Avançar para o leitorAvançar para o conteúdo principal
  • há 1 hora
Transcrição
00:00Este sou eu.
00:02E esta é a Susana.
00:04A nossa vida era perfeita e íamos ter a casa dos nossos sonhos.
00:07Até que um ladrão nos roubou o nosso dinheiro.
00:09Estou a falar do pai dela.
00:12Aí tivemos que viver com a sua família.
00:14Com a mãe da minha namorada, que me quer ver morto.
00:16Com a tia solteirona, que precisa de marido.
00:18Com o irmão, que precisa de um cérebro.
00:20Com os filhos do irmão, que adoravam ter outro pai.
00:22E com o avô, que é o dono da casa e nos quer ver a todos pelas costas.
00:31Estes sonhos mata.
00:33Nunca um apelido ficou tão bem em uma família.
00:37Para, para, para.
00:38Mas porquê?
00:39Por causa do meu hálito.
00:41Eu sabia que não devia ter posto cebola na comida.
00:44Não, não, não é bem.
00:46Também, um bocado, sente-se um bocado.
00:48Eu não posso fazer isto.
00:50Oh, pal, chitado como tu estás.
00:52Tu podes e deses.
00:54Tu és, Sara.
00:56Tu és uma mulher espetacular, fantástica.
00:58Qualquer homem gostaria de namorar contigo, mas eu não posso.
01:01Mas eu quero tanto.
01:03Não, para, para.
01:05Eu quero a Susana.
01:07Desculpa.
01:08Eu...
01:09Ela é a mulher da minha vida.
01:10Entendes?
01:12Eu vou recuperá-la.
01:13Agora mesmo.
01:15Vou recuperá-la agora mesmo.
01:21Não partam-te aí só para uns segundos.
01:23Tenho de trocar de roupa.
01:31Mas a vossa visita, que é uma surpresa, podiam ter avisado.
01:36Mas nós queríamos que fosse uma surpresa, meu olho.
01:40Pois, pois.
01:41Bom, e foi.
01:43Mas vocês não vêm a Portugal, Braia?
01:46Há uns 10 anos e aparecem assim de repente.
01:49Então, aparecemos quando pudemos aparecer, como é óbvio.
01:54Aliás, eu devo dizer, quando fomos para o Brasil, ofertei-me de trabalhar.
01:58Era trabalho por todo lado.
02:00Reuniões para aqui, reuniões para lá.
02:02Ai, aquele Lula é cão chato.
02:05Era vasco isto, vasco aquilo.
02:08Ah, tu lidavas com o Presidente?
02:10Ah, sim.
02:11Bom, nós éramos como unha com carne.
02:14Ah, bom, então o negócio das carnes deve estar muito bem, não é?
02:19Oh, está de vento em poupa.
02:21De vento em poupa.
02:22Olha lá, e tu continuas a vender t-shirts, é?
02:25Não, pai.
02:27Não?
02:27Não.
02:28Então, aquele negócio que eu tinha das t-shirts de Expo 98, já acabei com isso há uns 6 ou
02:347 anos.
02:35Ah, sim?
02:36Sim, eu agora dedico-me ao abastecimento e fornecimento de serviços para necessidades fisiológicas,
02:46com posterior tratamento e acabamento de resíduos, que é um negócio que está a dar.
02:55Está, está.
02:56Sim, já, já, já estou a perceber, estou a perceber, mas afinal o que é que tu vendes?
03:00É, maquinaria, produtos químicos, tecnologia.
03:05Ah, ultimamente vendemos mais, ah, sanitas.
03:11Sanitas.
03:12Sanitas.
03:12Sanitas.
03:13Ah, quer dizer, andas a vender retretes.
03:17Sim, mas das boas.
03:19Ah.
03:19Das boas.
03:20Nós até somos fornecedores da Casa Branca.
03:24Sim, eu trato diretamente com o Obama.
03:27Pois, não deixa de ser um negócio de...
03:29Faz, faz que tu és muito mauzinho.
03:33Eu não percebo porque é que tu estás a rir.
03:35Tu começaste a varrer num supermercado.
03:38Ah, ah, ah, aí parou.
03:40Aí parou, Lúcia, não foi bem assim.
03:42Não.
03:43Eu era ajudante de higiene de um departamento de limpeza de um shopping center.
03:50Depois arranjei os meus negócios, não é?
03:52E agora tenho uma rede de lojas espalhadas por várias cidades.
03:56Sim, nós sabemos.
03:58Eu peço imensa desculpa, mas a Susaninha já está deitada.
04:02Já não vão poder vê-la hoje.
04:03Ela está com um grande desgosto de amor.
04:05Felizmente descobriu que o homem com quem ia casar era um traste.
04:08O homem.
04:10O coisito.
04:10Há tanto tempo que não a vemos.
