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  • há 2 dias
Entrevista com Léo de Castro

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Transcrição
00:00Começa agora, na Pan News, Vitória, Valores, com Edu Copernic.
00:07Olá, seja muito bem-vindo ao programa Valores, um espaço de discussão sobre o desenvolvimento do Espírito Santo.
00:15Como pensam os principais agentes que movem a nossa economia.
00:19E hoje aqui com a gente, o executivo à frente da Fibrasa, uma das maiores produtoras de itens de plástico
00:27do Brasil, Léo de Castro.
00:28Que foi além e também tem a visão ampla do mercado e da economia do Estado e do país.
00:35Porque ele foi presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, de 2017 até 2020.
00:41Na Fibrasa, o Léo de Castro tem a missão de manter moderno uma empresa com mais de 50 anos de
00:47atuação no mercado e com fábricas no Espírito Santo, em Pernambuco.
00:51E também com escritório em São Paulo, que é aquele escritório comercial que é o que toma dinheiro dos outros.
00:57Lá em São Paulo, que é onde circula o dinheiro, né?
01:00As duas plantas transformam, essa do Espírito Santo e de Pernambuco, transformam por ano 25 mil toneladas de polipropileno,
01:11que é a matéria-prima que vai ser usada na produção do plástico.
01:16Seja muito bem-vindo, Léo de Castro, ao programa Valores.
01:19Obrigado, Edu. Um prazer estar aqui com vocês.
01:21Legal, ótimo.
01:22Vamos começar, então, do ponto de vista de ambiente de negócios.
01:26O Estado é um bom lugar para a indústria?
01:29Edu, o Espírito Santo tem se destacado como um Estado referência no tema ambiente de negócio.
01:38São mais de 20 anos construindo um ambiente de bom diálogo, ouvindo as demandas do setor privado,
01:46colocando em prática muitas das proposições que vêm das instituições, que são muito ativas aqui no Espírito Santo.
01:54E isso tem feito o Espírito Santo realmente ser reconhecido nacionalmente como um bom ambiente.
01:59Então, essa agenda de meio ambiente, aprovação de projetos, agenda de acesso ao crédito, agenda de desburocratização,
02:10isso tudo tem evoluído no Espírito Santo.
02:13Dizer que nós estamos 100% nunca estamos, porque sempre tem alguém também competindo pelos projetos,
02:21outros estados, e que exige uma atenção nossa aqui para nos manter atualizados e competitivos.
02:28Mas é um Estado que tem essa preocupação muito no dia a dia.
02:35Isso evoluiu, porque qual é a diferença entre o ambiente de negócios hoje e quando você começou?
02:42Olha, é muito importante no mundo empresarial você ter segurança jurídica, você ter estabilidade das normas,
02:52você ter transparência na relação com o poder público, porque no Brasil o Estado é muito grande,
02:58o Estado é muito grande e regula praticamente tudo.
03:00Então, quando você consegue conviver com o Estado, que é rápido em dar uma resposta,
03:07em que as regras são claras, elas não precisam ser, quando a gente fala regra clara,
03:11às vezes as pessoas confundem com regras frouxas.
03:15Não é isso, são mundos diferentes.
03:17Para o empresário, o importante é que as regras sejam claras e que as respostas aconteçam no tempo adequado.
03:23O não é resposta para o empresário, porque com o não ele busca um novo posicionamento,
03:30um novo caminho para desenvolver o negócio dele.
03:33Então, o Espírito Santo tem, como eu falei, ele tem sido um Estado preocupado em ser dessa forma,
03:40transparente, claro, bom diálogo, ouvir, procurar evoluir, estar sintonizado com boas práticas globais.
03:48Eu acho o Espírito Santo um Estado moderno, você vê o Espírito Santo com uma agenda forte de PPPs e
03:55concessões,
03:57uma agenda de busca de novos projetos, de atrair investimentos, o Estado indo para fora para vender as potencialidades,
04:07a preocupação com o encadeamento do desenvolvimento, quer dizer, você fazer, não ter só uma parte da cadeia produtiva,
04:14você ter a cadeia toda e agregar valor da cadeia toda aqui dentro do Estado.
04:19É um Estado preocupado com infraestrutura, com internacionalização, com educação.
04:24Então, eu acho que é um Estado buscando a digitalização das relações com o cidadão e com o empresário.
04:31Então, eu acho que nós vivemos num Estado moderno e que pode cada vez entregar mais para a nossa sociedade.
04:40Você trabalha num setor, você é de um setor original, de um setor que está sempre sob a mira de
04:46entidades ambientalistas.
04:48Você lida com plástico.
04:49Isso.
04:49Plástico é o vilão da vez, né?
04:52A gente ouve todo mundo falar de plástico, não pode, tem excesso.
04:57Como é que se encara esse desafio de ficar nesse limiar?
05:00Tem que produzir.
05:01As pessoas têm uma demanda por plástico no mercado, mas ao mesmo tempo tem uma demanda por redução,
05:06uma questão ambiental, a gente tem aí muito forte hoje em dia a sigla ESG, que trata muito disso de
05:13sustentabilidade.
05:14Como é que é viver nesse limiar?
05:16É, há uma confusão muito grande na interpretação do papel do plástico na sociedade, né?
05:25A grande queixa da sociedade é como o plástico, ele é dispensado, né?
05:31Assim, como nós jogamos fora o plástico para ser bem objetivo.
05:35E a baixa capacidade de reciclagem que existe ainda nesse segmento.
05:41O plástico, ele veio para revolucionar o mundo, né?
05:45Hoje, tudo que você...
05:46Para onde você olhar, tem plástico.
05:48Em tudo, né?
05:49E o plástico, ele trouxe grandes benefícios para a sociedade.
05:52Você pega um automóvel, né?
05:54Para dar um exemplo simples, né?
05:55Um automóvel de 30 anos atrás, o peso que esse automóvel tinha, né?
06:00Para o peso atual, ele é quase metade do peso, né?
06:03E isso decorre muito da substituição de aço por plástico, né?
06:08E quando você reduz o peso do automóvel, você consome menos combustível.
06:12E ao consumir menos combustível, você é mais correto do ponto de vista ambiental.
06:18Então, assim, a gente precisa enxergar o plástico no seu ciclo de vida e no seu impacto de sociedade como
06:23um todo.
06:24Então, eu dei só um exemplo.
06:25Posso te dar vários outros.
06:27A questão do descarte do plástico, né?
06:29Assim, é um problema de educação do ser humano e de má regulação do Estado, né?
