Avançar para o leitorAvançar para o conteúdo principal
  • há 1 hora
Transcrição
00:00Este sou eu.
00:02E esta é a Susana.
00:04A nossa vida era perfeita e íamos ter a casa dos nossos sonhos.
00:07Até que um ladrão nos roubou o nosso dinheiro.
00:09Estou a falar do pai dela.
00:12O IK tivemos que viver com a sua família.
00:14Com a mãe da minha namorada, que me quer ver morto.
00:16Com a tia solteirona, que precisa de marido.
00:18Com o irmão, que precisa de um cérebro.
00:20Com os filhos do irmão, que adoravam ter outro pai.
00:22E com o avô, que é o dono da casa e nos quer ver a todos pelas costas.
00:36E como todos nós sabemos, o avô que Deus tem,
00:41quando nos deixou, não estava bom da cabeça.
00:44Porque aquela coisa de deixar a casa ao Paulo, não tem pés nem cabeça.
00:47Ai, meu avôzinho.
00:49Marco, Marco, se vais começar com o Marico, isso melhor és para o teu corte.
00:52Não, desculpe, eu não aguento, eu não aguento.
00:55Bom, como eu estava a dizer...
01:00O Paulo ficou com uma parte da casa.
01:03Só que, legalmente, as duas filhas também têm direito a uma parte da casa.
01:08Ou seja, a casa vai ficar dividida em três, o que não faz sentido.
01:12Portanto, o que eu proponho é que a Mónica e o Paulo cedam a sua parte à Glória,
01:19que é a filha mais velha.
01:22O que é que vocês dizem?
01:24Eu digo que tu e a minha irmã são os grandes malandres por terem metido o Rafael na prisão.
01:30E o meu maior desejo é que a minha parte da casa arda com vocês lá dentro.
01:43Bom, ouvimos a opinião da Mónica.
01:47Tu, Paulo, tu com certeza que não tens problema em ceder a tua parte à mãe da Susana, não é?
01:55Não, não tenho problema nenhum.
01:59Desde me devolva à parte que me tirou.
02:01O dinheiro que era para comprar a casa onde eu e a Sônia íamos viver.
02:04Estou a joelha na cara, seu patife, seu malandro, seu...
02:07Glória, calma, calma, calma.
02:09Paulo, eu compro-te a tua parte.
02:11Ok, tudo bem.
02:13Desde que devolvas o dinheiro da outra...
02:15Pronto, lá atrás estou, outra vez.
02:16Esta casa é minha.
02:19Aqui nasci, toda a vida aqui vivi.
02:21Estes móveis todos que aqui estão, fui eu que os comprei.
02:25Não é agora por causa de um taralhouco velho que Deus tenha a sua alma em descanso que eu vou
02:30agora desistir de tudo.
02:31Era o que me faltava, não é?
02:32Foi precisamente o que aconteceu com a minha casa.
02:34Só que ele não está velho, nem taralhouco, mais ou menos.
02:37Olha lá.
02:39Tu tens tido aqui uma vida difícil, não tens?
02:41Pois então prepara-te que a partir de hoje vai ser horrível.
02:45Ai, quer guerra.
02:46Então vai ter guerra.
02:48Então vamos lá à guerra.
02:49Então, vamos lá então a essa guerra.
02:59Artur.
03:18Boa pai, finalmente resolveste sair de casa?
03:20Não, filha, não.
03:21Estamos a tirar as coisas do quarto do avô Alfredo.
03:23Se quiseres, podes ficar com alguma coisa para ti, para recordação.
03:28Olha, não acredito.
03:32É o relógio do avô Alfredo.
03:34Sabes, filha, foi com este relógio que ele me ensinou a ver as horas.
03:37Oh, não posso ficar com ele?
03:39Ei, não destiques, eu vi primeiro.
03:41Queres ficar com o Benico?
03:42Não.
03:50Eu não sei como é que deixaram esse senhor guardar tanta porcaria no quarto.
03:56Vasco, o que é que tu andas a carregar com isso?
03:58Olha que ainda te dá uma coisa.
04:00Calda-me uma coisa, rapariga.
04:01Eu sou um jovem, cheio de energia.
04:04Avô, avô.
04:08Não morras, avô, não morras.
04:10Acorda.
04:12Para lá com isso.
04:13A coisa mais triste que há é um velho que não se assume.
04:17Tu tomaste os comprimidos.
04:19Não.
04:20O quê?
04:22Não tomaste os comprimidos, avô?
04:23Não.
04:23Se tu tens comprimidos para tomar, tens de tomar os comprimidos.
04:25Porquê é que serve ter comprimidos para tomar?
04:26Se tu não tomes os comprimidos, tens de tomar os comprimidos.
04:28Comprimidos, avô?
04:29Os comprimidos para a tensão arterial, que está altíssima.
04:32Olha, se a tensão arterial está altíssima, é porque eu não consigo dormir desde que casei contigo,
04:39e acabou com o Benico.
04:40Ah, é?
04:41Se não quiseres tomar os comprimidos, não tomes.
04:43Cá para mim, até te podes atirar da ponte.
04:55Ah, credo, não estejas aí a cortar os cabelos.
