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  • há 2 dias
O documentário investiga o que está por trás da morte do médico nazista Joseph Mengele, cujos restos mortais foram encontrados no Brasil. O filme busca compreender como o alemão chegou ao Brasil.
Transcrição
00:00:00Tchau, tchau.
00:00:30Tchau, tchau.
00:01:14Tchau, tchau.
00:02:00Tchau, tchau.
00:03:00Tchau, tchau.
00:03:30Tchau, tchau.
00:04:30Tchau, tchau.
00:04:32Tchau, tchau.
00:05:04Tchau, tchau.
00:05:33Tchau, tchau.
00:06:02Tchau, tchau.
00:06:03Tchau, tchau.
00:06:03Tchau, tchau.
00:06:10Tchau, tchau.
00:06:11Tchau, tchau.
00:06:15Tchau, tchau.
00:06:48Tchau, tchau.
00:06:54Tchau, tchau.
00:07:05Tchau, tchau.
00:07:15Tchau, tchau.
00:07:20Tchau, tchau.
00:07:32Tchau, tchau.
00:07:33Tchau, tchau.
00:07:43Tchau, tchau.
00:07:57Tchau, tchau.
00:08:05Tchau, tchau.
00:08:08Tchau, tchau.
00:08:11Tchau, tchau.
00:08:12Tchau, tchau.
00:08:21Tchau, tchau.
00:08:28Tchau, tchau.
00:08:32Tchau, tchau.
00:08:39Tchau, tchau.
00:08:45Tchau, tchau.
00:08:48Tchau, tchau.
00:08:51Tchau, tchau.
00:08:52Tchau, tchau.
00:08:54Tchau, tchau.
00:08:57Tchau, tchau.
00:09:04Quando me anotou aquela vez, lhe olhei a boca, ali, isso lhe olhei naquele momento,
00:09:13os dois dentes separados.
00:09:17E com os hermosos dedos de pianista de araña venenosa,
00:09:23pegou a pele do meu braço e disse meu número.
00:09:293-3-5-0-2, isso era eu.
00:09:333-3-5-0-2.
00:09:46Quando você avança para o fim da Guerra Fria, em 1985,
00:09:51você já tem uma situação de abertura, de distensão.
00:10:05Mas no contexto em que ela acontece, aí sim, você diz,
00:10:09bom, então agora vamos prestar contas com o passado.
00:10:27Em 1985, o cônsul alemão em São Paulo informou à Polícia Federal o conteúdo de uma carta apreendida na Alemanha,
00:10:36na qual se informava o ex-secretário do pai de Josef Mengele
00:10:42que o amigo deles havia morrido afogado em uma praia do litoral de São Paulo
00:10:49e pedia que a família do amigo fosse informada e que enviassem alguém para levar os pertences do amigo.
00:10:56Então essa foi a carta que o cônsul levou para o Romeu Tuma.
00:11:01O Romeu Tuma era o superintendente da Polícia Federal em São Paulo.
00:11:08E estavam numa sexta-feira, no gabinete, eu e mais alguns delegados, para ir embora,
00:11:14telefonaram da Alemanha, os policiais do Bundeskriminele, que era a Polícia Alemã.
00:11:22Um policial falava o português que teria descoberto aonde o bem se omiseava.
00:11:35Pedi então a exumação do corpo.
00:11:43Foi um porta-voz designado pela família Mengele quem deu a notícia hoje aqui em Munique.
00:11:52O filho de Josef Mengele reconhece que o corpo desenterrado no Brasil é o do pai dele.
00:11:57O porta-voz disse que Rolf Mengele não só afirmou isso, como também fez uma declaração escrita,
00:12:03que foi enviada ao promotor público em Frankfurt.
00:12:06Há 15.187.
00:12:08Essa marca, feita em Auschwitz, em agosto de 43, nunca mais vai sair do braço de Altis Tazewski.
00:12:15Ela também não acredita que este seja o cadáver de seu carrasco.
00:12:19Ele não devia morrer ainda, devia sofrer muito para morrer.
00:12:23Mengele mandava as pessoas para as câmaras de gás ou para os trabalhos forçados.
00:12:28Ben Abraham tem hoje 60 anos.
00:12:30E só está aqui conosco porque Mengele resolveu apontar o seu dedo para a direita.
00:12:34Agora, o senhor acredita que este corpo que está enterrado em Buu seja realmente o corpo de Mengele?
00:12:41Não se pode saber nada, mas pessoalmente eu não acredito.
00:12:46E eu acredito mais que trata-se de uma manobra política por parte dos nazistas
00:12:51para suspender as buscas em caso de que Mengele de fato está morto.
00:12:58Quando apareceu essa tumba no sul do Brasil,
00:13:01a comunidade judia não acreditava que fosse Mengele.
00:13:05Incluso sostuíram que era um ardido para fazer uma morte simulada e conseguir escapar.
00:13:11sobre as atrocidades, as barbaridades e impedir que os crimes do holocausto caiam no esquecimento.
00:13:23Isso foi um grande problema para as redes sociais.
00:13:29A história estava na televisão na U.S.
00:13:34E eles tinham um vídeo sobre a exhumação,
00:13:39que desde o ponto de vista de cientistas forensicos
00:13:43na U.S., como nós, que fazem muitas exhumações,
00:13:47foi um desastre.
00:14:00E marcou num domingo de manhã,
00:14:03falou, bom, a gente vai cedinho lá, faz resumação,
00:14:06aí, tranquilo, sem muita gente ali,
00:14:08a gente traz o caixão, porque eles esperavam chegar lá
00:14:11e pegar o caixão inteiro e trazer para o IML.
00:14:14Só que na hora que chegaram lá,
00:14:15da imprensa nacional e internacional,
00:14:18está todo mundo lá, na hora que começam a cavar lá,
00:14:22é um tal de repórter quase caindo dentro da cova.
00:14:25Foi uma balbúria total.
