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Partindo da figura de Maria Prestes, o filme reconhece a importância das lutas cotidianas das mulheres para conciliar papéis e escolhas, como a maternidade, o trabalho e a luta por um mundo melhor.
Transcrição
00:00:26A CIDADE NO BRASIL
00:00:58A CIDADE NO BRASIL
00:01:27A CIDADE NO BRASIL
00:01:29A CIDADE NO BRASIL
00:01:56A CIDADE NO BRASIL
00:02:26A CIDADE NO BRASIL
00:02:56A CIDADE NO BRASIL
00:03:35A CIDADE NO BRASIL
00:04:09A CIDADE NO BRASIL
00:04:22A CIDADE NO BRASIL
00:04:25A CIDADE NO BRASIL
00:04:42A CIDADE NO BRASIL
00:04:42A CIDADE NO BRASIL
00:04:43A CIDADE NO BRASIL
00:05:05A CIDADE NO BRASIL
00:05:14A CIDADE NO BRASIL
00:05:40A CIDADE NO BRASIL
00:05:41A CIDADE NO BRASIL
00:05:41A CIDADE NO BRASIL
00:05:42A CIDADE NO BRASIL
00:05:42A CIDADE NO BRASIL
00:05:46A CIDADE NO BRASIL
00:06:00Quando nasceu, foi registrada Altamira Rodrigues Sobral.
00:06:06Mas a essa altura já tinha sido Miriam, Alzira, Eunice e agora seria Maria, Maria do Carmo Ribeiro.
00:06:43Maria, como você imaginava sua vida no futuro?
00:06:58Música
00:06:59Música
00:06:59Música
00:07:08Música
00:07:32A Maria tinha 13 anos quando acabou a Segunda Guerra Mundial e também a ditadura Vargas no Brasil.
00:07:40Foi nessa época que ela começou a acompanhar o pai em atos do partido.
00:07:45Ela lembra que as manifestações eram cheias de bandeiras vermelhas e que as pessoas escreviam, queremos anistia, queremos leite, carne
00:07:56e pão.
00:07:58Leite, carne e pão era o código para Luiz Carlos Prestes.
00:08:03O cartaz pedia a liberdade do maior líder comunista do país.
00:08:15Logo depois, Prestes foi solto e a Maria pôde vê-lo pela primeira vez em um comício.
00:08:25Ela trabalhava com outras adolescentes, garantindo a ordem do lado do palanque.
00:08:33Prestes tinha passado nove anos numa solitária por ter liderado um levante contra a ditadura de Vargas.
00:08:43Música
00:08:45Prestes, toma o seu lugar na tribuna.
00:08:48São milhares de brasileiros, patriotas e democratas que ouvem a palavra do líder popular como seus verdadeiros amigos, simpatizantes e
00:08:55partidários.
00:08:58Organizamos, pois, o nosso povo, especialmente as grandes massas trabalhadoras das cidades e do campo,
00:09:04e fazendo uso das grandes armas da democracia, livre discussão, livre associação política e sufrágio universal,
00:09:13marchemos com confiança e audácia para frente, sempre prontos a esclarecer e educar politicamente o povo.
00:09:20É o que nós, comunistas, havemos de fazer.
00:09:24Havemos de fazer com o apoio do povo e, mais particularmente, com o proletariado de São Paulo.
00:09:30Salve, povo de São Paulo.
00:09:33Viva o Brasil, livre, unido, democrata e progressista.
00:09:44Desde 1924, ele era um herói nacional, o líder de uma marcha revolucionária que atravessou o país questionando o poder
00:09:54das oligarquias.
00:09:55A coluna Prestes.
00:10:02Nesse ato, ele estava em campanha por uma vaga no Senado e foi eleito, com uma votação histórica.
00:10:15Nessas eleições, pela primeira vez as mulheres puderam votar para presidente no Brasil.
00:10:26Mas a liberdade de Prestes durou pouco.
00:10:30Com o início da Guerra Fria, o Partido Comunista foi caçado.
00:10:35E ele teve que voltar para a clandestinidade.
00:10:48Maria tinha saído de Recife, fugida, com seus dois filhos pequenos,
00:10:54depois que o seu companheiro foi preso e torturado.
00:11:03Quando Prestes chegou, era um dia 4 de dezembro, dia de Santa Bárbara.
00:11:24Ele entrou de paletó, chapéu e se apresentou como Pedro.
00:11:31Logo em seguida, um dos seus filhos passou a ser Pedro também.
00:11:35Assim, não despertariam suspeitas no bairro, chamando por um nome sem corpo.
00:11:48Todos os dias, ela trazia os jornais e as novidades da rua.
00:11:55Quando ela acabava as tarefas domésticas, o ajudava separando as notícias mais importantes.
00:12:08Também procuravam mensagens cifradas nos classificados,
00:12:13uma das formas de comunicação na vida clandestina.
00:12:27Não foi paixão.
00:12:29Ela fazia questão de frisar.
00:12:32Mas a convivência era boa.
00:12:34E acabou gerando uma família de verdade.
00:12:37E mais três filhos.
00:12:47Foram seis anos de clandestinidade.
00:12:50Até que veio um novo presidente, que tinha o apoio dos comunistas.
00:12:55E Prestes pôde aparecer publicamente.
00:13:08É natural que o senador voltasse a constituir família após o assassinato de sua primeira mulher, Olga Benaglio.
00:13:17Estranhável foi o mistério mantido em torno do seu segundo casamento,
00:13:20do qual resultaram vários filhos, parece.
00:13:23Em volta de sua nova mulher,
00:13:25ergueu sua barreira que, até hoje,
00:13:28se ignora quem ela seja,
00:13:30de onde provém,
00:13:31o que pensa,
00:13:33o que já fez.