06:35Que gera o caos no descarte do plástico, né?
06:38Assim, tem leis ambientais aprovadas no país, desde a virada do século, né?
06:43Tratando da coleta seletiva do lixo.
06:46Agora, eu te pergunto.
06:47Quanto disso foi implementado de fato?
06:49A gente hoje não vê.
06:50É muito difícil.
06:50Praticamente zero, praticamente traço, né?
06:53Então, quando você não tem coleta seletiva, você mistura tudo, né?
06:57Por que eu estou falando isso?
06:59A matéria-prima plástico, ela é reciclável, né?
07:03Então, você pode transformar o plástico inúmeras vezes.
07:06E no limite, né?
07:08Quando você fala assim, ah, cansei de transformar o plástico em outro tipo de produto.
07:12Quando você chega nesse limite, você pode transformar o plástico em energia, né?
07:16Porque plástico, no fim do dia, é petróleo, né?
07:18Então, você pode transformar o plástico em energia.
07:20Então, o plástico, se ele for tratado corretamente, né?
07:25Ele gera uma... ele tem um potencial muito grande de ser reciclado e ser amigo do meio ambiente.
07:32Então, há uma falha de comunicação.
07:34Há uma agenda que precisa avançar muito grande no descarte e na reciclagem.
07:39É necessário incentivos à reciclagem do plástico.
07:43Por exemplo, hoje, uma empresa recicladora de plástico, ela paga a mesma tarifa de energia que paga uma empresa que
07:50faz a embalagem, como o caso da Fibrasa.
07:53E uma indústria de reciclagem é uma indústria saneadora.
07:56Ela deveria ser incentivada por políticas públicas para que isso cada vez cresça mais.
08:01Não é.
08:02Então, é uma falha de mercado, né?
08:04Deve ser revisto para que a gente aumente o percentual de reciclagem e, assim, impacte menos o meio ambiente.
08:11Quando você fala assim, o caso clássico, né?
08:13A tartaruga morreu porque engoliu o canudinho.
08:16Quem jogou o canudinho no mar?
08:17O canudo não tem perna, não tem asa, né?
08:21Como é que ele caiu lá no mar?
08:22Ele não tem vontade própria.
08:23Quem jogou fomos nós.
08:24Então, assim, é um problema do ser humano que ele, de forma mais simples, né?
08:30Debita a uma indústria.
08:32Então, lógico que a indústria de plástico, ela tem que cumprir o seu papel.
08:36Ela tem que também trabalhar pela reciclagem.
08:38Tem que usar produtos reciclados.
08:42Fibrasa, né?
08:43É uma das empresas que tem trabalhado nessa linha.
08:46Nós, inclusive, em 2023, fomos premiados por desenvolver uma embalagem de tinta com plástico reciclado.
08:55Então, essa é uma das iniciativas que a gente tem.
08:58Nós somos uma empresa que cada quilo de plástico, de polipropileno que entra dentro da nossa indústria
09:05vira um quilo de produto final.
09:07Nossa perda é zero no processo.
09:09Então, isso também é uma forma.
09:10É essa que deve ser a postura das empresas envolvidas com a produção de plástico?
09:15Com certeza.
09:15Essa tem que ser a agenda.
09:17E a agenda de educação também.
09:19Também cabe a nós trabalhar pela educação, pela conscientização da população para fazer o descarte correto
09:26e fazer a embalagem voltar para o processo.
09:28E aí você acha que tem que ter uma interferência governamental nesses casos, como você já citou,
09:34de incentivar empresas que...
09:36Como o Estado pode fazer isso?
09:38Incentivar empresas que fazem a reciclagem, que fazem esse produto não ir para o meio ambiente,
09:43mas continuar sendo aproveitado?
09:45Primeiro, eu acho que o Estado tem que cumprir a lei que o Estado mesmo criou.
09:49Então, nós precisamos fazer acontecer a coleta seletiva.
09:53Nós precisamos acabar com os lixões.
09:56Então, esse é o primeiro passo.
09:58Isso feito, nós precisamos que, de fato, a indústria de reciclagem seja incentivada.
10:05Incentivos fiscais, tributários, incentivos financeiros, para que essa indústria prospere.
10:11Um quilo de plástico usado tem valor.
10:14Um quilo de plástico virgem, ele custa em torno de R$ 8,00 o quilo.
10:19O plástico usado, coletado, do catador, ele custa entre R$ 2,00 e R$ 3,00.
10:24Então, tem valor na cadeia.
10:26Mas a gente não pode viver, assim, na escala global que existe hoje nesse setor,
10:31eu não consigo viver só dos catadores informais.
10:35Eu preciso estruturar isso.
10:37E a estruturação passa pelo trabalho e pela implementação da coleta seletiva em todo o país.
10:44Você vê chance, ou você vê espaço, ou você vê isso acontecendo já?
10:49No Brasil, ainda muito pouco.
10:51Mas na Europa, que é sempre líder na agenda, é um continente que tem trabalhado muito fortemente
10:58nessa agenda da reeducação para a utilização do plástico.
11:03Tem trabalhado também em estimular redução de pesos de embalagens,
11:09porque hoje você também tem muitas embalagens que são desnecessárias.
11:12Vou te dar um exemplo, assim, pasta de dente.
11:15Você tem uma caixinha de papel, que depois vai um tubinho dentro,
11:18e você tem um outro no negocinho de alumínio.
11:21Quer dizer, é um monte de capricho, vai, assim, para vender mais.
11:24Então, isso a sociedade também tem que evoluir e falar assim,
11:27para quem é essa caixa de papel?
11:28Vai direto no tubinho que já dá a proteção adequada.
11:32Então, isso são exemplos de evolução para reduzir os três R's da sustentabilidade.
11:41Reduzir, reciclar e reusar.
11:42E reusar, exatamente.
11:43Então, a Fibrasa também tem feito um trabalho muito grande para reduzir o peso das embalagens que ela produz.
11:49Nós, recentemente, conseguimos reduzir o peso da embalagem de margarina,
11:53que é uma embalagem muito utilizada, em quase uma grama cada embalagem.
11:57Se você considerar que o Brasil consome em torno de 150 milhões de embalagens de margarina por mês,
12:04então, você põe uma grama, às vezes 150 milhões, você vê o impacto que uma ação de tecnologia,
12:10de você trazer tecnologia, porque isso não é só vou reduzir, né?
12:13Você tem que manter a resistência mecânica da embalagem com peso menor.
12:17Então, tem que aplicar a tecnologia no processo.
12:19Então, essas ações também, elas trazem um ganho muito importante.
