- há 3 semanas
Mãe diz que cansou da vida do crime após filho pedir para ela se entregar
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NotíciasTranscrição
00:00E agora eu volto a falar do caso da mulher que diz ter se entregado para a polícia
00:05a pedido do filho após cometer crimes.
00:09Ela estava foragida e foi presa.
00:11Então a gente vai ver agora mais um trecho da entrevista dela.
00:17A polícia se entregou? Estava sendo ameaçada, alguma coisa desse tipo?
00:20Não, eu cansei de correr.
00:21Meu filho de 6 anos, ele pedia para mim me entregar.
00:25Mundo de ilusão, mundo de arma, drogas, curtição.
00:31Dinheiro, mas depois a gente vê as consequências e não vale a pena.
00:34Foi no momento que eu caí na real e falei, vou me entregar.
00:37Me senti um lixo, vou começar tudo do zero depois que eu saí de lá.
00:41Cuidado dos meus filhos.
00:45Você viu aí? Ela estava na lista dos mais procurados aqui no Estado e voltou para o presídio.
00:52E essa fala dela chama muito a nossa atenção.
00:56Uma criança que não aguentava mais ver a mãe fugindo.
01:03Imagina só como é que fica, minha amiga, meu amigo, a cabecinha dessa criança.
01:08Vamos bater um papo sobre esse assunto aqui no nosso estúdio?
01:11Eu recebo a psicóloga Letícia Santana.
01:13Bley, muito obrigada pela sua participação.
01:15Uma boa tarde.
01:16Boa tarde.
01:17E também a Lohane Aquino, gente, que ela tem uma história parecida, né, Loh?
01:22Obrigada mais uma vez pela sua presença.
01:26Em qual fala dessa mãe você se identifica?
01:30Boa tarde, né?
01:31Boa tarde a todos.
01:33Sim, Roberta.
01:33Eu agradeço, né, mais uma vez a oportunidade de estar aqui na TV para compartilhar.
01:39E na fala dessa mãe, um ponto que me chamou muita atenção, que ela falou assim, eu cansei, né, de
01:46fugir e eu quero criar os meus filhos.
01:49É uma vida de ilusão.
01:50Realmente, a pessoa que está envolvida, né, nessa questão de droga, nessa questão de criminalidade, ela não tem noção.
02:01Mas quando ela leva um choque, igual o filho, né, mãe, para de correr e mãe, sai dessa vida, é
02:08algo que realmente mexe com a gente.
02:10É algo que realmente tem sentido na vida da gente, quanto mãe, sabe, quanto ser humano.
02:16E muitas das vezes, a pessoa está nesse meio e não tem uma perspectiva, não tem um motivo, acha que
02:23não tem um motivo, acha que aquilo ali é realidade.
02:25E quando você se depara com um ser, que você é referência para ele, aí você tem que mudar de
02:31vida.
02:31De que forma que o seu filho te motivou também a sair desse mundo?
02:35É, eu compartilhei isso aqui algumas vezes já com vocês e foi num momento, assim, muito crucial da minha vida,
02:41quando eu me vi dentro de um presídio, por má escolhas, né, por maus companhias.
02:46E a primeira vez que meu filho foi me ver e ele falou, mamãe, você está aqui por causa disso
02:52e disso, né, por conta de droga, por conta de...
02:55Na época ele falou, mãe, você está aqui por causa de maconha, né, porque infelizmente, né, lá naquela época atrás,
03:02eu, quando uso área, ele via algumas coisas.
03:07E criança, eles, criança, gente, eles são muito inteligentes, eles são muito espertos.
03:11A gente acha que esconde alguma coisa do filho, mas a gente não esconde.
03:14E tem um ditado muito errôneo, inclusive, que fala assim, com o filho, né, faz o que eu digo, mas
03:19não faz o que eu faço.
03:20Não, eles não vão fazer somente o que você diz, mas vai, inclusive, querer fazer o que você faz.
