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  • há 8 minutos
A condição não é comum e é definida quando ocorrem 3 ou mais abortos espontâneos consecutivos. No programa de hoje, vamos entender tudo sobre o tema, suas possíveis causas, diagnósticos e se existe tratamento para essa anormalidade, com nossas grandes especialistas, Layza Borges, ginecologista e Arielle Nascimento, psicóloga.

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00:07Olá, sejam bem-vindos ao Check-Up Saúde. Eu sou Alice Sarsinelli e essa é a sua conexão com os
00:13maiores especialistas em saúde do Espírito Santo. Gente, hoje vamos falar sobre um tema que traz
00:20luto para muitas famílias, o abortamento recorrente. Para falar sobre esse tema tão delicado, tão
00:26importante e tão comum, a gente trouxe aqui uma psicóloga, doutora Arielle Nascimento. Seja bem-vinda
00:32ao Check-Up Saúde, novamente tendo a senhora aqui. Bem-vinda, doutora. Obrigada, obrigada pelo convite.
00:38E temos também a nossa ginecologista especialista em reprodução, doutora Liza Merizio. Seja bem-vinda,
00:46doutora Liza. Obrigada, Alice. Um prazer estar aqui. Um tema delicado, mas importante, porque é muito comum.
00:52É comum mesmo, doutora? O aborto? Então, é importante a gente diferenciar, né? O aborto ponto A, um abortamento
01:03espontâneo, ele é mais comum do que o abortamento de repetição. E a prevalência vai depender muito da
01:11idade da mulher. Quanto mais tarde a mulher engravida, maior é a taxa de abortamento. Então, abaixo dos 35 anos,
01:19que é considerada uma idade ideal para a mulher engravidar, o risco dela ter um aborto isoladamente
01:25é de aproximadamente 10%. Porém, a partir dos 40 anos, essa taxa aumenta para 30%. Então, é bem frequente
01:36nos nossos dias, mas um abortamento isolado nem sempre é motivo para que a gente faça investigações
01:44mais aprofundadas. Já o abortamento recorrente é quando a gente tem duas ou mais perdas
01:51gestacionais consecutivas. E é importante dizer que essas perdas, elas ocorrem até 20 semanas
01:58de gestação. Então, é quando a gestação, ela sofre uma interrupção até 20 semanas.
02:05E aí, doutora, isso então é muito comum também. O de recorrência é comum para mulheres
02:12acima de 40 anos, não só o de maneira isolada.
02:16É, também. Quanto mais tarde, maior é o risco. Porque uma das causas mais frequentes
02:22do abortamento são as alterações genéticas. E quanto mais tarde a mulher engravida, maiores
02:28são os riscos de alterações genéticas nos embriões. Então, aumenta também com a idade.
02:34Doutora, e aí, diante desses abortamentos recorrentes, quais os cuidados que essa mulher
02:39tem que ter? Ao que ela pode recorrer? O que é recomendado, então, a partir do segundo
02:44abortamento?
02:45Na clínica, nós atendemos muitos casais que passam pelo abortamento de repetição.
02:53Muitos não buscam ajuda, né? Porque ouvem que é normal, que são jovens, que é só
02:59tentar mais uma vez, né? E alguns buscam, né? Essa ajuda especializada porque não querem
03:07mais passar pela perda, porque é muito dolorosa, né? A perda deixa o casal frustrado,
03:14enlutado, né? A partir do momento que esse casal recebe um teste positivo, vê o bebê
03:20nutração, né? Ter uma interrupção dessa gestação traz um sofrimento muito grande.
03:26Então, esse casal, ele procura o atendimento especializado para que ele entenda os motivos
03:34para que, pelos quais ele não consegue levar essa gestação adiante e para que ele consiga
03:40evitar um novo evento. Isso é muito importante. Se esse casal já teve duas ou mais perdas,
03:47ele realmente precisa buscar uma ajuda especializada, um olhar mais sensível. É importante a elaboração
03:54também desse luto, para que ele consiga ter sucesso também, do ponto de vista emocional,
04:01que a gente vai falar. Então, a reprodução humana pode ajudar muito a esses casais também,
04:06que embora não tenham infertilidade, têm uma dificuldade de levar a gravidez adiante.
