor Sebastião, você chegou a fazer também o boletim de ocorrência?
22:46Sim, fiz. Foi a primeira coisa que eu fiz, foi...
22:49Foi a sua primeira costura?
22:50Não, a primeira foi no banco, né? Cancelar o cartão.
22:53E depois eu fui na delegacia denunciar.
22:57E agora vem a pergunta, eu me coloco no lugar do senhor, a fatura vai chegar agora, no mês de
23:01agosto.
23:02E aí, seu Sebastião?
23:03E aí? É que tem que ver como é que eu vou fazer isso, né?
23:08Tem que... Porque o salário é baixo.
23:10A gente imagina o desespero do senhor, no momento desse.
23:13É, o salário é baixo, só que ele tem que...
23:17Se não tiver outro jeito, ele tem que pagar, né?
23:20Tem que correr atrás, fazer alguma coisa.
23:23Mas tem chance, né, doutor Rafael? Só para a gente finalizar.
23:26Sim, na hipótese dele, se ele tiver, ele abriu, provavelmente, ele abriu uma contestação no banco.
23:31O banco tem um prazo específico para apuração dos fatos, tá?
23:36E com esse prazo específico que o banco trouxe para ele, ele não faz esse pagamento.
23:41E se houver qualquer discussão, ele pode levar isso à justiça para poder impugnar ou discutir isso na justiça.
23:47Inclusive, com relação à responsabilidade do banco, que acatou operações tão altas, né?
23:51E que são fora do padrão de consumo dele.
23:53Tá certo. Obrigada, gente, pela participação de todos vocês.
23:56Obrigada, professor Otávio, também, que participou com a gente pela internet.
24:01E a gente fica nessa expectativa, na torcida pelo senhor.
24:04Quero notícias, viu, Sr. Sebastião?
24:05A gente fica aqui, ó, nessa positividade, nessa esperança de que o senhor consiga, de fato, esse dinheiro de volta.
24:12Um abraço, viu? Uma boa tarde.
24:13E aí
24:13E aí
24:13E aí

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