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O EM Minas, programa de entrevista da TV Alterosa em parceria com o Portal Uai e o jornal Estado de Minas, recebe neste sábado (31/10) a comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues.

Imagem: TV Alterosa
Apresentação: Ricardo Carlino
Foto: Jair Amaral/EM/D.A Press

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Transcrição
00:12Estamos de volta agora só para vocês que estão com a gente aqui no canal do Portal
00:16Wai do Youtube, seguimos com a Coronel Cleira, comandante da Polícia Militar de Minas Gerais,
00:22PM esse ano 251 anos, acho que é uma tropa de tiradentes, um grande patrono de tiradentes da nossa Polícia
00:34Militar.
00:35A senhora começou em qual atividade e o que mais chamou a atenção, o que a senhora guarda mais no
00:42coração e na memória
00:43de ação ou de unidade de batalhão que a senhora passou na sua vida militar?
00:48Nossa, Carlinhos!
00:49É muita coisa, né?
00:50É muita coisa.
00:51E eu tenho tentado tomar um cuidado muito grande para poder destacar uma função ou outra,
00:57porque outro dia eu destaquei o tempo que eu fiquei na Diretoria de Proteção Social,
01:03que cuida da proteção social, assim, da saúde dos policiais militares.
01:08E aí o pessoal da comunicação me chamou a atenção e falou assim,
01:12senhora, e a Diretoria de Comunicação Organizacional?
01:15E a Diretoria disso?
01:17E a Diretoria do Ministério?
01:18Independente de Prevenção à Violência Doméstica e o Tático Móvel lá de Vena Nova, né?
01:24E o Rádio Patrulhamento também lá em Vena Nova.
01:27Então, eu acho que todas essas atividades, elas me ajudaram a crescer, me ajudaram a desenvolver.
01:35E dá para apelar para a memória e dá para lembrar esse caminho?
01:39Ó, saí da academia, fui para tal lugar, vamos lá, vamos fazer uma...
01:42Saí da academia, fui para o 13º Batalhão, onde eu tive a oportunidade ainda de servir por dois anos com
01:48meu pai,
01:49que era cabo lá.
01:50Que barato!
01:51Que legal!
01:51Meu pai era cabo no 13º, então, logo que eu cheguei lá em 2000, 2002, meu pai foi para a
01:56reserva.
01:57Permaneci na 14ª Companhia do 49º Batalhão por nove anos.
02:03Saí por um tempo para poder ficar, quando criou, na época, nove anos dentro do 13º Batalhão, na verdade.
02:09O 13º, ele foi dividido, aí criou-se o 49º Batalhão.
02:14Fiquei um ano na comunicação organizacional do 49º Batalhão.
02:19Fui designada para comandar a companhia Tático Móvel.
02:22E aí é uma chamada de atenção para mim mesmo, que eu sempre gosto de compartilhar com as pessoas,
02:28porque, na época que eu estava na comunicação organizacional, eu queria muito voltar para a área operacional,
02:34porque eu amava a área operacional.
02:37Mas eu não pedi para poder deixar a comunicação.
02:41E aí tinham três companhias, duas companhias com responsabilidade territorial e uma companhia Tático Móvel dentro da unidade.
02:49E eu achava que, na verdade, eu nem cogitei a possibilidade de ir para o Tático Móvel.
02:55Para mim, eu só deixei como possibilidade ir para a 14ª ou para a 15ª.
03:00E aí um oficial foi designado para a 14ª companhia.
03:03E aí eu pensei assim, ai, meu Deus, agora só sobrou para mim a 15ª.
03:06Outro oficial foi designado para a 15ª.
03:09E eu pensei, falei, pronto, agora eu vou continuar aqui na comunicação organizacional.
03:12Já vou refazer os meus planos, vou verificar o que é que eu posso fazer, o que é que eu
03:16posso melhorar, o que é que eu posso aperfeiçoar aqui.
03:18E aí o comandante da unidade me chamou e falou que eu, a partir daquele momento, estava assumindo a companhia
03:25Tático Móvel.
