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  • há 2 dias
O segundo episódio da série Desmistificando a Geração Z investiga como as redes sociais moldam a maneira como os nativos digitais da GenZ se relacionam com o mundo e o consumo, ao mesmo tempo em que provocam uma onda de detox digital e a revisão dos rituais dentro e fora das telas.

Categoria

Pessoas
Transcrição
00:00A geração Z, ela é provavelmente a primeira que nasceu com redes sociais já existindo no dia a dia da
00:08vida deles.
00:09Então, é um indivíduo que tem as redes sociais fazendo parte do seu dia a dia de uma forma muito
00:17intrínseca,
00:18que inclusive acho que é difícil para eles dizer quantas horas do dia ele usa redes sociais.
00:30Eu já cheguei a falar que essa é a geração WhatsApp, porque o WhatsApp tem um design de canal de
00:37comunicação
00:37que interfere um pouco na forma de usar e vai criar comportamentos de uso, como, por exemplo,
00:46num WhatsApp você não encerra uma conversa como você encerra num telefone.
00:51Então, a gente criou uma geração acostumada a conversar com as pessoas numa conversa infinita,
00:57que vai continuando e que quase nunca se encerra.
01:01Então, a gente não aprende a fazer isso também.
01:03Então, são pessoas que se acostumaram a construir uma comunicação que sempre é mediada por uma plataforma,
01:12por esse meio digital, por uma tela, e que nunca se encerra.
01:19Quando a gente olha o Brasil, eu tenho diferenças econômicas, regionais,
01:24que impactam muito esse consumo da geração Z.
01:26Então, eu vou te dar um exemplo.
01:27Se a gente tem um jovem em São Paulo, de renda alta, com acesso a smartphone,
01:35a TV conectada, aos streamings, ele tem um comportamento.
01:38Se eu tenho um jovem da mesma geração, no interior de determinada região,
01:43com uma classe social diferente, sem tanto acesso à tecnologia,
01:47o comportamento dele pode ser diferente.
01:49Tem um ponto da geração Z que é uniforme entre todos os segmentos,
01:55que é o acesso às redes sociais.
01:57Então, realmente, o consumo de rede social, ele vem muito forte em todas essas camadas da geração.
02:04E o que eu acho que é o grande diferencial quando a gente analisa esse grupo?
02:10Ele não tem a rede social só como social.
02:16Ele tem quase como uma infraestrutura da vida cotidiana dele.
02:22Então, ele não entra lá para conversar.
02:25Ele entra para se informar, para entreter, para trocar, para estudar.
02:31Então, a rede social, ela entra na vida dele de uma forma diferente da qual entrou nas outras gerações.
02:38Como eles se organizam em micro comunidades, né?
02:40Então, assim, diferente de outras gerações que tinham até um acesso mais restrito ao computador, ao celular, né?
02:47Eles tinham essa base que era muito mais próxima do estilo de vida mesmo, né?
02:51Então, assim, você pensa uma pessoa que é uma geração boomer, um millennial,
02:55ele tinha ali quase que um cerceamento, assim, né?
02:58Então, você se pareava dentro ali dos grupos do amigo do Facebook,
03:01quem que estava na sua escola, quem que estava na universidade.
03:04Enquanto, para a Gen Z, né? E com a globalização massiva, eles conseguem trazer isso por um outro ponto de
03:09vista.
03:10Que agora é muito mais a partir das minhas paixões pessoais, né?
03:13Então, assim, o que eu acredito, os meus valores e muito menos sobre quais são as ligações físicas que eu
03:20tenho com as pessoas, né?
03:21Se a gente pega, por exemplo, o 6-7, né?
03:23Ele pega um momento ali super específico de um jogo que estava acontecendo
03:26e aí tudo isso é empregado em cima de vários outros espaços, né?
03:30Então, essa vontade de dar significado de novo, de fazer de uma outra maneira,
03:35de reinterpretar uma coisa, assim, é muito natural deles, né?