04:12Antes da gente entrar nessa parte do luto, que eu tenho certeza que a gente tem que explorar isso,
04:17porque todo mundo conhece alguém que já passou por um abortamento, seja recorrente ou não.
04:21Doutora Lays, eu ainda queria entender um pouco, porque a gente ouve, a senhora falou até 20 semanas,
04:27o abortamento. Mas a gente sabe que a mulher que está tentando engravidar, às vezes ela fica muito ansiosa.
04:33E mesmo antes da data que seria a menstruação dela, ela já compra um teste de farmácia,
04:37que hoje é mais acessível, eles são mais sensíveis, ou faz um exame de sangue.
04:42E aí alguns médicos falam, não, você não abortou, na verdade foi sua menstruação que veio no prazo que ela
04:50viria,
04:50e foi uma gestação química.
04:52Quando é realmente considerado um aborto que a gente contaria nesse número de vezes,
04:58e o que é a gestação química que eles falam?
05:01De acordo com a literatura, o abortamento, ele só é considerado quando você tem evidência clínica de gestação,
05:09que seria o ultrassom, você visualizar o embrião com batimento cardíaco ao ultrassom.
05:17A partir de 7, 8 semanas?
05:196 semanas e meia, mais ou menos, né?
05:22Até quando a gente tem um saco gestacional, mas não tem ainda embrião, né?
05:27A gente coloca como gestação inviável e tal, é considerado também um abortamento,
05:32mas quando a gente tem evidência de batimento cardíaco, esse é o considerado clássico, né?
05:38Abortamento na literatura.
05:40Quando a mulher tem só o teste de gravidez positivo, significa que houve um início de implantação,
05:47mas que não evoluiu nem ao ponto de formar ali as estruturas gestacionais.
05:53Então a gente chama de gestação química, é quando ela só teve o exame de gravidez positiva,
05:59mas não teve evidência clínica ultrassonográfica de gestação.
06:03Aí não entraria nessa conta de um abortamento e nem seria considerado um abortamento?
06:09Não. De acordo com a literatura, não.
06:11Mas a gente, né, da reprodução, a gente valoriza.
06:14Porque se essa mulher teve um teste positivo, houve formação do embrião,
06:20houve tentativa de implantação, mas algo dificultou esse processo.
06:25Então a gente precisa valorizar também.
06:28E querendo ou não, a paciente sofre também quando ela tem uma gestação química.
06:32A partir do momento do teste, né, tem aquela foto clássica da mulher entregando, né,
06:38ao companheiro, a companheira, o exame de como isso é comemorado, como isso é levado.
06:44E muitas pessoas preferem esperar algumas semanas para poder comunicar isso socialmente.
06:51Existe algum embasamento científico após quantas semanas?
06:55Seriam essas seis, sete semanas após o primeiro ultrassom?
06:59Qual é o embasamento dessa espera para poder se declarar grávida de fato?
07:04É, o que a gente vivencia, né, é que os casais esperam fazer o primeiro ultrassom,
07:10que é recomendado mesmo, mas a partir do momento que já houve o coraçãozinho, né,
07:14aí eles já contam para a família, mas assim, o risco maior é até 12 semanas.
07:21Então esses casais que já tiveram perdas, né, e que já estão traumatizados mesmo com ver o ultrassom,
07:29ver o bebê no ultrassom, mas depois não ver mais o coração batendo,
07:34eles às vezes optam por deixar para contar depois de 12 semanas,
07:37para não ter que ficar dando satisfação, ah, mas não evoluiu, né,
07:41então a gente vê que o casal, ele começa a ter uma atitude mais defensiva mesmo, nesse sentido.
07:47Doutora, e vamos falar um pouquinho então sobre a elaboração desse luto, dessa perda,
07:52como que é esse acompanhamento a essa mulher, a essas famílias?
