- há 3 semanas
Pais precisam ficar de olho no que os filhos estão acessando pela internet
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00:00Um jovem universitário, estudante de psicologia, que não levantava nenhuma suspeita da vida dupla que ele tinha.
00:09E aí usava os conhecimentos da psicologia para enganar, para atrair essas crianças.
00:15A gente não pode deixar de ser vigilante com os nossos filhos.
00:20Ah, eu conversei já essa semana. Será que é o suficiente?
00:23Vamos bater um papo sobre isso?
00:25Vem cá, aqui no nosso estúdio eu recebo Daniela Sampaio, que é psicóloga.
00:29Recebo também o Otávio Lube, gente, que ele é professor de Computação e Sistemas da FAESA.
00:35Obrigada pela participação de vocês.
00:37E a Enikele, que se preocupa muito também com a segurança dos filhos na internet.
00:44Essa reportagem que a gente viu agora, Enikele, te preocupa, te assusta? E de que forma?
00:51Boa tarde.
00:52Boa tarde.
00:52Me assusta porque hoje a mídia, as crianças, elas estão muito...
00:59Não é igual antigamente.
01:01Hoje até o meu filho de 3 anos, ele pega o celular e ele consegue mexer em algumas coisas no
01:07celular.
01:08Entendeu?
01:08Então assim, as crianças de hoje, elas estão muito acessíveis às tecnologias, né?
01:14Em questão assim, está muito...
01:15É próxima delas.
01:17Isso preocupa bastante a gente que é mãe, né?
01:19Aí você tem um de 3, aí essa preocupação aumenta ainda mais com o de 8?
01:25Exatamente.
01:26Ontem mesmo chegou um rapaz lá em casa mexendo no computador e eu falei assim, você viu o silêncio da
01:30casa?
01:31Agora vem cá pra você ver.
01:32É só assim pra ter silêncio.
01:34O pequenininho no sofá, no desenho, no celular e o maior do lado no joguinho brincando, entendeu?
01:41Deu um silêncio à casa.
01:43Tira o celular, parece que tem mil crianças dentro de casa.
01:47E aí a gente nem sempre sabe o que eles estão jogando, com quem que eles estão jogando, o que
01:53está sendo oferecido ali em troca.
01:55Primeiro vamos entender como é que funciona tudo isso.
01:57Professor Otávio, como que esses criminosos escolhem essas possíveis vítimas no mundo da internet?
02:07Boa tarde, pessoal.
02:09Então é uma pena a gente estar falando sobre esse assunto, né?
02:11Sobre tudo isso, preocupante.
02:13Mas a gente precisa lembrar que a gente está falando de uma quadrilha, né?
02:17São criminosos especializados.
02:18A gente está falando de um universitário, uma pessoa que tem conhecimentos versado aí em psicologia
02:24e que com certeza conta, ali por baixo dos panos, de outras pessoas que fazem o que a gente chama
02:31de engenharia social.
02:33Então elas investigam as informações daquelas crianças.
02:36Não só das crianças, investigam as nossas também.
02:39Mas as crianças, os jovens, são o público mais susceptível a algumas pequenas coisas.
02:44Como, por exemplo, postar na internet.
02:47Então eu sou um jovem que joga o meu joguinho e publico coisas na internet?
02:51Eu compartilho coisas do meu joguinho?
02:53Olha, ganhei um prêmio, compartilho?
02:55Então quer dizer que, por exemplo, aquele jovem, ele é mais susceptível àquela ideia de prêmio.
03:00E quando a gente fala, como a reportagem falou, de quadrilha internacional, nós estamos falando de uma quadrilha que tem
03:06recursos financeiros.
03:07Então aí esse jovem é colocado lá dentro do leque de possíveis vítimas, porque se eu der um pequeno prêmio,
03:14um pequeno voucher, e os jogos digitais hoje são muito cheios disso, né?
03:18Ah, eu vou fazer uma pequena compra aqui, é o terror dos pais no cartão de crédito, aquela coisa toda.