00:14:30Havia muita expectativa e muita tensão sobre o caso.
00:14:34No meio de meia, o delegado Romeu Tuma leu o laudo dos peritos brasileiros.
00:14:38O corpo desenterrado no cemitério do Embu, em São Paulo.
00:14:41com o suposto Mengele no Brasil.
00:14:43Mengele era o último criminal de guerra nazi relevante que seguia em liberdade.
00:14:47Por isso, sua morte, de alguma maneira, podia poner um cierre aos juízos por holocausto.
00:14:51O número de governos
00:14:53meio que levou no governo brasileiro
00:14:56para permitir que outros cientistas
00:14:59no cemitério.
00:15:06Achei que nós tínhamos condições de fazer investigação.
00:15:10E falei que o ministro, ele apoiou.
00:15:14E eu disse que não teria nenhum inconveniente
00:15:17que qualquer país pudesse mandar seus peritos
00:15:20para acompanhar a investigação.
00:15:21E se quisesse colaborar, estavam abertas as portas.
00:15:27E então, o que aconteceu foi,
00:15:28eu realmente fui perguntado pelo Instituto Simon Wiesenthal.
00:15:32Eu também fui perguntado pelo Departamento de Justiça.
00:15:36E eu prefiro ser o representante do Departamento de Justiça.
00:15:44Então, é assim que eu me convivei.
00:15:50No Brasil, a legislação brasileira, para você ser perito,
00:15:55obviamente, você tem que estar à disposição da justiça brasileira
00:15:58a qualquer momento.
00:16:00E, portanto, a obrigação é que você seja
00:16:02brasileiro nato ou naturalizado
00:16:05e residente no país.
00:16:08Como sentimos, vieram, foram muito bem recebidos,
00:16:13mas a perícia foi explicada a eles
00:16:15que teria que ser feita por peritos brasileiros.
00:16:19a pese de ser sincera,
00:16:19de ser sincera e da ser sincera.
00:16:32A pese de ser sincera,
00:16:36que depois de ser infinita,
00:16:37ainda였습니다 de vermelho.
00:16:37O nível de juíza,
00:16:37é assim que a
00:16:37ser ecológico constitucional,
00:16:37E aí,
00:16:47é assim que a colombo de São Paulo,
00:16:48de peritos forenses.
00:16:54Clay Snow, naquele momento,
00:16:57estava entre os dez antropólogos forenses
00:17:00mais importantes, mais destacados
00:17:01e com melhor reputação.
00:17:03Clay já era um prestigioso antropólogo forense
00:17:08que, no interino,
00:17:11tinha alguns casos mediáticos,
00:17:13como o assassinato de John Fischer R. Kennedy,
00:17:17ou a reconstrução facial de Tutankamón.
00:17:21Ou seja, tinha todo um bagagem.
00:17:24Quando convocam a Clay Snow
00:17:25para identificar a Mengele,
00:17:27chega um momento em que se estava fundando
00:17:29o Equipo Argentino de Antropologia Forense.
00:17:32Então, teve alguma resistência
00:17:35ou, ao menos, meditou se era conveniente
00:17:38viajar a Brasil
00:17:39e tudo o que implicava
00:17:41a campanha de Mengele.
00:17:45e nunca o vimos como um jefe.
00:17:49Era um personagem, Clay.
00:17:51Não passava desapercibido para nada,
00:17:54não só por sua capacidade,
00:17:56mas que você o veias entrar ao cimento
00:17:58e o veias com o andar meio desmaçado
00:18:01que tinha,
00:18:02e o sombrero de Cowboy,
00:18:05seus vaqueros arrugados,
00:18:07suas botas texanas.
00:18:09E você dizia,
00:18:10de onde saiu?
00:18:11Como aparece em este cementerio esta pessoa?
00:18:15Cláudio era único.
00:18:17Todo mundo amava Cláudio.
00:18:20Ele fez todos, todos,
00:18:23todos se sentem muito importante.
00:18:25Ele era um excelente cientista.
00:18:27Ele era um contador rock.
00:18:30Eu disse a Cláudio,
00:18:32eu falo com os alemães océanos,
00:18:34e eles concordaram.
00:18:37Espero que seu grupo concordará.
00:18:40O que vamos fazer,
00:18:41é comparar todas as mesuradas
00:18:44as mesuradas e materiais
00:18:46sobre o esqueleto e o dental.
00:18:51Cláudio foi um grande cientifico
00:18:53e um dos conceitos claves
00:18:55que desenvolveu na disciplina
00:18:57foi o da osteobiografia.
00:18:59Ele dizia que para conhecer
00:19:01a identidade dos povos,
00:19:02para começar a investigá-los,
00:19:03tem que conhecer a sua história.
00:19:32É já uma verdade histórica
00:19:34que os criminales nazis
00:19:36foram a muitos países do mundo,
00:19:39entre eles, a Argentina.
00:19:52É uma cidade cheia de vida.
00:19:59A cidade é como uma confluência.
00:20:21Na Unapar,
00:20:23se fez uma manifestação nazi,
00:20:27diretamente com as banderas nazis,
00:20:29que alguns dizem
00:20:32é a maior manifestação nazi
00:20:35do mundo fora da Alemanha.
00:20:37No caso da Segunda Guerra Mundial,
00:20:46a Buenos Aires vinieron perseguidos
00:20:49do nazismo
00:20:50e depois vinieron os nazis
00:20:52perseguidos,
00:20:53a sua vez,
00:20:54na Europa.
00:21:01Adolf Eilmann,
00:21:03um tenente coronel da CCS,
00:21:05que havia sido o organizador
00:21:07do extermínio dos judíos,
00:21:09tinha uma responsabilidade muito grande.
00:21:11que chegou a Argentina
00:21:15em 1950.
00:21:20E decidiu,
00:21:22ademais,
00:21:22uma estratégia,
00:21:24que era
00:21:25a invisibilidade total.