04:57Não vejo que se enche isto de pelos.
04:59Pois quem é que limpa?
05:00Eu.
05:08Tu, o que é que tu estás aqui a fazer?
05:10Eu...
05:10Ah, nada.
05:11Vim lavar os dentes e depois abdici-me com a doce.
05:14Estás-te a esconder da Mónica.
05:16Glória, eu e tu sabemos que eu mandei o namorado dela para a prisão
05:20para salvar esta família agora.
05:22Ela não quer perceber isso.
05:24Percebes?
05:25Ela está doida.
05:26Ela se me apanha, espeta-me com a tesoura nas costas.
05:29E então?
05:30Em vez de conversares com ela, enfias-te no doce?
05:32Não tens vergonha?
05:32Ouve, eu não quero é arranjar conflitos dentro desta família.
05:35Percebes?
05:35Eu sou muito homem.
05:37Ah?
06:02Que degredente.
06:04Beba destas horas.
06:06Confirma-se.
06:07Isto precisa de um tapete de borracha porque escorrega muito.
06:13Mónica, Mónica, Mónica, Mónica, eu tenho de falar contigo sobre o teu namorado.
06:20Eu quero que tu saibas que eu lamento o que lhe aconteceu.
06:23Ele teve pouca sorte.
06:24Pois teve, teve pouca sorte.
06:26Teve pouca sorte.
06:26Teve pouca sorte.
06:27Tu o tens tramado.
06:28Ouve, mas não foi nada de pessoal.
06:31Eu só quis defender esta família.
06:33Eu só agia como chefe de família.
06:35Percebes?
06:36Não foi pessoal.
06:37Vê lá se percebes uma coisa, Artur.
06:39Tu vais pagar aquilo que fizeste ao Rafael.
06:42E eu só vou parar quando acabar contigo.
06:52Ela não entendeu.
06:53Percebida.
06:54Não lides, Artur.
06:55Isto é que eu me cladra, mas depois não morda.
06:57Então, o que é que ela te pode fazer?
06:58Não é?
06:59O que é que ela te pode fazer?
07:06Eu preciso de fazer a vida negra ao Artur.
07:09Eu preciso que encontre provas do mal que ele fez ao meu Rafael.
07:14Desculpe, tem certeza que é mesmo o Dário?
07:16Claro que sou.
07:17Senão porquê gostaria assim disfarçado, não é?
07:19Estou aqui no centro de Adão Wallace, não é?
07:21Por isso estou vestido de professor.
07:22Se não parecia ridículo.
07:24Bom, então pode fazer aquilo que eu lhe disse.
07:26Mas isso é que eu já não sei, sabe?
07:28Mas o Artur é o meu amigo desde sempre, não é?
07:30E aqui o Dário também dizia a sua ética.
07:33Ouça, ouça, ouça.
07:34Eu, além dos seus honorários, eu pago-lhe deslocações, alimentação, as despesas, todas, todas, todas.
07:40Boa!
07:40Então vamos a isso.
07:41Damos-lhe uma tareia que ele confessa logo tudo.
07:43Não, não, não, nada disso, homem.
07:46Nada disso.
07:46Você é louco.
07:47O que eu quero é que...
07:49É que ganhe a confiança dele e o faça confessar.
07:53Talvez usando um gravador escondido.
07:55Não, não, não.
07:56E se os seus gravadores só funcionam nos filmes?
07:58Na vida real, o melhor é mesmo dar-lhe uma sareia.
08:01Pronto, pronto, pronto.
08:03Pensando melhor, talvez isso do gravador já nem seja uma ideia.
08:08Tem algum que me empreste?
08:09Pronto, pronto.
08:10Não se rir, minha senhora.
08:12Mas esquece que eu sou um profissional.
08:13Você é que não se pode esquecer.
08:17Sim, senhora.
08:38Bem, o que estás a fazer?
08:43Acabaram-se as borlas cá em casa.
08:45Se o teu Paulinho quiser lanchar, vai ele comprar.
08:47Sim.
08:48Glória, eu fui eu que comprei esse pão.
08:49É o meu pão.
08:50É o teu pão?
08:51Pois é que ele é a minha torrateira.
08:55Isto é a minha cafeteira, a minha chave, não é?
08:57Oh, mãe, desculpa lá, mas tu perdeste completamente a cabeça.
09:00Oh, oh, oh, oh, oh, onde é que tu vais com essa roupa?
09:03Vou lavá-la.
09:04Lavá-la aonde?
09:05Na máquina de lavar, claro.
09:07Não, negativo.
09:08A máquina de lavar é a minha.
09:10Tu até podes ter alguns direitos nesta casa e uma parte dela ser tua.
09:14No entanto, o recheio é todo da família Mata.
09:21Não digas nada, não digas nada.
09:23Tenha cuidado, hein?
09:24Cuidado.
09:25Eu também lhe posso tornar a vida bastante difícil cá em casa, sabe?
09:42Eu também lhe posso tornar a vida bastante difícil cá em casa.
09:59de tudo pago.
10:01Podem comer até se encher.
10:03Oh, meu Deus.
10:05Oh, meu Deus.
10:10O que foi, senhor?
10:15Aproveita o quê, Arthur?