00:13:35Pergunta-se ao senador.
00:13:36O seu segundo casamento foi, por amor?
00:13:39A senhora Maria Prestes tem noção exata da figura com quem se casou?
00:13:44Está apta a desempenhar um papel histórico?
00:13:52Oi, câmera.
00:13:54Oi, som.
00:13:55Chegada da casa da Maria, take one.
00:13:56A Maria está um pouco perto, viu, Luís?
00:13:58Ah, é?
00:13:59Uhum.
00:14:00Tá.
00:14:01Maria, vamos fazer só um pouquinho mais de trás?
00:14:07Me conta da vida lá no aparelho do partido.
00:14:13Como é que foi quando você chegou em São Paulo?
00:14:17Como é que era a casa?
00:14:18Que você falasse um pouquinho de como é que era lá.
00:14:24Eu fico imaginando você com duas crianças pequenas,
00:14:27os medos que você tinha ou, sabe,
00:14:31as dificuldades que você enfrentava,
00:14:33como é que você estava se sentindo, né?
00:14:36Porque foi uma mudança radical na sua vida.
00:14:48Silêncio, câmera.
00:14:51Maria tomando café.
00:14:52Take two.
00:14:55Essas cenas foram filmadas na casa da Maria,
00:14:58no Rio de Janeiro.
00:15:01Oi.
00:15:12Para representá-la nessa época,
00:15:14eu convidei sua neta.
00:15:16Além de parecer fisicamente com a avó,
00:15:19elas tinham o mesmo nome.
00:15:21Peraí, Maria, não olha ainda, não.
00:15:23Vamos fazer a fechada ali da calça?
00:15:25Vamos.
00:15:26Da calça ou do bebê?
00:15:34Acontece que, sem perceber,
00:15:36eu me vi reproduzindo a imagem de doméstica
00:15:39que usam para limitar a Maria.
00:15:44Não foi essa a mulher que eu conheci.
00:16:18Em janeiro de 2017,
00:16:21eu fui encontrar a Maria no interior do Piauí.
00:16:24em uma cidade pequena,
00:16:26chamada Lusilândia.
00:16:34Aos 86 anos,
00:16:36ela tinha uma agenda cheia naquele início de ano,
00:16:40visitando ocupações,
00:16:42universidades e parentes no Nordeste.
00:16:48Quatro meses antes,
00:16:50a presidenta Dilma Rousseff
00:16:52tinha sofrido um golpe.
00:16:54A oposição tinha conseguido
00:16:56caçar o seu mandato
00:16:57com o apoio da mídia
00:16:59e do judiciário.
00:17:07A Maria sempre dizia
00:17:09que o movimento sem terra
00:17:11é o movimento mais sério
00:17:13que tem no Brasil.
00:17:17O primeiro lugar que combinamos de visitar no Piauí
00:17:20foi um assentamento do MST,
00:17:23chamado Palmares.
00:17:24Minha,
00:17:25o número 65
00:17:27é o que se chama
00:17:29que o chacal
00:17:30dos Esquerres.
00:17:30Amanhã,
00:17:32pertença a nós,
00:17:33trabalhadores.
00:17:36Vem,
00:17:38vemos,
00:17:39cujos,
00:17:39erguidos,
00:17:40nossa força
00:17:42nos leva,
00:17:43a gente ficar
00:17:44nossa
00:17:45pátria
00:17:46livre e forte,
00:17:49construída
00:17:50pelo poder
00:18:17Música
00:18:39É uma oportunidade ímpar, né, da gente estar aqui como uma das pessoas mais importantes da história do nosso país,
00:18:44né, a memória viva da nossa história.
00:18:46Essa mulher aqui, ela teve que ser exilada, teve que mudar de nome, teve que ser escondida. Vocês querem perguntar
00:18:52alguma coisa?
00:18:57Sou professora da escola, aqui no assentamento, e há cinco anos eu tomei gosto também pela luta.
00:19:03Inclusive, ano passado eu fui apresentando o assentamento para o Segundo Anero, em Brasília, e lá nós tivemos um ato,
00:19:10onde nós fomos para as ruas,
00:19:12e peguei spray de pimenta no rosto, e isso me fortaleceu.
00:19:17E ontem, quando eu vi aquele vídeo, onde passa toda a sua trajetória, foi mais um fortalecimento para a minha
00:19:23vida pessoal.
00:19:24E com certeza fará uma grande diferença na minha prática como profissional.
00:19:32Quer dizer que depois da sua visita na escola, facilitou para a gente até as aulas de história.
00:19:37Que esse ano, para nós, assim, esse ano de 2016, foi um ano, assim, de luta, de enfrentamento, e nós,
00:19:43assim, na sala de aula, a escola é nossa,
00:19:44a gente discute o que a gente acha que é conveniente, né.
00:19:47Então foi tudo sobre ditadura militar o ano todo, sobre coluna prestes, sobre golpe de Estado, constituições, e levamos eles
00:19:55para as mobilizações, para o dia da votação do impeachment.
00:19:59Então nós estamos preparando, porque futuramente são os nossos lutadores.
00:20:05Maria nasceu em Recife, Pernambuco, e perdeu a mãe muito cedo, aos dois anos de idade.
00:20:13Ela e os seus quatro irmãos começaram a trabalhar, ainda crianças, na lavoura, numa cooperativa ligada ao partido.
00:20:22O pai era um militante conhecido no Nordeste, o camarada Lima, que chegou a ser preso por ter participado do
00:20:31Levante Comunista de 1935.
00:20:37Vitória, minha linda! Vem aqui, vem. Deixa eu te pegar.
00:20:49Atravessamos a fronteira do estado do Piauí, para o Maranhão, para visitar um povoado que lembrava a infância de Maria.
00:21:00Mãe, deu um cabrito bom!