03:24E a gente sabe que, como pais, a gente tende a limitar.
03:26E para as crianças é muito mais simples conseguir.
03:30Ah, o meu amiguinho vai me dar um prêmio, porque com o meu pai, com a minha mãe é mais
03:34difícil.
03:35Então pode começar por aí.
03:36Pode começar por uma análise de perfil social dessa criança, desse jovem, pelo que ela compartilha nas redes sociais.
03:43Se os perfis dela são expostos, se ela é mais susceptível a esse tipo de abordagem.
03:48E isso faz com que, talvez, esses jovens sejam ali os primeiros da lista a serem abordados por esse tipo
03:54de criminoso.
03:55E eles já agem de imediato ou eles vão ganhando a confiança dos nossos filhos?
03:59Com certeza eles vão ganhando a confiança.
04:02Universo dos games, né?
04:04Hoje em dia a gente tem várias redes sociais.
04:06A gente fala, por exemplo, de Discord, de Telegram.
04:09Mas os próprios games, hoje em dia, têm plataformas que são parecidas com redes sociais.
04:16Então eu tenho o meu personagem, o que torna até muito difícil combater o que o delegado falou.
04:21Porque, olha, vamos conhecer quem são os seus amigos no mundo virtual.
04:24Mas isso está dentro de um mundo virtual que provavelmente os pais não participam.
04:29Então é uma coisa muito paulatina ali.
04:32Acontece com o tempo, então se faz amizade.
04:34Aí o que acontece?
04:35Normalmente eu posso aparecer com um personagem cheio de atributos e alguém vai perguntar, como é que você conseguiu isso?
04:42Então aí começa toda a parte de aliciação que acontece com esses jovens.
04:48Então é muito importante a gente atentar a isso, principalmente no universo em que a gente fala cada vez mais
04:52de inteligência artificial.
04:53Porque a gente estava conversando há pouco.
04:56Ah, mas será que tem uma outra criança, um outro jovem?
04:59Mas às vezes, com a tecnologia de hoje, já é possível até simular a voz de uma criança no jogo.
05:05Ou seja, o criminoso se passa por um amigo, um adolescente, uma criança que está ali jogando com ele.
05:11Conquistou a confiança, percebeu que ele é uma possível vítima e aí pode acontecer como a gente viu na reportagem.
05:17Infelizmente.
05:18Dani, como é que a gente consegue conquistar a confiança dos nossos filhos para se caso eles estejam entrando em
05:26algo errado, que eles comecem a perceber, eles venham contar para a gente?
05:30Porque nem sempre eles contam, né?
05:32Verdade.
05:33Eu costumo dizer que a confiança tem duas vertentes.
05:36Quando é com relação aos pais, ou a pessoa que é responsável, ela costuma ser um pouco mais difícil, visto
05:42que é uma figura de autoridade.
05:44Então, eu costumo dizer no consultório assim, conquistar essa confiança ali, como você, como figura de autoridade, é um pouquinho
05:52mais difícil.
05:53Porque ele precisa entender que você não vai só brigar por brigar, mas que você quer ensinar.
05:58E você falou, Roberto, eu achei importantíssimo.
06:01Não vale, não adianta, infelizmente, conversar assim, ah, mas eu já conversei com ele.
06:05Mas quando isso? Um mês atrás.
06:07Tem que ser um exercício diário.
06:09Eu preciso conversar com essa criança, com esse adolescente?
06:11Todos os dias.
06:12Nossa, mas hoje ele chegou com uma cara boa, chegou tão bem.
06:14Eu preciso conversar.
06:15Como é que foi seu dia?
06:16Eu preciso que isso seja um exercício diário.
06:19Agora, se você fizer esse paralelo com essa confiança entre pai e filho, mãe, responsável, com a confiança com o
06:26terceiro, você percebe a diferença.
06:28A confiança com o terceiro era um pouco mais fácil.