07:56É, acho que a sensibilidade para esse tema é indispensável, né,
08:01acho que a gente começou o programa falando disso,
08:03porque de fato estar diante da perda gestacional, dependendo se é recorrente ou não,
08:08é estar diante ali do limite mesmo da vida, né,
08:11do limite às vezes do médico também acabou, né, não tem mais o que fazer.
08:15Diante de um drama humano e que estar também diante de pacientes que estão vivenciando esse drama
08:22vai exigir da gente, né, um olhar mais cuidadoso,
08:26dentro de um contexto que é a gravidez, assim, né,
08:29que muitas vezes é tomada como algo natural, né,
08:32gestação naturalmente vai trazer uma vida.
08:36E aí no lugar da vida, quando a gente está falando de uma perda gestacional recorrente,
08:41o que esse paciente, esse casal mais está tendo contato, na verdade, é com a morte.
08:46Com a morte biológica, né, e com tantas outras perdas que isso vem trazendo, assim.
08:52Então, no caso de gestação recorrente, ainda mais, porque vem arrastando, assim, né,
08:58como se fosse num elo enganchando uma série de outras perdas,
09:02porque é isso que a doutora Lays estava falando.
09:05Quando a gente recebe no consultório um paciente que traz essa história de perda gestacional de repetição,
09:11são muitas questões que ele está tendo que se haver,
09:14que não só com a morte biológica, não é só o coraçãozinho parando de bater, né,
09:18são muitas perdas ali que estão sendo vivenciadas e, às vezes, não estão sendo elaboradas ao tempo,
09:25o que faz, às vezes, ele vir com uma sobreposição de lutos não vividos, né,
09:30não vivenciados, mas com sofrimento enorme.
09:33E esse sofrimento vem pela frustração da morte biológica, né,
09:36de não ter avançado na gestação, claro que sim.
09:40Às vezes, o efeito, assim, que a gente vê muito é de uma culpabilização dessa mulher,
09:44porque, às vezes, essa frustração, assim,
09:47especialmente quando ainda não tem um diagnóstico, né,
09:50o que pode estar causando essas perdas,
09:52ela talvez projeta, né, endereça um pouco essa questão para o próprio corpo, né,
09:57o meu corpo que não funciona, então, às vezes, ela tem uma sensação...
10:00Eu fiz uma atividade física que eu não deveria ter feito.
10:02Uma sensação de incompetência e fantasia também sobre isso,
10:05porque ela não tem, às vezes, algo concreto, né,
10:07daí a importância de você ter esse olhar mais especializado,
10:11porque a fantasia, às vezes, vem nisso,
10:12foi a hora que eu abaixei e peguei alguma coisa,
10:15que aí sangrou, ou, às vezes, é porque eu lavei meu cabelo na hora que eu...
10:19Então, a fantasia, às vezes, vai tomando, assim, né, como uma sombra
10:24a mulher que está vivenciando principalmente isso,
10:27e, às vezes, o nosso papel é poder estar ali apoiando, né,
10:30fazendo com que ela possa falar um pouco disso
10:32para ajudar ela a elaborar todo esse processo.
10:35Mas, como a gente estava falando, não é só a perda em si, né,
10:38ali daquela batida do coração, do feto, do bebê,
10:41o que ela vai vivenciar é a perda, muitas vezes,
10:46do que ela lançou no futuro, né,
10:48quando ela pega o positivo,
10:51ela arma, assim, né, um porvir de maternidade,
10:54de um bebê no quartinho, já começa a sonhar,
10:56a ver uma série de coisas,
10:58e quando é interrompido, dessa forma atroz,
11:00ela precisa recolher tudo isso que ela já tinha, né, lançado, assim,
11:05e faz o que com isso?
11:06Isso é o trabalho de luto, né, que precisa ser feito.
11:08Tudo que, às vezes, também, ela perde é essa percepção agora muito dura
11:13de que ela não tem o controle do próprio corpo,
11:15de que ela não sabe exatamente qual vai ser o futuro reprodutivo dela,
11:19como que a maternidade vai poder ser vivenciada.
11:21Então, ela está diante de incertezas que trazem angústia, sofrimento,
11:25que precisa de ser cuidado.