03:26Então, assim, na minha mudança de vida, de posicionamento mesmo, como indivíduo, como mãe, o meu filho foi o crucial,
03:35o Matheus, que é o meu primogênito, ele foi crucial ali, usado por Deus e nem sabe.
03:40Pra hoje eu estar aqui, né.
03:42Letícia, o que que explica isso, né, que a gente sabe que os nossos filhos nos evoluem a todo instante,
03:49isso a gente sabe, mas pode chegar a esse ponto também?
03:53É, boa tarde a todos, parabéns pela história linda.
03:57E é muito bom, assim, a gente pensar, Roberta, a maternidade como um privilégio.
04:03Esse amor que é desenvolvido com o filho, esse vínculo da mãe com o filho, ele não é um vínculo
04:10inato, como todos pensam, né, não é naturalmente que esse amor, ele vem.
04:16Ele é um amor construído, é um amor decidido, é um amor que ele é compartilhado e é uma oportunidade,
04:23quando essa mulher decide usufruir desse amor, poder vivenciar essa entrega.
04:29Mas não é inato, é importante a gente colocar isso.
04:32Mas, como a Lohane bem colocou, em algum momento passa a ser uma motivação muito maior do que aos nossos
04:41próprios interesses.
04:42Quando você observa nesse outro ser, que tem um laço de apego, de afeto tão grande com você, olhando pra
04:49você e esperando de você uma reação positiva,
04:52isso pode trazer em algumas mulheres uma mudança abrupta, né, de comportamento, de decisão, de trajetória.
05:01E olha só, a gente vai contar mais um caso agora, do André.
05:05Ele vai participar com a gente por ligação de vídeo e vai contar já já de que forma que a
05:11filha dele ajudou também a sair dessa vida.
05:15André, mais uma vez a gente agradece muito a sua participação e você vai trazer pra gente também o seu
05:21relato.
05:22A sua filha foi crucial também pra sua virada de chave, pra mudar a sua vida?
05:28Sim, ela foi. Foi uma ferramenta muito poderosa de mudança, né, na minha vida, que eu tinha uma vida muito
05:36torta.
05:37E a Vitória, Vitória é uma benção na minha vida.
05:41Minha filha, até hoje, eu sou muito orgulhoso pela atitude dela de querer falar que quer ser psicólogo pra tentar
05:49me ajudar a sair daquela vida, entendeu?
05:51Eu, no começo da minha trajetória, de mudança.
05:54De que forma? Quais foram as atitudes que às vezes a gente pensa que foi algo grandioso, mas não?
06:01Às vezes uma palavra é o suficiente, André?
06:05Uma palavra. Uma palavra é quando o pai ama mesmo o filho e tá naquele período de droga, de tráfico.
06:15O filho fala uma palavra dessa que a minha filha falou e eu vou ser psicólogo pra te ajudar a
06:19sair dessa vida.
06:21E os olhos delas encheu de água, né?
06:23Então, eu vi que a minha filha, eu tinha que parar, eu tinha que mesmo mudar, eu tinha que seguir
06:32a favante pra tentar recuperar muita coisa que eu perdi.
06:38Nisso, ela tinha quantos anos, André?
06:41Roberta, eu sou ruim de gravar, eu sou ruim de gravar.
06:45Hoje, ela tem 20 anos, ela é até empresária, ela trabalha com maquiagem.
06:50Mas era o quê? Na fase da adolescência? Na fase da infância?
06:56É, adolescência. Ela era adolescente. Eu creio que sim, é adolescente.
07:01E é isso que nos chama a atenção. Quer ver? Deixa eu perguntar também aqui pra Lohane.
07:05Nessa época, o seu filho, ele tava em qual fase da vida?
07:08Nessa época, o Matheus, ele tinha 5 anos de idade. 5 pra 6 anos.
07:13Olha aí, tão novinhos. E os filhos já nos ensinam tanto, né, Letícia?
07:18A gente não pode subestimar, muito menos a idade deles, né?
07:22Não, de maneira nenhuma. E é o que a Lohane colocou também, né?