00:21:29Se comprou um terrenito,
00:21:32começou a ser uma casita,
00:21:34ou seja,
00:21:35era um trabalhador qualquer.
00:21:41Peter Malkin se tornou mundialmente famoso
00:21:44ao prender um dos maiores inimigos da humanidade,
00:21:47o criminoso de guerra Adolf Eichmann,
00:21:50braço direito de Hitler.
00:21:51Eu não fiz isso mesmo,
00:21:52eu estava com a equipe,
00:21:53mas a minha ação foi,
00:21:56uma,
00:21:57um,
00:21:58capturá-lo,
00:21:59um,
00:21:59um,
00:21:59um,
00:22:00um,
00:22:00um,
00:22:00um,
00:22:01um,
00:22:01um,
00:22:01um,
00:22:01um,
00:22:02um,
00:22:03um,
00:22:04um,
00:22:05um,
00:22:06para,
00:22:08um,
00:22:09um,
00:22:09para levar ele para Jerusalém.
00:22:18Minguell era diferente porque,
00:22:21primeiro,
00:22:22era um homem muito rico.
00:22:23Su padre
00:22:24tinha uma fábrica de trâteres
00:22:27em uma cidade
00:22:28a orilas do Danube,
00:22:31Gunsberg,
00:22:32uma cidade velha alemana.
00:22:35E era tão poderosa essa empresa, que até mesmo em Buenos Aires tinha corresponsais.
00:22:49Miguel monitorava desde a própria Alemanha, com advogados da família, os processos legais.
00:22:56De maneira que ele, quando decide enviar uma ordem de extradição a os tribunais argentinos, ele sabia.
00:23:07Estava muito mais enterado.
00:23:17A justiça argentina rechaza um pedido legal de extradição de um Estado alemão.
00:23:26Dizendo que não corresponde a extradição, porque isso é uma questão política.
00:23:37Isso lhe dá a pauta a Mengele, que já não era um lugar tão seguro como o que estava em
00:23:43Buenos Aires.
00:23:44E então, se decide tomar precauções com respeito a isso, e eventualmente, ter a possibilidade de ir para outro lugar.
00:23:54Eu tento capturar a Mengele, mas foi muito tarde, porque quando eu estava no Secret Service, eu pensei que poderíamos
00:24:00capturar ele.
00:24:01Mas nós fizemos alguns erros, porque pensamos que antiterrorismo é mais importante que capturar alguém como a Mengele.
00:24:08Eu disse ao Secret Service, que capturou ele, que capturou ele, porque era um símbolo da Alemanha naquela época.
00:24:19Os pessoas organizadas, as organizações, e o segundo, os sadistas, os dois.
00:24:27Ele era os sadistas, ele era o organizador.
00:24:48Estou aqui depois de dez dias trabalhando o calçado.
00:24:54Colando, ossinho quebrado, fazendo, reconstituindo, ok?
00:25:00Então, a ossada agora pronta para exame.
00:25:08E como é que eu vou saber quem é o Mengele?
00:25:09Eu preciso de documento fidedigno.
00:25:11Então, a documentação fidedigna estava no Ministério da Justiça dos Estados Unidos,
00:25:17porque o Mengele foi julgado em Nuremberg.
00:25:20E foi esta ficha militar do Mengele que serviu de base para a identificação.
00:25:28Quando nós, as pessoas que trabalhamos para o governo estadunidense,
00:25:32a nossa única ordem de marcha, assim de dizer,
00:25:35da atividade estadunidense estadunidense,
00:25:37foi, cientificamente, dizer se é Mengele, se não é Mengele,
00:25:44ou se você não puder dizer de qualquer forma,
00:25:47faça de qualquer forma científica que você acha que é apropriado.
00:25:59E a ossada estava no terceiro andar do NL,
00:26:02que dá frente para a rua de trás ali.
00:26:06E do lado oposto da rua tinha um prédio em construção.
00:26:11Então, depois nós soubemos, nós não sabíamos durante a perícia,
00:26:15mas depois nós soubemos que uma das redes americanas de televisão alugaram,
00:26:21pagaram para entrar no prédio à noite,
00:26:24que estava tudo escuro fora,
00:26:26e a gente acendia a luz da sala para fazer o exame.
00:26:29A ossada sobre a mesa, a gente ia fazer o exame.
00:26:32Então, dentro da sala ficava claro.
00:26:34E eles lá, escuro, pegavam, tiravam os andames
00:26:37e no buraco da parede enfiavam a câmera com zoom
00:26:40e praticamente entravam na sala onde a gente estava examinando.
00:26:48Características étnicas.
00:26:50Pelas características clássicas dos ossos,
00:26:54era o indivíduo calcasoide.
00:26:58Só que tinha uma característica que não batia.
00:27:03O crânio era de um indivíduo braquicrânio.
00:27:06É o nosso cabeça chata, que é de amarelo, mongoloide.
00:27:13Bom, a priori, opa, encontramos uma discordância.
00:27:17Por quê?
00:27:18Porque era um ariano puro.
00:27:19Eu tinha dentro do dossiê militar dele
00:27:21a árvore genealógica do Menguero
00:27:23e desde 1680 é alguma coisa.
00:27:35Aí, conversando com colegas alemães, peritos,
00:27:39eles disseram o seguinte,
00:27:40eu não esqueça que o Atila esteve por aqui.
00:27:43Os Hunos estiveram aqui na Europa Central
00:27:46e deixaram alguns genes por aqui.
00:27:48Nós temos alemães que têm crânio.
00:27:50São Braque e crânio por causa disso.
00:27:52Então, aquilo que a priori era uma discordância
00:27:56se tornou uma concordância importante.
00:28:02O Menguero tinha um afastamento
00:28:05dos incisivos centrais superiores.
00:28:07Chamava atenção.
00:28:09Quando ele sorria, aparecia um buraquinho entre os dentes.