06:31Pensa no seguinte exemplo.
06:33Digamos que a criança está na piscina, e aí sua amiga está na sua casa, sua amiga fala, pula, ela
06:37pula.
06:38Se um adulto falar para o outro, você fala, opa, eu não, não sei, você vai segurar, você não tem
06:42tanta confiança.
06:42A criança confia mais rápido.
06:44E isso, Roberta, é um alerta muito importante que a gente precisa fazer, pensando no seguinte aspecto.
06:50Eu preciso respeitar essa criança.
06:52Eu preciso respeitar quando ela fala não.
06:54Porque, às vezes, uma amiga minha vai lá em casa, e aí a minha amiga fala assim, vem fulaninha, me
06:57dá um beijo.
06:58A fulana fala, não quero.
06:59Vai, fulana, isso é falta de educação.
07:01Dá um beijo na tia.
07:02Dá um beijo, ela está te pedindo.
07:04Não é.
07:04A gente precisa respeitar a vontade dela enquanto indivíduo.
07:07Então, eu não quero.
07:08Então, tudo bem, sabe?
07:10Mesma coisa, a avó, eu vejo tanto isso no consultório.
07:12Minha mãe chamou minha filha para ir lá.
07:14Minha filha não quer ir, mas ela está querendo tanto.
07:16A gente precisa respeitar.
07:17E aí, Roberta, vem aquele problema da gente quando adulto, que é dificuldade de dizer não.
07:22A gente entendeu que ser educado é dizer sim.
07:25Tanto que, quando eu digo não, eu preciso me justificar.
07:29Então, assim, vamos tomar um sorvete?
07:30Vamos.
07:31Agora, vamos tomar um sorvete e se eu não quero, eu tenho que falar não, porque eu tenho
07:34que arrumar casa, porque eu tenho que...
07:35Toda vez que eu digo não, eu preciso me justificar.
07:37Quando, na verdade, eu deveria ser criado e entendido que, bom, o não, ele é natural
07:42também.
07:42Então, que essas crianças e adolescentes saibam dizer não, porque quando essas pessoas
07:46surgem na internet, eu preciso dizer não.
07:48Eu entendo que isso não é certo, eu entendo que meu pai...
07:50Enfim, por qualquer motivo que seja, mas eu preciso naturalizar o não também.
07:54Daqui a pouco você vai contar também pra gente os sinais de que sua filha ou seu filho
07:59possa estar sendo persuadido na internet.
08:03Agora, Enikele, nesse mundo virtual dos nossos filhos, você conhece os amigos virtuais dele,
08:11como disse o professor Otávio Lube, agora pra gente?
08:14O Davi, que tá mais perto de mim, de 8 anos, quando eu pego o celular dele pra olhar
08:20no WhatsApp, aí eu vejo umas carinhas lá de boneco, quem é esse aqui?
08:24Ah, é fulano, é ciclano, é beltrano.
08:27Às vezes, até os próprios amiguinhos fazem vários joguinhos, ah, é da escola, aí bota
08:32lá uma carinha, aí bota os amiguinhos, alguns amiguinhos da escola, entendeu?
08:37Aí, às vezes, ele vai pro quarto, aí eu vejo que ele tá rindo, tá brincando, você
08:40tá conversando com quem?
08:41Ah, é uma brincadeira aqui, mãe, que é um monte de gente.
08:46Aí preocupa, né, esse monte de gente, quem é esse monte de gente?
08:49Exatamente, aí eu vou lá, pergunto ele, peço pra olhar e pego o celular e olho.
08:54Aí ele, nossa, você atrapalhou o meu jogo, às vezes ele fica com raiva, ele fica bravo,
08:58você atrapalhou o meu jogo, aí eu olho pra ele e falo assim, mas eu tenho que atrapalhar
09:03o seu jogo, sim, porque eu quero saber.
09:05Aí depois eu vou, explico ele, entendeu?
09:08Porque ele tem que entender, né?