00:21:05Ai, esse daqui não vai deixar, não.
00:21:07Bora, você não vai acompanhar ela, não. Bora.
00:21:12E a Vitória?
00:21:14Deixa a Vitória fora.
00:21:16Aqui tem macaxeira, tem banana, tem pé de mandioca, macaxeira, tem banana, tem...
00:21:24Ele planta uns pezinhos de batata ali, ali dentro do cercado ali.
00:21:29Aqui é a dona Maria dos Milagres, com a sua belíssima mãe, que está aqui encostada, ela com os filhos
00:21:36dela.
00:21:37Estamos aqui trabalhando, para nos dar o sustento para a nossa família.
00:21:42E aqui nós nos encontramos nessa luta aqui.
00:21:45A gente tudo produz essas coisas aqui, quando o inverno está muito bom.
00:21:49A gente produz tudo a coisa, mas a gente não vende.
00:21:53A gente faz é dar.
00:21:55É melancia, é abóbora, é ferromadura, é milho verde, é tudo.
00:22:01A gente faz é dar.
00:22:04É, a gente faz é dar, porque as pessoas que não têm, é preciso de comer também.
00:22:12Eles não têm também, tem que dar para eles.
00:22:22Ficamos no povoado de São Lucas até a chuva passar.
00:22:26Naquela noite, Maria era esperada no campus da universidade.
00:22:48Percorremos 25 mil quilômetros, 13 estados do Brasil,
00:22:51enfrentando tropas 10, 20 vezes superiores às nossas.
00:22:55Nós estávamos lutando para substituir Bernardo por outro.
00:22:58Mas chegamos à conclusão que esse era um problema social muito grave, muito sério.
00:23:02E que era um paradoxo que um país imenso como o nosso,
00:23:0680% da massa trabalhadora do campo não tivesse um pau de terra.
00:23:10Foi verificando isso na prática, com a marcha da coluna através do Brasil,
00:23:15em que eu via homens de cabelos brancos que me diziam, né?
00:23:18Há muitos anos que eu não vejo uma nota de um mil reais,
00:23:21que não podiam comprar uma enxada.
00:23:23Essa era a realidade brasileira.
00:23:31A senhora está hoje aqui em Pedro II, numa terra que a coluna passou aqui, né?
00:23:38Bem pertinho.
00:23:39Está bem aí de trás da senhora, olha.
00:23:41Eles andaram por todos esses casarões, esses prédios, essas coisas todas aí.
00:23:46A minha ideia é da seguinte forma. O que fazer agora? O que fazer agora?
00:23:53A senhora que acumulou tanta experiência de vida, que vivenciou todas essas lutas, seu companheiro, a República Velha, o Getúlio
00:24:06Vargas com a ditadura dele, depois vem a ditadura militar.
00:24:10A gente vai para um comiço e a gente acredita em quem?
00:24:14Me diga em quem é que a gente vai acreditar.
00:24:19Boa noite. Eu sou estudante de Direito e eu fico meio preocupada, principalmente diante do cenário político que vivemos agora.
00:24:28Eu queria que, a partir da sua experiência, vocês passassem um pouco para a gente como poderíamos continuar a trajetória
00:24:37em busca de uma justiça social, não só compensatória.
00:24:43É isso. Obrigada.
00:24:49Maria incentivava a juventude.
00:24:51Não esperem por ninguém, ela respondia.
00:24:55Se organizem, no bairro, no trabalho.
00:24:58Nem todos vão querer participar, mas não desistam.
00:25:02Vocês são o futuro.
00:25:25Com 17 anos, Maria foi pega pela polícia, levando bandeiras e faixas em um ato contra a bomba atômica.
00:25:36Ela estava com a sua irmã mais nova, Lia, que foi levada para um convento e ficou um mês desaparecida.
00:25:48Na delegacia, todas as mulheres detidas com ela foram humilhadas.
00:25:55Maria foi imobilizada por um policial, enquanto o outro tosqueava o seu cabelo.
00:26:01Recebeu um soco no estômago.
00:26:09Nesse dia, quando chegou em casa, Maria disse para o seu pai.
00:26:14Eu não gostava muito de política e nem de ser desse Partido Comunista.
00:26:19Mas agora eu faço questão.
00:26:36A minha pergunta é mais em relação ao contexto político atual, mesmo à polarização.
00:26:45E eu queria perguntar para a senhora se essa polarização prejudica o monetariado,
00:26:49porque ela acaba afastando, nos afastando da verdadeira luta, aquela luta de classes.
00:26:52E eu queria dizer a senhora que você é maravilhosa representando completamente todas as mulheres.
00:26:58Foi que é.
00:26:58Nas suas palestras, Maria fazia questão de citar outras mulheres que também foram perseguidas e torturadas.
00:27:14Em salahias...
00:27:15Angelina Gonçalves no Rio Grande do Sul
00:27:19Elisa Branco em São Paulo
00:27:24Em Pernambuco
00:27:26Júlia Santiago
00:27:28No Rio de Janeiro
00:27:30Zélia Magalhães e Tereza Santos
00:27:37Maria Aragão, do Maranhão
00:27:42Dilma Rousseff, em Minas Gerais
00:27:47E a alemã Olga Benário
00:27:50Que quando entrou no Brasil
00:27:52Entrou com o nome de Maria
00:28:04A Olga foi presa junto com o Prestes
00:28:07Em 1936
00:28:09Em um aparelho do Partido Comunista
00:28:12No bairro do Meier
00:28:13Subúrbio do Rio de Janeiro
00:28:17Eles tinham se tornado um casal
00:28:19De uma forma parecida
00:28:21Com o que anos depois
00:28:23Veio acontecer com a Maria
00:28:26Olga era uma militante
00:28:28De grande confiança do partido
00:28:30E lutava ao lado de Prestes
00:28:32Para derrubar a ditadura de Getúlio Vargas
00:28:36Essas imagens são de uma visita
00:28:39Feita por Prestes
00:28:40A casa onde eles foram presos
00:28:46Olga era judia
00:28:48E foi deportada para a Alemanha nazista
00:28:51Mesmo grávida de sete meses
00:28:54Morreu seis anos depois
00:28:56Em um campo de concentração
00:29:10E foi um campo de concentração
00:29:23E foi um campo de concentração
00:29:23E foi um campo de concentração
00:29:24E foi um campo de concentração
00:29:24E foi um campo de concentração
00:29:24E foi um campo de concentração
00:29:25E foi um campo de concentração
00:29:25E foi um campo de concentração
00:29:44Antes de ser eleita presidenta do país, Dilma também lutou contra uma ditadura no Brasil.