04:13Ah, mas vão vê-la amanhã com certeza.
04:15Ela está muito gira.
04:16Ai, ainda bem, ainda bem.
04:19Ainda bem que ela saiu.
04:22Aqui é o meu Arturzinho.
04:24Mãe.
04:26Já não precisa comer.
04:28Eu vou levar a bandeira.
04:31Artura.
04:33Bora.
04:37É só um momento.
04:38Espera.
04:39Espera.
04:39Espera.
04:39Espera.
04:43Espera.
04:44O que é que se passa, amor?
04:47Não.
04:48É o poeta.
04:49Não.
04:50Mas tens que aguentar.
04:52A estadia deles no Brasil modificou-os.
04:55Para melhor.
04:56Estão a gozar, hein?
04:57Eles já começaram a implicar comigo.
04:58Sim, mas agora não gritam contigo.
05:00Só dizem piadas.
05:01É melhor ou não é?
05:02Com o devido respeito que eu tenho aos teus paizinhos,
05:05eu quero que vocês vão lixar todos.
05:06Glória, Glória, Glória, por favor.
05:09É uma visita.
05:10São só cinco minutos.
05:12Oh, filho, eu queria falar contigo.
05:14Sabes, é que eu acabei agora mesmo de fazer um telefonema para o Ritz.
05:18E eles disseram-me, como já tinha passado a hora da confirmação do quarto,
05:23já não tenho quarto.
05:25Portanto, não há problema se ficarmos cá esta noite, pois não.
05:28Não.
05:29Ah, muito obrigado.
05:31Não, claro que não há.
05:44Como é que eu fiz isto?
05:49Onde é que vais com a coleção?
05:51Vou me dar de quarto, o meu está cheio.
05:53Ah, deixa-me passar.
05:55Ah, bem.
05:55Estou, estou, estou, entra lá, estou, entra lá, não é?
05:57Mas eu preciso ir falar com a Susana, vá lá.
05:58O quê?
05:59Mas o que é que vai ser isto?
06:00O que é que tu estás aqui a fazer, ah?
06:02Vais falar com a minha filha?
06:03É que nem te passe isso pela cabeça depois do que tu fizeste.
06:06O quê?
06:06Não está a falar de quê?
06:07Estou a falar de quê?
06:08Não te armos em par, não te faças sonso.
06:11Ela viu-te com a secretária.
06:13O quê?
06:14Eu tenho de falar com a Susana.
06:31Não, não, não, não, não.
06:36Eu ontem provei o teu café e levei a noite inteira às voltas com o estômago.
06:41Mas há alguma fecha?
06:42Sim, também.
06:44Levantei-me com o corpo todo dorido.
06:46Mas que raio de colchões é que vocês têm aqui em casa?
06:49Falar em colchões, ovo.
06:51Tu conheces o Pelé, não conheces?
06:53Claro que conheces o Pelé, filho.
06:55Então, mas agora deixa-me comer com um pás de suicídio, está bem?
06:59Por que é que nunca vieram ver-nos?
07:01Porque o Brasil é muito longe, minha querida.
07:04Mas tivemos sempre atentos ao modo como cresciam.
07:08O teu irmão está exatamente igual à foto que eu tenho dele.
07:13Só que ele não é meu irmão, é meu namorado.
07:21O Vasco e a Lúcia.
07:23Há muito tempo, hein?
07:26Lúcia, tu estás cada vez mais sensual.
07:30Está muito sensual a Lúcia.
07:36Glória, o teu pai tem que terá-te a estudante.
07:43Olha, a Mónica.
07:45Ai, que saudades.
07:47Sabes que eu nunca me esqueci de uma cara bonita como a tua.
07:50O Rafael já veio.
07:51Ele não dormiu cá em casa.
07:53Eu desde as seis da manhã que já colhi os hospitais todos e nada de nada.
07:55Mas o que é que aconteceu ao meu Rafael, meu Deus do céu?
07:58Olha, o Arturo, te diga.
07:59Aquilo que nós mais temíamos, aconteceu.
08:02Ele fugiu com outra.
08:03Não, não.
08:04A segunda pior hipótese...
08:06...da preço.
08:07O quê?
08:08Mas o que é que ele fez?
08:09Ele foi apanhado a roubar o armazém.
08:11O quê?
08:12Sim, ele tinha tudo planeado, Mónica.
08:14Ele seduziu-te, meteu-se cá em casa,
08:17ganhou a nossa confiança,
08:18roubou-me as chaves e ia roubar o armazém.
08:21Eu também fui apanhado de surpresa.
08:23O quê?
08:24O meu pai também apareceu na outra vez.
08:25Está, filho.
08:27Olha, tu já acabaste o pequeno almoço, não foi?
08:29Está lá, rua.
08:30Rua!
08:32Já estou forte desta causa, vamos até com a minha avó.