09:09Naquele momento ali ele não entendeu, mas depois ele tem que entender.
09:12Nessas horas é pro pai e pra mãe pegar o celular e fazer essa intervenção, a gente
09:16fica na dúvida, né?
09:17Sim.
09:18E exatamente assim, é mostrar que é proteção, porque se ele fica com raiva e vai esconder,
09:22então ele precisa entender o quê?
09:23Minha mãe tá preocupada, ela quer me proteger.
09:26Porque como o Ben falou ali na reportagem, a gente precisa mexer mesmo.
09:29Hoje em dia tem muita coisa assim de, eu preciso ter minha privacidade, mas eu acho, Roberta,
09:34que a gente precisa colocar na balança, sabe?
09:36Assim, tem que ter a privacidade, mas até que ponto, visto que os dias de hoje não são
09:41os dias de semana passada já.
09:43Então, essa tecnologia tá avançando tão rápido que talvez, cada um vai fazer a sua
09:49avaliação em casa, claro, mas talvez a privacidade precise ficar em segundo plano agora,
09:54pra que eu possa sim acessar tudo aquilo que você tá mexendo e sempre te explicando
09:59o motivo pelo qual eu tô fazendo isso.
10:00É uma preocupação.
10:01Agora, professora, a gente não imagina, né, pra onde é que vão essas imagens quando
10:07chega a esse ponto que os nossos filhos, os nossos sobrinhos ou o seu neto enviou
10:12pra esse criminoso.
10:14Isso pode ganhar quais proporções que a gente nem imagina?
10:18É, infelizmente, é até difícil falar isso, né, falar da parte técnica, mas existe
10:22existe uma rede internacional de pessoas que, na minha opinião, fazem parte dessa
10:29quadrilha, desse crime organizado em torno de tudo isso, que compra, que financia esse
10:35tipo de coisa, né?
10:36Então, a gente pode dizer que isso é um submundo, é uma dark web, como muitas pessoas
10:40se referem, que há pessoas que financiam porque pegam essas imagens e comercializam
10:47essas imagens.
10:48E isso é perigosíssimo, né, porque a gente tá falando do mundo todo, então, a gente
10:52tá falando de crianças brasileiras que vão aparecer nesse submundo, no mundo todo
10:59e pode comprometer o futuro desses jovens.
11:02Então, existe sempre uma rede de crime organizado, uma rede por trás disso tudo que faz essa
11:07comercialização e que é fácil pra eles financiar.
11:11Porque pra eles é barato, pra eles é simples você financiar com itens de jogo, você financiar
11:17com moeda digital, com moeda virtual.
11:19É uma coisa que chama muita atenção dos jovens hoje em dia, porque é uma forma deles
11:24participarem, deles fazerem parte de uma comunidade virtual.
11:28Agora, muitos desses jogos têm classificação.
11:32Como que essas crianças, como que esses adolescentes conseguem burlar o sistema, é fácil assim
11:40e instalar o joguinho, continuar ali e criar um personagem, permanecer no jogo?
11:45Olha, do ponto de vista tecnológico, o jogo, ele pede o comprometimento, a maioria dos jogos
11:50tem lá um controle de idade, né?
11:53E quando a pessoa vai fazer um cadastro num jogo, ela coloca qual é a idade dela, qual
11:56é a data de nascimento dela.
11:57Mas não existe uma verificação, por exemplo, você tem que submeter aqui a sua certidão
12:01de nascimento e eu vou fazer uma análise, assim como é, por exemplo, com um banco digital,
12:05que eu vou fazer uma análise do seu documento pra saber se eu vou te liberar.
12:09Então, não existe exigindo, assim, cada vez mais esse controle parental, essa coisa dos
12:14pais acompanharem.
12:15O que que os nossos filhos jogam?
12:17O que que os nossos filhos têm instalado nos celulares?
12:20Eu não penso que o caminho seja repreensão.
12:22Mas sim, a demonstração.