00:28:12A gente chama isso aí de diastema.
00:28:15Esse afastamento entre os dentes é diastema.
00:28:18Dá pra ver diastema aí sim.
00:28:21Como?
00:28:22Não dá pra ver o diastema,
00:28:24mas dá pra dizer se esse indivíduo tinha ou não diastema.
00:28:30Então, pelo tamanho desse buraco,
00:28:33forame incisal,
00:28:35eu sei que este indivíduo tinha diastema.
00:28:55Aqui
00:28:58tinha esse buraquinho.
00:29:04Isto foi examinado,
00:29:06isso é posterior,
00:29:07quando já estava
00:29:08em adiantado estado de hipotrefação,
00:29:11já quase ossada,
00:29:12ou goçada já.
00:29:19Mas ficou no final do laudo deles
00:29:23uma dúvida em relação
00:29:25a um orifício que existia
00:29:28ao nível do osso malar,
00:29:30que eles interpretaram
00:29:32como sendo
00:29:33uma formação
00:29:35pós-morte,
00:29:37ou seja,
00:29:38que aconteceu
00:29:38depois que o corpo já estava no caixão.
00:29:41Através de infiltração,
00:29:43com outros dados.
00:29:47Mas os
00:29:49cientistas externos
00:29:52não aceitaram muito
00:29:53este tipo de colocação.
00:30:38aqui na cidade,
00:30:40o primeiro a chegar foi o Menghebi.
00:30:43Eu acho que Serra Negra
00:30:45tinha o que eles procuravam,
00:30:47que é esse sossego,
00:30:49essas montanhas
00:30:50que lembravam
00:30:52as montanhas
00:30:53na Europa
00:30:54onde eles acabaram vivendo.
00:30:56Eu acho que
00:30:56também a tranquilidade
00:30:58de ser um lugar pequeno,
00:31:01onde as pessoas
00:31:01não iriam se importar,
00:31:03não iriam saber
00:31:05quem eles eram,
00:31:06eu acho que
00:31:06esse anonimato
00:31:08deixava eles
00:31:08com bastante segurança.
00:31:12Uma das coisas
00:31:13que mais chamava
00:31:13atenção aqui do pessoal
00:31:15era a torre.
00:31:16E ninguém tinha uma torre na casa.
00:31:19Para que uma torre?
00:31:20Para que uma torre.
00:31:21Então as pessoas
00:31:22perguntavam,
00:31:23igual a torre do Menghebi,
00:31:24por quê?
00:31:24A casa lá já existia
00:31:26e ele fez questão
00:31:28de adaptar uma torre
00:31:29de 10 metros
00:31:30em cima da casa.
00:31:56Eles acabavam
00:31:57perguntando
00:31:58à população daqui
00:31:59por que essa torre?
00:32:00o que ele quer
00:32:01com essa torre?
00:32:02Então era uma coisa
00:32:03que tinha
00:32:04uma certa curiosidade
00:32:07das pessoas
00:32:07para saber
00:32:08o objetivo disso.
00:32:11Ele ficava
00:32:11bastante em cima
00:32:12da torre.
00:32:13Então isso
00:32:13é um sinal
00:32:14que ele ficava
00:32:15vigiando quem chegava,
00:32:17escutava barulho
00:32:18de carro ou não,
00:32:19que daí era uma possibilidade
00:32:20de ele se esconder.
00:32:21Como a casa dele
00:32:22é cheia de grá,
00:32:23se ele quisesse,
00:32:24ele se trancava
00:32:25dentro da casa dele
00:32:26e ninguém
00:32:27não conseguiria entrar.
00:32:37muitas pessoas
00:32:38contam que
00:32:39quando começou
00:32:39a construção
00:32:40de um hotel
00:32:41de grande porte
00:32:42ao lado
00:32:43de onde ele morava,
00:32:45isso fez com que
00:32:46ele ficasse com medo,
00:32:47né?
00:32:49Que pessoas
00:32:50diferentes,
00:32:51material chegando,
00:32:52aquela movimentação,
00:32:54e ele também
00:32:54estava ciente
00:32:55que esse hotel
00:32:56de grande porte
00:32:56ao lado
00:32:57da casa dele
00:32:58ia trazer pessoas
00:32:59de fora,
00:32:59informações novas,
00:33:00então ele se viu
00:33:01ameaçado.
00:33:07Muitos dizem
00:33:08que ele saiu
00:33:08da Ví
00:33:09justamente
00:33:10por conta
00:33:11da construção
00:33:11desse hotel,
00:33:12senão talvez
00:33:13ele não teria saído, não.
00:33:19sem dúvida
00:33:20é uma ironia
00:33:21do destino.
00:33:22Há mais de 40 anos
00:33:23lá na Alemanha,
00:33:24Josef Mengele
00:33:25era um médico nazista
00:33:26que fazia experiências
00:33:28com os judeus
00:33:28presos no campo
00:33:29de Auschwitz.
00:33:30Hoje,
00:33:31aqui no Brasil,
00:33:32o crânio
00:33:32de Josef Mengele
00:33:34é objeto
00:33:34de pesquisa
00:33:35para uma equipe
00:33:36de especialistas
00:33:37em medicina legal
00:33:38da Unicamp.
00:33:43me convidou
00:33:45para poder
00:33:46estudar
00:33:47este osso
00:33:47e dizer
00:33:48se era realmente
00:33:49uma lesão
00:33:50pós-mortal
00:33:51ou era
00:33:52um outro elemento
00:33:55provável até
00:33:55de uma perfuração
00:33:57para o projeto
00:33:58de arma de fogo.
00:34:00Os cientistas
00:34:02externos
00:34:02fizeram
00:34:03três perguntas
00:34:05lá para o
00:34:05Instituto Médico Legal
00:34:07que eles não tiveram
00:34:08condições de responder
00:34:09no momento.