10:16Final de contas, isto não passa a dominar o coração do Mar.
10:19A comida é toda à bordo, pois puder.
10:21Sim.
10:22E depois?
10:23E depois?
10:24Eis sempre a mesma coisa, de facto.
10:26É sempre o mesmo.
10:28Nunca jantei tão bem na minha vida, pai.
10:31És o melhor pai do mundo. Está maravilhoso isto.
10:33Está bem filho, mas espera aí, não me distraias porque estão a passar tabuleiros com coisas boas.
10:38Olha os croquetes, olha os croquetes.
10:41Não, não, não, não, não, não pode.
10:43Não, não, não, não pode.
10:45Não, não, não, não pode.
10:54Pode-me arranjar umas gambas, por favor?
10:56Sim, o que é que tu estás aqui a fazer?
11:00Então é um part time.
11:01Sabe como é que é? A armazen nunca mais distribui lucros.
11:04E podes-me arranjar umas gambas então?
11:07Artur, eu lamento, mas as gambas não são para a inauguração.
11:09Têm de ser pagas.
11:10Se o patrão me apanha a dar-lhe gambas, manda-me para o olho da rua.
11:14Bom, está bem, estou a perceber, claro.
11:17Portanto, eu me meto na empresa, ofereço-te umas ações
11:21e na reunião da administração proponho-te para vice-presidente e tu...
11:24Espera, espera, espera, espera.
11:26O Artur propôs-me para vice-presidente.
11:30Eu sei reconhecer a competência, não é?
11:37Espetáculo, Artur.
11:39Isto é que é competência.
11:40Olha as gambas!
11:42Jogam-me, pera.
11:43Pera, eu troco isto.
11:4815 de maio de 2011.
11:52Prova número 1.
11:54Gravação do testemunho de Artur sobre o caso Rafael.
11:59Ah, e já agora é para não me esquecer de lembrar de comprar léminas para a barba e molas para
12:05estender a roupa.
12:14Então, Dário.
12:15Tudo.
12:16Estás bom?
12:17É.
12:18Disseram-me que tu andas à minha procura? O que é que se passa?
12:22É, para considerarmos um bocadinho assim sobre, desabafarmos, sobre os problemas da vida, as coisas que vão acontecendo.
12:30Na verdade, Dário, eu vim cá porque eu estou com um problema de consciência.
12:35Eu enganei um gajo, ainda me negociaste e sinto-me mal.
12:39Ah, estou a ver.
12:41E tu já enganaste alguém?
12:43Eu, sim.
12:44Não.
12:45Não, mas como não?
12:46Doutor.
12:46Não, não, não.
12:47Desculpa.
12:48O que eu quero dizer é...
12:49Imagina que tu, quer dizer, tu...
12:52Tu, por acaso, não enganaste alguém chegado?
12:58Ou alguém chegado a alguém chegado?
13:01Se eu alguma vez enganei alguém chegado a alguém chegado?
13:09Sim.
13:10Quer dizer, agora que tu estás a falar nisso...
13:14Mas olha lá, o que tu estás a fazer com essa caixa?
13:17Ah, é para não me esquecer dela.
13:20Então, quem é que tu enganaste?
13:22Vá, por acaso, até é uma coisa que eu não...
13:25Até tenho um bocado de vergonha de falar nisso, não é?
13:28Mas outro dia tirei cinquenta euros à glória e pus as compras no marco.
13:34Não, não, não, não.
13:35Não, não, não.
13:35Não, não.
13:36Isso não está sanado.
13:36Não, não.
13:37É disso que estou a falar.
13:37Estou a falar assim de uma coisa que seja uma...
13:39Uma grande tramoia.
13:41Assim, do género, por exemplo.
13:43De...
13:43De combinares com alguém, ter algum lugar.
13:46E depois...
13:46E depois, sei lá...
13:47Depois de fazer alguma coisa.
13:49Ah, pá.
13:49Eu não estou a perceber nada do que é que tu estás para aí a perguntar.
13:53Ah, pá.
13:53Eu tenho mais que fazer.
13:54Eu tenho...
13:54Tenho que fazer.
13:55Desculpa lá, mas eu...
14:02Mas isto é um...
14:03Outro, e me dando de assunto.
14:06Ah...
14:06Ah...
14:07A tua cunhada...
14:08Ela continua a namorar com aquele tipo...
14:10O Rapunzel.
14:11Não, Rafael.
14:12Rafael.
14:14Rafael.
14:14Não, eles acabaram.
14:16Ah...
14:16Mas porquê?
14:17Tu conheces a peça?
14:18Não, não, não conheço ninguém.
14:19Eu não conheço ninguém.
14:21Ah...
14:22Ah...
14:22E tu sabes porque é que eles acabaram?
14:24Se tu tivesse alguma coisa a ver com isso?
14:27É pá.
14:29Se tu me perguntares se eu tenho alguma coisa a ver com isso...
14:33Sim.
14:34Mas...
14:34Alguma coisa a ver com isso...
14:36Como?
14:37De que maneira?
14:38Quer dizer...
14:39Se...
14:39Se...
14:39Se...
14:40Se tu tivesse alguma...
14:41Como é que se diz uma...
