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  • há 3 semanas
Pais pedem ajuda para os avós na criação dos filhos, mas nem sempre é possível.

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Transcrição
00:00E é isso, tá? A voz sendo a voz. Nem sempre eles querem assumir o papel que deveria ser de
00:08quem?
00:08Dos pais. A gente tem ali, né, nossa rede de apoio.
00:13Quantos pais às vezes pedem aquela ajuda para os avós, né, na verdade para a avó das crianças.
00:18Mas aquela ajuda mesmo, a principal de educar, é nossa.
00:23Então a gente precisa também respeitar a decisão deles.
00:26Vamos bater um papo sobre esse assunto? Vem cá, aqui no nosso estúdio eu recebo a psicóloga Elza Leite.
00:33Obrigada pela sua participação, boa tarde.
00:36Dona Zilda, gente. Dona Zilda, obrigada pelo seu carinho com a gente sempre, obrigada pela sua participação.
00:43E dona Bernadette, essa daqui nem se fala. Quantos netos?
00:47Boa tarde, nossa, toma, vai, boa tarde.
00:51Boa tarde a todos, oito netos.
00:54Oito netos. Fala mais pertinho no microfone.
00:57Oito netos.
00:58E aí...
00:59Quatro bisnetos já.
01:00Ó que benção. E nasceu agora a Cecília, né?
01:03A Cecília, linda, maravilhosa.
01:05Que gracinha. E a senhora, dona Zilda, quantos netos?
01:07Quatro netos, sendo três de sangue e um de coração.
01:12Mas eu tenho o mesmo carinho, igualzinho com os outros.
01:17E também tem bisnetos?
01:19Tem dois bisnetos.
01:20E como é que é essa relação?
01:22Os filhos pedem ajuda?
01:25É, eles pedem ajuda, mas não é assim de fugir da irresponsabilidade deles, não.
01:31Graças a Deus.
01:32Quando eu posso ajudar, eu ajudo.
01:35Mas eles não botam, assim, sobrecarga, exigem, não.
01:41Bem tranquilo.
01:42Mas já teve alguma vez que a senhora se sentiu cansada?
01:45Ai, meu Deus.
01:47Hoje não, meu pai.
01:49Fala a verdade, dona Bernadette.
01:51Fala a verdade, eles vão entender a senhora.
01:53Já.
01:53Já, né?
01:55Mas não acontece sempre, não.
01:57Mas já aconteceu.
01:58Já, já.
01:58Já aconteceu.
01:59A gente sabe que já.
02:00E a senhora, dona Zilda, já aconteceu também dos filhos pedirem aquela ajuda a mais?
02:05Que a senhora falava assim, meu Deus, hoje não.
02:08Não.
02:08Sempre a minha filha, né?
02:10Porque eu só tenho um casal de filhos.
02:11A minha filha que ganhou o neném primeiro, ela sempre se virou pra lá.
02:15E eu fui sempre uma mãe, uma avó presente, carinhosa.
02:20Mas eu trabalhava muito também, porque eu trabalhava fora, então eu não podia.
02:23Ela nem podia me pedir pra tomar conta do neném.
02:26Aí, sempre eu fiquei de fora, assim, pra tomar conta, não.
02:30Não sobre carga, não.
02:31Pois é, a gente tem visto, inclusive tem até estudos, pesquisas, né?
02:37Que falam sobre a síndrome da avó explorada.
02:42E aí, a gente se pergunta, né?
02:46Quando que é a hora de pedir ajuda e quando que não é, né?
02:51Qual que é o limite desse pedido?
02:55Bem, a gente precisa primeiro entender que filho é responsabilidade dos pais e não dos avós.
03:01Os avós, eles podem entrar com uma rede de apoio em várias áreas, emocional, financeira, de cuidado.
03:08Mas a educação dessas crianças é dever dos pais.
03:12Salvo aquelas situações em que existe a falta do pai ou da mãe, ou a questão dos pais não cumprir
03:18a responsabilidade legal, aí os avós assumem.
03:22Mas o avô e a avó não são obrigados a cuidar desses netos.
03:27Por quê?
03:28A gente tem que separar o que é cuidado e o que é educação.
03:32Por quê?
03:32Porque a educação é uma coisa que os pais devem construir, os avós construíram com os pais, com os pais
03:38daquela criança.
03:39Então, depois, dá errado alguma coisa, a culpa é do avô.
03:43O menino, se der certo, o menino é bom.
03:45Se deu errado, a culpa são dos avós, porque o avô e a avó mimou.
03:48E assim, eles já viveram a parentalidade deles, eles já fizeram a parte deles.
03:54Então, está na hora dos pais fazerem a deles também.
