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CANTORAS E COMPOSITORAS
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PessoasTranscrição
00:00Marily, as gêmeas, mas é Marisa Marinelli e Marily Kelsey, os nomes artísticos.
00:10Minha gente, são gêmeas iguaizinhas, não sei como é que diferencia, pela maquiagem são, porque, quem é Marily?
00:19Ela, sou eu.
00:20A de chapéu aí, rosa aí.
00:21E Marisa de branco aqui.
00:23De branco, pronto, vou decorar, viu?
00:24Que não dá pra diferenciar não.
00:26Então, elas são cantoras de forró, né?
00:29Tem uma banda, fala um pouquinho, mas antes da gente começar na música, eu queria que vocês se apresentassem.
00:35Quem é Marily e quem é Marisa?
00:38Bom, eu sou Marily, né?
00:41Irmã da minha irmãzinha Marisa, somos gêmeas, é, assim, a gente se ama muito, eu sei que a gente se
00:47ama, né, Izinha?
00:48Briga um pouco, né, porque gêmeas, gêmeas, acho que quem é mãe...
00:51Desde nova brigavam?
00:52Desde pequenininha, desde pequenininha, mas nunca, a gente nunca, é, descolou uma da outra, entendeu?
00:58Quando a gente era pequena, andava uma junto com a outra, assim, mão a mão no outro.
01:01Mesma roupa, vestia mesma roupa?
01:03Mesma roupa, mesma roupa, hoje a gente tá vestindo diferente, porque a gente cresceu e tudo, né, mas...
01:08Pequenininha, as mães de gêmeos, geralmente, colocam a mesma roupa na universidade.
01:11Às vezes a gente se veste igual assim.
01:13Igual, é.
01:13Uma vez teve, a gente fomos pra um, fomos tocar carnaval em Acaú, não foi?
01:19Resolveu meio do mesmo jeito.
01:20Cabelo com esse jeito, roupa do mesmo jeito, sapato mesmo.
01:23Ninguém sabia quem era quem.
01:24Ninguém sabia quem era quem, não é?
01:25Não, não sabia.
01:26Mas fala, vocês nasceram aonde? Fala aí pra gente.
01:28A gente é natural de Caporã, nascemos ali na, naquela maternidade de Caporã, né?
01:34A família da gente é toda de lá.
01:36De Caporã.
01:36É assim, alguns, os antigos, né, vieram aqui da banda de Pernambuco, né?
01:41E outros nasceram lá.
01:43Tem os pais, são de Caporã?
01:44Meus pais não são natural de Caporã, eles foram morar lá.
01:50Assim, a família da gente, a gente sabe que veio daqui de Pernambuco, né?
01:55Agora a gente nasceu lá.
01:57Eu, ela e meu irmão, a gente nascemos lá, né?
01:59São três.
02:00São três.
02:01Se for contar, assim, a história, antigamente a gente não podia nem sequer tocar nesse
02:06assunto, porque a gente já se desmachava em chuva.
02:07Ah, doía demais, mas a gente...
02:08Doía muito, mas assim, a...
02:10Esquecemos, né?
02:11O tempo e Deus faz a gente esquecer a sua.
02:13Mas por quê?
02:14Porque, assim, a gente veio de uma família muito sofrida.
02:16A galera de hoje, atual, que conhece a gente, não sabe.
02:20Não é porque era pobre, era porque era uma família sofrida.
02:22Mas a gente, a gente veio de uma família, a gente nasceu num lar muito sofrido.
02:26Eu posso dizer assim, eu e minha irmã nascemos num lar muito sofrido.
02:29E a gente, foi muito difícil em nossa infância.
02:32Um casamento tóxico, é assim?
02:33O meu pai e minha mãe, eles, assim...
02:36O meu pai, ele brigava com a minha mãe.
02:39Tóxico, certo.
02:40Separaram depois.
02:41E também...
02:42Minha mãe foi embora.
02:44A nossa mãe foi embora.
02:45E ela foi trabalhar, né?
02:48Em Recife.
02:49E a gente ficou com a avó da gente, que até hoje é minha avó, Dananoca, a nossa
02:52avó, que a gente ama demais.
02:54Tá viva ainda.
02:54Tá viva lá, maravilha.
02:55A gente agradece por essa avózinha.
02:59Vó, um cheiro pra senhora, tia neném.
03:02Antigamente, deixa eu explicar pro pessoal, antigamente tinha muito disso, né?
03:06As pessoas iam trabalhar em casas de família nas capitais.
03:10Tinham filhos e precisava deixar os filhos pra ir ganhar a vida.
03:13Pois é, verdade.
03:14Hoje, a gente já não vê muito isso.
03:17Hoje, as pessoas nem trabalhar querem.
03:19E aí, quando a gente diz sofrido, imagine pra sua mãe como foi sofrido ter que deixar
03:26os filhos, né?
03:27Os três, pra ir trabalhar na capital, né?
03:30Só que tem um porém.
03:31Ela ia e vinha.
03:33E aí chegou um tempo que ela não veio mais.
03:36Chegou um momento que ela não veio.
03:37Ela não veio mais.