07:25A questão, assim, deles estarem observando as nossas ações e o quanto nós somos modelos poderosos também de conduta na
07:33vida deles.
07:33E muitas vezes, quando você tá com uma vida perdida, a vida perde um pouco o sentido e o propósito.
07:38E aí, quando vem um filho com um pedido como o desse que a André trouxe, também como o da
07:43Lohane trouxe,
07:44parece que a vida ganha uma nova dimensão e você passa a ver sentido.
07:47E o sentido passa a ser o bem-estar daquele outro, querer que aquele outro não viva a vida que
07:52você viveu.
07:53Então, acho que tem essa função poderosa, né?
07:55Trazer um novo sentido além da minha própria vida e aí eu passo a fazer pelo outro.
08:01E aí eu me sacrifico, eu abro mão e vou aí viver essa nova história que um filho é capaz
08:07de proporcionar, né, Roberta?
08:08Agora, a gente sabe que sair da teoria pra prática é um outro processo, não é tão simples assim.
08:16Como foi pra você, Lohane?
08:19No início, primeiro foi uma virada de chave, né?
08:23Foi um choque, assim, quando o Matheus falou isso comigo.
08:25Eu digo, na situação em que eu me encontrava, né, dentro de um presídio, a minha menina que faz 16
08:31anos agora em dezembro,
08:32ela era um bebê, ela tinha 6 meses, então eu comecei a refletir tudo, né, o rumo que a minha
08:39vida tinha tomado.
08:40Eu falei, não, não tem jeito, dá pra sair daqui.
08:43E aí, foi mudança mesmo de atitude.
08:45Primeira coisa que eu falei, bom, eu tenho que tirar a droga da minha vida, né, porque eu era usuária.
08:49Então, o fato de eu ser usuário, eu andava com umas companhias, a qual eu acabei chegando na situação de
08:54me encontrar dentro de um presídio.
08:57E aí eu falei, eu tenho que sair.
08:59Então, foi aos poucos, sabe?
09:01Eu tenho uma história que fala assim, que é um abismo, vai puxando o outro.
09:05E automaticamente, quando você começa também a dar um passo em direção às coisas certas, os outros vão ficando mais
09:10fáceis.
09:11Então, primeiro ponto, tirei a droga da minha vida.
09:14Depois, fui relacionando bem as minhas amizades, fui escolhendo bem, com mais cautela.
09:20E automaticamente também, Roberto, as pessoas também que não era pra ser também já iam saindo.
09:24O ambiente muda, a família muda e eu não sei qual foi o dia nem qual foi a hora, só
09:29sei que um dia eu já estava totalmente liberta disso.
09:32Eu lembro que no aniversário de dois anos da Jasmine, eu já não estava mais usuária, já não estava mais
09:39naquela vida.
09:41E isso, assim, pra mim, é uma vitória muito grande.
09:45Porque não tem presente ou nada que eu faça pros meus filhos que deem mais valor pra eles do que
09:55eu poder ser um bom exemplo pra eles.
09:58E isso é todos os dias, tá?
10:01Até hoje, algumas atitudes minhas não são mais aquela Lohane, né?
10:04De 15 anos atrás.
10:07Mas até hoje a gente está melhorando cada dia a mais pra ser um bom exemplo pra eles.
10:11É o que motiva diariamente, né?
10:13Isso é lindo.
10:14Deixa eu ver com o André também.
10:16Qual é o depoimento dele em relação a isso?
10:19Porque, como a gente disse agora aqui, André, nem sempre decide.
10:22Ah, a partir de hoje, minha filha, meu filho me ajudou, motivou.
10:25Como é que foi essa virada de chave?
10:27Como é que foi isso na prática pra você sair dessa vida?
10:30É, foi quando a minha esposa me largou e a minha filha, né?
10:34Porque eu tinha momentos com a minha filha muito bonito, né?
10:37Teve uma vez que eu estava querendo mudar a minha vida e eu busquei orar, né?
10:41E ela me acompanhava, ia pra oração, na caixa d'água aí em Santa Lúcia, ela ia comigo e isso
10:48marcou muito a minha vida, entendeu?