00:34:11Logo depois
00:34:12de entregarmos
00:34:13este documento
00:34:16mostrando
00:34:16que aquilo
00:34:17era uma lesão
00:34:18anti-morte,
00:34:22peritos anteriores
00:34:23vieram confirmar
00:34:25e a perícia
00:34:27internacional
00:34:28também confirmou
00:34:29os nossos resultados.
00:34:33Em um âmbito
00:34:35onde ele era
00:34:36muito ducho
00:34:37que era
00:34:38o tema
00:34:39dos crâneos
00:34:41ele era um
00:34:41grande especialista
00:34:42em crâneos.
00:34:49A estratégia
00:34:50que se deu
00:34:50Klein
00:34:51para
00:34:52interactuar
00:34:53com seus colegas
00:34:54mas também
00:34:54para identificar
00:34:56o Menguele.
00:35:08nós então
00:35:10sugerimos
00:35:11ao doutor
00:35:13Romeu Tuma
00:35:14a possibilidade
00:35:16de tentarmos
00:35:17fazer uma
00:35:18reconstituição
00:35:19facial
00:35:20daquele crânio.
00:35:25naquela época
00:35:27não existia
00:35:28toda a
00:35:29tecnologia
00:35:30que existe
00:35:31hoje.
00:35:44um trabalho
00:35:45como esse
00:35:46vale como
00:35:47prova científica
00:35:48de que
00:35:48o dono
00:35:49desse crânio
00:35:50era mesmo
00:35:51o Menguele?
00:35:52É mais uma
00:35:53das provas
00:35:54que nós
00:35:55podemos apresentar.
00:35:56Estas imagens
00:35:58mostram
00:35:58o trabalho
00:35:59de reconstituição
00:36:00do rosto
00:36:01de Menguele
00:36:01feito por médicos
00:36:02dentistas
00:36:03técnicos
00:36:04e artistas.
00:36:05Isto foi feito
00:36:06tudo com
00:36:07as pessoas
00:36:07próprias
00:36:09de cada área
00:36:10pessoas que estavam
00:36:11já acostumados
00:36:12a fazer
00:36:13algumas reconstituições
00:36:14não facial
00:36:15mas reconstituições
00:36:17de animais
00:36:18configurar
00:36:19o rosto
00:36:20de um crânio
00:36:21de um animal
00:36:22etc.
00:36:28Hoje o resultado
00:36:29final deste trabalho
00:36:31foi apresentado
00:36:31aqui na Unicamp
00:36:32ao diretor-geral
00:36:34da Polícia Federal
00:36:34delegado
00:36:35Romeu Tuma
00:36:37E foi exatamente
00:36:39em cima
00:36:39desse trabalho
00:36:40miticuloso
00:36:42que nós
00:36:43fomos montar
00:36:44aquilo que
00:36:46se transformou
00:36:47depois
00:36:48numa peça
00:36:49importante
00:36:49para até
00:36:50fazer a correlação
00:36:52entre o cânio
00:36:54a reconstituição
00:36:57facial
00:36:57e as fotografias
00:36:59que existiam
00:37:00de Menguele
00:37:01antes da morte.
00:37:30para estar
00:37:32digamos
00:37:32anônimo
00:37:33ou clandestino
00:37:35fazem falta
00:37:36muitos recursos
00:37:37e muita disciplina.
00:37:42Ele visualizou
00:37:44que iria ser
00:37:45mais notoria
00:37:46a sua presença
00:37:47em um lugar
00:37:48de pouca densidade
00:37:49poblacional
00:37:50que em um lugar
00:37:51com muito dinamismo
00:37:52muito crescimento
00:37:53muito mudança.
00:38:15esta é a casa
00:38:16onde a pessoa
00:38:17que estaria sendo
00:38:18identificada
00:38:18como
00:38:19Joseph Menguele
00:38:20morou
00:38:20seus três
00:38:21últimos anos
00:38:22de vida
00:38:22de 1976
00:38:24a 1979
00:38:26só que a pessoa
00:38:27que morava aqui
00:38:28era conhecida
00:38:29apenas como
00:38:30seu Pedro
00:38:31truque.
00:38:34O que é isso?
00:39:03A casa fica num bairro bem afastado do centro da cidade, uma região com bastante árvores e onde moram muitos
00:39:10alemães e descendentes.
00:39:11A casa está agora alugada por duas famílias, mas ficou abandonada por muitos anos depois da morte de seu Pedro.
00:39:18É uma casa simples, com sala, dois quartos, banheiro e cozinha.
00:39:22Aqui vivia um homem solitário e bom, segundo seus empregados e vizinhos, que nem sabem quem foi Mengeli.
00:39:33Eu era bem criança, eu tinha por volta de sete, oito anos, meu avô tinha uma construtora no bairro de
00:39:40Eldorado.
00:39:41E ele pegou uma obra para fazer justamente na frente da casa do Mengeli.
00:39:45E eu, como criança, ia muito com o meu avô para todos os lugares e eu, da obra em frente,
00:39:53eu sempre via ele pelo quintal, molhando planta.
00:39:57E por diversas vezes eu encontrei ele no centro de Eldorado, quando ele saía para fazer alguma compra, alguma coisa,
00:40:03mas sempre uma pessoa muito reservada.
00:40:08A suposição que o pessoal tinha é que ele era um aposentado, que veio da Europa, fugido da guerra e
00:40:16que ganhou um lugar de paz.
00:40:20Ele estava sempre ouvindo música clássica na casa dele.
00:40:24Tem gente que fala que às vezes ele até cantar ou lava no quintal.
00:40:28Sempre, sobretudo, chapéu, gola geralmente levantada.
00:40:34Nada para chamar a atenção.
00:40:37Ele era uma pessoa, vamos dizer assim, misteriosa.
00:40:41Ele falava do passado dele?
00:40:43Não, não falava do passado. Às vezes ele cortava a conversa, ele não falava sobre o passado dele.
00:40:47Como é que era o senhor Pedro?