12:25A gente vê esses casos como a gente tá mostrando aqui agora, eu penso que seja o caso, sim,
12:29dos pais mostrarem, olha filho, sabe por que que eu tô perguntando pra você?
12:33Olha essa reportagem aqui.
12:34Ou seja, aquele coleguinha que tá lá com uma máscara, todo enfeitado, cheio de item,
12:40ele pode ser uma pessoa, ele pode ser um adulto, ele pode não ser um coleguinha seu.
12:44E geralmente é assim que eles aparecem?
12:46Todos enfeitados, assim?
12:48É o que eles chamam de avatares, né?
12:50A gente teve até um filme recentemente, mais uma vez, com isso, que é o avatar.
12:54A pessoa, ela não aparece com a face dela, ela não aparece ali.
12:57Ela aparece toda cheia de itens, toda personalizada.
13:02E o que chama muita atenção.
13:03Porque, no final das contas, esses itens acabam também dando vantagens competitivas no jogo.
13:09Isso chama muita atenção dos jovens, porque eles querem se destacar.
13:13O universo de jogos virtuais é assim, é uma forma de se destacar frente aos outros colegas também.
13:20Tem rankings, tem pontuação, tem aquilo tudo, e isso com certeza é algo que chama muita atenção desses jovens.
13:27E quem vê cara não vê coração, né?
13:28A gente está falando aí de um criminoso que é estudante de psicologia.
13:34Jovem, 26 anos, poderia ter um futuro brilhante na vida, mas não.
13:41Dani, a gente nunca pode ter confiança em ninguém.
13:47Ah, porque é estudante.
13:48A gente não sabe que por trás pode ser um criminoso.
13:52Isso, eu falo sempre isso, assim, a gente tomar cuidado, porque senão a gente pega a profissão da pessoa e
13:56intitula ela como boa, né?
13:58Então, assim, nossa, é um médico, não vai fazer isso jamais.
14:00E eu gostei muito do seu exemplo, assim, do exemplo que o professor deu, com relação a mostrar mesmo, assim,
14:05mostrar as matérias.
14:07Eu preciso, como eu falei agora, assim, eu preciso que essa criança, esse adolescente, entenda o motivo pelo qual eu
14:12estou fazendo isso.
14:13Então, mostrar exemplos práticos, assim, olha, realmente isso aqui aconteceu.
14:17A partir de qual idade, Dani? Assim, que ele começa a entender, para trazer para frente da televisão, mostrar uma
14:22reportagem.
14:23A gente não fala em idade específica, Roberto, porque o desenvolvimento, ele é muito individual, né?
14:28Mas a gente entende que a partir de oito anos, sete anos, ele já tem um entendimento bem...
14:32O seu filho tem quantos anos?
14:33Oito.
14:33Oito.
14:34Normalmente é a cidade, né? Não sei.
14:35A Maitê com o oito também, a Maitê já começa a entender.
14:38Entende, entende bastante.
14:39E ela fala, mas você já falou comigo sobre esse assunto.
14:42E aí, por isso, nesse momento que é importante explicar, né? Por que eu estou falando de novo, tá vendo?
14:46Agora é outro caso, olha como que tem acontecido.
14:48E a gente estava falando, Roberta, sobre percepção. Eu, enquanto mãe, enquanto responsável, como que eu percebo, de repente, uma
14:55alteração no meu filho que possa estar acontecendo algo errado?
14:58Eu falo que é, literalmente, uma alteração no comportamento. Por quê? Não necessariamente, assim, ah, ele vai ficar mais agressivo.
15:03Não. Perceba qualquer alteração, ainda que ela seja muito pequena. Porque, às vezes, a pessoa, você pensa assim, não, mas
15:11não está acontecendo nada com o meu filho, ele está tão quietinho, ele está tão bem.
15:14Mas, às vezes, o quieto é justamente porque ele está sendo ameaçado, porque ele está com vergonha, porque estão ameaçando
15:19-se por alguma foto dele.
