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  • há 2 dias
A série de reportagens especiais da TV Vitória investiga a angústia de famílias que desconfiam das versões oficiais sobre a morte de seus filhos em hospitais de Vitória e região. Após anos de busca por respostas, o jornalismo se debruçou sobre casos de crianças que morreram em instituições de saúde, mas cujas mortes não foram […]

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Transcrição
00:15O que aconteceu com meu irmão?
00:18Ele entrou em um hospital em Vitória para fazer a cirurgia
00:23e quando vieram procurar disseram que ele tinha morrido e enterrado.
00:36Na série de reportagens especiais que você começa a ver agora,
00:42conheceremos a intrigante história de famílias que até hoje
00:46desconfiam da versão oficial dada pelo Estado em relação à morte e destino de seus filhos.
00:53Para eles, um conjunto de supostas coincidências somadas às falhas em registros oficiais
01:02só aumentam a desconfiança.
01:05E não é para menos.
01:07Respostas rasas, explicações sem sentido e muita coisa em comum.
01:14Em busca de respostas, durante mais de três anos,
01:18o jornalismo da TV Vitória se debruçou sobre o assunto.
01:22Varreduras em arquivos públicos, buscas por certidões de óbito,
01:27visitas a cemitérios e conversas com os protagonistas dessas histórias
01:32resultaram na investigação de centenas de mortes suspeitas por conta das semelhanças.
01:39Nesta primeira reportagem, você conhecerá três delas,
01:45que mais de 40 anos depois, voltaram a ser caso de polícia.
01:56Crianças nascidas na década de 60,
02:02com a simplicidade de famílias do interior.
02:09Bebês com as mesmas características físicas.
02:15Mortes sem explicação.
02:20Todas, embora com família, enterradas em valas comuns, como indigentes.
02:34Segundo a minha mãe, né, essa menina nasceu em casa, 28 de julho de 66.
02:40Nasceu em casa, com parteira.
02:43Aí, com uns 10 a 12 dias, ela passou mal.
02:46Foi levada, na época, para Domingos Martins.
02:48Não tinha nenhum hospital na época, não.
02:50Era alguém que atendeu lá um médico.
02:52Aí, ele indicou que trouxesse o postão infantil de Vitória.
02:55Angélica Olunder tinha 14 dias de vida quando foi internada após passar mal.
03:01A família de Paraju, em Domingos Martins,
03:04tinha apenas o hospital infantil em Vitória
03:06como referência de lugar para tratar a criança.
03:10Na época, não era permitido ficar acompanhante, né?
03:13Os pais não podiam acompanhar a criança.
03:15E a criança ficou lá.
03:18Passado dois dias, minha mãe voltou lá, viu, né?
03:21E assim foi acontecendo durante um mês, mais ou menos.
03:25Toda vez que uma mãe chegava lá, a menina estava melhor.
03:28Após quase dois meses internada,
03:30a família recebe a notícia da morte da menina.
03:34Na segunda-feira, ela foi decidida assim,
03:37hoje eu não volto para casa sem minha filha.
03:40Aí, quando ela chega lá, para surpresa dela,
03:41as enfermeiras estavam na porta,
03:43nem deixaram ela entrar no hospital,
03:45e simplesmente falaram para ela,
03:46a criança morreu e já foi enterrada.
03:52Começava ali, a angústia da família Olunder.
03:56Aonde vocês enterraram minha filha?
03:58Naquela humildade, né?
04:00Muito simples, sem instrução,
04:02pensar o que fazer, né?
04:05Aí só perguntou isso.
04:06Aí as enfermeiras falaram,
04:07ah, foi enterrada no cemitério Santo Antônio.
04:11E sempre ouviu o lamento da minha mãe.
04:14Aí só que aí, depois, quando ela chegou,
04:17voltou para casa, né?
04:19As pessoas começaram a falar,
04:20não, mas isso não está certo.
04:23Porque se a criança morreu, né?
04:24Eles não podiam ter enterrado sem vocês ver o corpo,
04:27sem vocês assinar papel nenhum.
04:29Não foi pedido nada,
04:30não assinar um papel nada na época.
04:32Simplesmente teve essa resposta e voltou para trás
04:34com aquela dúvida, aquela dor, né?
04:36Nós íamos olhar todo dia lá,
04:39todo dia nós estávamos lá,
04:41por olhar como é que ela estava.
04:43Aí ela melhorava, cada vez ela melhorava mais.
04:45Ela ficou quase dois meses lá.