11:27Outra perda que a gente percebe muito é,
11:29na gestação, na perda gestacional de repetição,
11:32é que essa mulher vai vivenciando perdas,
11:36então, ela está envolvida com essa questão na vida dela,
11:39mas os amigos do grupo social dela já estão tendo um filho,
11:43o segundo filho,
11:44e ela se vê há dois anos distanciada desse grupo.
11:48Então, laços que são importantes para elaborar algumas coisas difíceis na nossa vida,
11:55ao mesmo tempo, ela está se vendo perdida.
11:57Então, o que a gente está falando o tempo todo é de que é luto,
12:01é luto sobre luto, é luto sobre luto,
12:03e por isso a importância da gente ter um olhar mais sensível,
12:07e no caso da gestação, que é onde ela é interrompida,
12:10nesses inícios, assim,
12:13o luto é algo que acontece naturalmente no nosso psiquismo,
12:17mas a gente precisa de que tenhamos elementos, assim,
12:21para ele acontecer.
12:22Não é à toa que quando alguém morre no nosso convívio,
12:25a gente faz velório, a gente enterra,
12:27a gente chama as pessoas,
12:28porque precisamos de que o laço social seja testemunha do que está se passando.
12:32Só que no caso da perda gestacional,
12:35você não tem isso, assim,
12:37você não tem porque você não contou para ninguém,
12:40ou você não tem porque as pessoas não têm,
12:43ou porque as pessoas ainda não têm história com aquela vida,
12:47quem tem a história com aquela vida é aquele casal, é aquela mãe,
12:51ou porque isso, a nossa cultura tem uma dificuldade de lidar com a morte,
12:55e com a morte gestacional,
12:58mais ainda, então, às vezes,
13:00se embananam muito na tentativa de oferecer um acolhimento,
13:04oferecer uma palavra,
13:05que, na verdade,
13:07muitas vezes soou como uma intrusão,
13:10e não como acolhimento,
13:11uma obrigação de,
13:12daqui a pouco você tem outro,
13:14então, o que acontece é que você não tem um laço social
13:18legitimando essa dor que essa mulher está vivenciando.
13:20E aí, o luto não acontece,
13:22a gente pode evoluir para um luto complicado.
13:25Sim, a senhora entrou num tema
13:27que eu acho que todo mundo que passou por um abortamento
13:31já deve ter ouvido,
13:32que é,
13:33ah, mas todo mundo perde,
13:35ah, mas já já você engravida de novo,
13:38ah, mas,
13:39ou, muitas vezes,
13:40essa fala vem do próprio marido, né?
13:43A mulher,
13:43ela quer viver aquela dor e aquele luto,
13:46e, às vezes,
13:46nem dentro de casa encontra o lugar
13:49para poder vivenciar isso.
13:51Então, vamos tentar educar um pouquinho
13:54a nós mesmos,
13:55a população de uma maneira geral,
13:57como lidar, né?
13:59Quando a gente está diante de alguém
14:00que teve uma perda como essa,
14:02qual seria a melhor conduta
14:03para a gente lidar?
14:05É, acho que uma coisa importante,
14:07assim, a gente pensar,
14:07é que as pessoas não falam isso,
14:09assim, elas falam isso na melhor das intenções, né?
14:11Mas, na ausência de recursos mesmo,
14:14acabam sendo intrusivos, né?
14:16O processo dessa pessoa
14:17que está vivenciando o luto.
14:19Agora, uma coisa que é importante, assim,
14:22é de entender que o luto,
14:25ele precisa de tempo.
14:26Ele precisa de tempo.
14:28E a gente, quando não dá o tempo,
14:29a gente invade.
14:31Ou, quando a gente não está presente,
14:33a gente negligencia, né?
14:35Então, é uma medida, assim,
14:37da presença.
14:38Uma presença que não acelera,
14:40dizendo, sai logo daí,
14:42daqui a pouco você tem outra,
14:42uma forma de fazer isso,
14:44da melhor das intenções.
14:45E também é uma presença
14:46que também não negligencia.
14:49Deixa, né?
14:49Deixa ela lá,
14:50e aí some, né?