00:40:48É um senhor de idade muito respeitado, um senhor muito, sabe tratar os vizinhos, não é macriado, não é...
00:40:56Isso é muito direito.
00:40:57Ele não era uma pessoa ruim, porque ele não fazia indiferença dos empregados, sabe?
00:41:01A gente comia na mesa com ele, tomava café junto, a gente ouvia música junto.
00:41:12É uma coisa que é difícil de acreditar, né?
00:41:16Que um cara que fez o que fez, o tamanho da monstruosidade que ele cometeu, ter tido essa vida pacata,
00:41:27humilde.
00:41:29Então, de fato, esse contraste com o monstro, o absurdo do que ele fez e, de fato, o que aconteceu
00:41:38com a vida dele.
00:41:46O Dourado foi um bairro que, na época, foi um reduto de muito alemão lá.
00:41:51Alemão, austríaco, polonês, muita gente foi pra lá por questão da região ser bonita, ser um local atrativo.
00:42:00A gente tinha até restaurante típico alemão lá, no bairro, tinha muito alemão.
00:42:06Todo mês vinha um parente dele, é primo dele que vinha lá, todo mês, ele dizia que era primo.
00:42:10E trazia o quê?
00:42:11Trazia sempre um envelope, uma pastinha, né?
00:42:13Dentro de um envelope, eu acho que era um pagamento que ele trazia.
00:42:16Você nunca viu dinheiro nisso?
00:42:18Não, nunca vi, eu sempre acho que é dinheiro, porque sempre que vinha ele, no outro dia ele estava com
00:42:22bastante dinheiro, né?
00:42:23Então, eu acho isso.
00:42:24Era alemão?
00:42:25É, alemão.
00:42:33O senhor sabe se ele tinha algum tipo de arma dentro de casa?
00:42:36Uma presença de arma que ele tinha era uma mausa, que um dia ele mostrou pra mim, sabe, já me
00:42:41saquei uma mausa que eu trouxe da Europa.
00:42:43O senhor Pedro tinha dentro de casa uma coisa muito especial, misteriosa, que ele não deixava os empregados mexerem, não
00:42:49era mesmo?
00:42:50Sim, era um baú que ele tinha, que ninguém sabia o que ele tinha lá dentro.
00:42:54Pegava dinheiro desse baú.
00:43:00Sempre na dúvida.
00:43:02Nunca tinham a certeza disso.
00:43:05Eles achavam que a qualquer momento iam descobrir que não era, que foi um engano.
00:43:09E até hoje, tem gente que duvida.
00:43:26Três peritos alemães e dois brasileiros trabalharam no exame das fotografias.
00:43:30Essas fotos foram apreendidas pela polícia nas casas onde o suposto Mengele teria vivido em São Paulo.
00:43:36O material que serviu de base para as comparações foram duas fotografias do verdadeiro Mengele.
00:43:42Essa foto que veio da Alemanha e fazia parte do arquivo das SS, apreendido pelos aliados.
00:43:47E esta outra foto do passaporte argentino, que Mengele tirou em 1956.
00:43:52Esse exame de comparação anatômica por fotografias pode identificar uma pessoa através da coincidência de detalhes fisionômicos.
00:44:00The handwriting experts had Mengele's handwriting.
00:44:06Everything there, Dr. Helmer, from West Germany, did a bunch of skull photo superpositions.
00:44:13And their opinion was that that was the skull that the photographs on his SS personnel file were,
00:44:26as well as the photographs that Mr. Bostor took, who was the people that took care of him in São
00:44:35Paulo,
00:44:35to put into the identity card, when the Brazilian authorities went from an identity book to an identity card.
00:44:46So everything was consistent back then, and then we located the dentist that had treated him.
00:44:55Veja agora a superposição deste rosto com as fotos de Mengele.
00:45:02Então isto foi um trabalho hercúleo para um grupo de professores da Unicamp, da área de imagens e som,
00:45:13mas com uma tecnologia que não estava neste desenvolvimento que hoje nós temos.
00:45:20Neste caso específico, a comparação de fotos do suposto Mengele com as do verdadeiro carrasco nazista,
00:45:26revelou 24 pontos coincidentes, o dobro do mínimo necessário para a identificação.
00:45:31O exame é feito com uma técnica desenvolvida pelos alemães,
00:45:34e foi usado até para a identificação de ossadas de desaparecidos argentinos.
00:45:39A conclusão foi clara, coincidência no contorno do rosto, dos olhos, nariz, queixo e orelhas.
00:45:46Detalhes ínfimos, às vezes, da característica óssea, foi elemento determinante.
00:45:52Tanto é que este trabalho que existia aqui nos dava a possibilidade de chegar à conclusão com 15 pontos muito
00:46:01bem definidos.
00:46:02Só resta saber se a ossada desenterrada no Embu é do mesmo homem que a polícia sabe que viveu no
00:46:07Brasil e morreu em Bertioga.
00:46:09O exame dos legistas está quase pronto.
00:46:46O exame dos legais que viveu no Brasil e morreu no Brasil e morreu no Brasil e morreu no Brasil.
00:46:52São Paulo, ao menos uma vez a semana.
00:47:00Juntos falavam em alemã e ouviam música clássica.
00:47:10Os filhos o conheciam por o apodo de Tití.
00:47:14O Dr. Mengele havia usado previamente o nome de Pedro.
00:47:29Contaron que en febrero de 1979, o Dr. Mengele os acompanhou ao balneário de Bertioga, a 100 km de São
00:47:36Paulo.
00:47:38O 7 de febrero de ese ano, sufriu um derrame cerebral enquanto nadava e se ahogou.
00:47:44Bozer disse que tentou salvarlo e quase se ahogou no intento.
00:47:57Según os testemunios de ambos, o Dr. Mengele foi levado em Buu, onde se o sepultou bajo o nome de
00:48:04Gerard.