12:23E a Fibrasa está conectada diretamente com essa pauta.
12:27Legal.
12:28Léo, a gente tem alguns quadros aqui no programa Valores.
12:30E agora, a gente vai para o nosso primeiro quadro, que é o quadro Dica de Valor.
12:36Dica de Valor.
12:39Léo, na sua opinião, qual é o investimento que tende a dar o melhor retorno aqui no Estado?
12:46Olha, é uma pergunta bem difícil, né?
12:49Eu acredito nas coisas que eu faço, né?
12:52Então, eu acredito muito na indústria, de forma geral.
12:54Eu acho que a indústria, além do retorno econômico, que ela dá muito grande,
12:58a indústria, ela irradia desenvolvimento, né?
13:01E eu acho que o empresário, ele tem que ter essa cabeça, né?
13:05Tanto do ganho econômico, quanto também de gerar desenvolvimento no seu entorno.
13:11Então, eu gosto muito de toda atividade ligada à indústria, né?
13:16Seja a indústria de transformação, né?
13:19A indústria de construção civil.
13:21Eu acredito muito nessas atividades, como atividades que dão lucro, né?
13:27E geram desenvolvimento no seu entorno.
13:31Bom, e falando disso, como é que você percebeu que essa indústria do plástico,
13:34esse setor, tem potencial, tinha potencial?
13:38A Febrasa, na verdade, nasceu há 52 anos, né?
13:42Pelas mãos do meu pai, Sérgio e meu avô, Atalides.
13:46Na época, foi um projeto que veio para substituir as embalagens de algodão e de juta.
13:53A Febrasa foi a terceira empresa, terceira indústria com essa tecnologia no Brasil.
14:00E, desde então, ela veio se transformando, se modernizando.
14:03Nós nascemos produzindo sacaria de rafia.
14:07Depois, em 1989, começamos a produzir embalagens rígidas de poliestireno,
14:1390 de polipropileno, né?
14:15Que fizemos a unidade de Pernambuco em 1995,
14:19porque, na época, existia uma grande crise institucional no Espírito Santo.
14:22E a nossa alternativa foi ir para outro estado, né?
14:26Como é que a política pode influenciar nas decisões empresariais, né?
14:30Impressionante.
14:30Absurdamente, né?
14:31Então, um estado desorganizado afasta o investidor.
14:36Na hora, né?
14:37Então, isso nos fez ir para Pernambuco,
14:40o que na nossa história acabou sendo uma coisa muito positiva.
14:44Em 1998, nós começamos a fabricar embalagens injetadas,
14:47que são esses baldes plásticos para tintas, para food service.
14:52Esse ano, estamos lançando um projeto de embalagens com barreira a oxigênio,
14:57que fazem com que o produto possa ter um shelf life maior na prateleira, né?
15:04Durar mais na prateleira.
15:06E para alguns produtos como baby food, como atomatados, como carnes,
15:11isso tem um valor muito grande.
15:12É uma embalagem de valor agregado maior.
15:16Então, assim, a fibrasa nasceu de 52, há 52 anos, né?
15:20E vem, nós estamos agora na segunda geração,
15:24chegando à terceira geração da família na empresa.
15:28Mas cuidado com a terceira geração, que normalmente é maldita, né?
15:31É, não, mas acho que no nosso caso está bem educada, né?
15:36Para poder contribuir também e dar perenidade a esse sonho que nasceu lá em 1972.
15:44E falando disso, muito disso,
15:46como é que você acha que o meio empresarial pode orientar o desenvolvimento desse setor?
15:51Você diz do setor de...
15:53Do setor de plástico.
15:54Do seu setor da fibrasa.
15:55Entendi.
15:56Eu acho que o nosso segmento ainda tem muitas oportunidades.
16:01Muitas oportunidades.
16:02Essa geração que está chegando aí está preparada para essas oportunidades?
16:05Está preparada para dar continuidade para a empresa que começou com a sacaria lá atrás
16:09e viu oportunidades, viu a mudança de parâmetros de mercado,
16:15começou a investir em outros produtos, outros materiais e hoje é uma indústria de plástico?
16:19Eu acho que essa nova geração, ela está de forma ampla,
16:24ela está educada já considerando um mundo onde as coisas são mais próximas, né?
16:30Então, é uma geração que pensa em estrutura de capital diferente, né?
16:34Lida com essa agenda de internacionalização de uma forma mais amigável do que nós lidávamos.
16:42Eu acho que vem com a consciência ambiental, que a gente também tratou aqui hoje, mais intensa, né?
16:51Então, eu acho que é uma geração que tende a aperfeiçoar as coisas que foram feitas até hoje, né?
16:58E a partir daí, né?
17:00Que você já tem um tamanho, uma escala, né?
17:02É poder ampliar a ambição do grupo empresarial a futuro, né?
17:10Eu sou muito otimista com a juventude, sou muito otimista com a alternância, né?
17:18Acredito muito na importância de você ter alternância de lideranças em todas as frentes,
17:24porque meu pai já dizia, né?
17:26Vassoura nova, varre melhor, né?
17:27Então, quem chega querendo fazer uma coisa diferente, né?
17:32É um sonho novo.
17:33Então, eu acho que tudo isso ajuda a fazer.
17:36E quando tem uma formação boa, uma consciência de que o trabalho é um pilar central na vida,
17:44eu acho que isso nos dá tranquilidade de confiar no futuro.
17:48É, mas falando de essa vontade de fazer, tem que estar preparado para fazer, né?
17:54E como é que está isso em relação à sua empresa?
17:58O setor, o que produz aqui no Estado é tendência no mundo?
18:03Como é que vocês caminham em relação às tendências que o mundo oferece e que estão acontecendo no mundo?
18:09E como é que isso está aqui em produção aqui no Espírito Santo, lá em Pernambuco?
18:13Como é que vocês pensam isso?
18:14A indústria de transformação de plástico é muito ampla, né?
18:17Eu vou falar pelo meu segmento, né?
18:21Assim, a Febrasa é uma empresa que não deve nada tecnologicamente a nenhuma companhia similar no mundo.
18:29Nós estamos concluindo agora, em 2024, um ciclo grande de investimento, de perto de 170 milhões.
18:38Nós trabalhamos com o que tem de melhor em tecnologia e equipamentos, né?
18:45A indústria de plástico, a referência dela ainda continua sendo muito a indústria de máquinas europeias, né?
18:52Então, a gente recorre muito às tecnologias na Europa, né?
18:57E essa agenda de formação de capital humano também é uma pauta muito importante da Febrasa.