10:50A minha filha, ela tinha vergonha de falar que eu era o pai dela, porque eu tinha uma vida, entendeu?
10:56Ela era praticamente um nóia, né?
10:59E já pensou os amigos linguinhos dela falar isso com ela?
11:03Poxa, seu pai anda desse jeito, então é...
11:06Foi um passo a passo, né?
11:08A atitude de querer mudar e passo a passo e a palavra dela foi uma chave que ativou a minha
11:13mente, entendeu?
11:14Pra me mudar, eu via que eu tinha apoio da minha filha, entendeu?
11:18Então eu sabia que dava pra reconstruir novas coisas e, graças a Deus, Deus tem abençoado e nós temos construído
11:24bastante coisas, graças a Deus.
11:25Você disse o seguinte, Andréa, minha filha tinha vergonha de dizer que eu era o pai dela.
11:31E hoje?
11:32Isso.
11:34Hoje, ela se sente uma pessoa muito especial, né?
11:41Ela fala que eu sou o paizão, ela fala muita coisa.
11:44Ela é um pouco durona, né?
11:46Não é aquela menina carinhosa e tal, mas ela tem um jeito dela de me fazer alegre, feliz, entendeu?
11:55Eu sei que existe ainda alguma coisa que precisa ser tratada, entendeu?
11:59Porque eu fiz minha filha sofrer muito, né?
12:02Só de usar droga perto dela, isso aí já acaba com o filho, né?
12:07Então é só Deus pra ter misericórdia.
12:11E agora eu vou aproveitar a presença, então, aqui da Letícia.
12:14Presta atenção, Andréa e você também, Lohane.
12:17E você aí de casa que tá acompanhando o programa, o que que isso, o que que essa transformação significa
12:23na cabeça da criança?
12:25É, ele bem colocou, né?
12:26O quanto que hoje a filha dele tem orgulho da trajetória dele.
12:29Eu tenho certeza que os filhos da Lohane estão assistindo ela agora e tem muito orgulho da trajetória.
12:35É claro que ficam aí marcas que são contornáveis à medida que você vai fazendo novas escolhas.
12:42O processo, ele não é simples, como você bem colocou.
12:45Não basta um filho acreditar e pedir que as coisas vão acontecer.
12:48Precisa ser uma sequência de decisões na constância do querer mudar.
12:53E, de novo, o que a gente tá debatendo aqui, um abismo puxou o outro,
12:57mas boas escolhas também puxam outras boas escolhas.
13:01E a rede de apoio com a qual você passa a ir gradativamente inserindo,
13:06também te fortalece na direção dessas escolhas, né?
13:09Então, você vai fazendo novas amizades, convivendo com relacionamentos que são mais saudáveis.
13:14E é inegável que, independente das marcas que ficaram no passado,
13:19essa nova escolha, essa nova trajetória, conseguem, sim, reinventar essa história.
13:25Tanto a história desse pai, dessa mãe, como também desse filho que tá comprometido nesse processo.
13:31A gente fala muito de pais não desistirem de filhos.
13:34E hoje a gente traz exemplos de filhos que não desistiram dos seus pais.
13:38E aí, no final da história, a gente sempre tem um resultado positivo, né?
13:42Olha só, eu tô recebendo alguns comentários aqui no nosso Facebook.
13:45A Marina Peninche até fala dessa mulher, né?
13:48Que ela foi abordada e não tinha como sair fora.
13:51Mas, eu acredito, sim, que muitos podem mudar por causa do filho e por causa da família.
13:59É sobre isso, né?
14:00A gente extraiu a fala dessa mulher que, em algum momento, seja cedo ou tarde ali,
14:07ela trouxe uma verdade.
14:09O quê?
14:10Que se trata de um mundo de ilusões.
14:12E aí, como a Lohane está aqui contando pra gente, como o André também está aqui relatando pra gente,
14:20o quanto os filhos podem, sim, ser essa mola propulsora de ajudar a mudar de vida.