08:34Os senhores não podem expulsar, assim eu não fiz nada.
08:38Também já estás a levantar muito cabelo.
08:42Afinal, ele nunca gostou de mim.
08:46Ele usou-me.
08:48Ele usou-me.
08:51Estás bem, tia?
08:52Estou.
08:53Estou bem.
08:56Uma pessoa vai-se habituando com estas coisas.
08:59Agora sou muito mais forte.
09:02Muito mais forte.
09:03Muito mais forte.
09:20Ana, eu juro-te.
09:23Não ouve o que eu tenho para te dizer.
09:27Aquilo foi uma confusão.
09:28Ela atirou-se a mim, a maluca.
09:29Eu nem sequer tinha um hálito, a cebola.
09:33Isso não interessa.
09:34Mas tu és a única mulher da minha vida.
09:37Eu amo-te.
09:39Sim.
09:40Se ouvires esta mensagem ou as outras 27, liga-me, ok?
09:44Isto não vai dar em nada.
09:45Isto não é maneira de recuperar uma miúda.
09:47Estás a asfixiá-la.
09:48Já, o Ruben tem razão.
09:50Tens de lhe dar espaço.
09:51Estás a ver, Paulinho?
09:52Olha, à minha vizinha.
09:54Eu mandava-lhe flores, perseguia-lhe na rua, ligava-lhe de 15 em 15 minutos, fazia-lhe
09:58esperas à porta de casa.
09:59Mesmo se ela só me chamava nomes, as miúdas são tipo irracionais, estás a ver?
10:04Não, eu tenho que falar com ela, tenho que lhes mostrar que não há nada entre mim e a Sara.
10:09Bom dia, fábrica Ferpasa.
10:10Sim, é aqui.
10:11Sr. António Cardoso.
10:12Sou eu.
10:14Não, eu é que sou o António Cardoso.
10:16Sou o António Cardoso pai.
10:18Ele é o António Cardoso...
10:19Diz bem.
10:20Filho.
10:20Diz bem.
10:27Ora, deixa-te cá ver.
10:28E este ano veio a garrafa de whisky que normalmente costuma vir.
10:34Minha filhaça, olha lá.
10:38Arthur, que cabazza é esse?
10:40Isto é uma empresa que no seu aniversário manda cabazes destes espetaculares para os seus fornecedores.
10:45Mas aqui não é a Ferpasa e nós não somos os fornecedores dele.
10:48Pois não, eu sei a morada enganada.
10:50A isso chama-se roubar.
10:53Lá está ele com roubar.
10:55Nós só não somos fornecedores deles, porque eles não querem.
10:59Eu corto os aperitivos.
11:02De que mexe?
11:09Glória, vê esta maravilha que eu trouxe.
11:17Achas que é com isto que eu vou alimentar a nossa família?
11:21Mas sempre é uma ajuda, Glória.
11:23Não fiques assim.
11:25Eu posso comprar mais qualquer coisa.
11:27Olha, e que o presunto que o Jorge ofereceu...
11:31Oh, Arthur, ao que nós chegámos, a comer o calha sem dinheiro nenhum.
11:35E tu pensas que eu não vejo isso?
11:37Tu pensas que eu gosto disto?
11:38Os teus pais têm tanto dinheiro, podias-lhes pedir.
11:42Não, não, não, nem pensas nisso.
11:44A última vez que eu pedi dinheiro ao meu pai foi para casa.
11:47Ele nem sequer me ouviu.
11:48Eu jurei para nunca mais.
11:49Também juraste que eles nunca mais capunham os pés e eles ali estão.
11:52Olha lá, são só os milhareszinhos que não lhes fazem falta nenhuma.
11:56E eu não as fazem.
12:04Ouve lá.
12:06Não é?
12:06Quando é que tu resolves dizer ao teu filho que estamos arruinados?
12:11Até parece que te esqueceste que viemos do Brasil para lhe pedir dinheiro.
12:15Oh, Lúcia, tu sabes, ele é o nosso filho e ele faz-me confusão pedir-lhe dinheiro.
12:21O que é que tu queres que eu faça?
12:22Ah, pois, tens medo.
12:24Que ele perceba que és um fracassado.
12:27Ai, meu querido filho, meu querido filho, que foi o único que teve êxito nos negócios.
12:33Ah, ah, ah, ah.
12:34A vender de sanitas é ter êxito?
12:37É, claro que é.
12:39É melhor do que tentar vender apartamentos de luxo que não se sabe onde é que ficam.
12:44Olha, acabou a conversa, está bem?
12:45Acabou a conversa.
12:46Estás sempre a criticar, sempre a criticar.
12:48Oh, senhores, não para, estou...
12:50Pois estou.
12:51E aí te criticar sempre até seres homenzinho e ires pedir o dinheiro ao Arthur.