03:37Então, eles conseguem ter e administrar as referências de um jeito muito mais dinâmico que as outras gerações.
03:44Essa geração, ela tem essa particularidade de ser também a primeira
03:48que tem uma noção mais crítica sobre o uso das redes do que as gerações anteriores.
03:53Então, é uma geração que viu, por exemplo, os seus pais usando demais as redes sociais para se expor
04:02e via nessa exposição, inclusive, uma forma de existência.
04:08A geração Z é uma geração que, inclusive, ela usa as redes sociais mais para consumir do que para se
04:16expor, para publicar.
04:17Já por conta dessa visão crítica, pelos males do excesso da exposição.
04:25Mas, ao mesmo tempo, é uma geração que usa essas plataformas como um canal de comunicação
04:34e de relacionamento com o mundo exterior.
04:37Então, ela tem a ciência crítica sobre os excessos desse espaço,
04:45mas percebe uma dependência muito grande dela.
04:48Então, é uma geração que, sim, que usa muito,
04:51mas, ao mesmo tempo, também é a geração que criou a ideia do detox digital,
04:57de vez em quando, é o 880.
05:00Usa no dia a dia, em algum momento, define que eu vou ficar um mês sem usar
05:04porque eu preciso de distância dessa plataforma.
05:07Isso não significa que eles são diferentes ou rebeldes.
05:13Isso significa que eles têm outro mundo para encarar
05:16e esse mundo precisa de uma resposta.
05:19E a maneira que eles têm encontrado é de viver dentro dessa tensão,
05:22viver entre os polos.
05:26Acredito que tenha, sim, uma preocupação deles com o próprio excesso desse uso de tela,
05:31mas também existe uma preocupação muito grande
05:34de construir outro tipo de ritual ao vivo, presencial, assim, né?
05:38E estar junto.
05:41Tanto que, sei lá, se a gente olha para o próprio Roblox, né?
05:44Ano passado, a gente teve o Lollapalooza
05:46e aí, acho que duas semanas depois, a gente teve o Roblox Palooza
05:50com os mesmos artistas.
05:52E é uma dinâmica super intensa, assim, né?
05:54E complexa, porque lá eles têm a administração do Lollapalooza Roblox,
05:58a administração e a bilheteria e a pauta de artistas.
06:02Então, é isso, assim, né?
06:03Eles vão criando mundos dentro de mundos
06:06e fazem isso tanto online, tanto presencial, enfim.
06:10E aí vira uma mistura que eu acho que a gente está aprendendo
06:14conforme acontece, assim, né?
06:16Não existe exatamente ainda uma resposta exata
06:19para essa dicotomia, assim, né?
06:21Que está colocada.
06:22As redes sociais têm um papel diferente,
06:25é uma jornada diferente no papel de compra da geração Z.
06:31O jovem, no geral, o que ele faz?
06:33Ele conhece um produto no TikTok,
06:36ele entra no Instagram da marca
06:37para entender como a marca se posiciona,
06:41ele vai ver um review no YouTube,
06:43ele analisa nas buscas o que se fala,
06:48ele compra.
06:49Então, assim, a jornada da compra da rede social,
06:53a jornada do contato de marca
06:54nas redes sociais para a geração Z,
06:57ela é diferente.
06:58Ela é muito mais ativa do que passiva, né?
07:02Então, ele participa de todas essas frentes.
07:05Tanto que outro indicador que a gente vê nos nossos dados
07:08é a importância, por exemplo,
07:10de creators e influencers nessa conversa.
07:13O quanto que eles também impactam nessa discussão, né?
07:18E, ao mesmo tempo, não é uma geração
07:20que ouve o que eles falam e aceita.
07:23Por quê?
07:24Porque eles têm muita informação,
07:25eles trocam muita informação
07:26e compartilham muito dessa história.
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