14:52Porque ninguém está sabendo a dor,
14:54é só uma perda,
14:55uma coisa que acontece muito.
14:56Ah, foi no início,
14:57ainda bem que foi no comecinho, né?
14:59E na verdade,
14:59é o que a gente está falando.
15:00Ah, tá, é um livramento.
15:03E aí coloca uma justificativa rápida,
15:05e a mulher, às vezes,
15:06não tem tempo de processar isso.
15:08O correto seria a gente se colocar ao lado,
15:11deixar o tempo dessa mulher.
15:13De maneira prática,
15:14como que quem está ao lado dessa mulher
15:16deveria agir?
15:17Acho que não tem como, né?
15:21A gente universalizar isso,
15:22porque isso fala muito do laço que você tem.
15:24Então, poder contar com quem você confia nesse momento
15:29é a pessoa poder viver a fragilidade
15:31que ela está experimentando
15:33de uma forma em que ela não se sinta
15:36nem ameaçada com o que ela está vivendo
15:38e nem como se ela não pudesse viver aquilo.
15:42E, às vezes, até o profissional de saúde
15:44conduz para, né, faz a ultrassom e diz,
15:46ó, três dias, um olhar muito ao físico,
15:49você já está liberada para trabalhar, né?
15:50Ou é isso, né?
15:51As pessoas olham muito para o físico
15:53e acho que o que a gente pode fazer
15:56é, acho que é a melhor palavra, assim,
15:58um sinto muito,
15:59mas um sinto muito de sentir junto, né?
16:02De estar ali presente,
16:04mas sabendo não ser invasivo,
16:07não ser negligenciar,
16:08não negligenciar também, né, esse momento.
16:10Entender que é um tempo a ser feito, né?
16:14Como, da mesma forma que, às vezes,
16:15o útero vai precisar se cicatrizar, né?
16:18O útero é uma cicatriz psíquica,
16:20então precisa de um tempo.
16:21Precisa de elementos e precisa de cuidado, né?
16:25Doutora Laysa, e nesses casais que têm os abortamentos recorrentes,
16:29como que a medicina reprodutiva, ela pode ajudar?
16:32Então, a Ariel falou da cicatriz do útero, né?
16:36E aí, eu lembrei que
16:38uma das principais consequências, né,
16:41da paciente ter perdas
16:43é justamente isso, né?
16:44À medida que ela tem o aborto,
16:47muitas vezes ela precisa passar por uma curetagem,
16:50que é um procedimento invasivo,
16:52que pode deixar mesmo cicatrizes no útero,
16:55e aí, nesse caso, é uma cicatriz ruim, né?
16:57Que pode atrapalhar uma próxima gestação.
17:00Ou, quando ela não passa pela curetagem,
17:03e opta por esperar o embrião ser expelido espontaneamente,
17:07muitas vezes isso demora muito
17:09e pode levar a um processo inflamatório também
17:12na cavidade endometrial, que é a endometrite.
17:15Endometrite também é uma causa de um novo aborto.
17:18Então, assim,
17:20pra tudo isso, né,
17:22a gente precisa estar atento
17:23no sentido de evitar um novo abortamento.
17:26Porque não é só assim,
17:27ah, tenta de novo que vai conseguir, né?
17:29Espera tanto tempo.
17:31Aliás, quanto tempo?
17:32Pra abortar naturalmente?
17:35É, você teve um aborto,
17:36quanto tempo depois você pode tentar novamente engravidar?
17:40Ah, depende.
17:40Se ela não fez curetagem,
17:42ela já poderia no mês seguinte.
17:44No próximo ciclo.
17:45Se fez curetagem,
17:46a gente pede pra esperar mais ou menos uns quatro meses.
17:49Mas, nesses casais
17:50que estão passando pelo abortamento de repetição,
17:54geralmente, eu peço pra não tentar
17:55enquanto a gente não identificar a causa.
17:58E aí, sim, a gente começa as investigações.
18:00Como a gente falou, né,
18:01a principal causa é a genética,
18:03então a gente precisa fazer...