00:29:53Documentos do Serviço Nacional de Informações dizem que ela também foi Maria na clandestinidade, Maria Lúcia.
00:30:28Nós somos brasileiros. Valeu, Dilma, Roussela!
00:30:36Para, bate continência, porra! Para!
00:30:54Dilma, eu estou muito feliz de estar aqui. Estou representando todas as mulheres brasileiras.
00:31:00Por que a senhora trouxe seu filho?
00:31:02Ah, porque eu quero que ele veja que nós conseguimos colocar uma mulher na presidência.
00:31:10Isso aí é um fato para o nosso país. E, assim, eu não quero que ele esqueça disso nunca.
00:31:16Cara, na hora que ela passou a vista no exército aeronáutico, eu senti, sei lá, gratidão por ela.
00:31:25A mulher lutou, a mulher foi torturada. E ela fez isso para que hoje eu pudesse estar aqui, que hoje
00:31:31eu pudesse ir, né?
00:31:32Que eu pudesse ter votado. Eu pude lutar, eu pude fazer campanha e pude eleger a primeira mulher.
00:31:38Vai presidir esse país e vai fazer bonito e vai fazer valer.
00:31:45Quatro anos depois, a Dilma foi reeleita.
00:31:48Mas a oposição, insatisfeita com o resultado nas urnas, articulou o impeachment da presidenta.
00:31:56Em um grande acordo, que incluía o seu vice, Michel Temer.
00:32:06Em agosto de 2016, militantes de todo o país viajaram até a capital para acompanhar a última votação no Senado
00:32:16contra a Dilma.
00:32:19Apesar das diferenças, das grandes diferenças, sofro de novo com o sentimento de injustiça e o receio de que mais
00:32:29uma vez a democracia seja condenada junto comigo.
00:32:33E não tenho dúvida que também, desta vez, todos nós seremos julgados pela história.
00:32:40Por duas vezes, vi de perto a face da morte, quando fui torturada nos dias, quando fui torturada por dias
00:32:52seguidos.
00:32:54E quando uma doença grave e extremamente dolorosa poderia ter abreviado a minha existência.
00:33:01Hoje, eu só temo a morte da democracia, pela qual muitos de nós, aqui neste plenário, lutamos com o melhor
00:33:13dos nossos esforços.
00:33:15Votem contra o impeachment. Votem pela democracia. Muito obrigada.
00:33:23O golpe não é contra o PT. O golpe não é contra a presidenta Dilma. O golpe é contra a
00:33:31democracia.
00:33:32O golpista, recua. O povo está na rua. O golpista, recua. O povo está na rua.
00:33:39Vamos ocupar o Congresso para dizer não, temer golpista.
00:33:45Para dizer sim. Queremos a democracia. Queremos respeito à Constituição Brasileira.
00:33:53Às mulheres. Àquelas e àqueles que depositaram 54 milhões de votos.
00:34:12Eu pedi a minha verdade. Dei o melhor de minha capacidade. Não fugi de minhas responsabilidades.
00:34:25Me emocionei com o sofrimento humano. Me comovi na luta contra a miséria e a fome.
00:34:32E combati a desigualdade. Travei bons combates. Perdi alguns. Venci muitos.
00:34:39E neste momento, me inspiro em Darcy Ribeiro para dizer não gostaria, mais uma vez,
00:34:49não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores.
00:34:53A história será implacável com eles, como já ou foi em décadas passadas.
00:35:04As mulheres brasileiras que me cobriram de flores e de carinho, peço que acreditem sempre que vocês rodem.
00:35:14As futuras gerações de brasileiras saberão que na primeira vez que uma mulher assumiu a presidência da República,
00:35:22a presidência do Brasil, o machismo e a misoginia mostraram suas feias faces.
00:35:31A viagem do Brasil, o machismo e a misoginia mostraram suas feias faces.
00:35:58A viagem com a Maria pelo Nordeste terminou no litoral do Rio Grande do Norte, em Bahia Formosa,
00:36:06onde vive sua filha, Mariana Ribeiro Prestes.
00:36:15Ela se parece muito com a mãe, no jeito de andar, nas atitudes e, principalmente, nas suas convicções políticas.
00:36:36E aí, eles filmaram você no avião também?
00:36:45Você não viu ainda a fachada lá da nossa casa?
00:36:51Toda colorida.
00:37:06Seja bem-vinda, Dona Maria.
00:37:16A gente não conseguia ter um acesso muito fácil com ele, porque a nossa referência, tudo que a gente precisava
00:37:29resolver, a gente resolvia sempre com a mamãe.
00:37:31Todas as nossas dúvidas, todos os problemas, quem é que resolvia era a mamãe.
00:37:36Quem ia na escola, quem ia para a reunião, quem ia cuidar da gente e ia nos levar no médico,
00:37:42era tudo a mamãe.
00:37:43Eu não tenho lembrança dele brincando comigo, dele conversando quando eu era pequena, do convívio com ele.