19:05Então, a gente tem parcerias com o Senai, que é um grande parceiro e formação.
19:10E a gente faz muito trabalho também interno de capacitação, muito intercâmbio com fornecedores de equipamentos.
19:18Então, tecnologicamente, hoje a gente não deve absolutamente nada a ninguém, né?
19:22Pelo contrário, nós estamos também, nesse momento, nessa agenda de novos projetos,
19:28estamos conversando com empresas, uma empresa europeia, uma empresa da América do Norte,
19:34estabelecendo uma relação um pouco mais próxima com elas,
19:39que pode até, no futuro, se transformar em alguma relação societária,
19:45o que seria uma coisa muito interessante para nós.
19:49e acho que para eles também, porque o Brasil é um mercado também desejado, né?
19:53200 milhões de habitantes, todo indicador que você olha do Brasil, Edu, é incrível.
19:59Tudo que você vê de consumo per capita no Brasil, nós temos uma chance de crescer enorme.
20:04Então, qual é o consumo per capita de sorvete no Brasil,
20:07quando você compara com a economia desenvolvida?
20:09É muito pequeno.
20:10Qual é o consumo per capita de manteiga, de iogurte?
20:13Então, se a gente tem um potencial ainda, à medida que o país ganha renda média,
20:18de crescer muito o consumo e o consumo que gera demanda para os produtos que a gente produz.
20:23Isso significa, Fibrasa, comprar empresas de fora ou ser comprada por empresas de fora?
20:28Tem esse movimento?
20:30Tem, sempre tem.
20:31A gente sempre está atento a isso, mas a nossa agenda hoje é muito mais na ponta de se associar,
20:38de compor posições conjuntas e de, eventualmente, até adquirir participações de outras empresas.
20:45Hoje, basicamente, a nossa agenda é essa.
20:47A outra agenda não está na nossa pauta.
20:50Ótimo.
20:51A Fibrasa é compradora, então.
20:52A Fibrasa é compradora.
20:53Está do lado do comprador.
20:55Legal.
20:55Vamos ao próximo quadro do programa.
20:59Agora é o quadro Valores Inegociáveis.
21:05Valores Inegociáveis.
21:07Léo, quais são os valores que um executivo precisa ter e sustentar, independente do momento?
21:14Olha, algumas coisas óbvias, mas incríveis, que precisam ser ditas.
21:20Honestidade é uma coisa muito importante.
21:24Você é resiliência, ser empresário no Brasil e no mundo todo.
21:29Ser empresário não é uma opção de carreira para quem quer tranquilidade e estabilidade.
21:35O empresário tem que saber viver e navegar em mar turbulento e achar isso normal.
21:42Então, honestidade, resiliência, dedicação ao trabalho, indústria em especial exige muito de quem opta por essa carreira.
21:54Grande parte das indústrias trabalha 24 horas, 7 dias na semana.
21:57Não quer dizer que você tem que ficar lá 24 horas, 7 dias na semana, mas é um organismo vivo
22:02o tempo todo.
22:03Então, toda hora é importante na produção daquela indústria.
22:09Então, essa dedicação ao trabalho e essa visão, essa capacidade que você tem que ter.
22:15É muito importante ter a visão de para onde as coisas estão indo, para onde as coisas estão caminhando,
22:20para você ir moldando a sua indústria para aquele caminho.
22:25Porque a indústria também não se transforma no estalar de dedos.
22:30Você mudar uma planta industrial, mudar uma tecnologia, além de ser muito caro,
22:37exige uma série de ações de planejamento.
22:40Então, você conseguir ler para onde as coisas estão indo e se ajustando para aquilo, também é muito importante.
22:48Acho que depende muito de experiência isso.
22:50E como é que você chegou à empresa fundada pelo seu pai?
22:54Pelo seu avô, na verdade.
22:55Pelo meu avô e meu pai, juntos.
22:57Na verdade, na minha geração, a empresa era praticamente o nosso parque de diversões.
23:06Então, a gente, durante férias, ia para a empresa.
23:11Mas isso é bom ou é ruim?
23:13Hoje é diferente.
23:14Um moleque ir para a empresa nas férias?
23:17Hoje é diferente.
23:18Mas na época era muito normal.
23:20Não é que a gente ficava as férias todas, mas a gente ficava um tempo das férias lá.
23:25Nos finais de semana, quando meu pai trabalhava, meu pai trabalhou até os seus 60 anos.
23:31Todo sábado era dia de trabalho dele normal.
23:34Então, a gente o acompanhava frequentemente, a indústria.
23:38Então, a minha geração foi para dentro da indústria desde nova.
23:43A gente brinca a ideia de que respira plástico.
23:44A gente entende tudo.
23:46E é verdade, se você olhar, você entende para onde as coisas estão indo.
23:50Então, é diferente de hoje.
23:52Hoje, eu acho que as gerações atuais, elas demoram um pouco mais para participar do negócio,
24:01mas elas vêm com uma carga de formação, não só de educação, mas de informação de mundo maior.
24:10Então, a gente tem que ir mesclando essas diferenças, aceitando as evoluções e mudanças que acontecem nas gerações
24:21para a gente extrair daí o melhor.
24:22Tem uma coisa muito, que eu acho que vale a pena aqui dizer, assim, a gente hoje fala muito,
24:28em especial quando está tratando da agenda ESG, sobre diversidade.
24:33E a gente, o olhar sempre é a diversidade de raça, de gênero, mas pouca gente fala na diversidade de
24:41gerações.
24:42Você ter pessoas de 60, 50 anos convivendo no mesmo ambiente de trabalho com a geração que está chegando de
24:4922, 20, 23,
24:51e que tem uma linguagem totalmente diferente, mas quando você consegue fazer essa diversidade funcionar dentro da sua empresa,
24:57você tem um ganho muito grande.
25:00Então, esse trabalho é um trabalho que a gente também está atento na Fibrasa.
25:05Nós temos uma agenda importante de transformação digital e dentro dessa agenda de transformação digital,
25:10você vê muito essa disparidade de linguagem de mundo,
25:16mas você vê pessoas mais velhas querendo aprender aquela linguagem do jovem e essas tecnologias
25:24e vê o jovem querendo aprender a experiência de quem já está há mais tempo naquela jornada
25:32e conseguir fazer esse casamento gerar produtividade, gerar resultado nas empresas.
25:38Legal, Léo. Agora a gente faz um intervalo, pequeno intervalo,
25:41mas você que está acompanhando a gente aí, continua com a gente, que a gente volta daqui a pouquinho.