12:55Ah, é?
12:55É.
12:56É, é isso que tu queres que eu faça?
12:57É.
12:57Então eu vou fazer.
12:58Fica descansada que eu vou fazer.
13:00Mas agora acabou a conversa.
13:01Ah, está bem?
13:03Senhores.
13:07Não, não, senhor padre, nunca saiba já a boda.
13:10Deixe só o nome do noivo em branco.
13:12E depois logo vemos.
13:14Sim, nunca se sabe.
13:16Com certeza, senhor padre.
13:18Muito obrigada.
13:20Há coisas que nunca mudam.
13:22Sempre a mesma beata.
13:24Quando morres, não vais para o inferno.
13:26Fica descansada.
13:27Pudera, já lá estou.
13:33Vá cá.
13:34O que é que tu tens?
13:35Estás bem?
13:35Estou bem.
13:36Estou a sério.
13:39Sinto-me tão ligeira.
13:44E o Rafael é um ser maravilhoso.
13:49Apesar de me ter deixado, não merece morrer por isso.
13:55Pensem comigo.
14:00Ai, tens que me dizer quais são os antidepressivos que dás à tua irmã.
14:03Vou já comprar cinco ou seis frascos.
14:05Rasta um frasco.
14:07Mónica, olha para mim.
14:09Mónica!
14:10Tu tomaste o...
14:11Tu tomaste o frasco em tanto os comprimidos.
14:14Oh, Glória, para de me donar que entre os antidepressivos e o uísque e o meu estômago estás voltas.
14:20Oh, pai!
14:21Deixemos já uma ambulância.
14:36Estás bem?
14:38O que se passa é que a Susana nos viu a beijar.
14:42A sério?
14:43E deixou-te, foi?
14:45Espero bem que não.
14:47Ok, Paulo, eu percebo.
14:49Se tu gostas dela, tu ficas com ela.
14:51Pois, mas ela agora não quer falar comigo.
14:53Oh, Paulo, então que filho é isto?
14:54Tu tens de refazer...
14:55Desculpa lá, desculpa lá, mas não pode ser.
14:57Não pode.
14:58Eu não quero deixar a Susana.
15:01Desculpa.
15:02Desculpa eu.
15:03Eu beijei-te sem intenção.
15:06Um abraço, despedida?
15:08Sim, pode ser.
15:11Desculpa.
15:12Desculpa.
15:20Desculpa.
15:20Se tu pregaste-nos cá um susto, se tu voltas a tentar suicidar, quem te mata sou eu.
15:27Está viste?
15:28Olha, fizeram-me uma lavagem ao estômago ou não?
15:30Não foi preciso.
15:31Ela borrou-se toda na ambulância.
15:32Ih, que nojo, tia...
15:37Eu não tenho uma razão para viver.
15:39Os homens desprezam-me.
15:41E quando eu encontro um que me trata como uma rainha só para me utilizar, eu nunca vou ter um
15:46homem que hoste-me em sério.
15:48Oh, Mónica, a tua felicidade não pode depender dos homens.
15:53Tu lembras-te quando eras pequenina?
15:55Tinhas ambições, tinhas sonhos.
15:57Olha, quando tu querias ser bailarina, depois cresceu-te o peito e caías.
16:01Será porque eu queria fazer-me ao professor de balé?
16:03Não sabia que ele era gay?
16:05Mas tens de arranjar um móvel?
16:07Qualquer coisa para fazer, um desporto ou assim?
16:09Ai, os ginásios estão sempre cheios de homens que cheiram a cavalo.
16:13Tu lembras-te, Glória?
16:15Quando eu era pequenina, eu adorava cantar.
16:18Lembras-te?
16:19Lembro, lembro-me.
16:20Estavas sempre agarrada ao órgão, não era?
16:22E depois cantavas.
16:24Então...
16:24Por que é que não voltas a fazer isso, a cantar?
16:29Ela tem uma boa voz.
16:30Achas?
16:31E tu, Glória, o que é que tu achas?
16:33O que é que eu acho?
16:36Acho...
16:38Acho bem.
16:39Acho que tu tinhas uma voz.
16:41Pronto, então é isso.
16:43Eu vou-te arranjar um órgão e vais ver que ficas bem.
16:54O quê?
16:55Ai, tu não me digas.
16:56Tu não me digas que vai passar por cima desse terreno.
17:00Ai, mas isso é uma ótima notícia, meu caro amigo.
17:04Tu compras já esses terrenos, pá.
17:06Eu vou fazer uns contactos.
17:09Isso.
17:10E amanhã ligo-te.
17:12Está bem?
17:14Ok, ok, ok.
17:15Um abraço para ti, pá.
17:17Um abraço.
17:18Adeus, pá.
17:19Ai, este governador do Rio é um brincalhão.
17:24Tem cada coisa.