03:57Às vezes, está cansado, já está aposentado, quer curtir, quer viajar, quer descansar, e aí vai ter que voltar a
04:03assumir um papel que já passou.
04:06E cuidar de criança, gente, é um desafio, é cansativo, às vezes não tem mais energia física.
04:10E aí, depois, o pai que deixa sobre o cuidado dos avós, começa a questionar aquela autoridade que está sendo
04:18dividida, a referência que a criança está construindo.
04:21Às vezes, a gente tem choque cultural, choque intergeracional, choque de valores.
04:26Os nossos pais foram criados com uma cultura totalmente diferente.
04:30Os nossos avós são os nossos historiadores, são eles que trazem e forjam a parentalidade nos nossos pais.
04:39São eles que forjam a cultura, os valores sociais, morais, religiosos.
04:44Então, a gente tem que ter cuidado para não transferir para os avós coisas que pertencem ao nosso papel.
04:52Quando é combinado, não sai caro.
04:55Se for voluntário, ok, eu posso contar, agora obrigar, achar assim, ó, eu estou indo viajar, eu tenho certeza, eu
05:04já conto que minha mãe e meu pai vão tomar conta da minha criança.
05:07Aí é exploração.
05:08E aí não é justo, não é leal, não é ético fazer isso.
05:12É aí que está, né, vindo cada vez mais à tona esse conceito da síndrome dos avós explorados.
05:19Agora, a gente não está falando sobre o amor.
05:23O amor, isso é inquestionável, né, no amor dos avós pelos netos.
05:27O que a gente está falando é que até mesmo de acordo com uma pesquisa,
05:30apenas um a cada nove avós relataram fazer isso com prazer.
05:37Porque a gente está falando também de uma fase da vida em que a gente espera o quê?
05:41Quando a gente vira avô e avó.
05:43Descansar e só curtir, né?
05:45Descansar e curtir, né?
05:45Descansar e curtir, é isso, dona Bernadette?
05:47Descansar e curtir.
05:48Agora, lá em casa, só está eu e meu marido.
05:51Porque o João Vitor é o filho mais novo, né, que casou agora, que é o pai da Cecília.
05:57Nós adotámos ele, ele tinha cinco meses de idade.
06:00Depois de eu ter seis filhos.
06:02Seis filhos, aí depois a senhora ainda...
06:04Adotei o João, casou agora, né, tem a Cecília.
06:09Mas eu falei com meu marido, agora eu quero é passear, curtir.
06:15Ir para a Cruz, para Recife, para o Ceará.
06:20Ser avô e avó deviam ser mãe e pai com açúcar, né?
06:25A gente vai lá, lambe, a cria, brinca, curte, admira e depois, ó, responsabilidade é de vocês.
06:32Mas infelizmente, na maioria dos casos, não é assim que funciona, né?
06:36Eles têm que assumir uma responsabilidade muito grande, que é um grande desafio,
06:41ainda mais educar as crianças nessa geração.
06:43Os valores são muito diferentes e depois existe um questionamento muito grande.
06:49Olhar para os netos deveria ser, mas na maioria das vezes não é.
06:53É aquela sensação de ver a minha geração se perpetuando.
06:56Olha, os meus filhos agora têm filhos, eles são meus netos.
06:59Eu queria só ser avó.
07:00Agora, infelizmente, algumas circunstâncias forçam...
07:03E é uma responsabilidade grande e até mesmo em demanda de tempo.
07:08Além da responsabilidade em si, o tempo, nessa pesquisa que foi feita com os avós no Reino Unido,
07:13viu-se que existe uma média de sete horas, né?
07:18Que um avô e uma avó passam cuidando dos netos.
07:22É uma jornada de trabalho.
07:23Exatamente.
07:24E às vezes não remunerada também, né?
07:27Às vezes não remunerada.
07:28Às vezes não, a maioria das vezes, né?
07:29O que acontece, Roberta?
07:31Existe um anular desse sujeito, desses avós, em prol da criação dessa criança.
07:37A gente tem que ter muita consciência de entender que os nossos pais não são obrigados a cuidar dos nossos
07:43filhos.
07:43Olha, se você está fazendo o filho aí contando que os seus pais têm que cuidar deles,
07:50olha, vocês precisam rever.
07:51Fecha aqui no gesto da Dona Bernadette.
07:54Faz, Dona Bernadette.
07:56Estou fora, né, Dona Bernadette?
07:59Poxa, contando que os seus pais são obrigados, não são.
08:02Eles podem até te ajudar por algum período, de alguma forma, agora, colocar, despejar aquela criança.
08:09Porque, olha só, parentalidade, que é o papel de pai e mãe, precisa passar por duas vias.