00:37:55Mas, em compensação, a gente tinha essa mulher aqui do nosso lado, que a gente aprontava muito,
00:38:03porque eram nove, que nem o Ivan fala, os nove anjinhos da Dona Maria.
00:38:09A gente aprontava demais, demais, imagina, nove crianças, tudo de diferença de idade de um ano, um ano e meio,
00:38:17entre um e outro, era uma escadinha.
00:38:20Atrás da nossa casa tinha um quintal baldio.
00:38:26Mamãe sabia, eu não sabia na época, que era tudo gente da polícia que ficava vigiando a nossa casa.
00:38:33E a mamãe sempre dizia para a gente, não pula o muro, não vai roubar fruta, não pode, não sei
00:38:39o que e tal.
00:38:41Só que a mamãe saía para fazer alguma coisa, deixava um de guarda no portão, o resto pulava o muro
00:38:49para roubar fruta.
00:38:50Só que numa dessas, mamãe deve ter esquecido alguma coisa e ela voltou.
00:38:56E o que estava de guarda, estava meio distraído e não viu que ela já estava próxima de casa.
00:39:03Quando ela entrou na casa, tinha um ainda descendo o muro, né?
00:39:08Ela entrou, pegou o que ela precisava e saiu de novo.
00:39:13Aí todo mundo, ufa, ai que bom, de alívio não vai acontecer nada, né?
00:39:19Quando ela chegou de noite em casa, porque a mamãe fazia o seguinte, ela dava banho em todo mundo ao
00:39:25mesmo tempo.
00:39:26Bota todo mundo dentro do banheiro, vai tomar banho de uma vez, numa talagada só, todo, né?
00:39:32Daí é que o bicho pegava.
00:39:38Hoje vocês vão tomar banho de sandália, nem de sabonete.
00:39:41Não, não precisava de sandália.
00:39:43Olha o tamanho da mão dela.
00:39:45A mãozinha dela, trabalhou no campo.
00:39:50O primeiro era esse aí.
00:39:52Aí a gente, com o tempo, a gente foi aprendendo que a gente tinha que ser rápido.
00:39:58Porque quem ficasse por último, apanhava mais.
00:40:02Então tinha que passar correndo na frente dela.
00:40:05Era o corredor.
00:40:06Era o corredor, né?
00:40:08Era o corredor.
00:40:40Mariana nos levou para conhecer um acampamento do MST, que ficava a duas horas de distância
00:40:47da sua casa, em uma localidade chamada Igreja Nova.
00:40:51Eu tenho certeza que a gente vai vencer, né, essa batalha do MST.
00:40:54Vamos.
00:41:01Pode ficar à vontade de filmar bem legal.
00:41:03Aqui embaixo, aqui, o acampamento, ele vai até ali, mais ou menos, naquela capelinha ali.
00:41:08Aí pode subir, filmando, que a gente estava aqui aguardando.
00:41:15No último, um dos últimos comícios que teve...
00:41:19Foi, a gente estava lá perto da hora do Mirafol.
00:41:20Isso.
00:41:21Aí eu consegui localizar, e aí eu fiz o contato com eles.
00:41:26Foi quando a gente combinou de...
00:41:29Eu vim aqui para conhecer o acampamento.
00:41:32Mas foi difícil também.
00:41:33Só escutava lá o carro do carro de sol.
00:41:36Pensa, olha, acampamento, dois férios pretos, onde você está parado em tal lugar.
00:41:41Aí eu atrás para encontrar e nada.
00:41:43Mariana, eu tenho anunciado, que eu tenho anunciado a saída já.
00:41:47Aí quando eu terminei de anunciar a saída, eu passei o microfone para a gente, para os dirigentes lá.
00:41:51Aí eu fui lá, sentei, né, sentei lá no canto, fiquei igual aqueles moleques.
00:41:53Botei as pernas lá no canto lá e fiquei lá junto com os outros lados.
00:41:56Aí quando eu penso que não, aí anuncio no carro de sol.
00:41:59O companheiro Deda se dirigir, tá, o carro de sol, tem uma pessoa que ela me conhece aqui.
00:42:02Aí eu, é tudo, Deda, lá, eu sei lá, eu não entendi, eu passei da motoboy, tudo lá.
00:42:06Quando eu cheguei lá, era a Mariana.
00:42:09Aí eu ia e já saí, quer lhe conhecer.
00:42:10Aí eu olhei para ela assim, eu sou filho dos meus carros perto.
00:42:25Essa carinha aí, canto MST que nós temos aí,
00:42:28ela tem uma moça que fala assim, descobrimos lá na base que a tal da reforma agrária do papel não
00:42:33vai sair, né.
00:42:35Isso é a realidade, porque a gente sabe que a reforma agrária que a gente visa fazer é a reforma
00:42:42agrária popular, né.
00:42:43É com a nossa população, como a gente tamo vendo aqui.
00:42:46Nós se reúne, faz um acampamento e com a população a gente faz a reforma agrária popular, né.
00:42:51Que, na verdade, no Brasil não existe a reforma agrária, né.
00:43:20Não existe a reforma agrária, né.
00:43:29Até aqui, Maria só tinha me apresentado pessoas que tiravam da terra o seu sustento.
00:43:37Ela se identificava com elas, se definia como uma mulher prática, não teórica.
00:43:45E dizia, a gente não tem outro Brasil não, só tem esse.
00:43:52Por isso temos que lutar.
00:43:55Brigar por melhores condições de vida.
00:43:58Se unir por dias melhores.
00:44:03Ela se indignava por ter passado a vida lutando por uma reforma agrária que não aconteceu.