03:27E eu fiquei surpresa e muito feliz naquele momento.
03:31E aí as pessoas às vezes perguntam, né, como foi assumir uma companhia Tático Móvel dentro de uma instituição que
03:38majoritariamente são homens, é constituída por homens.
03:41E para mim foi uma oportunidade muito grande, foi muito bom, porque a equipe me recebeu de braços abertos.
03:49Então foram dois anos maravilhosos, foram dois anos muito bons.
03:52E aí eu saí para poder fazer uma especialização dentro da instituição.
03:58Quando me formei, fui para o Estado Maior para poder trabalhar com cerimonial.
04:03Então fui para uma atividade totalmente diferente, saí do operacional para poder trabalhar com cerimonial.
04:09Permaneci lá por alguns meses, até que foi criada a diretoria de comunicação organizacional, para onde eu fui, para poder
04:16trabalhar com comunicação interna.
04:18Permaneci lá por quatro anos.
04:20Depois desses quatro anos, foi criada a companhia independente de prevenção à violência doméstica.
04:25Aí eu fui para a companhia, fui para a PVD.
04:27Também uma criação histórica, também um trabalho histórico.
04:30Foi outra criação.
04:31Permaneci lá por quatro anos.
04:33No último ano, eu fui convidada para poder ir para o gabinete militar do governador, para ser subchefe, aonde eu
04:40fui promovida.
04:42Assumi a diretoria de comunicação organizacional por um ano e fui designada para a diretoria de proteção social, aonde eu
04:50fiquei por dois anos e quatro meses.
04:52Uma experiência maravilhosa conhecer uma outra vertente da instituição para poder trabalhar com saúde, com promoção social.
05:01Foi uma experiência espetacular quando eu fui alçada à comandante geral da instituição.
05:11Então, cada uma dessas atividades que eu desenvolvi ao longo da carreira, eu acredito que elas me ajudaram muito.
05:18Me capacitaram e me mostraram várias vertentes da instituição, porque a polícia militar é uma engrenagem, uma engrenagem muito grande,
05:27que ela precisa trabalhar de maneira harmônica, para que nós possamos dar sustentação para todos os policiais militares que estão
05:34na ponta da linha.
05:34Então, a gente precisa preocupar com toda a base, para que todos possam estar em plenas condições para poder exercer
05:43suas atividades.
05:44E isso depende muito desse suporte que nós precisamos dar a cada um.
05:49Caminhando para o encerramento da nossa entrevista, do nosso encontro, a experiência na questão da violência doméstica, violência contra a
05:57mulher.
05:58O que está acontecendo, coronel?
06:00O mundo endoidou?
06:02Parece que de uma hora para a outra, todos os ex estão batendo nas mulheres, estão matando.
06:07O que está acontecendo?
06:09Trabalhar na prevenção da violência doméstica, para mim, foi gratificante.
06:17Entender um universo, muitas vezes, que está distante da nossa vivência.
06:23E trabalhar com as vítimas nos mostrou que a gente precisa, cada vez mais, levar conhecimento às pessoas.
06:31Eu sempre gosto de trabalhar, falar nas palestras, quando eu tenho a oportunidade de ministrar, que nós precisamos rever muito
06:40os nossos valores.
06:42E alguns valores, eles estão sendo deixados de lado.
06:45Muitas pessoas, às vezes, elas atrelam muito a questão da violência doméstica ao embate entre machismo e feminismo.
06:54Só que tem uma história curiosa que aconteceu no Canadá, que um avião, ele teve que retornar para o ponto
07:01zero, porque uma criança não quis colocar o cinto de segurança.
07:06Se procurava, vai achar essa história.
07:08Uma criança não quis colocar o cinto de segurança.
07:10E aí, a gente fica pensando, como é que essa criança vai crescer?
07:15Quais são os valores que ela tem?
07:17Alguém, alguma vez, impôs limite a ela?