17:25Tu conheces o governador do Rio de Janeiro?
17:29Claro, conheço.
17:30Então a gente trabalha muitas vezes juntos.
17:33E estavas a falar de quê?
17:36Há várias coisas.
17:37Sabes que há muitos milhões em jogo.
17:40E sabes, no mundo em que eu me insiro,
17:44a descrição é fundamental.
17:46Pois, pois.
17:48Bem, mas eu vou-te contar a ti que não está cá ninguém.
17:52Vão construir uma estrada,
17:54nos terrenos baldios.
17:56É uma oportunidade de ouro.
17:59Ah, sim?
18:00Sabes que há muita gente grande metida nisto.
18:02E agora lembrando-me de uma coisa.
18:04Como tu és meu filho,
18:06pode ser que eles te deixem entrar, não é?
18:09Mediante assim uma quantia simbólica.
18:11Cinquenta mil euros.
18:13E em pouco tempo tu ficas a nadar em ouro.
18:17Ouro.
18:18Nadar em ouro, não é?
18:19Ouro.
18:21Ouro.
18:22Pai, pois, mas sabes,
18:24o problema é que eu neste momento
18:26estou metido aí num negócio
18:28que vai gerar milhões.
18:30Aê.
18:31Negócio que vai-te.
18:35Automóveis chineses.
18:36O quê?
18:37Brinquedos?
18:38Não, pai.
18:39Automóveis a sério.
18:41Tu sabes melhor do que eu
18:42como está a indústria automóvel chinesa, não é?
18:44Olha, isso é que era um negócio para ti.
18:46E tu investias trinta mil euros
18:48e em menos de um fósforo
18:49tu triplicavas essa verba.
18:51Parece-me bem.
18:52De facto,
18:53a indústria móvel chinesa
18:56parece-me bem.
18:57Mas sabes,
18:58é que um negócio está,
18:59sabe,
19:00está precisado de muita urgência.
19:02Pois.
19:02E eu tenho que andar rápido.
19:04Pois.
19:04Senão eu tenho que entrar ou sair.
19:07Pois.
19:07Tu promete-me,
19:08promete-me, filho,
19:09que vais pensar no assunto.
19:10Vou, vou.
19:11Maduramente.
19:12Sim, sim, pai.
19:13Vou pensar.
19:13Mas olha que este negócio
19:14também precisas de ser muito rápido,
19:16não é?
19:16Pensa nisso.
19:17Ah, não.
19:17Claro que vou pensar,
19:18olha,
19:19eu vou pensar até dormir.
19:21E tu faz a mesma coisa.
19:22Isso.
19:23Cabeça.
19:24Sim.
19:24Vai funcionar.
19:25Claro.
19:26Claro.
19:34Posso?
19:43Como é que está
19:43a flor mais bonita desta casa?
19:47Murcha, pai.
19:48Murcha.
19:49Olha,
19:49tu estás a beber.
19:52Ginho tónico.
19:53Quem me lida...
19:54Não, não, pai.
19:55Já bebes-te mais?
19:58Tu estás assim
19:59por causa do Paulo, não é?
20:00Tu não me fales o Paulo.
20:01O Paulo não me interessa para nada.
20:03Ouve, filha.
20:04Não, é se ele tinha algum problema.
20:05Viesse a falar comigo primeiro
20:06e não a tirar-se a uma secretária.
20:08Ouve,
20:09o Paulo não tem a culpa toda.
20:12Há uma outra pessoa
20:13que também não se portou nada bem.
20:15Arturo,
20:16já aqui só choveu um instantinho
20:17para falares comigo.
20:18Agora.
20:21Eu estava a falar com...
20:27uma secretária.
20:30O que é que tu estás a tentar fazer?
20:32Eu sinto mal
20:33a vê-la assim
20:34e a saber que a culpa é minha.
20:35Não é tua a culpa.
20:37É do pau,
20:38daquele animal.
20:39Tu não te esqueças.
20:42O pai do Jorge
20:43prometeu a vice-presidência
20:45da empresa.
20:46Claro.
20:47se o Jorge casar
20:48com a tua filha.
20:50Jura.
20:50Não lhe vais dizer nada.
20:53Juro.
20:53Juro.
20:56E já falaste com o teu pai
20:57sobre o dinheiro?
20:58Sim.
20:59É uma questão de tempo.
21:08Também não é caso
21:09para ficares assim, mulher.
21:10Mas se ele tem dinheiro,
21:12avança.
21:13Não tem.
21:14Ah, não.
21:15Ah.
21:16Então esquece-o, filha.
21:19Ouve lá uma coisa,
21:19ó Lúcia.
21:20Tu és a favor
21:21do sexo livre, não és?
21:23Sim.
21:24Cá em casa,
21:25entre as cinco e as seis,
21:26não há cá ninguém.