00:44:27Trabalhadores do campo já poderão, então, ser concretizada,
00:44:32que, embora em paz, a sua mãe sentida e justa reivindicação,
00:44:38aquela que estará, pedaço de terra própria pra ele trabalhar,
00:44:44um pedaço de terra pra ele ficar.
00:44:47Aí, então, o trabalhador e a sua família,
00:44:52sua família sofrida, irá trabalhar para ele,
00:44:57porque até aquele trabalho é para o foro da terra que ele aluga,
00:45:01ou para o foro da terra que ele impede sua produção.
00:45:18Em 1964, logo depois de anunciar as reformas de base,
00:45:24entre elas a reforma agrária,
00:45:26o presidente João Goulart foi derrubado por um golpe.
00:45:31Um golpe que deu início à ditadura militar que durou 21 anos no Brasil.
00:46:22Nessa época, Maria estava grávida do seu nono filho, Yuri.
00:46:31No dia do parto, a maternidade foi cercada por policiais e jornalistas
00:46:37que procuravam qualquer informação sobre Prestes,
00:46:40que estava novamente clandestina.
00:46:46No dia seguinte, a imprensa publicou apenas que Maria era morena
00:46:51e que tinha um linguajar humilde.
00:46:55Para o repórter, ela declarou não ter qualquer envolvimento
00:46:59com a vida política do marido.
00:47:02A inofensiva dona de casa não ameaçava o governo.
00:47:16A casa da família Prestes, em São Paulo, foi revistada pela polícia.
00:47:22Foram confiscados livros e documentos com nomes de companheiros do partido.
00:47:34Maria e os filhos eram vigiados dia e noite no endereço.
00:47:40Quando saía, ela era seguida na rua, no mercado
00:47:44e no caminho que fazia com as crianças até a escola.
00:47:49Essa rotina da família Sem Prestes durou até 1970,
00:47:54quando eles se reuniram novamente no exílio, em Moscou.
00:48:14Imagina, chegou a gente lá, tudo de cabelo escuro,
00:48:18bem que a zóia é mais loirinha e de olhos claros.
00:48:22Mas de pele mais morena, a gente era estranho, né?
00:48:27De repente, cai de paraquedas o pessoal lá dentro de uma escola pública
00:48:32em Moscou, que ninguém nunca viu.
00:48:36Aí a gente não falava russo.
00:48:39Aí eles xingavam a gente, a gente não sabia,
00:48:43a gente não entendia.
00:48:44Aí a tradutora foi lá com a mamãe para saber o que estava acontecendo.
00:48:49Aí a diretora falou o que estava acontecendo,
00:48:52a tradutora traduziu para a gente.
00:48:55Aí a gente começou a xingar eles em português.
00:49:00Mas depois, cara, isso foi coisa passageira,
00:49:03porque depois viramos super amigos.
00:49:17Mas lá em casa, né, em Moscou,
00:49:20era um entre-sai danado de gente.
00:49:23Você não tinha um dia que você ficasse tranquila.
00:49:26Hoje eu vou ficar em paz aqui.
00:49:28Não quero ver ninguém, nem escutar nada.
00:49:31Esquece.
00:49:33Porque eram os meus amigos,
00:49:35amigos dos meus irmãos,
00:49:36amigos da minha irmã,
00:49:37amigos da mamãe.
00:49:39Aí fora as pessoas que estavam clandestinamente em Moscou,
00:49:44que iam lá para conversar com o papai.
00:49:47Então um não podia ver o outro.
00:49:49Aí a mamãe esconde esse na cozinha.
00:49:52Aí essa aqui esconde no quarto.
00:49:54Aí quando esse sair, o outro sai.
00:49:56E aí a gente vizinha nessa...
00:50:00Nessa zona toda aí aprendendo também, né?
00:50:11Nessa zona toda aí.
00:50:49Em 2014, eu fiz uma viagem para a Rússia.
00:50:53Em busca dos lugares que marcaram a memória da Maria.
00:51:03As imagens do passado que eu procurava,
00:51:06fui encontrar em um parque,
00:51:08para onde foram levados os símbolos soviéticos
00:51:11que antes ocupavam as ruas.
00:51:24Nessa zona toda aí.
00:51:43Nessa zona toda aí.
00:52:15Rua Gork, 9, 69.
00:52:20Nesse edifício, Maria me disse ter passado os melhores dez anos da sua vida.
00:52:26O imóvel era grande para os padrões soviéticos.
00:52:29Quatro quartos e duas salas.
00:52:32Mas eles tinham nove filhos.
00:52:34E Prestes era uma liderança estratégica na América Latina.
00:52:46Dava para ir a pé do apartamento dela até o Bolchon.
00:52:55assistiu toda a programação do teatro.
00:52:58Tanto de ópera quanto de balé.
00:53:00Carmen, Aida, Espartacos, Lago dos Cisnes, Gisele.
00:53:07Aida, Espartacos, Lago dos Cisnes, Gisele.
00:53:14Aida, Espartacos, Lago dos Cisnes, Gisele.
00:54:01Aida, Espartacos, Lago dos Cisnes, Gisele.
00:54:24Aida, Espartacos, Lago dos Cisnes.
00:54:40Maria tinha me contado que quando chegou em Moscou, em 1970,
00:54:46não tinha um médico homem.
00:54:48Eram todas mulheres.
00:54:53Quem dirigiu os sindicatos, as fábricas,
00:54:56quem dirigia os tratores, era a mulher.
00:55:00Quem fazia a reforma dos prédios, de pintura,
00:55:04trabalho de pedreiro, era a mulher.
00:55:08Ela dizia,
00:55:09Com a guerra, eles perderam os homens.
00:55:12E as mulheres levantaram o país.
00:55:43Durante o exílio, Maria visitou a República Democrática Alemã,
00:55:47a Romênia, a Bulgária, Cuba, Moçambique, Angola.