25:46Valores, volta já!
25:48Volta já!
25:52Valores, Valores, está de volta!
25:57Estamos de volta com o programa Valores.
26:00A gente hoje está recebendo aqui Léo de Castro, que é o executivo à frente da Fibrasa,
26:06que é uma indústria de plástico, também foi presidente da FINDES.
26:10A gente estava falando aqui no bloco anterior sobre essa experiência de viver,
26:14ter a vivência do trabalho dentro da empresa.
26:17Você falou que vocês foram muito cedo, passavam as férias, às vezes um período de férias dentro da empresa.
26:22Mas como é que você se preparou para isso?
26:24E o que você aprendeu sobre o negócio?
26:27Tanto dentro da empresa, com essas experiências em família, quanto na academia?
26:32Olha, isso...
26:34Meu pai sempre teve um zelo muito grande por educação.
26:36Então, nós todos fizemos universidade naquela época, a Universidade Federal do Espírito Santo
26:45era a grande referência de educação aqui do Estado.
26:50Posteriormente, todos nós fomos para São Paulo, nós fizemos uma pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas,
26:57dois anos em São Paulo, onde também tivemos a oportunidade de trabalhar.
27:03Durante o período de faculdade nosso, também de universidade, meu pai sempre advogou para que nós também trabalhássemos em outras
27:14empresas
27:14para ter um conhecimento de outras realidades, de cultura empresarial.
27:21E eu tive a excelente oportunidade de ser estagiário no Grupo H Branca e na Garoto,
27:28que são duas empresas fantásticas.
27:30Então, aprendi bastante lá.
27:33Então, esse conjunto, além da vivência empresarial em casa e além da possibilidade também...
27:41A gente sempre participou de feiras internacionais, visitava feiras, procurava entender aonde estava a informação, a atualização.
27:50Então, isso tudo compôs um conjunto de base para que nós pudéssemos entrar na empresa agregando valor.
28:00Dentro da empresa, eu particularmente tive a oportunidade de liderar algumas áreas importantes.
28:08Muito tempo eu fiquei na área comercial da empresa.
28:12E a área comercial nossa eu fiquei em São Paulo.
28:15Então, eu vivi em São Paulo intensamente.
28:18Posteriormente, fui para a área financeira.
28:21Então, pude conjugar esse conhecimento.
28:26Tive passagens na área industrial também.
28:28Então, assim, eu acabei tendo uma formação completa no que diz respeito à indústria.
28:35Tive essa oportunidade durante a minha formação, o que me dá muita segurança no negócio.
28:43Então, eu tenho tranquilidade de interpretar o que está acontecendo na indústria e ajudar os executivos em soluções,
28:55agregar nos debates em torno dos desafios que são normais no dia a dia da indústria.
29:02Então, essa foi a nossa formação, a minha formação especial.
29:06Falando disso, e como é que você acha que tipo de diversificação o seu setor precisa hoje?
29:13E é bom você falar com propriedade justamente porque você esteve em outras empresas.
29:18Uma empresa de alimento que não tem absolutamente nada a ver.
29:21Quer dizer, tem a ver ali, porque o alimento precisa de uma embalagem e normalmente a embalagem é de plástico.
29:25Mas aí você tem também a vivência num grupo de logística, né?
29:28Então, como é que essas vivências impactaram em você e como é que você enxerga a diversificação do seu negócio?
29:35Você vê no seu negócio, por exemplo, espaço para elementos da logística, da alimentação?
29:41Você vê outros produtos dentro do seu segmento?
29:44Hoje a gente está olhando bem de perto essa agenda da reciclagem.
29:50Eu acho que essa indústria de reciclagem é uma indústria que vai crescer muito no Brasil.
29:53Então, e como ela dialoga direto com esse desafio da sustentabilidade, da imagem do plástico,
30:00a gente está olhando isso como uma possibilidade efetiva de diversificação.
30:05Mas nós temos olhado também outros segmentos, né?
30:08Que não são tão óbvios na linha da indústria de transformação de plástico, né?
30:15Então, assim, o Brasil virou um canteiro de oportunidades em geração de energia.
30:22É algo que a gente está olhando, assim como outras frentes como saneamento,
30:30que é também uma oportunidade.
30:34Então, a Fibrasa é um grupo empresarial que está atento a oportunidades outras.
30:39Acho que a Fibrasa ganhou maturidade empresarial e relevância para poder, de fato, agora poder olhar
30:49para essa possibilidade de diversificação além do plástico.
30:52Já tem alguma ação concreta?
30:54Isso aí eu estou perguntando, porque você deu a deixa aí e eu tenho que perguntar.
30:57Já tem investimento, já tem previsão de investimento em alguma coisa?
31:00Ou é estratégico demais?
31:02Ainda é estratégico demais para falar e a gente ainda está terminando esse ciclo muito
31:07importante de crescimento da própria indústria de plástico, né?
31:10Assim, para você ter ideia, nós estamos dobrando a operação do Espírito Santo, né?
31:14O Espírito Santo tinha mais de 20 anos que a gente não investia aqui.
31:17Nossos investimentos estavam todos concentrados em Pernambuco, né?
31:21Então, nós estamos muito felizes, porque nós não somos capixabas, nós somos mineiros,
31:26mas fomos adotados pelo Espírito Santo há muitos anos.
31:28Mineiro, quando vê a praia, que fica maluco, né?
31:30Quer mudar para cá mesmo.
31:31Exatamente, e a gente vive aqui, né?
31:34Então, a gente está muito, todos nós, muito felizes em poder realizar esse investimento
31:39aqui, crescer, gerar mais riqueza no nosso estado, né?
31:45Então, nós estamos focados agora em concluir esse ciclo de investimento, mas estamos sim
31:49estudando profundamente alternativas de diversificação.
31:53Vamos ao próximo quadro do programa agora.
31:57Busca de valores.
32:01Léo, na sua opinião, o que a dinâmica atual do mercado exige de profissionais bem-sucedidos?
32:07Eu acho que a principal coisa no profissional é a atitude.
32:11Eu acho que o profissional que tem a atitude, que quer fazer, que tem disponibilidade, que
32:18entrega mais do que estão pedindo a ele, eu acho que esse é o profissional que cresce,
32:23em qualquer organização, porque o conhecimento você absorve quando você tem atitude, quando
32:29você quer, né?
32:31E é difícil você dar atitude para uma pessoa, né?
32:34Então, é essa disposição de aprender, essa disposição de correr risco, essa flexibilidade,
32:44essa capacidade de você lidar bem com as novas tecnologias.