21:27O que é que tu achas?
21:28Ó Lúcia,
21:28não liga ao que ele diz.
21:29Ele está doente
21:30e depois baralha-se todo.
21:31Toma lá o comprimido.
21:32Ah, uma coisa.
21:33Estou cheio de pica,
21:34pá.
21:35Mas é chata.
21:36Ora, então, bom dia.
21:37Bom dia.
21:37Bom dia.
21:39Ó Vasco,
21:40diz-me uma coisa.
21:40O que é que tu achas
21:41do swing na terceira idade?
21:44És mesmo um velho maluco.
21:45Opa, assim.
21:47Ah, Mónica,
21:48então como é que tu estás?
21:50Estou um bocadinho melhor.
21:51Eu andei assim
21:52à procura
21:53das minhas músicas favoritas
21:54do passado
21:55e isso está-me a ajudar muito.
21:57Ainda bem.
21:58Ah.
21:58Pode ouvir uma?
22:00Ah, queremos.
22:00Ou tu não a vemos de querer?
22:02Ah lá,
22:02a melhor maneira
22:02de começar o dia.
22:04Então cá vai.
22:05Ah, chama-se
22:05terminar de uma vez.
22:16terminar de uma vez
22:20com esta vida
22:28e morrer,
22:31morrer,
22:32morrer de uma vez
22:34por todas.
22:39Ai, desculpa.
22:41Não ensaia muito bem esta música.
22:43Água.
22:44Água.
22:45Água.
22:46Água.
22:46Eu canto eu sim
22:48quando tenho pedra nos rins.
22:49Quem é que lhe disse
22:50que sabe cantar?
22:51É a minha mãe
22:52para ver se é animada.
22:54Estamos todos deprimidos.
22:56Mal.
22:57A Mónica precisa de nós
22:59e por isso nós vamos ajudá-la.
23:00Nem que para isso
23:01tenhamos que ficar sem audição.
23:02Como por sério?
23:03Então, o que é que acharam?
23:04Gostaram?
23:04Eu achei maravilhoso.
23:06Sim, maravilhoso.
23:07Maravilhoso.
23:07Fiquei emocionada, tia.
23:09Eu também.
23:10A sério?
23:10A sério.
23:12Obrigada.
23:13Vocês nem sabem
23:14como é que me estão
23:14a deixar feliz.
23:16Sabem é que eu
23:17com isto cantar.
23:19Até já perdi a vontade
23:20de se suicidar.
23:22Eu acho que vou ter
23:23que recitar esta música.
23:24Vês como ainda tens
23:25muito para dar ao mundo, Mónica.
23:27Eu vou ensaiar
23:27todas as minhas músicas.
23:29E depois canto-vos todas,
23:31está bem?
23:33Cantas mais duas
23:34e levas uma galheta.
23:40É, pá, foi mesmo bom.
23:42Mesmo bom.
23:43Estão vindo de serviço.
23:44Isto é que são horas
23:45de ir comer.
23:46Ah, filha, não me falas em comer.
23:47Então depois de uma mariscada
23:49que a gente vem...
23:50E aí, uma mariscada?
23:52Mariscada.
23:53Qual mariscada?
23:54Não foi mariscada nenhuma.
23:55Nós tivemos foi a petiscar.
23:57Qual petiscar?
23:59Qual petiscar?
23:59É, pá, então eu...
24:00Aquilo que eles percebes
24:01que eu comia
24:02até fiquei enjoado.
24:04Não percebes, ah?
24:05E agora, se não se importam,
24:07eu vou descansar um bocadinho.
24:10Eu partei-me partindo de sapateiras.
24:12De maneira, eu estou cansado.
24:14Até já, já vai.
24:17Até sapateiras?
24:18Tu achas normal gastar tanto dinheiro?
24:20Nós não temos onde cair mortos.
24:21Gloria, tu não estás a perceber.
24:23Isto, isto, isto foi...
24:25É como um jantar de negócios, percebes?
24:27Qual é a regra de ouro
24:29para se pedir dinheiro?
24:30Ser rápido?
24:31Não.
24:32Errado, errado.
24:33é fingir que não precisas do dinheiro.
24:35Parece-me um truco muito estúpido.
24:37Não é nada.
24:38Tu é que não percebes isto.
24:39Ouve-se, o meu pai percebe
24:40que nós somos pobres.
24:41Então, aí é que ele não desempresta dinheiro?
24:43Eu não sei o que é que ele não desempresta dinheiro.
24:53Boas.
24:55Boas.
24:56Boas.
24:57Arthur.
24:59O que é que ele soa melhor?
25:01Susana.
25:02Quero-te
25:02e só penso em ti.
25:04Ou, ou...
25:05Susana.
25:06Só penso em ti e quero-te.
25:08A segunda é mais forte.