00:48:14O New York Times, 7 de junio de 1985.
00:48:29Porque no último dia que eles estavam aqui, nós estávamos nos despedindo dele ali na porta do IML e tinham
00:48:35alguns repórteres.
00:48:36E um dos repórteres chegou para um dos peritos mandados pelo centro, o Simon Wiesenthal, e perguntou a ele,
00:48:44Bom, mas quando o senhor chegar lá nos Estados Unidos, o Simon Wiesenthal vai lhe perguntar, é o Mengele?
00:48:52Depois da conferência de preso, o Clive queria voltar para o morgue para olhar para o sangue e algumas medidas.
00:49:06E eles tinham as medidas para o seu hat e assim, e assim, o Clive queria olhar para o sangue.
00:49:13E eu disse ao Clive, you know, we always said, everyone counts, and everyone is accountable.
00:49:25This man does not count, and he's never been accountable.
00:49:30And Clive looked at me, and he said, yes, absolutely, and we just decided to get up and walk away.
00:49:40E nós apresentamos então as nossas conclusões, tudo isso que nós mostramos para vocês foi apresentado aqui.
00:49:48E agora deixamos para eles.
00:49:52Vocês dizem, concordam ou não com as nossas conclusões?
00:49:59Eu acredito que até amanhã nós teremos grandes respostas que poderão definir o caso.
00:50:21E isso é transmitido pela TV na época, ao vivo.
00:50:26Então isso causou uma enorme comoção no Brasil.
00:50:29O exame da mandíbula superior revela a presença de três dentes contendo obturações de prata.
00:50:38Na mandíbula inferior existem sete dentes, dos quais dois possuem coroa em ouro.
00:50:45Todos os dentes faltantes, exceto o terceiro molar, foram refeitos com prótese de, aparentemente, cromoalói e acrílico.
00:50:59Em complemento, indicações do esqueleto indicam que os incisos superiores centrais possuíam uma separação considerável antes de serem removidos.
00:51:13O doutor Romel Tuma mostra agora o álbum de fotografias onde foi feita a superposição das fotografias.
00:51:19Eu afirmei que é o Mengele.
00:51:23Está afirmado ali? É o Mengele.
00:51:27Porque se eu afirmasse é o Mengele, qualquer um poderia dizer, mas a sua identificação não foi científica.
00:51:33Você usou método científico. Método científico não permite dizer isso.
00:51:38Certo?
00:51:38Você teria que dar, se é científico, teria que dar ou estatisticamente ou então fazer isso que nós fizemos.
00:51:46Quais as concordâncias, quais as discordâncias e o que as concordâncias dizem e o que as discordâncias dizem.
00:51:52Que os médicos americanos e alemães já estão convencidos que o esqueleto é do carrasco nazista.
00:51:57Que os médicos americanos e alemães já estão convencidos que o esqueleto é do carrasco nazista.
00:52:25Colocou o Brasil positivamente. Fizemos um bom trabalho.
00:52:56Que os médicos americanos e alemães já estão cobrando as minhas efecidas.
00:53:07Que os médicos americanos e alemães já estão conhecendo as minhas.
00:53:11Porque as minhas efecidas, sejamando as minhas famílidas.
00:53:17Não foi há platicas de terças.
00:53:19Não foi só que eles irem acreditar que o povo talvez não sejam que os médicos americanos terminam.
00:53:21em um pequeno cemeterio
00:53:24muito poblado
00:53:26do Gran San Pablo.
00:53:31Em um distrito que agora é um pouco bohemio.
00:53:36Em sua vida deve ter imaginado que ia terminar assim.
00:53:53Apesar do tempo transcurrido,
00:53:57aquilo que havia feito Mengele
00:53:59permanecia intacto.
00:54:01Os rastros de seus crimes
00:54:04ainda estavam vigentes.
00:54:18Que fim vão levar os restos mortais de Josef Mengele?
00:54:22O juiz deverá decidir qual o destino.
00:54:24Há uma ideia do próprio IML
00:54:26colocar em seu museu
00:54:28para que sempre
00:54:30todas as gerações possam verificar
00:54:32quem foi Josef Mengele,
00:54:35o Anjo da Morte e Auschwitz.
00:54:36Se você olhar meio de perfil,
00:54:38ele pode te enganar.
00:54:39Olha bem por cima
00:54:40para ver todo o tamanho.
00:54:42E olha a lâmina óssea aqui na frente,
00:54:44o que sobra de osso aqui
00:54:46para ver se dá para implantar
00:54:48dente próximo um do outro.
00:54:51Vai passando.
00:54:53Ok.
00:54:54Então, aqui está
00:54:59a bacia óssea.
00:55:00Claro que agora
00:55:02já foi retirado aquele osso
00:55:04que está ali, aquele esporão,
00:55:06por isso vai estar faltando um pedaço aqui.
00:55:09Está servindo realmente
00:55:10a um propósito elevado
00:55:13que é a formação de especialistas
00:55:15na área médico legal
00:55:16nessa parte de identificação.
00:55:19Tá?
00:55:20Pelos elementos importantes
00:55:22que tem ali para a identificação.
00:55:23Então, aí, por isso ela está aqui.
00:55:32Mas, pessoalmente, não posso discordar de você
00:55:37que, realmente, pelo que dizem que ele fez, certo?
00:55:42E pelas maldades que cometeu, agora, pelo menos,
00:55:46a gente está dando uma oportunidade que faça o contrário.
00:56:19A CIDADE NO BRASIL
00:56:47Estamos no Centro de Memória da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp,
00:56:49vocês vão constar que é o acervo do Fortunato Antônio Badam Palhares.
00:57:23A CIDADE NO BRASIL
00:57:28Estes são os óculos originais do Mengele
00:57:32que foram achados junto com ele, enterrado aqui.
00:57:43O óculos e parte da roupa do Mengele.
00:57:50E se a gente ainda está estudando como vai ser a melhor maneira para preservá-la ainda.
