00:00Quantas mulheres não têm histórias parecidas?
00:02Uma vez foi numa boate em Vitória, estava eu e minha amiga, e a loja estava muito cheia, tinha muita
00:10gente.
00:11Então, eu sentia uma pessoa me apalpar.
00:15Durante todos os anos que eu trabalhei com atendimento, eu sofri assédio em todos os lugares que eu passei,
00:21e quase nenhum deles eu tive apoio das empresas.
00:25Quantas não têm nem coragem de verbalizar os assédios, principalmente quando falta apoio?
00:31É traumatizante para mim, porque depois eu não tive mais coragem de sair só com amigas,
00:37porque sempre prefiro ter uma pessoa mais velha ou um homem junto.
00:41O caso mais recente que eu tive de assédio foi em um restaurante de alto nível, na Praia do Canto,
00:50em que eu estava fazendo um serviço de vinho.
00:54e um cliente agarrou na minha cintura e mordeu o meu peito no meio do salão.
01:01E nisso o meu gerente estava na minha frente.
01:03A única posição que ele teve foi de afastar o cliente de mim e continuar o serviço.
01:10Eu me senti muito mal, me senti péssima.
01:14Fiquei tremendo quando ele chegava perto de mim para me abraçar e tentava fugir o máximo possível.
01:19Não é incomum relatos de mulheres sobre assédio e situações constrangedoras em bares, casas noturnas e locais de eventos.
01:28A ajuda às vítimas é o mínimo que se espera dos estabelecimentos.
01:32Só que nem sempre isso acontece.
01:34E se o apoio não vem por empatia e solidariedade, agora vem pela lei.
01:39A partir de agora, os estabelecimentos deverão adotar medidas de auxílio às mulheres que se sentirem em situação de risco.
01:46As medidas são acompanhar a mulher até o seu respectivo meio de transporte,
01:51comunicar a ocorrência à polícia,
01:54pregar cartazes em banheiros femininos e outros espaços informando a disponibilidade do auxílio.
02:00A autora do projeto, a deputada estadual Raquel Lessa, do PROS,
02:05disse que a iniciativa é mais um passo para o combate à violência contra a mulher.
02:10Mais uma ferramenta para combater a violência contra a mulher.
02:13As mulheres que se sentirem ameaçadas, ameaçadas a algum tipo de violência,
02:19elas podem pedir ajuda ao dono do estabelecimento,
02:24para dar segurança para ela sair daquele estabelecimento,
02:27onde ela está sofrendo a violência contra a mulher.
02:30O Saulo é dono deste bar que fica no centro de Vitória.
02:33Ele não só aprovou a medida, como já está se adequando às normas.
02:38Eu acho fundamental e de extrema importância.
02:41E a gente vai dar todo o apoio necessário.
02:44Vamos pregar avisos no banheiro,
02:49criar uma linguagem que a mulher que esteja sofrendo algum tipo de abuso
02:55possa comunicar com a gente e a gente vai dar todo tipo de apoio.
02:58A lei, entretanto, não é unanimidade.
03:01O presidente do Sindibares reconhece a importância de mecanismos para proteger as mulheres.
03:07Mas na visão dele, a proposta transfere para a iniciativa privada
03:11uma atribuição que é do poder público.
03:14Da forma como está colocada no texto legal,
03:17entendemos que ela não atinge seu propósito.
03:21Primeiramente, porque você transferir a responsabilidade da segurança pública
03:26para a iniciativa privada, ela é indevida.
03:28Até mesmo porque a iniciativa privada não tem o poder de polícia.
03:33É importante também destacar que nós, bares e restaurantes,
03:36somos também vítimas de violência corriqueiramente.
03:40Nós precisamos, sim, juntos, buscar uma redação que atinja, de fato,
03:45o objetivo maior que é a proteção da mulher
03:47e sempre buscar aos órgãos competentes uma melhora na segurança pública
03:53para que todos possamos viver cada vez mais em paz.
03:57Para quem já passou por tantas situações difíceis,
04:00o que vier para garantir respeito e proteção será bem-vindo.
04:04É bom saber que agora a gente tem aonde se respaldar,
04:09que agora é obrigatório.
04:11Ter que criar uma lei para que nós possamos ter uma proteção pela lei,
04:17porque se for pelo ser humano, a gente não tem.
04:20Isso dói.