15:21Então, eu sempre dou o mesmo exemplo, sabe? A pessoa é muito ativa e ela foi ficando mais calminha, chama
15:27atenção.
15:27Ou, ao contrário, ela é muito tranquila, está ficando muito revoltada, está agressiva, também esteja sempre atento.
15:33Olha só, a gente tem aqui algumas participações no Facebook.
15:36A Luciana Quintela, ela diz, eu tenho que olhar todos os dias.
15:41Ela até usou um termo, pente fino, literalmente.
15:45E não é fácil, porque tem que decifrar a linguagem da criança e do adolescente.
15:50Eles são complicados, né? Mas ela, ainda assim, se esforça para entender.
15:55A gente também tem aqui o comentário da Maria Helena Lucas.
15:58Ela diz, dizer não, que é o que a Dani já reforçou aqui,
16:02é a forma que foi criado também.
16:04Hoje em dia, os pais só falam sim.
16:06Aí também ficam livres, deixam horas e horas na internet também, nesses jogos.
16:12E a gente também, aqui mais uma vez, a Maria Helena reforça o comentário dela.
16:16Criança não tem privacidade.
16:18Na opinião dela, são crianças.
16:19Então, tem que ter esse olhar mesmo.
16:21E aí, para você, Nikele, igual aqui a gente vê o comentário da Luciana,
16:25que ela fala que ela tem essa dificuldade de decifrar o universo das crianças e adolescentes.
16:31Você, como mãe de um menino de 8 anos, também percebe essa dificuldade?
16:36O Davi, ele ainda não está nessa fase de pegar as palavras pelas metades.
16:42Já a Emily tem.
16:44Às vezes, ela manda uma mensagem.
16:45O que você escreveu aqui?
16:47Que eu não estou entendendo.
16:49Nossa mãe.
16:50Entendeu?
16:51Já o Davi, não.
16:52Davi já...
16:53Só que, por exemplo, o celular do Davi tem um aplicativo que o meu sobrinho colocou no meu celular,
16:58que todo joguinho que ele vai abaixar, porque como ele é menor de idade,
17:02teve que baixar no meu e-mail.
17:05Então, todo...
17:06Eu tenho que autorizar.
17:08Então, eu tenho que permitir.
17:09Então, ele baixa lá, aí já vem para o meu lado.
17:12Eu posso baixar esse joguinho aqui?
17:13Por quê?
17:13Porque eu tenho que permitir.
17:15Entendeu?
17:16Então, assim, eu já consigo monitorar ele ali.
17:19Já a Emily, não.
17:21Então, eu peguei o celular dela e coloquei um rastreador para eu saber onde ela está.
17:25Na época, ela ficou assim.
17:27Ela não gostou, né?
17:28Na época, ela tinha 15 anos.
17:30Falei, não, porque eu preciso saber.
17:32Porque...
17:32E quando eu não conseguir falar com você?
17:34Eu sei onde você está.
17:36Então, assim, ela conseguiu aceitar.
17:39Então, assim, a gente vai usando as nossas artimanhas.
17:42Entendeu?
17:43Isso é tão importante, Roberto, porque eu conversava com o meu afilhado e eu vi ele
17:47falando algumas expressões que eu não fazia ideia do que ele estava querendo dizer
17:50de verdade.
17:50Eu não vou lembrar a expressão agora, mas eu lembro que eu perguntava assim, o que
17:53que é dizer isso?
17:53Ele falava assim, ah, é jogar só nós dois.
17:55Eu não vou lembrar a expressão, mas tem uma forma que é jogar em grupo e tem uma
17:58forma que é, vamos fazer não sei o quê?
17:59Eu falei, o que que é isso?
18:00Como?
18:01X1.
18:02X1.
18:02X1 quer dizer jogar?
18:04Fazer o X1 é você jogar um contra o outro.
18:06Pensa, Roberta.