14:42Alguma...
14:42Alguma intervenção nisso?
14:45Ah...
14:46Por acaso isso...
14:47Ah...
14:48Se tu me perguntasses isso...
14:50Eu pergunto, eu pergunto isso.
14:51Eu provavelmente era capaz de dizer...
14:54Eu realmente tive alguma coisa a ver com isso.
14:57O que é o meu?
14:57O que é o meu?
14:58Vá...
14:58Isso agora...
15:00Não, mas diz tudo.
15:01Diz tudo.
15:02Não é fácil...
15:05Não, não, não, não...
15:06Charutos, nem cheirá-los.
15:08Acabou.
15:08Tu tá quieto.
15:09Tu deixa-me em paz, tá bem?
15:12Faz favor, dá-me um charuto.
15:14Lá tá.
15:15Não, tu não sejas assim...
15:16Olha, já me das a voce...
15:18Olha, uma aguardente velha.
15:19O álcool.
15:20Não, nem pensar.
15:21É um chazinho de camomila e uma torradinha.
15:23E é uma imperial para mim, se faz favor.
15:24Camomila para mim?
15:25Isso é agonia.
15:26Pau.
15:28Muito desaparece a minha vista.
15:30Ô Marco.
15:31Tudo bem?
15:32Por acaso tens as horas certas?
15:33Ah, tenho.
15:36São...
15:36Pés e...
15:41Desculpa, Jorge.
15:42Isto é...
15:42O antigo relógio do meu avô, Alfredo.
15:45E...
15:45Custo-me ainda falar nisto.
15:47Isto é...
15:47Sim, sim.
15:48Não admiro a que te emociones.
15:49Sabes o que isto é?
15:51Isto é um de bois.
15:53Um do quê?
15:54Bom, não interessa.
15:55Eu adoro estes relógios, Marques.
15:56Sabes que eu dou-te dois mil euros por ele.
15:59Dois mil euros?
16:02Ok.
16:03Quatro mil, não sou demais.
16:04Não, não, não.
16:05Não é isso, Jorge.
16:06É...
16:06Eu não quero vender relógios.
16:07Tenho um sentimental muito grande para mim, não.
16:09Mas obrigado.
16:11São dez e vinte.
16:13Ok.
16:13Obrigado.
16:14Flexados.
16:21Para a casa de ganho.
16:23Nada de aguardentes.
16:24Nada de aguardentes.
16:25Nada de aguardentes.
16:25Mas tu é que mandas a mim.
16:32Ah, desculpe.
16:38Não há problema de fazer uma estante do meu lado da cozinha.
17:00Quanto é, não é?
17:02Não há problema de fazer uma estante do meu lado da cozinha.
17:12Foi a minha mãe, claro.
17:23Olha, olha esta porta.
17:26Esta porta foi posta aqui em 94, se bem me lembro.
17:30E é já para arrancar.
17:31Podes começar, Marco.
17:39Ah, Arthur, faz qualquer coisa que eu já não aguento mais isto.
17:42Por favor, esta casa tem que ser minha.
17:46Rapidamente, só minha.
17:48Ouve, meu pardalito, mas o que é que eu posso fazer?
17:51Bater-lhe?
17:53Obrigá-lo a assinar um papel?
17:54Chantageá-lo?
17:55Ai, olha, isso é uma boa ideia.
17:56Qual delas?
17:57Bater-lhe?
17:58Obrigá-lo a assinar um papel?
18:00Chantageá-lo tudo?
18:03Não.
18:05Podemos é usar a imaginação.
18:09Tenho uma ideia.
18:15Paulo, ainda bem que estás aqui.
18:16Era mesmo contigo que eu queria falar.
18:18Senta-te aí.
18:23Ouve.
18:24Eu quero-te dizer que nesta história da casa
18:29eu estou completamente do vosso lado.
18:32É assim?
18:33Sim.
18:34Sim, ouve.
18:35Eu acho que a Glória passou-se.
18:37Ela está maluca.
18:39Eu acho muito bem
18:40que o velho tenha deixado a casa a ti.
18:43Sabes porquê?
18:44Porque tu o mereces.
18:47Muito obrigado, Arthur.
18:47Nunca pensei que me apoiasse nesse assunto.
18:49Não, mas apoio.
18:50Apoio 100%.
18:51E para te provar
18:52eu vou-te dar
18:5350% do lucro
18:56do negócio que eu tenho aí em vista.
18:57Não é estar a desconfiar, mas
19:00eu não confio em si.
19:01É natural.
19:03Eu também não confiaria.
19:04Mas ouve,
19:06isto é um negócio seguro.
19:08Nós vamos ser
19:09os fornecedores principais
19:11do bar que abriu aqui ao lado.
19:13Fornecedores de quê?
19:14Mas desde quando é que era mais acedido a isso?
19:16Desde há uma hora
19:16que foi quando eu falei
19:17com o dono do bar.
19:18Ouve, nós vamos fornecer-lhes tudo.
19:21Vamos fornecer presuntos,
19:22sardinhas.
19:23Mas tudo coisa boa,
19:25hã?
19:26Coisas portuguesas.
19:27Qual é que é o truque?
19:29Não há truque.
19:31Não há truque, filho.