08:14Primeiro, pelo desejo.
08:16Depois, pelo planejamento.
08:18Se eu quero ter filho, o desejo e o plano é meu, de mãe e de pai.
08:22Não são dos meus pais, dos avós dessa criança.
08:26Então, você imagina, eu vou ter que anular a minha existência, o meu descanso, o meu lazer,
08:30para viver o sonho e o plano dos meus filhos, mas não os meus.
08:34Então, isso é muito complexo.
08:36E aí, fica uma relação de muito peso, de muito pesar, tanto para a criança, quanto para os avós.
08:44Quando a gente tem um vínculo, né, a interferência dos avós, a criação dos avós, a presença dos avós,
08:52é muito importante, constrói vínculo afetivo, constrói valores, constrói história, sabe?
08:58Ajuda no desenvolvimento intelectual, afetivo, emocional dessa criança.
09:02Agora, a gente tem que ter muita cautela para não ultrapassar esses limites.
09:08E eu achei interessante a fala da dona Zilda, ela disse que no caso dos filhos dela, nunca aconteceu isso.
09:14Ela falou assim, porque eu sempre trabalhei.
09:17Trabalhei fora, não tinha feito.
09:19Então, já sabe, os filhos já vêm de um sistema que sabe que a mãe, assim como os filhos também
09:25são ocupados,
09:26a mãe também tem seus afazeres, né, dona Zilda?
09:29É, no caso assim, eu não expliquei melhor, né, o meu neto mais velho, eu ajudei bastante em situação financeira.
09:37Na medida do possível que eu podia, né, agora cuidar, cuidar dele assim, não.
09:43Até porque a senhora tinha seus compromissos, né?
09:46Depois que ele pegou um tamanzinho assim, que eu tentei pegar ele para ficar comigo, assim, final de semana,
09:52mas mesmo porque eu queria, minha filha nunca pediu para mim ajudar a cuidar, não, mas eu tinha prazer.
10:00É diferente, né, quando ela falou mesmo porque eu queria.
10:02E é que é voluntário e o prazo é pequeno, não é full time, não é o tempo todo, toda
10:07hora.
10:08Outro dia eu escutei uma pessoa falando assim...
10:10Até porque o pique muda, né, dona Zilda?
10:12Claro.
10:13Outro dia uma pessoa falou assim, nossa, os meus pais nunca vieram aqui e pegaram o meu filho para ficar
10:17com eles.
10:18Eu nem posso viajar com meu marido sozinha.
10:20Aí eu falei, mas os seus pais têm obrigação de fazer isso?
10:23O filho é de quem?
10:24Então, o filho é nosso, filho é de pai e mãe.
10:26Por isso que quando eu vou comprar as passagens lá em casa, eu falo, se eu tenho, vai ser para
10:30quatro.
10:31Se eu não tiver, não vai ninguém.
10:32Fica quieto.
10:33Olha só.
10:34Viagem.
10:35Não tem viagem.
10:36A Clara Copos diz, sim, mas tem filhos mesmo que acham que os pais têm que criar.
10:41Eu não concordo.
10:42Fazem avós de escravos, maltrato.
10:45Conheço algumas avós assim que sofrem no final da vida.
10:49Já criaram seus filhos e se veem obrigados a criar.
10:53Tem mais comentários aqui também.
10:55Olha só, a Elaine diz, Roberto, eu falo para o meu marido que quando ele aposentar, eu e ele vamos
11:00curtir a vida, tá?
11:02Não quero saber de netos na minha aba.
11:04Só para curtir os netos, né?
11:05Depois devolva para os filhos.
11:06Isso aí.
11:07Tem mais comentários aqui também.
11:09A Maricilda diz, tem aquela de curtir, aproveitar bastante, depois dizer que toma, o filho é teu.
11:17É desse modo, né?
11:19Também tem um comentário aqui da Marcia Salles.
11:21Minha mãe me ajudou muito.
11:22Eu agradeço quando meus filhos eram pequenos.
11:24Eu não tinha condições de pagar alguém.
11:28E minha mãe me ajudou muito.
11:30Hoje os valores se inverteram.
11:32Minha mãe teve derrame e nós cuidamos dela, né?
11:36Casos e casos.
11:37E ela deixa bem claro, eu não obrigava a minha mãe.
11:41É uma relação...
11:42Tem um preço para os dois lados.
11:44Primeiro tem um preço para esses pais, que vão transferir um papel que a criança, gente,
11:51precisa de limite, de carinho.
11:53A criança precisa de firmeza.
11:55Se são os avós que cuidam e criam e educam essa criança, essa criança vai se referenciar
12:01nesses avós e eles vão ser figura de autoridade para essa criança.