03:38Ninguém sabe onde ela tá.
03:39Até hoje, a gente cresceu, casou.
03:42Eu tô com meu esposo, minha irmã tem os filhos dela, né?
03:45E meu irmão casou, foi embora.
03:47A gente passou aquele período difícil que a gente sofreu bastante.
03:51E a gente sofreu porque a gente já é uma fase adolescente sem mãe.
03:55O pai da gente morreu porque ele era alcoólatra, né?
03:58Bebia muito.
04:00E morreu, né?
04:02Por conta do alcoolismo.
04:03E a gente ficou um tempo com a nossa avó.
04:05E depois a gente ficou um tempo com as pessoas lá que...
04:10Ajudou, né?
04:11Adotou, né?
04:12A gente, mas também não foi um período muito bom.
04:15Porque a gente também, né?
04:16Sofreu bastante.
04:17Muita coisa.
04:18A gente não aguentava nem falar.
04:20Porque a gente, quando começava a falar nessa experiência,
04:22foi muito traumatizante pra gente.
04:24E assim, depois a gente fica mais adolescente.
04:26Depois que o pai morreu, aí a gente fica sozinha.
04:28Três adolescentes.
04:29Imagina.
04:29Três adolescentes numa casa.
04:31Ficamos dentro de uma casa nós três.
04:32Sozinhos sem ninguém, né?
04:33Sem pais, sem mãe, sem ninguém mais.
04:34E tua avó tava onde?
04:36A minha avó ficava lá na casa dela.
04:38Só que a minha avó não sei.
04:38Ah, vocês ficaram na casa de vocês.
04:41Eu fiquei na casa do pai da gente.
04:42Foi criado com ela pequeno, né?
04:43Às vezes vem porque elas são muito alto astral, viu?
04:45Quando entraram aqui na...
04:47As duas são muito alto astral.
04:49E às vezes as pessoas não sabem o que é que tá por trás.
04:52Pois é.
04:53Às vezes assim, eu digo assim,
04:54às vezes as pessoas passam na rua sorrindo,
04:56mas não sabem o que...
04:57Não sabem o que acontece.
04:58O que aconteceu.
04:59É verdade.
04:59E quem nos vê hoje, entendeu?
05:01Quem tá vendo hoje...
05:03Não tem noção.
05:03Não tem noção do que a gente já passou lá atrás.
05:06Que vocês poderiam ter pedido pra ser tudo de errado.
05:10Tudo de errado.
05:10Não, a gente teve pra ter tudo de errado.
05:13Tudo de errado.
05:13Tudo de errado.
05:14Porque, que nem ela falou, né?
05:16Três adolescentes dentro de uma casa.
05:18Podia fazer o que quisesse.
05:19Se fosse hoje em dia, era um grande tendência.
05:21Eu acho assim...
05:22E a gente teve convite pra essas coisas.
05:23Que foi primeiro Deus na nossa vida.
05:25A gente teve.
05:25Que a gente não aceitou nada disso.
05:27A gente sofreu ali.
05:28Sofreu mesmo.
05:29Passemos fome.
05:30Dormia no chão.
05:31Porque...
05:31Mas não tem vergonha de dizer isso, não.
05:33Não, a gente não tem vergonha de dizer isso.
05:34Que isso, vocês são guerreiros demais hoje.
05:36Até porque, assim, não só a gente já passemos por isso,
05:39mas muita gente aí também passou por isso.
05:41Ainda passa hoje, né?
05:42E eu vou lhe dizer uma coisa, aí isso aí fica traumas.
05:45Eu não vou dizer que não fica, porque fica traumas, entendeu?
05:47Mas, assim, eu acho que vai de cada um.
05:50De cada um.
05:50Meu irmão, o irmão da gente não superou isso, né?
05:53Ele não gosta nem que fale nisso.
05:55A única coisa que ele superou foi fazer menino.
05:58Foi fazer menino.
05:59Pra não correr o risco de ficar só.
06:03Isso aí.
06:03De ficar só, não é?
06:04É verdade.
06:04Por quê?
06:05Então, assim, a gente...
06:06Chegou um tempo que eu e ela olhamos...
06:08Tu tem quantos filhos?
06:09Eu tenho quatro.
06:10Em minha nossa, também.
06:11Chegou um tempo que a gente olhou uma pra outra, assim, e disse, assim,
06:14sabe de uma coisa?
06:15A gente não vai mais chorar por conta disso.
06:19Isso já passou.
06:20Estudaram?
06:21Foi passado.
06:21Estudou, mas em termos não.
06:23A gente estudou o quê?
06:24Até o primeiro...
06:25Até o primeiro.
06:26O primeiro desistindo.
06:28Foi.
06:28E, assim...
06:29Falta terminar o segundo grau.
06:31A gente olhou uma pra outra e disse que a gente não ia mais sofrer com isso.
06:34E a gente esqueceu isso, conseguimos...
06:37Superar.
06:38Se livrar.
06:39Superar.
06:39Não, é superar.
06:40É superar.
06:41Parece trauma e bola pra frente, assim.