25:10Eu tenho que lhe escrever uma carta
25:11e não me está a sair bem.
25:12É muita pressão.
25:13Eu não aguento isto.
25:14O que tu tens é de acalmar, Paulo.
25:16Eu tenho que falar com ela de uma vez por todas.
25:18Eu tenho mesmo.
25:19Mas agora não é a altura certa.
25:21É melhor deixares passar esta maré.
25:23E vou ficar sentado à espera
25:24que a Glória lhe enche a cabeça
25:25com aquelas coisas mais.
25:27A Glória é boa pessoa,
25:29mas é de ganhos.
25:30Tu tens razão.
25:32O Arthur podia-me era ajudar.
25:34Eu preciso lhe dizer
25:35que não se passa nada entre mim e a Sara.
25:36O Arthur podia-me dar uma volta com ela.
25:39Eu aparecia.
25:40Não, não.
25:40Não pode ser.
25:41Não.
25:42A Susana neste momento
25:43nem sequer está em condições
25:44de andar por aí, de sair.
25:46Ela passou o dia de pijama em casa
25:48a beber iogurtes.
25:50Está assim tão mal?
25:53Já disse.
25:55E se me ajudasse a entrar em casa?
25:57Eu só preciso que distraia a Glória.
25:59Distraia.
26:00Disso e de uma chave mestra.
26:02A Glória me deu a fechadura.
26:04Não, lixo.
26:05Lixo, lixo.
26:16O Arthur, dá-me só um segundo
26:18para eu ficar aqui sozinho.
26:19Não quero que me veja a chorar nem nada.
26:22Não, tu não te podes deixar ir abaixo.
26:25Ouve,
26:26tu vais estar com a Susana
26:28nem que seja a última coisa que eu faça.
26:32acha mesmo que eu e a Susana
26:33podemos voltar a estar juntos?
26:35Se depender de mim.
26:36Sim.
26:38Não quero saber mais dele.
26:39Não quero.
26:40Quer que ele morra.
26:41Susana, também não é preciso ficar assim.
26:44Pensa nos bons momentos
26:45que passaram juntos.
26:46Tu agora tens é de recomeçar a tua vida.
26:49Primeiro passo
26:49e a gente está comigo já à noite.
26:52Passo.
26:52Oh, Susana,
26:54eu se fosse a tia era o que fazia.
26:55Não quero.
26:56Quero.
26:56Quero ficar aqui sozinha
26:57e comer muitos iogurtes.
26:59Então o que é que vais fazer?
27:00Passar o resto da vida
27:01a choramingar
27:01como a maluca da tua tia?
27:03Não, senhora.
27:04Vais dar uma voltinha.
27:05Distrais-te, areijas.
27:06Tomas ducha.
27:07Olá, Susana.
27:08Anima-te.
27:09Eu compro-te um iogurte
27:10de meio litro
27:11e comemos as dois juntos.
27:13Está bem, eu vou.
27:15Está bem.
27:15Mas eu não penso em divertir-me muito.
27:17Não, não.
27:18Diverte-te só um bocadinho.
27:25Jorge, tem aqui um grande cabaço.
27:28Se quiser servir,
27:29esteja ao fundo de pás.
27:30Mas cabaço tão giro.
27:31Glória, onde é que arranjou isto?
27:32Por que estás a perguntar?
27:34Conhece o António Cardoso?
27:36Quem?
27:37Quem?
27:38Cardoso...
27:39Não, não.
27:39Só estou a perguntar
27:40porque arranjaram-se
27:41uns parecidos
27:42para oferecer lá
27:43no aniversário
27:44do nosso centro.
27:45Ah, ok, ok, ok.
27:47E estás a pensar
27:48a gastar quanto?
27:51Bom, não mais
27:52que 50 euros.
27:54Temos tido muitos gastos
27:55lá no centro.
27:55O ar-condicionado
27:56do meu escritório,
27:57o sistema de som
27:58do meu escritório,
27:59o plasma da minha casa...
28:00Fica descansado
28:01e arranjo-te os cabaços
28:01se quiseres.
28:02A sério, Marcos?
28:03Claro que sim.
28:04Nós na Armada
28:04temos um departamento
28:05especializado em cabaços
28:06de aniversário.
28:07O arma...
28:09caba...
28:10sário.
28:12Sá de Sá.
28:14E exportamos para todo o mundo
28:15todos os dias
28:16que a base a sair.
28:17Porreiro,
28:17só preciso de 40.
28:1940?
28:20E para amanhã?
28:21E para amanhã?
28:23Sim.
28:23Tens algum problema
28:24com isso?
28:25Se eu tenho algum problema,
28:26não tenho problema nenhum
28:27com isso.
28:27Pelo contrário,
28:28se quisesse era já hoje.
28:29Marcos,
28:30o negócio é fechado.
28:30O negócio é fechado.