18:03Isso, quais são as causas mais comuns do aborto?
18:06O aborto também.
18:06É, genética, né?
18:08Então, a gente sempre faz um cariótipo do casal.
18:10Se esse casal puder fazer a análise do embrião,
18:14a gente consegue ter certeza se a perda foi genética.
18:18Mas nem sempre existe, né,
18:21uma recomendação nesse sentido.
18:23Mas se o casal puder,
18:24a gente faz e tem certeza se a perda foi por uma causa genética.
18:27Senão, a gente faz o cariótipo dos pais,
18:30que é o exame genético desses pais.
18:32É outra...
18:33E aí, sim, é onde a reprodução humana pode atuar.
18:36Principalmente.
18:37Por quê?
18:38Porque se a gente identifica no cariótipo
18:40uma alteração genética nos pais,
18:43que pode aumentar o risco
18:45deles terem uma nova gestação com o embrião alterado,
18:49a reprodução assistida pode auxiliar
18:52através da fertilização in vitro
18:54com a análise genética do embrião,
18:57em que a gente vai evitar
19:00transferir embriões com alterações genéticas
19:02para o útero dessa mulher.
19:04A gente vai triar...
19:04E assim, evitando a perda.
19:06Exatamente.
19:06A gente vai triar o embrião saudável
19:08para que ela engravide de um embrião saudável
19:11e minimize aí o risco de aborto, né,
19:13a quase zero, assim, diminua muito.
19:16Mas a gente tem outras causas, né?
19:18Para além das causas genéticas.
19:20Então, a segunda causa mais importante
19:22é a trombofilia,
19:23que é uma predisposição
19:26a se formarem coágulos
19:29lá no lugar onde o embrião está implantando,
19:32no que a gente chama de sítio placentário.
19:34E esses coágulos vão obstruir os vasos
19:37que se formam
19:38e impedir que o fluxo de sangue, né,
19:41chegue até o embrião com oxigênio, nutrientes
19:45e a paciente evolui para o abortamento.
19:47A gente tem vários exames, né,
19:50que são realizados nesse sentido.
19:52E se a gente identificar que realmente
19:54essa paciente tem trombofilia,
19:56a gente pode usar anticoagulantes, né,
19:59que são medicamentos que evitam
20:00que esses coágulos se formem.
20:03Para além disso, a gente tem a própria
20:05causa orgânica ali do útero, né,
20:08como eu falei, as sinequias,
20:09que são essas cicatrizes,
20:12endometrite, às vezes...
20:13O ginecologista vai investigar isso
20:15após um aborto?
20:16Alguns investigam.
20:18Alguns, né, tem esse olhar, né,
20:21de aprofundar um pouco a investigação.
20:24Outros não.
20:25Outros encaminham para o especialista
20:27em reprodução assistida.
20:29Então, geralmente...
20:30Para uma investigação mais cuidadosa,
20:32mais a fundo, mais especializada.
20:33Eu recebo muitos pacientes
20:34encaminhados dos ginecologistas
20:37para que eu investigue, né,
20:39e dê a conduta.
20:41Doutora Ariely,
20:42e aí depois como que é
20:44viver a gestação
20:46após perdas repetidas?
20:48Como que a mulher consegue?
20:50Como que o casal consegue
20:51elaborar isso?
20:52Como que é esse acompanhamento
20:54que eu acredito que vem
20:55acercado de muito medo?
20:57É, acho que tem efeitos, né,
20:58toda essa trajetória aí
20:59de perdas.
21:00Não é sem questões, né,
21:02que uma nova gestação vai se dar.
21:04Mas acho que quando você tem
21:07o amparo, assim, né,
21:08de uma equipe,
21:09de um ambiente que consegue acolher,
21:14inclusive esses sentimentos, né,
21:15porque às vezes se acha que
21:16ah, eu não posso sentir medo,
21:18não posso sentir estresse,
21:19porque como se isso fosse
21:20ser um fator que poderia levar,
21:22né, a uma nova perda.
21:23Acho que o nosso olhar
21:24não pode ser para o medo da mulher,
21:29nem para o estresse da mulher,
21:30mas para a mulher, né,
21:31para essa família.