14:28Como que é hoje a sua relação com o seu filho, Lohane?
14:31Nossa relação é ótima.
14:32Nossa relação é muito amigável.
14:35Nós somos muito, além de mãe e filho, nós somos muito amigos, né?
14:40Mateus, assim, com o próprio nome dele mesmo, significa que ele é um presente de Deus.
14:45E, assim, eu aprendo demais.
14:47E ver a responsabilidade que ele tem.
14:50Hoje, um cara, 21 anos, vai fazer em outubro, e trabalhador, e nunca quis se envolver com coisas erradas ali,
15:00sabe?
15:00Então, assim, pra mim é um orgulho.
15:02E ele, assim, também comigo, sexta-feira a gente estava, todo mundo lá em casa, meu aniversário, ele foi com
15:07a namorada.
15:08E, assim, se eu tivesse permanecido naquela vida errônea de antes, talvez isso não aconteceria.
15:15Talvez, com certeza, eu não estaria aqui hoje dando esse depoimento, falando.
15:19Acaba que você salva duas vidas, né?
15:21A sua e a dos seus filhos também, que poderiam crescer naquele ambiente.
15:25E quais seriam as consequências de crianças que crescem em meio a tudo isso, Letícia?
15:30Sim, as consequências são imprevisíveis.
15:33Mas a gente sabe que nada de bom vai acontecer.
15:36Se uma criança cresce num ambiente onde há instabilidade afetiva, de cuidado emocional,
15:42isso fatalmente vai interferir na identidade dela no futuro, né?
15:46A gente sabe que de todos os fatores, a permanência do cuidado e do afeto na primeira infância
15:52é o que vai determinar o adulto de ser um adulto saudável ou não.
15:56E aí, quando você toma uma decisão, como você colocou, Roberta,
15:59numa decisão só que vai interferir na minha vida, mas na minha geração.
16:04E todas as vezes que a Lohane para e observa o cenário, como aconteceu no seu aniversário,
16:08e ela olha aquela cena e ela pensa assim,
16:10se eu não tivesse feito aquela escolha lá atrás, eu não veria essa cena.
16:14Isso é a certeza de que ela fez a escolha certa e o fortalecimento para que ela continue fazendo boas
16:20escolhas nessa direção, né?
16:22Agora, nesse processo, o que é muito importante não é apenas a decisão daquela pessoa,
16:28é um processo, como você disse.
16:30Qual é o papel da família?
16:31Porque a gente sabe que as recaídas podem vir.
16:35É, a família tem um papel muito importante, porque é a família que vai dar o suporte
16:39para que essa pessoa continue se mantendo nessa decisão.
16:43Muitas vezes a gente sabe que a igreja tem um papel muito forte,
16:46as instituições de acolhimento, as instituições públicas,
16:49então a pessoa não pode caminhar sozinha.
16:52E ela precisa entender isso também.
16:54Então, você que está assistindo, se você toma essa decisão hoje,
16:57ou você tomou essa decisão, você não pode caminhar sozinha.
17:00Eu tenho certeza, tanto a Lohane quanto o André tiveram apoio.
17:03É claro que a gente já falou aqui algumas vezes, né?
17:06Se a família está vivendo uma situação de risco com aquela pessoa
17:09que está acometida pela droga, aí sim, né?
17:11Não tem como ficar.
17:13Mas, fora isso, a pessoa fez uma decisão, a família precisa acolher,
17:16precisa estar junto, porque é um processo de fortalecimento contínuo e gradativo, né?
17:21Você teve momentos de recaída, Lohane?
17:24Olha, Roberta, eu não tive recaída.
17:27Mas, do momento que eu me decidi, ainda dentro de um presídio,
17:30eu ainda levei seis meses para, entendeu?
17:35Então, assim, não foi hoje...
17:36A gente se vincular desse mundo mesmo.
17:38Isso, isso.
17:38Eu não quero mais.
17:39Aí passavam os três dias, aí acabava fumando, né?
17:44Um negócio.