28:31Até amanhã.
28:31Até amanhã.
28:49Descosto!
28:50Oh, Glória,
28:51tu tens de ouvir isto.
28:52Eu compus uma música nova
28:54e acho que me saiu bem.
28:55Tens cópias.
29:05Viver é o começo.
29:10Morrer é o destino.
29:13Se tu não estás comigo,
29:29viver é o tormento.
29:36morrer é divertido.
29:39Tu estás contente.
29:41Não me acesse,
29:43nem me arrependo.
29:44Para, para,
29:45que eu não estou a aguentar isto.
29:47E?
29:48Ai, filha,
29:49desculpa.
29:50Sabe do que é?
29:51É que isto é tão bonito,
29:52tão bonito,
29:53tão bonito,
29:53que eu me emociono
29:55a ouvir-te cantar,
29:56percebes?
29:57Sim?
29:58Sim.
29:59Tu me emocionas.
30:00Sim.
30:01Oh,
30:03só estás a dizer
30:04isso porque és minha irmã,
30:05não é?
30:06Não, Mónica,
30:07não é nada disso.
30:08Não vês?
30:08Olha,
30:09olha os meus pelos do braço
30:10que estão todos em pé.
30:12É de estar a gostar tanto,
30:13mas agora vai para o teu quartinho.
30:14Vais a ensinar para lá,
30:15vais,
30:16levas o teu pequeno
30:17e tu,
30:17vai.
30:18Vai, Mónica.
30:20Vai, minha querida.
30:21Vai, vai, vai.
30:27Mas se tu queres ajudar
30:28a tua irmã
30:28a sair da depressão,
30:30porquê é que não a levas
30:31ao teu psiquiatra?
30:32Porque eu não tenho
30:33psiquiatra.
30:35Ah,
30:36isso explica muita coisa.
30:39Bem,
30:40mas mentir-te
30:40mas não é a melhor solução.
30:42Oh, Lúcia,
30:43mas a Lúcia
30:44agora vai-me querer ensinar
30:45a mim
30:46a lidar com a minha irmã Mónica.
30:48Se ela gosta de cantar,
30:50não me parece
30:50que haja um problema,
30:51pois não.
30:55Não?
30:56Exatamente.
30:59Eu quero dedicar esta canção
31:02a todas as almas solitárias
31:04que acham que a morte
31:06é a única forma
31:08de evitar o mundo cruel.
31:10Com letra e música de Mónica,
31:12que sou eu,
31:13aqui vai.
31:20um e dois
31:22e três.
31:25O teu amor
31:29foi uma condenação
31:37Uma corda
31:41ao pescoço
31:47Ai,
31:50a morte é doce
31:59A vida
32:01é tão boa
32:05quando é fatal
32:11Quem será esta hora?
32:13Oh, Rafael,
32:15Rafael,
32:17Rafael.
32:42Eu estou mesmo a ficar maluca.
33:04Não há moro na costa.
33:06Eu tenho mais medo da glória
33:07do que dos mouros.
33:09De certeza que ela não está a dormir?
33:11Sim, está tudo a dormir.
33:12Agora só tens de ir ao sótão
33:13e estar com a Susana.
33:14Mais nada.
33:15Força, campeão.
33:16Ah,
33:18e uma coisa,
33:19tu agora estás por conta própria.
33:20Se alguém te descobrir,
33:22eu não sei de nada.
33:23Ok, ok.
33:27Só uma coisa.
33:30Preliminares.
33:32Não te esqueças de aquecer,
33:34primeira coisa.
33:36Eu uso sempre esse sistema
33:37e funciona.
33:39Vá lá.
33:47Boa noite, pai.
33:49O que é que tu estás aqui a fazer?
33:50Eu vou dormir.
33:51Tu não estavas a dormir na despesa?
33:53Hoje está, mas já não estou.
33:54Consegui recuperar o meu quarto.
33:55Então,
33:57quem é que está a dormir no sótão?
34:03Paulo!
34:05Vem!
34:11A manhã não há família mata porque a partir das oito da noite estamos em direto do Estádio
34:15da Luz para o grande jogo Sport Lisboa-Benfica-PSV Eindhoven, primeira mão dos quartos de final
34:22da Liga Europa.
34:23Já a seguir, no capítulo 2 de Laços de Sangue, Inês vai confrontar Diana.
34:28Ela quer saber porquê que a Ioiô contratou a empresa de Nuno.
34:33Depois, às 11h40, passa o novo episódio de Araguaia e, à meia-noite e 20, temos um dos últimos capítulos
34:40da novela Passione.
34:42Mais tarde, à uma de manhã, não percam uma grande investigação em CSI Las Vegas.
34:48E agora, então, vêm aí laços de sangue, mas ainda antes temos o sorteio do Totobot.
34:54Fique-poi, até já.
35:00Música