21:32Então é um olhar de cuidado,
21:33e não olhar de descobrir
21:35se esses sentimentos estão...
21:37Porque senão isso é mais
21:38uma forma dela se sentir culpada,
21:39né, caso isso aconteça.
21:41Então quando o nosso olhar
21:41é para quem está
21:43vivenciando tudo isso,
21:45ela pode até acolher melhor
21:46os seus medos,
21:47e ao acolher, falar disso,
21:49ela pode elaborar,
21:50ou seja, ela começa a ter recursos
21:52para lidar melhor com isso
21:54e eu acho que aí sim,
21:55ela pode caminhar
21:56em direção a uma gravidez saudável,
21:59né, no sentido mais amplo
22:00que a gente puder pensar.
22:01Quando que esse medo
22:03foge do normal, né?
22:05Porque eu acredito
22:05que há um medo
22:07que vai existir ali,
22:08como que a gente identifica
22:10que está fugindo ali
22:11de parâmetros,
22:12que essa pessoa precisaria
22:13realmente de uma ajuda
22:14para lidar com isso?
22:15É, geralmente é um medo,
22:16assim, que a gente poderia chamar,
22:17não medo patológico, né,
22:19mas talvez uma ansiedade
22:21mais patológica,
22:22ela vem associada, assim,
22:24né, a um humor mais depressivo,
22:26uma dificuldade até mesmo
22:27de viver a própria gestação,
22:30ainda que isso se reveze
22:32com o medo
22:33de que não dê certo,
22:35é importante que ela também
22:37consiga ter esperança, né,
22:38poder em algum momento
22:39viver essa gestação
22:41dentro do cenário
22:42que está se apresentando
22:43como realidade.
22:44Então, claro,
22:45se ela recebe um exame
22:46que está tudo indo bem,
22:47é importante que ela
22:48possa revezar, né,
22:50não só o medo no horizonte,
22:52mas também a confiança, né,
22:53sendo um guia aí, né,
22:56eu acho que quando você tem
22:58profissionais que sabem
22:59do que estão cuidando,
23:01que cuidam não só do bebê,
23:03do útero,
23:03mas da história daquela pessoa,
23:05ela vai poder se entregar
23:07de forma confiante, né,
23:09naquele momento,
23:11e aí independente, assim,
23:12né, de como será
23:15essa gestação,
23:16ela sente que acontece, né,
23:18acontece o que acontecer,
23:19ela vai estar bem amparada,
23:20e isso automaticamente
23:21já faz com que ela viva
23:22essa gestação
23:23de forma mais confiante,
23:25com esperança, né,
23:26com entusiasmo,
23:26que é o que a gente
23:28aposta quando a gente
23:29está cuidando
23:29desse tipo de caso
23:31e dessas pessoas.
23:33Perfeito,
23:33queria agradecer muito,
23:34acho que abordamos aqui
23:36tanto os aspectos técnicos
23:38quanto aqueles emocionais,
23:40então, obrigada,
23:41doutora Laysa,
23:41por essa aula aí,
23:43esse aprendizado
23:43que a gente teve aqui hoje.
23:45Obrigada, Lizy,
23:46foi ótimo.
23:47E obrigada, Ariely,
23:48tenho certeza que a gente
23:50com as suas dicas
23:51vai conseguir lidar melhor
23:53com o luto,
23:54repensar melhor
23:55isso que acontece,
23:56que é tão comum
23:56na nossa sociedade,
23:57que a gente precisa
23:58realmente de outros pontos
24:00de vista para pensar
24:01na nossa forma de reagir,
24:03aí é o que é comum.
24:04Com certeza,
24:05acho que isso é o que
24:06a gente quer também.
24:07Obrigada, viu,
24:07mais uma vez.
24:09Esse foi o Check-Up Saúde
24:10de hoje,
24:11te espero na semana que vem.
24:13Esse foi o Check-Up Saúde
24:15de hoje,
24:15te espero na semana que vem.
24:17e aí
24:18e aí
24:19e aí
24:24e aí

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