07:21Provavelmente, pode ser que ela venha a ser um agressor no futuro, porque se ela conseguir fazer com que um
07:26avião com 200 pessoas retornasse ao ponto zero,
07:29quem é uma mulher no futuro para poder falar com ele que não quer mais manter aquele relacionamento?
07:36O nível de resiliência às pessoas e resistência de aprender a trabalhar com o não tem diminuído cada vez mais.
07:44Não aceita ou não.
07:45Não aceita ou não.
07:47Não aceita o término, não aceita que aquele momento passou e que está no momento de reiniciar a sua história.
07:55E quando a gente fala que a violência está aumentando, o que eu percebia na prevenção à violência doméstica é
08:02que essa violência existe.
08:03Porque quantas pessoas hoje, quantas mulheres hoje não fazem o registro do boletim de ocorrência?
08:10Quando nós íamos fazer contato com as vítimas, elas falavam assim, tem cinco anos que eu vivo desse jeito, tem
08:19dez anos que eu vivo desse jeito.
08:21Tinha mulher que há 40 anos vivia daquela forma.
08:24A violência, ela estava acontecendo.
08:26Ela só não estava sendo registrada, ela só não era notificada e ela estava longe dos nossos olhos.
08:32E hoje não.
08:34Hoje, a partir do momento em que a gente concede entrevistas, que a gente traz para a discussão a questão
08:42da violência doméstica,
08:43que a gente leva ao conhecimento das pessoas e consegue fazer com que elas consigam identificar o que é violência.
08:50E mostrar que existe uma rede que pode tentar ajudar de alguma forma a fortalecer para elas saírem da situação
08:57de violência em que elas se encontram,
08:59elas registram, elas registram.
09:02E se for conversar com elas, elas vão falar isso.
09:05Olha, não foi a primeira vez, já estava acontecendo há mais tempo.
09:08Ou seja, a violência, ela estava, ela fazia parte da nossa sociedade.
09:13A gente só não conseguia enxergar.
09:15Hoje, a gente enxerga.
09:17Então, a pergunta que nós devemos fazer, essa violência, ela existe e ela sempre existiu.
09:24Nós, como rede de enfrentamento à violência doméstica, precisamos nos fortalecer e nos unir cada vez mais
09:31para poder fortalecer essas mulheres e conseguir fazer com que elas saiam da situação de violência em que elas se
09:36encontram.
09:37É claro que existem situações em que os feminicídios ocorrem e as mulheres, elas nunca registraram
09:44ou foi o único fato realmente que aconteceu.
09:47Mas a experiência nos mostra, a grande maioria, a grande maioria é uma evolução de uma violência que ela vai
09:55acontecendo dia a dia.
09:58Então, é uma experiência muito, muito boa mesmo que nós tivemos foi esse trabalho em rede.
10:05É porque quando a mulher, ela entrava dentro do sistema e aí a gente trabalhava com ela na prevenção à
10:12violência doméstica,
10:13a gente conseguia ver a evolução dos casos e era gratificante, era muito bom.
10:19Porque no início, a gente percebia que elas, às vezes, já não tinham mais a alegria de arrumar o cabelo,
10:27de passar um batom, de fazer uma unha, de cuidar dela mesma, né?
10:32E à medida que o acompanhamento, ele ia evoluindo e que aí a gente ia conseguindo mostrar para elas as
10:38possibilidades
10:38de conseguir sair daquela situação de violência em que ela se encontrava, ao final, ela já era uma outra pessoa.
10:45Ainda bem que tem a polícia, né, Coronel?
10:47Ainda bem que tem a polícia.
10:49E todo um sistema pronto para poder receber e dar sustentação dela.
10:52Muito obrigado pelo seu carinho, por atender o nosso convite e nos brindar com esses ensinamentos,
10:58com esse bate-papo aqui em Minas, viu?
11:00Eu que agradeço a oportunidade.
11:01Muito obrigado, gente.
11:02Aí, Coronel Cleide Barcelos, a comandante-geral da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais.
11:07Até a próxima.
11:08Tchau.
11:09Tchau.

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