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  • há 1 semana
Uma mulher que é vítima de violência, muitas vezes sente, além do medo, a sensação de estar sozinha no mundo. Ela quer sair da situação em que se encontra, mas não consegue. É aí que entra a ajuda. Existem locais que estão preparados para orientar e acolher essas mulheres.

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Transcrição
00:00Uma violência que parece não ter fim.
00:06Mulheres da mesma família esfaqueadas.
00:12Facadas, tiros, resultado, mortes, violência.
00:19A violência contra a mulher é uma realidade, não só aqui no estado do Espírito Santo, mas em todo o
00:26país.
00:26A justiça, por meio da polícia e das autoridades ligadas à segurança pública, tentam fazer a sua parte.
00:34Paralelo a isso, existem movimentos, existem projetos, associações, grupos que também se dispõem a ajudar mulheres vítimas de violência doméstica.
00:46Hoje nós viemos conhecer, vem aqui com a gente, esse grupo, o grupo Mulheres Guerreiras de Jardim Carapina, no município
00:54da Serra, que orienta e ajuda mulheres vítimas da violência.
00:58Nós vamos conhecer o grupo de voluntários que atuam aqui no local para ajudar você que sofre nas mãos de
01:06agressores.
01:06Vamos lá.
01:08Essas mulheres um dia sofreram nas mãos de homens que se achavam donos da vida delas.
01:14Atualmente, orientam mulheres que passam pelo mesmo problema.
01:18Nós estamos aqui hoje para mostrar para elas que elas são capazes de sair.
01:25Tem casos, infelizmente, que chegam ao feminicídio, porque elas não ligaram o alerta lá atrás.
01:33Foi onde um xingamento, um você não pode usar esse short, você não pode sair com fulano, o que você
01:40está fazendo no seu celular, com quem você está conversando.
01:44O grupo Mulheres Guerreiras foi criado há dois anos, depois que um crime de feminicídio ocorreu na comunidade.
01:52Mulheres, então, resolveram se prevenir e se surpreenderam com a procura.
01:58A demanda, no início, foi uma coisa que superou a nossa expectativa, como eu já te falei.
02:05Foi uma iniciativa que partiu de uma amizade.
02:08Dessa amizade foi o Bach, nem de Sofê, entre elas, que é a Camila Maisarose, a dor do feminicídio.
02:15E aquele, quando a pessoa vira a chave, fala, não, a gente pode fazer diferente.
02:22Atenção! Só nos dois primeiros meses de 2022, foram registradas 3.413 ocorrências de violência contra mulheres.
02:33Até agora, 22 mulheres foram mortas.
02:36Dessas, quatro vítimas de feminicídio.
02:40Entre os casos, o ataque de um homem a mulheres da mesma família em Santa Maria de Getibá,
02:46que resultou na morte de uma jovem de 24 anos.
02:50De volta ao grupo de mulheres, Norma alerta as vítimas.
02:56No primeiro sinal de abuso e violência por parte dos companheiros, procure ajuda.
03:02Hoje eu estou aqui para ajudar essas mulheres.
03:06Falar com elas que elas são capazes, para elas ligarem o alerta, para que elas não dêem segunda chance, sabe?
03:13Quando ele falar que ele vai matar, eu oriento assim, olha, some, vai para bem longe.
03:19Porque quando o cara fala que ele vai matar, de 99%, de 100%, 99% mata mesmo.
03:26A voluntária também já foi vítima de um relacionamento abusivo e conseguiu dar a volta por cima.
03:33A minha experiência, o pai dos meus filhos, infelizmente, ele queria saber o que eu estava pensando.
03:40Eu falava assim, não estou pensando em nada.
03:42Ele falava, não tem condições a pessoa de não estar pensando em nada.
03:46Ele queria controlar o que eu estava pensando.
03:48Olha o nível psicológico que eu vivia.
03:52E muitas mulheres vivem assim.
03:54E não sabem, só vão despertar quando ele chega a bater, infelizmente.
04:00No pouco tempo que existe, o grupo já atendeu milhares de mulheres.
04:05E cada vez mais vítimas procuram o local.
04:09Na maioria das vezes, infelizmente, quando a mulher procura ajuda, ela já está destruída.
04:16O emocionado, ela já foi embora.
04:18Só que a gente vê o prejuízo da mãe, mas a gente não vê o prejuízo da filha, do filho.
04:27A família já foi destruída.
04:30O local onde funciona o grupo é bastante improvisado e pequeno.
04:35Não tem parede, usa esses tapumes aqui.
04:37E esse é o espaço que eles chamam de reservado.
04:41O que de reservado não tem nada.
04:43É aqui nessa mesa, onde as voluntárias atendem as mulheres que são vítimas.
04:48Só que se a gente olhar aqui, também não tem parede.
04:52O espaço é totalmente aberto.
04:54Mas o imóvel já é um grande avanço para um trabalho que acontece recentemente, desde 2020.
05:03Mas o projeto, as voluntárias, as responsáveis pensam grande.
05:08Vocês querem expandir e ter um lugar melhor para atender essas mulheres, né?
05:14Com certeza, Douglas.
05:15Quando a gente começou, a gente não tinha noção que fosse desse jeito.
05:19Que ia ter essa demanda tão grande, essa necessidade, essa busca, essa procura.
05:24Então, hoje, a gente quer tratar essa vítima, a gente quer tratar essa família, a gente quer tratar essa mulher.
05:30E a gente precisa de espaço.
05:32A gente precisa de psicólogo para acompanhar essa mulher.
05:37A gente precisa de um espaço para receber melhor essa mulher.
05:40Para essa mulher se sentir mais acolhida.
05:42Porque a maioria chega muito frágil aqui até a gente.
05:46Então, a gente quer um espaço mais aconchegante, mais privativo, com mais segurança, um profissional adequado para a situação, né?
05:54E o espaço é imprecisivo nessa situação.
05:57O Grupo Mulheres Guerreiras de Jardim Carapina recebe agora o apoio do Instituto Américo Boaz.
06:05Por isso, aproveitam o espaço para contar com a solidariedade e o apoio das pessoas.
06:11A gente tem uma conta para doação.
06:13A gente recebe doação em cesta básica, a gente recebe fralda, a gente recebe leite, qualquer coisa.
06:20Porque é aquilo que eu falo.
06:21Aquilo que, para mim, de repente, não faça diferença, é uma coisa rotineira, na casa de uma amiga, na casa
06:27de uma parceira do nosso grupo,
06:29ou alguma vizinha, ou alguém que pede ajuda no grupo, é uma coisa que é raro.

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