19:33Ouve.
19:35Tu ficas com 50%
19:37e eu fico com os outros 50%.
19:39Agora, só há uma coisa.
19:41O Marco não pode saber disto.
19:43Isto é ótimo.
19:45Fica só entre nós dois.
19:47Até porque
19:48tu és o filho que eu sempre quis ter.
19:51Artur,
19:52desce.
19:52Desce, desce.
19:54Eu trato tudo.
19:56Depois vamos.
20:10Avô, o que é que se passa?
20:11Não é nada, filho.
20:12Não é nada.
20:13Não é nada?
20:14Não está a chorar, avô.
20:14O que é que se passa?
20:16Eu vou-te com
20:18diagnosticar
20:18uma doença
20:19muito grave.
20:21O quê?
20:23Vais morrer, avô?
20:26Primeiro o vó Alfredo,
20:27agora tu.
20:28Mas o que é que se passa?
20:30É que não vamos nós primeiro
20:30que somos mais novos.
20:32Somos mais fortes
20:33e aguentamos melhor a morte.
20:34Mas isso é a lei da vida, filho.
20:38Eu vou rezar tanto, tanto, tanto,
20:39que Deus vai ficar cheio de me ouvir.
20:41Vou-lhe fazer a cabeça num oito.
20:43Não, não, mas isso já não vai
20:45com uma reza, filho.
20:47Isto tinha que ser uma cirurgia
20:49que é muito cara.
20:51Custa quatro mil euros.
20:53Quatro mil euros.
20:54Quatro mil.
21:00Avô,
21:01toma.
21:01Toma este relógio.
21:03Vale quatro mil euros.
21:04Pronto, já está resolvido.
21:05Mas eu não posso aceitar isto,
21:07filha.
21:08Então isto é uma recordação
21:09do teu avô Alfredo.
21:11É, mas não está a perceber.
21:12Vale quatro mil euros, exatamente.
21:14O Nick precisa para a cirurgia.
21:15É o destino que quer.
21:16Que eu lhe dê este relógio.
21:17Ai, tu és um anjo, meu filho.
21:20Tu és um anjo.
21:20Mas, eu não sei se devo aceitar isto.
21:25Olha, então vamos fazer uma coisa.
21:27Não conte-se nada disto a ninguém, sabes?
21:30É que a operação pode correr bem.
21:32E assim não fazemos sofrer as pessoas.
21:35Sem mais nem menos, não é?
21:36Está bem, eu vou.
21:37Está bem.
21:38Faz isso.
21:39Obrigado.
21:39Obrigada, Julio.
21:48O que é que estás a fazer?
21:50Jantar.
21:51Uma espinha quente.
21:53Para nos aquecermos.
21:56Viste que a tua mãe levou a porta?
21:57O que é que há uma corrente de ar?
21:59Oh, meu Deus.
22:00Esta guerra é de doidos.
22:12Então...
22:13Como é que pediu o que era eu?
22:15Foi um palpite.
22:16Ah, está bem.
22:18O Arturo contou tudo.
22:20Eu ouvi com estas duas orejas que já era a comer.
22:22Tem tudo gravado.
22:23Sim, sim, claro.
22:25Aqui, na minha cabeça.
22:26Tudo, tudo, tudo, tudo.
22:28E no gravador também, certo?
22:30É que o...
22:32O gravador...
22:32Não, não...
22:34Não me diga que se esquece o...
22:35Não, não, não.
22:36Ele veio ao gravador.
22:37Não, não.
22:37Mas o que é que...
22:37Sabe o quê?
22:38Aquesta coisa da loja dos estudantes espilhas.
22:40Só uma porcaria.
22:41Aquilo não o doa na nada.
22:43Mas como é que...
22:44Eu estou desistindo.
22:46Nós temos que apanhar o Arturo.
22:48Nós temos que apanhar o Arturo de lá para onde der.
22:50O Arturo fez milhares de calcatuas durante toda a vida.
22:53Há de pagar para alguma.
22:54Por isso, já sabem o que tem que fazer, hein?
22:57Já sabem o que tem que fazer.
23:02Já sabem o que tem que fazer.
23:04Ih, que mesmo, pá.
23:15Ah, Dário.
23:17Então, como é que isso vai?
23:19Vai andando, vai andando.
23:21É cada vez melhor e...
23:23Não, é mentira.
23:24É mentira, Arturo.
23:25Eu não estou nada bem.
23:27Posso sentar-me?
23:28Sim, sim, sim.
23:29É que eu...
23:31Tenhas finanças à perna, pá.
23:33Estou com um problema do caralho.
23:34E eu não sou um grande empresário como tu, não é?
23:37Que deves saber todos os truques para fugir ao fisco.
23:42Se sei.
23:43Se sei.
23:46Eu só não sei a porquê que não há gente que paga.
23:49Ah, pois, pois, pois, porbonhoi.
23:51Vá, Arturo, e o que é que tu me aconselhas?
23:53Que eu não entregue a minha declaração?
23:55Não, não, não, não.
23:57Tu entregas a declaração.
23:59Tu entregas sempre a declaração.
24:01Eu entregue sempre as declarações.
24:03Até em pioras.