32:48Eu acho isso que faz o profissional ter ou não sucesso.
32:52E, junto a isso, a sua capacidade de lidar com pessoas, né?
32:59A sua capacidade de liderar, de conviver, né?
33:03Porque cada vez mais você está conectado com tudo, né?
33:07Ninguém faz nada sozinho.
33:08São equipes, equipes, às vezes, da mesma área, equipes que, às vezes, são de áreas
33:17que não são as mesmas, mas que trabalham conjuntamente.
33:21Então, essa capacidade de lidar com pessoas, você ter atitude e capacidade de lidar com
33:25pessoas, eu acho que são os grandes diferenciais aí de um profissional hoje no mercado.
33:30E como é que as lideranças empresariais podem fazer a diferença aqui no Espírito Santo?
33:35Isso eu acho que elas já fazem, né?
33:37Eu acho que o Espírito Santo é um Estado que tem até a sua história recente,
33:45muito impactada pelo setor privado, né?
33:51Naquele início dos anos 2000, né?
33:54Quando o Estado passou por um momento de muito desgoverno, em todos os sentidos,
33:59uma crise institucional muito grande,
34:01e que os empresários se uniram em torno, na época do Espírito Santo em ação,
34:07para ajudar a recuperar valores, né?
34:11Da nossa sociedade.
34:13E desde então, né?
34:15As instituições aqui no Espírito Santo, elas têm se portado de forma colaborativa
34:23com o desenvolvimento do Estado.
34:25O ser colaborativo não pode ser confundido com o ser passivo, né?
34:29Pelo contrário, o colaborativo é que tem opinião, né?
34:33E que embasa a sua opinião, e que pauta essa discussão junto à sociedade.
34:40Eu tive a oportunidade de ser presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo
34:45por três anos, né?
34:47E durante o mandato que eu fiquei à frente,
34:51uma das coisas que a gente centrou o esforço muito grande foi justamente nisso.
34:56O que faz diferença para o Espírito Santo?
34:59Como a gente pode contribuir para ser uma sociedade com mais oportunidades,
35:03com mais renda, né?
35:05Uma sociedade mais equilibrada.
35:08Então, a gente fez as...
35:09Identificou isso, e daí começou a pautar as discussões em torno do tema.
35:15Então, inovação, produtividade, infraestrutura,
35:20acesso a crédito, melhoria do ambiente de negócio.
35:23Isso tudo foram agendas que nós lutamos muito para que elas se estabilizassem
35:27e tornassem uma linguagem comum do Estado,
35:32tanto no Legislativo, quanto no Executivo, quanto no Judiciário.
35:36E também, junto à academia, né?
35:39Para que a gente pudesse, em torno disso, trabalhar para gerar mais valores para o nosso Estado.
35:46E eu acho que a gente tem colhido bons frutos, né?
35:48Eu estou citando o exemplo da Federação porque é a instituição que eu participo mais ativamente.
35:54Mas eu já citei o Espírito Santo em ação aqui também como uma instituição muito relevante aqui para o nosso
35:59Estado.
36:00Acho que o Sincades também prestou um grande serviço e presta um grande serviço para o nosso Estado, dentre outros.
36:06Mas eu acho que o setor empresarial, as lideranças empresariais, são muito participativas aqui no nosso Espírito Santo.
36:12Do ponto de vista dessa atuação institucional que você teve quando foi presidente da FINDES
36:17e com uma agenda direta com o governo, porque é um cargo político, não deixa de ser, né?
36:22Como é que você vê as iniciativas do governo para impulsionar o desenvolvimento da economia do Espírito Santo?
36:28É como eu te falei, eu acho que o Espírito Santo hoje é um Estado moderno, né?
36:34É até engraçado, né?
36:36Porque a gente, às vezes, a gente está assistindo no Brasil essa polarização esquerda-direita, né?
36:42Em tese, o nosso governador é PSB, em tese ele é de esquerda.
36:46Mas se olha o Estado capixaba, é o Estado que está fazendo o maior número de PPPs e concessões, né?
36:51Está preparando a concessão dos parques públicos.
36:55Dos parques públicos, que é uma atitude super bacana que está vindo aí do Rigoni, do Meio Ambiente.
36:59Isso, exatamente.
37:01Tem os seus bancos que são públicos, mas que têm um comportamento de governança privada, né?
37:09Tem suas agências reguladoras muito bem trabalhadas.
37:13Mas o governador Renato e o vice-governador Ricardo Ferraço têm feito um trabalho muito grande de levar o Estado
37:21para fora, né?
37:22Vender o Estado para atrair investimentos.
37:25Então, assim, eu acho que nós estamos num quadrante muito positivo do Espírito Santo, né?
37:32É lógico que nós continuamos com questões centrais que nós precisamos enfrentar, no meu ver, com maior intensidade.
37:42Eu acho que essa questão da infraestrutura continua sendo uma questão muito relevante para o nosso Estado.
37:48E eu tenho chamado muita atenção para a agenda da educação.
37:52Educação é fator determinante de competitividade para as empresas que estão aqui.
37:57Mas não só isso.
37:58Educação é o fator determinante para você subir a renda média da população.
38:04Porque não adianta, Edu, a gente viver essa agenda do pleno emprego.
38:08Está todo mundo batendo palma, falando assim, olha, que bom que o Brasil agora está com 7,5% de
38:13desemprego.
38:14E o Espírito Santo muito menos.
38:15E o Espírito Santo um pouco menos.
38:17Mas a pergunta que tem que vir junto é assim, mas qual é a renda média?
38:21Porque não adianta um pleno emprego com um cidadão ganhando 1.600 reais, 1.500 reais.
38:27Isso não é renda que sustenta num padrão digno.
38:31Exatamente.
38:32Mas para mim poder pagar mais, eu preciso de mais qualificação.
38:36Então eu acho que nós temos uma agenda que vem lá de uma reforma muito importante
38:41feita pelo presidente Temer na época, que foi a reforma do ensino médio.
38:44Porque o Brasil forma muito pouco jovem no ensino médio técnico.
38:50O que é o ensino médio técnico?
38:51É o ensino médio que forma a profissão já.
38:54Então o brasileiro é apaixonado pelo superior, pelo curso superior.
38:58Só que o mundo desenvolvido, que a gente tanto admira,
39:02ele em torno de 40% a 50% dos jovens vão para o curso médio técnico.
39:08No Brasil isso é menos de 10.
39:09O Espírito Santo é igual, menos de 10.