00:57:56Porque, normalmente, quando você recebe um objeto, uma roupa,
00:58:00que a gente tem camisetas antigas das primeiras turmas,
00:58:02décadas de 70, 60,
00:58:04você pode levar para uma limpeza.
00:58:34A CIDADE NO BRASIL
00:58:35A CIDADE NO BRASIL
00:58:36E depois do exame inicial da ossada,
00:58:51concluiu que era mesmo o Mengele,
00:58:53Mas muitos não se convenceram e saíram em busca de comprovação científica.
00:59:30E depois há uma condição mítica da figura de Mengele, como um homem que decidiu sobre a vida e a
00:59:52morte de tanta gente,
00:59:53que formou parte do genocídio mais gigante e mais espectacular da história da humanidade,
01:00:00vai morrer de uma maneira banal e praticamente inatrativa. Não pode ser.
01:00:23Foi uma comoção enorme até hoje. Quando o caso é lembrado, é lembrado com esse espanto.
01:00:30Foi uma situação espantosa. Acho que a palavra correta é essa.
01:00:34E esse espanto não passou. Continua espantando.
01:00:53Havia uns huesos que estavam em São Paulo, não?
01:00:56E durante muito tempo estiveram aí, sem ser identificados.
01:01:01E quando começa com toda a história do análise genético, surge a possibilidade de seu análise.
01:01:15Entra em ação o professor Alec Jeffries, da Universidade de Leicester, na Inglaterra, pioneiro na técnica de identificação genética.
01:01:24Ele compara as células de uma pessoa com as de seus pais ou filhos e assim determina a identidade.
01:01:32O professor recebeu o material da de São Paulo, passou por um processo de centrifugação e mistura com reagentes químicos.
01:01:41Tingido de lilás, o líquido é colocado numa gelatina.
01:01:44Recebe uma carga elétrica que espalha e imprime os traços genéticos numa chapa, como se fosse uma radiografia.
01:01:55Prontos os dois testes, é só questão de compará-los.
01:02:12O professor Jeffries não está respondendo hoje ao acesso maciço da imprensa para confirmar os resultados finais.
01:02:20Mas ao jornal The Washington Post, ele já confidenciou que os testes terminaram
01:02:25e que a ossada de São Paulo é definitivamente a do criminoso nazista Joseph Mengele.
01:02:50Ele era uma sorte de médico diletante que devia ter um componente sádico.
01:02:59E como contavam com animais de experimentação para eles, porque não os consideravam quase humanos a os judíos,
01:03:12que era justificar o sadismo sob uma sorte de aparência científica.
01:03:28Por um lado, foi revisada em forma completa a produção pseudo-científica de Mengele.
01:03:36E, posteriormente...
01:03:38E não se sacou nada útil de aí.
01:03:40Não.
01:03:47A evolução do conceito ético teve que ver, eu acho, com todas as aberraciones de Mengele e companhia.
01:03:56E eu acho que foi uma das grandes coisas que se foram feitas.
01:04:02Realmente, a possibilidade de colocar um marco de respeito
01:04:10para a comunidade, para o ser humano em geral,
01:04:15em que, bom, não podemos sair-nos disso.
01:04:21Então, a questão ética na medicina aparece muito a partir desse momento.
01:04:28Não só a partir desse momento, mas é que o Mengele incorpora o médico que não é médico, né?
01:04:34O médico que mata, né?
01:04:46A identificação de Mengele foi uma bisagra na história da antropologia forense.
01:04:52Porque lhe deu uma visibilidade global que não tinha.
01:04:56E porque lhe mostrou ao mundo que possibilidades tinha a disciplina.
01:05:02Pode, alguns, ter mais empatia que em outros casos.
01:05:06Mas não vai dizer, não vou fazer porque foi um criminal nazi.
01:05:16Quando, de repente, na madrugada,
01:05:19abriu as portas corredizas desses vagões,
01:05:23e quando essa massa hedionda caiu ao piso,
01:05:33começaram a selecionar rapidamente.
01:05:38E a minha mãe, de repente, olhando,
01:05:40viu que a minha tia lhe mandaram a um grupo chico de mulheres, jovens.
01:05:46E a minha mãe, naquele momento,
01:05:48mirou a minha tia, mirou o grupo aquel e me pegou um grito.
01:05:51Lea, corre!
01:05:53E eu corri atrás da minha tia.
01:05:57E a minha irmã, correu atrás da minha tia.
01:06:00A ela, ela descobriu.
01:06:02E a pegou, a apalharam e a tiraram no caminhão.
01:06:07E foi com a minha mãe na câmara de gas.
01:06:13O que faz o mundo?
01:06:15O que aprendeu o mundo?
01:06:23Eu tenho aqui a última mirada da minha mãe.
01:06:26E a esta mirada da minha mãe,
01:06:29a esta muda mirada da minha mãe,
01:06:31eu lhe dedico cada vez,
01:06:33que dou testemunhos.
01:06:35E a toda essa gente que foram acalladas,
01:06:39que já não podem fazer isso.
01:07:02A identificação de Mengele
01:07:05reavivou todo o tema dos crimes do nazismo.
01:07:10Em um sentido, saber que era Mengele
01:07:13estrictamente quem era,
01:07:14é um tema de justiça.
01:07:20A comunidade global que perseguía,
01:07:23terminou dando com ele.
01:07:25O encontramos, o temos.
01:07:27É este.
01:07:57A comunidade global que perseguía,
01:07:57é um tema de justiça.
01:07:59O tem.
01:08:21O que Discoveram?
01:08:23E o também London?
01:08:25Tudo isso.
01:08:26Tchau, Tchau.
01:08:27Tchau, Tchau.
01:08:56Legenda por Sônia Ruberti
01:09:26Legenda por Sônia Ruberti
01:09:56Legenda por Sônia Ruberti
01:10:09Legenda por Sônia Ruberti

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