24:05Percebes?
24:06Se quer para depois poder reaver dinheiro nas finanças.
24:10Hoje em dia é assim que se ganha dinheiro em Portugal.
24:13Nos anos 80 e 90 eu vivi assim, só que à custa do reembolso do IRS.
24:19Ah, então isso que é viver?
24:22Tu fazes tudo dentro da lei.
24:24Dentro da lei, dentro da lei e...
24:28Sim, dentro da lei.
24:30Dentro da lei.
24:32Segundo o Código Civil, tu, enquanto não és apanhado, estás legal.
24:37Ah, pois, claro.
24:38Então, e se te fizerem a malditoria?
24:44Levam com faturas falsas.
24:48Pilhas de faturas falsas.
24:49Eu tenho faturas falsas de empresas que não existem.
24:52Empresas de países da China, por exemplo.
24:56Alguém vai inspecionar a China.
24:57Ninguém.
24:59Ficam-te bem.
25:01É pá, de países que têm desastres naturais.
25:05Sim.
25:05Houve um país que tenha tido um tornado, um vulcão.
25:10A quantidade de faturas que vêm à costa com um tsunami.
25:13Ah, pô, achas, faz uma verdadeira.
25:15E eu posso ver essas faturas?
25:17Quer dizer, é só para...
25:19Para ver como é que se faz.
25:20O tipo de letra e assim...
25:22Não, mas a letra tu vais mudando,
25:25que é para não ser sempre a mesma a tua letra.
25:27Percebes?
25:28Vais mudando.
25:29Mas, é pá, agora sim, mostrar, mostrar...
25:31É pá, isso é material um bocado sensível, não é?
25:34Ah, pô, não.
25:35O há que acontecer, imagina,
25:36tu deves ter isso tudo guardado aí num cofre inviolável, não é?
25:40Com um código muito especial,
25:43que só tu, só tu é que sabes.
25:45Altamente intercifrável.
25:46Tens muito esperto, tu tens muito esperto.
25:47Não, mas olha que não.
25:49Isso está tudo por aí, espalhado.
25:50É pá, eu nem sei onde é que está.
25:52Mas, que mania para roubar isso, não é?
25:55Ah, pô, não.
25:56O que é que vai roubar uma coisa dessas?
25:57Então, então, pois é, pois é.
25:59Oh, Orto, tu vais almoçar a casa?
26:03Não, já almocei.
26:04Ah, pois, está bem.
26:06E, por acaso, estás a pensar a ficar por aqui,
26:09no escritório, a tarde toda?
26:10Mas porquê?
26:11Não, por nada, pá, por nada.
26:13Só para saber.
26:14Por acaso, o Marco vai ficar a tomar conta do escritório
26:18hoje à tarde.
26:20Daqui um bocado, porque eu vou ter uma reunião
26:23muito importante com a Taça de Portugal.
26:26a Nadia Benfica.
26:29Ah, o jogo.
26:30Oh, pedeco.
26:31Grande sacana.
26:33Estás no Portugal.
26:34Pois é, claro.
26:36Quer dizer isso, então, que não há a menor hipótese
26:39de tu apareceres por aqui esta tarde aqui no escritório.
26:42Não, não.
26:42Que só fosse um milagre.
26:44É que tu apareces aqui no escritório.
26:45Sim, sim.
26:46Bom, então nós vemos por aí.
26:48Quer dizer, por aí, quer dizer, não é por aqui.
26:49Não, não é por aqui.
26:50Não, por aqui, porque tu não vais estar aqui à tarde.
26:52Não.
26:53E eu também não.
26:53Portanto, a gente não se encontra por aqui.
26:55É por aí.
26:55É por aí.
26:56Adeus.
26:57A gente encontra-se por aí, não é por aqui.
26:59É, não.
26:59Está.
27:06Avó?
27:07Viste o avô?
27:08Ele estava deitado no sofá.
27:10Ah, ok.
27:11Deitado.
27:12Mas deitado como?
27:13Ah, o filho estava deitado.
27:15Mas estava a respirar normalmente, não estava em agonia.
27:17Em agonia?
27:18Por quê?
27:21Bom, eu tenho uma boa e uma má notícia.
27:24Como é que eu vou explicar isto?
27:26O avô está... está à beira da morte.
27:29E qual é a má notícia?
27:30A má notícia é que eu salvei-o.
27:32Não, não.
27:32Isto não é má.
27:33É a boa notícia.
27:34Mas salvaste-o?
27:35Como?
27:36E de quê?
27:37Ele tem uma doença mortal.
27:40E o tratamento custa 4 mil euros.
27:42E ele estava triste.
27:44E eu dei-lhe o relógio do avô Alfredo.
27:46O quê?
27:47Sim.
27:48É engraçado porque a morte de um avô vai os dar a salvar a vida ao outro.
27:51É como nos transplantes.
27:53Ah, pois.
27:55E o teu avô Vasco pediu-te para não me dizeres nada para eu não me preocupar.
27:59Não foi?
28:00Sim.
28:01Vocês conhecem-se mesmo bem.
28:03Nem por isso, filho.
28:06Tu acreditas que ele às vezes ainda me consegue surpreender?
28:14Domingos Garcia.