39:11Então a reforma do ensino médio previa justamente aumentar esse percentual
39:16porque é esse ensino, o médio técnico, que vai levantar a produtividade
39:21e a competitividade de todas as empresas e vai levantar a renda do trabalhador capixaba.
39:27Então eu acho que o Estado do Espírito Santo poderia se esforçar mais
39:32para ser uma referência, assim como é uma referência na gestão financeira,
39:37ser uma referência na educação brasileira, na formação para o trabalho.
39:42Porque eu acho que isso cria no Espírito Santo uma condição de competitividade
39:48relativa aos outros estados imbatível.
39:52E não dá para tirar, não é como um incentivo fiscal, por exemplo,
39:55que de repente ele vai acabar.
39:56Que tem data para acabar, 2032.
39:59Um alerta.
40:01Em dezembro, nos últimos dias de dezembro, o governo federal promulgou uma lei
40:05passando a cobrar imposto de renda, contribuição social, PIS, COFINS
40:09sobre incentivo fiscal.
40:11Isso diminui a potência do incentivo fiscal que é dado para atrair empresa
40:17entre 25% e 35%.
40:20Então o que eu estou querendo traduzir para você.
40:23Antes, quando o Estado ia a São Paulo, Santa Catarina, atrair uma empresa,
40:27falasse, vem para o Espírito Santo que você vai ter um ganho de 10%.
40:31Agora ele vai ter que ir lá e falar, agora você vai ganhar 7% ou 6%.
40:35Já não é tão...
40:35Já não motiva tanto.
40:37Ainda mais quando o empresário olha e fala assim, olha, em 2032 é zero.
40:40Porque acaba.
40:41Então, essa lei aprovada no final de 2023, ela antecipou 2032,
40:50enfraqueceu o poder de atração de investimentos para o nosso Espírito Santo.
40:54É muito ruim.
40:54Então por isso que eu estou reforçando a agenda da educação.
40:57Porque eu acho que essa é uma agenda transformadora.
40:59Ninguém tira, né?
41:00Cria dignidade.
41:01É a melhor coisa que a gente pode ter para uma sociedade.
41:03E que nós, por termos a condição financeira que nós temos, nós podemos fazer.
41:09Aí é uma decisão política.
41:10É uma decisão de sociedade de fazer.
41:13Não estou dizendo que o governo não faz, não.
41:15Eu só estou dizendo o seguinte, como nós temos condições financeiras para ser muito ambicioso,
41:21a pergunta que eu faço é assim, por que não ser?
41:23Por que não ser?
41:23Exatamente.
41:24Já que a educação é a base de uma sociedade de fato mais igualitária.
41:29Então fica essa...
41:30Essa é uma questão que tem me feito estudar mais o tema e, como estou fazendo aqui hoje,
41:36falar sobre ela para despertar esse debate.
41:40Falando em incentivo fiscal, a gente não pode deixar de tocar na reforma tributária,
41:44que tem um impacto muito grande para o Espírito Santo.
41:48A reforma tributária pode ser encarada como um risco para o seu setor, por exemplo?
41:53Não.
41:54A reforma tributária, de forma ampla, é uma vitória da sociedade brasileira.
42:00Então, ela é uma vitória.
42:03Mesmo que ela não seja o que os setores produtivos acham que deveria ser?
42:09Mesmo ela não sendo.
42:10Mas ela traz um caráter simplificador enorme,
42:14ela traz uma maior transparência para o consumidor sobre o que ele está pagando,
42:18mas ela está sendo feita dentro de um governo que tem uma agenda de gastar mais
42:25e não a agenda de gastar melhor ou menos.
42:29Racionalizar os custos, né?
42:31Então, assim, tem uma discussão sobre qual o tamanho que vai ficar a carga tributária do Brasil.
42:36Porque nós não, até agora, o Brasil não está discutindo a reforma administrativa, seriamente.
42:43E é uma reforma urgente que a gente tem que fazer.
42:45Quando a gente fala em reforma administrativa, a gente não está falando em tirar nada de ninguém, não.
42:49A gente está falando em fazer melhor o que o Estado tem que fazer.
42:54e buscar uma justiça maior nas carreiras, entre a carreira pública e a carreira privada.
43:02Porque ao longo dos anos, é natural, as corporações vão se empoderando
43:10e vão juntando uma série de benefícios que, quando você vai olhar elas na sua frente,
43:16você fala assim, nossa, que absurdo.
43:18Então, como é que eu resolvo isso?
43:19Eu resolvo isso com a reforma administrativa.
43:21Então, a reforma administrativa é uma reforma por justiça social, né?
43:26Para a gente buscar um equilíbrio maior entre o servidor público e o servidor privado.
43:34E para poder buscar uma racionalidade de gastos
43:37que possa fazer com que o Estado brasileiro volte a ter capacidade de investir.
43:41Porque o Estado brasileiro é um Estado quebrado, né?
43:44A capacidade de investir dele é 1%.
43:47É muito pouco frente ao que nós temos demanda.
43:50Então, a gente precisa também pautar com mais intensidade
43:54essa agenda de uma reforma administrativa para o Brasil,
43:58que vai ser muito bom para os 200 milhões de brasileiros, né?
44:01Que acho que é o que a gente tem que ficar pensando o tempo todo.
44:03Vamos para o próximo quadro do programa agora.
44:07Valores, valores de futuro.
44:11Estamos falando aí de acúmulo de benefícios, né?
44:15Quando chega a conta lá no final das contas, no futuro.
44:17Para você, qual é o investimento realizado agora
44:19que vai dar retorno, resultado real
44:22no ambiente de negócios do Espírito Santo daqui a 25 anos?
44:25Pô, mas você, se eu souber isso tudo que você está me perguntando...
44:31Mas eu acho que o Espírito Santo, assim, além da indústria,
44:34que eu acho que é uma coisa que eu já reforcei aqui
44:37como um investimento importante,
44:39o Espírito Santo tem uma vocação logística muito grande, né?
44:42Então, tudo que você vê acontecendo de logística no Espírito Santo
44:45é algo que você tem que estar atento, né?
44:47Você tem investimentos muito importantes sendo feitos em portos,
44:51tanto na região norte quanto no sul do Estado.
44:54Então, quando você olha o entorno de um investimento de portos,
45:00isso gera... você vê oportunidades.
45:02Então, basta exercitar isso, né?
45:04Olhar os portos já consolidados e ver o que se criou no entorno.
45:09Então, enxergando essa situação, você enxerga oportunidades
45:13que vão naturalmente acontecer aqui no nosso Estado.
45:18Eu acho que o Espírito Santo tem também que ter esse olhar,
45:22que o Brasil tem que ter, né?