06:44Porque teve fases difíceis, mas também teve fases boas.
06:48Fases boas também.
06:48Não foi só tão...
06:49Não foi só...
06:50Tu teve filho com quantos anos?
06:51Olha, você até é uma vergonha.
06:53Sabe que eu não sei nem...
06:54Você teve filho muito novinha, hein?
06:56Acho que uns 15, por aí, assim.
06:58Foi.
06:59Minha gente, começou novinha.
07:00Novinha.
07:01Inclusive, o pior que quando eu subi, eu fiquei com raiva dela, né?
07:05Porque a gente era tão bobalhada.
07:06O meu mais velho tem 29.
07:07As regras, a gente vinha junto, igual.
07:10Aí, a gente era bem magrinha.
07:11Eu vestia 38, ela vestia 36.
07:14Ela era mais magrinha que eu.
07:15Aí, quando ela foi vestir o chato dela, não tava votoando, né?
07:18E tu, cês bem ligada.
07:19E eu sem saber.
07:20E ela sem saber por que que a gente ainda era abobalhada ainda.
07:23Eu não sabia que fazendo aquele jeito, dava em menino.
07:27Não, mas quando eu conto, justamente quando eu conto que eu realmente não sabia que eu tava,
07:34muita gente acha que é mentira, mas não é, minha gente.
07:37Não é.
07:37Aí, a gente dormia junto e acordava junto.
07:39Aí, de manhã, bem cedo, eu botava a mão na minha barriga.
07:42Alguma coisa estranha.
07:43Bota tua mão aqui.
07:44Tem uma bola aqui.
07:45Ela, tô vendo, lido.
07:46Cara, eu não sei, não.
07:48Mas eu já tava grávida já e não sabia.
07:50E não sabia.
07:51Do meu primeiro filho.
07:51De Eric, né?
07:51Inclusive, eu quero mandar um beijo aí pros meus filhos.
07:54Eric, Emanuel.
07:56Alison e Emanuel.
07:57Minha linda filha.
07:58Minha flor.
07:59Chama minha rosa.
07:59E Marisa.
08:00A novinha, a última é a menina.
08:02É a última, é a Emanuel.
08:03Mas ela já tá casada já.
08:04Mas é muito linda a minha filha.
08:05A minha filha é muito linda.
08:06Todos já adultos?
08:07Todos.
08:08Adultos todos juntos.
08:09Só a Alison que mora comigo ainda.
08:11Em Cochadão, meu mais velho.
08:12Ah, mas esse trauma já superado.
08:15É.
08:15E como foi que chegou a música?
08:17Pararam de estudar no nono ano.
08:19Foi.
08:19Nada ainda ali atrapalha pra terminar, viu?
08:22Tem o sal de Ejo agora.
08:24A música, ela já vinha com a gente desde pequena.
08:27A gente já gostava.
08:28Porque a gente já gostava desde criança.
08:29Sabe aquela coisa que a gente ficava na frente de um espelho?
08:33Aí a gente, na época tinha o cabelo pequeno.
08:36A gente pegava uma blusa.
08:37Usava umas blusas aqui.
08:38Amarrava.
08:39De cabelão.
08:40E fingia que era cabelo, né?
08:41Aí começava, a gente começava a cantar.
08:44Começava a cantar.
08:44Aí, quando não era isso, eu, né?
08:47Assim, eu não via ela fazer, mas a gente pegava muito, assim, um maracujá, um negócio.
08:54Botava, fazia o microfone.
08:55Eu fazia também.
08:55Eu fazia também.
08:56E ficava fazendo dos matos a plateia.
08:59A gente dizia assim, não, a gente vai cantar não.
09:01Vamos brincar hoje de programa.
09:02Bora entrevistar as pessoas.
09:04Entrevista.
09:04E a gente fazia, brincava como se fosse, como se as plantas que tivessem ali de lado fossem as pessoas.
09:10As pessoas.
09:10E engraçado que era com o intervalo todo de tomar água, sabe?
09:15E ali a gente ficava, mas a gente gostava mesmo era de cantar.
09:18Porque eu me lembro, naquela época, assim, chegava muito circo antigamente, né?
09:22E tinha sempre as matineiras da tarde, né?
09:26E o circo convidava.
09:27E quando a gente não tinha dinheiro pra ir.
09:29Mas a gente entrava.
09:30A gente entrava, passava por baixo da lona, se escondia, mas entrava.
09:34Aí o homem dizia assim, olha, hoje aqui quem cantar melhor vai ganhar um brinde, vai ganhar uma boneca.
09:41E aí a gente ia lá e pegava a fichinha pra cantar.
09:43O ingresso pra ir no outro dia, não era?
09:45O ingresso pra ir no outro dia.
09:46Aí a gente cantava, aí a gente ganhava.
09:48Tem umas pirralhas lá na rua da gente que elas detestavam a gente.
09:50Porque toda vez que a gente ia, a gente ganhava delas.
09:52Há uma vez aí...
09:54Tinha disputa.
09:54Aí eu fui cantar a música da Xuxa, aquela hilária, hilária, hilária.
09:58Aí eu fui, virei o microfone.