28:16Foi enviado pela seguradora para verificar a instalação elétrica do escritório.
28:21Sou um eletricista.
28:22Por isso é que estou vestido de eletricista.
28:25Senão seria ridículo, não acha?
28:27Ok, é para ver que esta caixa de fusíveis está tudo, tudo lixado.
28:30Ah, não.
28:31Isso é que não.
28:31Isso é que não.
28:32Eu fui enviado apenas para inspecionar a instalação elétrica do escritório.
28:36Isso é uma avaria muito mais complexa.
28:38Teria que ligar à central.
28:39À central?
28:40Por causa disto?
28:41Mas que raio de eletricista é que você é?
28:43Sou um eletricista verdadeiro?
28:44O que é que está para insinuar?
28:46Que eu não sou verdadeiro?
28:47Que eu não sou eletricista?
28:48Mas é que os fusíveis têm que ser vistos.
28:50Deita fumo.
28:51Fumo.
28:52Fumo.
28:53Fumo.
28:58Fumo.
28:59Confia.
29:06Fume, não é?
29:17Fume.
29:18Chamei uma ambulância.
29:20Chamei uma ambulância.
29:25Achas bem?
29:26Ei!
29:27Pô, mulher, tu queres que eu morra de susto?
29:30Garanto que é o que acontece se não devolveres o relógio ao teu neto.
29:34Olha lá, olha que esse assunto é um assunto entre mim e ele.
29:38Estamos entendidos?
29:39E achas bem?
29:41Usufruires do carinho que o teu neto tem por ti para lhe sacares dinheiro?
29:46Vais já entregar o relógio imediatamente.
29:50Olha que tu não me dás ordens, hã?
29:52O nosso casamento, quem usa calças sou eu.
29:56Devolves e acabou.
29:58Está bem.
29:59Tu queres que eu devolva?
30:00Eu vou devolver.
30:01Acabou-se a conversa.
30:02Está bem?
30:02Não me irrites mais.
30:04Acabou?
30:04Acho muito bem.
30:05Ah, então vá.
30:07Se parece.
30:12Acabou-se.
30:13E agora como é que...
30:14Peraí.
30:14Vamos cá ver.
30:15Acácio, Acácio.
30:22Tu?
30:23Acácio?
30:24É o Vasco, pá.
30:25Olha, tu ainda tens aquele negócio do relógio de imitação.
30:29Tens?
30:30Ainda bem, pá.
30:31Olha, a tua morada é a mesma, não é?
30:33Então vou já aí ter contigo que tens que me resolver um assunto muito grande.
30:41Eu estou à sua espera há mais de 50 minutos.
30:46Boa.
30:46Belo disfarce esse.
30:50Obrigado.
30:51E então, novidades?
30:53Muitas.
30:54O Arthur deu um monte de faturas falsas para enganar as finanças.
30:58Consegui pô-la cantar como um roxinol.
31:00E trouxe essas faturas.
31:02Eu tentei.
31:03Mas eu não consegui entrar no escritório.
31:05O seu sobrinho Marcos e os amigos dele são demasiado inteligentes para mim.
31:08São umas autênticas águias.
31:10Esqueça.
31:10Eu trato disto sozinha.
31:12Está a despedir-me?
31:14Você é um lince.
31:15Não lhe escapa nada.
31:16É, eu sou mesmo assim, sou.
31:19Ed?
31:22Chamaste a vó?
31:23Chamai sim, filho.
31:24Olha, eu vou-te dar uma surpresa.
31:26Uma surpresa é que eu hoje fui ao médico.
31:30E o médico disse-me que eu estava livre de perigo.
31:33É um milagre.
31:34Muito bom, vó.
31:35É um milagre.
31:36Vou já contar o resto da família.
31:37Não, não, não, não.
31:38Não faças isso.
31:39Eu prefiro que não digas nada a ninguém.
31:41Está bem.
31:42Olha, e já agora toma lá o relógio que tu me deste.
31:45Porque agora já não preciso dele, não é?
31:48Obrigado, vó.
31:49Obrigado, vó, filho.
31:50Sabes que quando me disseste que estavas doente, tive...
31:53Tive muito medo.
31:57Porque...
31:58Sabes que eu já não consigo imaginar a minha vida sem ti, avó.
32:00Tu já faças parte de mim e desta família.
32:04E até muitos saudades tuas.
32:06Sério.
32:07Oh, filho, dá cá.
32:08Dá cá.
32:09Dá cá.
32:13O que é que estás a fazer, avó?
32:15Eu vou-te dar uma coisa para tu guardares o relógio.
32:20Toma.
32:23Tens-te as tuas iniciais.
32:25Tens-te.
32:26Assim vou ficar com uma recordação dos meus dois avôs ao mesmo tempo.
32:30Obrigado, avó.
32:31Nada, obrigado, nada.
32:33Obrigado, eu.
32:34Estou bom, estás bem.
32:35Obrigado.
32:37Tens-te mais uma vez, obrigado.
32:43Eu já estou a ficar velho.
32:45Oh, senhor.
32:47Vamos lá ver se eu percebi.
32:48Sim.
32:49O Paulo tem de assinar o recibo, certo?