18:07Você vê, longaço, vamos fazer X1.
18:10Falei, o que que será que eles estão conversando?
18:11Eu não entendo, eu vou saber o que que é isso.
18:13E aí você tem que...
18:14Aí, novamente, é o diálogo, porque eu não vou entender essa linguagem.
18:18Aí você tem que estar atento, porque pode ser jogar nós dois, pode ser outra coisa,
18:21pode ser uma foto, pode...
18:22Não sei.
18:23Então, você tem muita razão quando você chama atenção pra essa linguagem, que
18:27a gente tem que entender também.
18:28Olha que difícil.
18:29Mas a gente precisa saber, porque às vezes a gente lê e não sabe o que quer dizer
18:32isso.
18:32E aí, o que que eu faço, então?
18:34Se aproxima do filho e fala, me ensina.
18:36Pensa.
18:36A gente tem que pedir pra eles ensinarem pra gente.
18:40Aí vem a confiança de novo, porque...
18:41Ou então a gente tem acesso, né, a algumas pessoas com mais conhecimento na área, adultos
18:46mesmo.
18:47Justamente, eu fui atrás pra entender, porque eu não fazia ideia do que era...
18:50E essa é uma expressão, tem inúmeras, né, que eles conversam lá entre eles que você
18:54não sabe o que quer dizer.
18:55Quais são as expressões mais conhecidas, além dessa X1 também, pra que a gente
18:59possa entender, falar assim, não, essa linguagem tá tudo ok.
19:02Vamos nos atualizar, pai e mãe?
19:03Presta atenção, diz aí pra gente.
19:05Não, não é que eu também não sou tão jovem assim.
19:08Mas fazer o X1 é jogar um contra o outro, fazer o multiplayer é jogar todo mundo em
19:13grupo, né?
19:14Ter uma pessoa noob, é uma pessoa nova no jogo, né?
19:18Noob.
19:18Noob.
19:19Isso, exatamente.
19:20Multiplay, então, é todo mundo junto.
19:23X1 é jogar um contra o outro.
19:25E noob é o que mesmo?
19:26Noob é um novato, é um iniciante no jogo.
19:30Tá vendo?
19:30A gente tem que constantemente se atualizar pra gente entender o universo dos nossos filhos
19:35sem proibir, sem podar, mas ao mesmo tempo acompanhando.
19:40Não é isso, Dani?
19:41É muita coisa, né, Roberto?
19:42Imagina.
19:43Você tem que trabalhar, você tem que dar conta do filho, você tem que saber um pouco
19:46da expressão dele.
19:47Mas assim, é o mundo, né, gente?
19:48E o que a gente tava falando agora, a tecnologia, ela tá vindo muito rápido.
19:52A gente vai ter que dar um jeito de tentar acompanhar e buscar informação é o caminho.
19:56Você já tentou acompanhar em algumas vezes, Anikele?
19:58Assim, eu prefiro passar reto.
20:02Não, eu acompanho.
20:04Se atualiza nos termos também, nesses termos aí?
20:06Sim, sim.
20:07A gente tem que se atualizar, porque senão a gente fica perdida, né?
20:10Tem que...
20:11É igual eu falei, é quando é uma frase que a Emily me manda que eu não...
20:15O que é isso?
20:16O que significa isso?
20:17O Davi não chegou nessa fase ainda, porque ele ainda tá muito imaturo.
20:21Mas eu procuro sim, me atualizar, procuro correr atrás, saber o que que é.
20:26Igual a questão...
20:26Eu não sabia que o celular tinha um aplicativo.
20:29Aí o meu sobrinho tinha nem que coloca pra mim qual é o aplicativo.
20:33Entendeu?
20:33Então assim, a gente tem que procurar acompanhar, né?
20:36E vou tentar evoluir junto, né?
20:38Gente, obrigada pela participação de vocês.
20:41Esse alerta é tão importante pra família, né?
20:43Uma boa tarde.
20:44Boa tarde.