12:04Então, às vezes, o pai deixa por conta do avô e fica assim, poxa, eu não tenho autoridade
12:09com os meus filhos.
12:10Eles estão tentando interferir no meu jeito de criar.
12:13Mas, espera aí.
12:15Você só quer que cuide e não quer que eduque?
12:17Não existe a possibilidade de uma criança passar o dia todo com alguém e não ser educada
12:22por ela.
12:23Então, separa o que você quer.
12:25Você quer só um cuidado momentâneo ou você quer a construção daquele sujeito?
12:29E o outro preço é o preço dos avós, que às vezes não conseguem falar não, colocam-se
12:35no lugar dos filhos, acolhem essa criança e acabam se anulando.
12:38Ficam cansados, não podem desfrutar da aposentadoria, não têm liberdade.
12:43Tem o desafio terrível de educar uma geração que é totalmente diferente e confrontosa.
12:48Hoje, as crianças confrontam muito mais, questionam muito mais, perguntam muito mais.
12:53Antigamente, a gente não fazia isso.
12:55Eles olhavam para a gente e a gente já tremia na base.
12:58E se questionasse, tomavam um petaleco.
13:02Então, hoje já não pode ser...
13:04Tome varia de gurububu, antigamente.
13:05Exatamente, tomem vara de goiaba, hoje em dia já não é mais assim.
13:08Então, são valores que às vezes os avós vão querer imputar, que os pais não vão
13:13ficar confortáveis.
13:14Então, o planejamento familiar ajuda muito, né?
13:16Vamos pensar, eu vou ter o filho, como é que vai ser a minha rede de apoio?
13:19E quando a gestação acontece, se você acontece sem o plano, sem o desejo, a gente tem que
13:25pensar que se os meus pais forem cuidar dessa criança, é de forma voluntária.
13:30Assim, é espontâneo, não é uma obrigação, porque avô e avó não têm obrigação com
13:36o neto.
13:37Até porque isso vai adoecendo também, né?
13:39Muito, muito.
13:39O avô e a avó, porque uma coisa é o prazer de estar ali com o neto naquele momento,
13:45final de semana, agora outra coisa é essa obrigação.
13:48Agora, a gente sabe que existe também o contrário, aquela avó que é dependente emocionalmente
13:54do neto, né?
13:55E aí vai até além, ultrapassa as barreiras da educação dos pais e quer fazer do modo
14:02deles, né?
14:03Isso também é o outro lado, né?
14:05É um grande problema.
14:06A gente tem que ter acordo, a gente tem que ter empatia, a gente tem que entender que a
14:10criança tem que obedecer aos pais, se referenciar nos pais.
14:14A gente não pode intervir na educação que os pais estão construindo, porque senão você
14:19tira a autoridade e depois como é que vai fazer com essa criança.
14:22É muito perigoso porque a criança fica perdida, é muita gente dando pitaco e ela não sabe
14:26quem que ela vai seguir.
14:27Então, a gente tem que ter muito cuidado e conversar muito sobre aquilo que não é possível
14:32fazer e falar sobre o que a gente sente.
14:34Olha, eu construo a educação dos meus filhos, eu gostaria de que ninguém interferisse nisso.
14:40Se vocês quiserem conviver, fiquem à vontade, tratem com carinho, com respeito, mas não tirem
14:45a minha autoridade.
14:46Aí é desrespeitoso.
14:48É desrespeitoso.
14:48Já aconteceu com vocês, dona Bernadette, dona Zilda?
14:51Às vezes eu queria dar um pitacozinho ali, outra aqui na educação do neto e tomar
14:56uma do filho ou da filha.
14:57Não, eu não opino muito não.
15:00Não, né?
15:00Prefere ficar quieta e só assistindo.
15:02Prefere ficar, ó.
15:04Às vezes a linguinha chega a coçar, chegava a coçar, mas aí eu ficava no meu canto,
15:11porque mesmo, igual eu falei para vocês, ela nunca me convidou para tomar conta do filho
15:21dela para poder passear, para trabalhar, fazer qualquer coisa.
15:25Não.
15:25Agora é a vez dela, né?
15:26Deixa ela fazer do jeitinho dela.
15:28Eu fazia assim, né, Albertinha?
15:30Tá certo.
15:31Obrigada pela participação de vocês, obrigado pelo pano de prato, amei.
15:37Até porque a gente não tem mais muita força, nem muita paciência.
15:40É, gente, nem até a gente para pensar em ter outro filho já não aguenta mais, quem
15:44dirá os avós?
15:45Deixa os avós serem avós e não pais.
15:47Ó, um beijo para vocês.
15:49Boa tarde, viu?
15:50Boa tarde, viu?

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