00:55:53Mas foi de Stalingrado que ela me falou com mais detalhes.
00:56:07Mas foi de Stalingrado que ela me falou com mais detalhes.
00:56:29A cidade ficava quase mil quilômetros ao sul de Moscou e nela foi erguida a maior estátua do mundo de
00:56:37uma mulher, a mãe pátria.
00:57:10Volgogrado, a antiga Stalingrado, foi palco de uma das mais longas e sangrentas batalhas da história.
00:57:19O conflito durou sete meses e marcou o início da vitória soviética sobre os nazistas na Segunda Guerra Mundial.
00:57:41No livro A Guerra Não Tem Rosto de Mulher, Svetlana Alexievich conta que aproximadamente um milhão de mulheres lutaram no
00:57:50exército soviético.
00:57:53Elas atuavam em todas as frentes.
00:58:00A autora diz que surgiu até um problema linguístico na época,
00:58:05que as palavras tanquista, atirador de fuzil e soldado de infantaria não tinham gênero feminino.
00:58:15O feminino dessas palavras nasceu lá, na guerra.
00:58:27O feminino dessas palavras nasceu lá, na guerra.
00:58:30O feminino das palavras nasceu lá, na guerra.
00:58:53O feminino das palavras nasceu lá, na guerra.
00:58:57O feminino das palavras nasceu lá, na guerra.
00:59:06O feminino das palavras nasceu lá, na guerra.
00:59:46O feminino das palavras nasceu lá, na guerra.
01:00:07O feminino das palavras Nasceu lá, na guerra, na guerra.
01:00:21Eu procurei pela Maria nessas imagens, mas ela não aparece.
01:00:41Eu procurei pela Maria nessas imagens, mas ela não aparece.
01:01:11Durante cinco anos, eu acompanhei de perto a rotina da Maria.
01:01:19Frequentei sua casa, conheci sua família, filmamos muitas conversas.
01:01:29Até que ela mudou de ideia e preferiu não aparecer no filme.
01:01:37Não me autorizou a usar sua imagem e nem sua voz.
01:02:10Eu acreditava tanto.
01:02:12Eu acreditava tanto na história da Maria.
01:02:15Eu acreditava na força das suas palavras.
01:02:21Era uma mulher que tinha vivido na pele a realidade brasileira e que tinha participado ativamente de grandes momentos do
01:02:31século XX.
01:02:36Ela falava que a luta começa de baixo, escutando as pessoas.
01:02:43No ônibus, no mercado, na escola.
01:02:50Ela falava que a ditadura não acabou e que era pra gente se preparar, porque vinha chumbo grosso por aí.
01:03:16Quando ela desistiu do filme, eu continuei acreditando.
01:03:25Porque a história da Maria é a história das mulheres que constroem esse país.
01:03:57Ela desistiu do filme, ela desistiu do filme.
01:04:29Ela desistiu do filme.
01:04:31A gente seguiu, escutou a história da Maria Prestes, né,
01:04:37pra ver qual receita seria uma receita ideal.
01:04:41E aí ela lembrava muito de quando ela viveu o exílio em Moscou,
01:04:46e aí esteve na Tcheca-Slováquia, ela falava muito da cerveja tcheca e da cerveja Pilsen.
01:04:52Então a gente procurou fazer uma receita que se aproximasse dessa cerveja que ela bebia na Tcheca-Slováquia.
01:05:10Boa sorte a você, viu, que todo mundo tá botando a maior fé em você aí.
01:05:1646.502.
01:05:23Muito voto.
01:05:24Muito voto.
01:05:27É, muita responsabilidade.
01:05:29É, e nós estamos torcendo muito pelo teu trabalho aí também, viu?
01:05:33Não, Jardim, não constroi isso, porque agora a gente tem que pensar um campo progressista também,
01:05:36como é que a gente avança.
01:05:37É isso aí.
01:05:39Valeu, mas eu vou passar comigo.
01:05:40Obrigada, obrigada.
01:05:42Não, eu imagino, obrigada, querido.
01:05:45Boa, tá então aparecendo.
01:05:47Tá bom, tá bom, tá bom, tá bom.
01:05:49Eu ia perguntar até pra dona Maria esse esquema da democracia que a gente tem.
01:05:53Os três poderes que na teoria seriam independentes pra cada um fiscalizar o outro, mas que na prática
01:05:59junta tudo pra poder ferrar o outro.
01:06:04Então o que deveria estar, a justiça que deveria estar fiscalizando um e o outro tá no meio.
01:06:10O legislativo que deveria estar fiscalizando o executivo tá fazendo acordo pra pegar.
01:06:16Então esse esquema que montaram de democracia é um esquema que obriga as pessoas a, sei lá, ficam discretas.
01:06:24Eu acredito que muitas pessoas realmente não têm aquela força pra olhar, caramba, pra onde eu vou.
01:06:30A gente tava conversando na bancada, na reunião de bancada esses dias, com já alguns vereadores.
01:06:39O Glauber, que até é muito amigo do Linsberg também, que hoje tá no PSOL, foi do PSB.
01:06:47O quanto que às vezes você faz o melhor discurso elaborado, bem fundamentado ali no processo argumentativo
01:06:55e utiliza a tribuna e a votação de todos eles, o contrário, só porque, assim, vou votar junto com o
01:07:03prefeito,
01:07:04vou votar junto com a bancada da maioria.
01:07:06Mas pra quem passou, né, como a gente que sai de 2014 com a Dilma eleita.
01:07:12Logo na sequência, a elite se incomoda, estavam lá já na expectativa de vitória do PSDB
01:07:21e do que eles estão implementando hoje, com o PEC, com a redução de direitos,
01:07:25estarem implementando há dois anos atrás.