04:47Só falaram que ela morreu ontem
04:51e já está sepultada.
04:52Só isso.
05:04Quero contar uma história do meu filho.
05:08Vanderli Marquiori,
05:10o garoto de Linhares que, aos dois anos,
05:12foi levado ao hospital infantil
05:14em julho de 67,
05:17após passar mal.
05:18Quando eu passei por essa porta,
05:21eu fiquei até meio assustada,
05:23porque tinha muitas crianças,
05:26muitas mães aqui dentro,
05:29e eu estava chegando, né?
05:31E como eu nunca tinha vindo no hospital infantil,
05:35aí eu fiquei assim, um pouco assustada.
05:38Mas também eu não sabia o que estava reservando para mim
05:44naquele momento que eu estava entrando no hospital.
05:48Naquela época, as famílias alegavam
05:51que os acompanhantes de crianças não eram permitidos.
05:54Os serviços de saúde estavam precarizados.
05:59Hospitais em completa desordem, fechando.
06:06Dois dias depois de deixá-lo no hospital,
06:09parentes voltaram para saber notícias da criança.
06:12Quando a gente voltou novamente,
06:14que chegamos aqui no hospital,
06:17eles procuraram dentro do hospital todo
06:20a criança e não acharam.
06:24Aí eles foram lá no fichário dele
06:30e lá eles falaram que o menino tinha morrido
06:33no mesmo dia que eu internei.
06:36E eles enterraram a criança no sábado.
06:40Eles não falaram a causa da morte,
06:42não deram nada de documento para a gente
06:46o que tinha acontecido, o que deixou de acontecer.
06:50E a gente voltou para casa,
06:52nunca mais a gente pôde ver a criança
06:55desde a partir do momento que a gente internou.
06:58Segundo a mãe, Wanderly estava bem.
07:01Para ela, não há explicação para a morte do garoto.
07:06Ele estava normal, direitinho.
07:08Eu até nem sei por causa de que o médico lá de Linhares
07:11mandou a gente vir para cá.
07:18Eu estou procurando o meu irmão,
07:20que é o mais velho, né?
07:22Ele é mais velho do que eu, um pouquinho.
07:24Ele é José Roque Fabres.
07:27Uma criança de Marilândia, no interior do estado,
07:30que teria nascido intersexo,
07:33condição da qual o garoto tinha os dois órgãos sexuais.
07:36Com dois anos, foi marcada uma cirurgia para redesignação.
07:41E o médico disse que tinha que esperar mais um tempo
07:44para ele completar dois anos,
07:46que aí eles podiam fazer a cirurgia.
07:50Quando ele completou os dois anos,
07:52o meu avô e meu pai,
07:54meu avô por parte de manhã,
07:57e meu pai trouxeram ele à Vitória
07:59e deixaram ele internado.
08:02Na época, não podia ficar acompanhante, né?
08:08Não ficava acompanhante com criança.
08:11Dois dias depois da cirurgia,
08:13a família diz que ao voltar do interior
08:15para o hospital infantil para visitar o menino,
08:18recebe a notícia da morte dele.
08:21Eles falaram que ele tinha morrido
08:23e tinha enterrado.
08:25E meu avô, então, pediu a certidão de óbito,
08:28cadê as documentações que foram assinadas
08:30pela minha mãe, meu pai,
08:31mas não apareceu nada.
08:35Mortes que para as famílias não tem explicação.
08:39Perdas que nunca foram entendidas.
08:42O que aconteceu com o meu irmão, né?
08:45Que ele entrou num hospital em Vitória
08:48para fazer a cirurgia
08:50e quando vieram procurar,
08:52disseram que ele tinha morrido e enterrado.
08:55Então, não teve certidão de óbito,
08:57não teve documentação nenhuma entregue pelo hospital.
09:01Eu quero muito encontrar se ele estiver vivo, né?
09:05Eu quero muito encontrar se ele estiver vivo, né?
09:08E aí
09:15eu quero muito encontrar se ele estiver vivo, né?
09:16Eu te amo.
09:16Eu te amo.
09:21Eu quero muito encontrar se ele estiver vivo, né?
09:29Eu quero muito, né?
09:38Na reportagem de amanhã, você vai entender o porquê essas mortes chamam a atenção mais de 50 anos depois.
09:47Um mergulho em todos os registros disponíveis levantam suspeitas, apontam falhas e trazem angústia aos familiares.
10:06A CIDADE NO BRASIL

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