17:45E aí, mas eu lembro que foi um processo árduo, dos últimos instantes,
17:51até o dia mesmo que eu me vi sem, foi assim, foi puxado no sentido de espiritual mesmo.
18:02Inclusive, eu me frisei muito na minha mente uma fala de um psiquiatra,
18:07um outro instante que eu estava aqui, ele falou, que a senhora acabou mesmo de falar agora, doutora,
18:11que sozinha a pessoa não consegue.
18:14Então, o espiritual e uma ajuda ali, né?
18:18De uma clínica, uma ajuda médica com o espiritual, em conjunto com a pessoa,
18:27as chances dela sair daquilo ali é muito mais positiva.
18:30É aceitar a ajuda mesmo, né?
18:32Não, sozinha a gente não faz nada, né?
18:34Sozinha a gente não faz nada.
18:36Da mesma forma que a pessoa também não começou a usar sozinha, alguém ofereceu.
18:39Então, assim, e reconhecer que precisa, porque às vezes fica no orgulho,
18:43não, eu vou mudar, mas eu não preciso de ajuda, eu vou sozinha, não tem como.
18:48Não tem.
18:49Deixa eu voltar a falar com o André.
18:50Você também chegou a ter momentos de recaída, André?
18:55Sim, eu tive momentos de recaída quando eu perdi minha esposa, ela foi embora,
19:01e depois eu consegui recuperar, fui para uma clínica lá no Paraná,
19:05aí não aguentei ficar lá, fiquei 45 dias, voltei.
19:09E nisso ela não queria me ver de jeito nenhum.
19:12Eu tive uma recaída e ela estava perto de mim, eu não sabia, entendeu?
19:16Aí eu tive uma recaída.
19:18Aí no outro dia eu consegui encontrar ela em Santa Tereza.
19:22Aí quando eu...
19:23E naquela noite eu tinha usado droga, eu tinha usado três pedras de craque.
19:27Mas eu cheguei para ela e falei, ó, tive uma recaída, não aguentei,
19:30mas eu estou aqui para reconstruir a nossa vida.
19:33E aí naquele momento nunca mais eu tive recaída, graças a Deus.
19:37E como é que foi reconquistar a confiança da sua esposa e da sua filha?
19:44É, tem que ter muita paciência, né?
19:46Muita paciência, muita paciência mesmo, e conquistando devagarzinho.
19:52Eu pedia muito a Deus sabedoria para isso, né?
19:55Muita sabedoria.
19:56Eu sabia que precisaria conquistar a minha esposa, a minha filha.
20:00Aí eu comecei a orar e eu senti de Deus fazer uma viagem.
20:04Nós fizemos uma viagem, nunca tinha andado de avião, eu e ela e minha filha.
20:09Aí foi devagarzinho conquistando as coisas, novas coisas, novas coisas acontecendo na nossa vida.
20:17Fortalecendo o laço do amor, né?
20:19Isso.
20:21A gente precisa trabalhar e ter paciência, né?
20:24Não é da noite para o dia que você conquista um amor que você, como fosse um poço,
20:29e você colocasse um monte de pedra dentro dele, entendeu?
20:32Não é fácil.
20:33Para tirar as pedras tem que ser devagar, tem que ser com calma,
20:36para reconstruir o amor da família, entendeu?
20:39Perfeito.
20:39O amor, ele nunca morre, ele só está entulhado.
20:44Você precisa tirar as pedras que estão dentro dele e eu acredito que o Senhor vai dar força
20:52às pessoas que querem fazer isso e vai ser uma bênção.
20:55Obrigada, André, pela sua participação.
20:58Obrigada por mais uma vez abrir um pouco da sua vida para inspirar, encorajar também os nossos telespectadores
21:04que estão passando pelos mesmos problemas.
21:06Obrigada.
21:07Lohane, para você, um parabéns dobrado, então, pelo seu aniversário na semana passada.
21:11Obrigada.
21:11E por sempre trazer a sua história como inspiração.
21:14Letícia, obrigada também.
21:16Uma boa tarde.
21:16Boa tarde.
21:17Boa tarde.