32:51Certo.
32:51E depois?
32:52E depois de nada.
32:53É só isso.
32:54Ele só tem de assinar.
32:56Como tu és funcionário do bar, ele não vai desconfiar de nada.
33:00Se ele perguntar alguma coisa, tu dizes para ele falar comigo, ok?
33:03Ele tem de assinar.
33:05Ei, Arthur, não percebi nada.
33:07Se um futuro vice-presidente não percebe nada, se calhar não vai ser vice-presidente.
33:13Não, não, não, não.
33:14Eu percebi tudo.
33:15Estava só a brincar.
33:16Pronto.
33:17Zé, tu não deixes isto ir por água abaixo, hã?
33:21E temos de ser discretos.
33:23Ninguém pode saber de nada, ok?
33:25Isto é só entre nós os dois.
33:27Fifty-fifty.
33:29Uau!
33:30E fifty-fifty é o quê?
33:34Palito, primo!
33:35Ah, não, não, anda cá, anda cá, anda cá, anda cá!
33:38Assina-me aqui o recibo.
33:39Rápido, é urgente.
33:40Ah, o que é isso?
33:40É, é, é, é por causa do bar.
33:42Vá, mas eu sou funcionário, é à confiança.
33:44O Artur depois explica, vá.
33:45Rápido, assina, é urgente.
33:46É que eu estou, estou a ver, bonito.
33:47Vá lá, vá lá, vá lá.
33:49Ok, pronto, pronto.
33:52Obrigadinha, hã?
33:56Assinou?
33:57Claro!
34:00O plano está lançado.
34:01Agora, vamos passar à segunda fase.
34:04Oh, Artur, Artur.
34:06Sobre aquilo do vice-presidente.
34:08Acha que eu posso ter uma placa?
34:10Claro.
34:11Claro.
34:18O que é isto?
34:26Avó, já soubeste o milagre?
34:28O avô curou-se assim de repente.
34:30Cá para mim os médicos queriam era sacar-lhe dinheiro.
34:32É, tens razão, filho.
34:33Há pessoas que não têm vergonha nenhuma.
34:37Vá lá.
34:39E isto é o relógio?
34:41E não é o relógio do Alfredo?
34:44É, avó.
34:44Então, mas tu não o tinhas dado ao teu avô.
34:46O avô devolveu-me.
34:48Já não precisava do dinheiro?
34:49Ah.
34:50Dá cá.
34:50Dá cá que é o relógio muito cá.
34:52Eu guardo para não se perder.
34:54Obrigado, avô.
35:00E salta, avô, e salta, avô, Alê.
35:03Alê, e quem não salta, bateu a bota.
35:07Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá.
35:08Sempre contigo avô, lá, lá.
35:11Só eu sei como é botar-te em casa.
35:14Xoca, Alê!
35:18Ah, bem.
35:19Nossa, hein.
35:28Ouve lá.
35:30Eu não te disse para devolveres o relógio ao Marco.
35:35Disseste.
35:36E eu devolvi.
35:37Pois.
35:38Mas devolveste falso.
35:40Má, má, má, má, má, má, má.
35:42O que é que tu estás para aí a dizer, mulher?
35:44Tu estás me insultar, é?
35:48Bem, de facto, pensei em trocá-lo.
35:52Mas depois olhei para ele, ele estava assim com um ar tão triste, que eu tive pena e dei-lhe
35:59o bom.
35:59Pois, Vasco, então vai ser assim.
36:02Eu vou dar o relógio bom ao Marco.
36:06E para não haver tentações, vê só o que eu faço ao teu relógio.
36:12Não!
36:17Vasco, tu não me digas que este era o relógio bom.
36:29A paródia na casa da família Mata segue à manhã.
36:33Já a seguir em laços de sangue, Nuno fica descontrolado com a partida de Inês.
36:38Mas será que Diana é a melhor pessoa para o consolar?
36:41Vamos saber daqui a pouco.
36:43E sem saber o que fazer, Inês deixa tudo por amor.
36:46Mas quando chega a África, encontra outra mulher ao lado de João.
36:49Será que ela vai desistir assim à primeira?
36:52Vamos saber daqui a pouco, então, no novo capítulo da novela de Portugal, Laços de Sangue.
36:57Depois temos revelação importante na novela Araguaia.
37:00E a seguir em Passione, Fred exige que Clara pague a um advogado para o libertar da prisão.
37:07Passione que está perto do final.
37:08Amanhã de manhã, no novo programa de Júlia Pinheiro, não perca Pedro Buxerri Mendes.
37:13Elemento, fazia parte do Júri dos Ídolos.
37:15O que será que Pedro Buxerri Mendes tem a dizer sobre Portugal e os portugueses?
37:19Não perca amanhã, por volta das 10 da manhã, no programa Querida Júlia.
37:23Claro, com Júlia Pinheiro, que lhe faz companhia de segunda a sexta-feira,
37:27aqui mesmo na SIC e na SIC Internacional,
37:30sensivelmente entre as 10 da manhã e a 1 da tarde, ou seja, até à hora do almoço.
37:34Não perca.
37:34Por agora, então, Laços de Sangue.
37:36Até já, boa noite e aproveite bem a primavera.