45:24Da geração de energia limpa, né?
45:28Então, acho que essa agenda de gás,
45:30essa agenda de eólica, eólica offshore, solar,
45:34é uma agenda que já é, já está entregando muito valor
45:38e pode entregar mais ainda.
45:41Eu acho que essa agenda de florestas
45:45também é uma agenda de futuro aqui no nosso Estado.
45:50Saneamento é uma agenda de presente e futuro, né?
45:54Então, o meu olhar está por isso, né?
45:57Mas eu quero reforçar que não existe Estado,
46:02não existe nação desenvolvida e com equidade social
46:08onde a indústria não seja a atividade que prevalece, né?
46:12Porque a indústria, ela irradia desenvolvimento.
46:15No entorno de uma indústria, você tem todo o setor de serviço funcionando.
46:20Onde não tem indústria, o setor de serviço é mais fraco, né?
46:23A indústria é o setor que paga os maiores salários no mundo inteiro.
46:28A indústria é o setor que mais investe em inovação e tecnologia.
46:32Dois terços do investimento em inovação e tecnologia no Brasil
46:35e no mundo vem da indústria, né?
46:38Então, onde você vai encontrar os empregos de valor é na indústria.
46:42Lógico que a gente tem que buscar uma indústria de valor agregado, né?
46:46A gente tem que buscar uma indústria que possa pegar as nossas tão famosas commodities
46:51e agregar valor a elas.
46:53O que está acontecendo, por exemplo, em Minhares, né?
46:55Nessa instalação toda que está acontecendo, esse hub de processamento de café.
46:59O Espírito Santo daqui a pouco vai deixar de ser exportador de sacas de café
47:02para ser o grande exportador do café industrializado.
47:06Então, isso é aquela história que a gente brinca, né?
47:10Pô, eu vendo café em saco lá para a Alemanha e a Alemanha me devolve isso em cápsula.
47:15Muito mais caro, né?
47:16Trinta vezes mais caro, né?
47:18Então, assim, eu quero esses trinta vezes aqui.
47:20Porque essas trinta vezes aqui faz com que a gente possa pagar salários maiores,
47:25pagar mais impostos e gerar uma sociedade mais justa, né?
47:29Então, eu acho que a indústria tem que estar no centro da estratégia de desenvolvimento do país e do Estado.
47:37E o que tem daquele Léo de Castro, que ia brincar lá nas férias, na empresa do pai, na empresa
47:42do avô?
47:43O que tem dele e permanece como gestor do Grupo Fibrasa?
47:47Ah, tem a alegria.
47:48A alegria de fazer a crença que as coisas vão dar certo.
47:52Eu acho isso muito importante também, né?
47:54Você não ficar engessado pelo medo ou pelo receio, né?
47:59Eu acho isso muito importante no ser empresário, né?
48:04Você acreditar que as coisas vão dar certo, né?
48:07Às vezes demora um pouquinho, mas juntando tudo que a gente conversou de perseverança,
48:12de dedicação ao trabalho, de capacidade de lidar com as pessoas, de dialogar, né?
48:18Construir esse caminho para as coisas darem certo.
48:21Então, acho que é isso.
48:21Legal. E que recado que você, o Léo de Castro, de hoje deixaria para aquele Léo
48:26que estava começando lá atrás, não sabia muito bem para onde ia,
48:30não sabia muito bem o que ia fazer.
48:31Qual o recado que você deixaria para ele hoje?
48:33Olha, eu... um recado e uma coisa que eventualmente eu faria um pouco diferente, né?
48:38Eu teria uma experiência internacional maior, né?
48:42Eu acho que o Brasil, por ter um mercado tão grande, né?
48:46E você vê isso nos nossos indicadores, né?
48:49Assim, a gente acaba, como empresário, olhando pouco para exportações.
48:55Apesar de a gente comemorar aí recorde de exportação,
48:59mas quando você vai ver o que isso significa mesmo,
49:01quantas empresas fazem isso, você vai ver que são muito poucas.
49:05É muito concentrado, né?
49:07Na indústria de transformação mesmo, você tem 15... entre 15 e 20 indústrias no Brasil todo,
49:15indústria de transformação, que respondem por quase 70% da exportação brasileira.
49:19Então, nós não somos acostumados a trabalhar para o mundo, né?
49:26E eu acho que viver fora do país por um período abre a sua cabeça,
49:31te conecta com essas oportunidades,
49:35cria uma rede de relacionamento que no tempo você pode usufruir.
49:39Então, acho que é isso.
49:40De resto, eu sou muito feliz com as escolhas que eu fiz ao longo da vida, né?
49:47E muito grato por tantas coisas que consegui trabalhar, desenvolver e estar junto.
49:55Último quadro do programa, hein?
49:57Quadro Valor Pessoal.
50:01Valor Pessoal.
50:03Léo, qual é o aspecto da sua vida pessoal que é essencial para que você tome as melhores decisões para
50:09o futuro?
50:10É paz de espírito, né?
50:12Você ter tranquilidade na vida, né?
50:14E isso você constrói...
50:16Acho que todo mundo tem as suas...
50:17Eu brinco assim, todo mundo tem que ter sua bengalazinha, né?
50:20Assim, onde você constrói o seu equilíbrio, né?
50:24Então, para mim isso é muito claro, né?
50:26Assim, é na família, é em casa, é no esporte.
50:30Eu adoro esporte, vários tipos de esporte.
50:33Acho que isso me faz muito bem.
50:36E é trabalhando também.
50:37Então, eu acho que essa agenda, ela me equilibra, me equilibra muito e me permite, né?
50:47Eu lidar com os diversos desafios que a vida traz para todo mundo, né?
50:52Então, mas são as minhas bengalas.
50:56Legal.
50:56Léo de Castro, ex-presidente da FINDES, gestor do grupo Fibrasa, muito obrigado pela sua presença aqui,
51:03pelos ensinamentos, pelas experiências que você passou.
51:06Valeu, muito obrigado.
51:07Obrigado, Edu, por ter a oportunidade de estar aqui com vocês e estou sempre à disposição.
51:11Legal.
51:11E para você que acompanhou o programa Valores, muito obrigado pela companhia.
51:16Você sabe que toda semana a gente está por aqui na Pan News e você pode conferir esse material em
51:21vídeo também no Folha Vitória.
51:22Mais uma vez, muito obrigado pela companhia.
51:25Até a próxima.
51:26Tchau.
51:28Você ouviu Valores com Edu Copernic.
51:32Até o próximo.

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