01:07:28E começa o processo do golpe, tá colocado que a gente vai precisar olhar pra quem é
01:07:34o deputado estadual, o deputado federal, o Senado, o governador e a presidente, né, ou a presidente.
01:07:41Olhar pra chapa completa e acho que vai ser um trabalho de uma engenharia muito grande,
01:07:47com muito debate, muito encontro.
01:07:50Quando o André tava falando de fazer o lançamento, pensar, fazer as atividades da cervejaria,
01:07:59é pra gente conseguir isso.
01:08:01Vem tomar cerveja, vamos falar de política.
01:08:03Vem tomar cerveja e vamos falar sobre segurança, né, sobre vida, sobre conceito.
01:08:09Claro, tem hoje o lugar da gravação, mas eu acho que cada vez mais esses nossos lugares
01:08:13de confiança é onde a gente pode falar sem estar preocupado com as tretas do Facebook,
01:08:19né, sem estar preocupado com o estresse.
01:08:21Eu posso ter dúvida, você pode ter dúvida, a gente pode aprender junto, né.
01:08:26Eu acho que me parece assim, porque do jeito que tá, eu particularmente,
01:08:31óbvio que não sou só eu, porque a gente tem que sair desse lugar do personalismo,
01:08:34mas eu ainda não saí do processo de campanha.
01:08:36Ontem eu fui a Campo Grande e Bangu.
01:08:39Hoje eu tive uma, tudo bem que era uma conversa menor, mas eu estive na Barra.
01:08:43Assim, de estar todos os dias, praticamente, tudo bem que eu quero diminuir esse ritmo,
01:08:48mas que a gente consiga estar fazendo trabalhos pra conversar sobre esse debate da política
01:08:52e o que que a gente, não dá pra pensar em 2018 só, quando iniciar o ano de 2018.
01:08:57A gente, não dá pra pensar em 2018.
01:09:38Em março de 2018, a vereadora Marielle Franco foi assassinada
01:09:44com quatro tiros na cabeça.
01:09:48Ela voltava para casa depois de um dia de trabalho.
01:09:54Nós não podemos deixar barato nenhum crime político, porque este foi um crime político.
01:10:02E crime político não se responde individualmente.
01:10:06Crime político se responde coletivamente e com luta.
01:10:10Porque se a gente não responde já, o que vai prevalecer é o medo, é o terrorismo,
01:10:17é mais restrição e mais morte.
01:10:21E a resposta é agora, não apenas no Rio, no Brasil e no mundo, mas é permanentemente.
01:10:33Somos muitas Marielles vivas.
01:10:36Somos muitas Marielles vivas.
01:10:39Nosso recado é que seremos cada vez mais e mais mulheres negras
01:10:48ocupando todos os espaços para denunciar toda a forma de racismo
01:10:55para esse Estado que matou a Marielle, que matou um monte de nós.
01:11:01Não vamos dar nenhum passo atrás.
01:11:04Marielle está presente.
01:11:07Mandara está presente.
01:11:10Justiça! Justiça! Justiça! Justiça! Justiça! Justiça! Justiça! Justiça! Justiça! Justiça!
01:11:21Todas as favelas do Estado do Rio de Janeiro, do Brasil, favelas e periferias,
01:11:28Marielle Franco vive!
01:11:30Marielle Franco vive!
01:11:33Marielle Franco vive!
01:11:35Anderson vive!
01:11:36Anderson vive!
01:11:38Anderson vive!
01:11:43Dando seguimento.
01:11:48Dando seguimento.
01:11:51O Estado do Rio de Janeiro.
01:12:15Cinco anos depois, o Estado brasileiro ainda não respondeu
01:12:19quem mandou matar Marielle Franco.
01:12:23O mesmo Estado que decidiu pela deportação de Olga Benário
01:12:28para a Alemanha nazista
01:12:30e que permitiu que a Dilma fosse derrubada por um golpe.
01:12:39Muitas mulheres construíram as lutas por independência,
01:12:43liberdade e democracia no mundo.
01:12:49Muitas mulheres tiveram seus destinos traçados
01:12:53pela sua força e posicionamento político.
01:12:59Poucas mulheres até hoje tiveram suas histórias contadas.
01:13:24Maria e Marielle eram filhas de Yansan.
01:13:29Orixá, que na mitologia Yorubá,
01:13:32está associada aos ventos, aos raios e tempestades.
01:13:36Representa o movimento, a mudança.
01:13:43Yansan foi mãe de nove filhos.
01:13:47É guerreira, luta contra as injustiças
01:13:50e sempre retratada com uma espada na mão.
01:13:55Assim como a mãe pátria,
01:13:58oitenta e cinco metros em concreto e aço.
01:14:04Uma imagem que ficou para sempre na memória de Maria.
01:14:31Orixá, que na comissão,
01:14:35Orixá, que na comissão,
01:14:37uma imagem que ficou para sempre na memória de Maria.
01:14:44Se lhe conhecê-se, como me amarei
01:14:54Podmoscóv-se, como me amarei
01:15:02Se lhe conhecê-se, como me amarei
01:15:12Podmoscóv-se, como me amarei
01:15:21Vesca движется e nem движется
01:15:28Vesca iz luna-se-rebra
01:15:36Pesna slye-se e nem se slye-se
01:15:44Vesca iz luna-se-rebra
01:15:49Pesna slye-se e perioda
01:15:50Pesna slye-se e perioda
01:15:52Eu hơn-se-neul a börja
01:16:01Eu hơn-se-neul aclears raz
01:16:17O que você, querida, olha-lhe e diz-cosa?
01:16:51A CIDADE NO BRASIL
01:17:10A CIDADE NO BRASIL
01:17:25A CIDADE NO BRASIL
01:17:34A CIDADE NO BRASIL
01:17:34A CIDADE NO BRASIL

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